5 mar

Corinthians cai de rendimento, mas traz de Buenos Aires a vitória e o favoritismo no grupo

Copa Libertadores

De Vitor Birner

San Lorenzo 0×1 Corinthians

Não foi nem de longe a melhor apresentação do Alvinegro desde o retorno do Tite.

O sistema defensivo oscilou, o de criação pouco fez, e o time teve altos e baixos durante o jogo.

O San Lorenzo, que faz o coração do Papa bater mais forte, viu a sorte abençoar o adversário.

Criou as melhores chances e em maior quantidade.

Falhou na finalização e quando acertou, Cassio, perfeito, impediu o gol com uma intervenção muito difícil.

Elias começou como volante ao lado de Ralf e foi atuar na função de Renato Augusto depois de o companheiro se machucar numa entrada de Buffarini.

Foi o melhor jogador de linha no Alvinegro.

No confronto mediano, onde os argentinos, apesar de um pouco superiores apenas por causa da melhor articulação ofensiva – na disputa do meio de campo teve equilíbrio e alternância de pequeno controle de ambos os times -, o resultado foi justo porque não houve interferência da arbitragem.

A vitória garante o favoritismo do Corinthians para a classificação e o primeiro lugar do grupo.

Se mostrar futebol parecido com o dos jogos contra de São Paulo e Once Caldas, tende a dobrar a pontuação após os confrontos diante do Danúbio, enquanto os rivais brasileiro e argentino se viram para saber quem irá à última rodada mais perto da classificação.

Mestres

Ressalto minha admiração por Edgardo Bauza e Tite.

O treinador com rica história no Rosario Central, campeão da Libertadores por LDU e San Lorenzo com elencos inferiores aos de alguns concorrentes nos respectivos torneios, e o melhor técnico do Brasil, obstinado pelo que faz,  por evoluir e comemorar mais conquistas.

Tática

O Corinthians marcou no 4-4-2 com variações.

O quarteto no meio contou com Ralf e Elias centralizados, Jadson na direita e Mendoza do outro lado.

Renato Augusto e Danilo ficaram à frente deles.

De acordo com o posicionamento e forma do San Lorenzo fazer a saída de bola, o Alvinegro ‘flutuou’ para o 4-1-4-1.

Assim, o time teve  Ralf como o ‘um’ entre as linhas de quatro, e Renato Augusto ou Danilo, o primeiro quase sempre, no quarteto do meio.

Quem ficou adiantado fez a função de falso centroavante. Em ambos os esquemas táticos, o veterano atuou a maior parte do confronto assim.

Bauza montou sistema de marcação parecido, apesar de adotar, em tese, o 4-2-3-1.

A principal diferença foi a movimentação.

Atrás do centroavante Mattos, o trio Mussis, Blanco e Romagnoli teve a ajuda do volante Quingnón.

Mercier foi jogador do setor mais preocupado na proteção aos zagueiros Cetto e Caruzzo.

O lateral Buffarini, na direita, teve menos liberdade de apoiar que seu companheiro Mas, do outro lado.

A presença de Mendoza e Renato Augusto segurou o destro na defesa.

Como Jadson não carrega a bola em velocidade, Mas se sentiu mais confortável para apoiar.

Desligado

O Corinthians demorou para ‘entrar no jogo’.

Pareceu desligado no início diante de um adversário concentrado.

Romagnolli, com 2 ou 3 minutos, cruzou para Blanco, livre, na área, cabecear e perder grande chance.

Depois os argentinos mantiveram mais 10 minutos de superioridade porque impediram o adversário de ir ao ataque e ficaram perto da área do goleiro Cassio.

Ligou, ‘pero no mucho’

Quando a marcação dos hermanos na frente afrouxou, seu meio de campo teve dificuldade para impedir a transição de bola e o Alvinegro passou a ficar mais no ataque.

O sistema de criação trabalhou do lado de Mendoza e de Renato Augusto. Jadson ficou distante deles.

Tinha que se aproximar para aumentar o volume de jogo ofensivo e porque não possui característica de ir à área entre o lateral e o zagueiro do rival (Mas e Caruzzo), como se fosse o segundo centroavante para tentar finalizar.

Isso confundiria a marcação.

Mas ele é baixo e prefere dar passes ou finalizar de média distância.

Elias precisou cumprir esse papel e não pôde se aproximar dos companheiros para ajudar na articulação.

Não por coincidência, foi ele quem recebeu o passe no alto de Danilo, o falso centroavante, para assustar pela primeira vez o goleiro Torrico.

O San Lorenzo, nos 10 minutos finais, de novo acertou a marcação no meio e o jogo ficou tão equilibrado quanto longe das áreas.   .

Elias virou meia e atacante

Renato Augusto jogou o primeiro tempo mancando. Se machucou na entrada proposital de Buffarini. O lateral merecia o amarelo e o árbitro não mostrou.

Cristian o substituiu e exerceu a função de Elias ao lado de Ralf no 4-4-2, esquema colocado em prática na maioria do confronto.

O titular que continuou em campo ficou mais adiantado, perto de Danilo, na meia.

Falhas na hora de finalizar

O jogo continuou equilibrado, pobre em oportunidades, até a sorte, uma benção e não pecado como muitos a interpretam no mundo do futebol, mostrar que seria amiga de Cássio na noite portenha.

O goleiro não tinha como defender o chute de Matos, assim como era difícil o centroavante perder o gol.

O sistema defensivo do Corinthians falhou ao dar liberdade para Quignón lançar Blanco, talvez impedido, dar o passe que normalmente uma assistência se Matos, sozinho, perto do gol quase livre, acertar a trave.

Em seguida,  a zaga corintiana bobeou e Matos, de cabeça, desperdiçou ótima chance de fazer 1×0.

Perdeu a tal da ‘profundidade’

Mendoza se machucou

Petros foi a escolha de Tite.

Jogou no mesmo lugar do colmbiano, aberto, na linha de quatro do meio de campo.

O time perdeu o lance de velocidade ofensivo pelos lados (não tinha na direita desde o início) e ficou dependente dos avanços dos laterais para chegar à linha de fundo.

Em tese poderia ganhar qualidade no passe para manter a bola e fazê-la chegar rolando na área do San Lorenzo. Na prática, não foi assim.

Erro, mérito, sorte e gol

Todos os ingredientes pesaram no lance.

A falha aconteceu na marcação do lançamento longo. A furada permitiu ao Elias ficar com a bola.

Os méritos do corintiano foram dois.

O arranque em velocidade desde o círculo central até a área, com direito a um drible durante a corrida, e o chute forte, indefensável, após a sorte de fazer a tabela involuntária com Buffarini ao tentar passá-la.

San Lorenzo ficou perto do empate

Bauza trocou o volante Quigón pelo centroavante Cauteruccio logo depois de o placar ficar adverso e mandou o time marcar na área de Cassio.

Ganhou o pivô na frente e força na jogada aérea.

Aumentou as lacunas para os contra-ataques do Corinthians, que não os aproveitou talvez porque Danilo, o mais adiantado, não tem velocidade. .

O Alvinegro ficou marcando muito atrás e Elias, em vários momentos, foi obrigado a ajudar.

O San Lorenzo pressionou.

Tite, para tentar ganhar rapidez pelos lados e melhorar a marcação na direita, onde o time de Bauza chegou com perigo para cruzar, colocou Edilson no lugar de Jadson.

A troca foi eficaz na marcação e inútil ofensivamente. .

O sistema defensivo não correu mais riscos naquele setor.

Isso não o impediu de falhar quando permitiu ao Alan Ruiz, que ocupou o lugar do Blanco, chutar livre, na entrada da área. Cassio deu rebote e Cauteruccio perdeu o gol.

Em seguida, houve a falha dos defensores do outro lado e Caruzzo, sozinho, quase na pequena área, tocou na bola e ela passou por cima da trave.

A sensacional intervenção de Cassio

De novo na direita do ataque, o San Lorenzo cruzou para Cauteruccio, aos 30, acertar chutar forte, de primeira, e Cassio, com muito reflexo e elasticidade, protagonizar o lance mais difícil e espetacular do confronto.

Uma grande intervenção que garantiu os importantes pontos para o líder do grupo da morte da Libertadores.

Ficha do jogo

San Lorenzo – Torrico; Buffarini, Cetto, Caruzzo e Mas; Mercier e Quignón (Cauteruccio); Mussis (Villalba), Romagnoli e Blanco (Ruíz); Matos.
Treinador: Edgardo Bauza

Corinthians – Cássio; Fagner, Edu Dracena, Gil e Uendel; Ralf, Elias, Jadson (Edílson) e e Mendoza (Petros); Renato Augusto (Cristian) e Danilo.
Treinador: Tite

Árbitro: Carlos Vera (Equador) – Assistentes: Christian Lescano e Byron Romero

Escrito por Vitor Birner às 2:42 Vitor Birner 75 Comentários

5 mar

Palmeiras supera o Vitória da Conquista e o gramado ruim

Copa do Brasil

O comentário da vitória do Palmeiras é de Leandro Iamin.

De Leandro Iamin

Vitória da Conquista 1×4 Palmeiras

Allione na direita, Dudu do outro lado, Robinho por dentro com Arouca chegando de trás e Gabriel, o melhor alviverde na temporada, protegendo a zaga.

No comando do ataque, o esforçado Cristaldo, que fez má partida.

A situação do gramado atenua qualquer falha técnica.

Aos 30 do primeiro tempo, o Vitória da Conquista tinha 63% de posse de bola.

O provável recado de Oswaldinho aos seus atletas parecia claro: menos posse de bola, mais lançamentos diretos.

Foi a opção de ataque palmeirense por todo o primeiro tempo. Só rendeu pequenos perigos. O gol aconeteceu em um pênalti sofrido por Dudu e convertido em gol por Cristaldo.

Na etapa final, os paulistas caíram no marasmo. Com mais tempo de posse de bola (os baianos pareciam sem pernas para repetirem o trabalho dos 45 iniciais), o time ficou mais lento e seguiu sem criatividade.

Fernando Prass fez duas boas defesas no final da primeira etapa.

Não impediu o gol de empate de Tatu, que acabara de entrar em campo, em jogada articulada do lado direito da zaga palmeirense.

Logo em seguida o segundo gol dos visitantes aconteceu. Leandro Pereira, que também acabara de entrar (saiu Cristaldo), foi rápido no passe para Allione.

O jogo tinha tudo para entrar em um momento de “está bom para os dois lados”.

Mas Arouca exagerou e acabou expulso em uma falta feia.

Os baianos permitiram-se o sonho do empate. Deixaram a retaguarda exposta, mesmo com um a mais.

A disparidade física entre os times é imensa.

Com espaço, Dudu conseguiu fazer o que sabe de melhor.

Principalmente depois de Amaral entrar na vaga de Allione de Dudu ficar livre para jogar pelos dois lados.

Nos dez minutos finais, saíram os gols da classificação e da goleada.

O primeiro marcado por Robinho graças ao bom pivô de Leandro.

O último feito por Dudu, de frente para o goleiro colombiano Viáfara.

Destaco o lateral esquerdo João Paulo no Palmeiras.

Ao lado de Leandro Pereira e Gabriel, jogou bem.

De toda forma, o duelo não serve como grande parâmetro futuro, ao menos para Oswaldinho.

Ainda bem que ele não quis fazer testes.

O estado do gramado sequer permite conclusões consistentes.

Escrito por Leandro Iamin às 1:39 Leandro Iamin 2 Comentários

4 mar

Silêncio do Nuevo Gasómetro dá ao Corinthians pequeno favoritismo contra o San Lorenzo

Birnadas

De Vitor Birner

Se o campeão da Libertadores jogasse diante da fanática hinchada, o título do post seria outro.

Os portões fechados gelam o ambiente e têm impacto no andamento do importante confronto.

A perda do doping natural e saudável gerado pelo barulho no Nuevo Gasometro pode ajudar a parte técnica a prevalecer.

O Corinthians, se compararmos a qualidade individual dos jogadores, é superior.

Além disso, vive momento, no jogo coletivo, melhor que o do San Lorenzo.

Os argentinos, apesar de vencerem o Danúbio em Montevidéu, foram piores que os uruguaios.

Desde o início da temporada, seja com 10 ou com 11 jogadores em campo, o Alvinegro não foi inferior a nenhum rival que enfrentou.

Tende a não perder os duelos tático e técnico, se mantiver os nervos no lugar.

O San Lorenzo, catimbeiro e aguerrido, até pode, eventualmente, tirar algum proveito do silêncio que o atrapalha no estádio.

Teria dificuldades para ficar atrás e esperar os brasileiros, tal qual a qualidade dos times sugere ser melhor aos ‘hermanos’, com os ‘hinchas alentando’.

Se Mendoza for confirmado no lugar de Emerson – meu palpite com base no que tem produzido, testes feitos pelo técnico e por ser veloz nos contra-ataques é que iniciará entre os titulares – o San Lorenzo não pode ir à frente e deixar lacunas para os contra-ataques do lado direito de sua defesa.

Até quando ganhou o título, mostrou mais consistência defensiva que capacidade de criar lances de gol.

Perdeu qualidade desde então, enquanto o Corinthians ganhou.

Cerca de uma hora depois do confronto, postarei o relato. Não farei isso antes porque comento, ao vivo, no Placar Uol.

De novo

Ser favorito não é certeza de vitória. Significa que a chance de consegui-la é maior que a do adversário. Eu nem deveria precisaria lembrar disso, mas como as reações de alguns leitores é pautada pelo maniqueísmo raivoso, coloco no post para poupar o Thiago Lattes (moderador dos comentários) da tradicional baixaria de quem vive para xingar ou desdenhar dos outros.

Escrito por Vitor Birner às 19:36 Vitor Birner 15 Comentários

3 mar

Corinthians tem regalia no Brasileirão; CBF é a principal responsável, não o time privilegiado

Birnadas

De Vitor Birner

Regalia

O Corinthians teve o privilégio de ser o escolhido para enfrentar o Galo, que perdeu o direito de mandar na capital mineira, na primeira rodada do último Brasileirão.

Nem é preciso dizer que o Atlético, com status de campeão da Libertadores, mostrou muito mais força no Independência que fora dele. Qualquer técnico ou jogador interessado em vencê-lo, se pudesse escolher, marcaria o jogo fora desse estádio.  .

No próximo torneio nacional, o Cruzeiro não poderá atuar em Belo Horizonte, na primeira rodada, por causa dos problemas no clássico diante do maior rival.

E de novo a CBF escolheu o Alvinegro para ter a regalia de encarar o bicampeão brasileiro no campo neutro.

Não houve sorteio. Os cartolas quiseram assim.

É inegável que o time de Parque São Jorge foi beneficiado em detrimento às demais agremiações.

Obviedade

Se irá aproveitar não sei, pois a Raposa pode ganhar do time do Tite em qualquer campo.

São dois gigantes do futebol nacional e ambos têm elencos entre os melhores do país.

Não há favoritos quando se enfrentam nessas condições.

Mas é óbvio que dentro do Mineirão a possibilidade de a Raposa vencer aumenta.

É preciso separar as coisas.

Comércio goleia o esporte

Não creio que o Corinthians teve influência direta na regalia que fere a igualdade esportiva.

Como o calendário de nosso futebol é carregado, fica impossível fazer qualquer espécie de promoção no período entre os fracos estaduais e a competição mais importante do país.

Ao contrário do que ocorre na Europa, onde a festa nas primeiras rodadas dos campeonatos nacionais é enorme, pois os clubes fizeram pré-temporada, amistosos e os torcedores aguardam com ansiedade o início dos jogos que valem, o Brasileirão é uma emenda dos estaduais que tiveram seus jogos finais faz menos de uma semana.

O público viu um confronto decisivo, que mesmo pouco importante gera impacto por alguns poucos dias, e logo em seguida acompanhará a rodada inaugural das 38 no torneio que terminará em dezembro.

Além disso, a estreia acontece no meio da Libertadores. Tirante algumas exceções, o torneio da Conmebol conta com as os clubes mais fortes do país naquele momento e toma a maior parte da atenção de adeptos de quais agremiações.

A televisão quer promover o Brasileirão para tornar as transmissões dos jogos mais rentáveis. Gastou uma nota para comprá-los e possui a legítima pretensão de lucrar.

Ou seja:

O Corinthians tem privilégios.

Mas a responsabilidade é da CBF e dos adversários que aceitam, em silêncio, as ordens de quem dirige a confederação.

Dera isso ocorresse apenas na hora da confecção da tabela, que deveria ser resolvida por sorteio e não de acordo com interesses comerciais agressivos à ética esportiva.

Fazem o mesmo na distribuição de cotas e doutras medidas que prejudicam a competitividade e a qualidade do maior campeonato que temos.

Ninguém, lembro, disputa jogos de futebol sozinho.

O padrão 

Se fosse outro o time ajudado pela CBF, ele manteria o silêncio como fazem os cartolas corintianos.

Enquanto não houver maior preocupação dos dirigentes com a credibilidade do campeonato do que com os próprios interesses, com o coletivo  que fortalece todos viveremos em meio às desigualdades desse tipo.

No que diz respeito à quantidade de polêmicas de organização do campeonato, todas ruins para o esporte, goleamos a Premier League e a Bundesliga.

Lá, poucos questionam se o campeonato foi decidido dentro ou fora do gramado.

Os gestores creem no fortalecimento do certame como meio de fazer seus times melhorarem.

Escrito por Vitor Birner às 17:27 Vitor Birner 423 Comentários

27 fev

Di María promete voltar ao time que ama; atletas argentinos são mais torcedores que os brasileiros

Birnadas

De Vitor Birner

“¿Después del Manchester? Vuelvo a Central, ¡otro grande!”, garantiu o argentino.

Ele não negociou nada e nem pensou em dinheiro.

O vínculo com o United terminará em meados de 2019. O argentino terá 31 anos de idade e talvez futebol de alto nível para oferecer ao time que defendeu no início da carreira.

Creio nele porque muitos boleiros hermanos não deixam de ser torcedores quando se transformam em profissionais.

O Central, que tem a hinchada mais impressionante do mundo, costuma contar com a presença de alguns ex-ídolos, de vez em quando, na arquibancada ou na tribuna de seus jogos.

Em especial diante do Newell’s Old Boys, contra quem disputa, de acordo com o opinião de muita gente, o clássico de maior rivalidade do planeta.

O treinador contratado para a a temporada é um deles.

‘Chacho’ Coudet, como jogador, ganhou a Copa Conmebol de 95 e vestiu a camisa do clube em duas passagens (ficou três anos no clube em cada uma), substitui Miguel Angel Russo, que depois de três temporadas foi para Vélez Sarsfield.

Coudet atuou no San Lorenzo e no River Plate e nunca escondeu o amor pelo Central.

Nos ‘millonarios’, conquistou 5 títulos nacionais e no ‘ciclón’, apesar de não ganhar nenhum campeonato, tinha, como em Nuñez, o respeito e o apreço dos torcedores.

Figueroa é mais um da extensa lista de boleiros que se declaram hinchas ‘canallas’ e curtem ir ao jogo para torcer.

Killy Gonzales, Abbondanzieri, Mascherano, Lavezzi, Correa e outros fazem o mesmo.

Na foto acima, de camisa amarela e segurando um casaco do Central, Luciano Fiueroa em meio aos Barra Bravas canallas.

Entre os ‘jugadores hinchas’, há os que fazem questão de escancarar ainda mais, como se marcassem território, a paixão.

Angel Correa, um dos principais jogadores do San Lorenzo na conquista da Libertadores antes de ser negociado, aos 19 anos, por 7,5 milhões de euros com o Atlético de Madri, nunca vestiu profissionalmente a camisa do Central.

Ele tatuou um guerreiro (Guerreros é nome da barra brava, a torcida organizada, do Rosario Central) carregando um enorme escudo com o símbolo do time e a frase ”Guerrero nunca dejes de luchar, el fracaso está en abandonar”.

E fez questão de mostrar para quem quiser ver.

 

Lavezzi, do PSG, nunca foi atleta do Rosario Central.

Ganhou um título argentino pelo San Lorenzo.

Mas a ligação com a paixão clubística não foi largada.

Citei alguns exemplos de boleiros hermanos que torcem pelo Central e foram muito profissionais ao vestirem camisas doutras agremiações.

Isso é comum em vários clubes da Argentina. No Uruguai a situação se repete.

Aqui no Brasil, há um pudor, medo, de o sujeito assumir para quem torce.

Como se isso fosse pecado.

Eu sei, por exemplo, de ídolos e jogadores que foram fundamentais em títulos importantes de times para os quais não torcem, e que poderiam fazer o mesmo.

Mas o padrão nacional, onde o atleta fala aquilo que o assessor ou empresário diz ser o melhor para ele, seja ou não verdade, dita o padrão de conduta e torna o futebol menos humano.

Dr Sócrates nunca precisou esconder que nasceu santista.

Serginho Chulapa sempre falou que torcia pelo Peixe.

Isso não os impediu de serem ídolos de Corinthians e São Paulo.

Jogador ganha respeito, acima de tudo, pelo que faz em campo.

Não adianta ser torcedor e jogar mal.

Se isso bastasse, quem lê o blog poderia defender a agremiação que ama.

O futebol apanha por ser parte de uma sociedade preconceituosa, violenta, pouco solidária, cheia de pessoas que acreditam em qualquer bobagem que leem e que passam muito mais tempo se intrometendo em questões pessoais da vida alheia, que não lhe dizem respeito, para julgá-las com base em valores mesquinhos e não para ajudá-las.

Por isso a maioria dos jogadores, e até dos jornalistas, não fala para quem torce ou torceu.

Lembro aos maniqueístas que a forma como cada pessoa vive o amor pelo time amado muitas vezes tem alterações ao longo dos anos.

Outro ponto:

Aqui, o jogador declara a intenção de retornar, fala do amor pela agremiação e entra na sala do dirigente com seus representantes para pedir algumas centenas de milhares de reais por mês para ter o pedido atendido.

É direito de todo profissional querer a melhor remuneração.

Mas não precisa fazer lobby com a torcida para colocar pressão no dirigente e forçá-lo a gastar uma fortuna.

Guillermo Schelotto, ídolo do Boca Juniors, atuou no fim da carreira, por amor, no Gimnasia Y Esgrima La Plata. Não recebeu salários.

Verón, quando retornou ao Estudiantes, onde hoje é presidente, colocou uma cláusula no contrato determinando que todo salário pago pelos ‘pinchas’ seria revertido para as categorias de base do clube. Jogou de graça.

Há outros exemplos de boleiros que fizeram o pé de meia e depois abriram mão de dinheiro pelo prazer de vestirem uma camisa.

O atleta que pretende terminar a história no clube que ama ou pelo qual tem gratidão, não precisa atuar por caridade se a agremiação tem grana para remunerá-lo, mas pedir uma fortuna sabendo da dificuldade de pagá-la é uma contradição enorme.

Raramente isso acontece aqui.

Juninho Pernambucano foi para o Vasco ganhando salário mínimo antes de pendurar as chuteiras.

Escrito por Vitor Birner às 17:33 Vitor Birner 105 Comentários

26 fev

São Paulo jogou o suficiente para golear o Danubio; Pato foi o melhor e Ganso mais solidário na marcação

Copa Libertadores

De Vitor Birner

São Paulo 4×0 Danúbio

Aos gritos de “É Muricy” e de “Olê, olê, olê, Telê, Telê”, os torcedores do São Paulo que conseguiram superar a imensa quantidade de dificuldades impostas pela diretoria para aquisição dos ingressos com preços elitizados, e as fortes chuvas na capital paulista, comemorou a goleada contra os uruguaios.

Foi uma vitória tranquila, apesar de o time oscilar e não mostrar futebol consistente.

O time ainda não teve a dinâmica de jogo capaz de manter a regularidade e a intensidade entre os sistemas defensivo e ofensivo.

De vez em quando, por conta das partes coletiva e técnica, não devido ao que o rival fez, um deles prevaleceu.

Houve momentos interessantes, em especial os protagonizados pelo Pato, o melhor em campo.

Michel Bastos de novo mereceu elogios pela apresentação.

Os laterais Reinaldo e Bruno fizeram a parte deles a contento.

O resultado foi importante na luta pela classificação e por questões internas dentro do clube.

Mas não pode encobrir os problemas coletivos e individuais, pois diante de um adversário mais forte e capaz na parte ofensiva eles tendem a aparecer e a se transformar em fracasso.

É possível diminuí-los nos treinamentos.

Golaço do melhor em campo

Michel Bastos, de calcanhar, tocou para o Reinaldo; o lateral deu uma caneta do rival e cruzou;  Pato, de primeira, chutou forte e fez o gol.

O lance mais bonito do jogo, aos 5 minutos, facilitou a missão de o favorito vencer.

O placar deu a tranquilidade necessária e permitiu a marcação mais conservadora.

O time não pressionou a saída de bola. Iniciou as tentativas de recuperá-la no meio de campo. Como se diz no futebolês, atraiu o o Danubio para forçá-lo a deixar lacunas.

Por contar com o Pato no lugar de Kardec, tinha velocidade para contra-atacar.

Mas a inoperância criativa deixou o São Paulo 25 minutos inofensivo.

Até Ganso, em bonito passe, colocar o atacante frente ao goleiro Torgnascioli e vê-lo perder a oportunidade de ampliar, e Bruno receber lançamento de Souza de cruzar de maneira precisa para o melhor do jogo, com categoria, de cabeça, colocar a bola no fundo da rede.

Ganso na marcação e Luis Fabiano querendo o gol dele

O meia foi mais importante no sistema defensivo que na criação.

Ficou muito na direita, ao invés de procurar espaço para receber a bola mais vezes e criar os lances de gol.  Quando ela chegou até ele, a categoria do meia apareceu.

Talvez tenha ficado muito daquele lado por se preocupar com a marcação.

Com Pato e Luis Fabiano na dupla de frente do 4-4-2, as incumbências de Ganso nas tentativas de recuperação de bola aumentaram.

O centroavante correu, lutou, mas produziu pouco e em alguns lances pensou mais no próprio gol que na jogada ideal para algum companheiro fazer.

Tranquilizou de vez o Muricy

O São Paulo voltou do intervalo com a nítida prioridade de não tomar gol.

Mesmo assim, oscilou na marcação.

O Danubio, por incapacidade, não tirou proveito das falhas.

Reinaldo, aos 25, de fora da área, arriscou o chute, a bola desviou no rival e impediu o goleiro de conseguir a intervenção.

O gol no lance de sorte ( assim como o azar faz parte do jogo e não é passível de críticas) esfriou o ímpeto uruguaio de reagir, além de passar ao Muricy a certeza que sairia do Morumbi vencedor.

Alterações e um pouco mais de sorte

O técnico logo em seguida trocou Denilson, porque recebera cartão amarelo,  pelo Hudson.

Thiago Mendes ocupou o lugar de Bruno e Jonathan Cafu o de Michel Bastos.

Aos 41, Hudson, de longe, chutou em gol não como pretendia, mas o atacante, livre, na área, conseguiu dominar e teve tranquilidade para fechar a goleada.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Bruno (Thiago Mendes), Rafael Toloi, Dória e Reinaldo; Denilson (Hudson), Souza, Ganso e Michel Bastos (Jonathan Cafu); Alexandre Pato e Luis Fabiano
Técnico: Muricy Ramalho

Danubio – Franco Torgnascioli; Agustín Peña, Matías de los Santos (Velazquez), Fabricio Formiliano e Joaquin Pereyra; Renzo Pozzi, Hamilton Pereira, Ignacio González (Tabarez) e Leandro Sosa; Matías Castro e Bruno Fornaroli (Emiliano Ghan)
Técnico: Leonardo Ramos

Árbitro: Enrique Osses (Chile) – Assistentes: Francisco Mondria e Claudio Rios

Escrito por Vitor Birner às 2:24 Vitor Birner 151 Comentários

25 fev

Atlas renasceu contra o Galo no Horto; o campeão da Copa do Brasil jogou mal de novo

Copa Libertadores

De Vitor Birner

Atlético 0×1 Atlas

O Atlas teve duas chances logo nos primeiros minutos.

Iniciou a marcação na linha que divide o gramado e o Galo, por causa dos erros de passes simples na meia, permitiu aos mexicanos atacarem em velocidade com o sistema defensivo atleticano adiantado.

Dos 25 minutos em diante, talvez um pouco antes, o time de Levir passou a errar menos ali. Como impediu a transição dos ‘tapatíos’ da defesa ao ataque, conseguiu pressionar.

O último toque, aquele perto da área, e a afobação que impediu os jogadores de pensarem, dificultaram a criação.

Mesmo assim houve lances de perigo.

O treinador campeão da Copa do Brasil, decidiu voltar do intervalo com Cárdenas no lugar de Leandro Donizete. Alterou o 4-2-3-1, onde o volante fazia a dupla com Rafael Silva, para o 4-1-4-1.

O trio com Luan e Maicosuel, pelos lados, e Dátolo, centralizado, virou um quarteto.

E Rafael Silva ficou ‘órfão’.

A troca tinha lógica.

O colombiano gosta de tocar a bola e de atuar perto do centroavante, no caso o André, pois Jô e Pratto se machucaram. Podia dar ao time a inteligência necessária para aproveitar as brechas na marcação.

Mas aconteceu aquilo que o treinador não esperou, e ele tomou o tal do ‘nó tático’.

O defensivo Atlas decidiu ser ofensivo.

No 4-3-3, marcou a saída de bola, acertou a transição da defesa ao ataque, ganhou o meio de campo e mandou no restante do confronto.

Perdeu gols, acertou o travessão e fez o gol quase no final, mais por causa do ‘tudo ou nada ‘atleticano’ que por ter tirado proveito do futebol melhor que mostrou.

Quando o time de Levir foi quase todo para o ataque, apenas Edcarlos ficou na marcação de Suárez, o mais adiantado do Atlas depois de a equipe ter recuado.

O zagueiro, porque perderia na corrida e não havia sobra, tentou fazer a linha de impedimento e o artilheiro, atento à movimentação do oponente, partiu na hora certa  ( tive a impressão, não a convicção, que não houve impedimento ) eficou de frente para o São Victor para fazer 1×0.

Apesar de tudo, não é possível colocar na conta de Levir Culpi o fracasso.

A alteração foi decidida de acordo com o que houve em campo até ela ser feita.

Talvez devesse aguardar alguns minutos após o intervalo para ver como o rival retornou. Se não mexeu na formação e ideia de jogo.

Outro ponto é que muitos jogadores foram mal.

Os vários desfalques impediram o treinador de colocar uma equipe mais forte, de ter o banco capaz de alterar o andamento.

Mesmo com todos boleiros disponíveis, o Galo tende a precisar de algum tempo para aprender a lidar com a ausência de Diego Tardelli, o líder técnico capaz de coordenar as ações nos momentos mais difíceis como deste confronto.

É lógico que depois de 2 jogos, nenhum gol a favor gol e 3 contra na Libertadores, a torcida, que tem enorme expectativa de uma grande temporada depois do desfecho épico da anterior, fica indignada.

Mas não é possível indicar um responsável pelo péssimo desempenho no torneio.

Alguns problemas citados no post causaram isso.

A questão é quando os mesmos, ou ao menos a parte mais urgente delas, serão solucionadas.

Escrito por Vitor Birner às 23:48 Vitor Birner 11 Comentários

25 fev

Torcida Xavante no Bento Freitas deve ser maior que a do Flamengo na estreia da Copa do Brasil; Zico, Leandro, Adílio, Mozer e Bebeto conhecem a força dela

Copa do Brasil

O Flamengo estreia hoje na Copa do Brasil contra uma agremiação pequena, mas tradicional e de personalidade forte.

Irá ao estádio Bento de Freitas encarar o Rubro Negro pelotense, que completará 104 anos de história em poucos meses.

Será o 5° confronto da história entre eles.

Houve duas vitórias de cada lado.

A mais importante aconteceu no Brasileirão de 1985, quando o Brasil de Pelotas derrotou o Flamengo de Zico, Adílio, Mozer, Bebeto, Leandro, Andrade e Fillol por 2×0, resultado fundamental para ficar em primeiro lugar no grupo (Bahia e Ceará eram os outros integrantes), eliminar os cariocas e chegar à semifinal do campeonato.

http://youtu.be/wkrMSaKI9hE

O que mais chama a atenção na equipe de Pelotas são os seus seguidores.

Os do Flamengo, habituados a serem maioria sempre na capital do Rio de Janeiro e em grande parte das vezes fora dela, a não ser diante de outros times gigantes do país e em alguns raros casos contra uns poucos grandes e médios, provavelmente verão a torcida Xavante em maior número e empurrando seus representantes em campo de maneira intensa.

O Matias Pinto, um especialista na cultura de torcidas do continente Sul-Americano, fez uma entrevista com o jornalista Fabrício Cardoso, que é adepto do Brasil de Pelotas, para tentar explicar as razões dessa relação estreita com o time.

Entrevista

De Matias Pinto

O fanatismo da torcida do Brasil de Pelotas atravessa fronteiras. De Pelotas à Muriaé, do Maracanã à Chuy, do outro lado da fronteira. Onde houver uma camisa rubro-negra haverá um xavante apoiando.

Descobri isto pessoalmente em 2011, quando compareci ao estádio Bruno José Daniel, em Santo André, para acompanhar a estreia da Série C entre a equipe local e os visitantes sulistas (http://impedimento.org/o-inicio-da-saga-xavante/), cerca de 150 vindos de várias regiões do país.

Na ocasião, tomei o trem de volta com o pessoal da XASampa, núcleo de torcedores do Grêmio Esportivo Brasil na capital paulista.

Um dos presentes era o jornalista Fabrício Cardoso, hoje com 41 anos, 4 deles vividos em São Paulo, que topou responder algumas perguntas sobre a torcida xavante, o momento atual do clube e a expectativa para o jogo de jogo.

Como surgiu o apelido xavante?

Isto foi na década de 40. Vencemos um clássico contra o Pelotas, de virada, e a cidade foi tomada pela torcida em júbilo.

Como bem na época tinham descoberto tribos xavantes selvagens na Amazônia, nos chamaram assim de forma pejorativa. Só que o apelido foi adotado.

É até uma inconsistência antropológica, pois o Rio Grande era terra de guaranis. Os xavantes nunca estiveram em nossas bandas.

Conte um pouco sobre a mobilização da torcida durante o Brasileirão de 1985

Eu era muito guri, tinha 12 anos. Mas a mobilização foi colossal. O Olímpico inteiro estava lotado de xavantes e agregados, que torciam por nós de simpatia. Eu estava me curando de uma hepatite, mas ainda assim meu pai fez questão de me levar ao jogo contra o Bangu. Fizeram um isolamento para que eu andasse sem levar porrada no fígado.

Foi uma noite linda, apesar do resultado (derrota para o Bangu por 1xo diante de cerca de 38 mil pessoas).

Por que existem tantos núcleos xavantes Brasil adentro?

O Xavante é o nosso Centro de Tradições Gaúchas, uma forma de nos conectarmos com a Pelotas perdida. Claro, amamos o clube, vivemos intensamente. Mas nossos “ajuntamentos” são também uma forma de aplacar saudades. Aliás, o Xavante conserva esta aura de clube porque os torcedores têm experiência mútuas. Não somos como o Flamengo, que une o catarinense ao nordestino. Nós somos irmanados por uma alma em comum, que nos faz querer estar juntos para além do xavante. Tenho um filho nascido em Blumenau (SC), que nunca morou em Pelotas, e será xavante.

E a relação dos rubro-negros com o Bento Freitas?

Há muito critico a “shopincenterização” dos estádios de futebol, um ardil feito para selecionar o público, tirando os bêbados brigões e colocando gente endinheirada que, desgraçadamente, não gosta de futebol. Vai lá para ver os namorados das atrizes de novelas e porque é bonito e limpinho.

Acho este um ambiente excessivamente estéril, pois o futebol,como reflexo de nossa cultura, precisa vir com alguma sujeira. É quase como o chiado do disco de vinil. Sem ele a coisa fica mais limpa. Mas continua sendo aquela coisa?

Pois bem, sempre embasei meu azedume contra as arenas fazendo projeções sobre meu clube de coração. Quando vejo o Brasil de Pelotas jogar ao vivo, sou tomado pelo estado de nervos que antecede a síncope. Nesses anos todos de devoção, jamais assisti um jogo sentado, tampouco me importei com o que estava ao redor. Todos meus sentidos são canalizados ao que ocorre em campo.

Nunca quis perder meu espaço de loucura, ou ficar me policiando para não horrorizar proprietárias de bolsa Louis Vuitton com meus maus modos.

Porém, se tiro o componente passional, nada tenho contra as arenas. Se eu fosse ver o Real Madrid, o Barcelona ou qualquer outro clube feito para ser consumido e não amado, pô, quero minha cadeira estofada e ar-condicionado. A arena, neste caso, amplifica o conforto. Não deixa de ser, portanto, uma gourmetização do bem.

Também é um dos poucos estádios do Rio Grande, no quais as camisas de Grêmio e Inter são minoria.

Não sou de culpar o rico pelo fracasso do pobre, nem sempre isto está relacionado. Mas no caso do Grêmio e do Inter, a polarização prejudica demais os clubes pequenos. Todos parecem subprodutos, algo com que devemos nos preocupar de forma transversal. E isto enfraquece o futebol gaúcho como um todo. Basta ver Santa Catarina, onde a polarização não existe e muito mais comunidades têm seus clubes vivendo momentos bonitos.
Neste aspecto, que desejaria que o gaúcho fosse menos maniqueísta e se permitisse amar os clubes de sua cidade. Deixemos os porto-alegrenses, com suas manias de grandeza e aspirações continentais, pagando a conta indecente desta megalomania.

Para finalizar, dentre os clubes ditos grandes existe um gostinho especial de enfrentar o Flamengo?

O Flamengo tem um simbolismo por trazer à tona as lembranças de 1985. Portanto, tem um gosto diferente, mas não pelo Flamengo em si, mas pelo que vivemos.

Escrito por Vitor Birner às 13:45 Vitor Birner 13 Comentários

23 fev

Andrés Sanchez x Fernando Haddad

Coluna no Lance!

De Vitor Birner

Andrés Sanchez, após ser eleito deputado federal, foi com um executivo da Odebrecht ao gabinete de Fernando Haddad.

Do lado de fora da sala do prefeito foi possível ouvir uma discussão em altos brados.

Logo depois, o ex-presidente do Corinthians saiu de lá irritado, esbravejando contra o primeiro mandatário da capital paulista.

A razão da briga ficou óbvia faz poucos dias.

O clube divulgou nota oficial acusando Haddad de não ter emitido os Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento, no valor de cerca de R$ 400 milhões, para ajudar no pagamento da Arena em Itaquera. Por isso, o Alvinegro contraiu débitos de R$ 80 milhões com instituições privadas.

Eles provocam “uma elevação insustentável da dívida do clube, em função do pagamento dos juros dos empréstimos bancários contraídos para que a Arena ficasse pronta a tempo e de acordo com as exigências da Fifa”, tal qual ipsis litteris a comunicação corintiana argumentou.

O torcedor de qualquer time brasileiro conhece o absurdo custo da grana, se não houver as raras regalias que nunca são gratuitas, cedida temporariamente por bancos.

O prefeito negou; afirmou ter emitido os CIDs e que não apareceram interessados em adquiri-los.

Andrés parece o mais forte nesta queda de braço.

É muito próximo de Lula, ainda o principal nome petista, e foi o deputado mais votado do partido.

Haddad, na última pesquisa do Datafolha divulgada neste mês, teve aprovação de apenas 20% dos paulistanos e rejeição de 44% (cresceu 16% a turma insatisfeita, provavelmente por causa do aumento da tarifa de ônibus. A margem de erro é de 2% ).

O mandato do prefeito terminará no próximo ano. Se pretende ser reeleito, precisará de apoio do PT.

Andrés tem influência para interferir. Pode ajudá-lo ou atrapalhá-lo.

Talvez ‘obrigue’ o ‘companheiro’ a optar entre a própria ética administrativa e a carreira política ou, quem sabe, a tomar a iniciativa de trocar de sigla.

OBS: O post é a reprodução de minha coluna, publicada aos sábados, no L!

Escrito por Vitor Birner às 15:58 Vitor Birner 291 Comentários

20 fev

Muricy não tem como resolver os problemas do time enquanto houver jogadores omissos

Birnadas

De Vitor Birner

Aidar e Muricy

Carlos Miguel Aidar, pouco depois de assumir a presidência do São Paulo, teve um bate-boca com Muricy no vestiário.

Não por isso, e nem por questões de competência do comandante, cogitou trocar o técnico.

O funcionário reprovou os nomes dos jogadores que o primeiro mandatário do clube pretendia contratar para o elenco.

E Aidar queria e quer tirar do caminho as pessoas mais próximas de Juvenal Juvêncio.

Me contaram, na época, que pensou em Tite.

Foi o mais citado por ele ao falar com os conselheiros.

De acordo com informação do jornalista Osvaldo Pascoal, mandou um interlocutor sondar a possibilidade de o treinador assumir o cargo no fim do ano.

Tite, ciente que retornaria ao Parque São Jorge, cortou o assunto na raiz.

Sampaoli, quase inviável por questões econômicas e até de crescimento da própria carreira, foi citados pelo gestor.

Mas o time jogou melhor no returno do brasileirão, ficou com a vaga na Libertadores e nada foi mexido.

Ataíde Gil Guerreiro, consultado, preferiu dar sequência ao trabalho em vez de começar outro.

Aidar tem respeitado as decisões do vice-presidente de futebol.

Não chegou na Barra Funda

A pesada crise política do clube não entrou no CT da Barra Funda por causa do Ataíde.

O local tem outros problemas, aqueles antigos citados aqui no blog, que tornam o ambiente menos competitivo que o necessário, e que aumentam ou diminuem de acordo com o momento.

A chegada de Kaká, por exemplo, os minimizou.

E antes, a do próprio Muricy Ramalho.

O treinador tem o respeito dos funcionários mais antigos e influentes do CT da Barra Funda, conhece a política interna do local, sabe como reagir diante dos entraves criados lá, e como administrá-los ou evitá-los

Por isso conseguiu impedir o rebaixamento do time no campeonato brasileiro.

Os treinadores antes dele, como Autuori e Ney Franco, foram engolidos pelo ambiente.

Não foi o trabalho tático superior ao dos concorrentes que fez de Muricy um vencedor.

Ele conhece o assunto, não é um ‘burro com sorte’ como Levir Culpi ironicamente se auto-intitulou ao contar no livro com esse nome a própria história, e tem convicções sobre a forma de jogar.

Demorei para entender isso, pois discordo de muitas delas.

Eu e o Muricy Ramalho

Minhas críticas ao técnico, em especial no período do tricampeonato brasileiro, renderam de 3 a 4 anos de recusa do boleiro em dar entrevistas para qualquer programa (direito dele, não tem obrigação, e eu respeito) do qual participei.

Há algum tempo passei a entender as virtudes de Muricy Ramalho.

De alguma forma sabe se impor, e os jogadores, apesar de demorarem um pouco, ‘compram’ o trabalho dele.

Basta reparar no desempenho do São Paulo no segundo semestre de todos as temporadas sob a direção do técnico.

Melhor que antes

Leio nas redes sociais a avalanche de críticas direcionadas ao atual Muricy Ramalho.

Parece ter sido o novo eleito de parte da torcida como responsável pela derrota diante do Corinthians.

Uns dizem que a saúde o atrapalha, outros citam falam que ficou obsoleto, e há quem simplesmente reclame dele.

Discordo de todos.

Muricy, hoje, é um técnico melhor que no passado.

Tenta formar o time com mais variações táticas.

A natural preocupações com a sobrevivência não é o cerne de tudo.

A fraca atuação diante do Corinthians, no jogo que entrou para a história, não foi nenhuma novidade.

O amigo (a) leitor (a) não lembra de como o São Paulo, com time superior ao do Grêmio de Mano Menezes e Tuta, foi eliminado da Libertadores em 2007?

Ou da desclassificação diante do Cruzeiro, no Morumbi, quando, como na derrota de ontem, não chutou uma vez sequer em gol?

Ganhou o Brasileirão após fracassar contra os gremistas e não teve a chance após perder dos cruzeirenses, pois foi demitido por Juvenal Juvêncio, que o segurou depois de três perdas de Libertadores sob fortes protestos dos torcedores.

Aceitaram a superioridade

Tal qual expliquei no post do Majestoso de ontem, discordei do esquema tático e escolha dos titulares feitas por Muricy Ramalho.

Mas não coloco apenas na conta do técnico a fraca apresentação.

Ganso, por exemplo, jogou como muita gente defende (não faço parte deles), na meia, entre os volantes e atacantes, com enorme liberdade para se movimentar e criar.

E não fez nada.

Foi omisso, apático, como se disputasse apenas mais um jogo e não o primeiro clássico na Libertadores diante do maior rival do São Paulo.

Luis Fabiano, estabanado, perdido, irritado, não contribuiu.

Tinham que voltar e ajudar o meio de campo logo depois de verem que o time perdera a disputa no setor.

Tanto faz quais são suas posições de origem e maiores virtudes.

É preciso recuperar a bola para fazer algo com ela e, o meia tem que se mexer para achar espaços onde pode fazer o grande talento se transformar em algo útil para o time.

Palavra de Cassio

Os jogadores mais experientes, quando notam que algo não funciona em campo, têm obrigação de falar com o técnico para o treinador alterar a proposta.

Dependendo do momento, precisam, por dificuldade de comunicação com o técnico, tomar decisões, entre eles, durante os 90 minutos.

Não podem simplesmente ficar olhando enquanto esperam os ventos soprarem a seu favor.

Participei, ontem, do Fox Sports Radio e o goleiro Cassio foi entrevistado.

Ele confirmou que os jogadores corintianos, quando notam que algo não caminha a contento durante o jogo, conversam com o técnico, ele os escuta e faz os ajustes.

No São Paulo, a impressão é que os ‘com moral’ jogam para si mesmos.

Dividir a responsabilidade

O Ganso quer a bola para criar. O Luis Fabiano para finalizar.

Parecem crer que nada além disso lhes compete. Que vão lá para fazer o deles e não para fazer o time campeão.

O futebol de hoje exige mais do jogador.

Passou a hora de dividirem as responsabilidades nos sucessos e nos fracassos.

É essa coesão coletiva que permitirá ao time superar momentos difíceis.

Rogério Ceni, por jogar no gol, não tem como liderá-los em diversos momentos.

Nos tempos em que o São Paulo conquistava título, teve parceiros para tal como Lugano, Junior, Danilo …

Não irei, como muitos querem, colocar Muricy na cruz.

Os acertos táticos e de formação certamente tornam o time muito mais forte, ele falhou em ambos no clássico, mas para ser cascudo e campeão o São Paulo precisa mais que posicionamento perfeito e técnica.

O futebol, além dos duelos tático, técnico e físico, tem o psicológico, o mental, e, em regra, quando um time perde o embate emocional fica mais fraco nos demais.

Se é derrotado, por exemplo, no tático, muitas vezes consegue o resultado interessante porque o desejo de vencer transformado em concentração e intensidade na disputa de cada lance ajudam a tapar as lacunas.

Principalmente nos confrontos equilibrados em técnica individual e preparação física.

A direção deve cobrar dos jogadores mais capazes o auxílio que o técnico, seja Muricy, João ou José, precisa para formar um time campeão.

E exigir do treinador, após ter o apoio funcional deles, o padrão correto de jogo.

E mais

O São Paulo deve arrumar o jeito de acabar com essa história de o sujeito jogar ou ter privilégios para recuperar a posição porque possui mais nome.

Esses foram reconhecidos, na maioria das vezes, na hora de acertaram o salário.

Quando alguém recebe tratamento especial, como o dos companheiros correndo por ele, passa a ter obrigação maior de resolver os jogos, pois o esforço alheio inútil e contínuo faz o profissional dedicado que se incomoda com derrotas se sentir um imbecil.

Nem é preciso de muita perspicácia para imaginar o impacto disso no elenco.

Previsível

Tudo que citei pode ser alterado com atitudes diferentes dos jogadores.

A parte de Muricy é pagar o preço por colocar em campo um time menos técnico para o coletivo ser solidário e forte; e a da direção apoiá-lo.

Reproduzo aqui a minha coluna do Lance!

Foi publicada 5 dias antes do clássico.

Não houve nada atípico no jogo.

O São Paulo vai ‘estrear’ contra o Corinthians?

Não há como afirmar quem vencerá o Majestoso, primeiro após 55 edições de Libertadores, da próxima quarta-feira. Na parte técnica, a da qualidade individual, os times se equivalem.

O futebol não é apenas um duelo de habilidades motoras de trato da bola. Questões táticas, físicas e psicológicas pesam em grandes confrontos.

Se o Corinthians repetir a regularidade e a pegada mostrada diante de Once Caldas e Palmeiras, quando teve um pouco de dificuldade apenas na marcação de cruzamentos e pelos lados do campo, algo normal no atual estágio de preparação, e o São Paulo mantiver o comportamento dos compromissos no torneio estadual, o Alvinegro irá comemorar os três importantes pontos.

Nas vitórias contra os pequenos e no empate do meio de semana na Vila Belmiro, oscilou muito durante os 90 minutos, deu espaços além dos normais entre as linhas de meio e defesa, criou pouco em grande períodos desses jogos, e alguns de seus atletas no gramado pareceram contrariados, como se fossem obrigados a cumprir um protocolo dos mais chatos.

Eis a questão: o Alvinegro, nessas duas semanas, foi guerreiro, solidário, privilegiou a parte coletiva e ninguém ganhou a titularidade por causa do nome ou do currículo na equipe, e o São Paulo foi mole por causa de alguns boleiros, não todos, que não entraram em campo com a tal da fome de ganhar.

A confiança dos torcedores corintianos e a preocupação dos vice-campeões brasileiros com o duelo que entrará na história e terá enorme impacto dentro e fora de ambos os clubes reflete o começo de temporada.

O clássico mostrará se a enorme diferença de respeito pela camisa foi consequência da importância dos jogos que disputaram ou da falta comprometimento de alguns comandados de Muricy.

Perder ou ganhar é do futebol. Faz parte, desde que todos se entreguem de corpo e alma enquanto milhões dão a audiência que lhes rende altos salários.

Escrito por Vitor Birner às 12:08 Vitor Birner 495 Comentários