5 jul

São Paulo foi incompetente contra o Fluminense que tentou ‘imitar’ o Palmeiras

Análise de jogos, Brasileirão

De Vitor Birner

São Paulo 0×0 Fluminense

O jogo do Morumbi foi ruim.

O time de Juan Carlos Osorio com improvisos teve iniciativa de atacar.

O Fluminense priorizou a marcação no campo de defesa e esperou as brechas para, em velocidade, tentar fazer o gol.

Ambos não merecem elogios pela qualidade na execução das propostas dos treinadores.

Os erros individuais, de fundamento, prevaleceram.

Pato, Ganso e Luis Fabiano, os mais técnicos, quase nada realizaram.  Michel Bastos ao menos colocou o colega que tem vínculo profissional com o Corinthians uma vez de frente para o Diego Cavalieri.

Os atacantes do Fluminense não deram sequências em quase todas as jogadas.

As melhores oportunidades são-paulinas aconteceram em cruzamentos, como os que fizeram a equipe perder as últimas partidas, mas na hora de finalizar de cabeça foram desperdiçadas.

Improvisações

O desmanche do elenco e as confusões da diretoria obrigaram Juan Carlos Osorio a tomar medidas que, em princípio, não pretendia.

Se preocupou com a marcação em frente à zaga e o fortalecimento da jogada aérea defensiva, que fez o time perder os dois últimos jogos, ao colocar improvisar Lucão como volante, em certos momentos, ao lado de Hudson.

Poderia escalar o último na lateral no lugar de Bruno, machucado, mas o treinador preferiu deslocar Thiago Mendes para a posição onde poderia ser ala caso houvesse a possibilidade de Lucão formar o trio de zaga (o andamento do jogo definiria a formação do 3-4-3), provavelmente porque o ex-jogador do Goiás é mais forte no apoio e tem mais força física para ir ao ataque e recompor o sistema de marcação.

Na frente deles, optou Michel Bastos e Pato, pelo lados, que se transformaram em atacantes quando possível, e Ganso centralizado na meia.  Luis Fabiano, mais adiantado, jogou como centroavante.

Enderson Moreira imita Marcelo Oliveira

No Fluminense, Enderson Moreira, porque perdeu o meia Wagner durante a semana, optou por formação que privilegiou o contra-ataque.

Outro motivo deve ter sido o jogo são-paulino diante do Palmeiras, quando o Alviverde abriu mão da posse de bola e goleou. Optou por proposta igual ao do Alviverde, mas com outro esquema tático.

Pierre, como volante centralizado e apenas com função defensiva, Jean, na direita, e Edson, do outro lado, ambos encarregados da criação quando o time tinha a bola, formaram o meio de campo.

Gerson, que poderia atuar na meia, jogou mais adiantado, como atacante, do lado oposto ao de Marcos Junior.

Um deles, de acordo com o lado que o São Paulo atacou, ou ambos, se os laterais do adversário apoiassem simultaneamente, tinham que recuar para deixar o meio de campo ao menos com o quarteto ou o quinteto que fez a ‘parede’ na frente de Wellington Silva, Gum, Antonio Carlos e Giovanni.

Fred foi o centroavante do sistema ofensivo que não fez a menor questão de trocar passes.

Pobre em oportunidades de gol

Juan Carlos Osorio pediu marcação adiantada na área do Fluminense.

Enderson Moreira orientou o time a iniciar as tentativas de retomar a bola próximo à linha que divide o gramado.

As propostas distintas pautaram o que houve do primeiro ao último minuto.

O São Paulo, com iniciativa de tentar o gol, frequentou mais ao ataque.

E o time das Laranjeiras explorou a velocidade de quem jogou pelos lados do ataque  nas lacunas que o rival deixou ao avançar.

Ambos os times não devem ter agradado seus torcedores.

O de Juan Carlos Osorio foi um pouco melhor.

No cruzamento na medida, Michel Bastos com o ‘pé ruim’, o direito, colocou a bola na cabeça de Pato, livre, na área, mas o atacante tentou finalizar no contrapé de Diego Cavalieri, tocou fraco nela, e facilitou a defesa.

Aos 25, Edson perdeu a bola para Luis Fabiano após o atacante dominá-la mal, pediu a falta, ela ficou com Ganso, que tabelou com Pato e chutou rasteiro perto do gol.

O acerto de Leandro Vuaden

Aos 34, Rafael Toloi decidiu sair de trás driblando, escorregou após iniciar o lance de maneira competente, e abriu enorme lacuna no sistema de marcação do próprio time.

Marcos Junior foi para lá, recebeu a bola de Pierre e tocou na medida para Gerson, em velocidade, no contra-ataque, ficar de frente para Rogério Ceni.

O jovem revelado nas categorias de base do Fluminense teve a oportunidade de finalizar com o pé direito, mas esperou para fazer isso com o outro, pois é canhoto, se desequilibrou e quando Reinaldo encostou nele o jogador desmoronou e pediu o pênalti inexistente.

Simples para os goleiros

Em suma, durante todo o 1° tempo, Diego Cavalieri fez uma defesa e Rogério Ceni nem isso.

Razões das trocas

Os times retornaram do intervalo com as mesmas propostas de jogo e falta de inspiração.

Juan Carlos Osorio provavelmente esperou para saber se Enderson Moreira alteraria a postura defensiva do Fluminense para fazer a primeira mexida.

Quando notou que foi mantida, trocou, aos 7,  Edson Silva por Rodrigo Caio.

O que iniciou como titular tinha recebido o amarelo aos 30 minutos (não foi expulso porque tentou tirar a perna ao abri-la para não atingir de frente o rival no carrinho estabanado, desproporcional e desnecessário), o clube das Laranjeiras investia no contra-ataque, poderia ficar mano a mano contra o zagueiro e obrigá-lo a fazer a falta que teria como consequência outro cartão e a exclusão do jogo.

Insatisfeito com o rendimento ruim do Gerson, Enderson Moreira colocou Lucas Gomes. Foi uma mexida técnica, não tática, pois o reserva exerceu papel idêntico ao do atleta que saiu.

Aos 23, Centurión entrou no lugar de Michel Bastos. Jogou no mesmo setor do gramado do titular.

O treinador optou pelo atleta que carrega a bola e dribla em detrimento ao que toca mais e chuta em gol, porque  pretendia aumentar a possibilidade de superar o bloqueio do Fluminense com lances individuais e velocidade.

Cinco minutos depois, Wesley ocupou o lugar de Hudson porque Juan Carlos Osorio queria um volante mais capaz na criação e chegada ao ataque.

Quase junto, Gustavo Scarpa, meia de origem, entrou no lugar de Giovanni para o Fluminense ganhar mais qualidade da defesa e quem sabe, se o jogo permitisse, força nas jogadas pelos lados.

São Paulo não aproveita erros

O time do Morumbi teve oportunidades de gol, quase todas em cruzamentos, a maioria nos equívocos dos rivais. Do mesmo jeito que perdeu de Palmeiras e Atlético PR, poderia ter vencido, mas não teve competência na conclusão das jogadas.

Aos 23, Hudson cruzou mal, Wellington Silva furou feio, Pato ficou com a bola e a colocou na cabeça para Ganso, livre, na área, ‘recuar’ ao goleiro do Fluminense.

Aos 27, na única troca de passes em que o São Paulo superou a marcação do rival, Centurión, na área, driblou ao invés de finalizar e perdeu.

Aos 31, Luis Fabiano, livre, na área e um pouco longe do gol, cabeceou nas mãos de Diego Cavalieri.

Aos 32, o goleiro titubeou na cobrança de escanteio e Rodrigo Caio, na pequena área, cabeceou no travessão.

Logo em seguida, Wesley, no raro contra-ataque do São Paulo, finalizou, dentro da área, em cima de Diego Cavalieri.

Higor no lugar de Marcos Junior foi a última troca feita por Enderson Moreira.

Não houve mais nenhum lance digno de destaque.

Pierre e Thiago Mendes

Nos acréscimos, após Pierre dar o carrinho forte, limpo, na bola, Thiago Mendes pisou no volante.

Leandro Vuaden considerou que não houve intenção e por isso não deu cartão. Se achasse que o lateral poderia evitar, teria que expulsá-lo.

Não questiono

O resultado foi consequência apenas do que os jogadores fizeram errado e certo em campo.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Thiago Mendes, Rafael Toloi, Edson Silva (Rodrigo Caio) e Reinaldo; Hudson (Wesley) e Lucão; Michel Bastos (Centurión), Ganso e Pato; Luis Fabiano
Técnico: Juan Carlos Osorio

Fluminense – Diego Cavalieri; Wellington Silva, Gum, Marlon e Giovanni (Gustavo Scarpa); Pierre, Edson e Jean; Gerson (Lucas Gomes), Marcos Junior (Higor Leite) e Fred
Técnico: Enderson Moreira

Árbitro: Leandro Pedro Vuaden – Auxiliares: José Javel Silveira e Rafael da Silva Alves

Escrito por Vitor Birner às 20:28 Vitor Birner 85 Comentários

3 jul

Juan Carlos Osorio foi direto para quem quis ouvir

Birnadas

De Vitor Birner

O treinador criticou a direção do São Paulo na entrevista de hoje.

Confirmou quase tudo o que foi escrito no post anterior.

Falou até onde achou que devia, e de jeito sutil.

Não diria que a insatisfação o faz cogitar largar a oportunidade que tanto valoriza.

Eu sabia que a entrevista de hoje iria nessa direção.

Se decidir ir embora, simplesmente avisará, e se preferir ficar as críticas diretas contra a gestão são suficientes para se posicionar.

Quem tem senso crítico e escutou a fala dele percebeu.

Seria ruim a perda do treinador que foi um grande acerto da diretoria, inclusive do ex-gerente executivo de futebol que foi demitido e disse ao sair:

“Fui informado de que o futebol terá novos rumos, rumos esses dos quais eu não me vejo parte. São valores pessoais que preservo, carrego comigo, e que serão mantidos em sigilo”.

Diante de tudo, chama a atenção o incômodo de alguns torcedores com a informação fidedigna que a frustração o faz cogitar largar o cargo.

O treinador nas entrelinhas fala que a gestão é ruim, e essas pessoas reclamaram comigo e não disseram absolutamente nada sobre o restante.

Parecem funcionários de cartolas e não gente que ama o time.

Sequer direcionaram minúscula porção da ira contra quem pegou o São Paulo mal por causa da gestão ruim de Juvenal Juvêncio no terceiro mandato, lembro, idealizado por Carlos Miguel Aidar e defendido profissionalmente por ele na justiça,  e potencializou muito a crise econômica do clube.

Os custos da diretoria, que deveriam ser cortados como o presidente acertadamente falou que faria, cresceram.

O dinheiro importante  para pagar salários, se houvesse planejamento, foi investido em contratações.

Do ponto de vista técnico e tático, eu traria Alan Kardec. Em forma, hoje, seria titular para mim.

Mas se faltaria dinheiro para bancar as contas básicas, o negócio não deveria ter sido feito.

Citei aqui apenas o melhor atleta trazido pela atual diretoria.

Houve mais investimento no elenco.

Quem não enxerga tudo isso, ou tem dificuldade para entender porque muitos dirigentes e políticos ao longo da história acharam que podiam enrolar os torcedores e eleitores, ou especificamente no caso do São Paulo tem algum motivo pessoal para gostar do que se passa dentro do clube.

É muito estranho, depois do técnico reclamar de maneira direita do desmanche e atrasos de direitos de imagem, qualquer são-paulino disparar contra mim e não falar absolutamente nada da forma como a instituição tem sido gerida.

As ideias não batem.

São incongruentes.

Como o Juan Carlos Osorio diz que discorda dos dirigentes, os jogadores reclamam dos atrasos, essa parte de torcedores defendem o técnico e os administradores que têm opiniões antagônicas e acham que eu sou o responsável pelo problemas de gestão?

Isso é algo inteligente?

Os meses de atraso que fizeram os jogadores reclamarem não deveriam ser pagos por mim ou qualquer profissional de mídia.

Eu faço avaliações, sejam certas ou equivocadas, da administração dos clubes,  não de questões pessoais dos seres humanos que os gerem.

Minha profissão exige isso porque dezenas de milhões amam essas instituições do futebol.

Escrito por Vitor Birner às 15:49 Vitor Birner 127 Comentários

2 jul

Juan Carlos Osorio cogita deixar o São Paulo

Birnadas

De Vitor Birner

A decepção do treinador começou com o desmanche do elenco.

Não disseram isso a ele quando o contrataram.

Depois soube que o presidente do clube prometeu pagar os direitos de imagem atrasados durante a Libertadores e não o fez até agora.

Por isso não se sente confortável para cobrá-los.

O treinador que chegou ao Morumbi empolgado, reverenciando a oportunidade de ser funcionário de um clube organizado e capaz de conquistar os títulos por causa da tradição e da qualidade dos jogadores, ficou muito frustrado ao lidar com o dia-a-dia.

Ao mesmo funcionário do CT da Barra Funda que contou sobre como é complicado exigir esforço pleno dos atletas sob tais circunstâncias,  comentou que cogita ir embora.

A direção negará, mas sabe de tudo isso.

Será uma pena se o São Paulo perder seu maior conhecedor de futebol.

Declarações de Rogério Ceni 

” Gostaria de expressar minha alegria e felicidade por estar junto com vocês até dezembro de 2015. Tenho certeza que com a chegada de um novo treinador esse grupo vai dar uma resposta muito bacana e positiva. Encerraremos esse ano da maneira que todo são-paulino espera e merece: brigando pelo título Brasileiro e, Deus queira, sendo campeão.”

Esse foi o comunicado oficial do goleiro após renovar o contrato.

“É difícil. As pessoas falam do dinheiro, mas estou no clube há 25 anos e sei que as coisas se resolvem. Isso enfraquece. A gente tinha uma expectativa duas semanas atrás e mudou. Entendo a necessidade financeira do clube, mas eu também entendo a minha necessidade de ser campeão. São conflitos que a gente tem que resolver”

Essa foi a fala do goleiro após a derrota para o Atlético PR.

Nem para ele disseram que haveria o desmanche.

 

Escrito por Vitor Birner às 22:55 Vitor Birner 71 Comentários

2 jul

O supervalorizado Teo Gutiérrez que o Corinthians tenta contratar

Birnadas, Transferências

De Vitor Birner

Pés no chão

Teo Gutiérrez nas partes técnica, física e tática é inferior ao Guerrero.

Agregaria virtudes ao elenco do Corinthians, pois sabe jogar tanto pelos lados do ataque quanto como centroavante, e poderia, entrosado e em forma, tornar o setor mais versátil.

Aos 30 anos,  tende a não dar retorno econômico ao clube.

Por isso a direção corintiana não deve cogitar ultrapassar seus limites de gastos para tê-lo no elenco.

É um atleta de qualidade razoável para boa, do tipo que marcar gols em cerca de 50% dos jogos *(dependendo da fase a média aumenta ou diminui) e que se valorizou por ser titular da seleção da Colômbia – discordo de  Jose Pekerman nesta opção -,  vencer com o River Plate a Copa Sul-Americana e ter sido eleito pela Conmebol o melhor jogador do continente.

Antes

Iniciou no pequeno Barranquilla FC (Los Rojos de Currambra) da segunda divisão colombiana e o Junior, maior time da cidade,  o contratou.

O Trabzonspor o levou à Turquia e não conseguiu se firmar. Foi de lá para o Racing, onde ficou um ano. O clube hermano o emprestou ao Lanús, depois ao Junior de Barranquilla, e o negociou com o Cruz Azul.

A passagem pela agremiação grande do México durou um semestre até a cartolagem ‘millonaria’ levá-lo à Nuñez.

River Plate quer negociá-lo

Após dois anos, às vésperas da semifinal da Libertadores, o River Plate que lida com o enorme peso de ser campeão porque depois de seu último título no torneio o Boca Juniors comemorou quatro vezes tal conquista, quer negociá-lo.

Contratou Lucas ‘Pipo’ Alario (centroavante que pode jogar pelos lados) do Colón, o uruguaio Tabaré Viudez (joga pelos lados) e o veterano Saviola, todos atacantes.

Não tenho ideia se Marcelo Gallardo realmente aproveitará o Federico Andrada, que atuou no Metz por empréstimo.

De qualquer forma, as contratações para o ataque foram a prioridade da cartolagem do clube.

Os experientes Nicolás Bertolo e Lucho Gonzáles, ambos atuam no meio de campo e o primeiro é mais ofensivo, foram os outros reforços.

A minha impressão é que o River Plate quer a saída de Teo Gutiérrez, inclusive para tentar ganhar alguma grana antes do vencimento do vínculo profissional dele com o clube.

O mercado é quem manda

Lógico que o empresário do jogador faz contatos para arrumar um time para o cliente.

O Corinthians não tem como concorrer com algumas nações árabes, europeus, mexicanos, norte-americanos, chineses e indianos.

O melhor seria tentar outro centroavante ou esperar para saber se quem tem mais grana realmente irá investi-la no jogador.

Os dirigentes argentinos creem, com razão, que aparecerá alguma proposta.

Mas se isso não acontecer, a de US$ 2 milhões parcelados, que falaram ser ruim, ficará interessante aos olhos deles.

Escrito por Vitor Birner às 18:55 Vitor Birner 5 Comentários

29 jun

Palmeiras eficaz e pragmático goleia o São Paulo

Análise de jogos

De Vitor Birner

Palmeiras 4×0 São Paulo

O Alviverde ganhou porque foi forte na jogada aérea, muito competente nos contra-ataques, eficaz nas finalizações e competitivo na marcação.

Não precisou ter a bola ou propor o jogo, tal qual se diz no futebolês, para conseguir o resultado que pode elevar a confiança de seus jogadores.

A goleada aconteceu por mais razões além dessas.

O São Paulo cometeu erros defensivos, em especial nos cruzamentos, tanto individuais quanto coletivos.

E perdeu oportunidades quando ninguém havia feito gol.

Se tivesse êxito em uma, forçaria os palmeirenses a adiantarem todo sistema defensivo e alteraria o andamento

Mas o ‘se’ é irrelevante na análise do resultado construído exclusivamente pela qualidade de uma equipe e falta da outra ao executarem os lances mais importantes em qualquer partida onde não há favoritos.

Foi inquestionável o resultado histórico proporcionado apenas pelo rendimento técnico e tático dos jogadores de ambas as agremiações.    .

A neo-futebolística expulsão de Juan Carlos Osório não interferiu.

Egídio foi o melhor em campo.

As ideias dos treinadores

Marcelo Oliveira posicionou o 4-2-3-1; Rafael Marques, na direita, Dudu,do outro lado, e Robinho, entre eles, formaram o trio em frente aos volantes Gabriel e Arouca.

O time tinha opções de velocidade por ambos os lados – mais com o ex-gremista – e facilidade de recompor o sistema de marcação.

O atacante que jogou no Botafogo cumpre as determinações dos técnicos e o contratado no Coritiba, na meia, faz questão de participar dos desarmes..

O treinador optou por Leandro Pereira como centroavante.

Os lateral-direito Lucas quase não apoiou;  Egídio fez isso constantemente.

O time tentou marcar a saída de bola no início do jogo, quase conseguiu em dois passes errados do zagueiro Doria, mas acabou sendo obrigado a desistir dessa ideia.

O São Paulo conseguiu sair da defesa tocando a bola e ficou mais com ela.

Juan Carlos Osório formou o 4-3-3.

Encarregou Hudson de ser o volante ou o terceiro zagueiro, de acordo com o que houve na partida.

Souza foi o segundo principal marcador do setor central e foi à frente quando o time tinha a bola. Ganso, o meia, ficou com as missões de cooperar nos desarmes e coordenar o sistema ofensivo.

Luis Fabiano jogou como centroavante. Michel Bastos na direita e Pato do outro lado completaram o ataque.

Eles tinham que marcar os laterais e, um de cada vez, recuar para ser o quarto jogador do meio de campo.

O veterano artilheiro permaneceu centralizado na frente.

Um pouco superior até tomar o gol

O São Paulo jogou um pouco melhor até o Palmeiras fazer 1×0.

Teve mais de bola, iniciativa e quase fez o gol no lance individual de Pato, que passou por três adversários e chutou na trave.

A grande dificuldade para o time do Morumbi foi superar o bloqueio defensivo palmeirense.

Ganso jogou no ritmo abaixo do que o clássico exigiu.

Pato e Michel Bastos não tiveram com quem tabelar.

Mesmo assim, houve duas oportunidades, ambas com Michel Bastos finalizando, dentro da área, por cima do gol.

A primeira na única troca de passes que conseguiu com Luis Fabiano.

A segunda porque Rafael Marques, atento ao Carlinhos que apoiou constantemente, bobeou e permitiu ao o lateral chegar à linha de fundo e cruzar com precisão.

Uma moleza para o Palmeiras

O Alviverde não havia feito nada digno de ser ressaltado até os 31 minutos.

Dependia do contra-ataque e não chegara à frente em nenhum momento com mais jogadores ou em ótimas condições de finalizar.

Aos 31, iniciou a festa de seus torcedores num lance simples.

Dudu tocou para Egídio, que cruzou rasteiro. Na entrada da área, Leandro Pereira chutou, a bola desviou em Souza e Rogério Ceni não conseguiu chegar nela.

O Palmeiras nem precisou de tanto esforço para fazer esse gol.

Todos os marcadores são-paulinos ficaram distantes tanto na assistência do lateral quanto na finalização do centroavante.

O campo falou

Aos 33, em cobrança de escanteio, Victor Ramos cabeceou e ninguém do São Paulo sequer esboçou ficar perto do zagueiro.

O palmeirense nem precisou tirar os pés do chão.

Ficou em frente ao gol e acertou o travessão.

Perdeu oportunidade melhor que todas as que o adversário teve durante o clássico.

O futebol disse aos times que se um não melhorasse e o outro continuasse jogando de maneira simples e eficaz, a vitória teria duas cores.

Virtude x Defeito

Sete minutos após perder o gol, Victor Ramos fez 2×0.

Se deslocou na área e confundiu o Souza. Foi para perto de Hudson e Bruno, que marcaram o Dudu, e cabeceou de maneira elogiável, para o chão, forte, no canto direito.

Nos acréscimos, Michel Bastos, na área, finalizou em condição de fazer o gol, mas Fernando Prass foi rápido, fechou o ângulo e com o pé direito impediu.

Palmeiras ainda mais forte

Marcelo Oliveira sabia que o São Paulo teria a iniciativa de tentar marcar gols.

Por isso de novo deixou a bola com o rival.

O andamento do jogo tinha mostrado o caminho da vitória.

Marcação mais forte e capricho nos contra-ataques eram a fórmula para garantir os três pontos e mais gols.

Os jogadores colocaram em prática e de maneira melhor as instruções.

O sistema defensivo do Palmeiras, depois do intervalo, foi mais consistente.

Apenas uma vez, aos 7, no cruzamento de Carlinhos, permitiu que Pato entrasse na área em condição de finalizar, mas o atacante sequer chegou na bola.

No mais, teve amplo controle do jogo, mesmo abrindo mão da posse de bola e de tentar mantê-la no meio de campo..

Egídio, o melhor em campo

Vitor Hugo, de cabeça, quase encobriu Rogério Ceni após o lateral cobrar a falta.

Egídio deu a assistência na medida para Rafael Marques, em contra-ataque executado de maneira elogiável pela equipe, fazer 3×0.

E foi o autor do lançamento no qual Cristaldo, que havia entrado no lugar de Leandro Pereira, cabeceou e ampliou para 4×0.

O passe no primeiro gol foi dele.

Em suma, todos os últimos toques que terminaram com alegria dos palmeirense nos contra-ataques saíram do pé do lateral.

Mantendo x Tentando

Marcelo Oliveira, quando mexeu no time, manteve a proposta coletiva e a posição de todos que permaneceram no gramado.

Cleiton Xavier, aos 32, no lugar de Robinho, e Gabriel Jesus, logo depois, no de Dudu, executaram funções iguais as dos titulares.

O time não piorou.

Com um pouco mais de inspiração do atleta revelado no clube, talvez fizesse mais um gol com assistência dele.

Centurion e Thiago Mendes, aos 25 e 30 minutos, nos lugares de Hudson e Alexandre Pato, foram as trocas mal-sucedidas do São Paulo para otimizar o sistema ofensivo.

Expulso pelo neo-futebol 

Juan Carlos Osório não retornou do intervalo.

Foi expulso por dizer “a advertência do meu jogador (número 22, bruno), foi injusta, você errou, você está equivocado”,  de acordo com o relato na súmula .

É normal um gringo não entender o neo-futebol extremo que os dirigentes, aqui, implementam e contribui para a destruição da alma do esporte.

Mas não foi por isso que o Palmeiras goleou e o São Paulo perdeu.

Mereceu a goleada pelo que fez em campo.

Ficha do jogo 

Palmeiras – Fernando Prass; Lucas, Vítor Hugo, Victor Ramos e Egídio ; Gabriel e Arouca; Dudu (Gabriel Jesus), Robinho (Cleiton Xavier) e Rafael Marques; Leandro Pereira (Cristaldo)
Técnico: Marcelo Oliveira

São Paulo – Rogério Ceni; Bruno, Rafael Toloi, Dória e Carlinhos; Hudson (Centurión), Souza e Ganso; Michel Bastos, Alexandre Pato (Thiago Mendes) e Luis Fabiano
Técnico: Juan Carlos Osorio

Árbitro: Anderson Daronco (RS) – Assistentes: Rogerio Pablos Zanardo e Daniel Paulo Ziolli (ambos de SP)

Escrito por Vitor Birner às 7:50 Vitor Birner 228 Comentários

27 jun

Dunga e o Paraguai eliminaram o Brasil da Copa América

Birnadas

De Vitor Birner

Um gigante para o treinador

Alguém precisa dizer ao Dunga que o Paraguai é limitado e comum.

Quando um time tem um monte de jogadores melhores e camisa mais pesada que a de quem enfrenta, precisa fazer valer, seja qual for o esquema tático, a superioridade individual.

O Brasil nem tentou isso.

Depois de fazer o gol, ficou atrás, deu a posse de bola e o meio de campo ao Paraguai e ficou esperando a oportunidade no contra-ataque.

Diante de equipes mais fortes, seria compreensível.

A de Ramon Díaz nem de longe se enquadra em tal perfil

O beabá do futebol moderno

Não quero comentar escalação e esquema tático porque ficaram em segundo plano diante da maneira como Dunga orientou a seleção, especialmente depois de Robinho fazer o gol ao receber assistência de Daniel Alves.

Se o técnico pretendia garantir o menor resultado favorável possível, tinha que mandar os atletas trocarem passes no meio de campo, pois assim manteriam os paraguaios longe da área do goleiro Jefferson e teriam controle da partida.

Ao recuarem muito, permitiram que os paraguaios ditassem o ritmo, ganhassem confiança, chutassem de média distância, cruzassem na área constantemente, conseguissem faltas e escanteios.

Aqui entra a matemática óbvia.

Quanto mais bolas são levantadas lá, maiores são as possibilidades de algum defensor errar.

Foi o que aconteceu com Thiago Silva no pênalti.

Não criticarei o desempenho individual, em campo, nem dos jogadores que merecem.

É necessário entrosamento e inteligência para conseguirem repetir na seleção o futebol que mostram nos seus clubes.

Com tanta falta de ambos e de confiança neles de quem os dirige, a tendência era de queda enorme de rendimento.

Os veteranos foram subservientes 

Me incomoda quando os experientes como Robinho e Daniel Alves não contrariam o técnico que manda ficarem olhando o Paraguai, que depende muito dos lances pelos lados, tocar a bola no meio de campo.

Eliminação na conta do treinador

Dunga foi, de longe, o maior responsável pela fraca apresentação. O Eibar quando joga contra o Barcelona adota proposta coletiva similar a que ele colocou em prática.

O comandante não tinha nenhuma razão para interpretar a partida assim. O

Paraguai é previsível até na parte tática.

Fez o que podia da forma que qualquer um imaginava e foi melhor ao longo do pior jogo das quartas-de-final na Copa América.

A virose que Dunga e os jogadores citaram reforça o erro do treinador.

Quando o time toca a bola, o outro que fica muito recuado, mesmo marcando por zona, precisa correr para tentar retomá-la.

E não foi por falta de pernas que o Brasil foi eliminado.

O técnico não soube como aproveitar as circunstâncias que o 1×0 poderia proporcionar.

Escrito por Vitor Birner às 22:23 Vitor Birner 84 Comentários

26 jun

Palmeiras foi realista na proposta para Valdívia renovar o contrato

Birnadas

De Vitor Birner

Não faço parte do time de quem crê que o jogador acomodado sempre mantém esse padrão de comportamento profissional ao longo de toda a carreira.

As pessoas enxergam, pensam e lidam com o dia-a-dia de maneiras distintas e, entre elas, muitas aprendem com a vivência e optam por crescer naquilo que fazem.

Na hora de lidar com o dinheiro do clube, o cartola deve ser racional.

Por isso, o Palmeiras acertou ao propor para o Valdívia redução salarial de cerca de 75% no ganho fixo e enormes variáveis para elevá-lo com base na quantidade de jogos que atuaria e no cumprimento de metas.

O chileno é um dos destaques da Copa América.

Não se machucou e mostrou o futebol de qualidade que lhe pertence.

Talvez seja apenas coincidência (não é uma ironia), mas a melhora no desempenho e as comemorações com a torcida alviverde em algumas vitórias do time aconteceram exatamente às vésperas do fim do contrato, quando precisava de uma proposta que lhe interessava.

Essa foi uma das dúvidas de quem administra o futebol palmeirense e consequentemente um dos nortes para formular a oferta salarial.

Os cartolas pensaram quanto valia apostar no comprometimento maior do meia, de agora em diante, e vincularam os ganhos dele a isso e à condição econômica da agremiação.

Raciocinaram de maneira técnica como o cargo pede.

Essa história de o atleta ser mais esforçado antes do fim do vínculo profissional não é nova e nem exclusividade do ‘El Mago”.

Luis Fabiano, desde a chegada de Juan Carlos Osório, se mexe pelo campo e não permanece na área parado, toca a bola em vez de chutá-la sempre em gol e prioriza o coletivo.

Alexandre Pato, ciente que é observado por clubes de fora e preocupado com a hipótese de retornar ao Corinthians, tem sido um pouco mais participativo e vibrante.

Emerson Sheik, antes da última renovação com o Corinthians, voou em campo.

Eles e alguns outros cresceram quando precisaram se valorizar.

São acima da média nacional.

Conseguem ganhar apoio de torcedores imediatistas e despreocupados com as contas dos clubes, que cobram do dirigente muitas vezes populista a permanência dos jogadores.

Os cartolas que pretendem ser profissionais não podem levar isso em conta.

Por isso acho que o Palmeiras acertou na forma como interpretou a importância do meia no elenco e de propor a reforma a contratual que ‘cobra’ melhor desempenho.

Tecnicamente, seria titular absoluto se entrasse em campo constantemente, se o fizesse com empenho, se fosse importante na parte coletiva, se compreendesse o privilégio de jogar com o manto sagrado do clube…..

Se, se, se, se, se…

Cada ‘se’ lembrado enquanto formularam a proposta diminuiu o salário fixo e aumentou o valor que depende do rendimento em campo.

Escrito por Vitor Birner às 19:10 Vitor Birner 39 Comentários

23 jun

Quem realmente quer futebol honesto dentro e fora de campo?

Birnadas

De Vitor Birner

Bola na mão ou mão na bola

Os dirigentes da Fifa alteraram regras do futebol dentro e fora de campo.

Inventaram o tal do critério que manda marcar pênalti ou falta se há o toque da bola com o braço ou a mão de jogador, mesmo se não cogitou colocá-lo propositadamente e até tentou tirá-lo.

Encerraram os argumentos simples e diretos.

A regra, até hoje, determina a marcação da falta ou do pênalti quando o jogador de linha deliberadamente ( de maneira pensada) toca com o braço ou com a mão na bola.

A alteração dos ‘critérios’ (quando ele distorce a alma da regulamentação acaba se sobrepondo a ela e burlando a mesma) aumentou, de forma planejada, a subjetividade em um dos lances mais importantes.

Hoje há jogadas onde é impossível dizer se houve ou não a infração.

Os árbitros por isso podem fazer quase o que quiserem.

O mais curioso é que nenhum cartola ou torcedor será capaz de explicar como essa enrolação de semântica beneficia o futebol.

Na prática tem a ver com a transformação do esporte cheio de casualidades (a chamada falta de lógica) e choques bruscos em algo que atende aos anseios de quem não compreende a cultura futebolística, impossível de ser assimilada em videogames e no society.

Nada contra esses dois. São muito legais e divertidos.

Apenas não têm a alma do futebol.

Os maiores interesses dos cartolas

Tais gestores, em nome do dinheiro e de construção de arenas com produtos comprados de fornecedores oficiais da Fifa, elevaram os valores de ingressos e criaram o público formal, frio, que se emociona de maneira protocolar e de vez em quando parece interpretar o papel de torcedor.

Queria que o leitor do blog me falasse quais alterações neste século contribuíram para o futebol e como tornaram o jogo melhor.

Até as comemorações de gols foram plastificadas.

Alguns desses administradores que mexeram nas regras foram obrigados a renunciar aos seus cargos e outros são mantidos sob a tutela da Justiça.

São eles que determinam os responsáveis pelas comissões de arbitragem.

A improvável ilha de ética

É difícil imaginar que políticos preocupados acima de tudo com a manutenção de poder e dinheiro mantêm o jogo de futebol longe ‘do mundo dos bastidores’ em nome de uma ética plena nas questões esportivas.

A primeira  exige parceiros políticos em federações e clubes e a segunda a exclusão das camadas da sociedade com menor potencial de adquirir o que é material, que não por coincidência é formada na maioria pelo que tiverem menos acesso aos estudos e contribuíram agressivamente para tornar o futebol tão grande.

Dentro e fora do Brasil, qualquer pessoa atenta, racional e com algum conhecimento do assunto notou que houve condução muito estranha no cumprimento de regras em vários jogos ao longo da história do futebol.

Nosso futebol x Teu time

Não farei a lista, aqui, porque o clubismo egoísta e ruim (tem o construtivo e que alimenta a alma do futebol) pautará muitos ‘raciocínios’.

Daria enorme audiência, mas essa não é minha primeira meta.

Aqui no blog, a cultura “do roubado é mais gostoso”, do “essas polêmicas são fundamentais no futebol”, sempre foi contrariada, o que torna o jornalista, dependendo de qual foi o clube beneficiado (em regra os mais populares têm maior força de bastidores quando apoiam o establishment  do esporte), impopular.

Basta citar um desses jogos para o mar de agressões internéticas ter início.

Quem de fato prioriza a ética no esporte percebe ao menos algumas vezes a arbitragem muito tendenciosa ( o andamento do jogo e a experiência de quem o conduz podem tornar discreta a manipulação) e não fica feliz quando seu time vence assim.

De nada adianta a indignação apenas quando é contra a agremiação para qual a pessoa torce.

Ou se melhora o pacote inteiro ou uma hora até quem possui mais privilégios acaba sendo vítima daquilo que mais vezes o favoreceu.

Eis uma citação para impedir o egoísmo de gritar aqui:

Quantas vezes os times pequenos tiveram sorte na condução de regras durante os poucos momentos em que encararam os grandes clubes em partidas eliminatórias?

A tua resposta realista mostra que apenas a exceção gera a indignação, e que os dirigentes da Fifa, CBF e afins tem plena convicção disso.

Importante.

A maioria dos erros na imposição de regras durante os 90 minutos acontece honestamente.

Lógico que a eletrônica no futebol faria que diminuíssem, mas impediria, junto, os intencionais, e isso não é do interesse de alguns gestores do futebol

Escrito por Vitor Birner às 22:01 Vitor Birner 119 Comentários

20 jun

Com mais bola e sorte, Santos vence Corinthians no clássico com muitos lances complicados

Análise de jogos, Brasileirão

De Vitor Birner

Santos 1×0 Corinthians

O Peixe foi melhor enquanto os times tiveram 11 jogadores.

Fez o gol e poderia ter marcado outros com mais capricho no último passe.

O Corinthians cresceu depois das expulsões.

Acertou duas vezes as traves.

Houve lances difíceis para a arbitragem, como o gol marcado e um dos anulados do Santos, o do pênalti pedido por Luciano e principalmente o suposto de Daniel Guedes, onde não tem certo ou errado porque os tais critérios da Fifa tornaram a regra subjetiva.

De qualquer jeito, o marasmo não passou nem perto do clássico.

Pena que pouco mais de 7,5 mil compareceram ao estádio para acompanhar o interessante jogo dos alvinegros.

Melhor em tudo

O Peixe marcou a saída de bola no 4-2-3-1 e posicionou o sistema ofensivo no 4-3-3.

Geuvânio na direita, Gabriel do outro lado, e Marquinhos Gabriel ou Rafael Longuine entre eles, ficaram atrás de Ricardo Oliveira na marcação.

O quarteto iniciou as tentativas de desarmar ou na área do rival ou na meia.

Lucas Otávio, o volante, teve como parceiro Rafael Longuine ou Marquinhos Gabriel – o primeiro fez muito mais a função de volante -  de acordo com o momento do jogo.

De posse da bola, Gabriel e Geuvãnio deram alguns passos adiante e foram atacantes.

Marquinhos Gabriel e Rafael Longuine se posicionaram na meia e apenas Lucas Otávio ficou perto dos zagueiros Werley e David Braz.

Os laterais Daniel Guedes e Victor Ferraz participaram do sistema ofensivo.

Não era necessário mais que três jogadores atentos aos contra-ataques.

Tite deixou apenas Vágner Love na frente para esses lances.

No 4-2-3-1 pelo qual optou, o trio de criação contou com Jadson na direita, Mendoza,do outro lado e Renato Augusto centralizado.

O quarteto mais adiantado marcou a saída de jogo para tentar impedir a transição santista ao ataque.

Mas quando o Peixe conseguiu, todos os articuladores recuaram e formaram com Ralf e Petros o quinteto em frente aos laterais e zagueiros.

Por isso Vágner Love aguardou sozinho os lançamentos longos e não havia motivo para o Santos ter mais que três jogadores marcando o centroavante.

Tanto é que em todo o 1° tempo a equipe de Tite não encaixou nenhum contra-ataque.

Rafael Longuine e Ricardo Oliveira

O gol aos 9 minutos nasceu no lançamento de Rafael Longuine para Ricardo Oliveira, no lado em que Jadson e Fagner marcaram.

Naquela região do campo o Peixe teve seus melhores momentos.

Marquinhos Gabriel, dono de apresentação convincente, foi o meia, lá, apesar de não ter sido o autor do assistência.

Ricardo Oliveira, na área, recebeu a bola em posição difícil para o auxiliar e até para quem acompanhou a repetição pela televisão, e chutou forte, cruzado, como era possível.

Apesar da precisão do centroavante, foi uma finalização que Cassio podia defender.

De qualquer maneira, não considero falha. Mais inspirado, o goleiro pegaria.

Rafael Longuine e Geuvânio

Dez minutos após o gol, de novo Rafael Longuine foi para o setor onde o Corinthians falhou na marcação e tocou para Geuvânio fazer o gol

O auxiliar marcou impedimento.

A jogada foi tão difícil quanto a anterior.

Minha impressão, não convicção, é que não houve a posição irregular.

Marcação garantiu futebol melhor

O Santos manteve a superioridade em todo 1° tempo, em especial nos 30 minutos iniciais.

Continuou com o mesmo tipo de marcação até o desgaste físico obrigá-lo a recuar.

A eficiência dela enquanto os jogadores tiveram pernas determinou a maior presença  no ataque.

Impediram o adversário de trocar passes e levar a bola até os meias.

Ineficaz

Já a marcação adiantada corintiana não funcionou.

O Santos conseguiu fazer a transição.

Por isso teve mais posse de bola ofensiva.

Santos mais ousado

Outro motivo, de menor impacto, para a superioridade foi a ousadia.

Quando o Corinthians foi ao ataque, ou Geuvânio ou Gabriel permaneceu na frente mais perto de Ricardo Oliveira para os lances de velocidade com o sistema defensivo do adversário adiantado.

Apesar de marcar com duas linhas de quatro enquanto o rival o fez com um homem a mais na do meio de campo, o Peixe foi melhor que o Corinthians nos desarmes.

Do lado direito, o sistema de criação corintiano ficou despovoado.

Fagner ficou sobrecarregado

Jadson foi para o centro, na meia, Renato Augusto se mexeu em busca de lacunas e Mendoza, aberto, não fez nada digno de ser mencionado.

Fagner, por isso, teve que avançar para tentar equilibrar as ações no ataque.

Tomou o cartão amarelo e poderia ter sido expulso se Luiz Flávio de Oliveira adotasse o rigor tradicional do futebol brasileiro.

Teve que fazer a infração quando corria para recompor a marcação.

O Santos tinha Gabriel ou Marquinhos Gabriel para explorar os vãos que o lateral deixou quando foi à frente.

Pouco 

Lembro que o Corinthians passou a frequentar o ataque apenas quando o Santos recuou por falta de pernas.

Mendoza muito recuado 

O colombiano funciona melhor quanto tem brechas para correr com a bola.

Como jogou na linha do meio de campo e teve que ficar de olho em Victor Ferraz ou em Marquinhos Gabriel, não foi acionado do jeito que pode colocar suas principais virtudes em prática.

Tite o forçou a recuar muito porque provavelmente não confia em Renato Augusto para fazer a marcação no chamado, pelo ‘futebolês’,  ’corredor’, ou porque tem receio de pedir ao Petros para fazer isso e Renato Augusto ficar mais perto de Ralf.

Essa troca de funções, toda vez que o time recompões o sistema defensivo, aumenta a possibilidade de erros e cansa muito o Renato Augusto, que precisaria se aproximar de Vágner Love e recuar para perto do volante .

Difícil

O cobertor do treinador, para suprir as necessidades coletivas, realmente não tinha a largura e o comprimento necessários.

Tentativa

Tite adiantou Petros para a linha dos meias após o intervalo.

Passou a jogar no 4-1-4-1 com flutuação para o 4-1-3-2 quando Mendoza ou Renato Augusto se posicionaram como atacantes.

Não funcionou de novo.

A marcação do Santos continuou impedindo seu goleiro de fazer qualquer intervenção difícil.

Mais um gol anulado

Aos 7 minutos, Geuvânio puxou o contra-ataque com Ralf perto dele. Ricardo Oliveira, inteligente, se deslocou, recebeu o passe na direita onde ninguém do Corinthians marcou e e tocou para Gabriel fazer o gol.

O lance foi invalidado porque houve o impedimento inquestionável do santista.

Tite tenta aumentar potencial do sistema ofensivo

Aos 14, Tite colocou Luciano no lugar de Petros.

Fez o que a lógica exigia, pois passou a ter dois atletas rápidos pelos lados, um deles que entra na área e faz o papel de segundo centroavante, e Renato Augusto e Jadson na meia.

A bola tinha que chegar em Vágner Love, que mal pegou nela perto ou dentro da área.

‘Inalterado’

O Santos recuou um pouco e o Corinthians foi á frente.

A necessidade de quem perdia e a tática doo que vencia mantiveram o jogo parecido.

As oportunidades de gol continuaram todas do mesmo time.

Apenas a forma como foram criadas foi alterada.

Ao invés de ter a bola na frente, o Santos passou a investir no contra-ataque.

Neto Berola entrou para jogar na função de Gabriel, que saiu.

Expulsão

Aos 25, Rafael Longuine fez a falta, de propósito, quando Luciano tentava ir à linha de fundo.

Já tinha o cartão amarelo, recebeu outro e o Santos ficou com um jogador a menos.

Não tinha necessidade de derrubar o atacante.

Poderia evitar a exclusão.

Pênalti?

Na cobrança de falta, Luciano, que cavou a infração e expulsão, cabeceou e obrigou Vladimir, pela primeira vez, a fazer algo complicado.

No rebote, o próprio Luciano tentou dominar com peito e Geuvânio afastar. O corintiano caiu, como se tivesse sido chutado, dentro da área.

O árbitro deu amarelo para ele por simular.

Aqui o lance é simples.

Se houve o contato e o atacante foi derrubado, deveria ser marcado o pênalti.

E se aconteceu a simulação, o cartão amarelo tinha que ser mostrado.

Achei que não houve a infração, mas a jogada não foi simples de ser avaliada.

Tudo ou nada

Logo após a expulsão, Tite trocou Edu Dracena por Danilo. Ralf podia ficar perto de Gil.

O treinador recuou Renato Augusto para a função de volante que participa da criação.

Decidiu mandar o time para cima.

No Santos, o volante Thiago Maia entrou no lugar de Marquinhos Gabriel para aumentar a pegada no meio de campo.

Iguais

O Corinthians ficou um jogador a mais por cerca de 3 ou 4 minutos.

Fagner fez a falta no ataque para impedir que Neto Berola partisse com a bola contra o sistema de marcação desguarnecido, mereceu o outro amarelo e consequentemente o vermelho.

Corinthians manda no jogo

Edilson, no lugar de Mendoza, e Leandrinho, no de Geuvânio, foram ás últimas trocas.

Nessa bagunça de perda de jogadores e adaptações táticas, o Corinthians cresceu e o Santos parou de jogar.

Luciano cabeceou na trave depois de receber o cruzamento do Jadson.

Edilson, no rebote, fez o mesmo.

Sorte santista

Em ambos os lances Vladimir não tinha como defender.

Por centímetros não tomou o gol.

A porcaria do critério de Blatter, Vlacke e cia

O lance em que Edilson chutou na trave foi no rebote de cobrança de escanteio.

Antes, na jogada que originou o escanteio, a bola bateu na mão de Daniel Guedes.

É lógico que o lateral tentou tirá-la e não houve como por causa da velocidade da bola.

E isso, no futebol de sempre, nunca foi pênalti.

Mas há as recomendações que a Fifa promoveu e que aniquilaram a essência da regra.

Inventaram o tal da mão colada na corpo, que de vez em quando é impossível por causa do movimento corporal.

Em suma, se não correr com os braços para trás, o que é algo caricato, o ‘colocar a mão deliberadamente’ como diz a regra não significa nada.

Mas nem sempre é assim

Nesse mesmo campeonato brasileiro, assim como no anterior, houve lances considerados normais e pênaltis marcados assim.

O próprio Santos cobrou um que conseguiu dessa forma no clássico diante do São Paulo.

Na decisão da Uefa Champions League – para as pessoas não acharem que o problema é apenas brasileiro – houve a contradição ao anularam gol de Neymar ao não marcaram a penalidade Lichtsteiner.

Então, Luiz Flávio de Oliveira podia optar pela regra do futebol ou o critério do neo-futebol.

Decidiu interpretar de acordo com a tradição do esporte e por isso deu o escanteio.

Fundamental

Justiça, no esporte, tem a ver com a igualdade de interpretações em todos os jogos do mesmo campeonato, não com palavras no papel que são colocadas de maneiras distintas de acordo com a maneira como quem as lê acha melhor

Ficha do jogo

Santos – Vladimir; Daniel Guedes, Werley, David Braz e Victor Ferraz; Lucas Otávio e Rafael Longuine; Geuvânio (Leandrinho), Marquinhos Gabriel (Thiago Maia) e Gabriel Barbosa (Neto Berola); Ricardo Oliveira
Treinador: Marcelo Fernandes

Corinthians – Cássio; Fagner, Gil, Edu Dracena (Danilo) e Uendel; Ralf e Petros (Luciano); Jadson, Renato Augusto e Mendoza (Edílson); Vagner Love
Treinador: Tite

Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira (Fifa-SP) – Auxiliares: Rogério Pablos Zanardo e Daniel Paulo Ziolli

 

Escrito por Vitor Birner às 21:37 Vitor Birner 36 Comentários

18 jun

Neymar não consegue liderar e Brasil joga muito mal contra a Colômbia

Birnadas

De Vitor Birner

Brasil 0×1 Colômbia

Não gastarei milhares de caracteres com detalhes táticos apesar de o treinador insistir com o volante Fred como meia, aberto, e de ter ouvido o que ‘o campo falou’ na estreia contra o Peru ao iniciar com Thiago Silva e Roberto Firmino nos lugares de David Luiz e Diego Tardelli.

As mexidas não redundaram em melhora.

O time tomou o gol em cruzamento na área, não por causa do zagueiro, e perdeu duas oportunidades.

Uma com Neymar, de cabeça, após belo lance individual de Daniel Alves, e outra que ao menos metade dos leitores do blog faria e o atleta do Hoffenheim, depois do recuo ‘ na fogueira’ de Murillo para Ospina e do goleiro errar a saída de jogo quando Elias o marcava na área, chutou por cima.

Talvez os nervos tenham contribuído para a finalização ruim.

Houve muitas falhas muito em lances simples, principalmente nos passes, e foi ficando cada vez mais irritado após notar que não fazia nem o pouco que mostrou diante do Peru.

Nervoso e mal na técnica

Neymar foi de novo a referência. Mas, dessa vez, ruim.

Potencializou a irritação dos companheiros quando não deu sequência nos lances e ficou discutindo com os colombianos que pretendiam tirá-lo do prumo.

Merecia ser expulso porque tinha o amarelo e empurrou o zagueiro Murillo na frente de Enrique Osses.

O chileno não teve como manter o cartão no bolso quando o craque se meteu no entrevero com Bacca.

Depois de garantir a vitória?

O centroavante do Sevilla foi ingênuo porque tinha vencido o jogo e não poderá ficar no banco diante do Peru, além de provavelmente ser suspenso das quartas-de-final caso o time chegue nela.

Tinha que evitar o empurrão em Neymar. O brasileiro receberia o vermelho por causa da ameaça de dar cabeçada em Murillo.

Jose Pekerman promove disputa com Falcao Garcia pela posição, mas pode colocá-lo na de Teo Gutiérrez, pois é superior ao atacante do River Plate.

Desse jeito tem que ficar no banco.

Simples e comum 

A Colômbia merece nota seis pelo que mostrou.

Marcou mais ou menos direito, atacou pelos lados, cruzou na área, arriscou chutes de média distância e cumpriu o beabá de maneira comum.

Se jogasse futebol a altura da técnica de seus principais atletas, teria feito outros gols e chutado algumas dentro da área.

Ganhou porque a atuação brasileira foi abaixo da crítica.

O Brasil diante da Colômbia

Os volantes Fernandinho e Elias pouco apoiaram.

Os laterais Daniel Alves e Filipe Luís avançaram mais e não tiveram com quem tabelar.

Willian quase nada fez. Fred foi ainda pior. Roberto Firmino não criou e desperdiçou a oportunidade.

Phillippe Coutinho e Douglas Costa entraram nos lugares dos primeiros, depois Diego Tardelli no de Elias, e nem com um monte de gente no ataque o Brasil fez mais que investir em lançamentos longos na área onde o treinador não colocou ninguém especificamente para disputar no corpo com os zagueiros.

A outra alternativa for dar a bola para Neymar tentar com dribles e passes.

A seleção mostrou repertório pobre ofensivo e falhou algumas vezes na recomposição defensiva.

Ficha do jogo com notas

Brasil

Jefferson – não teve responsabilidade no gol e nem fez intervenções muito difíceis (6,0),

Daniel Alves – fez o único lance individual interessante do Brasil. Poderia ter sido mais acionado, mas jogou do lado posto de Neymar e o time atuou muito em função do atacante. Na parte defensiva, nem tirou coelhos da cartola e nem comprometeu (6,0).

Thiago Silva e Miranda – a Colômbia ganhou algumas divididas por cima, como no gol, mas não todas contra eles. A marcação falha no meio dificultou para ambos (5,0).
Filipe Luis – do lado dele Cuadrado se destacou. É fato que Fred e depois Filipe Coutinho não conseguiram marcar em frente ao lateral como time precisou. As más apresentações de Fred, Phillippe Coutinho e Neymar tornaram inútil os avanços dele (5,0).

Fernandinho – mal na saída de jogo e mais ou menos na marcação (4,0).

Elias – foi pouco ao ataque e não merece aplausos pela qualidade nos desarmes. Participou do erro da Colômbia que poderia ter gerado o empate (5,0).

Diego Tardelli – entrou no lugar do volante para otimizar o sistema ofensivo. Não criou nada e nem foi para a área esperar lançamentos. A nota não será menor porque atuou pouco (4,5).

Fred – não criou, finalizou e marcou direito. Jogou em uma função que exigiu tudo isso (3,5).

Philippe Coutinho – entrou no lugar do jogador do Shakhtar Donetski, não contribuiu na criação e piorou ainda mais a marcação. Nas lacunas que deixou a Colômbia teve as melhores oportunidades após o intervalo (3,5).

Willian – como Daniel Alves, foi pouco acionado porque jogou do lado oposto ao que Neymar mais apareceu. Quando a bola chegou no atleta do Chelsea, ele não fez nada digno de ser lembrado (5,0).

Douglas Costa – entrou no lugar de Willian e manteve o padrão (4,5).

Roberto Firmino – perdeu a melhor oportunidade. Atuou centralizado e a Colômbia congestionou aquela região do campo. Ao menos tentou chamar o jogo – (3,5)

Neymar – Ninguém pode reclamar que não tentou assumir responsabilidades. Mas falhou nos dribles, marcação, perdeu o gol, tomou cartão inútil e contribuiu para os companheiros ficarem nervosos e errarem mais. (3,0)

Técnico: Dunga – na escalação titular questiono apenas o Fred. O time não funcionou coletivamente e de novo tudo passou por Neymar. Os volantes ficaram muito atrás. Piorou o desempenho da equipe nas substituições. Ao notar que os comandados investiam em lançamentos longos na área sequer povoou aquela região do gramado (2,5).

Colômbia – Ospina 5,5; Zúñiga 6,5, Zapata 6,0, Murillo 6,5 e Armero 6,0; Valencia 6,0 -(Mejía 5,0), Carlos Sánchez 6,0, Cuadrado 6,5, James Rodríguez 6,0; Teófilo Gutiérrez 5,0, (Bacca 0,5), e Falcao García 5,0 (Ibarbo 5,0)
Técnico: José Pekerman 6,0

Árbitro: Enrique Osses (5,0) – Auxiliares: C. Astroza (6,0)  e Marcelo Barraza (6,0)

Escrito por Vitor Birner às 8:32 Vitor Birner 133 Comentários