3 set

Comissão enrola e não soluciona

Birnadas

De Vitor Birner

Não adianta colocar árbitro na geladeira ou tirar os bandeirinhas das rodadas do Brasileirão para fazerem treinamentos depois de eles alterarem, por incompetência, os resultados dos jogos.

A comissão que trata disso na CBF precisa se antecipar aos equívocos deles e impedi-los de acontecerem.

Depois que somaram ou tiraram pontos de algum clube, a medida se torna quase inócua.

O prejuízo na história e contas da agremiação que investiu para ser campeã, na carreira do atleta que se esforçou muito durante anos para acertar aquele lance e teve seus méritos anulados por erros de quem não joga futebol, e no humor do torcedor, principalmente o frequentador dos estádios que tira grana do bolso para empurrar o clube que ama e se sente enrolado ao fazê-lo, continua idêntico.

Hoje, quando observei a tabela do torneio, esses afastamentos não aumentaram ou diminuíram a quantidade de pontos estabelecida após a rodada.

E se fosse um deles

Me coloco no lugar dos árbitros.

Eles não podem reclamar com ninguém porque serão afastados.

Tirante algum caso de má fé, do qual não tenho conhecimento, eles ficam impotentes como os clubes que são prejudicados por seus erros.

Não é fácil a atividade que exercem.

O mundo os avalia pelas lentes que enxergam muito mais que a retina humana os lances no gramado.

Estragam o futebol

Cito o jogo de ontem como exemplo.

O gol de Cícero não foi um lance tão complicado de ser apreciado e poderia alterar o destino dos 3 pontos.

O Corinthians ganhava por 1×0 e talvez  alterasse a forma de atuar indo mais à frente, aumentando brechas para o contra-ataque, que foi sua principal opção ofensiva, caso a igualdade fosse confirmada.

Quando aconteceu o empate invalidado, o Fluminense jogava um pouco melhor.

Antes, o Alvinegro mandou, Marciel dono de atuação convincente fez o gol, Malcom perdeu outros dois, Danilo quase marcou o dele e o time de Enderson Moreira havia desperdiçado uma oportunidade com Gerson depois do erro de Cássio ao tentar interceptar o cruzamento.

O andamento da partida não foi linear.

Mostrou que havia possibilidade de o Fluminense reverter o resultado,  manter a igualdade e de o Corinthians ganhar.

Hoje, infelizmente, aquilo que os atletas realizaram em Itaquera, o futebol competitivo mostrado por eles, a maneira como Marciel substituiu Elias, as mexidas de Enderson Moreira para seu time crescer após o intervalo, foram suprimidas pelo gol invalidado de Cícero.

Todos que realmente amam o futebol perdem com isso.

Ideia para minimizar os erros

A primeira medida, urgente, seria a CBF, que agarra o poder com mais ímpeto que o faminto defende a própria comida e por isso faz questão de continuar definindo quem cuida das regras durante os jogos, desvincular de suas funções quaisquer questões ligadas à preparação e escala de árbitros.

Faculdades sérias de educação física têm mais capacidade que a entidade para formar especialistas e avaliar seus desempenhos.

Falo de profissionalização.

Elas deveriam negociar os serviços de quem é o mais qualificado, em cada momento, para a função.

Longe da política de bastidores e mais preocupadas com questões técnicas, poderiam elevar o nível e diminuir as chatas discussões sobre favorecimento de x ou de y.

Isso não solucionaria tudo, mas minimizaria as distorções de resultados.

Cartolas

A eletrônica, adotada nas transmissões, seria outro enorme benefício para auxiliar quem tenta conduzir o jogo e não ser lembrado.

Tenho convicção que os árbitros adorariam ter acesso a ela.

Mas o discurso dos cartolas, em regra contrário de maneira de maneira leve ou enfática, não permite que externem isso.

Eles passam a impressão que se preocupam mais com a manutenção do poder que com a melhora do futebol.

O cerne de quase todos os problemas do esporte, inclusive na Fifa, é o ultra-conservadorismo naftalínico de quem não faz o óbvio para a evolução daquilo que se propôs a administrar

Escrito por Vitor Birner às 20:50 Vitor Birner 112 Comentários

3 set

Cartolas deveriam ser mais diretos nas reclamações

Geral

De Vitor Birner

A quantidade de erros favoráveis ao Corinthians interfere no andamento do Brasileirão.

O Alvinegro joga futebol capaz de credenciá-lo ao título, mas os 7 pontos acima do Atlético MG são consequência também das decisões de quem deve tornar as regras do jogo iguais para todos.

Isso não significa que há complô ou qualquer tipo de artimanha premeditada para construir o campeão.

Não se acusa por causa de impressões. É necessário de algo concreto para isso.

Quem entra em campo para impor as regras do esporte deve ser respeitado, pois não se trata do personagem fictício que habita as mentes alheias.

Xingar no twitter, como fez o ex-presidente atleticano Alexandre Kalil, é algo agressivo e ineficaz.

Lamentar deixando nas entrelinhas que existe, tal qual outros dirigentes manifestaram, favorecimento ao time de Parque São Jorge, nada acrescenta.

Se eles têm alguma informação, seja sobre corrupção ou conjectura política capaz de inibir árbitros e gerar direcionamento de resultados dos jogos, o ideal é que citem.

Ressalto que a credibilidade do nosso futebol continua quase nula.

É imprescindível alterar isso.

A crença das pessoas na honestidade no esporte é fundamental tanto para quem ama o jogo quanto aos tecnocratas que o consideram apenas um grande negócio.

Relatei uma das minhas ideias de como fazer isso – não é nova porque falo faz mais de década –  no post acima.

 

Escrito por Vitor Birner às 20:34 Vitor Birner 9 Comentários

3 set

Pequeno comentário sobre o empate de Joinville e São Paulo

Birnadas

De Vitor Birner

Não há nenhum exagero em dizer que o jogo do turno foi um ’0×0 com três gols’, todos favoráveis ao time então comandado por Milton Cruz, por causa do futebol feio, lento, chato, ruim de ambas as agremiações naquela noite.

Na partida de ontem, tudo aconteceu de outra maneira.

Houve muitas oportunidades, os goleiros fizeram intervenções difíceis, noutros lances as traves garantiram o cumprimento do primeiro objetivo de ambos, e houve alguns erros de finalização em frente a eles.

O jogo, apesar do 0×0, foi muito melhor que o do turno.

O empate com gols ou a vitória de uma das agremiações refletiria melhor o que houve no gramado.

Os sistemas de marcação e os jogadores que chutaram em gol cometeram muitos equívocos.

É fundamental que melhorem nesses fundamentos, pois a capacidade de retomar a bola e a qualidade ao definir os lances no ataque somam muitos pontos no torneio de regularidade.

OBS: semana que vem haverá novidades no blog. Junto delas, aumentarei a quantidade de posts e os comentários mais profundos, com detalhes, sobre os jogos.

Escrito por Vitor Birner às 20:07 Vitor Birner 6 Comentários

3 set

Goiás aproveita erros do Palmeiras e ganha o jogo equilibrado

Análise de jogos

De Thiago Lattes

Goiás 1×0 Palmeiras

Goiás e Palmeiras fizeram jogo muito parelho no Serra Dourada. O time paulista teve as melhores chances, mas os erros de seus atacantes e da arbitragem impediram o alviverde de tirar o 0 do placar.

Os erros da arbitragem aconteceram no primeiro tempo, ao invalidar um gol legítimo de Barrios e não marcar o pênalti em outro lance do atacante. Houve um não marcado para o Goiás durante o segundo tempo, mas a ordem dos erros interferiu diretamente no jogo.

O Goiás, que nada teve a ver com isso, abriu o placar após o intervalo, em bela jogada de Bruno Henrique.

Depois se fechou e soube gastar o tempo. O Palmeiras, sem muito repertório, não conseguiu furar a retranca esmeraldina.

O técnico Julinho Camargo parece ter achado um jeito muito seguro e eficiente de jogar e deve livrar o Goiás do rebaixamento.

O Alviverde continua oscilando e vivo na briga pelo G4. O título me parece fora da realidade no momento.

Propostas 

Marcelo Oliveira escalou o Palmeiras no 4-3-3.

Isolou o trio de ataque composto por Dudu, Gabriel Jesus e Barrios. No meio, Thiago Santos e Amaral foram os volantes. Robinho, além de ajudar na marcação, era responsável pela criação.

Contava com o apoio de Egídio e João Pedro pelas laterais para levar a bola ao ataque.

Julinho Camargo armou o Goiás em um 4-4-2 clássico. Bruno Henrique abria pela direita e David vinha da esquerda para dentro liberando o corredor por onde o lateral Diogo Barbosa apoiou.

As duas equipes não pressionaram a saída de bola e esperaram o adversário em seu campo. O gigantesco gramado do Serra Dourada e a maratona de jogos podem ter contribuído para essa estratégia.

Jogo ruim

Ninguém se expôs no começo do jogo. O medo de perder a bola e tomar um contra-ataque fez com que os times não se expusessem.

Robinho não deu conta, sozinho, de criar as jogadas para o Palmeiras. Não houve um apoio constante das laterais e faltou qualidade e participação dos volantes. Poucas bolas chegaram pela grama ao trio de ataque paulista.

Sem encontrar solução, o Palmeiras abusou dos lançamentos longos em direção de Dudu e Gabriel Jesus, nas costas da defesa, ou para a Barrios dividir pelo alto.

Ao Goiás, faltou qualidade para que as jogadas saíssem.

Começa o jogo

Até aos 23 minutos, quando Dudu dominou um desses lançamentos e chutou para boa defesa de Renan, não havia acontecido nenhuma oportunidade.

Dois minutos mais tarde, Barrios disputou a bola pelo alto e ajeitou para Gabriel chutar por cima.

Erra o juiz

Aos 34, Robinho sofreu falta. A bola foi cruzada na área, Amaral desviou e Lucas Barrios, na mesma linha do último zagueiro, fez o gol. O bandeirinha, em lance difícil, anulou o gol incorretamente.

Ao fim do primeiro tempo, pouco depois de Fernando Prass realizar difícil defesa em boa jogada de Zé Eduardo, o Palmeiras teve o pênalti negado.

Em confusão na área, a bola sobrou para Barrios que chutou. Ela bateu no braço do defensor do Goiás e impediu o gol.

Intervalo

Marcelo Oliveira colocou João Paulo no lugar de Egídio. Além disso, inverteu o posicionamento de Dudu e Gabriel Jesus, trazendo o mais jovem para a ponta esquerda.

Toma aqui, da lá.

O começo do segundo tempo foi muito intenso.

Diferentemente do primeiro tempo, quando havia muita cautela, as equipes sentiram que podiam ganhar e se abriram.

O Palmeiras tinha mais posse de bola e ficou mais exposto no contra-ataque. O Goiás aproveitou.

Logo aos 3 minutos, o zagueiro Fred bateu falta no travessão de Prass.

Aos 7, João Paulo, deitado no gramado, colocou o braço na bola. Houve o pênalti não marcado para o Goiás.

Aos 8, Dudu recebeu com liberdade cara a cara com Renan. Demorou para finalizar e perdeu a chance de abrir o placar.

Logo em seguida, foi a vez de Barrios ficar na frente do goleiro esmeraldino e perder a oportunidade para o Palmeiras.

Aos 11, Fernando Prass fez difícil intervenção depois do cabeceio de Zé Love.

Aos 13, João Pedro, no rebote, assustou Renan ao bater por cima do gol.

Dois minutos depois, Gabriel Jesus fez jogada pela linha de fundo e tocou para Robinho errar ao chutar.

Quem não faz…

O Palmeiras teve dificuldade na recomposição do sistema de marcação.

Em belo lance pela esquerda, Bruno Henrique deixou João Pedro no chão e a cobertura não apareceu.

O jogador deu um belo chute no canto de Fernando Prass e abriu o placar.

Tentativa

Após o gol, Marcelo Oliveira sacou Lucas Barrios e Thiago Santos para colocar Alecsandro e Rafael Marques.

A ideia do treinador era pressionar o Goiás ao aumentar o volume de jogo com um posicionamento mais avançado de Rafael Marques que substituiu um volante.

Pouco adiantou

O Goiás se fechou.

Camargo sacou o meia atacante Bruno Henrique e colocou o volante Ygor.

Contava com um contra-ataque para matar o jogo.

Aos 30, João Pedro tirou a bola em cima da linha na última grande oportunidade do Goiás no jogo.

O Palmeiras tentou,  apesar de contar com um jogador a mais no meio campo, os lances pelo alto.

Foram pouco produtivos.

Murilo Henrique ainda substituiu David.

Mesmo com 5 minutos de acréscimo, o Palmeiras não teve mais nenhuma grande chance e perdeu o jogo.

Injusto

A história do jogo seria outra caso não acontecessem os erros da arbitragem no primeiro tempo.

E o Palmeiras foi mais prejudicado no placar de erros da arbitragem.

A atuação do trio foi péssima.

O Goiás, vale ressaltar, foi mais competente em uma finalização e ganhou o jogo.

Escrito por Thiago Lattes às 20:06 Thiago Lattes 2 Comentários

27 ago

Santos sobrou contra o Corinthians

Birnadas

De Vitor Birner

Faz algumas rodadas do Brasileirão que o Santos joga futebol superior ao do Corinthians.

No confronto direto entre os alvinegros, onde a qualidade e o choque de estilos entram em campo, o time de Dorival Jr sobrou.

Na Vila Belmiro praticamente anulou o sistema ofensivo escalado por Tite e fez dois gols.

Tentou

Em Itaquera,  Tite pediu ao time para marcar a saída de jogo, pois era necessário aumentar o volume do jogo ofensivo, e permitiu que os santistas tivessem os contra-ataques.

No início, funcionou. Alguns chutes da entrada da área passaram perto das traves.

Pelos lados

Mas a postura ousada forçou os laterais Edilson e Uendel a apoiarem e as dificuldades na marcação ficaram nítidas.

O treinador monta o time para eles e a dupla de zaga não ficarem desguarnecidas e teve que alterar isso para  otimizar a criação.

Como Bruno Henrique não consegue fazer a cobertura necessária e ficou muito sobrecarregado,  Lucas Lima, Geuvânio e Gabriel, que têm velocidade e técnica, ganharam as lacunas para investirem naquilo que melhor realizam.

Desenhados

Os gols de Gabriel, antes do intervalo, após a assistência do meia, e de Ricardo Oliveira, no passe Marquinhos Gabriel que entrara no lugar do jogador revelado nas categorias de base do clube, foram muito parecidos.

Quem acompanha as partidas do Santos nota que esse lance parece se tornar a marca da equipe, pois houve outros assim.

Depois do 1×0 o Corinthians passou a jogar por inércia.

Os atletas deram a impressão de tentarem buscar forças que não tinham, como faz o incrédulo que diz a si mesmo que crê, para continuarem competindo.

Romero fez o gol de honra no mata-mata quando não havia maneira de se classificar.

Entre os favoritos

Cada agremiação segue o próprio caminho.

O Santos com seu time forte e elenco pequeno encarando a maratona de jogos e talvez, em algum momento, sendo obrigado a poupar importantes jogadores.

E o Corinthians, líder do torneio mais relevante do país, precisando de ajustes que não o fizeram perder a colocação almejada pelos poucos concorrentes e nem o tiram da condição de um dos maiores favoritos à conquista, mas que contribuíram para o fracasso diante santistas e podem (hipótese, não afirmação) ter consequência igual no Brasileirão.

Fundamental: altos e baixos são normais em nosso futebol. Não há nada atípico na na queda ou melhora de rendimento dessas agremiações. É impossível ser preciso em qualquer prognóstico. Mas o Santos no mata-mata e o Corinthians nos pontos corridos, reitero, continuam entre aos favoritos à conquista dos respectivos torneios.

Ficha do jogo

Corinthians – Cássio; Edílson, Felipe (Edu Dracena), Gil e Uendel; Ralf; Matheus Pereira (Romero), Bruno Henrique (Cristian), Renato Augusto e Malcom; Vagner Love
Técnico: Tite

Santos – Vanderlei; Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia (Leandrinho) e Renato; Gabriel (Marquinhos Gabriel), Lucas Lima e Geuvânio (Chiquinho); Ricardo Oliveira
Técnico: Dorival Júnior

Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (MG) – Assistentes: Bruno Boschilia e Marcio Eustaquio Santiago

Escrito por Vitor Birner às 16:44 Vitor Birner 82 Comentários

27 ago

São Paulo cumpre obrigação de eliminar reservas do Ceará

Análise de jogos

De Vitor Birner

Ceará 0×3 São Paulo

O time de Juan Carlos Osorio de novo foi superior aos esforçados reservas da zebra, mas não conseguiu o volume de jogo ofensivo enorme como no Morumbi.

Fez gols depois de Wellington Carvalho ser excluído por causa de um carrinho tão tolo quanto desnecessário.

Até aquele momento, havia finalizado uma vez.

De qualquer forma, cumpriu a obrigação e mereceu se classificar.

Alexandre Pato e Carlinhos foram os melhores em campo.

O Ceará, se mantiver o padrão tático e agregar a isso a técnica dos muitos titulares impossibilitados de atuarem hoje, tende a somar mais pontos no returno da segundona.

A prioridade é evitar o rebaixamento.

O futebol mostrado diante do São Paulo aumenta o otimismo para conseguir isso.

Acima de tudo, é importante manter a garra que não faltou, em nenhum momento, no torneio do qual foi eliminado.

Assim pode elevar o desempenho coletivo.

Propostas 

Michel Bastos e Thiago Mendes como volantes para o time ter jogadores que chegam de trás, com menos marcação, se o Ceará cumprisse o protocolo de ficar fechado e recuado, e podem criar lances de gol.

Os laterais Bruno e Reinaldo apoiando constantemente, Ganso na meia, e o ataque formado por Carlinhos e Pato, pelos lados, porque investem em dribles na diagonal e sabem chutar de média distância, e Wilder como centroavante.

Além disso, os zagueiros Rodrigo Caio e principalmente Luiz Eduardo foram à linha que divide o gramado para um deles, em diversos momentos, iniciar as jogadas de ataque.

Esse foi o plano de Juan Carlos Osorio para o sistema ofensivo.

Carlinhos, Ganso e Pato formaram o trio de criação em frente aos volantes, por isso e o 4-3-3 se transformou em 4-2-3-1, quando o Ceará conseguiu bloquear a entrada da área do goleiro Luis Carlos.

O time de Marcelo Cabo tentou intensificar o que havia realizado no Morumbi.

Priorizou a parte defensiva ao se posicionar no 4-1-4-1 ultra-defensivo com flutuação para o 3-6-1.

O trio de zaga teve Gilvan, Charles e Wellington Carvalho. O meio de campo com Tiago Cametá e Sanchez pelos lados, Carlão, João Marcos e Wescley entre eles, e Fabinho completando o congestionamento, tentou impedir o São Paulo de entrar na área e investir nos lançamentos para Siloé no contra-ataque.

Como Tiago Cametá e Sanchez são laterais, eles recuaram para a linha dos zagueiros, Wellington Carvalho avançou um pouco para se dividir entre as funções de terceiro jogador da função e volante, Carlão, João Marcos, Wescley e Fabinho formaram o quarteto no meio de campo e Siloé se manteve como atacante que participou da marcação.

Muita catimba e algumas faltas duras agregaram ao ferrolho os ingredientes para o Ceará tentar não tomar mais de um gol e seguir no torneio.

Geometria imprecisa 

Fabinho teve a oportunidade de fazer o gol, em contra-ataque, após Thiago Mendes perder a bola no meio de campo, mas finalizou mal, apesar de ter ficado cara a cara com Rogério Ceni.

O São Paulo, mesmo com muita posse de bola ofensiva, teve dificuldade para chutar em gol e até para fazer os cruzamentos, pois alguns foram muitos curtos.

Mas o futebol não faz medidas milimétricas e precisas das construções técnicas e táticas na hora de determinar resultados.

Cinco minutos antes do intervalo, Wellington Carvalho deu carrinho desnecessário, perto da linha do meio de campo, em Alexandre Pato – foi quem mais apanhou- , acertou as duas perdas dele e mereceu ser expulso.

Pouco depois, o lateral Sanchez tentou impedir Carlinhos de driblar na diagonal, demorou um segundo a mais que o ideal e o são-paulino, experiente, permitiu o contato e cavou o pênalti brasileiro.

Rogério Ceni cobrou e fez 1xo.

Menos e mais

Não há nenhum exagero em dizer que o Ceará marcou melhor no Castelão que no Morumbi.

E nem que houve mais oportunidades de conseguir o contra-ataque ou que não teve, semana passada, lance mais fácil que o de Fabinho para fazer o gol.

Apesar de uma agremiações melhorar e a outra piorar, o resultado favorável,  antes do intervalo, foi exatamente oposto ao do jogo anterior.

Osorismo

O Ceará tinha que reforçar a proposta defensiva depois de tomar o gol e ficar com 10 em campo, mas decidiu tentar o gol após o intervalo.

Não foi por isso que o São Paulo fez 2×0.

Tal qual Juan Carlos Osorio havia pedido, Thiago Mendes foi para a entrada da área com pouca marcação e acertou chute forte, preciso, no canto direito.

Aos críticos da modernização tática que o treinador tenta implementar e tende a demorar para conseguir, lembro que um dos gols nasceu com Carlinhos no ataque, o outro com o volante da maneira treinada pelo colombiano, e que Michel Bastos finaliza melhor que o Thiago Mendes de lá e poderia fazer igual.

Por isso, se a proposta coletiva funciona ou não é algo que depende dos jogadores, mas que o plano de jogo e a escalação têm lógica não se pode questionar muito.

Alterações

Wilder e Hudson entrou para aumentar a pegada no meio de campo depois do 2×0.

Ao 23, Michel Bastos, porque tinha o amarelo, deu lugar ao Wesley, e quase junto Sandro e Rafael Costa foram ao gramado para Gilvan e Siloé, que caiu de rendimento, irem embora.

O Ceará não conseguiu volume de jogo ofensivo.

O São Paulo passou a tocar a bola no meio de campo para manter o time de Marcelo Cabo longe do ataque, enquanto tentou encontrar a lacuna e fazer o gol que tornaria quase impossível a perda da classificação.

Julio Cesar foi ao gramado, Wescley saiu, para tentar otimizar o sistema ofensivo,.

As mexidas no Ceará não tiveram impacto no andamento do jogo

Fechou

Aos 30, Bruno cruzou, Alexandre Pato chutou forte e comemorou.

Depois o São Paulo, ciente que tinha garantido a permanência no torneio, se poupou mantendo a bola.

Mereceram

A torcida do Ceará aplaudiu seus jogadores após a eliminação porque mostraram muita garra.

O otimismo dela para o rebaixamento não acontecer deve ter aumentado.

O São Paulo foi superior tanto no Morumbi quanto no Castelão.

Fez o suficiente, contra uma agremiação muito desfalcada, para seguir no torneio.

Ficha do jogo

Ceará – Luís Carlos; Gilvan (Sandro), Charles e Wellington Carvalho; Tiago Cametá, Carlão, João Marcos, Wescley (Júlio César), Sanchez e Fabinho; Siloé (Rafael Costa)
Técnico: Marcelo Cabo

São Paulo – Rogério Ceni; Bruno, Rodrigo Caio, Luiz Eduardo e Reinaldo (Matheus Reis); Thiago Mendes, Michel Bastos (Wesley) e Paulo Henrique Ganso; Carlinhos, Wilder (Hudson) e Alexandre Pato
Técnico: Juan Carlos Osorio

Árbitro: Pablo dos Santos Alves – Assistentes: Clóvis Amaral da Silva e Luís Filipe Gonçalves Correa

Escrito por Vitor Birner às 16:40 Vitor Birner 3 Comentários

21 ago

Não coloco na conta de Juan Carlos Osorio a derrota para o Ceará

Birnadas

De Vitor Birner

São Paulo 1×2 Ceará

O time do Morumbi tinha obrigação de ganhar com margem de gols do Ceará cheio de desfalques. e passou vergonha no Morumbi por causa da derrota.

Mas foi muito superior.

Mandou no jogo do início ao fim.

Chutou 22 duas vezes em gol, 10 deles dentro da área, conseguiu 17 escanteios, cruzou 60 vezes na área ao todo,  ficou 74,1% do jogo com a bola sendo que a maior parte no campo de ataque, e trocou 568 passes certos (92% dos que tentou)  contra 88 precisos do adversário .

Tomou gols na única cobrança de escanteio que cedeu, quando Luis Fabiano perdeu de cabeça para o autor da assistência e Reinaldo ficou plantado na grama em vez de dar alguns passes adiante para deixar Rafael Costa impedido, e no pênalti que Luiz Eduardo fez em contra-ataque.

Não irei dissecar o 4-3-3 ultra-ofensivo, com Carlinhos no ataque do lado oposto ao de Alexandre Pato, recuando, nas ínfimos momentos necessários, para formar o 4-4-2, e os laterais e volantes participando muito da criação.

Aos críticos da escalação de Carlinhos na frente, lembro que foi a mesma ideia que Juan Carlos Osorio implementou diante do Corinthians quando colocou Auro nessa função.

O atleta mais jovem é pior nos lançamentos e nos passes.

Barcelona e Real Madrid jogam dessa forma.

A derrota não tem aconteceu por causa do esquema tático.

Houve falhas técnicas, individuais, além de nervosismo depois do primeiro gol que fez os atletas pensarem pouco, errarem levantamentos na área e perderem oportunidades.

Essa irritação tem a ver com o resultado e o ambiente interno.

A torcida, que poderia empurrar o time, não fez isso integralmente. Muito que foram ao estádio, ainda antes do intervalo, xingaram alguns e contribuiu para a tensão em campo.

Compreendo quando pegam no pé de acomodados, mas não se fazem isso contra quem se esforça e joga mal.

Me pergunto qual leitor se esforçaria mais por alguém porque foi ofendido.

Alguns jogadores atuaram abaixo do que podem, Michel Bastos foi um deles, mas não por falta de raça.

O Ceará merece elogios pela enorme dedicação, pragmatismo no cumprimento da proposta de marcar, marcar, marcar, marcar e marcar porque era a única opção viável, e tentar o gols nos contra-ataques, escanteios e faltas.

Nas três únicas jogadas assim comemorou duas vezes.

Mas o maior mérito foi a impressionante quantidade de divididas, pelo alto, que o sistema defensivo ganhou, além das importantes intervenções do goleiro Luís Carlos.

Psicologicamente, o Alvinegro foi crescendo na medida em que o São Paulo desandou.

Como continuará impossibilitado de aproveitar ao menos 9 jogadores semana que vem, a zebra ainda tem considerável possibilidade de não seguir às quartas-de-final.

Ficha do jogo

São Paulo – Renan Ribeiro; Bruno, Lucão, Luiz Eduardo e Reinaldo (Wesley); Thiago Mendes, Michel Bastos e Paulo Henrique Ganso; Carlinhos, Alexandre Pato e Luis Fabiano (Wilder)
Técnico: Juan Carlos Osorio

Ceará – Luís Carlos; Guilherme Andrade, Wellington Carvalho, Charles, Gilvan e Sánchez; João Marcos, Carlão, Uillian Correa e Rafael Costa (Carlos Alberto); Fabinho
Técnico: Marcelo Cabo

Árbitro: Dewson Fernando Freitas da Silva (PA) – Assistentes: Fabiano da Silva Ramires (ES) e Bruno Raphael Pires (GO)

Escrito por Vitor Birner às 12:47 Vitor Birner 163 Comentários

17 ago

Atlético MG foi melhor que o Corinthians no turno; colocação das equipes contraria a máxima dos pontos corridos

Birnadas

De Vitor Birner

Futebol é um jogo de imposição.

O treinador deve observar seu elenco e o dos outros times para, quando for atuar contra cada um deles, saber quais atletas e proposta de jogo escolher.

Não existe fórmula pré-estabelecida e irretocável.

Ninguém possui pleno controle do futebol.

Os melhores técnicos do mundo falham. Os principais jogadores da história tiveram fases ruins. Os mais capazes nos chutes em gol cobraram faltas longe das traves. Os competentes no passe deram bolas tortas aos companheiros. Os mais fortes nos cruzamentos perderam e tomaram gols de cabeça. Os defensores de alto nível foram driblados por atacantes limitados. Os times superiores caíram diante de agremiações menos capazes.

Dizem que o esporte reflete a própria existência.

A impossibilidade de alguém manter a precisão constante, porque as emoções interferem tanto de maneira positiva quanto negativa em questões técnicas, faz quem é elogiável errar e quem não é acertar.

Regularidade

No campeonato de pontos corridos, a média de tudo isso quase sempre determina a pontuação.

O Corinthians é, um pouco, o contraponto dessa tendência.

Tem sistema de marcação competitivo, mas ainda não é forte como na passagem anterior do Tite pelo clube.

Falta consistência na jogada aérea e o meio de campo, vira e mexe, deixa lacunas.

De posse da bola, o time não é capaz de criar constantemente o volume de jogo capaz de acuar as outras agremiações.

Mas terminou na liderança nesse torneio de regularidade.

Quem acompanha o Alvinegro e consegue avaliar racionalmente o desempenho da equipe, se lembra como Atlético PR e Ponte Preta foram superiores, em Itaquera, após os intervalos dos respectivos jogos, e perderam oportunidades.

Da partida, ontem, contra o Avaí, quando Luciano tirou dois coelhos da cartola e marcou golaços que fariam qualquer treinador que acaba de conhecer o futebol dele, irregular desde quando chegou ao Parque São Jorge,  ficar encantado.

Do equilíbrio diante do Sport. Dos gols desperdiçados pelo Atlético MG. Da intervenção das traves contra o São Paulo.

Tite pensa assim

O Corinthians não mostra o melhor futebol do país.

O Galo fez isso ao longo do primeiro turno, apesar de oscilar e deixar a desejar em jogos.

O próprio Tite, faz menos de um mês, afirmou que o Atlético MG está “um degrau acima”.

Minha conclusão, por enquanto, é que o time de Parque São Jorge ainda precisa evoluir coletivamente e que tem potencial para isso.

Não necessita alterar a proposta de jogo. A questão é realizar um pouco melhor, com pequenos ajustes, aquilo que o treinador quer.

Menos treinos e mais jogos

Lembro que no torneio equilibrado, emocionante como o atual, alguns times podem cair de rendimento, outros evoluir, pois a maratona de jogos tende a aumentar a quantidade de atletas machucados e a obrigar os treinadores a mexerem nas equipes.

E isso talvez permita que alguém seja campeão com futebol inferior ao que mostra hoje.

Hoje, é impossível afirmar o impacto que esse monte de rodadas, uma em seguida da outra, e das convocações das seleções brasileiras terá no desempenho de cada agremiação.

Minha avaliação sobre a liderança

A colocação acima de todos tem muito a ver com as circunstâncias, competência e sorte (é benção e não pecado) inclusive no cumprimento das regras dos jogos, e não com o futebol melhor que o do Atlético MG.

Não entrarei na polêmica, neste post, sobre o suposto favorecimento premeditado que entrou em debate nos programas esportivos de canais fechados que assisti desde o término da rodada.

Sei que turbinaria a audiência.

Mas ficar discutindo isso, agora, quando eu não tenho informação sobre o tema, seria convenientemente apelativo, apesar do sopro de sorte do time nessas últimas rodadas.  .

Falarei, mais para frente, se assim continuar.

O Alvinegro ainda pode ter dificuldades por falhas no cumprimento das regras em muitos de seus jogos.

Principalmente porque o tema tomou conta da parte futebolística do país.

Quem deve determinar quais lances são pênalti, impedimento, escanteio, falta e merecem cartões, irá ao gramado ciente da desconfiança dos que creem em corrupção na organização do torneio.

 

Escrito por Vitor Birner às 15:41 Vitor Birner 172 Comentários

13 ago

Juan Carlos Osorio ‘imita’ gigantes espanhóis e São Paulo ganha do Figueirense

Análise de jogos

De Vitor Birner

Figueirense 0×2 São Paulo

O time de Juan Carlos Osorio foi muito superior tanto na parte tática quanto na técnica.

O colombiano, mesmo após a equipe mandar no clássico de domingo, alterou a proposta coletiva por causa das características do Figueirense.

E o São Paulo controlou o jogo até Luis Eduardo ser expulso em lance onde sequer merecia o amarelo.

Argel, ciente do estilo de futebol são-paulino, queria que o Figueirense marcasse de maneira consistente investisse no contra-ataque.

Não conseguiu nem um nem outro.

O Figueirense cresceu, um pouco, nos minutos finais, quando teve um jogador a mais diante da agremiação que, naquele momento, priorizou com sucesso a manutenção do resultado.

Barcelona e Real Madrid

No time catalão, Neymar, Messi e Suárez são os mais adiantados do 4-3-3. Quando é necessário marcar no campo de defesa, o brasileiro recua e forma a linha de quatro no meio de campo e o esquema passa a ser o o 4-4-2.

O Real Madrid joga de maneira parecida.

Cristiano Ronaldo faz o mesmo que o argentino, mas do lado oposto, e Benzema igual ao uruguaio. Bale é quem, na direita, tem que correr alguns metros para trás quando os merengues precisam compor o quarteto no meio de campo.

Os esquemas táticos similares dos gigantes da Espanha têm distinções por causa das características dos jogadores.

O treinador colombiano fez no São Paulo uma adaptação da proposta coletiva dos times mais midiáticos do planeta.

O sistema ofensivo atuou no 4-3-3 com Auro na direita, Alexandre Pato do outro lado, e Luis Fabiano entre eles no ataque. Ganso jogou muito perto da área e com obrigação de se mexer para a bola passar mais por seus pés.

Os volantes Breno e Wesley avançaram, assim como os laterais Thiago Mendes e Reinaldo.

A ideia foi povoar o campo de ataque, ter opções de passes porque havia muitos jogadores em cerca de 30 metros de campo, e confundir o sistema defensivo com a troca de posições.

Até os zagueiros apoiaram quando não havia ninguém do Figueirense para o contra-ataque.

Nos poucos momentos em que a equipe de Argel conseguiu a transição de bola, Auro recuou para marcar na direita em frente ao Thiago Mendes, e Ganso ou Pato, – o meia mais –  teve que atuar na linha dos volantes para formar o quarteto do 4-4-2 no meio de campo.

A proposta de Argel

O Figueirense demorou muito para compreender a proposta de Juan Carlos Osorio fora do padrão óbvio nacional. Atlético MG e Corinthians tiveram dificuldade similar.

A equipe jogou no 4-4-2, porque provavelmente Argel sabia que o São Paulo teria a iniciativa e queria o contra-ataque. Em certos momentos, chegou a ter o trio, com Marcão como centroavante, Cleyton do lado e Rafael Bastos, o meia, mais adiantados.

Durante cerca de 25 minutos manteve o que pretendia.

Ao notar que sua equipe perdia com sobra a disputa no meio de campo, teve que pedir ao Rafael Bastos para recuar.

Já havia tomado o gol.

Planejado por Juan Carlos Osorio

Ganso, aos 14, foi para a região do gramado em que Alexandre Pato atuou, e o atacante se posicionou no lugar do meia, na entrada da área, onde recebeu a assistência e chutou muito forte, rasteiro, no canto.

Houve a troca de posições exigida pelo colombiano.

Além disso, Luis Fabiano levou o zagueiro se mexendo e criou a brecha para a finalização.

Tudo isso é o que o treinador quer deles.

O talento em prol do coletivo.

Superior

Cleyton precisou recuar para fortalecer o sistema de marcação e apenas Marcão, lento, ficou adiantado.

Isso diminuiu muito a possibilidade de o Figueirense ter o contra-ataque.

Além da enorme superioridade tática e técnica, os são-paulinos foram melhores nas jogadas aéreas.

Padrão nacional

Em uma delas, Breno, na área, chutou e a bola tocou no braço de Marcão.

Aqui, de novo, reitero a distorção da regra. O zagueiro não tinha como impedir o que ela batesse na ‘mão’. No futebol, isso não é pênalti.

Mas o critério da comissão que orienta Anderson Daroco diz que isso é infração e ele cumpriu a determinação dos patrões.

Como a única maneira de tornar as condições de jogo iguais em todo torneio é padronizar os critério, não questiono Anderson Daroco e a marcação do neo-pênalti, e  sim quem impôs a distorção da regra.

Nem os atletas do Figueirense reclamaram muito.

Rogério Ceni chutou no canto oposto ao que Muralha pulou e fez 2×0.

Chutes

Argel tirou Fabinho para Carlos Alberto tentar melhorar a saída de bola e a criação.

Até o intervalo, o Figueirense não conseguiu nenhum lance de gol.

E continuou assim até o minuto 14, quando Rafael Bastos carregou a bola desde o meio de campo, driblou o Breno e obrigou o goleiro a fazer sua intervenção mais difícil no jogo.

Trocas de jogadores e propostas 

Juan Carlos Osorio, ao notar que o time perder força de marcação no meio de campo, colocou Hudson no lugar de Wesley. Quase junto, Argel tirou o lateral Marcos Pedroso e pôs Suelliton.

O colombiano alterou a estratégia em seguida.

Ao invés de pedir marcação na frente, mandou que iniciasse no meio de campo.

Queria o contra-ataque porque o Figueirense iria para cima, e para ter mais velocidade optou por Carlinhos no lugar de Luis Fabiano.

O reserva reforçou a marcação em frente ao Reinaldo e Alexandre Pato passou a jogar como centroavante.

Aos 25, o zagueiro Marquinhos, machucado, saiu e Bruno Alves foi para o gramado.

Breno, cansado, teve que ser trocado e Juan Carlos Osorio optou por Bruno na lateral e Thiago Mendes como volante.

Nem para cartão amarelo

Cinco minutos depois, Luis Eduardo deu o carrinho para bloquear a bola, em frente e não diretamente nela, para tomá-la de Rafael Bastos.

Como o meia tocou por cima do zagueiro e tentou seguir em velocidade, houve o contato da cabeça do defensor com a perna do jogador do Figueirense.

A exclusão do são-paulino foi totalmente errada.

Um pouco melhor

Juan Carlos Osorio não podia mais fazer alterações, por isso pediu para Reinaldo ser zagueiro e Carlinhos lateral depois de ficar com 10 jogadores.

Formou duas linhas de quatro para garantir o resultado.

O Figueirense cresceu por ter um jogador a mais.

Não o suficiente para conseguir grandes oportunidades.

Os cruzamentos foram a principal e ineficaz opção do time.

Ficha do jogo

Figueirense – Alex Muralha; Leandro Silva, Marquinhos (Bruno Alves), Thiago Heleno e Marquinhos Pedroso (Sueliton); Paulo Roberto, Fabinho (Carlos Alberto), João Vitor e Rafael Bastos; Clayton e Marcão
Técnico: Argel Fucks

São Paulo – Rogério Ceni; Thiago Mendes, Rafael Toloi, Luiz Eduardo e Reinaldo; Breno (Bruno), Wesley (Hudson) e Ganso; Auro, Alexandre Pato e Luis Fabiano (Carlinhos)
Técnico: Juan Carlos Osorio

Árbitro: Anderson Daronco (RS) – Assistentes: Marcelho Barison e José J. Silveira

Escrito por Vitor Birner às 14:23 Vitor Birner 89 Comentários

10 ago

São Paulo mandou no clássico; Corinthians teve sorte e por isso conseguiu o empate

Análise de jogos

De Vitor Birner

São Paulo 1×1 Corinthians

O resultado não refletiu o desempenho coletivo dos times, porque o do Morumbi criou mais oportunidades, acertou três vezes as traves e ainda não teve um pênalti marcado a seu favor no último minuto.

O melhor em campo foi Luis Fabiano. Lembrou, pela raça e dificuldade que impôs aos defensores de marcá-lo, o jogador das passagens anteriores pelo clube.

O Corinthians foi razoável na parte coletiva e mal na técnica.

O sistema defensivo não mostrou a consistência que Tite pretende.

E havia possibilidade de o time ser mais incisivo no contra-ataque se acertasse mais passes.

 Os jogadores da meia, assim como de Elias e Luciano, não mostraram quase nenhuma inspiração.

Estilos

Era muito óbvio que o São Paulo teria a iniciativa de jogar e o Corinthians investiria no contra-ataque, chutes de média distância, cruzamentos e cobranças de faltas ou escanteios.

Os treinadores, ambos muito competentes, pensam o futebol de seus times de maneira antagônica e seria algo fora da curva se alterassem no clássico o padrão que tentam implementar.

Tática

Juan Carlos Osorio e Tite escalaram e posicionaram os times de maneira coerente com suas propostas.

O São Paulo, no 3-4-1-2, com Rafael Toloi, Lucão e o estreante Luiz Eduardo na zaga, Bruno e Carlinhos como alas na mesma linha dos volantes Hudson e Michel Bastos, e Ganso  em frente ao quarteto e atrás de Centurión e Luis Fabiano.

O Alvinegro atuou com Jadson, Renato Augusto e Malcom na meia, Bruno Henrique como volante, Elias se dividindo entre essas duas funções e fazendo a flutuação do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1, e Luciano como centroavante.

A linha de defesa contou com os laterais Fagner e Uendel, além dos zagueiros Felipe e Gil.

No time do Morumbi, Hudson priorizou a marcação e Michel Bastos, quando o time tinha a bola, se transformou em meia ou atacante pelos lados. Bruno e Carlinhos apoiaram constantemente. Centurion se mexeu muito. Ganso ficou perto de Luis Fabiano. Em certos momentos, os 10 jogadores ocuparam o campo de ataque.

O treinador corintiano queria o contra-ataque e para isso tinha em frente ao Bruno Henrique três atletas velozes. Ou seja: quando o time retomou a bola contra o adversário que atuou com os zagueiros na linha do meio de campo, havia diversas opções para esses lances.

Sorte de duas cores

O São Paulo atacou  e criou mais oportunidades antes do intervalo.

Ganhou a disputa no meio de campo e venceu o sistema de marcação corintiano.

Criou oportunidades tanto em cruzamentos quanto com a bola no chão.

Não fez o gol por falta de sorte.

Acertou três vezes as traves.

Competência

O Corinthians foi pragmático ao seguir as determinações do treinador, apesar de não cumpri-las a contento.

Inconsistente na marcação, ficou atrás, sequer tentou manter a bola na meia, mas mostrou competência na jogada em que comemorou o gol.

Uendel se deslocou da maneira necessária, nenhum são-paulino correu com ele, Malcom observou e tocou para o lateral chegar à linha de fundo e dar a assistência na medida ao Luciano.

O Alvinegro poderia criar mais oportunidades nas brechas que o ousado time de Juan Carlos Osorio tinha quando perdia a bola no ataque.

Não fez isso por causa dos erros de passe.

O melhor em campo

Luis Fabiano igualou, logo após o intervalo, no rebote de Cassio que espalmou o chute de Centurion. O próprio centroavante deu o passe para o argentino.

O gol premiou uma das melhores partidas dele nessa fraca passagem pelo clube.

Se mantivesse tal nível de desempenho e esforço em campo, não seria tão questionado.

Meu elogio não tem a ver especificamente com o gol que fez.

Se mexeu para receber a bola em melhores condições, fez o pivô direito, deu sequências aos lances, ganhou divididas e por isso o considerei o principal jogador do clássico.

Saiu de trás

O Corinthians decidiu ‘ir para o jogo’ depois do 1×1.

Adiantou a marcação e as lacunas no meio de campo, para ambos os times, ficaram maiores.

O jogo ganhou velocidade.

As equipes trocaram poucos passes porque atuaram, como se diz no ‘futebolês’, na vertical, em direção ao gol.

De novo as falhas nos passes, de ambas as agremiações, impediram a criação de mais oportunidades.

Mas nenhum torcedor pode reclamar que faltou emoção.

Alterações

Juan Carlos Osorio, preocupado porque o jogo ficou corrido e com mais lances onde seus zagueiros, laterais e volantes poderiam ficar mano a mano na marcação, colocou Wesley na função de Michel Bastos, que foi deslocado para a ala pois Carlinhos, amarelado, aos nove, saiu.

Cinco minutos depois o colombiano optou por Breno no lugar de Hudson, que havia recebido o cartão.

Como não mexeu na proposta tática e os substituídos cumpriram suas funções de maneira razoável – o volante, inclusive, com muita raça na marcação e dificuldades nos passes – acho que o técnico quis, acima de tudo, impedir o time de perder jogadores.

Carlinhos provavelmente se cansou, assim como Bruno, que deixou o gramado para Auro tentar otimizar o lado direito do sistema ofensivo.

Tite, ao notar lacunas no campo de defesa do São Paulo e provavelmente irritado com as falhas no passe que impediram o time de aproveitá-las, aos 30 mandou Malcom, sumido, descansar e o Rildo jogar.

Luciano, que fez o gol e jogou mal, logo depois foi trocado por Danilo.

As mexidas mostraram que o treinador queria elevar a qualidade da condução de bola em velocidade e do passe, ambos fundamentais para os contra-ataques, e a marcação pelos lados porque o São Paulo forçou muito os ataques nas alas.

Expulsão

No contra-ataque são-paulino, Centurion ficou mano a mano contra Felipe.

O atleta corintiano abriu os braço, tocou no corpo do argentino que caiu no gramado e pôs a mão na cara, onde sequer houve contato, como se tivesse sido atingido lá.

Leandro Vuaden considerou falta e não jogo de corpo do zagueiro que tinha amarelo, por isso o excluiu restando 7 minutos.

A decisão de quem precisa impor as regras foi questionável,.

E, para mim, se não há convicção de que houve a infração o lance deveria seguir.

Jadson, mal no jogo, saiu para Edu Dracena recompor a dupla de zagueiros.

Pênalti

No último minuto, após o bate rebate na área, Wesley chutou e Uendel, de propósito, colocou a mão na bola, dentro da pequena área, de maneira que os atletas de ambos os times observaram.

Os são-paulinos, indignados, correram em direção ao bandeirinha reclamando o pênalti inquestionável.

E os corintianos, que em princípio foram para Leandro Vuaden no intuito de impedir que marcasse a infração, pois sabiam que aconteceu, ficaram observando a irritação dos oponentes futebolísticos enquanto o relógio corria.

Depois de tudo que houve no jogo, principalmente as bolas na trave, o empate, no Morumbi teve sabor indigesto apenas para o time de Juan Carlos Osorio.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Rafael Toloi, Lucão e Luiz Eduardo; Bruno (Auro), Hudson (Breno), Michel Bastos e Carlinhos (Wesley); Ganso; Luis Fabiano e Centurión
Técnico: Juan Carlos Osorio

Corinthians – Cássio; Fagner, Gil, Felipe e Uendel; Bruno Henrique; Jadson (Edu Dracena), Elias, Renato Augusto e Malcom (Rildo); Luciano (Danilo)
Técnico: Tite

Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (RS) – Assistentes: Guilherme Dias Camilo (MG) e Alex Ang Ribeiro (SP)

Escrito por Vitor Birner às 13:09 Vitor Birner 167 Comentários