19 nov

São Paulo podia ter perdido por mais de 1×0 contra o Atlético Nacional; classificação para a final continua aberta

Análise de jogos

De Vitor Birner

Atlético Nacional 1×0 São Paulo

Alan Kardec se machucou por causa da entrada violenta do goleiro do Atlético Nacional e Edson Silva e Rogério Ceni bobearem no lance do gol de Ruiz.

Antes disso,  o confronto teve momentos de equilíbrio e de pequena superioridade do São Paulo quando acertou a marcação na saída de jogo.

Depois, o time de Muricy despencou. Não perdeu por mais de 1×0 porque teve sorte em alguns lances, e Ceni, noutros, fez difíceis intervenções.

A má pontaria dos comandados do J, Osorio, que taticamente os preparou de forma interessante e elogiável, foi mais um aspecto para o placar mínimo acontecer.

O treinador do São Paulo, apenas aos 23 minutos do 2° tempo, depois de trocar o 4-4-2 pelo 4-2-3-1, viu seu time melhorar na marcação e tornar o jogo menos confortável para os Verdolagas.

A classificação para a final continua aberta.

A única convicção realista neste momento é que os colombianos são nas partes tática e técnica os adversários mais fortes que o mandante do próximo confronto enfrentou nesta Copa Sul-Americana.

Tática

O São Paulo entrou em campo com a mesma escalação e o 4-4-2 da vitória contra o Palmeiras.

O meio de campo com os volantes Denilson, o mais defensivo, e Souza, com mais liberdade de participar do sistema ofensivo,  entre Kaká e Ganso, que foram meias na criação e ficaram em frente aos laterais na marcação.

O ataque formado por Kardec e Luis Fabiano, sempre com um deles, na maioria das vezes o primeiro, recuando para fazer o quinto jogador com o quarteto que mencionei.

Os laterais Hudson e Michel Bastos puderam apoiar.

Prefiro o da esquerda jogando mais avançado, pois aumenta a velocidade do time no ataque e é o melhor nos importantes chutes de fora da área.

O Atlético Nacional taticamente é um time muito interessante.

Começou o confronto no 3-4-3, com Berrío, na direita, e Copete, na esquerda do ataque e o centroavante Ruiz centralizado.

O meio de campo formado pelos volante Arias, com pouca liberdade de avançar e jogando perto dos zagueiros, Pérez e Díaz, que puderam ajudar, e o meia Cardona.

O trio de zaga contou com Nájera, Henríquez e Murillo.

Como os jogadores ficam perto uns dos outros e o trabalho de J. Osorio é elogiável, o esquema pode mudar de acordo com determinações do técnico, que até manda bilhetes aos seus comandados durante os 90 minutos para explicá-las.

Por exemplo: variou para o 4-2-3-1 com a volta de um dos volantes para a lateral e os atacantes dando alguns passos atrás para a mesma linha de Cardona.

O árbitro e o próprio time   

O time de Muricy equilibrou o jogo no 1° tempo e foi superior em alguns momentos até sofrer o gol de Ruiz, aos 35 minutos, após o deixa que eu deixo de Rogério Ceni e Edson, Silva, no qual a bola era mais do goleiro que do zagueiro.

O lance começou em uma lateral invertida pelo árbitro que favoreceu o Atlético Nacional.

Mas a reclamação, apesar de embasada, perde força quando a gente assiste o lance apelidado de ‘morto’ no futebolês e que terminou com a bola na rede por causa da falha de ambos os são-paulinos.

A arbitragem prejudicou de maneira agressiva no erro grotesco aos 10 minutos antes.

Alan Kardec, depois de receber o passe de Ganso, driblou o goleiro argentino Armani e foi chutado de propósito, para machucar, por ele.

O uruguaio Daniel Ferdozuk tinha que expulsar o autor da falta por causa da violência da jogada, não por se tratar de uma ótima chance de gol, pois o atacante driblou para o lado em vez de fazê-lo na direção da meta.

São Paulo despenca depois do gol

Armani teve sucesso na entrada em Kardec.

Parou o lance perigoso contra o Atlético Nacional e tirou o jogador de campo antes do intervalo.

A saída de Kardec, substituído por Álvaro Pereira que entrou na lateral e permitiu a Michel Bastos ir para o meio de campo,  e o gol de Ruiz fizeram o São Paulo desmoronar.

O uruguaio, que atuou no dia anterior pela Celeste Olímpica, sofreu para marcar o Berrío,

Bastos, na esquerda, ficou distante dele. Luis Fabiano, adiantado, não se mexeu da maneira correta para dar opção para os meias.

Ganso, em noite de pouca inspiração, sentiu a falta de Kardec para tabelar e começou a perder bolas. Kaká, tecnicamente pior que o meia, fez isso ainda mais.

O Atlético Nacional, time que não torna o jogo rápido, começou a criar chances de ampliar.

Se não fosse Rogério Ceni, que fez difíceis intervenções, a trave e as falhas na finalizações, teria vencido por diferença maior de gols.

O São Paulo solucionou seus dilemas defensivos depois da entrada de Osvaldo no lugar de Kaká o que fez o São Paulo jogar no 4-2-3-1, com ele e Michel Bastos pelos lados da linha de três e Ganso no centro do trio de criação.

O titular não conseguia ajudar Alvaro Pereira nos momentos em que o jogo exigiu, e tampouco foi eficaz na criação ou finalizações.

O reserva lodo após entrar fez duas jogadas de velocidade, uma delas quase terminou com Michel Bastos chutando de frente para o goleiro, na outra tomou a falta e o adversário levou o cartão amarelo, e por isso o técnico dos ‘Verdolagas’ segurou um jogador atrás além de ver Osvaldo voltando para auxiliar o lateral.

O confronto voltou a ficar equilibrado e os goleiros pouco foram exigidos.

Muricy tentou melhorar isso com Pato no lugar de Luis Fabiano.

A troca não melhorou o sistema ofensivo.

Ficha do jogo

Atlético Nacional – Franco Armani; Francisco Nájera, Alexis Henríquez e Murillo; Arias, Farid Díaz Sebastián Pérez e Edwin Cardona; Berrío (Cárdenas), Copete (Juan Valencia) e Ruiz (Guisao)
Técnico: Juan Carlos Osorio

São Paulo – Rogério Ceni; Hudson, Rafael Toloi, Edson Silva e Michel Bastos; Denilson, Souza, Ganso e Kaká (Osvaldo); Alan Kardec (Alvaro Pereira) e Luis Fabiano (Pato)
Técnico: Muricy Ramalho.

Árbitro: Daniel Fedorczuk (URU)
Auxiliares: Carlos Pastorino e Gabriel Popovits

Escrito por Vitor Birner às 23:54 Vitor Birner 78 Comentários

19 nov

Como Muricy tem que escalar o São Paulo contra o Atlético Nacional? Conheça os detalhes do time mais forte da Colômbia

Birnadas

De Vitor Birner

Não sei qual time Muricy escalará hoje.

Se colocar Michel Bastos no meio-de-campo, onde o jogador rende mais, terá que tirar ou Ganso, ou Kaká, ou Alan Kardec ou Luís Fabiano.

O ex-meia do Santos sentiu dores no joelho durante os treinamentos.

Nos jogos do São Paulo pela Copa Sul-Americana, longe do Morumbi, Ganso foi um dos melhores.

Se ele puder atuar, o treinador preferir Bastos mais adiantado –  o que aumenta a chance de o time fazer gols de fora da área e a velocidade do sistema ofensivo - e todos outros boleiros tiverem condições, talvez Alan Kardec comece no banco.

O enorme desgaste físico gerado pelo sacrifício dele para facilitar os trabalhos de Ganso, Kaká e especialmente de Pato ou Luis Fabiano será a principal razão.

Mas não tenho nenhuma convicção que o treinador abrirá mão de seu principal jogador na parte tática.

Talvez mantenha Michel Bastos na lateral e pronto.

Luis Fabiano continuará porque correu mais, fez gols e jogou futebol melhor nos dois últimos compromissos do São Paulo.

Não creio que começará com Pato entre os titulares, pois o atacante precisa readquirir o melhor ritmo, e nem pode iniciar com ele e Luis Fabiano porque enfraquecerá a capacidade de o time recuperar a bola.

Na sequência do post o Felipe Bigliazzi Dominguez,  que andou sumido depois da Copa do Mundo, explica o Atlético Nacional de Medellin.

Fico grato ao amigo por contribuir com o blog.

De Felipe Bigliazzi Dominguez

Nacional de Medellín é bicampeão colombiano e tem, neste momento, a hegemonia do futebol no país.

Quer o título da Copa Sul-Americana para dar um passo adiante, agora em âmbito continental.

Nas quartas-de-final do ano passado, o conjunto Verdolaga fez um confronto bastante parelho contra o São Paulo.

No Morumbi, perdeu por 3 a 2 com um gol de Antônio Carlos nos minutos finais; Na volta em Medellín, o time de Muricy, que acabara de assumir o cargo de técnico, arrancou um empate em 0×0 foi à semifinal diante da Ponte Preta.

O grande arquiteto deste time do Atlético Nacional é Juan Carlos Osorio.

Treinador estudioso, com pós-graduação em ciência do futebol pela Universidade de Liverpool, que teve a valiosa experiência como assistente técnico do Manchester City por quatro temporadas.

Nos Estados Unidos teve passagem marcante pelo Red Bull NY, conquistando em 2008 o vice-campeonato da Major League Soccer.

Em 2010, retornando a terras cafeteiras, conduziu o Once Caldas de Manizales ao título do Torneio Finalización.

Seu ciclo no Atlético Nacional de Medellín começou em 2012 após renunciar ao convite de assumir a seleção de Honduras.

Foram 6 títulos nacionais até aqui: Superliga 2012, Torneio Apertura de 2013 e 2014, Copa Colômbia de 2012 e 2013 e Torneio Finalización de 2013.

Taticamente, Osorio gosta de variar os sistemas de acordo ao adversário.

No confronto do ano passado contra o São Paulo, o Nacional foi a campo no 3-4-2-1, o mesmo esquema tático da maioria dos jogos da última edição da Copa Libertadores.

Os Verdolagas chegaram as quartas de final após sobreviverem ao grupo da morte contra Grêmio, Newell’s Old Boys e Nacional do Uruguai.

Depois eliminarem o Atlético Mineiro, então defensor do título, nas oitavas-de-final, em pleno estádio Independência.

Neste semestre, Osorio tem sido mais conservador, utilizando o 4-2-3-1 prioritariamente, como nos confrontos das quartas de final diante do Cesar Vallejo (PER).

No gol, o argentino Franco Armani aporta experiência e liderança neste ciclo exitoso e já histórico. Na defesa, Juan Carlos Osorio pode utilizar novamente a linha de 3 zagueiros com Francisco Nájera pela direita, Alexis Henriquez como líbero e Oscar Murillo pela esquerda

A imprensa cafeteira cogita essa formação graças a ausência do lateral Daniel Bocanegra que foi convocado por Pekerman para os amistosos da seleção colombiana na última data FIFA.

Diego Árias pode ser o substituo pela lateral/ala direita.

Na ala esquerda, a dúvida está entre Farid Diaz ou Juan Valencia. Ambos possuem boa técnica e constante subida ao ataque. Diaz pode ser deslocado para a posição de volante deste lado.

O meio de campo é a grande arma do conjunto da região de Antioquia, já que conta com bom toque de bola e jogadores que podem desequilibrar.

A dupla de volantes é formada por Alejandro Bernal e Alexander Mejia,  titular no último amistoso da seleção colombiana; expulso contra o Cesar Vallejo, Mejia desfalca os Verdolagas no jogo de ida no estádio Atanasio Girardot.

A condução da equipe fica a cargo da ótima dupla formada por Sherman Cardenas e Edwin Cardona.

O habilidoso Cardenas atua em varias funções da linha de armador – ora pelo flanco direito, ora como meia centralizado – ao passo que o talentoso e temperamental Cardona é o responsável por cadenciar o ritmo de jogo e pela precisão no último passe.

O futebol vistoso de Cardona chamou a atenção de Pekerman, que o convocou para a Data FIFA , mas cedeu ao pedido de liberação por parte do Nacional para que pudesse disputar o confronto de ida contra o São Paulo.

O ataque é o setor mais fraco do Nacional de Medellin.

Com a notória decadência do veterano Juan Pablo Angel – ex- River e Aston Villa e seleção colombiana – Juan Carlos Osorio pediu a contratação do centroavante Luis Carlos Ruiz, que jogava no futebol chinês.

Ruiz é a referência no ataque e o artilheiro da equipe nesse semestre.

Do lado esquerdo do ataque, há o revezamento entre Wilder Guisao e Jhonatan Copete, recém contratado, que teve passagem pelo Vélez Sarsfield.

Outra boa opção é Orlando Berrió, que retornou no último final de semana após 3 meses parados por causa de uma grave lesão.

Assim como o São Paulo, o Nacional de Medellín acusa o cansaço gerado pelo calendário assombroso do futebol colombiano, que acumula 3 torneios em disputa e tampouco respeita a Data FIFA.

No último domingo, Osorio colocou uma equipe alternativa para enfrentar o Independiente Santa Fé no estádio El Campin de Bogotá.

Os Verdolagas perderam por 3 a 2, em jogo válido pela segunda rodada do quadrangular final da Liga Postobon, que define os finalistas do principal torneio nacional da Colômbia nesse semestre.

Além do precário estado físico, o Nacional temas mesmas características do São Paulo: toque de bola, ambição ofensiva e uma certa lentidão na transição defesa ao ataque.

No 4-2-3-1

No 3-4-2-1

Escrito por Vitor Birner às 15:23 Vitor Birner 11 Comentários

18 nov

A punição de Suárez aumentará se descobrirem corrupção nas escolhas das próximas sedes da Copa do Mundo?

Birnadas

De Vitor Birner

A Fifa investigou a Fifa e concluiu que na Fifa não houve nada ilegal no processo de escolha dos países que sediarão as duas próximas Copa do Mundo.

A Rússia derrotou a Inglaterra, dona de rica cultura de futebol, infra-estrutura para receber turistas e alguns estádios prontos de acordo com o padrão exigido pela entidade comandada por Joseph Blatter e Jerome Valcke, e as candidaturas conjuntas de Holanda e Bélgica, e Espanha e Portugal.

A nação de Lenin, Dostoievski e Isinbayeva, entre todos as então postulantes a anfitriãs do principal torneio de seleções, é a que lida com maiores problemas de corrupção no governo, violência social, desrespeito aos direitos humanos e necessidade de construir estádios.

Dinheiro para solucionar o último ‘problema’, tal qual os cartolas da Fifa sabem, não será obstáculo no território presidido por Vladimir Putin e a imprensa, lá, tende a questionar menos do que nós, brasileiros, o processo de preparação.

Ao menos o clima, no período do torneio, será aceitável.

No Catar, o outro escolhido, a temperatura costuma ultrapassar os 40° no meio do ano. Os catarinos concorreram contra os norte-americanos, australianos, sul-coreanos e japoneses.

Os EUA são mestres na realização e promoção de mega-eventos esportivos.

Os asiáticos organizadores do último Mundial ganho pelo Brasil têm quase tudo pronto.

A Austrália é rica, quer fortalecer o futebol, oferece enorme mercado pouco explorado e ajudaria a divulgar o esporte na Oceania caso obtivesse êxito.

Os governos de todos os perdedores são, concordemos ou não com as políticas interna e externa que adotam, mais sérios que os dos vencedores.

No país avaliado pela Fifa como o ideal, o dinheiro jorra dos poços de petróleo, arenas precisam ser levantas e o hábito de fazer obras suntuosas, exageradas e cafonas é cultivado.

O último relatório da Internacional Trade Union Confederation diz que 1200 operários, a maioria imigrantes do Nepal, Índia e Paquistão que se submetem a cerca de 12 horas diárias de trabalho sob condições de segurança péssimas, morreram nas obras para a Copa do Mundo.

A estimativa é que o número subirá para 4 mil até a conclusão delas.

http://www.ituc-csi.org/international-trade-union-14520?lang=en

A Fifa parece não se incomodar com esse drama social e mantém o que decidiu.

Diante de tudo isso e de outros detalhes, a gente tem a opção de crer ou duvidar na escolha das sedes por motivos técnicos.

Se o FBI, que investiga o caso, e a Justiça suíça, que entrará no circuito, descobrirem algo, talvez a cartolagem que manda na dona do futebol, preocupada em dar exemplo, aumente a punição de Suárez pela mordida em Chiellini.

Escrito por Vitor Birner às 14:40 Vitor Birner 25 Comentários

17 nov

Um feito improvável, dois milagres e o último rebaixado; haverá time com menos de 45 pontos que ficará na primeira divisão

Birnadas, Brasileirão

De Vitor Birner

A pontuação de quem caiu

Na primeira edição do Brasileirão por pontos corridos com vinte clubes, a Ponte Preta somou 39 pontos conseguiu o melhor rendimento entre os que foram para a segunda divisão.

Traduzindo, teria sido possível se manter na elite do futebol nacional com apenas 40 pontos, apesar de o Palmeiras, logo acima da Macaca, somar  44 naquele campeonato.

Na temporada seguinte, a meta dos 45 prevaleceu. O Corinthians desceu com 44 e o Goiás fez 45 e permaneceu na elite do futebol brasileiro.

Em 2008, o Náutico, com 44, ficou na primeira divisão e o Figueirense, com mesmo número de pontos e saldo de gols menor, foi para a segundona.

Em 2009 os 45 pontos não bastaram para o Coritiba ficar na primeira divisão. O Fluminense, com 46, conseguiu se salvar.

Em 2010, Atlético GO fez 42, Avaí 43 e Flamengo 44. Nenhum deles foi rebaixado. O Vitória com pontuação igual a do pior dos três foi rebaixado porque ganhou menos jogos que os goianos.

Na temporada seguinte, o Cruzeiro com 43 ficou na primeira divisão. O Atlético PR, melhor entre os que caíram, somou 41.

Na próxima o Sport desceu com 41 pontos. A Lusa fez 45, mas teria ficado com 42.

Ano passado, o Fluminense teria sido rebaixado com 46 pontos se o STJD não punisse a Portuguesa e o Flamengo. O time do Canindé perdeu 4 pontos por causa da escalação de Heverton, ficou com 44 e terminou na zona do rebaixamento .

Nos oito campeonatos disputados com os mesmos regulamento e número de times do atual em andamento, apenas uma vez os 45 pontos foram de fato a pontuação  de corte para alguém ficar na primeira divisão.

Em cinco edições ficou acima da necessária e noutras duas, se levarmos em conta apenas o resultado de campo, abaixo da que os times realmente precisaram.

A meta de 45 recomendada por matemáticos e adotada pelos treinadores não é nem segura como muitos supõem e nem exata como alguns creem.

Menos de 45 pontos para ficar

O Vitória conseguiu importantíssimos três pontos, ontem, contra a Chapecoense.

O Botafogo colocou com firmeza um dos pés na segundona. O Bahia fez o mesmo e ainda entrou com três dedos do outro pé. O Criciúma pisou com ambos inteiros lá enquanto espera o milagre para evitar o rebaixamento.

Em tese, conhecemos três das quatro agremiações que cairão. Dessas, o Glorioso é o único que ainda tem alguma chance de mudar o panorama desfavorável.

Chapecoense (36), Coritiba (37), Vitória (37), Palmeiras (39) e Figueirense (40) são as demais agremiações ainda sob risco.

Restando 12 pontos em disputa para cada uma é difícil acreditar que alguém precisará de 45 para ficar na primeira divisão.

Goiás e Sport têm 44 pontos e, na minha forma de ver, já se livraram.

Além do percentual de aproveitamento de quem fez campanha ruim não sugerir que quatro times empatem com os goianos e os pernambucanos, haverá diversos confrontos diretos nas próximas rodadas, os quais, obviamente, forçarão a perda de pontos de quem não pode mais tropeçar.

Os comandados de Ney Franco têm compromissos contra o Coritiba (c) e o Figueirense (f), seus concorrentes, além de encararem os desmotivado Flamengo (f) e Santos (c)

O Botafogo tem dois confrontos.

Receberá o Figueirense no próximo dia 19 e logo na rodada seguinte viajará para enfrentar a Chapecoense.

Santos (f) e Atlético MG (c), com pouco interesse no Brasileirão, serão os outros obstáculos do Glorioso.

O Bahia, penúltimo lugar na tabela de classificação, tem de vencer todos os jogos para somar 43 pontos, o que pode, com um pouco de sorte, livrá-lo da segundona.

É muito mais provável algum time ficar na primeira divisão com essa pontuação do que o 19° lugar do Brasileirão vencer todos os próximos jogos.

Enfrentará o lanterna Criciúma, no meio de semana, no Heriberto Hulse.

Depois o ‘Baêa’ será mandante diante de Atlético PR e Grêmio, e viajará à Coritiba noutro suposto confronto direto, pois ninguém pode garantir que ainda terá chance de não cair na última rodada.

O Tigre terá Flamengo (f), Sport (c) e Corinthians (f) como adversários nesse Brasileirão. .

A Chapecoense, que entrou na zona do rebaixamento, teria conseguido o feito de permanecer na elite do futebol nacional se tivesse derrotado o Vitória ontem e se conseguir os três pontos quando jogar contra o Botafogo.

Agora, além de superar os cariocas, precisará pontuar contra Fluminense (f), Cruzeiro (c) e Goiás (f).

O Coritiba pode resolver a permanência nos confrontos diretos.

Ainda jogará diante de  Vitória (f), Palmeiras (c) e Bahia (c). O outro adversário será o Atlético MG (f).

O Palmeiras tem pequena possibilidade de ser rebaixado.

O único confronto direto será na capital paranaense diante do Coritiba.

Os três pontos na próxima rodada, quando inaugura sua Arena contra o Sport, são fundamentais para impedir os jogadores de ficarem sob enorme pressão.

O Figueirense, com pequena possibilidade de ser rebaixado, pode acabar com o dilema se se empatar contra o Botafogo e superar o Vitória no Orlando Scarpelli.

Ficará com um ponto a menos que os 45 e não precisará mais.

Talvez alguém escape com 43 pontos.

É esperar para ver.

Acho que do Palmeiras para cima ninguém cairá, os últimos três não conseguirão escapar, e Chapecoense, ou Coritiba, ou Vitória acompanhará Botafogo, Bahia e Criciúma.

O Furacão do Oeste, porque trocou de técnico agora, tem um ponto a menos que o Coxa e o Rubro-Negro e a  tabela mais complicada que a deles, é quem possui mais chances de se juntar ao trio.

Mas isso, tal qual citei, é apenas meu palpite e não uma convicção.

 

 

Escrito por Vitor Birner às 18:05 Vitor Birner 19 Comentários

16 nov

Superioridade técnica do São Paulo pesou muito na vitória contra o Palmeiras; Luis Fabiano fez o gol típico de um especialista na área

Análise de jogos, Birnadas, Brasileirão

De Vitor Birner

São Paulo  2×0 Palmeiras

O chute difícil que Luis Fabiano acertou no primeiro gol permitiu ao time de Muricy jogar com tranquilidade quando o Palmeiras pressionou.

Os treinadores fizeram trabalhos táticos de qualidade.

O dos vencedores mantendo a proposta de jogo e o do Palmeiras adaptando o esquema às características do rival.

Nos momentos em que o time centenário acertou a marcação na frente, e não foram tão poucos, se aproximou da área e nada produziu por causa dos passes tortos e cruzamentos ruins.

Tinha que aproveitá-los porque nenhuma agremiação, no futebol brasileiro com seu carregado calendário, tem condição física para manter durante todo o confronto o sistema defensivo adiantado.

Apenas uma vez, com Henrique, obrigou Rogério Ceni a se destacar.

A enorme diferença técnica deu ao São Paulo a vitória.

Quando teve a bola no campo de ataque no 1° tempo criou alguns lances de perigo.

Não precisou de tanto volume de jogo.

Poderia ter feito outros se Kardec estivesse mais inspirado e Fernand Prass menos.

O gol de Rafael Toloi, com participação de Edson Silva, premiou os zagueiros venceram ganharam quase todas as divididas pelo alto contra o ataque palmeirense.

Osvaldo desperdiçou ótima oportunidade no fim do Choque-Rei.

O resultado foi muito importante para o São Paulo, que administra o desgaste do elenco nas disputas pela permanência na vice-liderança no Brasileirão (se a CBF não inventar moda garante lugar na fase de grupos da Libertadores) e nas semifinais da Copa Sul-Americana.

Os três pontos ajudam os atletas a se concentrarem no confronto contra o bicampeão colombiano.

O Palmeiras, se ganhasse, se livraria do rebaixamento, pois além de subir na tabela de classificação, ficaria fortalecido emocionalmente nas últimas rodadas do campeonato.

De qualquer jeito, continua com mais perto de ficar que de cair.

Creio que agremiações com menos de 45 pontos irão continuar na primeira divisão.

Árbitro errou, mas não houve o pênalti

A marcação feita de maneira competente pelo Palmeiras, no começo do jogo, para impedir o adversário de fazer a transição da defesa ao ataque com a bola no chão, proporcionou o primeiro lance polêmico do Choque Rei.

Diogo aproveitou ao erro do Denilson e ficou à frente dele. O volante segurou o atacante, que conseguiu entrar na área e foi desarmado, por baixo, de maneira legal.

O árbitro, com a visão encoberta, e o auxiliar, com o ângulo certo para avaliar o que houve, não acharam nenhuma irregularidade no lance.

Mas o critério da arbitragem nacional indica que, por causa do ‘agarrão’, houve a infração e o cartão amarelo deveria ser mostrado.

Erraram Marcelo Aparecido Ribeiro, o dono do apito, e Marcelo Van Gasse.

Apesar do acerto de Dorival

O São Paulo tem o jeito de jogar e Muricy evita mudá-lo.

O treinador fala isso nas entrevistas e confirmar na prática.

Prestigiou Luis Fabiano por causa da convincente apresentação diante do Internacional, deixou Pato, recém recuperado no banco, montou o meio de campo com a linha de quatro formada por Souza e Denilson na direita e na esquerda, além de Ganso e Kaká, pelos lados, a marcação e se movimentando com liberdade na meia para a criarem os lances de gol.

Michel Bastos ficou na lateral, onde rende menos, e coube a Alan Kardec ser o parceiro do centroavante no 4-4-2, cobrir os espaços que eventualmente Kaká ou Ganso deixaram na linha do meio e voltar para ser o quinto homem da marcação com eles na posição defensiva precisa de acordo com as determinações do técnico.

Dorival formou o 4-5-1 com Marcelo Oliveira, Wesley e Diogo como volantes.

Os dois últimos jogaram respectivamente na direita e na esquerda e tinham obrigação de ajudar tanto na marcação quanto na criação.

O outro quase não apoiou.

Felipe Menezes foi o meia e jogou centralizado.

Diogo, o atacante pelos lados, insistiu mais do esquerdo. Ele e Felipe Menezes, o meia, ajudaram o sistema defensivo e tinham que se aproximar do centroavante Henrique.

O centroavante não ficou parado esperar o time chegar a ele. Se mexeu para dar opção e por causa do posicionamento do Diogo, abriu pela direita que ficou desocupada nos contra-ataques do Palmeiras.

O Alviverde, por cerca de 30 minutos ou mais, foi superior ao São Paulo na parte defensiva e impôs a proposta de jogo determinada pelo treinador.

O time de Muricy sofreu para fazer a transição da defesa ao ataque trocando passes.

Tentou pressionar a saída de bola, mas não foi eficaz.

O Palmeiras encontrou mais espaços que o mandante no clássico para criar pelos lados e finalizar perto da área.

Contudo a grande diferença técnica individual entre os times prevaleceu neste momento da vã e pequena superioridade palestrina.

Pouco e eficaz

O primeiro lance de ataque do São Paulo aconteceu aos 16 minutos.

Michel Bastos cruzou, Kardec cabeceou e obrigou Fernando Prass a fazer a intervir de forma brilhante para salvar o time.

Aos 21, após Hudson levantar a bola na área, Luis Fabiano, de primeira, acertou um chute difícil e impossível de ser ser defendido pelo competente e veterano goleiro do Palmeiras.

O time de Muricy precisou de dois lances para mostrar ao rival sua qualidade individual superior e como ela oferece risco constante para os adversários.

O Palmeiras, com mais espaço, não chegou na cara de Rogério por causa dos erros em passes simples.

São Paulo cresce e Kardec desperdiça

Os comandados de Dorival não tiveram pernas para manter a força de marcação na frente.

Os de Muricy, com maior facilidade para levarem a bola ao campo de ataque, terminaram o 1° tempo mandando no clássico.

Puderam trabalhar com ela diante do Palestra encolhido.

Isso não impediu o Alviverde de criar a única grande chance de empatar com Henrique, que apareceu na pequena área, por trás de Edson Silva, para chutar depois do cruzamento e Rogério Ceni fechar o ângulo e fazer complicada intervenção.

O São Paulo teve chances ótimas para balançar a rede antes do intervalo.

Numa Alan Kardec rolou para Luis Fabiano, que não teve a leitura correta da jogada e aplaudiu o companheiro em reconhecimento.

Na outras, aos 45, Nathan furou e Alan Kardec, livre, de frente para Fernando Prass, pegou mal na bola e perdeu a melhor oportunidade de todo o 1° tempo.

Com Mazinho no 4-2-3-1

O Palmeiras voltou do intervalo tentando retomar a marcação na frente.

Obteve êxito, dificultou a transição de bola, mas continuou quase inofensivo na criação.

Aos 7, Dorival tirou Wesley, que parecia nervoso, e colocou Mazinho.

Formou o 4-2-3-1 com o reserva na direita, Diogo do outro lado e Felipe Menezes entre eles na linha de três.

Queria jogadores rápidos e presentes nos dois lados do ataque e da meia.

Encolhido e pouco ameaçado

O enredo do restante do confronto lembrou o que havia ocorrido antes.

O Palmeiras empurrou o adversário para perto da área e não soube o que fazer perto dela.

Continuou falhando nos cruzamentos, passes e arriscando chutes tortos.

Perdeu as disputas, pelo alto, para Toloi e Edson Bastos.

Por deficiência técnica não produziu nada digno de ser destacado.

Muricy fez a leitura exata

O treinador tinha que fortalecer a marcação no meio e o contra-ataque.

Ou tirava Luis Fabiano e colocava o Pato, ou substituía Kardec por Reinaldo para Michel Bastos atuar na meia e no ataque.

Não podia colocar Pato na vaga de Alan Kardec porque perderia pegada no meio e faria um pedido para tomar o gol.

Acertou ao manter o centroavante porque jogou melhor que o companheiro e Alan Kardec é um dos mais desgastados do elenco na parte física.

E ao liberar Michel Bastos para jogar onde é mais competente depois de Reinaldo ir para a lateral.

Todos jogaram mal

O treinador fez o possível com o que tinha no banco.

Trocou o sumido Felipe Menezes por Cristaldo, que joga mais perto da área e podia tentar aproveitar os cruzamentos..

Aos 33, Allione ocupou o lugar de Diogo.

Nada mexeu no panorama do confronto.

Os que saíram de fato jogaram mal, os argentinos mantiveram o padrão ruim e o Mazinho que fez ele piorar.

Muricy havia substituído, aos 30, Luis Fabiano por Pato.

Gol de zagueiros

Aos 34, Edson Silva desviou de cabeça após a cobrança de escanteio e Rafael Toloi, livre na área, chutou forte e fez 2×0.

O gol deu ao São Paulo tranquilidade e ansiedade ao Palmeiras.

Muricy ainda trocou Kaká por Osvaldo.

O reserva perdeu a oportunidade de marcar 3×0 depois do lance perfeito de Michel Bastos.

Ficha do jogo   

São Paulo – Rogério Ceni; Hudson, Rafael Toloi, Edson Silva e Michel Bastos; Denilson, Souza, Kaká (Osvaldo) e Ganso; Alan Kardec (Reinaldo) e Luis Fabiano (Pato). Técnico: Muricy Ramalho

Palmeiras – Fernando Prass; João Pedro, Nathan, Tóbio e Juninho; Marcelo Oliveira, Wesley (Mazinho), Victor Luís, Felipe Menezes (Cristaldo) e Diogo (Allione); Henrique; Técnico: Dorival Jr

Árbitro: Marcelo Aparecido Ribeiro De Souza
Auxiliares: Marcelo Van Gasse e Herman Brumel Vani
Público: 36.850 pessoas – Renda: R$ 992.285

 

Escrito por Vitor Birner às 21:48 Vitor Birner 71 Comentários

13 nov

O competitivo Luis Fabiano reapareceu contra o Inter; centroavante cresce sob críticas fortes e se acomoda quando é elogiado

Birnadas

De Vitor Birner

Gravei o jogo de São Paulo 1×1 Internacional para assistir depois de trabalhar na decisão da Copa do Brasil.

Não quero comentar as questões táticas, arbitragem ou andamento do confronto no Morumbi

Decidi fazer o post por causa da atuação de Luis Fabiano, que arrancou elogios de Muricy.

Saiu da área, apareceu para receber a bola, participou mais que de costuma na marcação, lutou como o Luis Fabiano da seleção brasileira e das passagens anteriores pelo clube (aquele que o São Paulo pensou ter contratado) e correu muito.

Nem entro no mérito da qualidade do futebol que apresentou.

Falo de postura em prol do time.

Do respeito na prática, não na teoria, pela camisa.

O atacante mordido pelas críticas que sofreu ao invés de acomodado por receber elogios gratuitos e não merecidos, e com a possibilidade de ficar na reserva porque Pato tem condições de jogar, decidiu trabalhar com afinco durante os 90 minutos.

E foi um dos melhores do time ao lado de Ganso.

Mostrou que ainda tem condições de participar com intensidade dos jogos e ajudar na parte coletiva.

Por que não agiu assim desde quando voltou ao Morumbi?

O centroavante parece reagir melhor após as críticas que ao ser elogiado.

Nas partes técnica e física, todos jogadores do mundo oscilam.

O ótimo tem fases de mediano, o fraco de vez em quando brilha, o comum tem lampejos de craque…..

Ninguém consegue ter total domínio sobre o próprio rendimento e isso é tão normal quanto aceitável.

O que não deve ser admitido é atleta encostado, desmotivado e acomodado.

A essência do futebol é a competitividade.

E não há disputas apenas contra os adversários.

Há algumas internas do jogador, que é um ser  humano falho como todos nós, para conseguir vencer o que lhe impede de retribuir a confiança paga em dinheiro pelo clube e de se comprometer com a felicidade do torcedores, que fazem o time ser grande e o ganho do boleiro de proporção similar.

Esse último ponto não vale apenas para o Luis Fabiano.

Diz respeito a todo jogador e aos profissionais de outras áreas.

Ontem o centroavante ganhou o duelo contra si mesmo.

Tem que manter o padrão para justificar o investimento nele, que ainda não foi retribuído pelo artilheiro na terceira passagem pelo São Paulo.

Nas outras, apesar de não conquistar títulos importantes, ele mereceu os aplausos que recebeu.

Escrito por Vitor Birner às 15:28 Vitor Birner 53 Comentários

12 nov

Galo foi melhor que o Cruzeiro porque E. Ribeiro e R. Goulart jogaram mal; arbitragem interferiu no resultado

Análise de jogos, Copa do Brasil

De Vitor Birner

Atlético 2×0 Cruzeiro

Os mineiros hegemônicos no futebol brasileiro desde o ano passado disputaram o clássico com a esperada tensão proporcionada pela rivalidade e o peso da primeira final nacional entre eles.

O Galo foi melhor porque seus principais jogadores não decepcionaram, enquanto os do Cruzeiro ficaram devendo .

Luan, Tardelli e Dátolo lideraram o sistema ofensivo, e Everton Ribeiro e Ricardo Goulart sucumbiram diante da marcação do adversário.

O Atlético foi um pouco mais perigoso quando teve a bola no confronto em que os goleiros não trabalharam tanto.

O Cruzeiro finalizou uma vez dentro da área, no começo do confronto,obrigou Victor a intervir, mas depois passou o restante do tempo dependendo dos cruzamentos.

O Atlético encontrou mais espaço depois de ficar em vantagem no placar e Tardelli, no final, exigiu de Fabio difícil defesa.

A arbitragem mereceria elogios se não cometesse falhas pontuais.

Achei que Luan fez o gol em posição de impedimento.

E no segundo tempo, houve um neo-pênalti (explicação no post), favorável aos celestes.

Os lances devem gerar acaloradas discussões entre as duas torcidas.

Não há como deixar de destacar a importância de Marcos Rocha na vitória do Galo.

Os gols começaram em cobranças de lateral dele na área.

O resultado dá ao Galo uma interessante condição para conquistar o título.

O futebol não tem lógica, mas lembro que os comandados de Levir perderam por esse placar nos seus dois últimos confrontos, como visitantes, na Copa do Brasil.

O zagueiro subiu com o braço aberto, o que é normal, para dividir por cima e o argentino nem viu a redonda tocar nele.

Convido o leitor para ler  o post com detalhes táticos e do desempenho dos times nesta empolgante decisão da Copa do Brasil.

Detalhes das propostas táticas similares

Ambos os times atuaram no 4-2-3-1.

No Galo, Diego Tardelli foi o falso centroavante e no Cruzeiro Marcelo Moreno exerceu de fato essa função.

O líder técnico atleticano saiu muito da área e recuou como se fosse um meia para jogar de frente para o gol do adversário,  enquanto o boliviano  ou ficou na área ou se movimentou sempre perto dela, quase sempre de costas para o gol, com o objetivo de fazer o trabalho de pivô ou tabelar com quem se aproximou.

Na linha de três do mandante Luan e Carlos começaram respetivamente na direita e esquerda.

Dátolo, centralizado, completou o trio.

Quando Tardelli recuou para criar, um dos três entrou na área para esperar o cruzamento.

Normalmente, o jogador do lado oposto ao que aconteceu o ataque, por ficar longe da redonda poder surpreender os zagueiros e laterais do oponente, fez isso.

A linha de três cruzeirense, com menos movimentação, iniciou com Everton Ribeiro na direita, William na esquerda e Ricardo Goulart entre os dois velocistas.

De vez em quando Everton Ribeiro e Willian trocaram de lado.

Nas laterais, Marcos Rocha apoiou muito e Douglas o fez sempre que possível.

Mayke tentou fazer o mesmo e Samudio foi mais tímido nisso.

O volante Leandro Donizete avançou em vários momentos e Josué permaneceu perto dos zagueiros Leonardo Silva e Jemerson.

Já Lucas Silva e Henrique apoiaram quando houve brechas.

Houve outras pequenas diferenças nas propostas dos treinadores.

Ambos pediram pressão na saída de jogo desde o apito inicial.

Mas quando o Atlético tinha a bola no campo de ataque, os celestes formaram duas linhas de quatro.

A do meio quase sempre com Everton Ribeiro protegendo o Maike e Willian fazendo a ‘parede’, como se fala no ‘futebolês’, em frente ao Samudio.

Ricardo Goulart e Marcelo Moreno ficaram um pouco adiantados, não longe do quarteto no meio, para os contra-ataques.

No Atlético, a linha de marcação do meio, nos momentos em que o rival tinha a bola, contou com cinco jogadores na maioria das vezes com Tardelli nela e Luan, por ser o mais veloz, à frente aguardando o lançamento para contra-atacar.

O clássico começou equilibrado, com ambos os times enfrentando dificuldades na transição de bola, apostando nos lances ofensivos pelas beiras do gramado e com os zagueiros aparentemente tensos.

Acho que houve o impedimento

No primeiro minuto o Cruzeiro teve uma chance de fazer o gol.

Ricardo Goulart tentou cobrar a falta no contrapé de Victor e o goleiro defendeu com facilidade.

O Galo. porque foi melhor na transição de bola, frequentou mais o ataque nos momentos seguintes.

Aos 8, Luan, de apenas 1m70, fez o gol depois do cruzamento de cabeça após o cruzamento de Marcos Rocha.

Acho que o atleta que simboliza a campanha do Atlético na Copa do Brasil estava um pouco à frente, em posição de impedimento.

O zagueiro que o marcava demorou para acompanhá-lo.

Três minutos depois Marcelo Moreno, dentro da área, teve a oportunidade de empatar e finalizou em cima do Victor.

O Galo, aos 15 minutos, recuou e deixou Luan adiantado para os contra-ataques. .

O Cruzeiro ficou mais com a bola e o máximo que fez  foi arriscar inofensivos levantamentos na área.

O Atlético, ao ver que o a Raposa cresceu, decidiu sair de trás lá pelos 30 minutos, equilibrou as ações e não fez nada relevante na parte ofensiva.

Mexeu

Nilton voltou do período de descanso no lugar de Lucas Silva.

O único fundamento no qual é mais forte que o titular é na bola aérea.

No minuto 2, Nilton foi driblado por Tardelli e Datolo, da entrada da área, chutou e obrigou Fabio a intervir.

Outro de lateral

O primeiro gol atleticano começou na cobrança de lateral do Marcos Rocha que o Cruzeiro rebateu para o jogador do Galo receber o passe, cruzar e Luan conferir.

Aos 14, não houve o rebate.

Marcos Rocha colocou a bola na área, com a mão, Carlos ajeitou e Datolo, livre, quase na pequena área, fez 2×0.

O sistema defensivo cruzeirense bobeou. Alguém tinha que ficar em frente ao Carlos e esse atleta poderia marcar o argentino.

Referências jogaram mal

Aos 16, após uma raríssima tabela correta, Everton Ribeiro, de fora da área, chutou perto do gol.

O jogador do Cruzeiro e da seleção brasileira manteve o futebol de mediano para ruim desde que voltou da seleção brasileira.

Saiu aos 17 para Julio Baptista entrar.

A mexida cruzeirense aumentou a estatura do sistema ofensivo, pois Marcelo Oliveira viu que o time não conseguia entrar na área do Galo com a bola na grama, e Julio Baptista no centro da linha de três tinha que ficar perto de Marcelo Moreno para aproveitar os cruzamentos.

Ricardo Goulart foi jogar pelos lados com William.

Aos 23, Luan, de novo um dos destaques do Atlético,  machucado, deu lugar ao Marion.

Levir não mexeu nas características do sistema ofensivo porque optou por um jogador quase tão rápido quanto o titular.

Aos 25, Ricardo Goulart, que jogou futebol inferior ao da média dele, foi trocado por Dagoberto.

Qual é a regra?

O Galo recuou no trigésimo minutos e passou a apostar nos contra-ataques.

O Cruzeiro ficou com a bola e apostou em diversos cruzamentos na área, nos quais a zaga atleticana sobressaiu na maioria.

Mas houve um lance polêmico.

Aos 33, a bola bateu na mão, acho que de Jemerson,  e em seguida na do Datolo.

Na regra tradicional, não houve o pênalti.

Mas na que foi adotada ultimamente, a arbitragem costuma soprar a infração no primeiro lance porque o zagueiro subiu com o braço aberto, o que é normal, para dividir por cima.

O argentino nem viu a redonda tocar nele.

Avalio as jogadas de acordo com os critérios dos campeonatos.

Por isso, apesar de discordar deles, a arbitragem tinha apitar o pênalti.

Perdeu o gol

O Galo teve mais duas oportunidades, aos 42 e aos 46, a primeira com Diego Tardelli foi ótima e Fabio evitou o terceiro gol, até o final do clássico, e o Cruzeiro não criou nada digno de ser lembrado.

 Injusto

Como disse ao comentar o jogo, o Galo foi melhor que o Cruzeiro.

Mas não achei o resultado justo.

No meu critério, superioridade técnica, maior capacidade criação e de marcação, controle das ações, posse de bola, inteligência tática….

Tudo isso pode fazer um time ficar mais perto da vitória.

Mas a lógica do futebol é outra.

Os erros e acertos dos jogadores, a sorte e o azar não interferem na justiça do resultado, pois foi definido definido de acordo com as ações dos atletas.

Apenas a arbitragem pode cometer injustiças ao permitir lances ilegais como o gol de Luan.

Ficha do jogo

Atlético MG – Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Jemerson e Douglas Santos; Leandro Donizete e Josué; Luan (Marion), Dátolo e Carlos; Diego Tardelli
Técnico: Levir Culpi

Cruzeiro – Fábio; Mayke, Léo, Bruno Rodrigo e Samudio; Henrique e Lucas Silva (Nilton); Everton Ribeiro (Júlio Baptista), Ricardo Goulart (Dagoberto) e Willian; Marcelo Moreno
Técnico: Marcelo Oliveira

Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (Fifa)
Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho e Rodrigo Corrêa
Renda: R$ 4.741.300  - Público 18.578 pagantes

Escrito por Vitor Birner às 23:45 Vitor Birner 94 Comentários

12 nov

Atlético x Cruzeiro; uma decisão histórica, épica e imprevisível!

Coluna no Lance!, Copa do Brasil

De Vitor Birner

O Galo venceu o Palmeiras um dia antes de o Cruzeiro superar o Criciúma no fim de semana

O time de Levir poupou os principais atletas do sistema ofensivo enquanto o de Marcelo Oliveira começou o jogo com Éverton Ribeiro, William e Ricardo Goulart.

O Atlético descansou e treinou mais que os Celestes às vésperas da épica final.

E entrará em campo fortalecido psicologicamente pelas viradas impressionantes diante de Corinthians e Flamengo, que aumentar ainda mais a empolgação da arquibancada atleticana, hoje, no Independência.

Mostrou o melhor futebol do país no 2° semestre.

Nada disso dá o favoritismo ao mandante.

Não apelo ao discurso clichê e nem faço média com as torcidas ao afirmar isso.

Se existe alguma diferença técnica e tática entre os finalistas, ela é muito pequena.

O Galo somou 3 pontos a mais que a Raposa no returno do Brasileirão.

E não manteve o padrão nas visitas à Arena de Itaquera e ao neo-Maracanã na Copa do Brasil.

O Cruzeiro é forte.

Não pode ser chamado de zebra contra nenhuma agremiação brasileira.

Atá quando não repete as melhores apresentações consegue ser competitivo.

Tecnicamente, os times se equivalem.

Possuem protagonistas que desequilibram, são mais fortes na parte ofensiva que na defensiva, e apostam muito nos lances de velocidade pelos lados.

A movimentação do sistema ofensivo do Galo é um pouco superior à do Cruzeiro.

Por outro lado, com Marcelo Moreno, que não fica parado, o trabalho de pivô, que permite a aproximação dos meias e volantes  cruzeirense é melhor que o do rival.

Se o Atlético for para cima, o Cruzeiro pode apostar no contra-ataque com Éverton Ribeiro, Willian e Ricardo Goulart.

Tudo indica que pequenos detalhes determinarão quem comemorará a vitória nesta noite.

O equilíbrio emocional dos jogadores, sempre muito importante no mata-mata, será ainda mais exigido por se tratar de um clássico.

O texto abaixo é a reprodução de minha coluna de sábado no Lance.

Tratei da grandiosidade da final e destaquei a forma como o Atlético conquistou o lugar nela.

Decisão histórica, épica e imprevisível!

A final da Copa do Brasil é um presente para quem ama o futebol nacional.

O atual campeão brasileiro e favorito ao bi enfrentará o vencedor da Libertadores do ano passado e equipe mais forte do país no segundo semestre.

A rivalidade enorme entre agremiações gigantescas, que nunca se enfrentaram em decisões além das fronteiras do estado, será multiplicada pela tensão natural das finais disputadas em confrontos de ida e volta.

Os nervos à flor da pele dos atletas e a vocação ofensiva do Galo e da Raposa praticamente vetam a possibilidade de haver alguma espécie de marasmo em ambos os jogos.

A famosa caixinha de surpresas terá de ser aberta para o tédio dar as caras.

Não há favoritos por causa do equilíbrio técnico, tático e do peso igual das camisas.

É impossível apontar qualquer tipo de tendência, apesar dos caminhos diferentes percorridos por ambos até a decisão. .

A trajetória do Atlético, por causa dos adversários difíceis e classificações tão dramáticas quanto improváveis, empolgou mais que a do Cruzeiro.

Os Celestes mantiveram o padrão, a competência da temporada anterior e mereceram o feito.

O Galo precisou se reinventar depois do campeonato mineiro para repetir o milagre de voltar a ser uma fábrica de milagres.

Qual é a fórmula para isso?????

Cuca e Levir não a conhecem.

Mourinho, Ancelotti, Guardiola, Simoene e nem Telê Santana, o saudoso mestre dos mestres, não tiveram acesso à dita cuja.

Leonardo, ex-lateral, meia e dirigente, certa vez falou sobre “uma inexplicável alquimia entre os jogadores”, ao citar o São Paulo de 92 e 93.

Como alguém coloca em prática o que não se explica?

O raio do pode cair duas vezes seguidas, em tão pouco tempo, no mesmo lugar?

A nação atleticana, como faz questão de dizer para o mundo, acredita.

E a cruzeirense, apesar do receio comum que antecede os jogos históricos, não.

Saberemos a resposta em 14 dias*.

Luan

A reação de vários jogadores do Galo após a vitória diante do Flamengo me chamou a atenção.

Não pareciam apenas profissionais comemorando o êxito de maneira intensa.

Foram tomados por uma espécie de pureza varzeana, aquela cheia da alegria infantil gerada pelo simples prazer de o boleiro competir e ganhar.

Luan é o símbolo dela.

Exageros

Mattheus, o filho de Bebeto, ainda não mostrou futebol para credenciá-lo a ser tratado como um grande jogador no futuro.

Mas culpá-lo pela eliminação do Flamengo contra o Galo foi “covardia”, como o tetracampeão do mundo afirmou.

Mas o coração de pai fez o ex-parceiro de Romário na seleção forçar a barra.

Messi resolveria a classificação para o Rubro-Negro.

*No texto original escrevi 18 dias por causa da data em que foi publicado no jornal.

Escrito por Vitor Birner às 17:38 Vitor Birner 35 Comentários

11 nov

Thiago Silva na reserva é um ato de respeito de Dunga pela seleção brasileira

Birnadas, Seleção Brasileira

De Vitor Birner

O zagueiro não mostrou equilíbrio emocional na Copa do Mundo.

Isso comprometeu a qualidade do futebol dele e a liderança que se espera de um capitão de seleção pentacampeã mundial.

Tinha que acalmar os companheiros e não ficar emocionado com eles.

Falhou nisso.

Não foi capaz de cooperar para a concentração do time ser mantida nos jogos e falhou na missão de liderar.

Depois se machucou e Dunga assumiu o comando do time.

Os resultados nos primeiros amistosos foram interessantes.

O desempenho de Miranda, zagueiro titular com o atual treinador, tem sido importante para a reconstrução da equipe.

Se o técnico tirasse o ‘colchonero’, além da injustiça futebolística com o atleta, mandaria o seguinte recado ao elenco;

O campo ‘não fala’ nada, o esforço de cada jogador é inútil e o mérito dos indivíduos fica abaixo do suposto potencial deles.

Thiago Silva tem condição de brigar pela posição.

Dunga sabe disso.

Mas na hora de formar um time, há virtudes outras que devem pesar.

O jogo de futebol tem disputas técnica (qualidade individual), tática (coletiva), psicológica e física.

O Mundial mostrou que o zagueiro do PSG precisa aprimorar a terceira.

O momento é de Miranda, que formou com Filipe Luís a dupla de injustiçados por Felipão, e esperou pacientemente a chance depois de conseguir a façanha de ser campeão espanhol e vice da Uefa Champions League com o Atlético de Madri que teve na raça, força coletiva, capacidade de marcação e força na jogada aérea as suas maiores virtudes na histórica temporada anterior.

Tirá-lo agora e dar a titularidade ao Thiago Silva seria como desrespeitar a fila.

Uma enorme traição do técnico.

Isso pode acontecer apenas quando quem ficou fora entra no time, resolve os jogos e garante o bicho de todos, pois o próprio elenco costuma apoiar tal tipo de decisão.

Até nada diferente acontecer, o único com esse status na seleção é o Neymar.

Thiago Silva pode, aos poucos, com paciência e aprendizado, recuperar a titularidade.

Já a faixa de capitão será mais difícil retomar.

Escrito por Vitor Birner às 14:25 Vitor Birner 90 Comentários

9 nov

Folga

Geral

De Vitor Birner

Tirei uma folga neste domingo e por isso não farei o comentário dos jogos.

Ficarei ligado no que se passa no Brasileirão, mas não com a atenção devida para me aprofundar nos detalhes e explicar o que se passou em campo.

Gravei alguns confrontos e irei vê-los depois porque preciso me preparar para os programas de televisão e internet dos quais participo durante a semana.

Talvez faça um post amanhã com um apanhado geral da rodada.

Ótimo final de semana, com muita saúde, paz e felicidade para todos!

 

Escrito por Vitor Birner às 16:18 Vitor Birner 25 Comentários