3 mai

Peixe mereceu ser campeão; Palmeiras evoluiu durante o Estadual

Paulistinha

De Vitor Birner

Santos 2×1 Palmeiras 

Felicito a nação santista pela merecida conquista do estadual.

O título, em si, não agrega muito valor à enorme galeria de troféus importantíssimos do Peixe, mas premia o time pelo que realizou ao longo do campeonato muito chato na fase de grupos e interessante das semifinais em diante.

Contra os clubes grandes mostrou competitividade.

Perdeu apenas um jogo contra eles, especificamente quando Robinho não pôde atuar.

Apesar de Lucas Lima ser o ‘motor’ do meio de campo, Ricardo Oliveira o artilheiro de admirável técnica, inteligente e capaz de fazer belos gols, de Geuvânio e mais alguns se destacarem, o maior ídolo no elenco foi o principal jogador da campanha vitoriosa.

Não digo isso por questão técnica.

Com ele, a equipe ficou mais inteligente e muitos jogadores, como Lucas Lima, Ricardo Oliveira e Geuvânio, renderam mais.

A direção tem que renovar os contratos dos citados (já acertou com o centroavante) e buscar reforços.

Não pode desperdiçar a preparação feita por Marcelo Fernandes durante o paulistinha.

O campeão paulista será mais exigido no Brasileirão.

O Palmeiras, apesar da derrota, deve olhar de maneira positiva para o que fez.

Iniciou do ‘zero’ a formação do time e evoluiu ao longo do paulistinha.

Compare as exibições no primeiro clássico, quando perdeu do Corinthians, com as apresentações diante das agremiações de Parque São Jorge e da Vila Belmiro no mata-mata.

A perda da série alternada de pênaltis, se levarmos em conta o estágio de preparação palmeirense, não deve ser levada em conta na avaliação campanha.

Melhor com todos em campo

O Santos venceu com facilidade o 1° tempo.

Ganhou o duelo psicológico porque o Alviverde transformou a garra em tensão e não em concentração.

Foi superior na parte tática por atuar mais compactado no meio de campo, onde ambos os times se propuseram a iniciar a marcação, e por causa da inteligência de Robinho ao se deslocar para receber os passes e ajudar na criação.

Enquanto jogaram completos, apenas o o Alviverde falhou nos desarmes.

Errou ao fazer a linha de impedimento no gol de David Braz.

E deixou um enorme buraco no meio de campo, para Ricardo Oliveira, após o ‘chutão’ de Vladimir e a ajeitada de Robinho – autor das duas assistências – com raça, sorte e técnica ficar em frente ao Fernando Prass, chutar no canto e comemorar o 2×0.

Dudu ou nenhum deles

Aos 45 minutos, no lance de falta que o Palmeiras cruzaria na área, Dudu disputou com Geuvãnio a melhor posição para receber ou interceptar, cada qual com seu objetivo, o lançamento e foram expulsos.

O palmeirense, mais irritado desde o início do jogo, foi um pouco agressivo.

Ele tinha amarelo e quem quiser tem argumentos discutir se merecia outro.

Eu, no lugar de Guilherme Ceretta de Lima, não puniria o meia-atacante.

Geuvânio não fez nada sequer para receber o cartão de advertência.

A exclusão do santista foi de fato injusta; a do palestrino depende de interpretação.

Dudu perdeu a cabeça e empurrou o árbitro depois do cartão vermelho.

Palmeiras manda até empatar

O Alviverde adiantou o sistema de marcação e controlou o meio de campo após os times retornarem do intervalo.

Oswaldo de Oliveira aproveitou as expulsões para ganhar o duelo tático contra Marcelo Fernandes.

O Peixe jogou no 4-2-3-1, com Geuvânio, na direita, Robinho, do outro lado, e Lucas Lima entre eles para ajudá-los na criação.

A saída do atleta revelado no Santos diminuiu a possibilidade de o time da Vila Belmiro ter sempre alguém para atacar naquela região do gramado.

Apenas quando Robinho foi para lá houve tal opção.

Por isso Zé Roberto pôde ‘abandonar’ a lateral e se transformar noutro atleta de criação no meio.

O Alviverde passou a ficar mais com a bola no campo de ataque.

Aos 9, Cleiton Xavier, por opção de Oswaldo de Oliveira, entrou no lugar de Robinho; Werley se machucou e Gustavo Henrique foi para o campo.

O Palmeiras fez o gol na assistência do apagado Valdívia, que acertou belo lançamento para Lucas.

Ricardo Oliveira se equivocou ao permitir que o lateral se antecipasse e ficasse de frente para o Vladimir.

Dúvidas no lance do gol

Houve o revezamento do centroavante com o Robinho na marcação ou o ídolo da torcida parou e o especialista em fazer gols foi ajudar a defesa por isso?   .

Robinho trocou de lado em alguns momentos para aproveitar as lacunas que Zé Roberto supostamente abriu –  havia dois zagueiros e o Gabriel cuidando da cobertura – e o técnico pediu para centroavante recuar?

O treinador, ciente da condição física do artilheiro que completará 35 anos neste mês, cobraria dele a ida e vinda que exigem velocidade e piques ao longo do gramado para acompanhar o atleta rápido?

Se fez isso, o manteve no jogo ao invés de colocar alguém para marcar lá porque havia possibilidade de o título ser decidido nos pênaltis e se trata de um especialista nestes lances?

De qualquer jeito, um tinha que marcar o lateral – Robinho e Ricardo teriam dificuldades de fazê-lo àquela altura-  e o outro esperar o lançamento para os contra-ataques.

O 4-4-1, com velocidade dos lados (Robinho e Lucas Lima) era o ideal para quem vencia diante da torcida e tinha o resultado favorável.

Cicinho, apesar de ser destro, podia fazer a função de ala na frente do Chiquinho, desde que Marcelo Fernandes abrisse mão de um dos habilidosos veteranos.

Havia mais possibilidades para manter o equilíbrio coletivo.

Conservadores

O Palestra recuou um pouco e o Santos avançou, na mesma medida, após o gol que levaria a decisão para os pênaltis.

O jogo ficou lento e pobre em oportunidades.

Preocupado em não perder o Gabriel, que tinha amarelo e disputou cada lance no limite da força, o treinador trocou o volante titular pelo Amaral.

Oswaldo de Oliveira não teve como evitar a falta de Victor Ramos, outro pendurado, exagerada pela forma, em Valencia.

Era só recolher o pé, em vez de acertar o colombiano com a sola da chuteira, para não ser expulso.

O técnico, obrigado a tirar o Valdívia, aos 34 minutos, para recompor o sistema defensivo, colocou o zagueiro Jackson.

Não havia como deixar o chileno, que pouco se dedica aos desarmes, e ficar com apenas sete atletas marcando.

O Santos ficou até o final no ataque.

Leandrinho e depois Cicinho entraram nos lugares de Valencia e Robinho.

Oportunidades

Quase no final, Vladimir errou ao rebater a cobrança de falta e Amaral, impedido, fez o gol devidamente invalidado.

Em seguida, Ricardo Oliveira ficou cara-a-cara Fernando Prass e o goleiro foi perfeito ao fechar o ângulo e impedir o título santista durante os 90 minutos.

Pênaltis

No início da série de pênaltis, o goleiro do Peixe tentou adivinhar o canto e do Palmeiras esperou para saber onde seria a cobrança antes de pular.

Rafael Marques, como Dudu fez no Allianz Parque, parou durante a corrida, ‘cantou’ o lado e Vladimir fez a alegria dos santistas.

O goleiro ganhou confiança.

Passou a aguardar antes de saltar.

O efeito foi contrário em Fernando Prass.

Ele passou a escolher o lado antes dos chutes.

Vladimir acertou o canto na cobrança de Jackson no travessão.

O goleiro, que poderia evitar o gol de Lucas (não foi um lance simples) e seria criticado se Amaral não houvesse o impedimento de Amaral, encerrou como uma das referências da vitória.

Ficha do jogo  

Santos – Vladimir; Victor Ferraz, David Braz, Werley (Gustavo Henrique) e Chiquinho; Valencia (Leandrinho) e Renato; Geuvânio, Lucas Lima e Robinho (Cicinho); Ricardo Oliveira
Técnico: Marcelo Fernandes

Palmeiras – Fernando Prass; Lucas, Victor Ramos, Vitor Hugo e Zé Roberto; Gabriel (Amaral) e Robinho (Cleiton Xavier); Rafael Marques, Valdivia (Jackson) e Dudu; Leandro Pereira
Técnico: Oswaldo de Oliveira

Árbitro: Guilherme Ceretta de Lima – Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho e Alex Ang Ribeiro

Escrito por Vitor Birner às 22:32 Vitor Birner 2 Comentários

2 mai

Santos x Palmeiras; jogo será melhor com o cantor e compositor Robinho

Coluna no Lance!

De Vitor Birner

Mais oportunidades de gol e futebol na Vila Belmiro

O jogo final do paulistinha será melhor que o anterior.

Na Allianz Arena, o Peixe não contou com Robinho, além de zagueiro e volante titulares, e Marcelo Fernandes foi mais conservador, tal qual fizera no 1° tempo do clássico diante do Corinthians.

Na Vila Belmiro, precisando vencer e com o experiente ídolo em campo, largará o 4-4-2 e voltará ao 4-2-3-1 dos melhores momentos santistas no torneio estadual.

O ex-rei das pedaladas, se tiver condição física ao menos razoável, quase sempre agrega virtudes futebolísticas à equipe.

Até quando atua mal tecnicamente costuma ajudar.

A experiência e rodagem na Europa o tornaram mais competente na parte tática.

Divide a criação com Lucas Lima, tabela com os laterais e pode ser atacante pelos lados. Compreende as necessidades coletivas durante os 90 minutos, inclusive se exigirem que recue as vezes para acompanhar alguns avanços do Lucas, autor da assistência para Leandro Pereira na derrota por 1×0 .

Santos deve ter postura ofensiva e marcar a saída de bola enquanto não fizer gols.

Não há favorito ao título.

O Palmeiras oscila por causa da reformulação, mas evoluiu muito desde janeiro, o astral no CT do clube é ótimo e para os atletas a conquista será especial.

A nação palestrina pode esperar muito emprenho nas dividas e para cumprirem as determinações de Oswaldo de Oliveira.

Qual será a proposta do treinador?

Optará por iniciar nas tentativas de desarmes na área do adversário ou no meio de campo?

Se preferir a marcação mais atrás, poderá recuar Robinho para o lugar de Arouca, colocar Kelvin e ganhar velocidade no contra-ataque.

Dificilmente fará isso com Cleiton Xavier e talvez Valdívia disponíveis.

Aliás, se o chileno jogar veremos a garra que raramente demonstra.

O eventual protagonismo na decisão despertará o imediatismo impulsivo de vários torcedores e haverá pressão para a diretoria a renovar o contrato do meia.
Apenas elogiou

O funk do Robinho, Gabigol e Alison exalta o Santos, não ofende o Palmeiras.

Se houver brigas entre torcedores, nada terão a ver com a brincadeira musical.

Talvez o Alviverde tire proveito, porque o vídeo mexeu com seus jogadores.

Oswaldo de Oliveira pode colocá-lo na preleção.

Se o Palestra for campeão, vale comemorar com uma versão.

Roteiros óbvios

O Atlético conseguirá o superar o forte sistema defensivo da Caldense?

O Botafogo fará isso diante do Vasco?

Eis a questão primordial para a gente imaginar como será o andamento das decisões em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

Enquanto o Galo e Glorioso não marcarem o gol, a Veterana e o Cruz-Maltino irão esperar, contra-atacar e investir nos cruzamentos.

OBS: o post é a reprodução de minha coluna de hoje no Lance!

Escrito por Vitor Birner às 19:59 Vitor Birner 14 Comentários

30 abr

Palmeiras e Sampaio Correa correram muito e mostraram pouco futebol

Copa do Brasil

De Vitor Birner

Sampaio Correa 1×1 Palmeiras

O esforço de quase todos jogadores pode ser elogiado.

Isso não bastou para o duelo do castelão empolgar.

O Alviverde perdeu qualidade individual em algumas posições porque atuou com os reservas, mas o maior problema do time foi a falta de entrosamento.

O maior campeão do torneio estadual do Maranhão, mais ajustado na parte coletiva, empacou nos erros técnicos, principalmente nos passes no campo de ataque.

Creio que s torcedores de ambas as agremiações ficaram satisfeitos.

A arbitragem contribuiu para ficarem irritados.

É muito ruim quando o jogo termina a gente é incapaz de compreender plenamente quais critérios foram adotados para mostrar cartões e marcar faltas.

Não validou o gol de Robert porque marcou o impedimento inexistente dele.

Titulares x reservas

Ambos venceram os jogos de ida nas finais dos seus respectivos torneios estaduais.

O Sampaio Correa decidirá o título um dia antes do Palmeiras.

Oliveira Canindé entrou com os principais jogadores.

E Oswaldo de Olliveira preferiu colocar em campo o time alternativo.

Nenhum deles se equivocou, pois o comandante da Bolívia Querida não tinha outra opção capaz de proporcionar alguma possibilidade da agremiação de torcida fanática, semifinalista na Copa Conmebol de 1998 e campeã das séries B, C e D do Brasileirão em 1972, 1997 e 2012 (invicto nas duas últimas), seguir na Copa do Brasil e eliminar pela primeira vez um adversário paulista na competição.

Esquemas iguais

Os técnicos optaram pelo 4-2-3-1.

O trio de criação do Sampaio Correa contou com Raí e o veloz Pimentinha pelos lados, mais Valber entre eles.

O do Palmeiras teve os rápidos Kelvin e Ryder, abertos, e Alan Patrick no centro.

Robert, o centroavante que outrora defendeu o Alviverde, se mexeu pouco.

Gabriel Jesus, que sonha um dia retribuir a confiança do torcedor palestrino, não parou em nenhum local específico do ataque, apesar de ser o atleta mais adiantado na proposta de Oswaldo de Oliveira, porque tentou se aproximar dos companheiros para tabelar e abrir lacunas no sistema de marcação.

Dificuldades distintas

O principal prejuízo do Alviverde por preferir poupar os titulares foi coletivo e não técnico ( de qualidade individual no trato de bola).

Gabriel Jesus procurou muito os companheiros e eles não o encontraram.

Kelvin fez o mesmo para tentar criar lances de gol.

Faltou coordenação entre eles, Alan Patrick  e Ryder para a correria ser coordenada  se transformar em volume de jogo ofensivo capaz de superar o sistema defensivo do Sampaio Correa.

Nisso, a equipe do Maranhã foi melhor.

Aproveitou os erros de cobertura e de posicionamentos dos lados do sistema defensivo palmeirense para tentar os gols.

As falhas nos passe simples a impediu de ter grande volume de jogo ofensivo e de finalizar em ótima condição.

O maior problema da equipe foi de qualidade técnica na execução dos lances.

O Alviverde falhou na troca de bolas, houve equívocos técnicos, mas a distância entre os seus jogadores foi maior que a correta por causa do desentrosamento.

Gramado pesado

A expressão foi citada pelos palmeirenses na entrevistas.

A grama do Castelão é alta, o que faz a bola correr menos e exige mais força, além de adaptação dos jogadores, ao piso do confronto.

O padrão nos principais estádios onde o Alviverde atua é oposto.

Cortam a grama para deixá-la baixa, rente à terra, e de vez em quando até molham os campos, tudo no intuito de tornarem os jogos mais rápidos. .

Talvez isso tenha sido outra dificuldade do favorito à classificação.

No 1° tempo

Um erro do Palmeiras logo no início do jogo deixou Pimentinha em excelente condição para colocar Robert na cara do gol.

Mas o passe foi ruim.

O cruzamento perfeito de Victor Luis para Renato, livre, na área, furar o cabeceio, e o chute de Airton no travessão foram os lances mais interessantes dos 45 minutos pobres.

Alterações importantes nos gols

Depois do intervalo, Pimentinha driblou Victor Luis na área e de novo falhou no passe para o Robert.

O jogo reiniciou parecido.

Os treinadores, insatisfeitos, tentaram alterar o panorama ruim para ambos.

Cleiton entrou no lugar de Raí e, após 5 minutos, Cristaldo no de Ryder.

O gringo atuou como centroavante.

Gabriel Jesus, além de ajudar o meio de campo na marcação e criação, ficou encarregado de ser atacante pelos lados e de fazer a inversão de funções com ele.

Aos 23, Cristaldo saiu da área, lançou Gabriel Jesus, o goleiro Milton Raphael deu rebote e   o argentino fez 1×0.

Oswaldo de Oliveira colocou André Girotto no lugar de Renato.

Oliveira Canindé optou pela saída de Moises para Robson Simplíco entrar.

O Sampaio Correa igualou aos 41 quando o substituto fez bonito lance na direita e cruzou com perfeição para o baixinho Cleiton, livre, na pequena área, de cabeça, empatar.

O jogo foi equilibrado e o empate, se não houvesse a arbitragem, seria aceito por todos jogadores e treinadores.

Houve lance pontuais e discutíveis

No gol do Sampaio Correa, fiquei com a impressão que bola a tocou no braço do autor porque ele errou o cabeceio.

De qualquer jeito, gol corretamente validado apesar do padrão do neo-futebol em alguns momentos e das jogadas com falhas parecidas serem invalidas.

Antes de o Sampaio Correa igualar, Robert fez o gol que não foi validado porque o auxiliar, de forma errada, deu impedimento.

O atacante continuou a jogada após ser paralisada, acho, porque não ouviu a determinação do árbitro.

Se escutou, merecia a expulsão de acordo com o critério adotado no jogo.

Cristaldo havia tomado o cartão amarelo, pouco antes, em lance parecido, mas na qual foi possível ter convicção que sabia da decisão do árbitro e que pretendia fazer o tempo passar porque o placar favorecia.

Noutro, ele colocou a mão na bola, de propósito, e o árbitro deu sequência, acho, porque não notou.

Tinha que mostrar o cartão vermelho ao hermano.

No 1° tempo, Moises fez o típico ‘pênalti brasileiro’ em Renato.

O torneio é promovido pela CBF e o árbitro poderia soprar a infração duvidosa.

Como o gol de Robert foi o único lance, de todos citados, que não dependia do critério supostamente dúbio, fiquei com a impressão que o Sampaio Correa ficará mais irritado com a arbitragem ao acompanhar a repetição do jogo.

Ficha do jogo

Sampaio Correa – Milton Raphael; Daniel Damião, Luiz Otávio, Edvânio e Wilian Simões; Moisés (Robson Simplício), Diones; Raí (Cleitinho), Válber e Pimentinha; Robert (Edgar)
Técnico: Oliveira Canindé

Palmeiras – Jailson; Ayrton, Tobio, Jackson e Victor Luis; Amaral e Renato (Andrei Girotto); Kelvin (Juninho), Alan Patrick e Ryder (Cristaldo); Gabriel Jesus
Técnico: Oswaldo de Oliveira

Árbitro: Antonio Dib Moraes de Sousa (PI) – Assistentes: Rogério de Oliveira Braga e Francisco Nurisman Machado Gaspar

 

Escrito por Vitor Birner às 3:02 Vitor Birner 65 Comentários

28 abr

Guerrero corneta os rivais, promete título e contribui para melhorar o futebol

Coluna no Lance!

De Vitor Birner

“Demonstramos quem é o maior”, escreveu Centuríón, no twitter, após o São Paulo vencer o Majestoso.

Guerrero tratou o post do argentino como piada: “Eu não quero dar risada agora”, falou.

O peruano desdenhou do hermano e da eliminação contra o Palmeiras; “A gente gosta de campeonato grande (Libertadores), coisas maiores. Não isso”, afirmou.

Tais provocações esportivas e desprovidas de ódio são ótimos antídotos para o cansativo mau humor do nosso futebol lotado de entrevistas repetitivas, geladas e politicamente corretas.

Os gringos acertaram o chute de trivela, no ângulo, contra os discursos robotizados, previsíveis e interessantes para quem deseja o clima menos feliz fora de campo.

Jogos de ‘apenas’ 90 minutos são um fracasso. Naquela hora e meia a gente sabe qual é o resultado do que o torcedor começou a viver alguns dias antes, e talvez continue sentindo depois. Quando o pré e o pós bola rolando perdem vida, a emoção míngua e todos nós somos derrotados.

A afirmação de Guerrero não apagou o que as nações palestrina e corintiana sentiram ao ver Fernando Prass defender as cobranças de pênaltis de Elias e Petros. .

Perder ou ganhar o paulistinha é o de menos. O impacto do primeiro tropeço histórico do Alvinegro em Itaquera, no clássico, mexeu com os apaixonados pelas agremiações.

Alguém duvida que os comandados de Tite entrarão em campo no próximo Dérbi querendo dar o troco?

Tudo isso estimula a rivalidade futebolística saudável e essencial Nada tem a ver com a mortal violência e os rancores pessoais carregados de preconceito entre estranhos que amam mantos sagrados de cores distintas.

“Podem ficar tranquilos que vamos demonstrar que somos o melhor time do Brasil ”, garantiu o atacante.

Noutras palavras, prometeu conquistar a Libertadores e (ou) o Brasileirão.

Imprensa e rivais lembrarão disso.

Precisa renovar o contrato para ser campeão nacional.

O post é a reprodução de minha coluna no Lance!

 

Escrito por Vitor Birner às 15:38 Vitor Birner 83 Comentários

26 abr

Palmeiras venceu o Santos; times jogaram menos que podem e árbitro foi o protagonista

Análise de jogos, Paulistinha

De Vitor Birner

Palmeiras 1×0 Santos

Os sistemas de marcação foram consistentes na maior parte do jogo.

Ambos os times merecem elogios pelo empenho em todos os lances e disciplina no cumprimento das funções táticas básicas determinadas pelos treinadores.

Na parte técnica, a decisão foi pobre.

Dribles foram raridades e os jogadores finalizaram mal os poucos lances que criaram.

O único momento digno de destaque, além, do gol,  foi o toque de calcanhar do Dudu, que colocou Rafael Marques em interessante condição para chutar.

O palmeirense demorou demais para chutar e pediu pênalti de Geuvãnio.

Essa foi apenas uma das várias polêmicas de arbitragem (comentei todas na sequência do post).

O Alviverde mereceu ganhar.

Poderia ter feito mais gols se Dudu não desperdiçasse uma penalidade, ou se ele e os companheiros arrumassem utilidade funcional para o fato de atuarem com um jogador a mais que o adversário depois de Paulo Ricardo ter sido expulso.

Curiosamente, o Santos melhorou e o Alviverde piorou após a exclusão do zagueiro.

O resultado de 1×0 facilita a missão do Palmeiras, mas não o torna favorito ao título.

A torcida dos santistas é pela recuperação de Robinho.

Eles não puderam jogar.

O Santos sentiu muito a falta de Robinho.

Prejuízo maior do Peixe

Valdívia e Robinho não puderam jogar.

O chileno oscila muito. Se atuasse num dia de inspiração, teria contribuído para o Palmeiras criar oportunidades pelo centro do campo.

Robinho é mais regular e exerce maior quantidade de funções.

Se mexe pelo gramado para ajudar Lucas Lima na criação, exerce tanto a função de meia quanto de atacante pelos lados, tem leitura de jogo e orienta os companheiros para se adaptarem às necessidades dos confrontos, se identifica com o manto sagrado onde construiu currículo vencedor, além de ser acionado nos contra-ataques.

A ausência do santista teve muito mais impacto que a do palmeirense para seus respectivos times.

No meio de campo

Ambos os times marcaram de maneira competente na região central do gramado.

O Alviverde, com Rafael Marques, Robinho e Dudu na meia, dois deles abertos para os lances de velocidade, e o volante Arouca participando da criação, chegou mais vezes na frente e sempre pelos lados.

Por isso os laterais Lucas e Zé Roberto tiveram que apoiar.

No Peixe, os jogadores dessa posição avançaram menos.

Lucas Lima tentou, em vão, ditar o ritmo do clássico.

Geuvãnio e Chiquinho, pelos lados da meia e do ataque, perderam os duelos para o sistema defensivo palestrino.

O Santos, após iniciar marcando a saída de jogo, recuou.

Preferiu tentar os desarmes na linha que divide o gramado e criar as lacunas para tentar os lançamentos longos ao Ricardo Oliveira.

Os finalistas do paulistinha atuaram em quase todo clássico.

Melhorou com Cleiton Xavier

Arouca se machucou no início do 1° tempo. Insistiu para continuar e após o lançamento longo desabou no campo com dor, aparentemente, no joelho.

Oswaldo de Oliveira o trocou por Cleiton Xavier.

Os minutos seguintes foram os melhores da equipe.

Ficou mais no campo de ataque e cruzou algumas vezes na área santista.

Gol legítimo no neo-futebol

Aos 28, Cleiton Xavier tocou para Lucas. Robinho, impedido, abriu as pernas e deixou a bola para o lateral-direito cruzar.

Leandro Pereira, atento, correu até a área antes da zaga e ficou em condição perfeita para receber o cruzamento e fazer o gol da vitória.

No futebol tradicional, o lance foi irregular.

E no neo-futebol, o de hoje, legítimo.

Apesar de os ex-árbitros que comentam na televisão falarem sobre interferência ou intenção de quem não toca na bola em participar da jogada, as determinações da Fifa quase sempre são colocadas em prática doutra forma.

Apenas quem recebe o passe, lançamento ou cruzamentos e tem contato com bola fica impedido.

Robinho poderia sair dela, mas abriu as pernas para enganar os marcadores.

Não tocou nela, por isso o lance foi normal de acordo com o padrão do neo-futebol.

Antes de a Fifa mexer na regra (foi alterada por causa das recomendações da entidade, apesar da manutenção do texto base), seria marcado o impedimento assim que ela foi em direção ao Robinho.

Os auxiliares sequer precisavam, antes, aguardar para ver aonde ele iria.

Houve apenas o pênalti?

Dudu, graças ao bonito toque de calcanhar, colocou Rafael Marques, na área, em condição de chutar e aumentar o resultado.

O meia-atacante demorou para bater em gol e caiu quando Geuvânio chegou para marcá-lo.

Foi o típico lance no qual vários árbitros daqui marcam aquilo que chamo de ‘pênalti brasileiro’.

Na Inglaterra, Alemanha e Itália, a opinião pública trataria como erro, se fosse assinalado, e provavelmente a jogada nem viraria pauta de longos debates sobre o jogo.

Na Espanha, onde o rigor é um pouco maior, o árbitro seria reprovado se interpretasse como infração, porém haveria mais discussões a respeito do lance.

No Brasil, não há o critério linear para a gente saber se foi ou não pênalti.

A quantidade de jogos onde alguns assim são marcados é muito maior que noutros países.

Eu prefiro o critério tradicional, comum, e mandaria o lance seguir como Vinicius Furlan fez.

Mas o que eu acho não tem relevância alguma neste caso.

Importa o padrão do apito ao longo da competição.

Como é dúbio, fica impossível afirmar o que o árbitro deveria fazer,

Duas intervenções

Um chute de Ricardo Oliveira, após receber lançamento longo, de fora da área, e outro de Lucas Lima, em cobrança de falta, obrigaram Fernando Prass a intervir, com tranquilidade, durante os 45 minutos iniciais.

Por isso Marcelo Oliveira, expulso junto de Oswaldo de Oliveira por invadir o gramado e reclamar com o árbitro durante o intervalo,  pediu para o Santos retornar  marcando a saída de jogo.

O Peixe ficou mais tempo na frente e não criou nada.

O avanço do sistema defensivo abriu o vão entre a primeira linha de marcação (a dos zagueiros ) e o goleiro Vladimir.

O Palmeiras passou a ter como investir nos contra-ataques.

Pênalti, sim

Em um deles, Leandro Pereira recebeu o lançamento mano-a-mano contra o jovem Paulo Ricardo.

Eles apostaram corrida.

No início do lance, um segurou o outro.

Na sequência, para impedir o centroavante de ficar à frente e finalizar cara-a-cara com Vladimir, o zagueiro continuou e o centroavante caiu dentro da área.

O árbitro deu pênalti.

Acertou nisso e, muito confuso, se equivocou ao mostrar o cartão vermelho para David Braz, que não participou da jogada.

Foi corrigido pelo auxiliar e excluiu ‘apenas’ o autor do pênalti.

Não discordei da cor da tarjeta.

Dudu 0×1 Vladimir

Robinho, Cleiton Xavier e Zé Roberto são experientes.

O treinador poderia pedir para um deles cobrar o pênalti.

Os dois primeiros são especialistas nas finalizações.

Mas permitiu ao Dudu encarar o Vladimir.

O meia-atacante, quando reparou que o goleiro esperou para saber onde iria chutar, titubeou na hora de correr para cobrar.

Notou que o rival acertaria o canto, optou por bater forte e alto, pegou embaixo e ela bateu no travessão.

Acho que o gol alteraria o andamento do confronto.

Santos melhorou com 10 jogadores

O Peixe recuou e esperou oportunidades de contra-atacar.

Formou duas linhas de quatro jogadores no meio e na defesa. Ricardo Oliveira ficou na frente aguardando os lançamentos.

O Palmeiras, com um a mais, tinha obrigação de crescer.

Jogou na Arena lotada por seus torcedores e poderia, finalmente, ter amplo controle do meio de campo.

Mas não criou uma oportunidade sequer depois do pênalti.

E pior;

Dudu perdeu a bola no ataque e Lucas Lima lançou Ricardo Oliveira.

O centroavante ficou de frente para o Fernando Prass, demorou um segundo a mais que o possível para finalizar, e Vitor Hugo conseguiu chegar em tempo de dar o carrinho perfeito, apenas na bola, e travar o chute.

O próprio Vitor Hugo, após cobrança de escanteio, aos 41, cabeceou para fora e proporcionou a única emoção palmeirense até o último minuto.

Antes, Jubal, aos 14, entrou no lugar de Victor Ferraz, Gabriel Jesus, aos 22, no de Leandro Pereira, ‘Gabigol’, 34, no de Geuvânio, e Kelvin, em seguida, no de Robinho.

Oswaldo de Oliveira tentou aumentar a velocidade do sistema ofensivo ao colocar dois atletas rápidos e que gostam de driblar, mas o time não melhorou.

O Peixe marcou direito e perdeu pelo placar mínimo.

Palmeiras teve oportunidade para decidir

Lógico que os palestrinos ficaram mais felizes que os santistas com o resultado.

Os alviverdes que acrescentaram doses de racionalidade à felicidade que sentiram na vitória sabem que o andamento do clássico favoreceu para o time obter resultado melhor.

A tendência, se Dudu fizesse 2×0, era de o Santos ficar irritado, errar, perder a concentração, sair de trás e facilitar para o Palmeiras fazer outros gols.

O jogador a mais, inclusive depois do chute na trave, deveria ter se transformado em volume de jogo ofensivo.

Os santistas sabem disso e pelo mesmo motivo creio que encontraram algo positivo na derrota.

Precisam torcer para a plena recuperação de Robinho.

Lembro que times em formação oscilam.

Ambos se enquadram neste perfil.

O Alviverde muito mais, pois iniciou do ‘zero’ em janeiro.

Isso dificulta muito qualquer prognóstico.

A decisão do estadual continua aberta e imprevisível.

Ficha do jogo

Palmeiras – Fernando Prass; Lucas, Victor Ramos, Vitor Hugo e Zé Roberto; Arouca (Cleiton Xavier) e Gabriel; Dudu, Robinho (Kelvin) e Rafael Marques; Leandro Pereira.
Técnico: Oswaldo de Oliveira

Santos – Vladimir; Victor Ferraz (Jubal), Paulo Ricardo, David Braz e Cicinho; Lucas Otávio, Renato, Lucas Lima e Chiquinho; Geuvânio (Gabriel) e Ricardo Oliveira (Leandrinho)
Técnico: Marcelo Fernandes

Árbitro: Vinicius Furlan – Auxiliares: Carlos Augusto Nogueira Junior e Anderson Jose de Moraes Coelho

Escrito por Vitor Birner às 23:42 Vitor Birner 70 Comentários

23 abr

São Paulo raçudo sobrou contra o apático Corinthians; Majestoso teve erros de Emerson Sheik, Luís Fabiano e do árbitro

Análise de jogos, Copa Libertadores

De Vitor Birner

São Paulo 2×0 Corinthians

O São Paulo jogou com raça.

A forma como foi colocada em prática a proposta tática foi alterada.

O Corinthians apático, desconcentrado, cometeu muitos erros técnicos e alguns coletivos.

A expulsão tola de Emerson Sheik completou o pacote de problemas do time no Majestoso.

O São Paulo foi muito superior durante os 90 minutos e se impôs com facilidade.

Administrou o resultado após fazer 2×0.

Perdeu Luis Fabiano por causa do destempero do funcionário.

Sandro Meira Ricci acertou na cor do cartão para o centroavante e errou ao tirar o Mendoza, junto do rival, do clássico.

O vermelho para o Emerson Sheik foi questão de critério do neo-futebol.

As agremiações mereceram, nas colocações que terminaram, a classificação para a próxima fase da Libertadores.

Raça x Apatia

A forma como o time do Morumbi perdeu a estreia da Libertadores para o Corinthians, desencadeou a crise na qual o elenco mergulhou e continua.

Isso não acontecerá com o Alvinegro porque já provou ser competitivo.

A forma como jogou o Majestoso ou foi prepotente, como se acreditasse que venceria de qualquer forma, ou displicente.

E o São Paulo, raçudo, ganhou com muita tranquilidade.

Todos os jogadores entrevistados ressaltaram isso.

Muitos ressaltaram nas entrevistas o aumento da dedicação.

Inclusive Rogério Ceni, Michel Bastos, Hudson, Souza e outros que nunca foram acomodados em campo.

Isso é uma admissão que a postura da equipe não era sempre de respeito ao manto sagrado vermelho, preto e branco tricampeão da América.

Contra o San Lorenzo e o Danubio ficaram devendo futebol e não empenho.

Motivados pela necessidade de classificação, quebra do tabu no estádio, encerramento do jejum nos clássicos e cobranças justas ( na medida, técnicas e desprovidas de sensacionalismo), devolveram o placar de 2×0 em Itaquera e a facilidade de controle do primeiro ao último minuto.

O Corinthians, garantido na fase seguinte, tinha razão para entrar pilhado.

Teria sido um fato histórico a muito prazeroso aos seus milhões de torcedores o feito de eliminar o adversário na única Libertadores que se enfrentaram.

Correção fundamental

O rival do Guarani-Par nas oitavas-de-final, repetiu a proposta de sucesso.

Jadson na direita, Sheik do outro lado e Renato Augusto entre eles no trio de criação com Ralf e Elias atrás. O 4-2-3-1 com ‘flutuação ao 4-1-4-1 quando o atleta da seleção nacional avança.

Os laterais e zagueiros titulares atuaram e Vagner Love ocupou o lugar de Guerrero.

O São Paulo, como diante de Santos e Danubio, formou o 4-3-2-1.

Os volantes Denilson, centralizado, e Hudson e Souza pelos lados; Michel Bastos, de novo o melhor em campo, e Ganso na meia, mais Luis Fabiano no ataque.

Nos jogos anteriores, a equipe não marcou a saída de bola e foi obrigada pelas circunstâncias durante os 90 minutos que fizeram Michel Bastos recuar para formar o modorrento 4-4-1-1.

O esquema pode ser vencedor se tiver velocidade quando recupera a bola. Com o trio de volantes, meia que não investe em dribles na vertical, e apenas um na frente, é inviável.

O time de Rogério Ceni marcou no ataque e com intensidade.

Ganso e Luis Fabiano realmente se dedicaram nisso, o que facilitou opara quem jogou no meio e na defesa.

O êxito aumentou a quantidade de cruzamentos, jogadores no campo de ataque para entrar na área e aproveitá-los, como os volantes, e de finalizações.

Os desarmes nas laterais e principalmente na jogada por cima foram as maiores dificuldades corintianas até nas melhores apresentações.

Era óbvio que os são-paulinos precisavam investir nisso.

Dória, logo no início, cabeceou livre e perdeu grande oportunidade.

Luis Fabiano desperdiçou outra,ambas do lado direito da defesa.

Emerson foi irresponsável

No futebol de antigamente, agressões leves fora da disputa de bola eram punidas com cartão amarelo.

Depois da ‘bigbrotherização’ promovida pela tecnologia de imagens, ela passaram a terminar em cartão vermelho.

As pessoas tinham uma ideia distante da dinâmica sobre a realidade da dinâmica de jogo e quando viram ficaram indignadas com lances normais para os boleiros.

Como no mundo de hoje quase tudo lamentavelmente é tratado como negócio, a grita forçou a rigidez –  não gosto e chamo de neo-futebol – dos critérios.

O experiente Emerson Sheik tem ampla noção disso.

Não poderia cair na provocação de Rafael Toloi e derrubá-lo.

O zagueiro valorizou e interpretou a dor que não sentiu.

Deve ter se lembrado do Choque-Rei, quando fez igual com Dudu e acabou sendo excluído.

Renato Augusto foi jogar aberto, em frente ao Uendel, e meio de campo de Tite ficou distante de Vagner Love, apesar de o centroavante se mexer pelo gramado para tentar ser opção de passe.

Gols e muita facilidade

A perda de um atleta potencializou a superioridade do São Paulo.

Noutro cruzamento torto de Reinaldo, a bola foi desviada por Ganso, Hudson ‘espanou’ o arremate, ela tocou no braço de Uendel (marcam pênaltis por isso no neo-futebol) e Luis Fabiano, livre, fez o gol.

O placar favorável agregou tranquilidade e confiança ao time.

O efeito no rival foi oposto. Irritados, ou por discordarem do companheiro ou de quem o excluiu, perderam mais a concentração.

E deram a brecha que Michel Bastos precisava para chutar de fora da área, sua maior especialidade, e ampliar o resultado.

A bola quicou em frente ao Cassio. Era possível a intervenção do goleiro. Foi, sim, uma falha, mas não grande.

Como se diz no futebolês, era chute que o grande goleiro em dia inspirado pegaria.

Ricci, Mendoza, Luis Fabiano, Elias e Centurión 

O jogo ‘acabou’ no 2×0.

O São Paulo ficou trocando passes e o Corinthians aceitou a ideia.

Houve uma oportunidade, do Denilson, que acertou a trave.

Na prática quase ninguém mostrou ambição de alterar o resultado.

Luis Fabiano talvez fosse uma exceção.

Explosivo por nada e provocador para nada, empurrou Mendoza – entrara no lugar de Vagner Love para aumentar a velocidade do contra-ataque -, com o colombiano de costas, fora do campo e quase foi agredido.

Fez o teatro, apesar de não ter sido atingido, e se jogou na grama.

Ambos mereciam o amarelo.

O constantemente expulso tinha sido punido cerca de dois ou três minutos antes com o cartão.

Sandro Meira Ricci tirou o vermelho do bolso e mostrou para eles.

Falhou porque apenas o mais experiente deveria ser retirado do jogo.

Outro entrevero aconteceu com Centurión e Elias.

O argentino entrou – Denilson saiu – e junto com ele a milonga, catimba e capacidade de provocar tão tradicionais na cultura do esporte hermano.

Driblou para os lados e passou o pé em cima de bola para tirar alguém do sério.

Elias deu uma pancada no rival, levou o amarelo, falou algo para o rival em outra jogada e o árbitro foi falar com o volante para evitar de expulsá-lo se aquilo continuasse.

As trocas de Jadson por Bruno Henrique, e de Hudson e Michel Bastos por Rodrigo caio e Thiago Mendes, não alteraram o andamento do Majestoso.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Bruno, Toloi, Dória e Reinaldo; Hudson (Rodrigo Caio), Souza e Denílson (Centurión); Michel Bastos (Thiago Mendes) e PH Ganso; Luís Fabiano
Treinador: Mílton Cruz

Corinthians – Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Ralf; Elias, Jadson (Bruno Henrique), Renato Augusto (Danilo) e Emerson Sheik; Vagner Love (Mendoza).
Treinador: Tite

Árbitro: Sandro Meira Ricci – Assistentes: Fabrício Vilarinho da Silva e Fábio Pereira

 

Escrito por Vitor Birner às 3:59 Vitor Birner 293 Comentários

22 abr

Rafael Carioca é o herói da vez na classificação do Atlético-MG

Análise de jogos, Copa Libertadores

De Vitor Birner 

Atlético MG 2×0 Colo Colo 

É um clichê dizer que o Atlético de novo conseguiu o resultado de maneira dramática.

Mas não há melhor maneira para resumir como foi a classificação.

O time deu a impressão que tornaria fácil a missão.

Foi muito superior no 1° tempo.

Caiu de rendimento após o intervalo, perdeu pênalti e quando o jogo ficou complicado, Rafael Carioca garantiu o time na fase seguinte com um golaço.

Precisa melhorar e manter a regularidade para ser campeão.

Isso o treinador e os jogadores tentarão solucionar mais para frente.

Hoje é dia de festa para eles e a nação atleticana.

Galo mereceu o lugar na próxima fase da Libertadores.

Baile tático e técnico

Héctor Tapia formou o Colo Colo com Cáceres, Barroso e Vilches na zaga.

Tentou formar uma parede na frente deles com Esteban Pavez, Fierro, Baeza como volantes, além de Rodriguéz e Luiz Pavez nas alas.

O 3-5-1-1 deveria ter Emilino Vecchio na meia e Paredes no ataque.

O time não conseguiu trocar passes no campo de ataque e o teoricamente responsável pela criação foi obrigado a tentar ajudar na marcação.

O Galo mandou marcou na área dos chilenos para tornar o jogo intenso.

Levir Culpi montou o time ofensivo

Luan, na direita, Carlos do outro lado, e Guilherme entre eles ganharam a companhia de Dátolo na meia.

O argentino precisaria ser o parceiro do volante Rafael Carioca, mas como não tinha quem marcar, participou mais da criação.

Pelo mesmo motivo, os laterais Patric e Douglas puderam apoiar simultaneamente.

Jemerson e Edcarlos ficaram de olho em Paredes, o atacante que ficou isolado do restante da equipe. Douglas ou Rafael Carioca, se Levir fosse precavido, podiam ajudar os zagueiros.

O escolhido para o lugar de Marcos Rocha deu a assistência do gol de Lucas Pratto.

Apesar do monte de atletas congestionando a entrada da área, o lateral-direito encontrou a brecha para o importante passe.

Ao ver que os chilenos ficaram perdidos, o sistema ofensivo do Atlético, provavelmente instruído por Levir Culpi, passou a jogar de maneira ainda mais contundente.

Luan, Guilherme e Carlos, quando a equipe tinha a bola no ataque, se revezaram nos avanços para a linha de Lucas Pratto.

Formaram o trio na frente para a zaga chilena, com número igual de jogadores, ficar mano-a-mano com eles.

Hector Tapia não pediu para alguém recuar e fazer a sobra, e até o intervalo o Atlético mandou no jogo.

Mexida inteligente

Depois, o treinador trocou o inexperiente ala L Pavez pelo atacante Felipe Flores.

O reserva jogou na avenida que Patric abriu quando apoiou.

O confronto ficou equilibrado.

No contra-ataque ele assustou o sistema de marcação atleticano.

Golaço na hora mais difícil

Quando o andamento do jogo era ruim para o Galo, Luan sofreu o pênalti de Garcés.

O goleiro tocou na bola no chute de Guilherme, ela bateu na trave e na cabeça dele antes de o zagueiro tirá-la.

Teve sorte e competência para não tomar o gol.

Maicossuel foi para o jogo no lugar de Carlos.

O Galo, apesar de equilibrar o confronto, caiu de rendimento na parte física.

Perdeu força na marcação da saída de jogo e ficou mais estático na hora de tentar criar os lances de gol.

Tinha que fazer outro para seguir na Libertadores.

Rafael Carioca resolveu isso com um golaço fora da área.

Chutou forte, no ângulo, onde não havia como o goleiro intervir.

Dali em diante cumpriu o protocolo tal qual o necessário.

Não permitiu ao Colo Colo entrar na área de Victor com a bola na grama.

Por cima, ganhou todas as disputas.

Demorou para cobrar cada falta, lateral e tiro de meta.

E Levir trocou Luan e Guilherme por Danilo Pires e Eduardo.

Indiscutível

A confusa arbitragem, apesar dos equívocos prejudiciais para ambos os times, foi pior para o Atlético.

Houve um pênalti de Barroso em Lucas Pratto alguns minutos após Guilherme falhar na cobrança.

Galo mereceu o resultado.

A vitória foi gerada apenas pelos acertos e erros dos times.

Por isso não nada a se questionar na classificação.

Ficha do jogo

Atlético MG – Victor; Patric, Edcarlos, Jemerson e Douglas Santos; Rafael Carioca; Luan (Danilo Pires), Dátolo, Guilherme (Eduardo) e Carlos (Maicosuel); Lucas Pratto
Técnico: Levir Culpi

Colo Colo – Garcés; Vilches, Barroso e Cáceres; Fierro, Rodriguez, Baeza, Esteban Pavez e Luis Pavez (Felipe Flores); Vecchio (Bryan Carvalho); Paredes
Técnico: Héctor Tapia

Árbitro: Carlos Vera (EQU) – Assistentes: Christian Lescano e Carlos Herrera

Escrito por Vitor Birner às 22:55 Vitor Birner 5 Comentários

20 abr

Palmeiras é o 1° time da história a eliminar o Corinthians na Arena em Itaquera; Dérbi foi o melhor jogo do campeonato

Birnadas, Paulistinha

De Vitor Birner

Corinthians 2×2 Palmeiras 

O futebol decidiu de novo mostrar o sorriso cínico para o Alvinegro e abraçar o Alviverde no Dérbi.

Não encerrou a invencibilidade do melhor time brasileiro, até o momento, na temporada, mas impôs a ele a amarga eliminação no estadual.

O Palmeiras, que noutros tempos ganhou a fama de algoz do Corinthians.

Impediu a quebra do jejum de títulos corintianos em 74.

Eliminou o rival nos mata-matas de Libertadores e escreveu em letras enormes chamativas na história o São Marcos no duelo contra Marcelo Carioca numa cobrança de pênalti.

Agora foi o 1° time a fazer os corintianos sentirem como é a eliminação na Arena em Itaquera.

Se o confronto fosse noutro local, o impacto da classificação palmeirense e eliminação do time de Tite seria menor.

Essas marcas negativas ou positivas, de acordo com as cores da paixão clubística, são uma irônica coincidência futebolística coordenada por forças além das visíveis para motivarem felicidade e tristeza na atividade tão lúdica quanto importante?

Explicar como o esporte escreve capítulos parecidos com personagens distintos em épocas distantes é algo impossível para este que vis indaga. .

Meus limites mortais permitem afirmar que foi, de longe, o melhor jogo da competição.

A lentidão, o marasmo, as emoções brandas e raras da fase de classificação do paulistinha –  os clássicos foram exceções –  deram lugar aos ‘nervos a flor da pele’.

A disputa por um lugar na decisão temperou a rivalidade que sobrepõe o valor do título.

Ou alguém duvida que para a nação palestrina o prazer de eliminar o rival foi maior que a de chegar á final do do campeonato?

E que os alvinegros se incomodaram mais com a queda diante dos palmeirenses que com a perda do troféu?

Imagino as reações quando Elias ídolo corintiano, referência do time nas campanhas convincentes no estadual e Libertadores, representante do clube na seleção brasileira,   correu para bola na suposta última penalidade da série alternada e errou.

Muita gente, ao ver Fernando Prass cair no canto direito e evitar o fim da semifinal, lembrou do santo careca de carne e osso de nome Marcos.

E na hora que saltou do outro lado para gravar a cena de Petros finalizando em seus braços,  quem não havia feito a relação certamente juntou aquilo que tem em comum apenas o manto sagrado alviverde.

Robinho, maior destaque da equipe na primeira fase e elogiado pela forma como finaliza os lances de bola parado, que havia inaugurado a série dos pênaltis com chute ruim por cima do gol, bem será lembrado por isso.

A explosão de felicidade da torcida que tanto sofreu neste século por causa das péssimas gestões, em contraponto a imensa frustração da que não sentira nenhum dissabor com seu time desde o retorno do Tite, amenizaram quaisquer críticas. .

Classificação justa.

Apenas um lugar na final

A do Corinthians teria sido, se ganhasse nas penalidades.

Foi daqueles jogos raros em que se pode dizer que ambos mereciam vencer.

O jogo

O empate explicou os times fizeram.

O primeiro tempo do Alvinegro foi melhor. Mandou no meio de campo e teve muito mais presença no campo de ataque.

Tomou gol em mais um de seus corriqueiros equívocos na marcação dos cruzamentos.

A bola sobrou para Victor Ramos festejar.

Tite iniciou com Renato Augusto e Elias. por causa do desgaste físico, no banco, e optou por Danilo e Bruno Henrique entre os titulares.

Colocou Mendoza, para manter a velocidade, e Vagner Love, nos lugares de Emerson Sheik e Guerrero, que eram desfalques certos.

Os substitutos marcaram os gols da virada.

Aos 33, Jadson cobrou a falta e Danilo, de cabeça, empatou. Wellington tinha que marcar o veterano e bobeou.

Mendoza, aos 44, aproveitou a brecha entre o meio de campo e a primeira linha defensiva palmeirense para, de fora da área, no belo chute, virar o resultado.

Intervenções e ideias dos treinadores

Oswaldo de Oliveira precisou lidar com várias ausências na primeira linha de marcação.

Decidiu por Victor Ramos e Jackson à frente de Fernando Prass e Wellington improvisado na lateral.

Como perdeu a disputa no meio de campo e os 45 minutos iniciais,  tinha que recuperar a posse de bola no setor central.

Após o intervalo, Lucas foi trocado Cleiton Xavier.

A mexida fez a equipe ditar o ritmo do confronto.

Tite, ao ver o crescimento palmeirense, pôs Renato Augusto na vaga de Jadson e cinco minutos depois Elias na do Vagner Love.

Queria fortalecer a marcação e aumentar a velocidade do contra-ataque.

Não demorou para trocar Bruno Henrique pelo Petros.

Oswaldo de Oliveira decidiu tirar o sumido Valdívia e Wellington para Gabriel Jesus e Kelvin jogarem. Ambos são rápidos e tentam os dribles.

O Palmeiras foi incisivo em busca da igualdade, e por isso abriu lacunas no sistema de marcação.

O clássico ficou emocionante, com oportunidades de ambos os lados e intervenções de alto nível dos goleiros.

O sistema defensivo do Corinthians se confundiu no lance do empate.

Cleiton Xavier e Gabriel Jesus entraram na área quando Dudu recebeu o passe.

Felipe e Gil tinham que acompanhá-los, mas não o atleta revelado no clube ficou de olho em Kelvin, que foi à linha de fundo esperar o toque.

Por isso, Gil marcou um e Fabio Santos acompanhou o artilheiro das categorias de base palestrinas e Rafael Marques, livre, de cabeça, fez o gol após Dudu fazer o levantamento na área e nas costas do lateral.

Mendoza era o jogador menos distante do centroavante e que poderia, se conseguisse fazer a difícil e rápida leitura do lance, intervir para tentar impedir o 2×2.

Mas não dá para colocar na conta dele o equívoco coletivo.

Depois, de igualar, o finalista continuou melhor, mas as oportunidades gol rarearam para as duas agremiações.

Ficha do jogo

Corinthians – Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Fábio Santos; Ralf e Bruno Henrique (Petros); Danilo, Jadson (Renato Augusto) e Mendoza; Vagner Love (Elias)
Técnico: Tite

Palmeirras – Fernando Prass; Lucas (Cleiton Xavier), Jackson, Victor Ramos e Wellington (Kelvin); Gabriel e Arouca; Dudu, Robinho e Valdivia (Gabriel Jesus); Rafael Marques
Técnico: Oswaldo de Oliveira

Árbitro: Thiago Duarte Peixoto – Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho e Alex Ang Ribeiro

 

Escrito por Vitor Birner às 7:10 Vitor Birner 207 Comentários

20 abr

Vitória tranquila do Santos diante do ainda desgovernado São Paulo

Análise de jogos, Paulistinha

De Vitor Birner

Santos 2×1 São Paulo

O jogou foi fácil para o Santos.

Com enorme superioridade tática, se aproveitou do monte de erros de posicionamento do São Paulo e marcou os gols. Faria outros, se Ricardo Oliveira mantivesse não jogasse menos que pode.

Todos no Peixe participaram intensamento do clássico.

No time do Morumbi, não é possível falar o mesmo.

Nem há necessidade de repetir quem se acomodou.

Quem vir os gols e os melhores momentos, pode notar quantas vezes os classificados carregaram a bola no meio de campo, com enorme liberdade.

Tente encontrar lances iguais favoráveis aos eliminados.

Será uma forma simples de compreender o que houve em campo.

Simples, óbvio e funcional

Os treinadores repetiram as propostas e esquemas táticas que têm colocado em prática.

O Peixe foi equilibrado .

Fez o beabá do futebol moderno.

Robinho e Geuvânio serviram de opções de velocidade e criação pelos lados do meio e do ataque.

Lucas Lima, entre eles,  jogou na meia e se transformou em volante para fechar lacunas lá.

Quando a equipe teve a bola na meia, se mexeu de maneira coordenada no intuito de confundir o sistema de marcação do rival.

Ricardo Oliveira, o centroavante, correu o suficiente para completar, como pivô ou nos arremates, as ações dos meias.

Renato e o Lucas Otávio, os volantes, apoiaram, um de cada vez; o veterano, por causa da qualidade no passes e inteligência,  desceu mais e ajudou na criação.

Os laterais apoiaram com cobertura razoável das brechar que eventualmente abriram.

Na marcação, ao menos dois jogadores do trio de criação voltaram para a linha de volantes e formaram o quarteto em frente aos laterais e zagueiros.

Geuvânio fez mais isso que Robinho.

Mas o veterano, de acordo com o andamento do jogo, recuou para formar o quinteto no meio.

Obsoleto, mal pensado e previsível

O São Paulo de Milton Cruz é pior taticamente que o de Muricy.

Com o treinador de fato, ao menos tinha posse de bola na frente.

Agora joga como agremiação pequena.

Vive de cruzamentos e contra-ataques.

Isso seria normal se encarasse rivais tecnicamente mais fortes.

Contra os de capacidade similar, como o Santos, e os mais fracas, tal qual o Danubio, a opção é um equívoco baseado no, para ser gentil, excesso de cautela.

Denilson, Hudson e Wesley, os volantes, ficaram distantes de Ganso, o meia quase estático.

Compare a quantidade de funções que ele e Lucas Lima exerceram e compreenderá como ser mais funcional na parte coletiva ajudou na dinâmica das equipes.

Michel Bastos se desdobrou entre a marcação na linha de volantes e a criação.

Como o São Paulo não pressionou a saída de jogo, precisaria da participação ativa e constante de Pato (único atacante) e Ganso na marcação na frente, iniciou as tentativas de desamar na linha que divide o gramado.

Quando obteve sucesso, ou fez o lançamento ao Pato, ou precisou esperar Wesley ou Michel Bastos correrem com a bola ou aparecerem na frente.

A física explica o equívoco.

Nenhum ser humano é capaz de competir com a velocidade da bola. Então, se os volantes a recuperam e carregam por 23, 30 metros, a possibilidade de o adversário voltar e recompor o sistema de marcação é maior que se houvesse opções receberem o passe longo.

Se a ideia era abrir mão da posse dela na meia e Ganso não tinha velocidade pelos lados ou característica de meia-atacante que dribla em direção ao gol, por qual motivo jogou solto e naquela função?

Pior foi ver o Denilson incumbido de articular os lances de gol.

Nunca mostrou qualidade para tanto.

Sequer conseguiu liderar o meio de campo para ficar próximo da defesa ou cobrir o apoio dos laterais.

Paulo Miranda, defensivo, e Carlinhos, ofensivo, foram os eleitos para a titularidade.

A proposta de jogo torta redundou no andamento óbvio da semifinal.

No futebol, é possível pegar as portas de um fusca, colocar no Rolls Royce e ela fechar.

Mas na maioria das vezes não será assim.

Superioridade santista

O roteiro no gramado da Vila Belmiro teve andamento simples e óbvio.

O Santos se propôs a tentar o gol e o adversário esperou.

O Peixe criou mais oportunidades.

Valencia, logo no início, se machucou e Lucas Otávio entrou.

O volante tinha que ficar atento aos contra-ataques do São Paulo.

Rogério Ceni impediu Robinho de fazer 1×0.

O gol faria desmoronar a proposta de jogo são-paulina.

Denilson e Wesley perderam as oportunidades de reforçá-la.

As finalizações nem obrigaram Vladimir a intervir.

A impressão era que o gol santista aconteceria em questão de minutos.

Imagino a resenha dos boleiros

Aos 35, Geuvânio, após Pato perder a bola, a recebeu mais perto da área satista que do meio de campo.

Ele correu com ela por cerca de 70 metros e ninguém tentou recuperá-la.

Carlinhos ‘foi e não foi’. Denilson, o volante de marcação, ameaçou acompanhá-lo e parou no meio do caminho. Lucão tentou, mas a avenida era tão grande que bastou o atacante ajeitar para o lado, chutar com força e comemorar.

Mérito dele ter aproveitado a quantidade incrível de falhas do adversário.

Se o leitor (a) for aos jogos de várzea, dificilmente verá nada parecido em termos de moleza para atacantes, ainda mais jogando no campo do rival e empatando.

A cobrança dentro da equipe que falhou seria imediata e contundente.

Imagino como foi a conversa, no intervalo, entre os jogadores de cada time.

Os do Santos devem ter tirado sarro. Frases como “é só apertar que entregam” e pedidos de manutenção da concentração, creio, pautaram a troca de ideias.

Os do São Paulo não tenho ideia do que falaram.

Michel Bastos, o mais dedicado competitivo e competente, deveria cobrar o interino por causa da formação do time, os colegas porque nem a falta fizeram no artilheiro, o meia para se mexer, o centroavante para se dedicar…

Mas a voz principal, lá, é a do goleiro que parece ter a liderança silenciosamente rejeitada.

Na parte técnica, não é de hoje que caiu de rendimento, mas trata-se de um atleta esforçado, competitivo e que detesta perder.

Se falta união em campo é porque pararam de escutá-lo.

Da proposta tática dificilmente o goleiro reclamou porque Milton Cruz deve tê-lo consultado antes.

Até a própria execução dela foi abaixo da crítica.

Trocas óbvias e mais erros

Luis Fabiano reiniciou o jogo no lugar de Paulo Miranda.

Hudson ou Wesley podiam jogar na a lateral e o time ganharia ao menos maior presença na área.

No cruzamento logo depois, Victor Ferraz errou na interceptação de cabeça e Pato, na área, livre, nem acertou o chute entre as traves.

No minuto seguinte, o árbitro ‘tomou’ a bola do pé do Denilson e Geuvâniocolocou Ricardo Oliveira de frente para Rogério Ceni.

O centroavante perdeu ótima oportunidade.

O São Paulo adiantou o sistema de marcação.

Geuvánio,  porque se sentiu mal, aos 25 deu lugar para o Cicinho.

 Quase junto, Centurión entrou no de Carlinhos e Michel Bastos foi para a lateral.

Gol e queda de rendimento

Aos 29, Wesley perdeu a bola no campo de ataque para Lucas Lima.

Todos jogadores do São Paulo, tirante Toloi e Lucão, tinham ido para frente.

O santista correu com ela e tocou para Ricardo Oliveira, do mesmo lugar que havia perdido o gol no lance envolvendo Raphael Claus, chutar de jeito igual, mas acertar a trave.

Aos 30, no local parecido, Centurión foi desarmado por Cicinho.

Avançou com ela, obviamente como no lance anterior, no do gol e noutros não havia ninguém no meio para marcá-lo, e tocou para Chiquinho dar a assistência e Ricardo Oliveira comemorar.

O Leandrinho acabara de ocupar o lugar de Robinho.

O São Paulo, aos 41, fez o gol dele, após Pato tocar para Luis Fabiano, em posição de impedimento, chutar por cima de Vladimir.

Ficha do jogo

Santos – Vladimir; Victor Ferraz, David Braz, Werley e Chiquinho; Valencia (Lucas Otávio) e Renato; Geuvânio (Cicinho), Lucas Lima e Robinho (Leandrinho);Ricardo Oliveira
Técnico: Marcelo Fernandes

São Paulo – Rogério Ceni; Paulo Miranda (Luis Fabiano), Rafael Tolói, Lucão, Carlinhos (Centurión); Denilson, Hudson, Wesley e Michel Bastos; Ganso; Alexandre Pato.
Técnico: Milton Cruz

Arbitro: Raphael Claus – Assistentes: Marcelo Carvalho Van Gasse e Miguel Cataneo Ribeiro da Costa

Escrito por Vitor Birner às 1:30 Vitor Birner 79 Comentários

17 abr

Corinthians se classificou com o merecido empate; San Lorenzo ‘investiu’ no Alvinegro ao não jogar para fazer o gol

Análise de jogos, Copa Libertadores

De Vitor Birner

Corinthians 0×0 San Lorenzo

Apesar do resultado, foi um jogo no melhor padrão técnico e tático que o futebol da dentro da América do Sul pode oferecer aos torcedores hoje em dia.

Os times valorizaram as próprias virtudes e exploraram as dificuldades do adversário.

O Corinthians atacou mais e parou no sistema de marcação argentino.

O San Lorenzo gostou da proposta de jogo do Alvinegro.

O ótimo Edgardo Bauza nem precisou fazer adaptações táticas para encarar a equipe brasileira com melhor desempenho na temporada.

Em nenhum momento preferiu mandar o time à frente para tentar fazer o gol, vencer e não ficar dependendo do resultado do Majestoso, semana que vem, e se classificar à próxima fase da Libertadores.

Não houve lances dignos de qualquer tipo de polêmicas.

A arbitragem não interferiu no resultado.

Sistema ofensivo ‘esqueceu’ a direita 

O Corinthians com postura mais ofensiva tentou marcar na frente.

Forçou os ataques contra o lateral-direito Buffarini, pois o argentino gosta de avançar e o rápido Emerson Sheik tem o hábito de atuar naquela região do campo.

Renato Augusto se aproximou do veterano. Uendel, quando pode, apoiou.

Jadson, do outro lado, ficou distante deles.

O time investiu pouco nele e no Fagner para a articulação na frente.

Elias, após frequentar o ataque no início, foi obrigado a ser mais precavido.

A suposta pretensão de Tite de optar pelo 4-1-4-1 virou o realista 4-2-3-1 por causa do andamento do jogo.

O atleta da seleção fez a parceria com Ralf em frente de Gil e Felipe. Se preocupou mais em ajudar na cobertura de Uendel e de vez em quando do Fagner, em vez de aparecer no ataque ou na meia constantemente.

Jadson, na direita, Emerson Sheik, do outro lado e Renato Augusto, entre eles, formaram o trio de criação.

Os chutes de fora da área e os toques, por baixo tal qual Tite cobrou, para Vagner Love fazer o pivô, foram as outras alternativas do time.

Apesar de ter maior volume de jogo ofensivo e de exigir intervenções do goleiro Torrico, o Alvinegro enfrentou dificuldades nos 45 minutos iniciais.

Não precisou fazer nenhuma adaptação

Edgardo Bauza, atento aos pontos frágeis do competente sistema de marcação do Corinthians investiu neles.

Mandou o San Lorenzo atacar pelos lados e principalmente arriscar os cruzamentos, pois o Alvinegro não é muito consistente nos desarmes pelo alto.

O jeito que o sistema ofensivo dos portenhos normalmente atua se encaixa com perfeição na forma como o Corinthians se defende.

Romagnolli e Villalba jogaram pelos lados do trio do 4-2-3-1.

Blanco, entre eles, além de se mexer em busca de brechas, entrou na área para fazer a função do segundo atacante, Matos foi o centroavante, e aproveitar os cruzamentos.

Duas vezes os hermanos perderam oportunidades em jogadas aéreas.

E uma vez o Blanco quase ficou cara-a-cara com Cassio.

San Lorenzo ‘segurou’ Elias

Esses lances foram no início do 1° tempo e provavelmente fizeram Tite pedir ao Elias para ser mais cauteloso nos avanços.

A precaução do técnico e do volante encerrou os momentos interessantes do sistema ofensivo do San Lorenzo antes do intervalo.

Acerto não foi o bastante

Depois do intervalo, o Alvinegro tentou diversificar mais os lances no ataque alternando a criação por ambos os lados.

Nas raras vezes que chegou à linha de fundo e cruzou, a bola passou por Vagner Love e irritou os torcedores na Arena em Itaquera.

Tite, com leitura de jogo igual a do público, colocou Danilo no lugar do centroavante.

O veterano podia prender mais a bola na frente até os companheiros se aproximarem, pois a distância entre o trio de criação e o atacante era maior que a correta.

A ideia funcionou porque o time passou a trocar mais passes no entorno da área do San Lorenzo.

O problema foi encontrar brechas para entrar nela ou criar alguma grande oportunidade.

Eficaz para manter a pegada

Os hermanos ficaram dependentes dos contra-ataques porque não levaram a bola na meia.

Romagnolli se cansou e Alan Ruiz, que jogou pelo Grêmio no Brasileirão, ocupou o lugar dele.

Aos 25, Mussis foi para a vaga de Villalba e após alguns minutos Barrientos na de Blanco.

A troca do trio inteiro de criação manteve a pegada no meio de campo.

Mussis tem características de terceiro jogador do setor. Complementa a marcação e a criação.Alan Ruiz é o meia que gosta de cadenciar o ritmo de jogo. Barrientos carrega a bola em velocidade.

As mexidas não otimizaram o contra-ataque do San Lorenzo, que Bauza, creio, pretendia ver.

Mas foram suficientes para manter a marcação consistente.

Tite nos minutos finais colocou o rápido Mendoza no lugar de Emerson Sheik.

Nada fez o time entrar na área com tabelas ou exigir intervenções difíceis de Torrico.

O colombiano não acertou os dribles.

Isso a postura do San Lorenzo, que ficou atrás, o impediram de aproveitar a velocidade que possui.

Sentiram a falta de Guerrero

O Corinthians havia chutado muito mais que o San Lorenzo no 1° tempo.

Após o reinício do jogo, a quantidade diminuiu, apesar posse de bola no ataque provavelmente ter aumentado.

Não sei se passou rapidamente pela cabeça de Tite de impressões como seria com Guerrero em campo.

Experiente e pragmático, acho que mantém o foco em pensamentos de como atingir a meta com quem podia contar.

A nação corintiana com certeza se lembrou do artilheiro ao ver a dificuldade do time para conseguir finalizar.

A possibilidade de Torrico ser mais exigido com o peruano no gramado era considerável.

No jogo de muito contato físico ele seria importante.

Edgardo Bauza apostou no Corinthians?

O Alvinegro garantiu o 1° lugar do grupo e a classificação.

Os argentinos precisavam mais do gol para não dependerem do próprio Corinthians na última rodada.

A proposta de Bauza deu a impressão que ele crê mais no líder que no time que o derrotou com gol de Michel Bastos.

Não alterou o posicionamento para otimizar o inoperante sistema ofensivo.

Cassio sequer foi exigido.

Ficha do jogo

Corinthians – Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Ralf e Elias; Jadson, Renato Augusto e Emerson (Mendoza); Vagner Love (Danilo)
Treinador: Tite

San Lorenzo – Torrico; Bufarini, Caruzzo, Yepes e Más; Ortigoza e Mercier; Villalba (Mussis), Romagnoli (Alan Ruíz) e Blanco (Barrientos); Matos
Treinador: Edgardo Bauza

Árbitro: Victor Carrillo (Peru) – Assistentes: César Escano e Braulio Cornejo (ambos Peru)

Escrito por Vitor Birner às 1:58 Vitor Birner 95 Comentários