De Vitor Birner
Corinthians 1×1 Boca Juniors
A apresentação do Corinthians no primeiro tempo foi péssima. O time jogou muito mal na parte coletiva e individual.
Tinha que se impor, pressionar a saída de bola e encurralar o fraco Boca Juniors e não fez nada disso.
Os Xeneizes não têm opções ofensivas, são ruins na criação e finalização, não possuem velocidade para o contragolpe e somam incríveis quantidades de resultados ruins na temporada.
Ramon Diaz, técnico do River Plate, diz que se trata de um dos piores times em toda história dos Xeneizes.
Tanto é que mesmo cometendo uma quantidade enorme, atípica de erros, o atual campeão da Libertadores só não foi ao vestiário no período de descanso com vantagem no placar porque a arbitragem o prejudicou.
O trabalho do soprador e de um de seus auxiliares foi horrível. Não deram o pênalti de Marin, Carlos Amarilla deveria expulsá-lo e ainda invalidaram o gol legítimo de Romarinho.
O Boca fez gol graças ao Riquelme, que tirou o coelho da cartola, e às falhas de Cássio e Ralf.
Dono de péssima condição física e sem ter com quem jogar, bastava os defensores corintianos não darem espaço ao craque e menosprezá-lo, tal qual fizeram.
O goleiro, acho, não imaginou que o meia chutasse daquele lugar e acertasse.
O Corinthians atuou bem no começo da etapa complementar, enquanto teve forças para manter a intensidade defensiva.
Paulinho, até então sumido, cresceu muito e fez o gol de empate.
Acabou sendo o destaque da equipe.
Guerrero, Danilo e Scheik não estavam inspirados, Pato, autor de uma furada horrorosa, menos ainda.
Tite errou ao colocar Douglas.
Depois de ele entrar, o sistema ofensivo parou de vez.
De qualquer forma, apesar da fraca atuação corintiana, o resultado e a eliminação foram injustas por causa da arbitragem.
Escalações
Corinthians – Cássio; Alessandro (Edenilson), Gil, Paulo André e Fábio Santos; Paulinho e Ralf; Romarinho (Pato), Danilo (Douglas) e Emerson Sheik; Guerrero. Técnico: Tite.
Boca Juniors- Orion; Marín, Caruzzo, Burdisso e Clemente; Somoza, Erbes (Bravo), Erviti e Sánchez Miño; Riquelme (Viatri); Blandi (Zárate). Técnico: Carlos Bianch
Futebol fraco
O Corinthians jogou muito mal no primeiro tempo.
Errou de várias formas.
Precisava pressionar a saída de bela e não conseguiu.
Necessitava mantê-la no campo de ataque e tornar o andamento do confronto incômodo para o Boca e não chegou nem perto de fazer isso.
Havia 2 ou 3 jogadores, dependendo das circunstâncias, que mereciam atenção na marcação e eles tiveram espaço.
O Alvinegro parecia anestesiado.
O Boca Juniors não se propôs a jogar. Desde o apito inicial gastou todo tempo que podia para cobrar cada lateral, falta ou tiro de meta.
Bianchi escalou Marin, Burdisso, Caruzzo e Clemente Rodriguez nas laterais e zaga, Somoza, Erbes e Ervitti de volantes.
Eles não passaram do meio de campo quando os Xeneizes estavam com a redonda. Sanchés Miño atuou como quarto volante e meia. Riquelme, com liberdade, foi o ‘enganche’ e Blandi o único atacante.
Os argentinos fizeram tudo que Tite certamente sabia.
Tentaram manter a dita cuja no meio, fizeram vários lançamentos para Riquelme e Blandi, e, obviamente, priorizaram radicalmente a parte defensiva.
Assim, impediram o Corinthians de pressionar.
Me chamou a atenção a enorme distância entre os volantes do time e os meias.
Havia um vão atípico na equipe que costuma ser compacta entre Paulinho, Ralf, e Romarinho, Danilo e Sheik.
Os trio ficou perdido no meio do sistema defensivo adversário. De nada adiantou a troca de posição entre eles.
Paulinho não apareceu na frente e os laterais ficaram atrás.
O volume de jogo ofensivo corintiano foi pífio antes do intervalo.
Arbitragem péssima
Mesmo jogando mal, o Corinthians poderia ter feito gols se Carlos Amarilla e o auxiliar Rodnei Aquino trabalhassem direito.
O apitador desde o começo tentou controlar o jogo mostrando cartões amarelos em reclamações e exigindo a autorização dele nas cobranças de faltas e laterais, o que é comum e apelativo, pois deveria cumprir a regra e adotar critérios iguais aos usuais na Libertadores.
Mas esses não foram os principais problemas.
Não deu o pênalti e expulsou Marin, que propositadamente colocou a mão na bola e já tinha levado o amarelo.
Depois, o auxiliar levantou a bandeira quando Romarinho, em posição legal, balançou a rede.
Ninguém havia feito gols até então.
Riquelme 1×0 Cássio
Logo depois do bandeirinha falhar, Riquelme, de longe, viu Cassio saindo do gol, acertou lindo chute e encobriu o goleiro.
Acho que o meia tentou fazer o que conseguiu por duas razões. Ele é egoísta e arrogante o suficiente para arriscar lances assim. E se tentou levantar a bola na área, errou por muito.
Apesar da jogada de talento, Cassio não poderia sofrer um gol como esse. Tem culpa também.
Mas não apenas ele.
Riquelme, cheio de problemas físicos, dono de condição atlética ruim e talento indiscutíveis, não é tão difícil de ser marcado e nem pode ter espaço para tirar coelhos da cartola.
Ralf só precisava cuidar do veterano e o deixou receber vários passes. Lembro que o Boca estava quase todo atrás e os defensores do Corinthians não precisavam se preocupar com ninguém além dele, do atacante Blandi e às vezes Sanchez Miño
Mudanças
Alessandro e Romarinho não voltaram para o segundo tempo. Edenilson e Pato entraram na equipe.
Edenilson tem mais força para apoiar. Pato se revezou com Emerson Sheik na criação e na parceria com Guerrero no ataque, pois o 4-2-3-1 se transformou no 4-4-2 com muitas jogadas de linha de fundo.
Entrou no jogo e empatou
O Corinthians fez no começo da etapa complementar aquilo que deveria ter realizado no início do confronto.
Pressionou a saída de bola, ficou com ela no ataque e empurrou o Boca para dentro da área dele.
A diferença técnica, individual, entre os time sé abissal. Os comandados de Tite precisavam fazer ela aparecer.
Paulinho, aos 8 minutos, empatou.
Aproveitou um dos vários cruzamentos.
Houve outras oportunidades nos 15 ou 20 minutos em que a enorme superioridade do Corinthians se transformou em completo domínio.
O Boca Juniors, como não term atacantes de velocidade, nem tinha como contra-atacar.
Acerto do apito
Aos 15, o árbitro anulou gol de Paulinho. O auxiliar, acho, marcou o impedimento.Vi uma vez a jogada e discordo disso, mas Paulinho fez falta no goleiro Orión e disso não tenho dúvidas.
Cansou
Depois dos 15 minutos, o Corinthians continuou melhor, todavia sem a mesma intensidade.
O Boca apenas se defendeu.
Aos 22, Riquelme, sem condições físicas, saiu e Viatri, atacante, entrou. Blandi recuou para ajudar o meio-campo na marcação.
A furada do Pato
Aos 30, Pato driblou o goleiro Orion na matada de bola e, quase embaixo da trave, sem ninguém na frente, furou e viu ela sair pela linha de fundo.
O gol teria incendiado o Pacaembu, que não estava muito barulhento.
Discordo
A última alteração de Tite foi a entrada de Douglas, aos 29, no lugar de Danilo.
Mesmo sem Danilo atuar bem, eu não faria a mudança, pois o reserva faz tempo que não joga nada, o titular tem estrela e vai bem na jogada aérea, que era a principal opção ofensiva corintiana.
Douglas, tal qual esperado, nada fez.
Bianchi, aos 34, substituiu Erbes por Bravo e aos 38 trocou o atacante Blandi pelo lateral Zárate.
Sem força
Nos minutos finais, o Corinthians não teve força para criar chances e incomodar o Boca Juniors.
Injusto
A arbitragem interferiu no resultado. Se, por exemplo, o gol de Romarinho tivesse sido validado, a situação do jogo seria outra.
Se Marin fosse expulso ao 11 do primeiro tempo, também.
Inclusive se o Corinthians perdesse o pênalti.
Por isso, considero o resultado injusto.
Na lista
O Alvinegro entrou na lista de times prejudicados pelo Boca Juniors, que desde os tempos de Bianchi dá muita sorte no sopro e nunca enfrenta problemas com ele.
Aviso
Antes de aparacer alguém dizendo que menosprezo o time estrangeiro ao citar sua fragilidade, aviso que acompanho futebol argentino faz muitos anos, inclusive o da segunda divisão, sou fã e nunca entrei nesse papo ufanista brasileiro.
A avaliação sobre o Boca no post é técnica e o próprio desempenho dos Xeneizes, além da minha observação sobre seus limites dentro de campo, serve para explicar.
Quem discorda, ao invés de xingar, deve explicar falando da qualidade dos atletas, futebol que têm mostrado, questões táticas e outras coisas pertinentes.
Atualização (14h09)
Riquelme disse que tentou cruzar a bola, não chutar em gol, quando surpreendeu Cassio e balançou a rede