27 ago

Santos sobrou contra o Corinthians

Birnadas

De Vitor Birner

Faz algumas rodadas do Brasileirão que o Santos joga futebol superior ao do Corinthians.

No confronto direto entre os alvinegros, onde a qualidade e o choque de estilos entram em campo, o time de Dorival Jr sobrou.

Na Vila Belmiro praticamente anulou o sistema ofensivo escalado por Tite e fez dois gols.

Tentou

Em Itaquera,  Tite pediu ao time para marcar a saída de jogo, pois era necessário aumentar o volume do jogo ofensivo, e permitiu que os santistas tivessem os contra-ataques.

No início, funcionou. Alguns chutes da entrada da área passaram perto das traves.

Pelos lados

Mas a postura ousada forçou os laterais Edilson e Uendel a apoiarem e as dificuldades na marcação ficaram nítidas.

O treinador monta o time para eles e a dupla de zaga não ficarem desguarnecidas e teve que alterar isso para  otimizar a criação.

Como Bruno Henrique não consegue fazer a cobertura necessária e ficou muito sobrecarregado,  Lucas Lima, Geuvânio e Gabriel, que têm velocidade e técnica, ganharam as lacunas para investirem naquilo que melhor realizam.

Desenhados

Os gols de Gabriel, antes do intervalo, após a assistência do meia, e de Ricardo Oliveira, no passe Marquinhos Gabriel que entrara no lugar do jogador revelado nas categorias de base do clube, foram muito parecidos.

Quem acompanha as partidas do Santos nota que esse lance parece se tornar a marca da equipe, pois houve outros assim.

Depois do 1×0 o Corinthians passou a jogar por inércia.

Os atletas deram a impressão de tentarem buscar forças que não tinham, como faz o incrédulo que diz a si mesmo que crê, para continuarem competindo.

Romero fez o gol de honra no mata-mata quando não havia maneira de se classificar.

Entre os favoritos

Cada agremiação segue o próprio caminho.

O Santos com seu time forte e elenco pequeno encarando a maratona de jogos e talvez, em algum momento, sendo obrigado a poupar importantes jogadores.

E o Corinthians, líder do torneio mais relevante do país, precisando de ajustes que não o fizeram perder a colocação almejada pelos poucos concorrentes e nem o tiram da condição de um dos maiores favoritos à conquista, mas que contribuíram para o fracasso diante santistas e podem (hipótese, não afirmação) ter consequência igual no Brasileirão.

Fundamental: altos e baixos são normais em nosso futebol. Não há nada atípico na na queda ou melhora de rendimento dessas agremiações. É impossível ser preciso em qualquer prognóstico. Mas o Santos no mata-mata e o Corinthians nos pontos corridos, reitero, continuam entre aos favoritos à conquista dos respectivos torneios.

Ficha do jogo

Corinthians – Cássio; Edílson, Felipe (Edu Dracena), Gil e Uendel; Ralf; Matheus Pereira (Romero), Bruno Henrique (Cristian), Renato Augusto e Malcom; Vagner Love
Técnico: Tite

Santos – Vanderlei; Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia (Leandrinho) e Renato; Gabriel (Marquinhos Gabriel), Lucas Lima e Geuvânio (Chiquinho); Ricardo Oliveira
Técnico: Dorival Júnior

Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (MG) – Assistentes: Bruno Boschilia e Marcio Eustaquio Santiago

Escrito por Vitor Birner às 16:44 Vitor Birner 60 Comentários

27 ago

São Paulo cumpre obrigação de eliminar reservas do Ceará

Análise de jogos

De Vitor Birner

Ceará 0×3 São Paulo

O time de Juan Carlos Osorio de novo foi superior aos esforçados reservas da zebra, mas não conseguiu o volume de jogo ofensivo enorme como no Morumbi.

Fez gols depois de Wellington Carvalho ser excluído por causa de um carrinho tão tolo quanto desnecessário.

Até aquele momento, havia finalizado uma vez.

De qualquer forma, cumpriu a obrigação e mereceu se classificar.

Alexandre Pato e Carlinhos foram os melhores em campo.

O Ceará, se mantiver o padrão tático e agregar a isso a técnica dos muitos titulares impossibilitados de atuarem hoje, tende a somar mais pontos no returno da segundona.

A prioridade é evitar o rebaixamento.

O futebol mostrado diante do São Paulo aumenta o otimismo para conseguir isso.

Acima de tudo, é importante manter a garra que não faltou, em nenhum momento, no torneio do qual foi eliminado.

Assim pode elevar o desempenho coletivo.

Propostas 

Michel Bastos e Thiago Mendes como volantes para o time ter jogadores que chegam de trás, com menos marcação, se o Ceará cumprisse o protocolo de ficar fechado e recuado, e podem criar lances de gol.

Os laterais Bruno e Reinaldo apoiando constantemente, Ganso na meia, e o ataque formado por Carlinhos e Pato, pelos lados, porque investem em dribles na diagonal e sabem chutar de média distância, e Wilder como centroavante.

Além disso, os zagueiros Rodrigo Caio e principalmente Luiz Eduardo foram à linha que divide o gramado para um deles, em diversos momentos, iniciar as jogadas de ataque.

Esse foi o plano de Juan Carlos Osorio para o sistema ofensivo.

Carlinhos, Ganso e Pato formaram o trio de criação em frente aos volantes, por isso e o 4-3-3 se transformou em 4-2-3-1, quando o Ceará conseguiu bloquear a entrada da área do goleiro Luis Carlos.

O time de Marcelo Cabo tentou intensificar o que havia realizado no Morumbi.

Priorizou a parte defensiva ao se posicionar no 4-1-4-1 ultra-defensivo com flutuação para o 3-6-1.

O trio de zaga teve Gilvan, Charles e Wellington Carvalho. O meio de campo com Tiago Cametá e Sanchez pelos lados, Carlão, João Marcos e Wescley entre eles, e Fabinho completando o congestionamento, tentou impedir o São Paulo de entrar na área e investir nos lançamentos para Siloé no contra-ataque.

Como Tiago Cametá e Sanchez são laterais, eles recuaram para a linha dos zagueiros, Wellington Carvalho avançou um pouco para se dividir entre as funções de terceiro jogador da função e volante, Carlão, João Marcos, Wescley e Fabinho formaram o quarteto no meio de campo e Siloé se manteve como atacante que participou da marcação.

Muita catimba e algumas faltas duras agregaram ao ferrolho os ingredientes para o Ceará tentar não tomar mais de um gol e seguir no torneio.

Geometria imprecisa 

Fabinho teve a oportunidade de fazer o gol, em contra-ataque, após Thiago Mendes perder a bola no meio de campo, mas finalizou mal, apesar de ter ficado cara a cara com Rogério Ceni.

O São Paulo, mesmo com muita posse de bola ofensiva, teve dificuldade para chutar em gol e até para fazer os cruzamentos, pois alguns foram muitos curtos.

Mas o futebol não faz medidas milimétricas e precisas das construções técnicas e táticas na hora de determinar resultados.

Cinco minutos antes do intervalo, Wellington Carvalho deu carrinho desnecessário, perto da linha do meio de campo, em Alexandre Pato – foi quem mais apanhou- , acertou as duas perdas dele e mereceu ser expulso.

Pouco depois, o lateral Sanchez tentou impedir Carlinhos de driblar na diagonal, demorou um segundo a mais que o ideal e o são-paulino, experiente, permitiu o contato e cavou o pênalti brasileiro.

Rogério Ceni cobrou e fez 1xo.

Menos e mais

Não há nenhum exagero em dizer que o Ceará marcou melhor no Castelão que no Morumbi.

E nem que houve mais oportunidades de conseguir o contra-ataque ou que não teve, semana passada, lance mais fácil que o de Fabinho para fazer o gol.

Apesar de uma agremiações melhorar e a outra piorar, o resultado favorável,  antes do intervalo, foi exatamente oposto ao do jogo anterior.

Osorismo

O Ceará tinha que reforçar a proposta defensiva depois de tomar o gol e ficar com 10 em campo, mas decidiu tentar o gol após o intervalo.

Não foi por isso que o São Paulo fez 2×0.

Tal qual Juan Carlos Osorio havia pedido, Thiago Mendes foi para a entrada da área com pouca marcação e acertou chute forte, preciso, no canto direito.

Aos críticos da modernização tática que o treinador tenta implementar e tende a demorar para conseguir, lembro que um dos gols nasceu com Carlinhos no ataque, o outro com o volante da maneira treinada pelo colombiano, e que Michel Bastos finaliza melhor que o Thiago Mendes de lá e poderia fazer igual.

Por isso, se a proposta coletiva funciona ou não é algo que depende dos jogadores, mas que o plano de jogo e a escalação têm lógica não se pode questionar muito.

Alterações

Wilder e Hudson entrou para aumentar a pegada no meio de campo depois do 2×0.

Ao 23, Michel Bastos, porque tinha o amarelo, deu lugar ao Wesley, e quase junto Sandro e Rafael Costa foram ao gramado para Gilvan e Siloé, que caiu de rendimento, irem embora.

O Ceará não conseguiu volume de jogo ofensivo.

O São Paulo passou a tocar a bola no meio de campo para manter o time de Marcelo Cabo longe do ataque, enquanto tentou encontrar a lacuna e fazer o gol que tornaria quase impossível a perda da classificação.

Julio Cesar foi ao gramado, Wescley saiu, para tentar otimizar o sistema ofensivo,.

As mexidas no Ceará não tiveram impacto no andamento do jogo

Fechou

Aos 30, Bruno cruzou, Alexandre Pato chutou forte e comemorou.

Depois o São Paulo, ciente que tinha garantido a permanência no torneio, se poupou mantendo a bola.

Mereceram

A torcida do Ceará aplaudiu seus jogadores após a eliminação porque mostraram muita garra.

O otimismo dela para o rebaixamento não acontecer deve ter aumentado.

O São Paulo foi superior tanto no Morumbi quanto no Castelão.

Fez o suficiente, contra uma agremiação muito desfalcada, para seguir no torneio.

Ficha do jogo

Ceará – Luís Carlos; Gilvan (Sandro), Charles e Wellington Carvalho; Tiago Cametá, Carlão, João Marcos, Wescley (Júlio César), Sanchez e Fabinho; Siloé (Rafael Costa)
Técnico: Marcelo Cabo

São Paulo – Rogério Ceni; Bruno, Rodrigo Caio, Luiz Eduardo e Reinaldo (Matheus Reis); Thiago Mendes, Michel Bastos (Wesley) e Paulo Henrique Ganso; Carlinhos, Wilder (Hudson) e Alexandre Pato
Técnico: Juan Carlos Osorio

Árbitro: Pablo dos Santos Alves – Assistentes: Clóvis Amaral da Silva e Luís Filipe Gonçalves Correa

Escrito por Vitor Birner às 16:40 Vitor Birner 3 Comentários

21 ago

Não coloco na conta de Juan Carlos Osorio a derrota para o Ceará

Birnadas

De Vitor Birner

São Paulo 1×2 Ceará

O time do Morumbi tinha obrigação de ganhar com margem de gols do Ceará cheio de desfalques. e passou vergonha no Morumbi por causa da derrota.

Mas foi muito superior.

Mandou no jogo do início ao fim.

Chutou 22 duas vezes em gol, 10 deles dentro da área, conseguiu 17 escanteios, cruzou 60 vezes na área ao todo,  ficou 74,1% do jogo com a bola sendo que a maior parte no campo de ataque, e trocou 568 passes certos (92% dos que tentou)  contra 88 precisos do adversário .

Tomou gols na única cobrança de escanteio que cedeu, quando Luis Fabiano perdeu de cabeça para o autor da assistência e Reinaldo ficou plantado na grama em vez de dar alguns passes adiante para deixar Rafael Costa impedido, e no pênalti que Luiz Eduardo fez em contra-ataque.

Não irei dissecar o 4-3-3 ultra-ofensivo, com Carlinhos no ataque do lado oposto ao de Alexandre Pato, recuando, nas ínfimos momentos necessários, para formar o 4-4-2, e os laterais e volantes participando muito da criação.

Aos críticos da escalação de Carlinhos na frente, lembro que foi a mesma ideia que Juan Carlos Osorio implementou diante do Corinthians quando colocou Auro nessa função.

O atleta mais jovem é pior nos lançamentos e nos passes.

Barcelona e Real Madrid jogam dessa forma.

A derrota não tem aconteceu por causa do esquema tático.

Houve falhas técnicas, individuais, além de nervosismo depois do primeiro gol que fez os atletas pensarem pouco, errarem levantamentos na área e perderem oportunidades.

Essa irritação tem a ver com o resultado e o ambiente interno.

A torcida, que poderia empurrar o time, não fez isso integralmente. Muito que foram ao estádio, ainda antes do intervalo, xingaram alguns e contribuiu para a tensão em campo.

Compreendo quando pegam no pé de acomodados, mas não se fazem isso contra quem se esforça e joga mal.

Me pergunto qual leitor se esforçaria mais por alguém porque foi ofendido.

Alguns jogadores atuaram abaixo do que podem, Michel Bastos foi um deles, mas não por falta de raça.

O Ceará merece elogios pela enorme dedicação, pragmatismo no cumprimento da proposta de marcar, marcar, marcar, marcar e marcar porque era a única opção viável, e tentar o gols nos contra-ataques, escanteios e faltas.

Nas três únicas jogadas assim comemorou duas vezes.

Mas o maior mérito foi a impressionante quantidade de divididas, pelo alto, que o sistema defensivo ganhou, além das importantes intervenções do goleiro Luís Carlos.

Psicologicamente, o Alvinegro foi crescendo na medida em que o São Paulo desandou.

Como continuará impossibilitado de aproveitar ao menos 9 jogadores semana que vem, a zebra ainda tem considerável possibilidade de não seguir às quartas-de-final.

Ficha do jogo

São Paulo – Renan Ribeiro; Bruno, Lucão, Luiz Eduardo e Reinaldo (Wesley); Thiago Mendes, Michel Bastos e Paulo Henrique Ganso; Carlinhos, Alexandre Pato e Luis Fabiano (Wilder)
Técnico: Juan Carlos Osorio

Ceará – Luís Carlos; Guilherme Andrade, Wellington Carvalho, Charles, Gilvan e Sánchez; João Marcos, Carlão, Uillian Correa e Rafael Costa (Carlos Alberto); Fabinho
Técnico: Marcelo Cabo

Árbitro: Dewson Fernando Freitas da Silva (PA) – Assistentes: Fabiano da Silva Ramires (ES) e Bruno Raphael Pires (GO)

Escrito por Vitor Birner às 12:47 Vitor Birner 163 Comentários

17 ago

Atlético MG foi melhor que o Corinthians no turno; colocação das equipes contraria a máxima dos pontos corridos

Birnadas

De Vitor Birner

Futebol é um jogo de imposição.

O treinador deve observar seu elenco e o dos outros times para, quando for atuar contra cada um deles, saber quais atletas e proposta de jogo escolher.

Não existe fórmula pré-estabelecida e irretocável.

Ninguém possui pleno controle do futebol.

Os melhores técnicos do mundo falham. Os principais jogadores da história tiveram fases ruins. Os mais capazes nos chutes em gol cobraram faltas longe das traves. Os competentes no passe deram bolas tortas aos companheiros. Os mais fortes nos cruzamentos perderam e tomaram gols de cabeça. Os defensores de alto nível foram driblados por atacantes limitados. Os times superiores caíram diante de agremiações menos capazes.

Dizem que o esporte reflete a própria existência.

A impossibilidade de alguém manter a precisão constante, porque as emoções interferem tanto de maneira positiva quanto negativa em questões técnicas, faz quem é elogiável errar e quem não é acertar.

Regularidade

No campeonato de pontos corridos, a média de tudo isso quase sempre determina a pontuação.

O Corinthians é, um pouco, o contraponto dessa tendência.

Tem sistema de marcação competitivo, mas ainda não é forte como na passagem anterior do Tite pelo clube.

Falta consistência na jogada aérea e o meio de campo, vira e mexe, deixa lacunas.

De posse da bola, o time não é capaz de criar constantemente o volume de jogo capaz de acuar as outras agremiações.

Mas terminou na liderança nesse torneio de regularidade.

Quem acompanha o Alvinegro e consegue avaliar racionalmente o desempenho da equipe, se lembra como Atlético PR e Ponte Preta foram superiores, em Itaquera, após os intervalos dos respectivos jogos, e perderam oportunidades.

Da partida, ontem, contra o Avaí, quando Luciano tirou dois coelhos da cartola e marcou golaços que fariam qualquer treinador que acaba de conhecer o futebol dele, irregular desde quando chegou ao Parque São Jorge,  ficar encantado.

Do equilíbrio diante do Sport. Dos gols desperdiçados pelo Atlético MG. Da intervenção das traves contra o São Paulo.

Tite pensa assim

O Corinthians não mostra o melhor futebol do país.

O Galo fez isso ao longo do primeiro turno, apesar de oscilar e deixar a desejar em jogos.

O próprio Tite, faz menos de um mês, afirmou que o Atlético MG está “um degrau acima”.

Minha conclusão, por enquanto, é que o time de Parque São Jorge ainda precisa evoluir coletivamente e que tem potencial para isso.

Não necessita alterar a proposta de jogo. A questão é realizar um pouco melhor, com pequenos ajustes, aquilo que o treinador quer.

Menos treinos e mais jogos

Lembro que no torneio equilibrado, emocionante como o atual, alguns times podem cair de rendimento, outros evoluir, pois a maratona de jogos tende a aumentar a quantidade de atletas machucados e a obrigar os treinadores a mexerem nas equipes.

E isso talvez permita que alguém seja campeão com futebol inferior ao que mostra hoje.

Hoje, é impossível afirmar o impacto que esse monte de rodadas, uma em seguida da outra, e das convocações das seleções brasileiras terá no desempenho de cada agremiação.

Minha avaliação sobre a liderança

A colocação acima de todos tem muito a ver com as circunstâncias, competência e sorte (é benção e não pecado) inclusive no cumprimento das regras dos jogos, e não com o futebol melhor que o do Atlético MG.

Não entrarei na polêmica, neste post, sobre o suposto favorecimento premeditado que entrou em debate nos programas esportivos de canais fechados que assisti desde o término da rodada.

Sei que turbinaria a audiência.

Mas ficar discutindo isso, agora, quando eu não tenho informação sobre o tema, seria convenientemente apelativo, apesar do sopro de sorte do time nessas últimas rodadas.  .

Falarei, mais para frente, se assim continuar.

O Alvinegro ainda pode ter dificuldades por falhas no cumprimento das regras em muitos de seus jogos.

Principalmente porque o tema tomou conta da parte futebolística do país.

Quem deve determinar quais lances são pênalti, impedimento, escanteio, falta e merecem cartões, irá ao gramado ciente da desconfiança dos que creem em corrupção na organização do torneio.

 

Escrito por Vitor Birner às 15:41 Vitor Birner 172 Comentários

13 ago

Juan Carlos Osorio ‘imita’ gigantes espanhóis e São Paulo ganha do Figueirense

Análise de jogos

De Vitor Birner

Figueirense 0×2 São Paulo

O time de Juan Carlos Osorio foi muito superior tanto na parte tática quanto na técnica.

O colombiano, mesmo após a equipe mandar no clássico de domingo, alterou a proposta coletiva por causa das características do Figueirense.

E o São Paulo controlou o jogo até Luis Eduardo ser expulso em lance onde sequer merecia o amarelo.

Argel, ciente do estilo de futebol são-paulino, queria que o Figueirense marcasse de maneira consistente investisse no contra-ataque.

Não conseguiu nem um nem outro.

O Figueirense cresceu, um pouco, nos minutos finais, quando teve um jogador a mais diante da agremiação que, naquele momento, priorizou com sucesso a manutenção do resultado.

Barcelona e Real Madrid

No time catalão, Neymar, Messi e Suárez são os mais adiantados do 4-3-3. Quando é necessário marcar no campo de defesa, o brasileiro recua e forma a linha de quatro no meio de campo e o esquema passa a ser o o 4-4-2.

O Real Madrid joga de maneira parecida.

Cristiano Ronaldo faz o mesmo que o argentino, mas do lado oposto, e Benzema igual ao uruguaio. Bale é quem, na direita, tem que correr alguns metros para trás quando os merengues precisam compor o quarteto no meio de campo.

Os esquemas táticos similares dos gigantes da Espanha têm distinções por causa das características dos jogadores.

O treinador colombiano fez no São Paulo uma adaptação da proposta coletiva dos times mais midiáticos do planeta.

O sistema ofensivo atuou no 4-3-3 com Auro na direita, Alexandre Pato do outro lado, e Luis Fabiano entre eles no ataque. Ganso jogou muito perto da área e com obrigação de se mexer para a bola passar mais por seus pés.

Os volantes Breno e Wesley avançaram, assim como os laterais Thiago Mendes e Reinaldo.

A ideia foi povoar o campo de ataque, ter opções de passes porque havia muitos jogadores em cerca de 30 metros de campo, e confundir o sistema defensivo com a troca de posições.

Até os zagueiros apoiaram quando não havia ninguém do Figueirense para o contra-ataque.

Nos poucos momentos em que a equipe de Argel conseguiu a transição de bola, Auro recuou para marcar na direita em frente ao Thiago Mendes, e Ganso ou Pato, – o meia mais –  teve que atuar na linha dos volantes para formar o quarteto do 4-4-2 no meio de campo.

A proposta de Argel

O Figueirense demorou muito para compreender a proposta de Juan Carlos Osorio fora do padrão óbvio nacional. Atlético MG e Corinthians tiveram dificuldade similar.

A equipe jogou no 4-4-2, porque provavelmente Argel sabia que o São Paulo teria a iniciativa e queria o contra-ataque. Em certos momentos, chegou a ter o trio, com Marcão como centroavante, Cleyton do lado e Rafael Bastos, o meia, mais adiantados.

Durante cerca de 25 minutos manteve o que pretendia.

Ao notar que sua equipe perdia com sobra a disputa no meio de campo, teve que pedir ao Rafael Bastos para recuar.

Já havia tomado o gol.

Planejado por Juan Carlos Osorio

Ganso, aos 14, foi para a região do gramado em que Alexandre Pato atuou, e o atacante se posicionou no lugar do meia, na entrada da área, onde recebeu a assistência e chutou muito forte, rasteiro, no canto.

Houve a troca de posições exigida pelo colombiano.

Além disso, Luis Fabiano levou o zagueiro se mexendo e criou a brecha para a finalização.

Tudo isso é o que o treinador quer deles.

O talento em prol do coletivo.

Superior

Cleyton precisou recuar para fortalecer o sistema de marcação e apenas Marcão, lento, ficou adiantado.

Isso diminuiu muito a possibilidade de o Figueirense ter o contra-ataque.

Além da enorme superioridade tática e técnica, os são-paulinos foram melhores nas jogadas aéreas.

Padrão nacional

Em uma delas, Breno, na área, chutou e a bola tocou no braço de Marcão.

Aqui, de novo, reitero a distorção da regra. O zagueiro não tinha como impedir o que ela batesse na ‘mão’. No futebol, isso não é pênalti.

Mas o critério da comissão que orienta Anderson Daroco diz que isso é infração e ele cumpriu a determinação dos patrões.

Como a única maneira de tornar as condições de jogo iguais em todo torneio é padronizar os critério, não questiono Anderson Daroco e a marcação do neo-pênalti, e  sim quem impôs a distorção da regra.

Nem os atletas do Figueirense reclamaram muito.

Rogério Ceni chutou no canto oposto ao que Muralha pulou e fez 2×0.

Chutes

Argel tirou Fabinho para Carlos Alberto tentar melhorar a saída de bola e a criação.

Até o intervalo, o Figueirense não conseguiu nenhum lance de gol.

E continuou assim até o minuto 14, quando Rafael Bastos carregou a bola desde o meio de campo, driblou o Breno e obrigou o goleiro a fazer sua intervenção mais difícil no jogo.

Trocas de jogadores e propostas 

Juan Carlos Osorio, ao notar que o time perder força de marcação no meio de campo, colocou Hudson no lugar de Wesley. Quase junto, Argel tirou o lateral Marcos Pedroso e pôs Suelliton.

O colombiano alterou a estratégia em seguida.

Ao invés de pedir marcação na frente, mandou que iniciasse no meio de campo.

Queria o contra-ataque porque o Figueirense iria para cima, e para ter mais velocidade optou por Carlinhos no lugar de Luis Fabiano.

O reserva reforçou a marcação em frente ao Reinaldo e Alexandre Pato passou a jogar como centroavante.

Aos 25, o zagueiro Marquinhos, machucado, saiu e Bruno Alves foi para o gramado.

Breno, cansado, teve que ser trocado e Juan Carlos Osorio optou por Bruno na lateral e Thiago Mendes como volante.

Nem para cartão amarelo

Cinco minutos depois, Luis Eduardo deu o carrinho para bloquear a bola, em frente e não diretamente nela, para tomá-la de Rafael Bastos.

Como o meia tocou por cima do zagueiro e tentou seguir em velocidade, houve o contato da cabeça do defensor com a perna do jogador do Figueirense.

A exclusão do são-paulino foi totalmente errada.

Um pouco melhor

Juan Carlos Osorio não podia mais fazer alterações, por isso pediu para Reinaldo ser zagueiro e Carlinhos lateral depois de ficar com 10 jogadores.

Formou duas linhas de quatro para garantir o resultado.

O Figueirense cresceu por ter um jogador a mais.

Não o suficiente para conseguir grandes oportunidades.

Os cruzamentos foram a principal e ineficaz opção do time.

Ficha do jogo

Figueirense – Alex Muralha; Leandro Silva, Marquinhos (Bruno Alves), Thiago Heleno e Marquinhos Pedroso (Sueliton); Paulo Roberto, Fabinho (Carlos Alberto), João Vitor e Rafael Bastos; Clayton e Marcão
Técnico: Argel Fucks

São Paulo – Rogério Ceni; Thiago Mendes, Rafael Toloi, Luiz Eduardo e Reinaldo; Breno (Bruno), Wesley (Hudson) e Ganso; Auro, Alexandre Pato e Luis Fabiano (Carlinhos)
Técnico: Juan Carlos Osorio

Árbitro: Anderson Daronco (RS) – Assistentes: Marcelho Barison e José J. Silveira

Escrito por Vitor Birner às 14:23 Vitor Birner 89 Comentários

10 ago

São Paulo mandou no clássico; Corinthians teve sorte e por isso conseguiu o empate

Análise de jogos

De Vitor Birner

São Paulo 1×1 Corinthians

O resultado não refletiu o desempenho coletivo dos times, porque o do Morumbi criou mais oportunidades, acertou três vezes as traves e ainda não teve um pênalti marcado a seu favor no último minuto.

O melhor em campo foi Luis Fabiano. Lembrou, pela raça e dificuldade que impôs aos defensores de marcá-lo, o jogador das passagens anteriores pelo clube.

O Corinthians foi razoável na parte coletiva e mal na técnica.

O sistema defensivo não mostrou a consistência que Tite pretende.

E havia possibilidade de o time ser mais incisivo no contra-ataque se acertasse mais passes.

 Os jogadores da meia, assim como de Elias e Luciano, não mostraram quase nenhuma inspiração.

Estilos

Era muito óbvio que o São Paulo teria a iniciativa de jogar e o Corinthians investiria no contra-ataque, chutes de média distância, cruzamentos e cobranças de faltas ou escanteios.

Os treinadores, ambos muito competentes, pensam o futebol de seus times de maneira antagônica e seria algo fora da curva se alterassem no clássico o padrão que tentam implementar.

Tática

Juan Carlos Osorio e Tite escalaram e posicionaram os times de maneira coerente com suas propostas.

O São Paulo, no 3-4-1-2, com Rafael Toloi, Lucão e o estreante Luiz Eduardo na zaga, Bruno e Carlinhos como alas na mesma linha dos volantes Hudson e Michel Bastos, e Ganso  em frente ao quarteto e atrás de Centurión e Luis Fabiano.

O Alvinegro atuou com Jadson, Renato Augusto e Malcom na meia, Bruno Henrique como volante, Elias se dividindo entre essas duas funções e fazendo a flutuação do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1, e Luciano como centroavante.

A linha de defesa contou com os laterais Fagner e Uendel, além dos zagueiros Felipe e Gil.

No time do Morumbi, Hudson priorizou a marcação e Michel Bastos, quando o time tinha a bola, se transformou em meia ou atacante pelos lados. Bruno e Carlinhos apoiaram constantemente. Centurion se mexeu muito. Ganso ficou perto de Luis Fabiano. Em certos momentos, os 10 jogadores ocuparam o campo de ataque.

O treinador corintiano queria o contra-ataque e para isso tinha em frente ao Bruno Henrique três atletas velozes. Ou seja: quando o time retomou a bola contra o adversário que atuou com os zagueiros na linha do meio de campo, havia diversas opções para esses lances.

Sorte de duas cores

O São Paulo atacou  e criou mais oportunidades antes do intervalo.

Ganhou a disputa no meio de campo e venceu o sistema de marcação corintiano.

Criou oportunidades tanto em cruzamentos quanto com a bola no chão.

Não fez o gol por falta de sorte.

Acertou três vezes as traves.

Competência

O Corinthians foi pragmático ao seguir as determinações do treinador, apesar de não cumpri-las a contento.

Inconsistente na marcação, ficou atrás, sequer tentou manter a bola na meia, mas mostrou competência na jogada em que comemorou o gol.

Uendel se deslocou da maneira necessária, nenhum são-paulino correu com ele, Malcom observou e tocou para o lateral chegar à linha de fundo e dar a assistência na medida ao Luciano.

O Alvinegro poderia criar mais oportunidades nas brechas que o ousado time de Juan Carlos Osorio tinha quando perdia a bola no ataque.

Não fez isso por causa dos erros de passe.

O melhor em campo

Luis Fabiano igualou, logo após o intervalo, no rebote de Cassio que espalmou o chute de Centurion. O próprio centroavante deu o passe para o argentino.

O gol premiou uma das melhores partidas dele nessa fraca passagem pelo clube.

Se mantivesse tal nível de desempenho e esforço em campo, não seria tão questionado.

Meu elogio não tem a ver especificamente com o gol que fez.

Se mexeu para receber a bola em melhores condições, fez o pivô direito, deu sequências aos lances, ganhou divididas e por isso o considerei o principal jogador do clássico.

Saiu de trás

O Corinthians decidiu ‘ir para o jogo’ depois do 1×1.

Adiantou a marcação e as lacunas no meio de campo, para ambos os times, ficaram maiores.

O jogo ganhou velocidade.

As equipes trocaram poucos passes porque atuaram, como se diz no ‘futebolês’, na vertical, em direção ao gol.

De novo as falhas nos passes, de ambas as agremiações, impediram a criação de mais oportunidades.

Mas nenhum torcedor pode reclamar que faltou emoção.

Alterações

Juan Carlos Osorio, preocupado porque o jogo ficou corrido e com mais lances onde seus zagueiros, laterais e volantes poderiam ficar mano a mano na marcação, colocou Wesley na função de Michel Bastos, que foi deslocado para a ala pois Carlinhos, amarelado, aos nove, saiu.

Cinco minutos depois o colombiano optou por Breno no lugar de Hudson, que havia recebido o cartão.

Como não mexeu na proposta tática e os substituídos cumpriram suas funções de maneira razoável – o volante, inclusive, com muita raça na marcação e dificuldades nos passes – acho que o técnico quis, acima de tudo, impedir o time de perder jogadores.

Carlinhos provavelmente se cansou, assim como Bruno, que deixou o gramado para Auro tentar otimizar o lado direito do sistema ofensivo.

Tite, ao notar lacunas no campo de defesa do São Paulo e provavelmente irritado com as falhas no passe que impediram o time de aproveitá-las, aos 30 mandou Malcom, sumido, descansar e o Rildo jogar.

Luciano, que fez o gol e jogou mal, logo depois foi trocado por Danilo.

As mexidas mostraram que o treinador queria elevar a qualidade da condução de bola em velocidade e do passe, ambos fundamentais para os contra-ataques, e a marcação pelos lados porque o São Paulo forçou muito os ataques nas alas.

Expulsão

No contra-ataque são-paulino, Centurion ficou mano a mano contra Felipe.

O atleta corintiano abriu os braço, tocou no corpo do argentino que caiu no gramado e pôs a mão na cara, onde sequer houve contato, como se tivesse sido atingido lá.

Leandro Vuaden considerou falta e não jogo de corpo do zagueiro que tinha amarelo, por isso o excluiu restando 7 minutos.

A decisão de quem precisa impor as regras foi questionável,.

E, para mim, se não há convicção de que houve a infração o lance deveria seguir.

Jadson, mal no jogo, saiu para Edu Dracena recompor a dupla de zagueiros.

Pênalti

No último minuto, após o bate rebate na área, Wesley chutou e Uendel, de propósito, colocou a mão na bola, dentro da pequena área, de maneira que os atletas de ambos os times observaram.

Os são-paulinos, indignados, correram em direção ao bandeirinha reclamando o pênalti inquestionável.

E os corintianos, que em princípio foram para Leandro Vuaden no intuito de impedir que marcasse a infração, pois sabiam que aconteceu, ficaram observando a irritação dos oponentes futebolísticos enquanto o relógio corria.

Depois de tudo que houve no jogo, principalmente as bolas na trave, o empate, no Morumbi teve sabor indigesto apenas para o time de Juan Carlos Osorio.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Rafael Toloi, Lucão e Luiz Eduardo; Bruno (Auro), Hudson (Breno), Michel Bastos e Carlinhos (Wesley); Ganso; Luis Fabiano e Centurión
Técnico: Juan Carlos Osorio

Corinthians – Cássio; Fagner, Gil, Felipe e Uendel; Bruno Henrique; Jadson (Edu Dracena), Elias, Renato Augusto e Malcom (Rildo); Luciano (Danilo)
Técnico: Tite

Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (RS) – Assistentes: Guilherme Dias Camilo (MG) e Alex Ang Ribeiro (SP)

Escrito por Vitor Birner às 13:09 Vitor Birner 167 Comentários

4 ago

Carlos Miguel Aidar não quer alterações de gestão propostas por Abílio Diniz

Geral

De Vitor Birner

Carlos Augusto de Barros e Silva não descarta convocar uma reunião extraordinária do conselho deliberativo para debater as alterações na governança do clube propostas por Abílio Diniz.

“Ainda não decidi. Tenho que ouvir a comunidade”, falou.

Se fizer isso será para discutir a pauta e não votá-la como alguns conselheiros e o empresário querem.

Abílio Diniz seria novamente chamado para palestrar e trocar ideais com os conselheiros.

Dependendo de como Leco avaliar a receptividade da argumentação, as mexidas serão colocadas na votação, tal qual me disse, durante a próxima reunião que deve acontecer em cerca de 50 dias.

Relevante

O assunto é muito mais importante que quaisquer contratações de atletas ou esquemas táticos e metodologias de treinamentos do time.

Se referendado pelo conselho, terá impacto no futebol e noutras áreas do clube, e não apenas em curto prazo.

Toda estrutura de poder presidencialista e conservadora determinada pelo estatuto ruiria em detrimento do modelo de gestão empresarial.

Irei opinar em outro post, com profundidade, se a ideia é construtiva ou não, caso o assunto for pauta dos políticos do clube.

Abílio Diniz propõe enormes alterações

Na reunião do Conselho Deliberativo, há uma semana, o empresário Abílio Diniz, convidado obrigatório depois que indicou o CEO Alexandre Bourgeois para brecar os gastos da administração de Carlos Miguel Aidar e tentar colocar a gestão do clube na linha, se posicionou radicalmente contra a formação do fundo de investimentos que o presidente pretende criar.

O empresário quer a implementação de um Comitê Gestor com autonomia de tomar decisões e dizer “não” para as do atual e as dos próximos presidentes, se achá-las inadequadas para o São Paulo.

Outras medidas seriam a extinção da função de diretor e o total esvaziamento de poder dos vice-presidentes.

Esses últimos teriam suas carteirinhas mantidas, mas na prática o cargo seria apenas simbólico, pois o papel deles se limitaria às dicas e ponderações para a ‘rainha da Inglaterra’ hierarquicamente acima.

O presidente do clube poderia sugerir, planejar,  negociar, executar e agregar,  mas a última palavra, em tudo, seria do Comitê Gestor composto por meia dúzia de integrantes do conselho deliberativo, o presidente do órgão e dois profissionais de mercado.

O Conselho Deliberativo ganharia força, pois votaria nos seus integrantes que formariam o Comitê Gestor.

Queria dinheiro do empresário

Após a explanação da última terça-feira, Abílio Diniz foi aplaudido, em pé, pela maioria dos conselheiros situacionistas e de oposição.

Carlos Miguel Aidar, que pretendia ouvir o empresário falar que faria o cheque para quitar as dívidas de sua gestão, escutou de maneira enfática a negativa e ainda tomou o contra-ataque indireto, naquele momento,  das ideias de Abílio Diniz para o instituição.

Na hora, notou a excelente receptividade da maioria e não se manifestou nem contra e nem a favor.

Dia seguinte, a realidade se fez soberana.

Carlos Miguei Aidar começou a minar a proposta.

O empresário, tal qual citou no post em seu blog, quer mostrar o caminho para solucionar as questões financeiras e não tirar do bolso a monta que encerrará os problemas, pois crê que o clube se afundará de novo se nada estrutural for alterado.

Em suma, o presidente simplesmente quer o mecenas endinheirado, enquanto quem tem a verba pretende fornecer a sua valorosa e incalculável experiência para o São Paulo não precisar do dinheiro dele e de ninguém mais.

Freio e acelerador

Era muito óbvio que Aidar não encamparia a proposta, pois ela é totalmente contrária a maneira como gere a agremiação.

Se fizer isso, um dia, será a contragosto e por falta de opção para se manter no cargo.

Em vez de simplesmente negá-la, pode ganhar prazo ao tornar o processo lento, pois tem quase dois anos de mandato a cumprir.

O empresário adaptado à velocidade do mundo realmente profissional e com experiência enorme em negociações, e ciente das imediatas necessidades da instituição, ‘pretendia’ que a mexida na forma de poder acontecesse em duas ou três semanas (já passou uma).

Por isso, nessa suposta queda de braço iniciada depois da reunião do Conselho Deliberativo, Abílio Diniz perdeu o primeiro round para Carlos Migual Aidar.

Leco, reitero, afirmou que não irá colocar a ideia em votação antes do encontro que ocorrerá em cerca de 50 dias.

Aplaudo

Carlos Augusto de Barros e Silva exerce a presidência do Conselho Deliberativo de maneira elogiável.

Não põe entraves na gestão de Aidar e apenas zela pela instituição.

Entre outras medidas, tirou da pauta anterior, em maio, a votação que poderia aprovar o pagamento da comissão à Far East, que supostamente teria levado a Under Armour e sido preponderante para o acerto do fornecimento de material esportivo.

A perspicácia do dirigente pode proporcionar R$ 18 milhões de economia, pois a direção ainda não conseguiu mostrar como a empresa norte-americana teria apresentado a fornecedora de material esportivo e intermediado a negociação.

Carlos Miguel Aidar, que ficou irritado e saiu no meio da reunião retrasada do conselho deliberativo, seguido por alguns diretores, após Leco retirar a votação do comissionamento, sequer quis que o tema entrasse na pauta do último encontro do órgão.

Se Leco não decidiu nem descartou convocar a reunião, e se apenas tem convicção que não colocará de maneira extraordinária a votação das mexidas na estrutura de governança, é porque conhece o clube, sabe que Carlos Miguel Aidar repudia a ideia, e que a possibilidade de transformar a oportunidade em perda de tempo é considerável.

Muito diálogo interno dos conselheiros com quem ficou contra ou a favor de Abílio Diniz será preciso para a proposta de reformulação caminhar

Estrutura política

O estatuto do clube deve ser alterado para isso.

A maioria simples (metade mais um dos que forem à reunião) do Conselho Deliberativo precisa votar favoravelmente.

No São Paulo, o presidente do Conselho Deliberativo possui a prerrogativa de colocar ou retirar da votação aquilo que foi debatido, desde que tenha colocado previamente o tema em pauta.

Guerra fria

Colecionador de entreveros dentro e fora do Morumbi desde eleito, Carlos Miguel Aidar perdeu um pouco de força política nos últimos meses e Abílio Diniz, que ganhou adeptos e admiradores no conselho, tem sido diplomático ao dizer como avalia a atual gestão.

O primeiro mandatário sabe da força que o cargo lhe confere e que o desatino, agora, com o empreendedor bem-sucedido, pode, em breve, ser algo indigesto.

Os pares de Juvenal Juvêncio querem que o o presidente renuncie.

Fazem lobby para que aconteça o impeachment diante dessa recusa.

Tal hipótese comentada nos corredores do clube ainda é uma realidade muito distante ou nem isso.

Dependerá de algumas circunstâncias para ganhar força e a guerra fria de Abílio Diniz com Carlos Miguel Aidar, se mantida, pode ser uma delas .

Internamente, a política continua em temperatura de efervescência.

Há cardiais e conselheiros que afirmam que essa é a maior crise de gestão do São Paulo desde a fundação.

O grupo ‘Clube da Fé, por exemplo, que foi contra Carlos Miguel Aidar na eleição e passou a apoiá-lo após ganhar algumas diretorias, rachou entre quem acha inaceitável a manutenção da postura em prol do presidente e os que são contra isso.

Nos clubes de futebol, há quem crie dificuldades para conseguir facilidades.

Alguns conselheiros podem se colocar como opositores apenas para ganharem cargos ou quaisquer privilégios.

No São Paulo tinha gente que xingava o ex e o atual presidente (sou absolutamente contra ofensas. Crítica deve ser feita com argumentos e ideias em vez de palavrões) anterior  e cessou assim que passou a ocupar posição na diretoria.

Não há como ter convicção que os discursos sempre são de interesse do clube e por isso é complicado, ao menos agora, dimensionar com precisão qual é o real tamanho da força do presidente e de quem pretende tirá-lo da função.

Gestor e são-paulino

A torcida fala em contratações, desempenho técnico dos jogadores e questões táticas, enquanto o clube pede aos empresários que ofereçam seus funcionários para outros clubes e a situação econômica piora.

A gestão de Carlos Miguel Aidar tem sido ruim. Um dia ele irá embora e ficará longe, como fez antes de assumir o cargo, e deixará condição econômica que pode levar a agremiação, noutros torneios, à segunda divisão do Brasileirão.

Apenas quem vive no mundo da lua descarta a possibilidade.

Outros gigantes do futebol nacional desceram por conta de péssimas administrações e falta de grana.

É isso que Abílio Diniz, certo ou errado nas suas propostas, quer evitar no time para o qual torce.

Sorte

Para sorte do São Paulo, Juan Carlos Osório, escolha do demitido Gustavo Vieira de Oliveira e de Ataide Gil Guerrero, é o treinador.

O colombiano, além do enorme conhecimento de futebol, tem exercido mais funções que a de treinar o time, pois o futebol do São Paulo continua à deriva após a saída do gerente executivo.

Carlos Miguel Aidar, relembro, queria outro técnico como por exemplo o português José Peseiro.

Negociou com Ataíde Gil Guerrero e contratação de Juan Carlos Osorio em troca da demissão do funcionário que segurou ‘na unha’ a insatisfação dos atletas por causa dos atrasos salariais e da não realização dos pagamentos nos prazos posteriores combinados entre dirigentes e o elenco.

O xingamento de Michel Bastos, a reclamação de Centuríon no twitter e a recusa de Ganso cumprimentar o técnico aconteceram depois que o então funcionário recebeu o o bilhete azul.

Escrito por Vitor Birner às 20:34 Vitor Birner 100 Comentários

3 ago

Jogo teve baile do Flamengo até o intervalo e depois empate heroico do Santos

Análise de jogos

De Vitor Birner

Flamengo 2×2 Santos

As agremiações proporcionaram um jogo de futebol com muitas emoções aos torcedores.

Os do Santos ficaram mais satisfeitos com o resultado e os do Flamengo, creio, sentiram-se frustrados porque não ganharam.

O time de Cristovâo Borges deu um baile antes do intervalo, quando conseguiu enorme volume de jogo ofensivo, fez os gols e se impôs com sobras.

Tinha que manter a marcação na frente mas, por falta de força física,  opção tática ou ambos os motivos, recuou.

O Santos cresceu muito e sob a liderança técnica de Lucas Lima conseguiu o empate.

Nos acréscimos, *Vanderlei não permitiu que o Rubro-Negro ganhasse.

Tática

Cristovão Borges optou pelo 4-2-3-1 muito ofensivo.

Emerson Sheik na direita, Éverton do outro lado e Alan Patrick, entre eles, atuaram no trio atrás do centroavante Guerrero.

Os laterais Pará e Jorge apoiaram constantemente.

Canteros apareceu na meia e na área para tentar as assistências e os chutes em gol.

Apenas Marcio Araújo, parceiro do argentino na função de volante, e os zagueiros César e Wallace não participaram da criação.

A marcação adiantada completou a proposta de jogo.

A ideia foi retomar a bola na frente e ficar com ela no campo de ataque.

Dorival Jr improvisou o zagueiro Paulo Ricardo na função de volante junto com Renato.

Gabriel na direita, Geuvânio do outro lado e Lucas Lima, entre eles, formaram o trio na meia.

Ricardo Oliveira foi o centroavante.

Os desenhos táticos similares redundaram no jogo com raros minutos de equilíbrio entre os times.

Baile

Diante de cerca de 52 mil pagantes, o Flamengo marcou no ataque, impediu a transição de bola, ganhou o meio de campo, ditou o ritmo, e manteve a intensidade antes do intervalo do primeiro ao último minuto.

Apesar de mostrar mais força na direita com Emerson e Pará, atacou por ambos os lados e entrou na área algumas vezes.

Equívocos na hora do último passe e nas finalizações fizeram o time demorar para conseguir o gol.

O Santos tomou um vareio.

Marcou atrás, tentou fechar lacunas e investir nos contra-ataques.

Não conseguiu executar nada a contento.

Gabriel e Geuvânio tinham que ficar atentos aos avanços de Pará e Jorge, mas perderam alguns lances para eles.

Victor Ferraz* e Zé Carlos foram sobrecarregados.

Lucas Lima, devido às circunstâncias desfavoráveis, recuou e se transformou em terceiro volante.

Ricardo Oliveira ficou isolado entre Marcio Araújo e os dois zagueiros flamenguistas quando não preferiu, pela necessidade da partida, completar o sistema de marcação perto da área de Vanderlei.

A cena mais rara antes do intervalo foi o time de Vila Belmiro trocando passes à frente da linha que divide o gramado.

Mereceu

O Flamengo fez o gol cinco minutos antes do intervalo.

O chute forte de Alan Patrick, no meio e alto, apenas transformou em resultado a dinâmica de jogo muito favorável.

No lance seguinte, o Santos, porque perdia, foi à frente e proporcionou, pela primeira vez até então, brechas para o contra-ataque flamenguista.

Canteros, importante no sistema de criação – em diversos momentos partiu de trás dos meias do time dele e confundiu o sistema defensivo santista. Ficou nítido que nenhum jogador sabia quem deveria marcar o argentino – durante o jogo,  deu a assistência para Emerson Sheik tocar na saída do goleiro.

CBF contra o futebol

O veterano foi comemorar com os torcedores e, por isso, levou o amarelo.

Essa ideia de pautar a festa, impedindo reações espontâneas, diminui a felicidade por condicionar os jogadores e o público a raciocinarem automaticamente quando podem simplesmente extravasar emoções.

É a plastificação da alegria.

Não adianta criticar Anderson Daronco, pois ele acertou ao cumprir as determinações.

O critério linear é que faz o torneio ser disputado em condições iguais, inclusive se for ruim para o esporte, no que diz respeito às regras, em todos os jogos.

Mexeu

Marquinhos Gabriel ocupou o lugar de Paulo Ricardo após o intervalo.

O reserva tem mais qualidade no passe e características para ajudar o sistema ofensivo.

Mas não foi isso que fez o time crescer.

O Santos decidiu marcar na frente e o Flamengo recuou para a linha que divide o gramado.

Houve alterações nas propostas coletivas.

Outro Santos

Com muito mais posse de bola ofensiva, o Santos pode aproveitar as virtudes de seus jogadores mais talentosos e testar o inconsistente sistema defensivo do Flamengo.

Mandou no jogo até empatar.

Não apenas o goleiro

Lucas Lima cobrou o escanteio e o Ricardo Oliveira, aos 7, de cabeça, na pequena área, fez  2×1.

O centroavante se antecipou ao goleiro, que poderia intervir e demorou um segundo a mais para ir na bola.

O equívoco não foi apenas nele.

Algum jogador de linha no Flamengo deveria ter marcado o veterano especialista em fazer gols.

Não pode se mexer, na área, e ficar sozinho.

O empate aconteceu aos 28.

Lucas Lima, o melhor do Santos depois que o time começou jogar a futebol, com categoria e jeito, chutou de fora da área.

Paulo Victor tocou na bola antes de ela ir para o fundo da rede.

Era um lance defensável, mas difícil para qualquer goleiro em plena forma.

Ritmo

Ele ficou dois meses longe do time por causa do problema na fíbula.

A posição de quem joga com as mãos é a que mais exige sequência, porque isso aumenta a concentração e principalmente o reflexo.

Era mais simples para o meio de campo, que bobeou, marcar Lucas Lima no lance do empate, do que exigir do goleiro a difícil intervenção.

Eis a maior questão

Enquanto marcou na frente, o Flamengo foi superior.

Depois que recuou e investiu em contra-ataques, caiu muito de rendimento e o Santos empatou.

Antes do 2×2 ficou nítido que um time piorou muito e o outro cresceu depois que alteraram o posicionamento.

Ou o Flamengo não teve pernas para fazer a marcação na frente, ou optou pela estratégia que acabou sendo ruim.

Não tenho a resposta precisa, mas sei que isso e a mexida no sistema de criação do Santos foram os grandes responsáveis pela igualdade.

Dorival Jr satisfeito

O Santos ainda tentou, por alguns minutos, manter a iniciativa do jogo.

Mas rapidamente o seu treinador alterou os planos e decidiu recuar.

Antes de igualar, colocara Neto Berola no lugar de Gabriel e deslocara Geuvânio para a direita.

Depois, tirou o atleta revelado no clube e pôs, aos 34, Thiago Maia para reforçar a marcação no meio.

Mandou cinco jogadores fazerem a ‘parede’ em frente aos zagueiros e laterais, todos perto da área, e manteve apenas Ricardo Oliveira adiantado. Nitidamente ficou feliz com o empate e queria, apenas se possível, o contra-ataque.

Cristovão Borges havia trocado Alan Patrick por Gabriel.

O Flamengo foi para cima, mas pareceu cansado para conseguir lances de gol.

Insistiu muito nos cruzamentos e perdeu todas para os marcadores do Santos.

Eis que, do nada, arrumou força para tornar, de novo, o jogo intenso.

Vanderlei brilha

Os acréscimos foram parecidos com da partida antes do intervalo.

Gabriel colocou Éverton de frente para Vanderlei e o goleiro, rápido e preciso ao fechar o ângulo, manteve o empate.

O jogador que perdeu a grande oportunidade pediu para sair e Almir entrou.

Aos 50 minutos, Vanderlei, com o pé, não deixou o cruzamento, pela grama, de Gabriel chegar para o reserva fazer o gol na pequena área.

Lógico

Depois de tudo que houve no jogo, o empate não tinha como deixar o Flamengo feliz.

O Santos deixou o gramado com a sensação de alegria pelo ponto que conseguiu após iniciar perdendo e atuando mal.

Ficha do jogo

Flamengo – Paulo Victor; Pará, César, Wallace e Jorge; Márcio Araujo e Canteros; Everton (Almir), Alan Patrick (Gabriel) e Emerson Sheik; Guerrero
Técnico: Cristóvão Borges

Santos – Vanderlei; Victor Ferraz, Werley, Gustavo Henrique e Zeca; Paulo Ricardo (Marquinhos Gabriel) e Renato; Gabriel (Neto Berola), Lucas Lima e Geuvânio (Thiago Maia); Ricardo Oliveira
Técnico: Dorival Júnior

Árbitro: Anderson Daronco – Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho e Rodrigo F Henrique Correa

*Corrigidos

Escrito por Vitor Birner às 9:57 Vitor Birner 33 Comentários

30 jul

Incertezas sobre Ronaldinho no Fluminense

Birnadas

De Vitor Birner

Treinamento transmitido ao vivo, atenção especial dos repórteres e dos dirigentes, mais torcedores que em média na Laranjeiras e muita tietagem.

Eis o primeiro impacto de Ronaldinho Gaúcho no Fluminense.

Não se trata de ‘apenas’ outro jogador.

É uma estrela que não depende do desempenho em campo para gerar mídia.

Personagem

Não há menor dúvida que, com ele, a quantidade de manchetes do Fluminense será maior tanto no Brasil quanto no exterior.

Muitos veículos de imprensa estrangeira irão citar o clube.

O departamento de marketing precisa extrair o maior lucro direto e indireto, da imagem do personagem futebolístico, para a instituição.

Coletivo

A maior dúvidas é se corresponderá dentro do gramado e será aceito no elenco.

Quando foi contratado pelo Atlético MG, tratei o negócio como um erro.

O craque mostrou que minha avaliação, na época, foi equivocada.

Enquanto houve harmonia entre no grupo de atletas, os jogadores correram por ele e o time voou, principalmente na primeira fase da Libertadores.

Depois começaram as insatisfações com Ronaldinho Gaúcho, o desempenho dele piorou e, no final, durante a pífia participação no Mundial de Clubes, ‘deu uma sambadinha’ ao fazer o gol na disputa pelo terceiro lugar , quando não havia motivo de comemorar.

Essa alegria egoísta em meio ao clima péssimo após a perda da semifinal contra o Raja Casablanca parece uma das características do veterano.

Fred

Enderson Moreira prepara o time que prioriza as necessidades coletivas.

Fred é o único que, taticamente, tem menos obrigação de marcar.

Além da rica história na agremiação, continua sendo importante no sistema ofensivo.

No futebol, individualistas com regalias como as que Ronaldinho talvez terá, em regra, são aceitos pelos colegas apenas se garantirem muitas vitórias para a equipe.

Mundo real

O jogador mais jovem, no começo, idolatra o consagrado. Depois, se a expectativa for frustrada com a bola rolando, fica insatisfeito porque o colega endinheirado não coopera para o menos renomado crescer na profissão. Dependendo da situação, os mais esforçados olham a estrela como obstáculo.

Tática

O próprio Fred talvez seja mais exigido por causa de Ronaldinho.

No 4-2-3-1 que o treinador diversas vezes coloca em campo, o trio de criação participa do sistema defensivo.

Quem joga pelos lados marca o lateral.  O outro , em regra, fica atento aos avanços do volante do rival.

Ronaldinho atua ou no centro ou na esquerda. Talvez, nem se quiser, consiga correr atrás do lateral. E a tendência é que não se disponha, sempre, a cumprir tal instrução.

Isso forçará o treinador a contar com um a menos marcando no meio de campo.

Pode até desestruturar a organização que credencia a equipe a ficar com uma das vagas na Libertadores.

Treinador

Se coloque no lugar do comandante que, ao menos indiretamente, é quase obrigado a escalar o Ronaldinho.

Precisa saber, antes dos jogos, qual é o tamanho do comprometimento dele com a instituição e o elenco.

Não adianta dar ao atleta que foi aplaudido pela torcida do Real Madrid, em pleno Santiago Bernabeu, por encantá-la com a camisa do Barcelona durante um clássico, funções que não cumprirá.

Contra equipes mais fracas, o enfraquecimento do sistema de marcação talvez não comprometa muito. Diante das mais fortes, isso pode acontecer. Tomar um gol contra elas tende a forçar o Fluminense a alterar a forma de jogar para fazer o (os) dele.

Drible em tudo

De qualquer maneira, se o Ronaldinho chegou muito inspirado ao Fluminense, as teorias táticas perdem força, pois ele um dia mereceu ser chamado de gênio, e alguém assim garante muitos pontos ao time, alegrias aos torcedores e bichos aos jogadores.

Não é meu palpite.

Talvez tenha momentos de craque.

Mas se for importante para o Fluminense conseguir atingir suas metas, não merecerá críticas.

‘Metade’ do potencial dele é suficiente para tal.

Talvez nem precise ‘tanto’.

Estreia

No Queretaro ,jogou 19 vezes, desde o início do ano, e apenas em 5 permaneceu no gramado durante os 90 minutos.

Faz cerca de dois meses que não atua.

Iniciou os treinamentos na segunda-feira.

A estreia dele contra o Grêmio, se acontecer, jogue bem ou mal, será uma medida de marketing e não esportiva.

Deveria se preparar melhor para diminuir a possibilidade de se machucar e aumentar a de alegrar quem torce pelo clube e por ele.

Escrito por Vitor Birner às 18:17 Vitor Birner 36 Comentários

27 jul

São Paulo ‘osoriano’ mereceu ganhar do ‘luxemburguês’ Cruzeiro; treinadores idealizaram propostas distintas de jogo

Análise de jogos

De Vitor Birner

São Paulo 1×0 Cruzeiro

Não foi um jogo tecnicamente elogiável.

Ficou emocionante, após o intervalo, por conta dos erros dos jogadores.

Faltou inspiração para a maioria.

Carlinhos, autor da assistência com cara de gol dele, e Michel Bastos, pela participação intensa no sistema ofensivo, chutes que geraram oportunidades no rebote e passe para Centurión perder em frente ao Fábio,  foram os melhores em campo.

O São Paulo criou mais oportunidades e mereceu ganhar na conta do chá.

Vanderlei Luxemburgo tem que melhorar o o sistema de criação do time.

Foi ‘quase retranqueiro’ no planejamento coletivo e escolha dos atletas.

Levou em conta que enfrentou o time com potencial para ser forte na parte ofensiva e que seria ousado desde o início.

Desprezou a falta de entrosamento que fez os são-paulinos oscilarem neste e noutros jogos.

Com mais posse de bola no campo de ataque aumentaria a possibilidade de falhas no sistema de marcação idealizado por Juan Carlos Osorio, mas preferiu diminuir a de tomar gols.

Tática

Juan Carlos Osorio, que não ficou no banco por causa expulsão contra o Sport, insiste, reitero, com razão, na modernização da forma de o o time jogar.

Preparou o 4-1-4-1 com flutuação para o 4-2-3-1, de acordo com o andamento do jogo. Michel Bastos na direita, Pato do outro lado, e Boschilia entre eles, atuaram em frente aos volantes Lucão e João Schmidt, e atrás de Centurión, o chamado ‘falso’ centroavante.

O treinador pediu ao quarteto mais adiantado que se mexesse para confundir a marcação, e que os volantes participassem da criação.

Jogar com a bola na grama, trocar passes e invertê-la, além de ocupar as lacunas do gramado, são grande parte da meta idealizada pelo colombiano.

Na zaga, optou por Rodrigo Caio junto de Rafael Toloi..

O Cruzeiro jogou no 4-2-3-1 mais estático.

Vanderlei Luxemburgo colocou Marinho na direita, William do outro lado e  Marcos Vinícius entre eles. Os laterais Ceará e Fabrício apoiaram pouco. O volante Henrique alternou os avanços com Charles.

Vinicius foi o centroavante.

Como o treinador do Cruzeiro sabia que o São Paulo teria a iniciativa do jogo, preferiu investir em contra-ataques.

Por isso colocou o centroavante mais veloz.

Tinha convicção que os laterais e os volantes são-paulinos iriam ao ataque.

Marinho e William marcaram aos primeiros, Marcos Vinicius fez isso com um dos atletas no centro, e Vinicius esperou os lançamentos longos para correr contra os zagueiros.

Alho, sal, pimenta, cebola…

O arroz com feijão simples que Vanderlei Luxemburgo planejou foi mal temperado.

Ficou completamente insosso porque o contra-ataque, a única opção para o time fazer gol tirante em cobranças de faltas e escanteios, foi ruim por causa dos erros de passes e do posicionamento muito recuado dos jogadores,

De nada adiantou a leitura correta, do técnico, a respeito de como o São Paulo pretendia atuar.

Ele pareceu preguiçoso ao não imaginar nada específico para tentar controlar o jogo ou ser mais incisivo na busca pelo gol.

Em formação

Pouco inspirado e precisando de entrosamento, em alguns momentos o São Paulo foi superior, noutros equilibrou o jogo, mas nunca ficou acuado como diante do Sport.

Depois de cerca de meia hora de disputa no meio de campo, talvez um pouco mais, quando os sistemas de criação de ambas as agremiações não haviam conseguido oportunidades de gol, o time do Morumbi passou a jogar mais perto da área e depois a entrar nela.

Restando cinco minutos para o intervalo, conseguiu a primeira grande oportunidade após chute de Michel Bastos. A bola ficou com Alexandre Pato e Fábio fez difícil intervenção.

Logo em seguida o São Paulo pediu pênalti quando a bola tocou no braço de Manoel.

Dois ou três minutos depois, Carlinhos cruzou de direita com precisão, Alexandre Pato desviou, de cabeça, de maneira quase imperceptível e Fábio, no meio do gol, aguardou para saber se o atacante conseguiria tocar nela segundos antes até os quase 30 mil torcedores comemorarem.

Acertou

O Cruzeiro pediu um pênalti de Thiago Mendes em Vinícius. O cruzeirense desabou no gramado após o contato normal com o lateral-direito.

A penalidade que o São Paulo queria, quando Lucão chutou e a bola tocou no braço de Manoel, foi daquelas que a Fifa nos impede de dizer se houve ou não.

No futebol, não foi. No neo-futebol, aconteceu.

Os  tais critérios ‘fifaísticos’ tornaram a regra dúbia.

Seria fundamental se, ao menos em cada campeonato houvesse interpretações iguais em todos os jogos, mas isso não ocorre.

Eu precisaria ter convicção de como Marcelo de Lima Henrique avaliou noutras partidas lances similares antes de afirmar que errou ou não.

Enquanto não sei isso, concordo com ele, que achou tudo normal, porque não gosto do estilo de jogo do neo-futebol.

Simplificando, foi bola na mão e não o contrário, pois o zagueiro não quis tocá-la com o braço.

Tentativas

Mayke e Gabriel Xavier, após o intervalo, entraram nos lugares de Ceará e Marcos Vinícius. O treinador queria, com o lateral mais ofensivo e a troca na meia, fazer o time criar alguma oportunidade.

Além disso, adiantou a marcação para tentar tomar a bola na frente.  O Cruzeiro chegou mais vezes lá e errou as finalizações, todas, salvo engano, fora da área.

Alterações e brechas

O Cruzeiro, por marcar mais adiantado, abriu lacunas no campo de defesa. O São Paulo tinha alguns atletas rápidos que podiam aproveitá-las.

Centurión, após receber de Michel Bastos, na área, finalizou e Fábio impediu o gol.

Marinho, na direita, deu a caneta no Rodrigo Caio e na hora de tocar optou por fazê-lo onde não havia ninguém, mas deveria ter, e a bola passou pela pequena área.

Faltou leitura de jogo ao Vinícius e ao William.

Talvez por causa dessa dificuldade e ade se posicionar na área, Vinícius saiu e Leandro Damião foi ao campo para atuar lá e fortalecer a jogada aérea.

Mayke e os cruzamentos

Com ele, o lado direito do sistema de criação se tornou o mais funcional.

O lateral levantou a bola para Leandro Damião cabecear por cima do gol. Pouco depois, tocou, por baixo, e o centroavante, no carrinho, não conseguiu chegar nela.

Mexidas no São Paulo

Hudson ocupou o lugar de João Schmidt para reforçar a marcação no meio. Era óbvio que Vanderlei Luxemburgo pediria para ambos os volantes  tentarem criar lances de gol.

Outras alterações foram Edson Silva por Boschilia e a formação do trio de zaga com os que permaneceram em campo.

Thiago Mendes e Carlinhos passaram a ser alas, pois jogaram na mesma linha de Lucão e Hudson, os volantes, mas tinham que recuar, um de cada vez, para a lateral, se o Cruzeiro tivesse a bola na meia.

A ideia inteligente, que o São Paulo ainda precisa aprende a fazer de maneira consistente, fortaleceria a marcação mais adiantada e os contra-ataques, pois Alexandre Pato e Michel Bastos, abertos, tanto poderiam recuar no meio de campo quando os laterais do rival apoiassem,  como, juntos de Centurion, iniciarem os desarmes na frente.

Como Alexandre Pato não tem essas características, atuou do lado de Mayke e tinha que marcá-lo, João Paulo entrou para ser o centroavante, Centurion foi para a direita e Michel Bastos atuou na faixa de campo do lateral-direito.

Catimba e gols perdidos

O São Paulo ainda não sabe jogar de maneira consistente no 3-4-3.

Por isso o meio de campo ficou esburacado.

Charles tocou para Leandro Damião, na área, e quando o centroavante ficaria na frente de Rogério Ceni, Edson Silva deu carrinho preciso, na bola, e impediu.

Os outros lances de gols favoreceram o time do Morumbi.

No primeiro, Centurión recebeu de Carlinhos, falhou no domínio e Fabio conseguiu fechar o ângulo no chute do argentino. No outro, Michel Bastos cruzou na medida, de maneira precisa, para ele, cara-a-cara com o goleiro, cabecear mal.

Nos minutos finais, o ‘hermano fez o possível para irritar. Tomou faltas e ainda dividiu, por cima, apenas na bola, o que irritou Fabrício.

Se houvesse o menor contato com o lateral, mereceria o vermelho. Tinha que levar o amarelo e Marcelo de Lima Henrique tirou o cartão do bolso apenas o nervoso ex-atleta do Internacional, que falhou numa saída de bola e proporcionou para João Paulo a última oportunidade de gol.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Thiago Mendes, Toloi, Rodrigo Caio e Carlinhos; Lucão; Michel Bastos, Boschilia (Edson Silva), João Schmidt (Hudson) e Alexandre Pato (João Paulo); Centurión
Técnico: Juan Carlos Osorio

Cruzeiro – Fábio; Ceará (Mayke), Manoel, Paulo André e Fabrício; Charles e Henrique; Marinho, Marcos Vinícius (Gabriel Xavier) e Willian; Vinícius Araújo (Leandro Damião)
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (PE) Assistentes: Clovis Amaral da Silva e Albino Andrade Albert Junior

Escrito por Vitor Birner às 8:01 Vitor Birner 57 Comentários