19 out

Corinthians vence, apesar dos planos de Mano falharem; Cruzeiro supera polêmicas de arbitragem e ganha tanto o jogo quanto a rodada

Birnadas, Brasileirão

De Vitor Birner

Antes da rodada, cada time tinha 10 jogos para disputar e a diferença de pontos do Cruzeiro para o vice-líder Internacional era de seis pontos.

Depois de ela acabar, restaram nove confrontos para as agremiações e a Raposa soma sete pontos a mais que o São Paulo, de volta à segunda colocação.

A conta realista pode até contar a vantagem de um ponto a mais.

No primeiro critério de desempate, o número de vitórias, os Celestes têm 18 contra 15. No saldo de gols o placar é 22 x 12.

Em suma, o  atual campeão brasileiro terá de ser ultrapassado na pontuação para perder o título.

Eis um exemplo para ajudar quem ainda não foi capaz de dimensionar o tamanho da distância e entendê-la.

Se o São Paulo for capaz de realizar a improvável proeza de ganhar todos seus jogos, de agora em diante, no torneio, o favorito ao título terá  de vencer seis, empatar dois e perder um.

A média de pontos atual cruzeirense, se mantida até o fim do campeonato de pontos corridos, representa, em números exatos, mais 18,306 para o time na tabela de classificação.

Dezoito impossibilitam qualquer um de alcançá-lo.

Futebol não é matemática, mas a chance de o Cruzeiro ser campeão antes da última rodada é maior que de perder a competição.

Superou as polêmicas

O Cruzeiro derrotou o Vitória com méritos.

Não fez uma grande atuação, mas mandou em quase toda a partida, teve mais posse de bola e viu a arbitragem tomar decisões em lances polêmicos.

Teve mais posse de bola e, antes do zagueiro Dedé fazer o gol poucos minutos antes do apito final, houve três lances polêmicos.

O pênalti que Éverton Ribeiro pediu, o impedimento em lance que terminaria com a bola no fundo da rede do Vitória, e o gol anulado pela falta de Manoel no goleiro más Wilson.

O primeiro, no Brasil, é pênalti. O seguinte, muito complicado inclusive após rever algumas vezes a repetição, discordei da decisão. O terceiro eu não validaria, pois além do toque leve e suficiente para deslocar o goleiro, o zagueiro, impedido, foi disputar o lance.

Não há como questionar os méritos dos comandados de Marcelo Oliveira na vitória.

O plano falhou e o time ganhou

Na Arena do Internacional, o Corinthians venceu porque cometeu menos erros de finalização e principalmente na marcação.

O gol de Guerrero, após a falha do Fabrício no começo do  jogo (o lateral cometeu outro grande erro ao perder uma chance importante depois do intervalo), ajudou o time de Mano a irritar o rival.

Foi o confronto mais catimbado que vi no Brasileirão.

Os corintianos tentaram gastar o maior tempo possível em cada tiro de meta, lateral, falta, formação de barreira, troca de jogadores, e a bola ficou em jogo durante 46% da partida.

O árbitro acrescentou treze minutos ao 1° tempo e quatro no fim por causa dos entreveros, contusões, cera e alterações.

O Corinthians, com Jadson no lugar de Malcom e por isso quase órfão de velocidade na frente, pois não tinha nenhum atacante de beira de campo, ficou recuado e dependente apenas do peruano para os contragolpes, o que tornou o volume de jogo ofensivo do time muito pequeno.

O treinador, ao mexer na escalação assim, queria ter mais posse de bola no meio, evitar a pressão do Internacional e dar maior liberdade ao Renato Augusto, .

Nada disso aconteceu.

Outra enorme falha do Inter na marcação da jogada aérea levou o Corinthians ao vestiário, no cabeceio do Gil, com o placar de 2×0.

Abel Braga montou o seu sistema ofensivo de qualidade técnica acima da média no padrão brasileiro, com a linha de três na meia formada por D’Alessandro, Alex e Alan Patrick atrás de Nilmar, o centroavante, e as constantes participações dos volantes Aranguíz e William, e dos laterais.

Eles criaram mais chances que o Corinthians, mas precisaram da trapalhada de Gil no único gol.

Realista

Por enquanto, não há disputa por título.

A luta que tem acontecido e não comentada é pela vice-liderança.

Inter e São Paulo se revezam nela e o Cruzeiro, quando tropeça, ‘perde’ a chance de aumentar a diferença de pontos e não corre riscos de perder a liderança.

Galo e Corinthians estão na disputa com são-paulinos e colorados.

O Grêmio pode entrar na briga pela segunda colocação, mas ficará satisfeito se ultrapassar dois concorrentes e terminar o campeonato em terceiro lugar.

O Peixe e o Fluminense correm por fora nessa luta pelo terceiro ou quarto lugar.

 

 

Escrito por Vitor Birner às 20:41 Vitor Birner 35 Comentários

16 out

O STJD é péssimo; julgar L. Damião por puxar a própria camisa é caricaturar a função do tribunal

Birnadas

De Vitor Birner

O STJD não pode julgar quem simula pênaltis.

O árbitro tem o cartão amarelo para punir quem tenta enganá-lo.

O assunto não compete, na essência do esporte, aos auditores do tribunal da CBF.

Mas, Leandro Damião, que puxou o própria camisa supostamente com o objetivo de cavar uma penalidade máxima, terá o ato com cara de piada de mau gosto folclórica do futebol apreciado pelo STJD.

O órgão especializado em efeitos suspensivos age de maneira mais caricata que o centroavante no lance.

Por que tanta necessidade de aparecer?

Prefiro acreditar nessa motivação e não de destruir o futebol, como acontecerá caso se o jogo for desumanizado e o tribunal protagonista por nada.

Se houver coerência, de agora em diante, qualquer iniciativa para ludibriar o fiscal das regras durante os 90 minutos terá de ser avaliada.

Não importa se for dentro ou fora da área, grande ou pequena, importante ou indiferente…

Acompanhei recentemente na televisão uma feira no Japão para mostrar robôs modernos, entre os quais um que custará três ou quatro mil dólares e servirá de companhia para idosos.

Tinha um que dançava no ritmo certo em frente àquelas máquinas dos neo-fliperamas feitas com este fim.

Creio que o STJD não condenará o centroavante.

Mas, se o fizer, o próximo passo será os cientistas desenvolverem robôs para ocuparem os lugares dos seres humanos nos times de futebol.

Seria mais construtivo, apesar de eu não concordar com isso, se os auditores fossem trocados pelas máquinas.

Não levariam Leandro Damião ao julgamento, seriam mais rigorosos com os cartolas que mudaram a regra da mão na bola, confessaram o erro ao chamarem o instrutor da Fifa e forçaram o erro de direito dos árbitros que justifica a anulação dos jogos, tornariam qualquer tipo de lobby inútil e manteriam a coerência ano após ano.

Escrito por Vitor Birner às 18:24 Vitor Birner 60 Comentários

16 out

Galo dá um baile técnico, tático e de raça no apático Corinthians, goleia, e consegue classificação histórica à semifinal

Copa do Brasil

De Vitor Birner

Atlético 4×1 Corinthians

Jogo de um time

O jogo teve muitos momentos de massacre do Galo e poucos de equilíbrio.

A velha frase ‘apenas tal time jogou’ é perfeita para explicar o que houve no gramado do Mineirão.

Apenas o Atlético jogou futebol.

Superação x acomodação

Nem o erro grande de Jemerson ao perder a bola para Guerrero, seguido pelo pequeno de Victor,  que saiu antes da hora e deu o canto para o centroavante fazer 1×0 no quinto minuto, mudou o comportamento dos times.

O Galo precisava de quatro gols, não podia levar outro, tinha que dar muito espaço para o contragolpe como fez, e encarava a equipe que pauta seu jogo na força do sistema defensivo.

A tendência era de os jogadores atleticanos ficarem abalados e os corintianos mais fortes emocionalmente nos mais de 90 minutos restantes, contando os acréscimos, do confronto.

Mas o que se viu foi uma equipe ousada, com grandes atuações de Tardelli, no sacrifício após ser o melhor em campo ao lado de Neymar na vitória da seleção brasileira contra a do Japão cheia de reservas, Guilherme e Dátolo.

Mano preferiu não começar com Elias e Gil. Guilherme Andrade e Felipe foram os escolhidos.

As presenças dos titulares no banco não justificam a fraca apresentação técnica e coletiva do Corinthians.

Não aproveitou a enorme vantagem (era de 3 gols e um deles fora de casa após sair na frente) e foi merecidamente goleado.

A tal da raça repetida pelos próprios jogadores não se fez presente. 

Cássio evitou a goleada maior 

O Galo, em contraponto, jogou muito.

Apenas Jemerson e Maicosuel destoaram.

A vitória teria sido mais tranquila, em vez de dramática, se não fosse a ótima apresentação de Cássio.

É inquestionável que o goleiro foi, de longe, apesar de buscar a bola quatro vezes no fundo das redes, o melhor do Corinthians.

Merece nota oito pelo desempenho.

Baile do Atlético no meio de campo

Não há como responsabilizá-lo pelo trabalho ruim de marcação no meio de campo do corintiano.

Bruno Henrique, Guilherme Andrade e Renato Augusto e Petros, com auxílio de Malcon, o atacante de velocidade, e de vez em quando de Guerrero, não impediram Luan, Carlos, Tardelli, Dátolo e Guilherme de conseguirem tabelas pelo meio da defesa e entrarem na área em condições de finalizar.

Marcos Rocha e Douglas, laterais da direita e da esquerda, também participaram constantemente do sistema ofensivo, principalmente o primeiro, pois o o outro tinha precisou de atenção com  a velocidade de Malcom.

Virada

O gol de Luan, que não cabeceou como queria e talvez nem tenha tocado na bola após o lançamento feito por Guilherme, incendiou o estádio e aumentou a confiança dos atleticanos, apesar da missão difícil.

O time havia perdido oportunidades e parecia acreditar na classificação.

Aos 31, após outra tabela que envolveu o meio de campo do adversário, Guilherme finalizou na entrada da área, a bola tocou em Felipe e tirou a possibilidade de Cássio defender.

O goleiro salvou a equipe de tomar o terceiro no início do do 2° tempo.

O Atlético tocou a bola da defesa até Tardelli colocar Maicosuel, substituto do machucado Luan, na frente de Cássio.

Leandro Donizete pelo mesmo motivo deu lugar ao Josué.

Acerto de Levir e falha do Mano

O Corinthians diminuiu a pressão do Atlético nos minutos seguintes, criou duas chance e finalizou mal.

Levir tirou o esgotado Tardelli, que correu muito na articulação dos lances de gol e pressão na saída de jogo, mas caiu de rendimento por cansaço, e mancou o rápido Marion ao campo.

O sistema ofensivo do Galo recuperou a força após a troca.

Aos 29, Dátolo cruzou, Carlos dividiu com Felipe, e Guilherme, livre na área porque Guilherme Andrade parou no lance, fez 3×1.

Mano deveria ter trocado jogadores do meio de campo, podia escolher qual diante da atuação do quarteto, mas apenas quando a situação estava dramática o fez,

Colocou Elias no lugar de Guilherme Andrade, aos 35, e no minuto seguinte Danilo no de Renato Augusto.

Não trocou ambos de uma vez para ganhar tempo.

Segurança de Victor

Danilo ganhou uma dividida por cima, tabelou com Luciano, que entrar na vaga de Malcom, e obrigou Victor a realizar a única defesa complicada dele.

O goleiro mostrou muita segurança nas saídas de gol, pois o Corinthians atacou de maneira tímida e na hora do aperto levantou a bola na área.

Sorte para quem foi melhor

O futebol, que não têm muito apreço pela justiça na hora de distribuir doses de sorte e azar, decidiu premiar o único time que jogou futebol.

Dátolo cobrou o escanteio, Guerero cabeceou, a bola tocou na cabeça de Edcarlos e foi para o gol.

O Atlético recuou depois de conseguir a vantagem tão almejada, não permitiu ao Corinthians esboçar reação, e quase fez o quinto no chute de Marcos Rocha, da linha que divide o gramado, pois Cássio tinha ido para o ataque.

Fagner embaixo da trave, inutilmente, impediu o lateral de comemorar.

Mas a festa pela goleada histórica começou assim que ele mandou a bola para o escanteio e o Leandro Vuaden encerrou o jogo.

Inquestionável 

O Galo teve amplo controle dos duelos físico (ganhou as divididas e correu do começo ao fim mais que o Corinthians), tático (parecia contar com mais jogadores de tão superior), técnico (a diferença na qualidade do passe no meio de campo foi enorme) e psicológico ( a imposição aumentou durante o jogo).

Leandro Vuaden não interferiu no resultado.

A classificação do Atlético não pode ser questionada.

Merece aplausos da nação atleticana aos seus representantes em campo e críticas dos torcedores do Corinthians aos jogadores e treinador que perderam a vaga na semifinal da Copa do Brasil e, talvez, a chance de disputarem a próxima Copa Libertadores.

Explico

Costumo fazer o post com descrição dos detalhes táticos.

Mas o Galo levou a melhor em todos espaços do gramado, venceu por causa da diferença de atitude que gerou essa superioridade coletiva, além da técnica dos seus jogadores.

Achei desnecessário priorizar as movimentações para explicar o que houve, fato raro na minha forma de ver o futebol, pois os times jogaram com os mesmos esquemas táticos que seus torcedores se acostumaram a ver na maioria das vezes, não houve nenhuma novidade e isso mostra como o empenho e a concentração foram os fatores determinantes para a goleada.

Ficha do jogo

Atlético MG – Victor; Marcos Rocha, Edcarlos, Jemerson, Douglas Santos; Donizete (Josué), Luan (Maicosuel), Dátolo, Guilherme Diego Tardelli (Marion); Carlos
Técnico: Levir Culpi

Corinthians – Cássio; Fagner, Felipe, Anderson Martins e Fábio Santos; Guilherme Andrade (Elias), Bruno Henrique, Petros e Renato Augusto (Danilo); Malcom (Luciano) e Guerrero
Técnico: Mano Menezes

Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (Fifa)
Auxiliares: Alessandro Rocha de Matos (Fifa) e e Kleber Lucio Gil (Fifa)
Renda: R$ 1.704.425 – Público pagante: 32.640

Escrito por Vitor Birner às 1:43 Vitor Birner 73 Comentários

15 out

O maestro Ganso apareceu na vitória do São Paulo contra o Huachipato; M. Bastos e Kardec foram outros que se destacaram

Análise de jogos

De Vitor Birner

Huachipato 2×3 São Paulo

Em nenhum momento o Huachipato ameaçou, de fato, a classificação do São Paulo.

Os chilenos foram para cima desde o começo do jogo.

Conseguiram pressionar, mas pecaram nos passes e finalizações.

Foram obrigados, por isso, a arriscar cruzamentos na área, apesar de contarem com time cheio de jogadores baixos.

Deixaram muitos espaços para os contra-ataques e o futebol cobrou o preço.

Ganso, com uma de suas atuações mais inspiradas desde a chegada ao clube, desequilibrou.

Michel Bastos e Alan Kardec foram outros que se destacaram.

O jogo teria sido mais tranquilo para o São Paulo caso o árbitro não errasse ao expulsar Denílson ainda no 1° tempo.

Após a exclusão do volante, o time foi obrigado a iniciar os contra-ataques mais atrás.

E mesmo assim venceu, quase no fim do confronto, graças ao lance de velocidade contra o sistema defensivo do adversário completamente aberto.

Ganso inspirado na parte ofensiva

O time chileno começou o jogo pressionando sempre do lado direito do sistema defensivo do São Paulo.

Espinoza e Segal trabalharam naquela região do campo, cruzaram bolas na área e entraram nela porque Paulo Miranda, na lateral, não contou com o apoio de Ganso, tal qual o momento exigiu.

O meia atuou atuando aberto, em frente ao companheiro, e tinha que fazer a ‘parede’  no 4-4-2 de Muricy.

Aos 7 minutos, Michel Bastos, que estava na esquerda protegendo o lateral Álvaro Pereira, trocou de lado com  o Ganso.

A mudança breve – durou pouco e aconteceu outras vezes ao longo do 1° tempo – fortaleceu o São Paulo tanto na parte defensiva quanto na ofensiva.

O Huachipato parou de pressionar por alguns minutos.

Os comandados de Muricy aproveitaram os enormes espaços que o adversário deixou e contra-atacaram com perigo.

Aos 9 minutos, Kardec, o melhor jogador do confronto na parte tática, ganhou a disputa de cabeça após a ligação direta feita da defesa, a bola ficou para Ganso, que fez bonita tabela com Pato.

O centroavante, de frente para o goleiro, chutou no canto, Jimenez rebateu e Michel Bastos fez 1×0.

O Huachipato voltou a bombardear a área são-paulina com os cruzamentos.

Empatou numa rebatida errada da defesa, que teve a finalização, com categoria, do centroavante Vilches.

Logo em seguida, os chilenos falharam na saída de jogo e viram o adversário retomar a vantagem no golaço.

O passe Kardec foi ótimo.

E a finalização de Ganso, com jeito, inteligência e classe em de força, digna de aplausos.

Erro da arbitragem

Aos 33, Pato, que de novo acertou a movimentação, ajudou na parte ofensiva e perdeu gols, sentiu dores na coxa e Osvaldo entrou.

A alteração era interessante porque o Huachipato deu espaços pelos lados em busca de 3 gols para se classificar.

Mas, aos 35, Denilson recebeu o 2° cartão amarelo e foi expulso.

Nem no rigor da arbitragem brasileira teria sido punido.

O árbitro falhou por muito.

A maior prova que acreditou ter visto algo que não viu aconteceu no lance seguinte, quando Antonio Carlos agarrou o jogador do Huachipato na área, ficou segurando durante a disputa de bola por mais tempo que o aceitável e o pênalti não foi marcado.

Ataque x contragolpe

Muricy Montou duas linhas de quatro, em parte do tempo com Ganso como segundo volante,  Kardec e Michel Bastos pelos lados do meio de campo e Osvaldo, um pouco à frente e perto de todos.

Houve momentos em que Ganso ficou mais adiantado, Osvaldo foi para o lado e Kardec cobriu o espaço do volante.

Até o fim do confronto, o Huachipato tentou furar o bloqueio defensivo e correu riscos nos contragolpes.

Michel Bastos e Ganso, inspirados, se destacaram quando o São Paulo ficou com a bola.

O treinador chileno fez todas alterações permitidas para otimizar o sistema ofensivo.

As trocas aumentaram a pressão após o intervalo.

Aos 16, Espinoza acertou o travessão do gol de Rogério Ceni.

Aos 25, Muricy trocou Osvaldo por Lucão para garantir o resultado.

O Huachipato empatou apenas aos aos 42 minutos.

Ganso, antes, perdeu a chance de ampliar a vantagem.

Cansado, ele deu lugar aos Boschilia, que após ótimo lance de Michel Bastos, no contragolpe, balançou a rede, aos 45, e garantiu a vitória do São Paulo.

Ficha do jogo

Huachipato – Jiménez; González (Martin Rodriguez) Merlo, Muñoz e Vejar; Ezquerra (Sánchez), Arrué, Povea (Carlos Espinosa) e Espinoza; Sagal e Vilches
Técnico: Mário Salas

São Paulo – Rogério Ceni; Paulo Miranda, Antonio Carlos, Edson Silva e Alvaro Pereira; Denilson, Hudson, Michel Bastos e Ganso (Boschilia); Pato (Osvaldo, Lucão) e Alan Kardec
Técnico: Muricy Ramalho

Árbitro: Antonio Arias (Par)
Auxiliares: Rodney Aquino (Par) e Carlos Caceres (Par)
Local: Estádio CAP, em Talcahuano, em Concepción no Chile

Escrito por Vitor Birner às 22:37 Vitor Birner 29 Comentários

14 out

Digo o óbvio sobre o difícil momento da seleção brasileira

Birnadas, Seleção Brasileira

De Vitor Birner

A seleção tem três jeitos de mudar a relação ruim com quem torce por ela.

A primeira e mais difícil é voltar em pouco tempo a ser um símbolo do futebol arte.

O resgaste da escola brasileira de jogar bola, de fazê-lo de uma forma que jogadores de outras nações tentem, em vão, imitá-la, e os alemães, por exemplo, fiquem boquiabertos ao ver a classe e a habilidade demostradas pelos craques do passado, seria tão surpreendente que mudaria o cenário.

As outras poderão acontecer apenas na Rússia.

Tem que ganhar a Copa do Mundo ou jogar em alto nível ou ser eliminada de um jeito que os amantes do esporte considerem uma enorme injustiça, de preferência goleando ao menos uma grande rival tal qual a Alemanha fez aqui na semifinal.

Não há como apagar a imagem negativa de outro modo.

Peço ao leitor do blog que, por favor, se o Brasil conquistar o inédito ouro olímpico em meio ao previsível ufanismo nos Jogos de 2016, não apareça aqui dizendo que floi um grande feito.

A medalha dourada é o ápice da carreira de quase todos os atletas, mas o futebol não se enquadra nisso.

O esporte mais popular do planeta fez parte do pacote da elite da Olimpíada até os anos 20,  antes de a Copa do Mundo ser disputada.

Tanto é que o Brasil não precisou do título olímpico para se transformar na maior potência do futebol.

A Hungria é a maior campeã da Olimpíada, com três conquistas cada, e não figura na elite do esporte que se joga com os pés.

A Grã-Bretanha, que também têm um trio de medalhas de ouro, sequer existe no mundo da Fifa, pois, nele, foi desmembrada.

Copa América e Copa das Confederações também não resolvem.

A reação da maioria dos brasileiros depois de a seleção ganhar as duas, ou uma delas, e perder a Copa do Mundo seguinte fala por si.

Vencer os amistosos, contra qualquer seleção, não muda a imagem da seleção para quem realmente vive o futebol intensamente.

Concordo que perdê-los tornaria a situação do time um pouco mais tensa.

Após a humilhação diante dos germânicos, os resultados positivos nesses confrontos de preparação para os comandados de Dunga e enriquecimento da CBF ajudam a imagem da seleção a não piorar.

Isso é um benefício até a chance de a camisa pentacampeã ter a chance de produzir novos e importantes fatos históricos.

Escrito por Vitor Birner às 20:28 Vitor Birner 20 Comentários

14 out

Irlanda arranca empate heroico contra a Alemanha; raça, humildade e cruzamentos mantêm a tradição da ” Green Army”

Birnadas, Euro-2016

De Vitor Birner

O neo-futebol globalizado e ultra-comercial influenciou no estilo de vários países jogarem.

Antigamente, ninguém improvisava como os brasileiros, marcava com a competência dos italianos, tocava a bola com a classe dos argentinos, tinha a disciplina de tática e chute de fora da área dos alemães e o jogo aéreo dos britânicos.

Hoje em dia, algumas seleções agregaram valores e outras, como Brasil e Argentina, se distanciaram um pouco de suas raízes.

Irlanda e Escócia são símbolos da resistência a essas mudanças.

Contam com torcidas que fazem mais barulho, dentro ou fora de casa, que as de quaisquer outros países europeus.

Superam até os fanáticos turcos e gregos.

E, dentro de campo, os jogadores, cientes de seus limites,  lutam com garra e humildade exemplares, e, por tradição e incapacidade de realizarem mais, levantamentos de bola na área.

Quem acompanhou o heroico empate de Alemanha 1×1 Irlanda, em Gelsenkirchen, viu tudo isso e entende o resultado surpreendente.

Foi uma aula de respeito à camisa ministrada pelos comandados de Martin O’Neill.

Se tivessem perdido – conseguiram o empate nos acréscimos – a opinião sobre eles seria igual.

Atuaram no limite de suas forças físicas, técnicas e psicológicas contra o campeão do mundo que passou a impressão de acreditar ser capaz de vencer quando queria.

O beabá do futebol ensina que isso aumenta a chance da zebra.

 

Escrito por Vitor Birner às 18:17 Vitor Birner 18 Comentários

13 out

CBF transformou a seleção brasileira em ‘inimiga’ dos torcedores

Coluna no Lance!, Seleção Brasileira

De Vitor Birner

Todo jogo entre as seleções principais de Brasil e Argentina deve ser tratado com reverência.

A história secular repleta de grandes confrontos, o peso das camisas, a rivalidade enorme, os craques e guerreiros que tiveram a honra de participar, o choque de escolas de jogo diferentes noutros tempos, ambas extremamente técnicas, transformaram o clássico em um dos mais importantes do planeta.

As culturas diferentes de torcer, pois a nossa música das arquibancadas é carregada de ritmo e a deles de melodia, sempre temperaram os duelos carregados de paixão, tensão e alegria.

A riqueza esportiva do dérbi é inegável e impossível de ser descrita apenas com palavras.

Todos os brasileiros amantes do futebol e ‘hinchas’ sabem disso.

Messi, Neymar e Di María – o melhor dos três na última temporada e na Copa do Mundo – estão confirmados, hoje, nos times titulares.

Quem não gosta de vê-los, seja para apoiar, secar ou admirar, em campo?

A maior televisão do país turbinou, por motivos justos, o noticiário pré-jogo.

E a população, apesar do monte de razões para ficar ansiosa pela manhã do sábado, mostrou pouquíssimo interesse pela partida.

Nos bares, mercados, bancas de revista, locais de trabalho e outros onde foi possível medir o tamanho da expectativa, o assunto passou longe das discussões acaloradas.

O Brasileirão das arbitragens fracas e efeitos suspensivos, considerado ruim pela população, pautou a troca de ideias.

A reação foi totalmente compreensível.

Os clubes são a base de tudo no futebol. Eles mantêm a atenção diária e nutrem a paixão dos torcidas.

A seleção, por causa do calendário da CBF, não devido aos maus resultados diante de Alemanha e Holanda, virou ‘inimiga’ das agremiações porque impede o melhor desempenho possível delas.

Nos acostumamos, mas Brasil x Argentina, na China, com rodada no fim de semana aqui, foi uma agressão ao clássico e ao campeonato brasileiro.

O texto é a reprodução de minha coluna no Lance, publicada no dia do jogo (antes de ele ser disputado), com as mudanças nos tempos verbais porque bloguei hoje.

Escrito por Vitor Birner às 17:54 Vitor Birner 61 Comentários

13 out

Gangue de seguranças despreparados agride torcedores em jogo de alto risco na Europa

Euro-2016

De Vitor Birner

Eis os torcedores húngaros saindo de Budapeste para o clássico contra a Romênia pelas eliminatórias da Eurocopa.

A rivalidade entre os países é enorme.

Ambos se consideram o maior adversário da outro.

Há quem carregue a disputa para fronteiras além do futebol, pois já houve guerra declarada entre eles e nem todo mundo é capaz de entender que batalhas mortais deveriam ensinar a gente a não repeti-las em vez de alimentar o ódio que impede a sociedade de caminhar.

Por isso, o jogo foi tratado como de alto risco pelo governo romeno.

Houve 30 prisões e desrespeito dos húngaros ao hino nacional do adversário no confronto que terminou com o empate por 1×1.

Cerca de 12 mil policiais foram envolvidos na fracassada tentativa de manutenção da paz no estádio.

Além deles, foram contratados seguranças despreparados, como você poderá ver no vídeo.

Pareciam torcedores violentos na arquibancada agredindo pessoas que nem reagiram.

Se comportaram como se fizessem parte de uma terceira via de hooligans na capital do país de Lacatus, Piturca, Hagi, Popescu e Radiucioiu, diante do público de 54 mil na Arena Națională.

Apenas para explicar aos que não conhecem, Lacatus e Piturca eram destaques do Steaua Bucuresti vencedor da Liga de Campeões da Europa, numa final contra o Barcelona que não fez gol com a bola rolando e nem na decisão por pênaltis após quatro cobranças.

Hagi, Popescu e Raducioiu jogaram na seleção romena do Mundial que o Brasil foi campeão sob o comando de Carlos Alberto Parreira, eliminaram a Argentina e mostraram, liderados pelo primeiro, o futebol mais bonito da competição.

Escrito por Vitor Birner às 15:13 Vitor Birner 4 Comentários

12 out

Participação dos treinadores foi fundamental para o Atlético ganhar do São Paulo

Análise de jogos, Brasileirão

De Vitor Birner

Atlético 1×0 São Paulo

O Galo foi superior no 2° tempo.

Melhorou a marcação na saída de jogo, ganhou o duelo no meio de campo e empurrou o adversário para o campo de defesa até Luan fazer o gol da merecida vitória.

O São Paulo caiu de rendimento após a saída de Maicon, a pedido do jogador, pouco depois do intervalo.

E mais ainda depois de Luis Fabiano entrar no lugar do Pato.

O time perdeu qualidade na saída de bola, força de marcação e movimentação no sistema ofensivo.

As alterações feitas pelos treinadores foram fundamentais para o time de Levir ganhar.

Tática

Ambos os treinadores não puderem contar com um monte de jogadores.

Mais de vinte desfalcaram os times.

Levir escalou Luan na direita, Carlos do outro lado, e Maicosuel na linha de três do 4-2-3-1.

André atuou à frente do trio.

Dátolo e Leandro Donizete, os volantes,  se revezaram nos avanços e participaram constantemente das tentativas de criação dos lances de gol.

Os laterais Marcos Rocha e Alex Silva participaram do sistema ofensivo.

Como o Galo procurou mais o Luan que o Carlos, o lateral-direito frequentou constantemente e campo de ataque.

O trabalho defensivo correto de Osvaldo e Reinado, fundamental no auxílio do volante Maicon, parou o Galo naquela região do gramado.

O primeiro jogou no meio de campo, aberto, tal qual Michel Bastos, que por causa da ausência de Ganso pôde atuar na posição que mais rende, fez do outro lado.

Denilson e Maicon foram os volantes do 4-4-2 de Muricy.

Kardec e Pato jogaram no ataque.

No 1° tempo

O confronto no meio de campo foi equilibrado, com alternância de pequeno domínio.

O time de Levir levou perigo nos cruzamentos e no chute forte de Dátolo, de média distância, que Rogério Ceni rebateu.

O de Muricy fez o mesmo, mas com a vantagem, não transformada em resultado, de ter entrado na área do adversário duas vezes, ambas antes dos 10 minutos, quando foi superior.

Pato perdeu o primeiro, após o domínio de bola preciso, porque Victor foi rápido e perfeito ao fechar o ângulo.

E Michel Bastos errou o voleio, livre, na outra chance. Ele quase fez o gol em lance individual, nos acréscimos, quando o Atlético conseguia pressionar.

O crescimento do Galo aconteceu por volta dos 30 minutos, após passar a atacar mais pela esquerda, com Carlos e Alex Silva, porque Michel Bastos deu espaço em alguns momentos.

Depois do período de descanso

O Atlético voltou melhor do vestiário.

A marcação na frente funcionou.

Impediu o rival de fazer a transição da defesa ao ataque com a bola no chão, ganhou o meio de campo e pressionou de maneira que deixou o adversário desconfortável.

Mesmo assim, aos 5,  Michel Bastos tocou para Kardec ganhar na velocidade de Jamerson, passar pelo Victor e finalizar mal.

A saída de Maicon, aos 9, a pedido do jogador, piorou a qualidade da saída de bola e da marcação no meio-campo.

Michel Bastos foi deslocado para a função dele e Boschilia, que entrou, atuou na meia direita.

No minuto seguinte, Maicosuel, cansado, deu lugar ao Cesinha.

Aos 16, Muricy falhou ao trocar Pato por Luis Fabiano.

Sobrecarregou ainda mais o sistema defensivo, pois o centroavante reserva fica parado na frente, no máximo dá um pique para o lado, e Kardec, no calor de Belo Horizonte, teve que recuar sempre.

A mexida de Levir, ao tirar o centroavante André, que jogou mal, colocar o rápido Marion e aumentar a capacidade de articulação e de movimentação do sistema ofensivo, fez o Galo achar o espaço para alguém ficar livre na área e finalizar.

Alex Silva, em lance individual, driblou Boschilia como se não tivesse ninguém na frente, os volantes do São Paulo mal posicionados não fizeram a cobertura, Hudson saiu da direita no intuito de resolver e deixou Luan livre.

A leitura do lateral atleticano do lance foi perfeita e a de Reinaldo abaixo da crítica, pois a zaga saiu com o objetivo de o rival ficar impedido e o são-paulino permaneceu atrás.

A finalização de Luan, no canto que Rogério Ceni não aguardava, merece elogios pela inteligência e perfeição.

O São Paulo não mostrou força para reagir.

Viveu de cruzamentos na área.

Aos 39, Ewandro ocupou a vaga de Osvaldo e, aos 43, Josué a do Luan.

A arbitragem não interferiu no resultado que, por isso, foi justo.

Ficha do jogo

Atlético MG: Victor; Marcos Rocha, Jemerson, Edcarlos e Alex Silva; Leandro Donizete e Dátolo; Luan (Josué), Maicosuel (Cesinha) Carlos; André (Marion)
Técnico: Levir Culpi

São Paulo – Rogério Ceni; Hudson, Antonio Carlos, Edson Silva e Reinaldo; Denilson, Maicon (Boschilia), Michel Bastos e Osvaldo (Ewandro); Pato (Luis Fabiano, aos 16′/2°T) e Alan Kardec
Técnico: Muricy Ramalho

Árbitro: Raphael Claus
Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho (Fifa) e Alessandro A. Rocha de Matos (Fifa)
Local: Estádio Independência
Público e renda:

Escrito por Vitor Birner às 18:28 Vitor Birner 76 Comentários

9 out

“Tal time perdeu a chance de se aproximar do Cruzeiro”; alguém falará novamente e frase mais repetida do Brasileirão?

Birnadas, Brasileirão

De Vitor Birner

O Internacional queria tirar proveito da derrota do líder contra o Corinthians.

Saiu de Chapecó com o placar de 0×5, no jogo em que o placar não mostra a diferença de futebol dos times.

A buraqueira no sistema defensivo colorado e as ótimas atuações de Camilo e Leandro, os melhores entre vários atletas do Chapecoense que se destacaram, garantiram o placar histórico.

Ao cabo da goleada, Nilmar, que entrou aos 23 do 2° tempo quando o placar era 3×0, disse que o “Internacional perdeu a chance de encostar no Cruzeiro”.

Tenho curiosidade para saber quantos jogadores, torcedores e jornalistas disseram isso.

Alguns boleiros de São Paulo, Fluminense e Internacional, os candidatos eventuais da aproximação em momentos distintos do Brasileirão, falaram.

Na imprensa, nem adianta tentar contar quantos.

Entre os torcedores de todos os cantos do país, a quantidade deve ser incalculável.

E ninguém está equivocado.

O Cruzeiro, diante de times fortes, é mais um forte competidor.

Mas, contra as equipes médias e pequenas, é o grande time da competição.

Como mandante, disputou 42 pontos.

Ganhou todos quando foi muito  favorito.

Perdeu oito diante de Corinthians, Atlético MG e São Paulo.

Na condição de visitantes, disputou 39 pontos.

Caiu diante do Galo, Corinthians e São Paulo, e empatou contra Fluminense, Botafogo, Criciúma e Sport.

Ou seja:

A Raposa não oscila.

E enquanto isso não acontecer, sequer permitirá o começo de uma luta pelo título.

Não existe tal briga, de fato, enquanto não houver um time que possa ultrapassar, em apenas uma rodada, o atual campeão brasileiro.

O que houve, até agora, foi a tentativa de alguém ameaçar os comandados de Marcelo Oliveira.

O Cruzeiro, até o fim da competição, encarará apenas quatro* agremiações que estão entre as dez mais bem classificadas neste momento.

A primeira será o Santos, no Pacaembu, na rodada trinta e quatro.

O Grêmio, em Porto Alegre, na seguinte, além de Goiás na trigésima sexta e o Fluminense na última, ambos na Arena em Belo Horizonte, onde o time tem aproveitamento de pouco mais de 80%, serão os outros.

O leitor do blog acha que a disputa verdadeira pelo título ainda acontecerá neste Brasileirão?

No futebol, o que parece improvável, de vez em quando, acontece.

Mas a tendência é de comemoração cruzeirense com rodadas de antecedência.

Algo muito diferente de tudo que aconteceu, gerado pelo imponderável, precisa acontecer no torneio que exige regularidade e apenas um, entre todos participantes, consegue mantê-la, inclusive quando fica devendo futebol.

*Corrigido

Escrito por Vitor Birner às 23:24 Vitor Birner 69 Comentários