22 jul

Marin, injusto, desprezou Tite; Dunga foi bem em 2010, mas continua sendo uma incógnita

Birnadas, Seleção Brasileira

De Vitor Birner

Bom trabalho

O começo do Dunga na seleção foi ruim.

Mas depois ele acertou a mão e fez, após a saída de Telê Santana em 1986, o melhor trabalho em seleções brasileiras nas Copas do Mundo.

Superior aos de Parreira em 1994 e ao de Felipão em 2002, se levarmos em conta a qualidade dos atletas que os três tiveram à disposição.

Discordei da convocação de Júlio Baptista.

Defendi a de Ganso, na época, mas sabia e continuo sabendo que as presenças do meia e de Neymar não eram garantias de a seleção reverter o cenário no segundo tempo diante da Holanda, que foi diferente de tudo que o Brasil mostrou naquele torneio e nos anos que o antecederam.

Dúvida

No Internacional, Dunga não foi bem.

Comandou um dos melhores elencos do país e o time jogou futebol inferior ao que podia.

Em qual Dunga eu devo acreditar?

No da seleção ou no do clube?

Não tenho a resposta.

Proposta

A filosofia de jogo do comandante não tem nada a ver com a da Alemanha, que virou referência em boa parte das discussões sobre futebol no Brasil.

Tem mais a ver com as de Argentina, Holanda e Colômbia e da enorme maioria de seleções que apostaram em marcação e contra-ataque.

Se Dunga não mudou suas convicções, quem tem a esperança de ver o time com muita posse de bola ofensiva, pressionando os adversários e correndo riscos para fazer gols ao invés de marcar forte e explorar os erros do adversário, ficará frustrado.

Pressão, raiva e inimigos

Dunga ganhou a Copa do Mundo de 1994 arrumando supostos inimigos em vários lugares.

Atacou até a geração anterior, a de Zico, Sócrates e Falcão por não ter vencido o Mundial.

Em 2010 arrumou outros inimigos fictícios e continuou os achando de verdade.

Dunga inegavelmente soube lidar com a pressão.

A transformou em estímulo para o elenco fazendo os jogadores acreditarem nos discursos do ‘todos estão contra nós’, ‘vamos calar a boca deles’, somos nós contra tudo’…

A receita, neste momento de péssima relação do torcedor com a seleção, pode deixar a situação ainda mais tensa.

Acredito que as pessoas mudam seus conceitos de vida, mas não tenho, ao menos ainda, razão para crer que o técnico se preocupou em fazer isso.

Nem sei se tem outra receita para motivar os jogadores.

Mais do mesmo

Critiquei os primeiros meses do trabalho anterior de Dunga na seleção.

Depois, quando vi que deu um rumo ao time, o elogiei bastante apenas pontuando alguns erros em meio aos vários acertos.

Foi bom ver uma seleção guerreira depois de falta de respeito de Ronaldo, muito acima do peso, e de seus companheiros na farra em Veggis na Copa do Mundo em 2006.

Tal qual citei no post, ainda não formei opinião sobre o técnico Dunga.

Não tenho a menor convicção se vai ou não conseguir bons resultados.

Minha única crença é de que se trata de mais do mesmo.

Tite foi injustiçado

Tite deu aula de montagem de sistema defensivo no Corinthians.

É um treinador estudioso, que também sabe preparar equipes para jogarem no ataque.

Busca sempre o “e-qui-lí-brio’, como gosta de falar.

No Alvinegro, preparou o time para atuar de acordo com as características do elenco.

Na seleção brasileira, teria mais opções de propostas de jogo.

Assim que saiu do Parque São Jorge, foi estudar, se preparar, ver futebol noutros países.

O momento era dele se a contratação de um estrangeiro estava descartada.

Foi injustiçado pelo retrógrado Marin.

Escrito por Vitor Birner às 14:46 Vitor Birner 100 Comentários

21 jul

Ney Franco parece perdido no Flamengo

Birnadas

De Vitor Birner

Ney Franco escalou o Flamengo com 3 zagueiros no confronto diante do Furacão, o primeiro após a preparação durante a Copa do Mundo e que terminou com a derrota por 2×1.

Diante do Internacional o treinador posicionou a linha de quatro atrás.

Gosto de treinadores que variam a forma de o time atuar, mas isso é possível apenas quando a equipe está entrosada e tem uma forma competente e competitiva de jogar.

Não dá para decorar o apartamento sem ter o prédio construído.

Ney Franco passa a impressão de que ainda tenta encontrar o jeito de seus comandados atuarem e a escalação ideal.

Continua patinando sem conseguir sair do lugar.

Apesar de chegar ao clube faz menos de três meses e de só ter comandado o time em 7 jogos no Brasileirão, precisava ter caminhado um pouco.

O futebol por si só é cruel e a formatação do nosso torneio agrava ainda mais a situação.

O elenco limitado, que não figura entre os melhores do país, exige bom trabalho coletivo, pois sem isso a tendência é passar a maior parte da competição brigando para não ser rebaixado.

O clássico diante do Botafogo tem cara de última chance para o treinador não ser mandado embora.

Uma vitória pode ajudar o time começar a evoluir sob a direção dele.

Espero que os cartolas, se decidirem dar o cartão vermelho ao técnico, não conduzam a situação como fizeram com Jayme de Almeida, demitido sem razão clara e informado pela imprensa de sua saída da Gávea.

Escrito por Vitor Birner às 18:31 Vitor Birner 62 Comentários

21 jul

Dois Sandros Meira Ricci em um? Comissão de arbitragem tem muitas explicações para dar

Birnadas, Brasileirão

De Vitor Birner

Discordo da marcação do pênalti de Chicão em Wellington Silva no confronto encerrado com a vitória do Internacional por 4×0 contra o Flamengo.

E também da expulsão do zagueiro.

Sandro Meira Ricci, o árbitro do jogo em o Colorado teve enorme superioridade do primeiro ao último minuto e fez jus à vitória, adotou o critério brasileiro, diferente do que ele utilizou em Alemanha 2×1 Argélia na Copa do Mundo, confronto lotado de lances de intensidade igual ou maior ao citado neste post.

O esporte e o mesmo, mas o critério, que no fim das contas muda a própria regra, é diferente.

Por que?

Quem mandou mudá-lo neste ou naquele torneio?

Sandro decidiu por conta própria usar critérios distintos?

Acho improvável, mas esta é apenas uma crença pessoal e não informação.

Recebeu ordens diferentes da comissão de arbitragem da CBF e dos instrutores da Fifa?

O que as leva a pedir aos árbitros que tomem decisões diferentes em lances similares?

Simples e direto:

Algumas perguntas não podem ficar sem respostas, pois se não a coisa desanda aqui no Brasileirão e cada árbitro vai apitar de um jeito diferente, o que interfere nos resultados.

Se eu fosse jogador de time da primeira divisão nacional, estaria perdido por não saber quais são os limites nas divididas.

A comissão de arbitragem, se pretende ter credibilidade, tem que fazer um comunicado explicando quais orientações deu para os árbitros e a postura que eles devem adotar em cada lance.

Assim todos nós – eu, você e principalmente os jogadores – saberemos quais decisões devem ser tomadas e todos os times entrarão em campo sob condições de disputa iguais durante os 90 minutos.

Ela deveria ser a primeira interessada em deixar tudo claro, entretanto pouco explica nos poucos momentos em que decide esclarecer algo.

É superficial no discurso ao invés de direta e detalhista tal qual necessita para informar, de fato, a opinião pública.

Escrito por Vitor Birner às 10:02 Vitor Birner 85 Comentários

18 jul

Futebol brasileiro precisa de uma greve geral

Birnadas

De Vitor Birner

Tinha que se demitir

Marin parece não entender o mundo de hoje.

Entregou algumas cabeças de funcionários de destaque e achou que isso bastaria para saciar a ira de parte da opinião pública que não consegue digerir a patéticas participação do selecionado nacional na Copa do Mundo.

Não fez o mais importante, que era largar o cargo junto com todos os cartolas da entidade e abrir espaço para pessoas capazes e interessadas em mexerem profundamente na obsoleta e firme estrutura do futebol brasileiro.

Perguntas sem respostas

Veja a escolha de Gilmar Rinaldi (minha opinião publicada na edição de hoje do Lance. Mandei ontem para o jornal)

Por que não foi escolhido para a função alguém com experiência, formação técnica e bons trabalhos no currículo? Dinheiro a CBF tem de sobra. Pode contratar quem quiser.

Que tipo de raciocínio pautou a decisão?

Tenho informações para comentar sobre o Gilmar goleiro, superintendente do Flamengo e empresário. O capaz de coordenar a profunda mudança na seleção eu não conheço.

No momento de crise, a cartolagem decidiu apostar, sabe lá Deus por qual motivo, numa incógnita.

Os problemas do futebol brasileiro vão bem além do que se passa na seleção ou do boné usado por qualquer jogador.

Até o novo funcionário provar o contrário, a opção de Marin tem cara de ‘mais do mesmo’.

Mais importante

Melhorar a seleção brasileira é só um detalhe.

É necessário elevar o nível do futebol no dia-a-dia, situação difícil de acontecer enquanto os mesmos dirigentes de federações e clubes continuarem no poder.

Pouco adianta, por exemplo, lotar os cofres dos times de grana, pois os valores das transferências, das comissões dos empresários e salários ficarão maiores, os nomes dos atletas serão mais ou menos os mesmos, a verba acabará e tudo continuará igual.

Desculpe se estiver sendo repetitivo, mas de novo ressalto que dar mais dinheiro para os mesmos dirigentes fazerem o mesmo de sempre resulta, na melhor das hipóteses, na manutenção do que vemos.

Indispensáveis

Há medidas indispensáveis para a gente começar a crer em mudanças.

Os votos dos clubes precisam ter peso maior que os das federações na eleição da CBF. Assim os cartolas de federações vão ter mais dificuldade para protegerem seus empregos e entidades.

A política da troca de favores perderá força entre eles e, quem sabe, os responsáveis pela revelação de jogadores e pagamento de salários possam, um dia, se unir sem medo de retaliações.

Outro ponto fundamental é obrigação de os dirigentes de clubes responderem legalmente por suas gestões irresponsáveis e as equipes que comandam devem ser rebaixadas se descumprirem muitos compromissos por eles assumidos.

O futebol precisa parar de ser o paraíso de incompetentes que tiram proveito dele a qualquer custo.

E a ameaça de queda fará os torcedores que só pensam no resultado e nos benefícios do próprio time a qualquer custo usarem o egoísmo de outra maneira, pois seus interesses pessoais serão feridos e irão fiscalizar a saúde financeira da instituição amada.

Basta ver a mudança de comportamento na arquibancada depois que começaram a tirar mandos de jogos de quem atira objetos no gramado.

Detesto a ideia de impor limites legais para as coisas caminharem, mas entendo a necessidade de alguns momentos, ainda mais quando as sanções geram as melhorias.

A greve geral

Marin é contra tudo isso.

Não mexerá nas feridas.

A reação precisa partir dos próprios jogadores porque seus patrões não mostram nenhum engajamento nas questões levantadas constantemente pelo zagueiro Paulo André, todas de alta relevância, ou dos torcedores.

E como a CBF não recuou até agora diante dos protestos, faz-se necessária a greve geral curta, no começo, para os atletas mostrarem sua força.

Se é que a tal força existe.

Eis a questão.

Escrito por Vitor Birner às 16:46 Vitor Birner 116 Comentários

17 jul

São Paulo manda no jogo e vence com tranquilidade em Salvador; Bahia precisa achar um jeito de atuar sem Talisca

Análise de jogos, Brasileirão

De Vitor Birner

Bahia 0×2 São Paulo

Foi uma vitória tranquila do time de Muricy.

O Bahia perdeu o duelo no meio de campo e viu o São Paulo ter mais posse de bola ofensiva, além de maior quantidade de chances de gol.

O esquema tático proposto por Marquinhos Santos não funcionou.

A marcação na região central do campo foi frágil e o sistema ofensivo ficou perdido sem o seu organizador que foi negociado para o Benfica .

Não houve um grande destaque no jogo.

Ganso, Osvaldo, Kardec e Souza foram os melhores.

A arbitragem em geral foi bem, mas errou ao anular o gol de Rodrigo Caio.

São Paulo bem melhor

Sem o bom Talisca, reforço do Benfica, Marquinhos Santos perdeu o atleta com melhor qualidade no passe, o meia, e mudou o jeito do Bahia jogar.

Posicionou Fahel entre os defensores e a linha de quatro formada por Pittoni e Léo Gago centralizados, mais Henrique na direita e Rhayner na esquerda, ambos com características de atacante.

Biancucchi atuou como falso centroavante.

A ideia era recuperar a bola no meio e usar e ter contragolpe pelos lados, com Henrique e Rhayner, ou no centro com o primo de Messi.

A tentativa de implementar 4-1-4-1 foi frustrada nos 15 minutos iniciais pela facilidade de o São Paulo superar a marcação do quarteto entre o argentino e o volante.

O São Paulo fez a transição do campo de defesa ao de ataque com a bola no chão.

Os volantes Souza e Maicon, assim como os laterais, em especial o Douglas que avançou mais vezes, participaram da saída de jogo e fizeram a dita cuja chegar em Ademilson, Ganso e Osvaldo, o trio mais próximo do centroavante Alan Kardec no 4-2-3-1 armado por Muricy Ramalho.

Por isso Pittoni, Leo Gago e Henrique ou Rhayner, de acordo com o lado em que o São Paulo atacou, foram obrigados a recuar para a mesma linha de Fahel.

E o time visitante passou mais tempo com a redonda no campo de ataque.

O erro e a qualidade

Rogério Ceni cobrou o pênalti que deu a vantagem no placar ao time paulista.

O zagueiro Titi perdeu o tempo de bola, errou, e derrubou Ademilson.

Sete minutos depois, aos 19, Souza e Ganso fizeram bonita tabela e o volante deixaou Alan Kardec em ótima condição de ampliar.

O gol aumentou a tranquilidade do São Paulo e obrigou o Bahia a adiantar todo sistema defensivo.

Apenas em algumas faltas e no erro de marcação de Ademilson, que não acompanhou o avanço do lateral Guilherme Santos, a equipe de Marquinhos Santos ameaçou um pouco o goleiro Rogério Ceni.

O time comandado por Muricy continuou com mais posse de bola.

Cadenciou o jogo para evitar a pressão do rival e trocou passes em busca do espaço para finalizar em boa condição de aumentar a diferença.

Só pecou em alguns passes que obrigaram Osvaldo e A. Pereira a fazerem faltas e a levarem cartão amarelo.

Tentou fortalecer o sistema ofensivo

O técnico do Bahia voltou do vestiário com Emanuel Biancucchi no lugar de Pittoni para tentar aumentar a posse de bola na frente.

Também trocou Maxi pelo driblador William Barbio, que atuou aberto, na direita, para explorar o fato de Osvaldo e A. Pereira estarem pendurados.

Henrique passou a ser o jogador mais avançado do sistema tático modificado para o 4-2-3-1.

Equívoco do auxiliar

O São Paulo aumentou o controle do jogo no começo da etapa complementar.

Trocou passes no campo de ataque e fez o gol, aos 17, após o chute de Osvaldo de fora da área que Douglas Pires conseguiu desviar para a bola bater na trave e Rodrigo Caio, no rebote, em posição legal, balançar a rede.

Mas o auxiliar se equivocou e sinalizou o impedimento.

Logo depois Titi, em condição irregular, fez o gol corretamente invalidado.

Efeito Denílson

Maicon, que está longe de ser elogiável na parte defensiva, saiu com câimbra aos 18 e Denílson entrou em campo.

A troca piorou a saída de jogo e a cobertura.

O Bahia aproveitou e viveu cerca de 10 minutos de superioridade.

Antonio Carlos e Rodrigo Caio ficaram expostos. O primeiro levou cartão amarelo por isso.

Rhayner perdeu a oportunidade clara de diminuir a vantagem e recolocar sua equipe no jogo.

Marquinhos Santos trocou Henrique por Jean porque o titular foi mal tecnicamente.

Resolveu na frente

O São Paulo voltou a pressionar a saída de bola e encerrou o melhor momento do Bahia no confronto.

Pato ocupou a vaga de Alan Kardec, que pediu para sair, e quase no final Muricy tirou Osvaldo, por causa do cansaço, e colocou Boschila.

Justa

Vitória justa, convincente, do São Paulo contra o Bahia que precisa urgentemente se organizar.

Não tem grandes jogadores e depende das parte tática para ser competitivo.

Lembro que a janela de transferência pode fazer um estrago nos times e mudar o cenário do campeonato.

Escalações

Bahia – Douglas Pires; Diego Macedo, Demerson, Titi e Guilherme Santos; Fahel, Pittoni, Léo Gago e Henrique, Rhayner e Maxi Biancucchi

São Paulo – Rogério Ceni; Douglas, Rodrigo Caio, Antônio Carlos e A. Pereira; Souza e Maicon; Ademilson, Ganso, e Osvaldo; Alan Kardec

Escrito por Vitor Birner às 0:17 Vitor Birner 108 Comentários

15 jul

Torcedores desabafam! Recomendo a leitura

Copa do Mundo, Do leitor

O post tem dois desabafos, nenhum deles meu.

O primeiro é do leitor que se auto-intitula ‘seu Lúcio’ e comentou no blog.

Transformei o texto em post. É uma carta dele ao Carlos Alberto Parreira.

O outro é do Thiago Lattes, responsável pela moderação de comentários no blog, que trabalhou muito pouco durante o Mundial porque foi em 13 jogos da competição para curtir o torneio e viu algo que o incomodou nos confrontos do Brasil.

Carta ao Parreira

Do leitor ‘seu Lúcio’

Mandei essa carta pro Parreira, mas ele não lê como fez com a dona Lúcia.

Eis a carta na integra:

Parreira, acabo de ver a coletiva onde o senhor leu a carta da dona Lúcia, que não sei se existe mesmo ou foi inventada.

Mais uma vez vi diante da câmera um homem arrogante diante das críticas, fazendo indiretas de que a nação lhe é devedora e de que críticos são ingratos e limitados.

Primeiramente, quero lhe dizer que não lhe devo nada, absolutamente nada.

O senhor foi contratado pela CBF, uma organização privada e autônoma, para realizar um trabalho e está sendo bem pago pra isto.

Do mesmo modo que a CBF contrata quem quiser para ser técnico de sua seleção, eu, como torcedor, decido se me identifico ou não com ela, se torço ou não para ela.

Isso não faz de mim menos patriótico do que ninguém, porque minha obrigação de cidadão é com o meu país e não com a CBF.

Pra sua sorte, milhões de brasileiros se identificam com a seleção e torcem por ela.

São eles que lhe dão audiência e público, o que reflete no interesse dos patrocinadores e em última análise no seu salário.

Portanto é senhor que deve ser grato a eles e não o contrário.

Eventualmente muitos entre esses milhões de brasileiros vão lhe criticar: vão dizer que a escalação está equivocada, que o Brasil jogou mal, etc.

Eles têm o direito de criticar o quanto quiserem e darem o palpite que bem entenderem, goste o senhor ou não, pois não precisam de sua aprovação para se manifestarem.

Pelo menos estão acompanhando o seu trabalho, pior pro senhor se estivessem indiferentes fazendo outra coisa da vida durante os jogos.

O que não se pode fazer é ofender a honra e a dignidade humana dos jogadores e de todos os profissionais envolvidos no trabalho. Isso vale para todo mundo inclusive pro senhor e pro Felipão em relação a outros profissionais, como os da imprensa por exemplo.

É justamente nesse milhões de brasileiros que acompanham a seleção, não por obrigação ou qualquer tipo de ganho financeiro mas por amor genuíno, que o senhor e o Felipão deviam se importar quando falaram após a derrota da semifinal, tão dura e vexatória.

Deveriam ter dito que lamentavam profundamente e que, apesar de terem feito o máximo que podiam, reconheciam que o desempenho da seleção na competição foi pífio.

Deviam ter dito que vão tentar aprender com os erros e que vão lutar para melhorar o futebol no país.

Infelizmente não foi o que ocorreu.

Concentraram-se em se auto elogiar, em minimizar a derrota, em negar que erraram e afirmar que o trabalho foi bem feito.
Milhares de crianças chorando pela derrota e o senhor usa as palavras de uma fã para exaltar a si mesmo e ao Felipão.

E o Felipão, sustentando a tese ridícula de que, afora os gols sofridos, o Brasil jogou bem e que ele não errou em nada.

Poucas vezes vi tanta arrogância em uma pessoa.

Tenho que admitir que finda a coletiva eu sabia exatamente porque o brasil havia perdido como perdeu, involuntariamente vocês dois me deram a explicação.

O senhor falou: “quando ganhamos o trabalho foi bem feito, quando perdemos não”, indiretamente está nos chamando de idiotas, cujo julgamento se resume a essa análise simplória. Vou lhe responder: não somos tão idiotas assim.

Veja a seleção de 82 por exemplo, foi derrotada, mas permanece amada e respeitada no coração de muitos.

Mas, mesmo supondo que sua declaração esteja correta, qual o problema em se valorizar o resultado? Por acaso a valorização do resultado não é inerente a qualquer esporte competitivo?

O senhor tem uma lógica ímpar: quando ganha valoriza o resultado como fez em 94, mas, quando perde, quer nos convencer de que o resultado não tem importância.

Receba essa crítica de um brasileiro anônimo…

Seu Lúcio

Foram aos jogos, mas não viveram a Copa do Mundo

De Thiago Lattes

Não tenho o que reclamar da minha Copa!!

Fui a 13 jogos (Brasil x Croácia; Espanha x Holanda; Alemanha x Portugal; Espanha x Chile; Holanda x Chile; Bélgica x Coréia do Sul; Brasil x Chile; Argentina x Suíça; Brasil x Colômbia;  Holanda x Costa Rica; Brasil x Alemanha; Argentina x Holanda; Alemanha x Argentina), visitei 5 sedes (São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza), conheci muita gente e vivi a Copa na rua.

Me recordo de poucos jogos que assisti pela TV, em alguma casa, tranquilo e sozinho. Programas esportivos: quase zero.

Tive diversas constatações, e a esmagadora maioria, muito positiva. Caso seja possível, escreverei sobre outras no futuro.

Mas segue a, possivelmente, única constatação negativa da Copa: parte de nossos torcedores são medíocres.

Sempre fui fã de futebol, fui a centenas de jogos do São Paulo, mas quase sempre em cadeira numerada, poucas vezes na arquibancada.

Certamente não sou o maior fanático, o rei das arquibancadas, mas entendo o poder que uma torcida pode ter.

“Ahhhh, mas a torcida do São Paulo é modinha… Sabe de nada de torcer esse ai ”

Todas as nossas torcidas, que se dizem fanáticas, são certamente piores se comparadas a torcidas de vários outros países.

Há exceções em alguns momentos: Fluminense fugindo do rebaixamento, Corinthians na volta a primeira divisão, São Paulo na Libertadores… Enfim, mas nada que se compare a torcidas da Turquia, Argentina, Alemanha, etc.

E o reflexo dessa falta de habilidade em torcer é visto na nossa seleção.

Não estou acostumado a pular um jogo inteiro. Mas pelo fato de estar próximo a seleção durante a Copa, comprei a briga.

Pintei a cara, comprei a bandeira, aprendi os cantos, ajudei a criar outros, provoquei rivais, pulei que nem um louco e comemorei com desconhecidos na porta dos estádios e na “arquibancada”.

Festa incrível, sentimento maravilhoso!

Porém faltou mais! Muito mais da maioria dos brasileiros que foram aos jogos!

O Felipão não ter povoado o meio-campo contra a Alemanha foi tão grave quanto a apatia da esmagadora maioria dos torcedores no estádio, especialmente no Mineirão.

Infelizmente, cantar o hino à capela não é suficiente para motivar o time um jogo inteiro.

Uma ressalva: sei que é injusto comparar com os torcedores de outros países que vieram ao mundial. Quem vem à Copa, especialmente, em um desconhecido Brasil, certamente é fanático por futebol e pela sua seleção.

Mas, voltando aos verdadeiros torcedores modinhas, queria deixar registrado que eu tenho repulsa da esmagadora maioria das pessoas que estavam no pacote Hospitality da FIFA.

Para quem não sabe, o Hospitality é o camarote da Copa, onde o torcedor desembolsa milhares de reais ou empresas torram outras centenas de milhares de reais e levam seus convidados, parceiros, clientes.

Eles pagam caro e tem direito a inúmeras outras coisas (ar condicionado, canapés de salmão, vinhos frisantes, guias bilíngues, melhores assentos, acessos exclusivos, etc), que nós meros mortais não temos.

Acho justo eles terem esse direito dado o alto valor que estão pagando. Você pode discordar, mas minha questão não é essa.

Meu ponto é: por que raios eles não torcem, não vibram, não sentem?!?!?!?!

Não precisava ser o mais fanático membro de torcida e pode tirar sua selfie para o Instagram tranquilamente.

Mas podia abrir a boca algum momento, expressar um sentimento, seja de alegria, tristeza, raiva, decepção.

Ser rico e aproveitar esses bens não anula a possibilidade de curtir um jogo.

Enquanto amigos imploravam pelo meu ingresso, tive ânsia ao ver alguns torcedores, em plena prorrogação contra o Chile, saindo das cadeiras e voltando para o camarote porque estava um sol infernal.

E tem mais: após o primeiro gol da Alemanha, o famoso “Senta! Senta! Senta!” foi mais frequente do que um simples “Brasil! Brasil! Brasil!”.

E não para. No desespero de apoiar o time, tentei, sozinho, inúmeras vezes, puxar cantos para nossa seleção, totalmente em vão.

No caminho para o estádio, em uma SEMIFINAL de Copa do Mundo no Brasil, com Brasil, o silêncio reinava no ônibus, apesar das tentativas frustantes de contagiar os torcedores.

As vaias ao hino do Chile; o xingamento a nossa presidente; as inúmeras idas ao bar durante os jogos;  e todos os outros momentos bizarros mostraram que não estamos prontos como torcida.

Talvez até seja um problema social.

O estádio de futebol é um lugar democrático e os torcedores do Hospitality tem o direito de estar lá.

Mas, por favor, quando comprarem um evento, uma experiência, entendam para onde vocês estão indo e sintam a emoção daquilo, a sua maneira é claro.

A ostentação desses torcedores nessa Copa foi um desrespeito aos torcedores comuns e a quem realmente queria estar lá.

Para efeitos de comparação, se ganhasse um show de um artista famoso que não conheço, eu iria ao evento, tiraria a minha foto, comeria meu canapé,  mas certamente tentaria viver a emoção daquilo e não somente dizer que estive lá.

Vocês, torcedores do Hospitality, que mandaram sentar, que se calaram durante 90 minutos e não se emocionaram, certamente não viveram a Copa do Mundo.

Quem madrugou e não conseguiu ingresso, viveu mais essa Copa do que vocês.

Escrito por Vitor Birner às 16:05 Vitor Birner 178 Comentários

14 jul

Nem Messi crê que foi o melhor do Mundial; Fifa transformou o prêmio em piada de mau gosto

Birnadas, Copa do Mundo

De Vitor Birner

Nem o próprio Messi acredita que foi o melhor da Copa do Mundo.

Atuou bem na primeira fase, teve participação importante no gol contra a Suíça nas oitavas-de-final e depois sumiu.

Na final, por exemplo, jogou mal.

Na hora da dificuldade, Di María até se machucar, Garay, Romero e Mascherano, apenas para citar companheiros do craque na seleção argentina, foram melhores que ele.

Blatter, o presidente da Fifa, disse que ficou surpreso com a escolha de Messi, mas respeita a escolha do comitê técnico.

Quem são os membros do tal comitê?

Ninguém capaz de entender minimamente concorda com eles.

Nem os argentinos acharam Messi o melhor do Mundial.

Até o premiado ficou constrangido com a escolha.

Deve guardar o troféu numa caixa de papelão no depósito de casa, longe dos vários troféus individuais e coletivos aos quais fez jus por causa da sua genialidade e capacidade de decidir campeonatos importantes.

O melhor do Mundial foi o Robben, que carregou o sistema ofensivo holandês nas costas.

Ou, se você quiser escolher um campeão, o Müller, pela regularidade, gols e capacidade de atuar em mais de uma posição.

Kroos era o grande candidato ao prêmio, mas a pífia atuação na final o atrapalhou.

Escrito por Vitor Birner às 14:21 Vitor Birner 143 Comentários

13 jul

Parabéns aos alemães pelo merecido título; Argentina lamentará por décadas os gols perdidos na final

Birnadas, Copa do Mundo

De Vitor Birner

Alemanha se propôs a atacar.

A Argentina gostou da ideia, ficou atrás e apostou nos contragolpes.

Marcou direito em quase todo jogo e na prorrogação.

Anulou, por exemplo, o Kroos que vinha atuando em alto nível no Mundial.

E levou muito perigo no contra-ataque.

Criou as melhores chances

Os gols perdidos por Higuaín, um deles após lance pífio de Kroos, Palacio e Messi serão relembrados por décadas.

O questionado Joachim Löw creio que será exaltado.

O gol do título começou com a linda jogada de Schurrle e terminou com o domínio prefeito e finalização correta de Goetze.

Ambos entraram ao longo do jogo.

Parabéns ao melhor time da Copa do Mundo pela conquista do tetracampeonato.

Escrito por Vitor Birner às 19:31 Vitor Birner 60 Comentários

12 jul

Holanda desmoraliza ainda mais a seleção brasileira e fica em terceiro lugar; acabou o papelão tático de Felipão e Parreira

Birnadas, Copa do Mundo, Seleção Brasileira

De Vitor Birner

Os dois primeiros gols holandeses foram irregulares.

Mas o resultado explica a diferença de qualidade de futebol entre o time de Van Gaal e o da dupla Felipão e Parreira na disputa pelo irrelevante terceiro lugar contra a Holanda que teve um dia a menos para descansar e treinar, e que havia atuado 120 minutos, não 90, na semifinal.

Será que o treinador de 1994 vai ler outra careta da dona Lúcia nos próximos dias?

Poderia optar por explicar o fato de a equipe não evoluir taticamente durante o torneio.

Ou simplesmente esclarecer a razão de repetir erros defensivos e dar o contragolpe ao Robben, atleta que mesmo bem marcado carregou o sistema ofensivo da Holanda nas costas durante a competição quase sempre apostando nos contra-ataques, logo no primeiro lance do jogo.

Como justificar a infantilidade coletiva sem falar da comissão técnica?

De novo o Brasil teve um bando de jogadores perdidos em campo.

Eles não se entenderam, apesar de Willian, Oscar e Ramires, todos do Chelsea, começarem juntos nos titulares do 0×3.

O trabalho coletivo fraco foi o principal calcanhar de Aquiles da seleção durante o Mundial.

Houve apenas dois esboços de acertos coletivos na primeira parte dos duelos contra Chile e Colômbia, além da ilusão na segunda etapa contra a fraca e desunida seleção camaronesa.

O restante da participação foi cheios de erros.

Os dez gols sofridos nos dois últimos jogos mostram o estágio pífio do futebol da seleção no momento em que devia estar tinindo.

Não faltou raça aos jogadores.

Eles correram bastante, mas estavam perdidos.

O trabalho fora de campo redundou no fracasso que mancha a história do selecionado.

Minha decepção com Felipão é enorme.

Não digo o mesmo sobre Parreira, pois dele nunca esperei nada especial.

Agora é preciso usar o embalo do vexame para ver se o coro, do qual faço parte há décadas, de quem cobra profundas mudanças de gestão, estrutura e cartolagem do futebol brasileiro, ganhará adeptos, ficará mais alto, e surtirá efeito neste período pré-eleitoral.

Detalhe

Duas seleções haviam sediado a Copa do Mundo quando já tinham o título no currículo.

A Alemanha Ocidental, que conquistou em bicampeonato, em 1974, diante de seu torcedores, e a Alemanha unificada, terceira colocada em 2006.

A então tricampeã* Itália também terminou no terceiro lugar, em 1990, ao ser eliminada na semifinal contra Argentina de Maradona que teve apoio de parte da torcida do Napoli, clube defendido, na época, pelo maior gênio do futebol dos anos 80 até hoje.

O Brasil encerrou a Copa do Mundo em quarto lugar, a pior posição de um campeão em seus domínios.

Escrito por Vitor Birner às 19:32 Vitor Birner 152 Comentários

11 jul

São brasileiros com muito orgulho e amor, mas abandonaram? Que vergonha

Birnadas, Seleção Brasileira

De Vitor Birner

Torcedor de futebol sabe que o amor ao time não depende do resultado.

Entende que é necessário estar ao lado da equipe na hora da dor e da festa.

Mesmo se for para vaiar quem desonrou o manto sagrado que tanto ama.

Não abandona a arquibancada no primeiro tempo, seja qual for a situação em campo, como se tivesse ido a um show e a música lhe desagradasse.

Futebol é competição, não espetáculo.

Fica muito melhor quando ambos se encontram durante os 90 minutos, mas não existe garantia de que a parte espetacular vai participar do jogo..

Me impressionou a quantidade de gente que entoou o ‘canto deprime jogador’ do “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” e foi embora do Neo-Mineirão ainda no primeiro tempo do massacre alemão contra a camisa pentacampeão mundial.

O orgulho desapareceu, como se a história não existisse, e o amor também.

Ficamos ao lado de quem amamos na saúde e na doença, pobreza e riqueza, alegria e tristeza, festa e luto, vitória e derrota..

A verdade é que nunca existiu o orgulho e muito menos o amor.

Entendi bem a razão de aquele canto frio, falso ter sido a marca de parte da torcida, não toda, que foi aos estádios dar pseudo-apoio ao Brasil.

Essas pessoas foram tão ruins ou piores que o próprio time na campanha do Mundial.

Lamento achar que vão digerir a goleada muito antes dos torcedores que sequer conseguiram, por questões financeiras ou concorrência na internet, ir aos jogos para cantar com emoção verdadeira, não estereotipada, programada e interessada nos segundos de foco no telão, apoiar o Brasil.

Disputar a Copa do Mundo em casa foi, em termos de torcida, mau negócio para a seleção.

Espero que no confronto da depressão, que vale o inútil terceiro lugar, as pessoas reajam na arquibancada e façam aquilo que não realizaram até agora..

A humilhação em campo mexe com os brios de quem entende e sente o que é torcer para a camisa mais invejada e elogiada da história do esporte.

Importante

Não acho que o sujeito, para amar o Brasil, precisa gostar da seleção.

Há maneiras bem mais discretas e importantes de agir em benefício ao país.

Mas não garantem ibope pessoal, que parece ser o maior objetivo de alguns.

Escrito por Vitor Birner às 14:50 Vitor Birner 232 Comentários