23 abr

São Paulo raçudo sobrou contra o apático Corinthians; Majestoso teve erros de Emerson Sheik, Luís Fabiano e do árbitro

Análise de jogos, Copa Libertadores

De Vitor Birner

São Paulo 2×0 Corinthians

O São Paulo jogou com raça.

A forma como foi colocada em prática a proposta tática foi alterada.

O Corinthians apático, desconcentrado, cometeu muitos erros técnicos e alguns coletivos.

A expulsão tola de Emerson Sheik completou o pacote de problemas do time no Majestoso.

O São Paulo foi muito superior durante os 90 minutos e se impôs com facilidade.

Administrou o resultado após fazer 2×0.

Perdeu Luis Fabiano por causa do destempero do funcionário.

Sandro Meira Ricci acertou na cor do cartão para o centroavante e errou ao tirar o Mendoza, junto do rival, do clássico.

O vermelho para o Emerson Sheik foi questão de critério do neo-futebol.

As agremiações mereceram, nas colocações que terminaram, a classificação para a próxima fase da Libertadores.

Raça x Apatia

A forma como o time do Morumbi perdeu a estreia da Libertadores para o Corinthians, desencadeou a crise na qual o elenco mergulhou e continua.

Isso não acontecerá com o Alvinegro porque já provou ser competitivo.

A forma como jogou o Majestoso ou foi prepotente, como se acreditasse que venceria de qualquer forma, ou displicente.

E o São Paulo, raçudo, ganhou com muita tranquilidade.

Todos os jogadores entrevistados ressaltaram isso.

Muitos ressaltaram nas entrevistas o aumento da dedicação.

Inclusive Rogério Ceni, Michel Bastos, Hudson, Souza e outros que nunca foram acomodados em campo.

Isso é uma admissão que a postura da equipe não era sempre de respeito ao manto sagrado vermelho, preto e branco tricampeão da América.

Contra o San Lorenzo e o Danubio ficaram devendo futebol e não empenho.

Motivados pela necessidade de classificação, quebra do tabu no estádio, encerramento do jejum nos clássicos e cobranças justas ( na medida, técnicas e desprovidas de sensacionalismo), devolveram o placar de 2×0 em Itaquera e a facilidade de controle do primeiro ao último minuto.

O Corinthians, garantido na fase seguinte, tinha razão para entrar pilhado.

Teria sido um fato histórico a muito prazeroso aos seus milhões de torcedores o feito de eliminar o adversário na única Libertadores que se enfrentaram.

Correção fundamental

O rival do Guarani-Par nas oitavas-de-final, repetiu a proposta de sucesso.

Jadson na direita, Sheik do outro lado e Renato Augusto entre eles no trio de criação com Ralf e Elias atrás. O 4-2-3-1 com ‘flutuação ao 4-1-4-1 quando o atleta da seleção nacional avança.

Os laterais e zagueiros titulares atuaram e Vagner Love ocupou o lugar de Guerrero.

O São Paulo, como diante de Santos e Danubio, formou o 4-3-2-1.

Os volantes Denilson, centralizado, e Hudson e Souza pelos lados; Michel Bastos, de novo o melhor em campo, e Ganso na meia, mais Luis Fabiano no ataque.

Nos jogos anteriores, a equipe não marcou a saída de bola e foi obrigada pelas circunstâncias durante os 90 minutos que fizeram Michel Bastos recuar para formar o modorrento 4-4-1-1.

O esquema pode ser vencedor se tiver velocidade quando recupera a bola. Com o trio de volantes, meia que não investe em dribles na vertical, e apenas um na frente, é inviável.

O time de Rogério Ceni marcou no ataque e com intensidade.

Ganso e Luis Fabiano realmente se dedicaram nisso, o que facilitou opara quem jogou no meio e na defesa.

O êxito aumentou a quantidade de cruzamentos, jogadores no campo de ataque para entrar na área e aproveitá-los, como os volantes, e de finalizações.

Os desarmes nas laterais e principalmente na jogada por cima foram as maiores dificuldades corintianas até nas melhores apresentações.

Era óbvio que os são-paulinos precisavam investir nisso.

Dória, logo no início, cabeceou livre e perdeu grande oportunidade.

Luis Fabiano desperdiçou outra,ambas do lado direito da defesa.

Emerson foi irresponsável

No futebol de antigamente, agressões leves fora da disputa de bola eram punidas com cartão amarelo.

Depois da ‘bigbrotherização’ promovida pela tecnologia de imagens, ela passaram a terminar em cartão vermelho.

As pessoas tinham uma ideia distante da dinâmica sobre a realidade da dinâmica de jogo e quando viram ficaram indignadas com lances normais para os boleiros.

Como no mundo de hoje quase tudo lamentavelmente é tratado como negócio, a grita forçou a rigidez –  não gosto e chamo de neo-futebol – dos critérios.

O experiente Emerson Sheik tem ampla noção disso.

Não poderia cair na provocação de Rafael Toloi e derrubá-lo.

O zagueiro valorizou e interpretou a dor que não sentiu.

Deve ter se lembrado do Choque-Rei, quando fez igual com Dudu e acabou sendo excluído.

Renato Augusto foi jogar aberto, em frente ao Uendel, e meio de campo de Tite ficou distante de Vagner Love, apesar de o centroavante se mexer pelo gramado para tentar ser opção de passe.

Gols e muita facilidade

A perda de um atleta potencializou a superioridade do São Paulo.

Noutro cruzamento torto de Reinaldo, a bola foi desviada por Ganso, Hudson ‘espanou’ o arremate, ela tocou no braço de Uendel (marcam pênaltis por isso no neo-futebol) e Luis Fabiano, livre, fez o gol.

O placar favorável agregou tranquilidade e confiança ao time.

O efeito no rival foi oposto. Irritados, ou por discordarem do companheiro ou de quem o excluiu, perderam mais a concentração.

E deram a brecha que Michel Bastos precisava para chutar de fora da área, sua maior especialidade, e ampliar o resultado.

A bola quicou em frente ao Cassio. Era possível a intervenção do goleiro. Foi, sim, uma falha, mas não grande.

Como se diz no futebolês, era chute que o grande goleiro em dia inspirado pegaria.

Ricci, Mendoza, Luis Fabiano, Elias e Centurión 

O jogo ‘acabou’ no 2×0.

O São Paulo ficou trocando passes e o Corinthians aceitou a ideia.

Houve uma oportunidade, do Denilson, que acertou a trave.

Na prática quase ninguém mostrou ambição de alterar o resultado.

Luis Fabiano talvez fosse uma exceção.

Explosivo por nada e provocador para nada, empurrou Mendoza – entrara no lugar de Vagner Love para aumentar a velocidade do contra-ataque -, com o colombiano de costas, fora do campo e quase foi agredido.

Fez o teatro, apesar de não ter sido atingido, e se jogou na grama.

Ambos mereciam o amarelo.

O constantemente expulso tinha sido punido cerca de dois ou três minutos antes com o cartão.

Sandro Meira Ricci tirou o vermelho do bolso e mostrou para eles.

Falhou porque apenas o mais experiente deveria ser retirado do jogo.

Outro entrevero aconteceu com Centurión e Elias.

O argentino entrou – Denilson saiu – e junto com ele a milonga, catimba e capacidade de provocar tão tradicionais na cultura do esporte hermano.

Driblou para os lados e passou o pé em cima de bola para tirar alguém do sério.

Elias deu uma pancada no rival, levou o amarelo, falou algo para o rival em outra jogada e o árbitro foi falar com o volante para evitar de expulsá-lo se aquilo continuasse.

As trocas de Jadson por Bruno Henrique, e de Hudson e Michel Bastos por Rodrigo caio e Thiago Mendes, não alteraram o andamento do Majestoso.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Bruno, Toloi, Dória e Reinaldo; Hudson (Rodrigo Caio), Souza e Denílson (Centurión); Michel Bastos (Thiago Mendes) e PH Ganso; Luís Fabiano
Treinador: Mílton Cruz

Corinthians – Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Ralf; Elias, Jadson (Bruno Henrique), Renato Augusto (Danilo) e Emerson Sheik; Vagner Love (Mendoza).
Treinador: Tite

Árbitro: Sandro Meira Ricci – Assistentes: Fabrício Vilarinho da Silva e Fábio Pereira

 

Escrito por Vitor Birner às 3:59 Vitor Birner 221 Comentários

22 abr

Rafael Carioca é o herói da vez na classificação do Atlético-MG

Análise de jogos, Copa Libertadores

De Vitor Birner 

Atlético MG 2×0 Colo Colo 

É um clichê dizer que o Atlético de novo conseguiu o resultado de maneira dramática.

Mas não há melhor maneira para resumir como foi a classificação.

O time deu a impressão que tornaria fácil a missão.

Foi muito superior no 1° tempo.

Caiu de rendimento após o intervalo, perdeu pênalti e quando o jogo ficou complicado, Rafael Carioca garantiu o time na fase seguinte com um golaço.

Precisa melhorar e manter a regularidade para ser campeão.

Isso o treinador e os jogadores tentarão solucionar mais para frente.

Hoje é dia de festa para eles e a nação atleticana.

Galo mereceu o lugar na próxima fase da Libertadores.

Baile tático e técnico

Héctor Tapia formou o Colo Colo com Cáceres, Barroso e Vilches na zaga.

Tentou formar uma parede na frente deles com Esteban Pavez, Fierro, Baeza como volantes, além de Rodriguéz e Luiz Pavez nas alas.

O 3-5-1-1 deveria ter Emilino Vecchio na meia e Paredes no ataque.

O time não conseguiu trocar passes no campo de ataque e o teoricamente responsável pela criação foi obrigado a tentar ajudar na marcação.

O Galo mandou marcou na área dos chilenos para tornar o jogo intenso.

Levir Culpi montou o time ofensivo

Luan, na direita, Carlos do outro lado, e Guilherme entre eles ganharam a companhia de Dátolo na meia.

O argentino precisaria ser o parceiro do volante Rafael Carioca, mas como não tinha quem marcar, participou mais da criação.

Pelo mesmo motivo, os laterais Patric e Douglas puderam apoiar simultaneamente.

Jemerson e Edcarlos ficaram de olho em Paredes, o atacante que ficou isolado do restante da equipe. Douglas ou Rafael Carioca, se Levir fosse precavido, podiam ajudar os zagueiros.

O escolhido para o lugar de Marcos Rocha deu a assistência do gol de Lucas Pratto.

Apesar do monte de atletas congestionando a entrada da área, o lateral-direito encontrou a brecha para o importante passe.

Ao ver que os chilenos ficaram perdidos, o sistema ofensivo do Atlético, provavelmente instruído por Levir Culpi, passou a jogar de maneira ainda mais contundente.

Luan, Guilherme e Carlos, quando a equipe tinha a bola no ataque, se revezaram nos avanços para a linha de Lucas Pratto.

Formaram o trio na frente para a zaga chilena, com número igual de jogadores, ficar mano-a-mano com eles.

Hector Tapia não pediu para alguém recuar e fazer a sobra, e até o intervalo o Atlético mandou no jogo.

Mexida inteligente

Depois, o treinador trocou o inexperiente ala L Pavez pelo atacante Felipe Flores.

O reserva jogou na avenida que Patric abriu quando apoiou.

O confronto ficou equilibrado.

No contra-ataque ele assustou o sistema de marcação atleticano.

Golaço na hora mais difícil

Quando o andamento do jogo era ruim para o Galo, Luan sofreu o pênalti de Garcés.

O goleiro tocou na bola no chute de Guilherme, ela bateu na trave e na cabeça dele antes de o zagueiro tirá-la.

Teve sorte e competência para não tomar o gol.

Maicossuel foi para o jogo no lugar de Carlos.

O Galo, apesar de equilibrar o confronto, caiu de rendimento na parte física.

Perdeu força na marcação da saída de jogo e ficou mais estático na hora de tentar criar os lances de gol.

Tinha que fazer outro para seguir na Libertadores.

Rafael Carioca resolveu isso com um golaço fora da área.

Chutou forte, no ângulo, onde não havia como o goleiro intervir.

Dali em diante cumpriu o protocolo tal qual o necessário.

Não permitiu ao Colo Colo entrar na área de Victor com a bola na grama.

Por cima, ganhou todas as disputas.

Demorou para cobrar cada falta, lateral e tiro de meta.

E Levir trocou Luan e Guilherme por Danilo Pires e Eduardo.

Indiscutível

A confusa arbitragem, apesar dos equívocos prejudiciais para ambos os times, foi pior para o Atlético.

Houve um pênalti de Barroso em Lucas Pratto alguns minutos após Guilherme falhar na cobrança.

Galo mereceu o resultado.

A vitória foi gerada apenas pelos acertos e erros dos times.

Por isso não nada a se questionar na classificação.

Ficha do jogo

Atlético MG – Victor; Patric, Edcarlos, Jemerson e Douglas Santos; Rafael Carioca; Luan (Danilo Pires), Dátolo, Guilherme (Eduardo) e Carlos (Maicosuel); Lucas Pratto
Técnico: Levir Culpi

Colo Colo – Garcés; Vilches, Barroso e Cáceres; Fierro, Rodriguez, Baeza, Esteban Pavez e Luis Pavez (Felipe Flores); Vecchio (Bryan Carvalho); Paredes
Técnico: Héctor Tapia

Árbitro: Carlos Vera (EQU) – Assistentes: Christian Lescano e Carlos Herrera

Escrito por Vitor Birner às 22:55 Vitor Birner 5 Comentários

20 abr

Palmeiras é o 1° time da história a eliminar o Corinthians na Arena em Itaquera; Dérbi foi o melhor jogo do campeonato

Birnadas, Paulistinha

De Vitor Birner

Corinthians 2×2 Palmeiras 

O futebol decidiu de novo mostrar o sorriso cínico para o Alvinegro e abraçar o Alviverde no Dérbi.

Não encerrou a invencibilidade do melhor time brasileiro, até o momento, na temporada, mas impôs a ele a amarga eliminação no estadual.

O Palmeiras, que noutros tempos ganhou a fama de algoz do Corinthians.

Impediu a quebra do jejum de títulos corintianos em 74.

Eliminou o rival nos mata-matas de Libertadores e escreveu em letras enormes chamativas na história o São Marcos no duelo contra Marcelo Carioca numa cobrança de pênalti.

Agora foi o 1° time a fazer os corintianos sentirem como é a eliminação na Arena em Itaquera.

Se o confronto fosse noutro local, o impacto da classificação palmeirense e eliminação do time de Tite seria menor.

Essas marcas negativas ou positivas, de acordo com as cores da paixão clubística, são uma irônica coincidência futebolística coordenada por forças além das visíveis para motivarem felicidade e tristeza na atividade tão lúdica quanto importante?

Explicar como o esporte escreve capítulos parecidos com personagens distintos em épocas distantes é algo impossível para este que vis indaga. .

Meus limites mortais permitem afirmar que foi, de longe, o melhor jogo da competição.

A lentidão, o marasmo, as emoções brandas e raras da fase de classificação do paulistinha –  os clássicos foram exceções –  deram lugar aos ‘nervos a flor da pele’.

A disputa por um lugar na decisão temperou a rivalidade que sobrepõe o valor do título.

Ou alguém duvida que para a nação palestrina o prazer de eliminar o rival foi maior que a de chegar á final do do campeonato?

E que os alvinegros se incomodaram mais com a queda diante dos palmeirenses que com a perda do troféu?

Imagino as reações quando Elias ídolo corintiano, referência do time nas campanhas convincentes no estadual e Libertadores, representante do clube na seleção brasileira,   correu para bola na suposta última penalidade da série alternada e errou.

Muita gente, ao ver Fernando Prass cair no canto direito e evitar o fim da semifinal, lembrou do santo careca de carne e osso de nome Marcos.

E na hora que saltou do outro lado para gravar a cena de Petros finalizando em seus braços,  quem não havia feito a relação certamente juntou aquilo que tem em comum apenas o manto sagrado alviverde.

Robinho, maior destaque da equipe na primeira fase e elogiado pela forma como finaliza os lances de bola parado, que havia inaugurado a série dos pênaltis com chute ruim por cima do gol, bem será lembrado por isso.

A explosão de felicidade da torcida que tanto sofreu neste século por causa das péssimas gestões, em contraponto a imensa frustração da que não sentira nenhum dissabor com seu time desde o retorno do Tite, amenizaram quaisquer críticas. .

Classificação justa.

Apenas um lugar na final

A do Corinthians teria sido, se ganhasse nas penalidades.

Foi daqueles jogos raros em que se pode dizer que ambos mereciam vencer.

O jogo

O empate explicou os times fizeram.

O primeiro tempo do Alvinegro foi melhor. Mandou no meio de campo e teve muito mais presença no campo de ataque.

Tomou gol em mais um de seus corriqueiros equívocos na marcação dos cruzamentos.

A bola sobrou para Victor Ramos festejar.

Tite iniciou com Renato Augusto e Elias. por causa do desgaste físico, no banco, e optou por Danilo e Bruno Henrique entre os titulares.

Colocou Mendoza, para manter a velocidade, e Vagner Love, nos lugares de Emerson Sheik e Guerrero, que eram desfalques certos.

Os substitutos marcaram os gols da virada.

Aos 33, Jadson cobrou a falta e Danilo, de cabeça, empatou. Wellington tinha que marcar o veterano e bobeou.

Mendoza, aos 44, aproveitou a brecha entre o meio de campo e a primeira linha defensiva palmeirense para, de fora da área, no belo chute, virar o resultado.

Intervenções e ideias dos treinadores

Oswaldo de Oliveira precisou lidar com várias ausências na primeira linha de marcação.

Decidiu por Victor Ramos e Jackson à frente de Fernando Prass e Wellington improvisado na lateral.

Como perdeu a disputa no meio de campo e os 45 minutos iniciais,  tinha que recuperar a posse de bola no setor central.

Após o intervalo, Lucas foi trocado Cleiton Xavier.

A mexida fez a equipe ditar o ritmo do confronto.

Tite, ao ver o crescimento palmeirense, pôs Renato Augusto na vaga de Jadson e cinco minutos depois Elias na do Vagner Love.

Queria fortalecer a marcação e aumentar a velocidade do contra-ataque.

Não demorou para trocar Bruno Henrique pelo Petros.

Oswaldo de Oliveira decidiu tirar o sumido Valdívia e Wellington para Gabriel Jesus e Kelvin jogarem. Ambos são rápidos e tentam os dribles.

O Palmeiras foi incisivo em busca da igualdade, e por isso abriu lacunas no sistema de marcação.

O clássico ficou emocionante, com oportunidades de ambos os lados e intervenções de alto nível dos goleiros.

O sistema defensivo do Corinthians se confundiu no lance do empate.

Cleiton Xavier e Gabriel Jesus entraram na área quando Dudu recebeu o passe.

Felipe e Gil tinham que acompanhá-los, mas não o atleta revelado no clube ficou de olho em Kelvin, que foi à linha de fundo esperar o toque.

Por isso, Gil marcou um e Fabio Santos acompanhou o artilheiro das categorias de base palestrinas e Rafael Marques, livre, de cabeça, fez o gol após Dudu fazer o levantamento na área e nas costas do lateral.

Mendoza era o jogador menos distante do centroavante e que poderia, se conseguisse fazer a difícil e rápida leitura do lance, intervir para tentar impedir o 2×2.

Mas não dá para colocar na conta dele o equívoco coletivo.

Depois, de igualar, o finalista continuou melhor, mas as oportunidades gol rarearam para as duas agremiações.

Ficha do jogo

Corinthians – Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Fábio Santos; Ralf e Bruno Henrique (Petros); Danilo, Jadson (Renato Augusto) e Mendoza; Vagner Love (Elias)
Técnico: Tite

Palmeirras – Fernando Prass; Lucas (Cleiton Xavier), Jackson, Victor Ramos e Wellington (Kelvin); Gabriel e Arouca; Dudu, Robinho e Valdivia (Gabriel Jesus); Rafael Marques
Técnico: Oswaldo de Oliveira

Árbitro: Thiago Duarte Peixoto – Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho e Alex Ang Ribeiro

 

Escrito por Vitor Birner às 7:10 Vitor Birner 206 Comentários

20 abr

Vitória tranquila do Santos diante do ainda desgovernado São Paulo

Análise de jogos, Paulistinha

De Vitor Birner

Santos 2×1 São Paulo

O jogou foi fácil para o Santos.

Com enorme superioridade tática, se aproveitou do monte de erros de posicionamento do São Paulo e marcou os gols. Faria outros, se Ricardo Oliveira mantivesse não jogasse menos que pode.

Todos no Peixe participaram intensamento do clássico.

No time do Morumbi, não é possível falar o mesmo.

Nem há necessidade de repetir quem se acomodou.

Quem vir os gols e os melhores momentos, pode notar quantas vezes os classificados carregaram a bola no meio de campo, com enorme liberdade.

Tente encontrar lances iguais favoráveis aos eliminados.

Será uma forma simples de compreender o que houve em campo.

Simples, óbvio e funcional

Os treinadores repetiram as propostas e esquemas táticas que têm colocado em prática.

O Peixe foi equilibrado .

Fez o beabá do futebol moderno.

Robinho e Geuvânio serviram de opções de velocidade e criação pelos lados do meio e do ataque.

Lucas Lima, entre eles,  jogou na meia e se transformou em volante para fechar lacunas lá.

Quando a equipe teve a bola na meia, se mexeu de maneira coordenada no intuito de confundir o sistema de marcação do rival.

Ricardo Oliveira, o centroavante, correu o suficiente para completar, como pivô ou nos arremates, as ações dos meias.

Renato e o Lucas Otávio, os volantes, apoiaram, um de cada vez; o veterano, por causa da qualidade no passes e inteligência,  desceu mais e ajudou na criação.

Os laterais apoiaram com cobertura razoável das brechar que eventualmente abriram.

Na marcação, ao menos dois jogadores do trio de criação voltaram para a linha de volantes e formaram o quarteto em frente aos laterais e zagueiros.

Geuvânio fez mais isso que Robinho.

Mas o veterano, de acordo com o andamento do jogo, recuou para formar o quinteto no meio.

Obsoleto, mal pensado e previsível

O São Paulo de Milton Cruz é pior taticamente que o de Muricy.

Com o treinador de fato, ao menos tinha posse de bola na frente.

Agora joga como agremiação pequena.

Vive de cruzamentos e contra-ataques.

Isso seria normal se encarasse rivais tecnicamente mais fortes.

Contra os de capacidade similar, como o Santos, e os mais fracas, tal qual o Danubio, a opção é um equívoco baseado no, para ser gentil, excesso de cautela.

Denilson, Hudson e Wesley, os volantes, ficaram distantes de Ganso, o meia quase estático.

Compare a quantidade de funções que ele e Lucas Lima exerceram e compreenderá como ser mais funcional na parte coletiva ajudou na dinâmica das equipes.

Michel Bastos se desdobrou entre a marcação na linha de volantes e a criação.

Como o São Paulo não pressionou a saída de jogo, precisaria da participação ativa e constante de Pato (único atacante) e Ganso na marcação na frente, iniciou as tentativas de desamar na linha que divide o gramado.

Quando obteve sucesso, ou fez o lançamento ao Pato, ou precisou esperar Wesley ou Michel Bastos correrem com a bola ou aparecerem na frente.

A física explica o equívoco.

Nenhum ser humano é capaz de competir com a velocidade da bola. Então, se os volantes a recuperam e carregam por 23, 30 metros, a possibilidade de o adversário voltar e recompor o sistema de marcação é maior que se houvesse opções receberem o passe longo.

Se a ideia era abrir mão da posse dela na meia e Ganso não tinha velocidade pelos lados ou característica de meia-atacante que dribla em direção ao gol, por qual motivo jogou solto e naquela função?

Pior foi ver o Denilson incumbido de articular os lances de gol.

Nunca mostrou qualidade para tanto.

Sequer conseguiu liderar o meio de campo para ficar próximo da defesa ou cobrir o apoio dos laterais.

Paulo Miranda, defensivo, e Carlinhos, ofensivo, foram os eleitos para a titularidade.

A proposta de jogo torta redundou no andamento óbvio da semifinal.

No futebol, é possível pegar as portas de um fusca, colocar no Rolls Royce e ela fechar.

Mas na maioria das vezes não será assim.

Superioridade santista

O roteiro no gramado da Vila Belmiro teve andamento simples e óbvio.

O Santos se propôs a tentar o gol e o adversário esperou.

O Peixe criou mais oportunidades.

Valencia, logo no início, se machucou e Lucas Otávio entrou.

O volante tinha que ficar atento aos contra-ataques do São Paulo.

Rogério Ceni impediu Robinho de fazer 1×0.

O gol faria desmoronar a proposta de jogo são-paulina.

Denilson e Wesley perderam as oportunidades de reforçá-la.

As finalizações nem obrigaram Vladimir a intervir.

A impressão era que o gol santista aconteceria em questão de minutos.

Imagino a resenha dos boleiros

Aos 35, Geuvânio, após Pato perder a bola, a recebeu mais perto da área satista que do meio de campo.

Ele correu com ela por cerca de 70 metros e ninguém tentou recuperá-la.

Carlinhos ‘foi e não foi’. Denilson, o volante de marcação, ameaçou acompanhá-lo e parou no meio do caminho. Lucão tentou, mas a avenida era tão grande que bastou o atacante ajeitar para o lado, chutar com força e comemorar.

Mérito dele ter aproveitado a quantidade incrível de falhas do adversário.

Se o leitor (a) for aos jogos de várzea, dificilmente verá nada parecido em termos de moleza para atacantes, ainda mais jogando no campo do rival e empatando.

A cobrança dentro da equipe que falhou seria imediata e contundente.

Imagino como foi a conversa, no intervalo, entre os jogadores de cada time.

Os do Santos devem ter tirado sarro. Frases como “é só apertar que entregam” e pedidos de manutenção da concentração, creio, pautaram a troca de ideias.

Os do São Paulo não tenho ideia do que falaram.

Michel Bastos, o mais dedicado competitivo e competente, deveria cobrar o interino por causa da formação do time, os colegas porque nem a falta fizeram no artilheiro, o meia para se mexer, o centroavante para se dedicar…

Mas a voz principal, lá, é a do goleiro que parece ter a liderança silenciosamente rejeitada.

Na parte técnica, não é de hoje que caiu de rendimento, mas trata-se de um atleta esforçado, competitivo e que detesta perder.

Se falta união em campo é porque pararam de escutá-lo.

Da proposta tática dificilmente o goleiro reclamou porque Milton Cruz deve tê-lo consultado antes.

Até a própria execução dela foi abaixo da crítica.

Trocas óbvias e mais erros

Luis Fabiano reiniciou o jogo no lugar de Paulo Miranda.

Hudson ou Wesley podiam jogar na a lateral e o time ganharia ao menos maior presença na área.

No cruzamento logo depois, Victor Ferraz errou na interceptação de cabeça e Pato, na área, livre, nem acertou o chute entre as traves.

No minuto seguinte, o árbitro ‘tomou’ a bola do pé do Denilson e Geuvâniocolocou Ricardo Oliveira de frente para Rogério Ceni.

O centroavante perdeu ótima oportunidade.

O São Paulo adiantou o sistema de marcação.

Geuvánio,  porque se sentiu mal, aos 25 deu lugar para o Cicinho.

 Quase junto, Centurión entrou no de Carlinhos e Michel Bastos foi para a lateral.

Gol e queda de rendimento

Aos 29, Wesley perdeu a bola no campo de ataque para Lucas Lima.

Todos jogadores do São Paulo, tirante Toloi e Lucão, tinham ido para frente.

O santista correu com ela e tocou para Ricardo Oliveira, do mesmo lugar que havia perdido o gol no lance envolvendo Raphael Claus, chutar de jeito igual, mas acertar a trave.

Aos 30, no local parecido, Centurión foi desarmado por Cicinho.

Avançou com ela, obviamente como no lance anterior, no do gol e noutros não havia ninguém no meio para marcá-lo, e tocou para Chiquinho dar a assistência e Ricardo Oliveira comemorar.

O Leandrinho acabara de ocupar o lugar de Robinho.

O São Paulo, aos 41, fez o gol dele, após Pato tocar para Luis Fabiano, em posição de impedimento, chutar por cima de Vladimir.

Ficha do jogo

Santos – Vladimir; Victor Ferraz, David Braz, Werley e Chiquinho; Valencia (Lucas Otávio) e Renato; Geuvânio (Cicinho), Lucas Lima e Robinho (Leandrinho);Ricardo Oliveira
Técnico: Marcelo Fernandes

São Paulo – Rogério Ceni; Paulo Miranda (Luis Fabiano), Rafael Tolói, Lucão, Carlinhos (Centurión); Denilson, Hudson, Wesley e Michel Bastos; Ganso; Alexandre Pato.
Técnico: Milton Cruz

Arbitro: Raphael Claus – Assistentes: Marcelo Carvalho Van Gasse e Miguel Cataneo Ribeiro da Costa

Escrito por Vitor Birner às 1:30 Vitor Birner 79 Comentários

17 abr

Corinthians se classificou com o merecido empate; San Lorenzo ‘investiu’ no Alvinegro ao não jogar para fazer o gol

Análise de jogos, Copa Libertadores

De Vitor Birner

Corinthians 0×0 San Lorenzo

Apesar do resultado, foi um jogo no melhor padrão técnico e tático que o futebol da dentro da América do Sul pode oferecer aos torcedores hoje em dia.

Os times valorizaram as próprias virtudes e exploraram as dificuldades do adversário.

O Corinthians atacou mais e parou no sistema de marcação argentino.

O San Lorenzo gostou da proposta de jogo do Alvinegro.

O ótimo Edgardo Bauza nem precisou fazer adaptações táticas para encarar a equipe brasileira com melhor desempenho na temporada.

Em nenhum momento preferiu mandar o time à frente para tentar fazer o gol, vencer e não ficar dependendo do resultado do Majestoso, semana que vem, e se classificar à próxima fase da Libertadores.

Não houve lances dignos de qualquer tipo de polêmicas.

A arbitragem não interferiu no resultado.

Sistema ofensivo ‘esqueceu’ a direita 

O Corinthians com postura mais ofensiva tentou marcar na frente.

Forçou os ataques contra o lateral-direito Buffarini, pois o argentino gosta de avançar e o rápido Emerson Sheik tem o hábito de atuar naquela região do campo.

Renato Augusto se aproximou do veterano. Uendel, quando pode, apoiou.

Jadson, do outro lado, ficou distante deles.

O time investiu pouco nele e no Fagner para a articulação na frente.

Elias, após frequentar o ataque no início, foi obrigado a ser mais precavido.

A suposta pretensão de Tite de optar pelo 4-1-4-1 virou o realista 4-2-3-1 por causa do andamento do jogo.

O atleta da seleção fez a parceria com Ralf em frente de Gil e Felipe. Se preocupou mais em ajudar na cobertura de Uendel e de vez em quando do Fagner, em vez de aparecer no ataque ou na meia constantemente.

Jadson, na direita, Emerson Sheik, do outro lado e Renato Augusto, entre eles, formaram o trio de criação.

Os chutes de fora da área e os toques, por baixo tal qual Tite cobrou, para Vagner Love fazer o pivô, foram as outras alternativas do time.

Apesar de ter maior volume de jogo ofensivo e de exigir intervenções do goleiro Torrico, o Alvinegro enfrentou dificuldades nos 45 minutos iniciais.

Não precisou fazer nenhuma adaptação

Edgardo Bauza, atento aos pontos frágeis do competente sistema de marcação do Corinthians investiu neles.

Mandou o San Lorenzo atacar pelos lados e principalmente arriscar os cruzamentos, pois o Alvinegro não é muito consistente nos desarmes pelo alto.

O jeito que o sistema ofensivo dos portenhos normalmente atua se encaixa com perfeição na forma como o Corinthians se defende.

Romagnolli e Villalba jogaram pelos lados do trio do 4-2-3-1.

Blanco, entre eles, além de se mexer em busca de brechas, entrou na área para fazer a função do segundo atacante, Matos foi o centroavante, e aproveitar os cruzamentos.

Duas vezes os hermanos perderam oportunidades em jogadas aéreas.

E uma vez o Blanco quase ficou cara-a-cara com Cassio.

San Lorenzo ‘segurou’ Elias

Esses lances foram no início do 1° tempo e provavelmente fizeram Tite pedir ao Elias para ser mais cauteloso nos avanços.

A precaução do técnico e do volante encerrou os momentos interessantes do sistema ofensivo do San Lorenzo antes do intervalo.

Acerto não foi o bastante

Depois do intervalo, o Alvinegro tentou diversificar mais os lances no ataque alternando a criação por ambos os lados.

Nas raras vezes que chegou à linha de fundo e cruzou, a bola passou por Vagner Love e irritou os torcedores na Arena em Itaquera.

Tite, com leitura de jogo igual a do público, colocou Danilo no lugar do centroavante.

O veterano podia prender mais a bola na frente até os companheiros se aproximarem, pois a distância entre o trio de criação e o atacante era maior que a correta.

A ideia funcionou porque o time passou a trocar mais passes no entorno da área do San Lorenzo.

O problema foi encontrar brechas para entrar nela ou criar alguma grande oportunidade.

Eficaz para manter a pegada

Os hermanos ficaram dependentes dos contra-ataques porque não levaram a bola na meia.

Romagnolli se cansou e Alan Ruiz, que jogou pelo Grêmio no Brasileirão, ocupou o lugar dele.

Aos 25, Mussis foi para a vaga de Villalba e após alguns minutos Barrientos na de Blanco.

A troca do trio inteiro de criação manteve a pegada no meio de campo.

Mussis tem características de terceiro jogador do setor. Complementa a marcação e a criação.Alan Ruiz é o meia que gosta de cadenciar o ritmo de jogo. Barrientos carrega a bola em velocidade.

As mexidas não otimizaram o contra-ataque do San Lorenzo, que Bauza, creio, pretendia ver.

Mas foram suficientes para manter a marcação consistente.

Tite nos minutos finais colocou o rápido Mendoza no lugar de Emerson Sheik.

Nada fez o time entrar na área com tabelas ou exigir intervenções difíceis de Torrico.

O colombiano não acertou os dribles.

Isso a postura do San Lorenzo, que ficou atrás, o impediram de aproveitar a velocidade que possui.

Sentiram a falta de Guerrero

O Corinthians havia chutado muito mais que o San Lorenzo no 1° tempo.

Após o reinício do jogo, a quantidade diminuiu, apesar posse de bola no ataque provavelmente ter aumentado.

Não sei se passou rapidamente pela cabeça de Tite de impressões como seria com Guerrero em campo.

Experiente e pragmático, acho que mantém o foco em pensamentos de como atingir a meta com quem podia contar.

A nação corintiana com certeza se lembrou do artilheiro ao ver a dificuldade do time para conseguir finalizar.

A possibilidade de Torrico ser mais exigido com o peruano no gramado era considerável.

No jogo de muito contato físico ele seria importante.

Edgardo Bauza apostou no Corinthians?

O Alvinegro garantiu o 1° lugar do grupo e a classificação.

Os argentinos precisavam mais do gol para não dependerem do próprio Corinthians na última rodada.

A proposta de Bauza deu a impressão que ele crê mais no líder que no time que o derrotou com gol de Michel Bastos.

Não alterou o posicionamento para otimizar o inoperante sistema ofensivo.

Cassio sequer foi exigido.

Ficha do jogo

Corinthians – Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Ralf e Elias; Jadson, Renato Augusto e Emerson (Mendoza); Vagner Love (Danilo)
Treinador: Tite

San Lorenzo – Torrico; Bufarini, Caruzzo, Yepes e Más; Ortigoza e Mercier; Villalba (Mussis), Romagnoli (Alan Ruíz) e Blanco (Barrientos); Matos
Treinador: Edgardo Bauza

Árbitro: Victor Carrillo (Peru) – Assistentes: César Escano e Braulio Cornejo (ambos Peru)

Escrito por Vitor Birner às 1:58 Vitor Birner 95 Comentários

16 abr

São Paulo conseguiu importante vitória; futebol foi quase tão ruim quanto na estreia da Libertadores

Análise de jogos, Copa Libertadores

De Vitor Birner

Danubio 1×2 São Paulo

A vitória foi dramática e importante.

O futebol fraco do time tornou difícil o jogo que poderia ter sido simples.

Pareceu até que não houve nenhuma preparação específica para enfrentar o Danubio.

Fez quase tudo que convinha taticamente aos uruguaios.

Por isso nem tentou aproveitar os limites técnicos do deles, perdeu o meio de campo, precisou fazer várias faltas que permitiram ao adversário cruzar e chutar em gol, e apresentou repertório ofensivo pobre, quase desprovido de velocidade pelos lados e com pequena presença de atletas na área do goleiro Torgnascioli.

Na parte individual a maioria dos que podem fazer algo interessante não rendeu.

Rogério Ceni falhou no gol do Danubio.

A exceção foi Michel Bastos, de novo o mais regular e eficaz.

Fundamental: do meio de campo para trás, não faltou raça.

Este clichê realmente explica parte dos problemas do time na temporada, mas pouco serve para elucidar as enormes dificuldades no jogo em Montevidéu.

Desconfio que a nação são-paulina ficou aliviada pelo resultado e frustrada ou irritada com o desempenho de seus representantes em campo.

Foi pior que em ambos os jogos contra o San Lorenzo.

Como queria o Danubio

Paulo Miranda na lateral e Reinaldo priorizando os desarmes..

Hudson, Souza e Rodrigo Caio no meio de campo, juntos de Michel Bastos com enorme preocupação, por ordem do treinador interino, de marcar do lado.

Tudo isso para deixar Ganso, livre, na criação, e Pato como centroavante.

Tudo isso diante de um time cheio de desfalques, tecnicamente inferior, que jogou de maneira franca para buscar os gols no estádio com público pequeno.

Não ha como negar que o treinador interino teve muito receio da agremiação com muito menos tradição e potencial que o São Paulo.

A proposta cautelosa e a falta de velocidade pelos lados, frutos da crise e da escolha errada de titulares, foram ótimas para os uruguaios.

A autoflagelação do São Paulo 

O trio de zaga formado por Ricca, C. Gonzáles e Pereyra cuidou de Pato, o único atacante.

Formiliano, zagueiro que atuou em frente a eles, ficou de olho em Ganso.

A dupla de atletas mais avançados do favorito precisou encarar o quarteto de defensores.

Com apenas Pato e Ganso adiantados, além de poucas opções na criação, a equipe de Milton Cruz marcou mal a saída de jogo.

Tinha que apertar na frente porque o Danubio tem vários jogadores com passe ruim,

Mas nem tentou isso e transição do eliminado ao ataque foi tranquila.

Quando uma equipe consegue ganhar o duelo no meio de campo, a outra é obrigada a tentar retomar a bola e a maioria forma duas linhas com quatro atletas.

Michel Bastos, de longe o melhor do time mais uma vez, precisou marcar o ala Gravi, e Hudson, na direita, fez isso com Sosa, que explorou a ala e a meia.

Rodrigo Caio e Souza se desdobraram, pois o volante Milesi apoiou e Ignácio Gonzáles se mexeu pelo campo para exercer a função de meia ou de atacante pelos lados.

Castro, atacante de origem, e Fornalori, o centroavante, ficaram na frente.

O Danubio, com todos seus limites individuais, tinha alas para os lances rápidos pelos lados, o meia que procurou lacunas e participou constantemente do jogo, e mais de um jogador na área para aproveitar os cruzamentos.

Fez o beabá tático adaptado á forma de o adversário atuar.

O São Paulo ficou dependente dos contra-ataques no 1° tempo.

Jogou muito mal, apesar de ter duas oportunidades.

Cinco minutos após o intervalo, Sosa, de longe, chutou forte, no meio de gol, e Rogério Ceni falhou ao não espalmar.

Foi um arremate muito difícil para qualquer goleiro segurar e simples para espalmar.

Foi só aumentar a quantidade de jogadores na frente

Bateu o desespero no técnico interino após tomar o gol.

Sorte do São Paulo.

Como a articulação, com a bola na grama, foi péssima, era necessário ter mais gente na área para aproveitar os cruzamentos e testar a frágil zaga do rival.

Ele trocou Rodrigo Caio por Luis Fabiano.

Com o veterano e Pato lá, Michel Bastos cruzou, a zaga do Danubio se confundiu, e o jogador emprestado, livre, igualou o resultado.

Depois, Paulo Miranda saiu, Centurion entrou e Hudson foi para a lateral.

O volante apoia melhor que o companheiro e o time passou a contar com opções para os cruzamentos de ambos os lados.

O argentino podia driblar, atuar na beira do gramado e ser mais um na área.

Michel Bastos levantou a bola ali e o gringo, nos acréscimos, de cabeça, garantiu a vitória.

De novo a zaga do Danubio falhou na marcação.

Obviedades

Foi possível notar que:

Se marcasse a saída de jogo, não perderia o meio de campo.

Se não perdesse o meio de campo teria mais posse de bola na frente e haveria mais jogadores no campo de ataque.

Isso permitira que mais gente entrasse na área, até os volantes poderiam surpreender lá (Rodrigo Caio e Souza são úteis nisso se conseguirem ir e voltar), forçaria outros erros dos uruguaios, criaria mais oportunidades, provavelmente teria feito outros gols e vencido de maneira menos tensa.

Tanta cautela pode ser eficaz, mas não contra agremiações muito mais fracas.

Michel Bastos, tirante exceções, é quem melhor chuta e cruza, por isso a tática do time deve ajudá-lo a frequentar mais as regiões do gramado nas quais pode colocar as virtudes em prática.

Com esse futebol, a eliminação na Libertadores, seja na fase de grupos ou no mata-mata, é inevitável.

A esperança do torcedor se baseia na hipótese de o time evoluir, algo possível porque o elenco tem qualidade superior ao desempenho durante os 90 minutos da maioria dos confrontos e que exigirá diversos tipos de acertos coletivos e individuais.

Ficha do jogo

Danubio – Torgnascioli; Pereira, Ricca e Cristian González; Milesi (Viana), Formiliano (Ghan), Ignacio Gonzalez e Sosa; Matías Castro (Silveira) e Fornaroli
Técnico: Leonardo Ramos

São Paulo – Rogério Ceni; Paulo Miranda (Centurión), Rafael Toloi, Dória e Reinaldo; Rodrigo Caio (Luis Fabiano), Hudson, Souza e Michel Bastos; Paulo Henrique Ganso (Lucão); Alexandre Pato
Técnico: Milton Cruz

Árbitro: Jose Argote (Venezuela) – Assistentes: Carlos López e Luis Murillo

Escrito por Vitor Birner às 3:00 Vitor Birner 117 Comentários

15 abr

Suárez colocou canetas nas chuteiras e foi à Paris entregá-las ao David Luiz

Champions League

De Vitor Birner

A noite em Paris foi uruguaia, catalã e até santista, se assim o leitor preferir.

Os revoltados com a goleada sofrida diante da Alemanha dirão que foi brasileira.

O Barcelona iniciou marcando a saída de jogo e mandou nos 25 minutos iniciais.

Neymar fez o gol quando Thiago Silva, que havia cometido uma falha noutro lance, se machucou e o sistema defensivo do PSG ficou esburacado.

Van der Wiel deveria acompanhar o artilheiro e Maxwell, se tivesse leitura rápida do lance, poderia dar alguns passos adiante e tentar deixar o rival em posição de impedimento.

David Luiz, um dos heróis da classificação contra o Chelsea na fase anterior, entrou no lugar do compatriota e virou símbolo da provável eliminação dos franceses.

O time de Blanc, até aquele momento, iniciou as tentativas de desarmes na linha que divide o gramado  e queria explorar as jogadas aéreas, um dos pontos fracos dos barcelonistas.

Passou a marcar na área do adversário, foi para cima e equilibrou as ações.

O jogo seguiu assim até Suárez, após o intervalo, iniciar o show particular.

O atacante fez um ‘strike’ nos brasileiros no lance do 2×0.

Deu ‘caneta’ em David Luiz, depois superou Marquinhos e Maxwell antes de finalizar.

O gol no momento de equilíbrio e constante presença dos parisienses no ataque, silenciou a torcida no Parc des Princes e colocou o time de Blanc no estado de letargia.

O Barcelona retomou o controle e ampliou o resultado.

Suárez de novo driblou o zagueiro, que aparentemente não tinha o ritmo de jogo por causa por ter se machucado recentemente, ao tocar a bola no meio das pernas dele e chutou com categoria.

O PSG diminuiu o prejuízo porque Mathieu tentou interceptar o chute de Van der View, que certamente ter Stegen pegaria, e tornou impossível a intervenção do goleiro.

A equipe de Luis Enrique ainda deu um contra-ataque porque se posicionou para trocar passes na frente.

Cavani perdeu a oportunidade de tornar ‘apenas’ difícil o que será quase impossível no Camp Nou.

O Barcelona adora quando os rivais deixam lacunas no sistema de marcação.

O PSG terá que fazer isso na Catalunha.

A possibilidade de ser goleado é maior que de seguir no torneio.

O Barcelona conquistou enorme favoritismo para ir à semifinal.

Mas o futebol pede humildade e concentração aos atletas, em especial diante de times fortes como o virtual eliminado na Uefa Champions League.

Essas duas virtudes nunca atrapalham dentro de campo.

Escrito por Vitor Birner às 18:41 Vitor Birner 7 Comentários

13 abr

Rivalidade dos clássicos sobrepõe importância da conquista do paulistinha

Birnadas

De Vitor Birner

Comentei apenas os clássicos e alguns jogos que achei importantes para explicar as ideias dos treinadores.

Tratei a competição como torneio de pré-temporada.

Os treinadores dos times grandes fizeram isso e não os critico.

Questionaria os técnicos dos grandes se não o enxergassem como etapa de preparação.

Nem os jogos das quartas-de-final foram interessantes.

O melhor deles aconteceu na Arena em Itaquera e teve como protagonista a arbitragem.

A  Macaca foi superior no 1° tempo, fez o gol invalidado de por causa da falha do auxiliar, pois não havia a impedimento de Renato Cajá, e o Corinthians melhor após o intervalo quando marcou 1×0.

Não tenho ideia se o time do Tite conseguiria empatar ou virar caso não houvesse o erro da arbitragem.

Aos maniqueístas verborrágicos internéticos, explico que “não sei” significa que não tenho convicção alguma.

O empate, resultado capaz de explicar melhor o desempenho de ambos, levaria a disputa para as penalidades.

Se não houvesse a falha do auxiliar, o Corinthians, muito exigido na parte física por causa da maratona de jogos,  precisaria adiantar a marcação e a Ponte Preta, com Rildo, tinha interessante opção de velocidade para aproveitar as brechas que seriam abertas.

No Morumbi, o São Paulo no esquema tático com o qual os atletas se mostram mais adaptados que no 4-4-2, jogou futebol mediano, oscilou contra o Red Bull, e venceu.

O time pequeno se aproveitou de equívocos do sistema de marcação, onde Denilson de novo foi quem mais oscilou, e criou no 1° tempo oportunidades para fazer 1×0.

As desperdiçou e tomou o gol, aos 45, na falta cobrada por Rogério Ceni.

Foi para cima, abriu buracos no próprio sistema defensivo, não otimizou o setor de criação e viu o adversário mandar na partida dali em diante.

Ganso e Michel Bastos fora os melhores.

No Allianz Parque, os critérios das regras do paulistinha foram trocados pelos da Libertadores.

Acho que a arbitragem, por causa do patrocínio igual ao do Palmeiras que a FPF arrumou, se preocupou em não favorecer o Alviverde.

Deixou de marcar algumas infrações e mostrar cartões.

Se classificou quem jogou melhor.

Na Vila Belmiro, o Peixe, apesar de não fazer a sua melhor apresentação no campeonato, ganhou do Nhô Quim com tranquilidade.

logomarca do patrocinador do Palmeiras no uniforme dos árbitros e auxiliares foi ruim para o time de Oswaldo de Oliveira.

Comentarei as semifinais no blog.

Talvez não consiga fazer os posts com tanto detalhamento tático porque uma um jogo é logo após o outro.

Mas farei algum registro com opiniões e relatos.

A rivalidade que sobrepõe a importância da conquista do torneio e a técnica dos jogadores tendem a proporcionar algo distinto e melhor do que o futebol lento e chato que vimos até agora.

Sempre comento outras partidas no Placar Uol e várias vezes não faço textos aqui.

Huracán x Cruzeiro, Atlético Madrid x Real Madrid e PSG x Barcelona serão os próximos.

Os confrontos de Danúbio x São Paulo e Corinthians x San Lorenzo, além doutros temas fora do campo de jogo, terão posts no blog.

Saúde, alegria e paz para todos hoje e sempre!

 

Escrito por Vitor Birner às 19:27 Vitor Birner 77 Comentários

9 abr

O impacto da escolha do técnico na gestão do São Paulo

Geral

De Vitor Birner

A contratação do novo treinador provocou uma espécie de queda de braço, ou de corrida pelo poder, dentro do clube.

Luxa e Mano são os prediletos de Carlos Miguel Aidar.

O flamenguista virou a prioridade do gestor porque os torcedores, entre eles os das organizadas, mostraram enorme rejeição ao que não tem emprego.

Em princípio, o desempregado foi descartado.

Não tenho total convicção que ficou fora definitivamente das opções porque Aidar altera decisões de um dia para o outro.

A única caneta que tem tinta para assinar contratos, se quiser impor força do cargo, é a dele.

Ataíde o convenceu a deixá-lo tentar trazer Alejandro Sabella e foi, às pressas, para a Argentina.  Abelão e Sampaoli completam a lista de prediletos do atual do vice de futebol.

O ‘hermano’, que curiosamente não recebeu nenhuma oferta convincente após chegar à decisão da Copa do Mundo e ganhar uma Libertadores e o campeonato nacional (o Apertura) pelo Estudiantes, virou o nome de consenso dos dirigentes caso Aidar, repito, mantenha o combinado entre eles .

Sampaoli tem compromisso com a seleção chilena. Demoraria para chegar e pode ser valorizado com mais propostas quando sair do atual emprego. Implementou ótimo padrão tático no selecionado e, antes, na Universidad de Chile.

O profissional brasileiro, avalizado por Muricy Ramalho, não agrada o primeiro mandatário do clube.

O sucesso ou fracasso de Ataíde pode pesar na gestão do futebol.

Luxa deve tratar de reforços para o elenco diretamente com quem o escolheu.

Isso diminuirá o poder de Ataíde .

O êxito na negociação com Sabella tende a mantê-lo como interlocutor direto do treinador para assuntos relacionados ao futebol, tal qual aconteceu enquanto Muricy foi funcionário.

O cenário provavelmente será igual se Abel Braga ocupar o cargo.

Aidar, desde quando se elegeu, evitou bater de frente com o vice.

Se o gringo recusar, terá que fazer isso pela primeira vez caso pretenda fazer valer a preferência .

E enfraquecerá o Ataíde.

Tirará parte considerável da autonomia dele.

Gustavo Vieira de Oliveira será mais um que verá o raio de ação diminuir.

Sabella, que não deve ter a menor ideia disso tudo, pediu prazo superior ao pretendido por Ataíde para dizer se topa a empreitada.

E o São Paulo precisa com urgência de um técnico.

Escrito por Vitor Birner às 19:50 Vitor Birner 315 Comentários

8 abr

Jornalismo, Aidar x Juvenal, MSI, Valdívia…

Brasileirão

De Vitor Birner

Parâmetros

A obrigação de um jornalista é cuidar dos interesses amplos, não pessoais, da maioria dos leitores.

Se uma pessoa não recebe o atendimento no hospital público, quem é da editoria precisa ir lá para entender a razão.

Pode ter sido uma exceção capaz de ser explicada ou o padrão inaceitável.

A segunda hipótese e de interesse da população que depende deste serviço.

Outro dia tomei uma multa no radar, onde passo sempre, com velocidade limite de 60 kms por hora.

Ultrapassei, de acordo com a máquina, em 4 kms horários o limite, e acho que não me enganei na hora de acelerar. Isso não é pauta, mas caso aconteça com mais pessoas no mesmo aparelho se transformará em uma.

No futebol, o dever é interceder favoravelmente ao clube.

Por isso, coloco a camisa acima dos personagens.

A maioria dos leitores torce por agremiações e consequentemente pelos indivíduos dentro delas e não troca de time quando o boleiro é negociado.

O jogador e o treinador são minhas prioridades se não receberem tratamento médico adequado ou salários em dia.

Isso aumenta a possibilidade de queda de rendimento da equipe.

A exigência simples para o cumprimento dos deveres profissionais pede reciprocidade.

Lógico que eventuais atrasos podem ocorrer, como em qualquer empresa e o gestor precisa contornar isso com diálogo e perspectiva de resolução.

Desafios que o mundo impõe

A sociedade maniqueísta não compreende, mas a vida é feita de acertos e erros, não de certos e errados como se vende de maneira destrutiva e impiedosa.

Há alguma dúvida que somos falhos e aprendizes na existência?

A prepotência humana não permite que a nossa espécie, em termos genéricos a mais inteligente e maldosa entre todas, pois é a única capaz de extinguir outros animais, florestas e ter prazer na desgraça alheia, inclusive quando não ganha nada com ela, perceba que o planeta continuaria existindo se sumíssemos daqui.

O maior desafio na profissão, para mim, é defender aquilo que o torcedor ama, ser ofendido por isso, e no dia seguinte voltar a agir da maneira que creio ser a mais construtiva, pois é a que gosto na condição de consumidor de informações.

Poderia fazer uma lista enorme de exemplos, mas  citarei uns poucos.

Quando soube das bases contratuais do acordo da MSI com o Corinthians, comentei que a parceria seria ruim para o time porque podia, em médio prazo, arrebentar as contas do clube.

Choveram comentários de torcedores afirmando que eu queria atrapalhar o negócio porque torço pelo São Paulo e o Alvinegro ficaria mais forte.

A parceria contribuiu muito para o rebaixamento e com certeza quem afirmou que eu queria prejudicar sequer cogitou a possibilidade de ter parte pequena de responsabilidade.

Há vários seres humanos muito generosos na auto-avaliação e extremamente rigorosos ao avaliarem os outros.

Eu, por princípio filosófico, não faço julgamento de caráter alheio.

Ainda mais quando lido com gente que sequer conheço direito.

Quem faz isso de coloca o lugar de Deus.

Prefiro tentar corrigir meus defeitos.

Me limito a tratar da atitude profissional de jogadores, treinadores e cartolas, porque o jornalista deve olhar por aquilo que o leitor, enquanto cuida de seus afazeres diários, tanto gosta.

Quando há o acúmulo de falhas que dizem respeito às obrigações com as quais os boleiros se comprometeram, isso é ruim para aquilo que o torcedor ama, formo opinião negativa sobre a conduta profissional, não a pessoal, do ser humano em questão.

E se decidir valorizar mais aquilo que lhe garante o pão na mesa, como aconteceu com diversos atletas, minha avaliação acompanha a alteração.

Eu já pensei e agi maneiras que não concordo hoje, e creio na capacidade de a gente se reciclar.

Quem nasce, cresce e morre igual quase sempre é incapaz de perdoar e torna a existência inútil.

Os técnicos e jogadores evoluem ou se acomodam.

Quando citei, em 2008, que Valdívia jogava para si e não para o time, choveram comentários afirmando que eu tinha birra dele por causa do gol na semifinal do paulistinha, do jogo do gás, no Rogério Ceni.

Eu dizia isso antes do lance e continuei depois.

Era a minha impressão, confirmada passados 7 anos por muitos palmeirenses.

Queria ver o chileno comprometido, esforçado e preocupado em contribuir com o coletivo para alegrar o torcedor.

Importante

No jornalismo é fundamental que eu esqueça de mim.

É crucial se colocar no lugar do outro para retribuir a confiança de quem passa hoje para ler o blog.

Por isso não tenho a menor dificuldade de elogiar times para os quais eu não torço.

Ou de falar qual faz meu coração bater mais forte.

As avaliações devem ser técnicas e permeadas por doses de emoções que são parte fundamental do futebol.

Se não, ao invés de um papo divertido, de cunho afetivo e ideológico, o discurso de futebol fica pedante e egoico.

Futebol combina mais com bar e festa que com Havard e Sorboune.

Fora dos locais em que não sou remunerado para comentar, sou mais um chato que pega no pé, brinca, provoca e fica feliz ou incomodado com a agremiação que ama.

Isso me ajuda aqui.

O fato de ter ‘crescido na arquibancada’ me mostra que a tua equipe é tão importante para ti quanto a minha é para mim.

Reforça a noção do valor, não o antagonismo carregado de ódio.

Eu não me acho mais importante que o restante do mundo.

Sou mais um de passagem aqui, enquanto Deus e a natureza permitirem, e aos 46 anos, após perder mãe, avós e avôs, amigos e meus amados cães, acho que tenho completa noção do que é a finitude da carne e a dor da saudade.

Eu escolhi minha profissão.

Um monte de pessoas sequer pode fazer isso.

Sou privilegiado neste aspecto.

E procuro retribuir da maneira que posso ou consigo.

Obrigações que geram perdas

Por isso fiquei contra a Copa do Mundo com dinheiro público em estádios e cobrei que arrumassem empresas, tal qual prometeram, para bancá-los.

Quando critico cartolas, treinadores, auxiliares técnicos e, dependo, jogadores, queimo fontes para proteger os times.

Tudo isso tem impacto ruim na parte econômica e de subsistência, na minha profissão.

Meus amigos dentro e fora do jornalismo dizem que não sou estratégico.

Até ouço algumas fontes das quais desconfio, dou corda para ver se me contam aquilo que é relevante, mas o limite acaba quando o interlocutor, por interesse pessoal, prejudica o clube de futebol.

Esta é a fronteira ética na minha forma de ver.

Corroborar com isso seria matar a essência do jornalismo na editoria de esportes, que exige crítica e entretenimento distribuídos nas horas e quantidades certas.

Achar a medida não é das tarefas mais simples.

O leitor perspicaz é capaz de compreender e de ver que a grana, apesar de eu precisar e gostar dela, é um dos meus objetivos e não o principal deles.

Respeito 

Os limites da postura ética não me permitem a intromissão naquilo que é pessoal do atleta e do cartola.

Relações extraconjugais, se bebe ou não, com quem tem amizade, a marca do carro que comprou, a orientação sexual, o local onde passou férias, a preferência por sair de noite, a religião com a qual se identifica, os trajes………… não são notícias para mim.

Acho um baita desrespeito se meter na vida pessoal do outro ser humano.

Dá muita audiência, mas se precisar viver disso arrumo outro tipo de profissão.

Sobre Juvenal

A nova saraivada de críticas é por causa da minha opinião sobre a gestão de Carlos Miguel Aidar.

Os maledicentes afirmam que falo lobby para Juvenal Juvêncio.

Provavelmente têm dificuldade de compreender como alguém mantém a ética, inclusive quando pode ter prejuízo por isso, porque não conseguem deixar em nenhum momento a individualidade em prol do coletivo.

Acho que Juvenal foi fundamental para reerguer o São Paulo, pois montou, junto com o saudoso Marcelo Portugal Gouvêa e o Cuca, o time campeão da Libertadores e do mundo, construiu Cotia, reformou o Morumbi, o tornou superavitário e ganhou três brasileirões.

E admiro, por ideologia, o enfrentamento contra cartolas da CBF e da FPF, por achar que esses não ajudam o futebol.

Isso não me impediu de ser contra o terceiro mandato, articulado por Aidar, e de achar que ele foi muito mal nisso.

http://blogdobirner.virgula.uol.com.br/2011/01/20/carlos-miguel-aidar-e-o-mentor-da-nova-eleicao-de-juvenal-juvencio/

E nem de avaliar como insuficiente para a manutenção da grandeza da instituição ou péssimo em certos momentos, a extensão do prazo no poder.

Ou de achar destrutivo como suprimiu a oposição da época, que Marco Aurélio Cunha conseguiu ressuscitar, obviamente lembrando que os opositores, pela preferência por cargos em detrimento das próprias convicções, contribuíram com o ex-presidente.

Há posts no blog com críticas, inclusive algumas com falhas minhas nas avaliações sobre o futuro de jogadores e treinadores.

Certamente, em alguns momentos, fui mais generoso com a gestão de Juvenal do que ele mereceu.

E noutros, mais rigoroso.

Fiz o mesmo com Beluzzo, na candidatura, que achei que seria administrador competente no Palmeiras, e com Citadini, que tive na conta de um dirigente promissor após a passagem vencedora pela diretoria de futebol do Corinthians.

Errei em ambos.

Não foi por desonestidade e tirei as lições.

Os acertos, que não relembrarei, goleiam por enorme margem os meus tropeços.

Os próprios personagens citados não mantiveram o padrão de atitude que me apeguei para elogiá-los, mas isso cabe ao amigo (a) que lê o blog perceber e dimensionar.

Explico as críticas ao Aidar

Minhas críticas à gestão de Aidar têm as seguintes bases.

Discordo do contrato com alguém próximo, assinado em silêncio, dando comissão de 20% de comissão, e desfeito, de acordo com o próprio presidente, após reclamações.

Discordo da negociação das rendas por 10 anos, que tende a quebrar as finanças do clube e levá-lo, no futuro, ao rebaixamento. Deveria colocá-la na pauta do conselho, para ser apreciado, e não retirado e esperado a hora que puder aprová-lo. A MP do futebol complicou ainda mais a implementação dessa proposta.

Discordo da troca da empresa de venda de ingressos, pois a atual não parece preparada e nem cartão de crédito, após um mês da alteração, era aceito na bilheteria. Havia poucas catracas nos jogos e muitas não funcionaram. O preço dos ingressos, por decisão dos cartolas, subiu e a média de público caiu vertiginosamente. Me pergunto o quê o São Paulo lucrou com isso.

Discordo da produção constante de cizânias antes de medidas de impacto.

Quando tirou Juvenal das categorias de base, o que é direito inalienável de Aidar, deveria ter chamado quem o elegeu numa sala, avisado e pronto. E o JJ, se ficasse irritado com a traição por parte de quem elegeu, que fosse chorar as pitangas onde quisesse.

A entrevista de Aidar na Folha de SP incendiou o ambiente e junto com mais divergências provocou a crise política. E o São Paulo perdeu com a briga.

Discordo das reclamações sobre as finanças; sei que não andam boas, mas o clube deve, por exemplo, menos que o Corinthians para jogadores (salários e direitos de imagem), impostos (governo) e empréstimo bancário.

No 1° dia de Aidar como presidente, a condição econômica era mais confortável que as de Palmeiras, Santos, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Grêmio e Internacional. Se era inviável de ser administrada, não deveria ter contratado o Kardec, que, acho, foi um acerto do presidente.

Discordo das declarações preconceituosas de cunho social e das brigas com outros dirigentes.

O São Paulo é um time de massa, com torcida grande em bairros populosos e pobres, e muito mais relevante que o perfil do torcedor é o respeito que deve ter com as mazelas sociais brasileiras que tanto interessam para certa parte da elite.

Ao contrário do que parte dos brasileiros pensa, não há nenhum pecado ou vergonha em ser pobre ou não ter dinheiro suficiente para o básico.

Vergonhoso é deixar comida estragando na geladeira enquanto alguém passa fome na rua. Isso vale inclusive para a fome de animais de rua carentes, especialmente aos cães que são a criação divina mais confiável de todas.

Discordo daquilo da falta de apoio real ao Muricy. O treinador não se sentia confortável por causa disso e precisou enfrentar dilemas que foram além das questões táticas e técnicas, nas quais falhou como eu citei em diversos posts.

Isso, tal qual comentei, não isenta o técnico de responsabilidade pela formação do elenco, concepção de jogo e escolha dos titulares que não renderam resultados compatíveis ao investimento.

O novo treinador, dependendo de qual for, pode melhorar isso.

Respeito quem acha tudo isso construtivo, apesar de pensar doutra forma, para o São Paulo.

Espero respeito da parte desinteressada dessas pessoas que discordam de mim.

Profissional

Repito no post que citei isso ou aquilo para não aparecer alguém me cobrando e dizendo que não disse o que eu já falei noutras oportunidades.

Não levo como pessoal nenhuma questão profissional.

Nada tenho contra o Aidar e por isso não fico repetindo, como um mantra, aquilo que acho ruim para o São Paulo na gestão dele.

Comento e me retiro até haver mais razões para criticar.

Se eu tiver novas notícias, inclusive boas, passo aqui e conto; e se houver decisões de impacto, como a troca do técnico, que não foram divulgadas por mim, opino.

Direto

Simples e direto.

Sou absolutamente contra o retorno de Juvenal Juvêncio para qualquer importante no clube.

A história dele, com erros e acertos, foi escrita.

Que cuide da saúde e das articulações políticas que achar benéficas ao São Paulo.

Escrito por Vitor Birner às 21:04 Vitor Birner 129 Comentários