3 mar

Corinthians tem regalia no Brasileirão; CBF é a principal responsável, não o time privilegiado

Birnadas

De Vitor Birner

Regalia

O Corinthians teve o privilégio de ser o escolhido para enfrentar o Galo, que perdera o direito de mandar na capital mineira, na primeira rodada do último Brasileirão.

Nem é preciso dizer que o Atlético, com status de campeão da Libertadores, mostrou muito mais força no Independência que fora dele. Qualquer técnico ou jogador interessado em vencê-lo, se pudesse escolher marcaria o jogo fora desse estádio.  .

No próximo torneio nacional, o Cruzeiro não poderá atuar em Belo Horizonte na primeira rodada por causa dos problemas no clássico diante do maior rival.

E, de novo, a CBF escolheu o Alvinegro para ter a regalia de encarar o bicampeão brasileiro no campo neutro.

Não houve sorteio. Os cartolas da quiseram assim.

É inegável que o time de Parque São Jorge foi beneficiado em detrimento às demais agremiações.

Obviedade

Se irá aproveitar, não sei, pois a Raposa pode ganhar do time do Tite em qualquer campo.

São dois gigantes do futebol nacional e ambos têm elencos entre os melhores do país.

Não há favoritos quando se enfrentam nessas condições.

Mas é óbvio que dentro do Mineirão a possibilidade de a Raposa vencer acontecer aumenta.

É preciso separar as coisas.

Comércio goleia o esporte

Não creio que o Corinthians teve influência direta na regalia que fere a igualdade esportiva.

Como o calendário de nosso futebol é carregado, fica impossível fazer qualquer espécie de promoção no período entre os fracos estaduais e a competição mais importante do país.

Ao contrário do que ocorre na Europa, onde a festa nas primeiras rodadas dos campeonatos nacionais é enorme, pois os clubes fizeram pré-temporada, amistosos e os torcedores aguardam com ansiedade o início deles, o Brasileirão é uma emenda dos estaduais, que tiveram seus jogos finais faz menos de uma semana.

O público viu um confronto decisivo, que mesmo pouco importante gera impacto por alguns poucos dias, e logo em seguida acompanha a rodada inaugural das 38 no torneio que terminará em dezembro.

Além disso, ela é realizada no meio da Libertadores que, tirante em algumas exceções, conta com as os clubes mais fortes do país naquele momento e toma a maior parte da atenção de seus adeptos.

E a televisão quer promover o Brasileirão para tornar as transmissões dos jogos mais rentáveis

Ou seja:

O Corinthians tem privilégios.

Mas a responsabilidade é da CBF e dos adversários que aceitam, em silêncio, as ordens de quem dirige a confederação.

Dera isso ocorresse apenas na hora da confecção da tabela, que deveria ser por sorteio e não de acordo com interesses comerciais agressivos à ética esportiva.

Fazem o mesmo na distribuição de cotas de televisão e doutras medidas que prejudicam a competitividade e a qualidade do maior campeonato que temos.

Ninguém, lembro, disputa o campeonato sozinho.

O padrão 

Se fosse outro o time ajudado pela CBF, ele manteria o silêncio como fazem os cartolas corintianos.

Enquanto não houver maior preocupação dos cartolas com a credibilidade do campeonato que com os próprios interesses, com o coletivo que fortalece todos ao invés do individualismo, viveremos em meio às desigualdades desse tipo.

No que diz respeito à quantidade de polêmicas de organização do campeonato, todas ruins para o esporte, goleamos a Premier League e a Bundesliga.

Lá, poucos questionam se o campeonato foi decidido dentro ou fora do gramado.

Escrito por Vitor Birner às 17:27 Vitor Birner 43 Comentários

27 fev

Di María promete voltar ao time que ama; atletas argentinos são mais torcedores que os brasileiros

Birnadas

De Vitor Birner

“¿Después del Manchester? Vuelvo a Central, ¡otro grande!”, garantiu o argentino.

Ele não negociou nada e nem pensou em dinheiro.

O vínculo com o United terminará em meados de 2019. O argentino terá 31 anos de idade e talvez futebol de alto nível para oferecer ao time que defendeu no início da carreira.

Creio nele porque muitos boleiros hermanos não deixam de ser torcedores quando se transformam em profissionais.

O Central, que tem a hinchada mais impressionante do mundo, costuma contar com a presença de alguns ex-ídolos, de vez em quando, na arquibancada ou na tribuna de seus jogos.

Em especial diante do Newell’s Old Boys, contra quem disputa, de acordo com o opinião de muita gente, o clássico de maior rivalidade do planeta.

O treinador contratado para a a temporada é um deles.

‘Chacho’ Coudet, como jogador, ganhou a Copa Conmebol de 95 e vestiu a camisa do clube em duas passagens (ficou três anos no clube em cada uma), substitui Miguel Angel Russo, que depois de três temporadas foi para Vélez Sarsfield.

Coudet atuou no San Lorenzo e no River Plate e nunca escondeu o amor pelo Central.

Nos ‘millonarios’, conquistou 5 títulos nacionais e no ‘ciclón’, apesar de não ganhar nenhum campeonato, tinha, como em Nuñez, o respeito e o apreço dos torcedores.

Figueroa é mais um da extensa lista de boleiros que se declaram hinchas ‘canallas’ e curtem ir ao jogo para torcer.

Killy Gonzales, Abbondanzieri, Mascherano, Lavezzi, Correa e outros fazem o mesmo.

Na foto acima, de camisa amarela e segurando um casaco do Central, Luciano Fiueroa em meio aos Barra Bravas canallas.

Entre os ‘jugadores hinchas’, há os que fazem questão de escancarar ainda mais, como se marcassem território, a paixão.

Angel Correa, um dos principais jogadores do San Lorenzo na conquista da Libertadores antes de ser negociado, aos 19 anos, por 7,5 milhões de euros com o Atlético de Madri, nunca vestiu profissionalmente a camisa do Central.

Ele tatuou um guerreiro (Guerreros é nome da barra brava, a torcida organizada, do Rosario Central) carregando um enorme escudo com o símbolo do time e a frase ”Guerrero nunca dejes de luchar, el fracaso está en abandonar”.

E fez questão de mostrar para quem quiser ver.

 

Lavezzi, do PSG, nunca foi atleta do Rosario Central.

Ganhou um título argentino pelo San Lorenzo.

Mas a ligação com a paixão clubística não foi largada.

Citei alguns exemplos de boleiros hermanos que torcem pelo Central e foram muito profissionais ao vestirem camisas doutras agremiações.

Isso é comum em vários clubes da Argentina. No Uruguai a situação se repete.

Aqui no Brasil, há um pudor, medo, de o sujeito assumir para quem torce.

Como se isso fosse pecado.

Eu sei, por exemplo, de ídolos e jogadores que foram fundamentais em títulos importantes de times para os quais não torcem, e que poderiam fazer o mesmo.

Mas o padrão nacional, onde o atleta fala aquilo que o assessor ou empresário diz ser o melhor para ele, seja ou não verdade, dita o padrão de conduta e torna o futebol menos humano.

Dr Sócrates nunca precisou esconder que nasceu santista.

Serginho Chulapa sempre falou que torcia pelo Peixe.

Isso não os impediu de serem ídolos de Corinthians e São Paulo.

Jogador ganha respeito, acima de tudo, pelo que faz em campo.

Não adianta ser torcedor e jogar mal.

Se isso bastasse, quem lê o blog poderia defender a agremiação que ama.

O futebol apanha por ser parte de uma sociedade preconceituosa, violenta, pouco solidária, cheia de pessoas que acreditam em qualquer bobagem que leem e que passam muito mais tempo se intrometendo em questões pessoais da vida alheia, que não lhe dizem respeito, para julgá-las com base em valores mesquinhos e não para ajudá-las.

Por isso a maioria dos jogadores, e até dos jornalistas, não fala para quem torce ou torceu.

Lembro aos maniqueístas que a forma como cada pessoa vive o amor pelo time amado muitas vezes tem alterações ao longo dos anos.

Outro ponto:

Aqui, o jogador declara a intenção de retornar, fala do amor pela agremiação e entra na sala do dirigente com seus representantes para pedir algumas centenas de milhares de reais por mês para ter o pedido atendido.

É direito de todo profissional querer a melhor remuneração.

Mas não precisa fazer lobby com a torcida para colocar pressão no dirigente e forçá-lo a gastar uma fortuna.

Guillermo Schelotto, ídolo do Boca Juniors, atuou no fim da carreira, por amor, no Gimnasia Y Esgrima La Plata. Não recebeu salários.

Verón, quando retornou ao Estudiantes, onde hoje é presidente, colocou uma cláusula no contrato determinando que todo salário pago pelos ‘pinchas’ seria revertido para as categorias de base do clube. Jogou de graça.

Há outros exemplos de boleiros que fizeram o pé de meia e depois abriram mão de dinheiro pelo prazer de vestirem uma camisa.

O atleta que pretende terminar a história no clube que ama ou pelo qual tem gratidão, não precisa atuar por caridade se a agremiação tem grana para remunerá-lo, mas pedir uma fortuna sabendo da dificuldade de pagá-la é uma contradição enorme.

Raramente isso acontece aqui.

Juninho Pernambucano foi para o Vasco ganhando salário mínimo antes de pendurar as chuteiras.

Escrito por Vitor Birner às 17:33 Vitor Birner 103 Comentários

26 fev

São Paulo jogou o suficiente para golear o Danubio; Pato foi o melhor e Ganso mais solidário na marcação

Copa Libertadores

De Vitor Birner

São Paulo 4×0 Danúbio

Aos gritos de “É Muricy” e de “Olê, olê, olê, Telê, Telê”, os torcedores do São Paulo que conseguiram superar a imensa quantidade de dificuldades impostas pela diretoria para aquisição dos ingressos com preços elitizados, e as fortes chuvas na capital paulista, comemorou a goleada contra os uruguaios.

Foi uma vitória tranquila, apesar de o time oscilar e não mostrar futebol consistente.

O time ainda não teve a dinâmica de jogo capaz de manter a regularidade e a intensidade entre os sistemas defensivo e ofensivo.

De vez em quando, por conta das partes coletiva e técnica, não devido ao que o rival fez, um deles prevaleceu.

Houve momentos interessantes, em especial os protagonizados pelo Pato, o melhor em campo.

Michel Bastos de novo mereceu elogios pela apresentação.

Os laterais Reinaldo e Bruno fizeram a parte deles a contento.

O resultado foi importante na luta pela classificação e por questões internas dentro do clube.

Mas não pode encobrir os problemas coletivos e individuais, pois diante de um adversário mais forte e capaz na parte ofensiva eles tendem a aparecer e a se transformar em fracasso.

É possível diminuí-los nos treinamentos.

Golaço do melhor em campo

Michel Bastos, de calcanhar, tocou para o Reinaldo; o lateral deu uma caneta do rival e cruzou;  Pato, de primeira, chutou forte e fez o gol.

O lance mais bonito do jogo, aos 5 minutos, facilitou a missão de o favorito vencer.

O placar deu a tranquilidade necessária e permitiu a marcação mais conservadora.

O time não pressionou a saída de bola. Iniciou as tentativas de recuperá-la no meio de campo. Como se diz no futebolês, atraiu o o Danubio para forçá-lo a deixar lacunas.

Por contar com o Pato no lugar de Kardec, tinha velocidade para contra-atacar.

Mas a inoperância criativa deixou o São Paulo 25 minutos inofensivo.

Até Ganso, em bonito passe, colocar o atacante frente ao goleiro Torgnascioli e vê-lo perder a oportunidade de ampliar, e Bruno receber lançamento de Souza de cruzar de maneira precisa para o melhor do jogo, com categoria, de cabeça, colocar a bola no fundo da rede.

Ganso na marcação e Luis Fabiano querendo o gol dele

O meia foi mais importante no sistema defensivo que na criação.

Ficou muito na direita, ao invés de procurar espaço para receber a bola mais vezes e criar os lances de gol.  Quando ela chegou até ele, a categoria do meia apareceu.

Talvez tenha ficado muito daquele lado por se preocupar com a marcação.

Com Pato e Luis Fabiano na dupla de frente do 4-4-2, as incumbências de Ganso nas tentativas de recuperação de bola aumentaram.

O centroavante correu, lutou, mas produziu pouco e em alguns lances pensou mais no próprio gol que na jogada ideal para algum companheiro fazer.

Tranquilizou de vez o Muricy

O São Paulo voltou do intervalo com a nítida prioridade de não tomar gol.

Mesmo assim, oscilou na marcação.

O Danubio, por incapacidade, não tirou proveito das falhas.

Reinaldo, aos 25, de fora da área, arriscou o chute, a bola desviou no rival e impediu o goleiro de conseguir a intervenção.

O gol no lance de sorte ( assim como o azar faz parte do jogo e não é passível de críticas) esfriou o ímpeto uruguaio de reagir, além de passar ao Muricy a certeza que sairia do Morumbi vencedor.

Alterações e um pouco mais de sorte

O técnico logo em seguida trocou Denilson, porque recebera cartão amarelo,  pelo Hudson.

Thiago Mendes ocupou o lugar de Bruno e Jonathan Cafu o de Michel Bastos.

Aos 41, Hudson, de longe, chutou em gol não como pretendia, mas o atacante, livre, na área, conseguiu dominar e teve tranquilidade para fechar a goleada.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Bruno (Thiago Mendes), Rafael Toloi, Dória e Reinaldo; Denilson (Hudson), Souza, Ganso e Michel Bastos (Jonathan Cafu); Alexandre Pato e Luis Fabiano
Técnico: Muricy Ramalho

Danubio – Franco Torgnascioli; Agustín Peña, Matías de los Santos (Velazquez), Fabricio Formiliano e Joaquin Pereyra; Renzo Pozzi, Hamilton Pereira, Ignacio González (Tabarez) e Leandro Sosa; Matías Castro e Bruno Fornaroli (Emiliano Ghan)
Técnico: Leonardo Ramos

Árbitro: Enrique Osses (Chile) – Assistentes: Francisco Mondria e Claudio Rios

Escrito por Vitor Birner às 2:24 Vitor Birner 150 Comentários

25 fev

Atlas renasceu contra o Galo no Horto; o campeão da Copa do Brasil jogou mal de novo

Copa Libertadores

De Vitor Birner

Atlético 0×1 Atlas

O Atlas teve duas chances logo nos primeiros minutos.

Iniciou a marcação na linha que divide o gramado e o Galo, por causa dos erros de passes simples na meia, permitiu aos mexicanos atacarem em velocidade com o sistema defensivo atleticano adiantado.

Dos 25 minutos em diante, talvez um pouco antes, o time de Levir passou a errar menos ali. Como impediu a transição dos ‘tapatíos’ da defesa ao ataque, conseguiu pressionar.

O último toque, aquele perto da área, e a afobação que impediu os jogadores de pensarem, dificultaram a criação.

Mesmo assim houve lances de perigo.

O treinador campeão da Copa do Brasil, decidiu voltar do intervalo com Cárdenas no lugar de Leandro Donizete. Alterou o 4-2-3-1, onde o volante fazia a dupla com Rafael Silva, para o 4-1-4-1.

O trio com Luan e Maicosuel, pelos lados, e Dátolo, centralizado, virou um quarteto.

E Rafael Silva ficou ‘órfão’.

A troca tinha lógica.

O colombiano gosta de tocar a bola e de atuar perto do centroavante, no caso o André, pois Jô e Pratto se machucaram. Podia dar ao time a inteligência necessária para aproveitar as brechas na marcação.

Mas aconteceu aquilo que o treinador não esperou, e ele tomou o tal do ‘nó tático’.

O defensivo Atlas decidiu ser ofensivo.

No 4-3-3, marcou a saída de bola, acertou a transição da defesa ao ataque, ganhou o meio de campo e mandou no restante do confronto.

Perdeu gols, acertou o travessão e fez o gol quase no final, mais por causa do ‘tudo ou nada ‘atleticano’ que por ter tirado proveito do futebol melhor que mostrou.

Quando o time de Levir foi quase todo para o ataque, apenas Edcarlos ficou na marcação de Suárez, o mais adiantado do Atlas depois de a equipe ter recuado.

O zagueiro, porque perderia na corrida e não havia sobra, tentou fazer a linha de impedimento e o artilheiro, atento à movimentação do oponente, partiu na hora certa  ( tive a impressão, não a convicção, que não houve impedimento ) eficou de frente para o São Victor para fazer 1×0.

Apesar de tudo, não é possível colocar na conta de Levir Culpi o fracasso.

A alteração foi decidida de acordo com o que houve em campo até ela ser feita.

Talvez devesse aguardar alguns minutos após o intervalo para ver como o rival retornou. Se não mexeu na formação e ideia de jogo.

Outro ponto é que muitos jogadores foram mal.

Os vários desfalques impediram o treinador de colocar uma equipe mais forte, de ter o banco capaz de alterar o andamento.

Mesmo com todos boleiros disponíveis, o Galo tende a precisar de algum tempo para aprender a lidar com a ausência de Diego Tardelli, o líder técnico capaz de coordenar as ações nos momentos mais difíceis como deste confronto.

É lógico que depois de 2 jogos, nenhum gol a favor gol e 3 contra na Libertadores, a torcida, que tem enorme expectativa de uma grande temporada depois do desfecho épico da anterior, fica indignada.

Mas não é possível indicar um responsável pelo péssimo desempenho no torneio.

Alguns problemas citados no post causaram isso.

A questão é quando os mesmos, ou ao menos a parte mais urgente delas, serão solucionadas.

Escrito por Vitor Birner às 23:48 Vitor Birner 11 Comentários

25 fev

Torcida Xavante no Bento Freitas deve ser maior que a do Flamengo na estreia da Copa do Brasil; Zico, Leandro, Adílio, Mozer e Bebeto conhecem a força dela

Copa do Brasil

O Flamengo estreia hoje na Copa do Brasil contra uma agremiação pequena, mas tradicional e de personalidade forte.

Irá ao estádio Bento de Freitas encarar o Rubro Negro pelotense, que completará 104 anos de história em poucos meses.

Será o 5° confronto da história entre eles.

Houve duas vitórias de cada lado.

A mais importante aconteceu no Brasileirão de 1985, quando o Brasil de Pelotas derrotou o Flamengo de Zico, Adílio, Mozer, Bebeto, Leandro, Andrade e Fillol por 2×0, resultado fundamental para ficar em primeiro lugar no grupo (Bahia e Ceará eram os outros integrantes), eliminar os cariocas e chegar à semifinal do campeonato.

http://youtu.be/wkrMSaKI9hE

O que mais chama a atenção na equipe de Pelotas são os seus seguidores.

Os do Flamengo, habituados a serem maioria sempre na capital do Rio de Janeiro e em grande parte das vezes fora dela, a não ser diante de outros times gigantes do país e em alguns raros casos contra uns poucos grandes e médios, provavelmente verão a torcida Xavante em maior número e empurrando seus representantes em campo de maneira intensa.

O Matias Pinto, um especialista na cultura de torcidas do continente Sul-Americano, fez uma entrevista com o jornalista Fabrício Cardoso, que é adepto do Brasil de Pelotas, para tentar explicar as razões dessa relação estreita com o time.

Entrevista

De Matias Pinto

O fanatismo da torcida do Brasil de Pelotas atravessa fronteiras. De Pelotas à Muriaé, do Maracanã à Chuy, do outro lado da fronteira. Onde houver uma camisa rubro-negra haverá um xavante apoiando.

Descobri isto pessoalmente em 2011, quando compareci ao estádio Bruno José Daniel, em Santo André, para acompanhar a estreia da Série C entre a equipe local e os visitantes sulistas (http://impedimento.org/o-inicio-da-saga-xavante/), cerca de 150 vindos de várias regiões do país.

Na ocasião, tomei o trem de volta com o pessoal da XASampa, núcleo de torcedores do Grêmio Esportivo Brasil na capital paulista.

Um dos presentes era o jornalista Fabrício Cardoso, hoje com 41 anos, 4 deles vividos em São Paulo, que topou responder algumas perguntas sobre a torcida xavante, o momento atual do clube e a expectativa para o jogo de jogo.

Como surgiu o apelido xavante?

Isto foi na década de 40. Vencemos um clássico contra o Pelotas, de virada, e a cidade foi tomada pela torcida em júbilo.

Como bem na época tinham descoberto tribos xavantes selvagens na Amazônia, nos chamaram assim de forma pejorativa. Só que o apelido foi adotado.

É até uma inconsistência antropológica, pois o Rio Grande era terra de guaranis. Os xavantes nunca estiveram em nossas bandas.

Conte um pouco sobre a mobilização da torcida durante o Brasileirão de 1985

Eu era muito guri, tinha 12 anos. Mas a mobilização foi colossal. O Olímpico inteiro estava lotado de xavantes e agregados, que torciam por nós de simpatia. Eu estava me curando de uma hepatite, mas ainda assim meu pai fez questão de me levar ao jogo contra o Bangu. Fizeram um isolamento para que eu andasse sem levar porrada no fígado.

Foi uma noite linda, apesar do resultado (derrota para o Bangu por 1xo diante de cerca de 38 mil pessoas).

Por que existem tantos núcleos xavantes Brasil adentro?

O Xavante é o nosso Centro de Tradições Gaúchas, uma forma de nos conectarmos com a Pelotas perdida. Claro, amamos o clube, vivemos intensamente. Mas nossos “ajuntamentos” são também uma forma de aplacar saudades. Aliás, o Xavante conserva esta aura de clube porque os torcedores têm experiência mútuas. Não somos como o Flamengo, que une o catarinense ao nordestino. Nós somos irmanados por uma alma em comum, que nos faz querer estar juntos para além do xavante. Tenho um filho nascido em Blumenau (SC), que nunca morou em Pelotas, e será xavante.

E a relação dos rubro-negros com o Bento Freitas?

Há muito critico a “shopincenterização” dos estádios de futebol, um ardil feito para selecionar o público, tirando os bêbados brigões e colocando gente endinheirada que, desgraçadamente, não gosta de futebol. Vai lá para ver os namorados das atrizes de novelas e porque é bonito e limpinho.

Acho este um ambiente excessivamente estéril, pois o futebol,como reflexo de nossa cultura, precisa vir com alguma sujeira. É quase como o chiado do disco de vinil. Sem ele a coisa fica mais limpa. Mas continua sendo aquela coisa?

Pois bem, sempre embasei meu azedume contra as arenas fazendo projeções sobre meu clube de coração. Quando vejo o Brasil de Pelotas jogar ao vivo, sou tomado pelo estado de nervos que antecede a síncope. Nesses anos todos de devoção, jamais assisti um jogo sentado, tampouco me importei com o que estava ao redor. Todos meus sentidos são canalizados ao que ocorre em campo.

Nunca quis perder meu espaço de loucura, ou ficar me policiando para não horrorizar proprietárias de bolsa Louis Vuitton com meus maus modos.

Porém, se tiro o componente passional, nada tenho contra as arenas. Se eu fosse ver o Real Madrid, o Barcelona ou qualquer outro clube feito para ser consumido e não amado, pô, quero minha cadeira estofada e ar-condicionado. A arena, neste caso, amplifica o conforto. Não deixa de ser, portanto, uma gourmetização do bem.

Também é um dos poucos estádios do Rio Grande, no quais as camisas de Grêmio e Inter são minoria.

Não sou de culpar o rico pelo fracasso do pobre, nem sempre isto está relacionado. Mas no caso do Grêmio e do Inter, a polarização prejudica demais os clubes pequenos. Todos parecem subprodutos, algo com que devemos nos preocupar de forma transversal. E isto enfraquece o futebol gaúcho como um todo. Basta ver Santa Catarina, onde a polarização não existe e muito mais comunidades têm seus clubes vivendo momentos bonitos.
Neste aspecto, que desejaria que o gaúcho fosse menos maniqueísta e se permitisse amar os clubes de sua cidade. Deixemos os porto-alegrenses, com suas manias de grandeza e aspirações continentais, pagando a conta indecente desta megalomania.

Para finalizar, dentre os clubes ditos grandes existe um gostinho especial de enfrentar o Flamengo?

O Flamengo tem um simbolismo por trazer à tona as lembranças de 1985. Portanto, tem um gosto diferente, mas não pelo Flamengo em si, mas pelo que vivemos.

Escrito por Vitor Birner às 13:45 Vitor Birner 13 Comentários

23 fev

Andrés Sanchez x Fernando Haddad

Coluna no Lance!

De Vitor Birner

Andrés Sanchez, após ser eleito deputado federal, foi com um executivo da Odebrecht ao gabinete de Fernando Haddad.

Do lado de fora da sala do prefeito foi possível ouvir uma discussão em altos brados.

Logo depois, o ex-presidente do Corinthians saiu de lá irritado, esbravejando contra o primeiro mandatário da capital paulista.

A razão da briga ficou óbvia faz poucos dias.

O clube divulgou nota oficial acusando Haddad de não ter emitido os Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento, no valor de cerca de R$ 400 milhões, para ajudar no pagamento da Arena em Itaquera. Por isso, o Alvinegro contraiu débitos de R$ 80 milhões com instituições privadas.

Eles provocam “uma elevação insustentável da dívida do clube, em função do pagamento dos juros dos empréstimos bancários contraídos para que a Arena ficasse pronta a tempo e de acordo com as exigências da Fifa”, tal qual ipsis litteris a comunicação corintiana argumentou.

O torcedor de qualquer time brasileiro conhece o absurdo custo da grana, se não houver as raras regalias que nunca são gratuitas, cedida temporariamente por bancos.

O prefeito negou; afirmou ter emitido os CIDs e que não apareceram interessados em adquiri-los.

Andrés parece o mais forte nesta queda de braço.

É muito próximo de Lula, ainda o principal nome petista, e foi o deputado mais votado do partido.

Haddad, na última pesquisa do Datafolha divulgada neste mês, teve aprovação de apenas 20% dos paulistanos e rejeição de 44% (cresceu 16% a turma insatisfeita, provavelmente por causa do aumento da tarifa de ônibus. A margem de erro é de 2% ).

O mandato do prefeito terminará no próximo ano. Se pretende ser reeleito, precisará de apoio do PT.

Andrés tem influência para interferir. Pode ajudá-lo ou atrapalhá-lo.

Talvez ‘obrigue’ o ‘companheiro’ a optar entre a própria ética administrativa e a carreira política ou, quem sabe, a tomar a iniciativa de trocar de sigla.

OBS: O post é a reprodução de minha coluna, publicada aos sábados, no L!

Escrito por Vitor Birner às 15:58 Vitor Birner 291 Comentários

20 fev

Muricy não tem como resolver os problemas do time enquanto houver jogadores omissos

Birnadas

De Vitor Birner

Aidar e Muricy

Carlos Miguel Aidar, pouco depois de assumir a presidência do São Paulo, teve um bate-boca com Muricy no vestiário.

Não por isso, e nem por questões de competência do comandante, cogitou trocar o técnico.

O funcionário reprovou os nomes dos jogadores que o primeiro mandatário do clube pretendia contratar para o elenco.

E Aidar queria e quer tirar do caminho as pessoas mais próximas de Juvenal Juvêncio.

Me contaram, na época, que pensou em Tite.

Foi o mais citado por ele ao falar com os conselheiros.

De acordo com informação do jornalista Osvaldo Pascoal, mandou um interlocutor sondar a possibilidade de o treinador assumir o cargo no fim do ano.

Tite, ciente que retornaria ao Parque São Jorge, cortou o assunto na raiz.

Sampaoli, quase inviável por questões econômicas e até de crescimento da própria carreira, foi citados pelo gestor.

Mas o time jogou melhor no returno do brasileirão, ficou com a vaga na Libertadores e nada foi mexido.

Ataíde Gil Guerreiro, consultado, preferiu dar sequência ao trabalho em vez de começar outro.

Aidar tem respeitado as decisões do vice-presidente de futebol.

Não chegou na Barra Funda

A pesada crise política do clube não entrou no CT da Barra Funda por causa do Ataíde.

O local tem outros problemas, aqueles antigos citados aqui no blog, que tornam o ambiente menos competitivo que o necessário, e que aumentam ou diminuem de acordo com o momento.

A chegada de Kaká, por exemplo, os minimizou.

E antes, a do próprio Muricy Ramalho.

O treinador tem o respeito dos funcionários mais antigos e influentes do CT da Barra Funda, conhece a política interna do local, sabe como reagir diante dos entraves criados lá, e como administrá-los ou evitá-los

Por isso conseguiu impedir o rebaixamento do time no campeonato brasileiro.

Os treinadores antes dele, como Autuori e Ney Franco, foram engolidos pelo ambiente.

Não foi o trabalho tático superior ao dos concorrentes que fez de Muricy um vencedor.

Ele conhece o assunto, não é um ‘burro com sorte’ como Levir Culpi ironicamente se auto-intitulou ao contar no livro com esse nome a própria história, e tem convicções sobre a forma de jogar.

Demorei para entender isso, pois discordo de muitas delas.

Eu e o Muricy Ramalho

Minhas críticas ao técnico, em especial no período do tricampeonato brasileiro, renderam de 3 a 4 anos de recusa do boleiro em dar entrevistas para qualquer programa (direito dele, não tem obrigação, e eu respeito) do qual participei.

Há algum tempo passei a entender as virtudes de Muricy Ramalho.

De alguma forma sabe se impor, e os jogadores, apesar de demorarem um pouco, ‘compram’ o trabalho dele.

Basta reparar no desempenho do São Paulo no segundo semestre de todos as temporadas sob a direção do técnico.

Melhor que antes

Leio nas redes sociais a avalanche de críticas direcionadas ao atual Muricy Ramalho.

Parece ter sido o novo eleito de parte da torcida como responsável pela derrota diante do Corinthians.

Uns dizem que a saúde o atrapalha, outros citam falam que ficou obsoleto, e há quem simplesmente reclame dele.

Discordo de todos.

Muricy, hoje, é um técnico melhor que no passado.

Tenta formar o time com mais variações táticas.

A natural preocupações com a sobrevivência não é o cerne de tudo.

A fraca atuação diante do Corinthians, no jogo que entrou para a história, não foi nenhuma novidade.

O amigo (a) leitor (a) não lembra de como o São Paulo, com time superior ao do Grêmio de Mano Menezes e Tuta, foi eliminado da Libertadores em 2007?

Ou da desclassificação diante do Cruzeiro, no Morumbi, quando, como na derrota de ontem, não chutou uma vez sequer em gol?

Ganhou o Brasileirão após fracassar contra os gremistas e não teve a chance após perder dos cruzeirenses, pois foi demitido por Juvenal Juvêncio, que o segurou depois de três perdas de Libertadores sob fortes protestos dos torcedores.

Aceitaram a superioridade

Tal qual expliquei no post do Majestoso de ontem, discordei do esquema tático e escolha dos titulares feitas por Muricy Ramalho.

Mas não coloco apenas na conta do técnico a fraca apresentação.

Ganso, por exemplo, jogou como muita gente defende (não faço parte deles), na meia, entre os volantes e atacantes, com enorme liberdade para se movimentar e criar.

E não fez nada.

Foi omisso, apático, como se disputasse apenas mais um jogo e não o primeiro clássico na Libertadores diante do maior rival do São Paulo.

Luis Fabiano, estabanado, perdido, irritado, não contribuiu.

Tinham que voltar e ajudar o meio de campo logo depois de verem que o time perdera a disputa no setor.

Tanto faz quais são suas posições de origem e maiores virtudes.

É preciso recuperar a bola para fazer algo com ela e, o meia tem que se mexer para achar espaços onde pode fazer o grande talento se transformar em algo útil para o time.

Palavra de Cassio

Os jogadores mais experientes, quando notam que algo não funciona em campo, têm obrigação de falar com o técnico para o treinador alterar a proposta.

Dependendo do momento, precisam, por dificuldade de comunicação com o técnico, tomar decisões, entre eles, durante os 90 minutos.

Não podem simplesmente ficar olhando enquanto esperam os ventos soprarem a seu favor.

Participei, ontem, do Fox Sports Radio e o goleiro Cassio foi entrevistado.

Ele confirmou que os jogadores corintianos, quando notam que algo não caminha a contento durante o jogo, conversam com o técnico, ele os escuta e faz os ajustes.

No São Paulo, a impressão é que os ‘com moral’ jogam para si mesmos.

Dividir a responsabilidade

O Ganso quer a bola para criar. O Luis Fabiano para finalizar.

Parecem crer que nada além disso lhes compete. Que vão lá para fazer o deles e não para fazer o time campeão.

O futebol de hoje exige mais do jogador.

Passou a hora de dividirem as responsabilidades nos sucessos e nos fracassos.

É essa coesão coletiva que permitirá ao time superar momentos difíceis.

Rogério Ceni, por jogar no gol, não tem como liderá-los em diversos momentos.

Nos tempos em que o São Paulo conquistava título, teve parceiros para tal como Lugano, Junior, Danilo …

Não irei, como muitos querem, colocar Muricy na cruz.

Os acertos táticos e de formação certamente tornam o time muito mais forte, ele falhou em ambos no clássico, mas para ser cascudo e campeão o São Paulo precisa mais que posicionamento perfeito e técnica.

O futebol, além dos duelos tático, técnico e físico, tem o psicológico, o mental, e, em regra, quando um time perde o embate emocional fica mais fraco nos demais.

Se é derrotado, por exemplo, no tático, muitas vezes consegue o resultado interessante porque o desejo de vencer transformado em concentração e intensidade na disputa de cada lance ajudam a tapar as lacunas.

Principalmente nos confrontos equilibrados em técnica individual e preparação física.

A direção deve cobrar dos jogadores mais capazes o auxílio que o técnico, seja Muricy, João ou José, precisa para formar um time campeão.

E exigir do treinador, após ter o apoio funcional deles, o padrão correto de jogo.

E mais

O São Paulo deve arrumar o jeito de acabar com essa história de o sujeito jogar ou ter privilégios para recuperar a posição porque possui mais nome.

Esses foram reconhecidos, na maioria das vezes, na hora de acertaram o salário.

Quando alguém recebe tratamento especial, como o dos companheiros correndo por ele, passa a ter obrigação maior de resolver os jogos, pois o esforço alheio inútil e contínuo faz o profissional dedicado que se incomoda com derrotas se sentir um imbecil.

Nem é preciso de muita perspicácia para imaginar o impacto disso no elenco.

Previsível

Tudo que citei pode ser alterado com atitudes diferentes dos jogadores.

A parte de Muricy é pagar o preço por colocar em campo um time menos técnico para o coletivo ser solidário e forte; e a da direção apoiá-lo.

Reproduzo aqui a minha coluna do Lance!

Foi publicada 5 dias antes do clássico.

Não houve nada atípico no jogo.

O São Paulo vai ‘estrear’ contra o Corinthians?

Não há como afirmar quem vencerá o Majestoso, primeiro após 55 edições de Libertadores, da próxima quarta-feira. Na parte técnica, a da qualidade individual, os times se equivalem.

O futebol não é apenas um duelo de habilidades motoras de trato da bola. Questões táticas, físicas e psicológicas pesam em grandes confrontos.

Se o Corinthians repetir a regularidade e a pegada mostrada diante de Once Caldas e Palmeiras, quando teve um pouco de dificuldade apenas na marcação de cruzamentos e pelos lados do campo, algo normal no atual estágio de preparação, e o São Paulo mantiver o comportamento dos compromissos no torneio estadual, o Alvinegro irá comemorar os três importantes pontos.

Nas vitórias contra os pequenos e no empate do meio de semana na Vila Belmiro, oscilou muito durante os 90 minutos, deu espaços além dos normais entre as linhas de meio e defesa, criou pouco em grande períodos desses jogos, e alguns de seus atletas no gramado pareceram contrariados, como se fossem obrigados a cumprir um protocolo dos mais chatos.

Eis a questão: o Alvinegro, nessas duas semanas, foi guerreiro, solidário, privilegiou a parte coletiva e ninguém ganhou a titularidade por causa do nome ou do currículo na equipe, e o São Paulo foi mole por causa de alguns boleiros, não todos, que não entraram em campo com a tal da fome de ganhar.

A confiança dos torcedores corintianos e a preocupação dos vice-campeões brasileiros com o duelo que entrará na história e terá enorme impacto dentro e fora de ambos os clubes reflete o começo de temporada.

O clássico mostrará se a enorme diferença de respeito pela camisa foi consequência da importância dos jogos que disputaram ou da falta comprometimento de alguns comandados de Muricy.

Perder ou ganhar é do futebol. Faz parte, desde que todos se entreguem de corpo e alma enquanto milhões dão a audiência que lhes rende altos salários.

Escrito por Vitor Birner às 12:08 Vitor Birner 495 Comentários

18 fev

Corinthians não sofreu para vencer o histórico Majestoso contra o São Paulo cheio de falhas

Análise de jogos, Birnadas, Copa Libertadores

De Vitor Birner

Corinthians 2×0 São Paulo 

O Alvinegro foi superior pelas diversas razões que o amigo (a) internauta lerá no post.

Venceu os duelos tático, técnico e psicológico.

Jadson e Elias foram os melhores em campo.

Danilo, se não fosse por alguns erros de finalização, entraria no trio de destaque.

Não consigo destacar ninguém do São Paulo.

As fracas atuações de Ganso e Luis Fabiano, quando a torcida e o time mais precisam deles, chamaram a atenção.

A lista de defeitos do São Paulo é grande.

O Corinthians falhou apenas ao não aproveitar os espaços para os contra-ataques.

A arbitragem foi econômica nos cartões.

Foi polêmica ao mostrar o amarelo, não o vermelho, para o Denilson, que protegeu a bola com o cotovelo no pescoço de Elias, e ao não tirar nenhum cartão do bolso para o Emerson no chute proposital em Michel Bastos, mas seguiu o mesmo critério, o do futebol tradicional e não do neo, desde o 1° minuto.

Errou ao não dar a falta de Emerson Sheik em Bruno, no lance do gol de Jadson.

A vitória alvinegra, por causa do andamento do jogo, não pode ser colocada na conta do árbitro.

A falha encerrou a chance de haver o empate, mas o time de Muricy, que falhou na hora de escolher o esquema tático e os titulares, sequer ameaçou fazer o gol.

O Corinthians quando quis atacar ameaçou, e quando quis defender parou o rival.

A histórica vitória transforma a equipe em favorita para ficar com uma das vagas do grupo e impõe enorme pressão sobre o pessoal do Morumbi.

Tática e técnica: Tite ajusta e Muricy facilita

O Alvinegro mostrou força no começo da temporada.

O treinador não tinha razão para mexer na forma de o time jogar.

Em vez do 4-1-4-1 de variação para o 4-4-2, tal qual na maioria dos confrontos anteriores, a flutuação foi para o 4-2-3-1.

Isso permitiu que o meio de campo tivesse sempre 5 jogadores na marcação.

No 4-1-4-1, Ralf foi o volante à frente dos zagueiros e laterais, e atrás de Jadson, Elias, Renato Augusto e Emerson Sheik, na direita para a esquerda, na devida ordem.

No 4-2-3-1, Elias volta para fazer a dupla com Ralf.

Danilo jogou com falso centroavante.

Muricy cometeu alguns erros na formação.

Pretendia ter mais posse de bola e mantê-la longe do gol de Rogério Ceni ao escalar o meio de campo com Denilson, Maicon e Souza como volantes e Ganso na meia.

Mas o 4-3-1-2 permitiu ao adversário ter um atleta a mais no meio de campo.

Outro equívoco foi recuar Michel Bastos, melhor atleta do meio de campo, para a lateral.

Diminuiu a qualidade do chute de fora da área e cruzamentos, o ponto mais vulnerável do competitivo sistema defensivo do Alvinegro no começo da temporada, ao deixá-lo distante de Kardec e Luís Fabiano e Cassio.

Psicológico: Corinthians mais forte

Ambos os times tentaram marcar a saída de bola.

O de Tite, com um atleta a mais no meio de campo atuar com os boleiros mais próximos uns dos outros, foi superior na parte tática.

E como entrou com mais pegada, concentração e determinação, rapidamente se impôs.

Impediu o rival de levar a bola, na grama, ao campo de ataque.

E tomou conta do duelo psicológico ao pressionar e nem permitir que o São Paulo chegasse perto do goleiro Cassio.

Técnica: Por consequência, Corinthians melhor

Atletas mais próximos uns dos outros facilitam o toque de bola.

E a maior quantidade deles em alguma região do campo, faz alguém receber a bola com certa liberdade.

Isso ajudou alguns jogadores do time na parte técnica (individual).

Elias, Jadson e Danilo foram os melhores.

Nenhum comandado de Muricy mereceu ser aplaudido pela qualidade do futebol.

O jogo antes do o gol

O Corinthians mandou no jogo e teve mais posse de bola até fazer o gol.

Muricy viu que perdera o meio de campo, pois os laterais do Alvinegro se alternaram nos avanços, Ganso se empenhou menos que a exigência do jogo na recomposição defensiva e Luis Fabiano pouco participou da marcação.

Pediu ao Kardec para acompanhar o Fabio Santos.

Mas ninguém fez o mesmo com o Fagner.

Por isso, o lado direito do sistema de criação corintiano ou esquerdo do sistema defensivo do time de Muricy, são o mesmo, foi o melhor caminho para a vitória.

O gol de Elias nasceu ali, no lançamento de Jadson para Elias, com categoria, finalizar.

Além da confusão para ver quem deveria marcar o Jadson, teve o desentrosamento na primeira linha são-paulina, pois Danilo, de maneira inteligente, repetiu aquilo que faz com maestria na leitura perfeita do lance ao atrair Doria para fora da área e o espaço ficar aberto para o volante artilheiro garantir a festa

E depois do 1xo

O Corinthians recuou após o gol.

Deu campo para o São Paulo ficar mais com a bola no meio.

Não permitiu que entrasse na área trocando passes.

Apenas em alguns cruzamentos, o goleiro Cassio precisou de atenção com a finalização perigosa que não aconteceu.

O São Paulo insistiu nos lances pelo centro do campo, onde havia o congestionamento, e deveria ter arriscado mais pelos lados.

Não tinha, do meio para frente, nenhum atleta com características para isso.

Faltou ao Corinthians mais capricho nas finalizações e velocidade nos contra-ataques para ampliar a vitória antes do intervalo.

Muricy, apesar de tudo no jogo, não mexeu na equipe na volta do vestiário.

Adiantou um pouco o Bruno e o Michel Bastos, mas isso não otimizou o sistema de criação.

Aos 9, colocou Reinaldo, tirou Kardec e adiantou Michel Bastos para a meia.

Preferiu ficar Luis Fabiano, que não consegue marcar, e Ganso, e tirou quem faz isso com a agremiação onde todos participam da recuperação de bola.

O São Paulo cresceu na parte ofensiva, mas não o suficiente para criar chances de gol. Apenas ficou mais tempo com a bola perto da área e exigiu mais do sistema defensivo.

Erro do árbitro

O Corinthians não corria riscos e nem acertava os contra-ataques, apesar do espaço para tal.

Aos 24, Emerson Sheik fez uma falta simples de ser vista, mas Ricardo Marques Ribeiro, econômico nos cartões (poderia ter mostrado alguns e não o fez), achou o lance normal.

O contra-ataque nasceu com o polêmico veterano, que tocou para Jadson driblar Reinaldo e tocar por baixo de Rogério Ceni.

O chute foi defensável, mas complicada para o goleiro por causa da proximidade.

Não houve a falha.

Alterações por inércia

Logo após om gol, Muricy trocou Maicon por Thiago Mendes.

O jogo continuou igual.

O São Paulo, irritado por causa da falha do árbitro e da própria incapacidade de criar um lance de gol, ficou com a bola e parou no sistema defensivo do rival.

O Corinthians, quando pôde, ganhou tempo.

Não fez esforço para criar chances de gol e mesmo assim teve duas que Danilo desperiçou

Aos 41, Elias saiu e Bruno Henrique entrou.

Em seguida, Emerson Sheik deu lugar ao Malcom.

Nos acréscimo, Jadson foi substituído por Mendoza.

Tite garantiu o bicho integral dos reservas e os aplausos da torcida para os titulares.

Ficha 

Corinthians – Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Fábio Santos; Ralf; Jadson (Mendoza), Elias (Bruno Henrique), Renato Augusto e Emerson (Malcom); Danilo.
Treinador: Tite

São Paulo – Rogério Ceni; Bruno, Toloi, Dória e Michel Bastos; Denílson Maicon (Thiago Mendes), Souza e PH Ganso; Luís Fabiano e Alan Kardec (Reinaldo).
Treinador: Muricy Ramalho

Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro – Auxiliares: Cleriston Clay Barreto Rios e Guilherme Dias Camilo

Público: 38.029 pagantes
Renda: 3.528.236,00

 

Escrito por Vitor Birner às 23:26 Vitor Birner 291 Comentários

14 fev

São Paulo goleia na convincente estreia de Centurión e Dória; Muricy alterou muito a proposta de jogo e viu a melhor apresentação do time

Birnadas, Paulistinha

De Vitor Birner

Dória jogou entre Lucão, na direita, e Edson Silva, do outro lado, no 3-4-3 que Muricy colocou em campo.

Precisou achar o local correto para atuar e mostrar tempo de bola preciso na hora de fazer a sobra.

Acertou em ambas as funções.

O meio de campo teve Thiago Mendes e Boschilia, abertos, e Hudson e Maicon como volantes.

Como o Braga mostrou enorme incompetência no trato da bola, o quarteto teve muita liberdade, inclusive o Hudson, para participar da criação.

Maicon, com passes longos, desmontou o sistema defensivo do adversário.

Centurión Pato e Kardec, os três mais adiantados, demoram alguns minutos até se entenderem.

Quando isso aconteceu, a movimentação deles facilitou o trabalho do meio de campo e confundiu a marcação do Bragantino.

O argentino, tal qual informou na entrevista de apresentação, provocou os rivais com passes de calcanhar e dribles.

O mais interessante foi a enorme alteração na forma de a equipe jogar.

A titular prende a bola e tem dificuldade, nesse início da temporada, para ser, como se diz no futebolês, ‘aguda’.

A cheia de reservas, que ganhou por 5×0, apostou nos toques rápidos, triangulações e na progressão veloz em direção ao gol.

Apesar de cometer falhas de marcação que sobrecarregaram os zagueiros e não comprometeram a irrelevante vitória, (o mais importante no estadual é preparar o time) por causa da fragilidade do Bragantino, – contra uma equipe mais forte na parte ofensiva provavelmente Denis tomaria gol – desconfio que o treinador gostou da tática e proposta novas, e que torce para os estreantes repetirem o futebol de qualidade diante de times realmente competitivos.

Escrito por Vitor Birner às 20:07 Vitor Birner 92 Comentários

12 fev

Santos 0×0 Rogério Ceni; Peixe mandou no jogo contra o São Paulo mal nas partes coletiva e técnica

Análise de jogos, Paulistinha

De Vitor Birner

Santos 0×0 São Paulo

Os jogos do começo de temporada são de preparação.

O Santos, em tese, tem mais tempo para se organizar. Apenas Enderson Moreira,  por não ser renomado e ter que provar competência para muitos torcedores e alguns dirigentes, precisa de resultados.

O São Paulo, por causa da estreia na Libertadores, necessita rapidamente mostrar futebol competitivo.

Na Vila Belmiro, não conseguiu.

Escapou da derrota por causa da apresentação perfeita de Rogério Ceni, que, salvo engano, fez 9 intervenções difíceis, entre elas uma sensacional no chute de Marquinhos Gabriel e outra, em seguida, no rebote do mesmo lance e cara-a-cara com Renato.

Vanderlei trabalhou três vezes com dificuldade, em arremates de fora da área de Ganso, Michel Bastos e Luis Fabiano.

O Peixe marcou muito melhor, pois não permitiu ao adversário entrar na área com a bola, e criou, tal qual citei, mais oportunidades.

Reclamou de um pênalti do Denílson no Ricardo Oliveira.

Houve o contato do volante com o centroavante. Resta saber se foi derrubado ou preferiu se jogar no gramado.

Como o torneio é o paulistinha, onde o rigor costuma prevalecer, o árbitro não teria errado se apitasse a infração.

Os times

Santos jogou no 4-2-3-1.

O trio de criação tem Geuvânio, na direita, Robinho, do outro lado, e Lucas Lima entre eles, não ficou estático.

Os laterais Victor Ferraz e Chiquinho participaram mais da criação que os volantes Renato e Alison. O veterano da dupla tinha certa liberdade para avançar.

Ricardo Oliveira, como os companheiros, se mexeu e ajudou na parte coletiva.

No São Paulo, Michel Bastos e Ganso jogaram na meia.

O lateral Bruno atacou muito e Reinaldo, pouco.

Souza pôde ajudar na criação e Denilson, que priorizou a marcação junto com os zagueiros Toloi e Lucão, o fez de maneira tímida.

A dupla de frente do 4-4-2 contou com Ewandro, pelos lados, e o sumido Luis Fabiano.

Durou meio tempo 

São Paulo começou o clássico um pouco melhor.

Teve mais posse de bola no campo de ataque porque conseguiu sair de trás com ela trocando passes e exerceu pequeno domínio no meio de campo.

Forçou os lances de ataque na direita, onde Michel Bastos iniciou, Ganso se aproximou para ajudar e Bruno apoiou.

Mas nunca foi capaz de entrar na área com a bola dominada.

A única jogada coletiva digna de destaque teve o toque de calcanhar de Ewandro, aos 22 minutos, para Luís Fabiano finalizar e Vanderlei defender com segurança.

O meio de campo do Santos protegeu os zagueiros e laterais e eles puderam atuar quase sempre na sobra. Em nenhum momento houve a possibilidade de alguém tomar o drible e não ter cobertura.

Mais organizado e veloz

Aos 23, Geuvânio driblou dois no bonito lance individual e forçou Rogério Ceni a trabalhar.

Dali em diante, até o fim do clássico, ou o Santos foi melhor, ou houve equilíbrio com o Peixe criando oportunidades de perigo e o São Paulo inofensivo.

Quase todos ataques santistas foram na direita.

Robinho se mexeu e foi para lá ajudar na articulação, Geuvânio atuou ali, Victor Ferraz avançou, Lucas Lima tentou ficar perto deles e de Ricardo Oliveira para tabelar e arriscar alguns dribles.

O São Paulo, com espaços maiores que os corretos entre as linhas do meio e da defesa, falhou na cobertura e ficou pressionado.

A apresentação do sistema defensivo foi muito fraca.

Outras três ou quatro intervenções de Rogério Ceni impediram o Santos de transformar a superioridade em gols.

Após o intervalo, o confronto seguiu na mesma toada.

O time de Enderson Moreira foi, como diz no futebolês, mais ‘agudo’ e veloz.

Ricardo Oliveira recuou, muitas vezes, para ajudar o meio de campo na marcação e permitiu que Robinho e Lucas Lima, ou um deles, ficassem adiantados, pois são rápidos.

O São Paulo, pelas características dos jogadores, tende a trocar maior quantidade de passes,  por isso precisa acertar a transição da defesa ao ataque para manter a bola enquanto procura espaços no sistema defensivo de quem enfrenta.

Quando conseguiu levar a bola para a meia,  abriu lacunas e sofreu com os contra-ataques.

E na hora que ficou acuado, não foi capaz de contra-atacar.

Trocas

Aos 14, Muricy trocou Ewandro por Pato.

O jovem caiu de rendimento quando o meio de campo do São Paulo piorou. A bola não chegou até ele, apesar de se mexer no intuito de recebê-la. Pato jogou pelos lados, não de centroavante como no confronto diante do Capivariano, quando fez 3 gols.

E não fez nada digno de elogios.

Aos 28, Enderson Moreira colocou Marquinhos Gabriel no lugar de Ricardo Oliveira.

Foi uma alteração tática, inteligente, pois Robinho passou a ser o falso centroavante e o Santos aumentou a velocidade do contra-ataque. Havia muito espaço para esses lances.

Aos 34, Luis Fabiano, mal no jogo, saiu e Alan Kardec entrou.

Logo em seguida Enderson cometeu o equívoco ao substituir Lucas Lima por Elano.

O Santos não precisava de articulação no meio de campo. Criava chances de gol, não havia corrido risco algum depois do intervalo, e precisava apenas superar Rogério Ceni, que tinha deito outras defesas difíceis.

Com Elano no lugar de Lucas Lima, perdeu velocidade, que era principal virtude do time com enormes lacunas para contra-atacar, e ganhou capacidade de manutenção de bola.

Depois da alteração, viu Geuvânio, noutro lance individual, levar perigo e nada mais.

Lucas Crispim, aos 43, entrou na vaga do cansado Robinho.

Impressão dos torcedores

Desconfio que o torcedor do Santos terminou o clássico lamentando o monte de gols perdidos.

E que o do São Paulo pensou no confronto da próxima semana diante do Corinthians e ficou preocupado com o futebol ruim do time.

Participaram do jogo

Santos - Vanderlei; Victor Ferraz, David Braz, Werley e Chiquinho; Alison e Renato; Geuvânio, Lucas Lima (Elano) e Robinho (Lucas Crispim); Ricardo Oliveira (Marquinhos Gabriel). Técnico: Enderson Moreira

São Paulo - Rogério Ceni; Bruno, Rafael Toloi, Lucão e Reinaldo; Denilson, Souza, Paulo Henrique Ganso e Michel Bastos; Ewandro (Pato) e Luis Fabiano (Alan Kardec).Técnico: Muricy Ramalho

Árbitro: Leandro Bizzio Marinho - Auxiliares: Daniel Paulo Ziolli e Rafael Tadeu Alves de Souza

Escrito por Vitor Birner às 0:54 Vitor Birner 205 Comentários