30 jul

Incertezas sobre Ronaldinho no Fluminense

Birnadas

De Vitor Birner

Treinamento transmitido ao vivo, atenção especial dos repórteres e dos dirigentes, mais torcedores que em média na Laranjeiras e muita tietagem.

Eis o primeiro impacto de Ronaldinho Gaúcho no Fluminense.

Não se trata de ‘apenas’ outro jogador.

É uma estrela que não depende do desempenho em campo para gerar mídia.

Personagem

Não há menor dúvida que, com ele, a quantidade de manchetes do Fluminense será maior tanto no Brasil quanto no exterior.

Muitos veículos de imprensa estrangeira irão citar o clube.

O departamento de marketing precisa extrair o maior lucro direto e indireto, da imagem do personagem futebolístico, para a instituição.

Coletivo

A maior dúvidas é se corresponderá dentro do gramado e será aceito no elenco.

Quando foi contratado pelo Atlético MG, tratei o negócio como um erro.

O craque mostrou que minha avaliação, na época, foi equivocada.

Enquanto houve harmonia entre no grupo de atletas, os jogadores correram por ele e o time voou, principalmente na primeira fase da Libertadores.

Depois começaram as insatisfações com Ronaldinho Gaúcho, o desempenho dele piorou e, no final, durante a pífia participação no Mundial de Clubes, ‘deu uma sambadinha’ ao fazer o gol na disputa pelo terceiro lugar , quando não havia motivo de comemorar.

Essa alegria egoísta em meio ao clima péssimo após a perda da semifinal contra o Raja Casablanca parece uma das características do veterano.

Fred

Enderson Moreira prepara o time que prioriza as necessidades coletivas.

Fred é o único que, taticamente, tem menos obrigação de marcar.

Além da rica história na agremiação, continua sendo importante no sistema ofensivo.

No futebol, individualistas com regalias como as que Ronaldinho talvez terá, em regra, são aceitos pelos colegas apenas se garantirem muitas vitórias para a equipe.

Mundo real

O jogador mais jovem, no começo, idolatra o consagrado. Depois, se a expectativa for frustrada com a bola rolando, fica insatisfeito porque o colega endinheirado não coopera para o menos renomado crescer na profissão. Dependendo da situação, os mais esforçados olham a estrela como obstáculo.

Tática

O próprio Fred talvez seja mais exigido por causa de Ronaldinho.

No 4-2-3-1 que o treinador diversas vezes coloca em campo, o trio de criação participa do sistema defensivo.

Quem joga pelos lados marca o lateral.  O outro , em regra, fica atento aos avanços do volante do rival.

Ronaldinho atua ou no centro ou na esquerda. Talvez, nem se quiser, consiga correr atrás do lateral. E a tendência é que não se disponha, sempre, a cumprir tal instrução.

Isso forçará o treinador a contar com um a menos marcando no meio de campo.

Pode até desestruturar a organização que credencia a equipe a ficar com uma das vagas na Libertadores.

Treinador

Se coloque no lugar do comandante que, ao menos indiretamente, é quase obrigado a escalar o Ronaldinho.

Precisa saber, antes dos jogos, qual é o tamanho do comprometimento dele com a instituição e o elenco.

Não adianta dar ao atleta que foi aplaudido pela torcida do Real Madrid, em pleno Santiago Bernabeu, por encantá-la com a camisa do Barcelona durante um clássico, funções que não cumprirá.

Contra equipes mais fracas, o enfraquecimento do sistema de marcação talvez não comprometa muito. Diante das mais fortes, isso pode acontecer. Tomar um gol contra elas tende a forçar o Fluminense a alterar a forma de jogar para fazer o (os) dele.

Drible em tudo

De qualquer maneira, se o Ronaldinho chegou muito inspirado ao Fluminense, as teorias táticas perdem força, pois ele um dia mereceu ser chamado de gênio, e alguém assim garante muitos pontos ao time, alegrias aos torcedores e bichos aos jogadores.

Não é meu palpite.

Talvez tenha momentos de craque.

Mas se for importante para o Fluminense conseguir atingir suas metas, não merecerá críticas.

‘Metade’ do potencial dele é suficiente para tal.

Talvez nem precise ‘tanto’.

Estreia

No Queretaro ,jogou 19 vezes, desde o início do ano, e apenas em 5 permaneceu no gramado durante os 90 minutos.

Faz cerca de dois meses que não atua.

Iniciou os treinamentos na segunda-feira.

A estreia dele contra o Grêmio, se acontecer, jogue bem ou mal, será uma medida de marketing e não esportiva.

Deveria se preparar melhor para diminuir a possibilidade de se machucar e aumentar a de alegrar quem torce pelo clube e por ele.

Escrito por Vitor Birner às 18:17 Vitor Birner 8 Comentários

27 jul

São Paulo ‘osoriano’ mereceu ganhar do ‘luxemburguês’ Cruzeiro; treinadores idealizaram propostas distintas de jogo

Análise de jogos

De Vitor Birner

São Paulo 1×0 Cruzeiro

Não foi um jogo tecnicamente elogiável.

Ficou emocionante, após o intervalo, por conta dos erros dos jogadores.

Faltou inspiração para a maioria.

Carlinhos, autor da assistência com cara de gol dele, e Michel Bastos, pela participação intensa no sistema ofensivo, chutes que geraram oportunidades no rebote e passe para Centurión perder em frente ao Fábio,  foram os melhores em campo.

O São Paulo criou mais oportunidades e mereceu ganhar na conta do chá.

Vanderlei Luxemburgo tem que melhorar o o sistema de criação do time.

Foi ‘quase retranqueiro’ no planejamento coletivo e escolha dos atletas.

Levou em conta que enfrentou o time com potencial para ser forte na parte ofensiva e que seria ousado desde o início.

Desprezou a falta de entrosamento que fez os são-paulinos oscilarem neste e noutros jogos.

Com mais posse de bola no campo de ataque aumentaria a possibilidade de falhas no sistema de marcação idealizado por Juan Carlos Osorio, mas preferiu diminuir a de tomar gols.

Tática

Juan Carlos Osorio, que não ficou no banco por causa expulsão contra o Sport, insiste, reitero, com razão, na modernização da forma de o o time jogar.

Preparou o 4-1-4-1 com flutuação para o 4-2-3-1, de acordo com o andamento do jogo. Michel Bastos na direita, Pato do outro lado, e Boschilia entre eles, atuaram em frente aos volantes Lucão e João Schmidt, e atrás de Centurión, o chamado ‘falso’ centroavante.

O treinador pediu ao quarteto mais adiantado que se mexesse para confundir a marcação, e que os volantes participassem da criação.

Jogar com a bola na grama, trocar passes e invertê-la, além de ocupar as lacunas do gramado, são grande parte da meta idealizada pelo colombiano.

Na zaga, optou por Rodrigo Caio junto de Rafael Toloi..

O Cruzeiro jogou no 4-2-3-1 mais estático.

Vanderlei Luxemburgo colocou Marinho na direita, William do outro lado e  Marcos Vinícius entre eles. Os laterais Ceará e Fabrício apoiaram pouco. O volante Henrique alternou os avanços com Charles.

Vinicius foi o centroavante.

Como o treinador do Cruzeiro sabia que o São Paulo teria a iniciativa do jogo, preferiu investir em contra-ataques.

Por isso colocou o centroavante mais veloz.

Tinha convicção que os laterais e os volantes são-paulinos iriam ao ataque.

Marinho e William marcaram aos primeiros, Marcos Vinicius fez isso com um dos atletas no centro, e Vinicius esperou os lançamentos longos para correr contra os zagueiros.

Alho, sal, pimenta, cebola…

O arroz com feijão simples que Vanderlei Luxemburgo planejou foi mal temperado.

Ficou completamente insosso porque o contra-ataque, a única opção para o time fazer gol tirante em cobranças de faltas e escanteios, foi ruim por causa dos erros de passes e do posicionamento muito recuado dos jogadores,

De nada adiantou a leitura correta, do técnico, a respeito de como o São Paulo pretendia atuar.

Ele pareceu preguiçoso ao não imaginar nada específico para tentar controlar o jogo ou ser mais incisivo na busca pelo gol.

Em formação

Pouco inspirado e precisando de entrosamento, em alguns momentos o São Paulo foi superior, noutros equilibrou o jogo, mas nunca ficou acuado como diante do Sport.

Depois de cerca de meia hora de disputa no meio de campo, talvez um pouco mais, quando os sistemas de criação de ambas as agremiações não haviam conseguido oportunidades de gol, o time do Morumbi passou a jogar mais perto da área e depois a entrar nela.

Restando cinco minutos para o intervalo, conseguiu a primeira grande oportunidade após chute de Michel Bastos. A bola ficou com Alexandre Pato e Fábio fez difícil intervenção.

Logo em seguida o São Paulo pediu pênalti quando a bola tocou no braço de Manoel.

Dois ou três minutos depois, Carlinhos cruzou de direita com precisão, Alexandre Pato desviou, de cabeça, de maneira quase imperceptível e Fábio, no meio do gol, aguardou para saber se o atacante conseguiria tocar nela segundos antes até os quase 30 mil torcedores comemorarem.

Acertou

O Cruzeiro pediu um pênalti de Thiago Mendes em Vinícius. O cruzeirense desabou no gramado após o contato normal com o lateral-direito.

A penalidade que o São Paulo queria, quando Lucão chutou e a bola tocou no braço de Manoel, foi daquelas que a Fifa nos impede de dizer se houve ou não.

No futebol, não foi. No neo-futebol, aconteceu.

Os  tais critérios ‘fifaísticos’ tornaram a regra dúbia.

Seria fundamental se, ao menos em cada campeonato houvesse interpretações iguais em todos os jogos, mas isso não ocorre.

Eu precisaria ter convicção de como Marcelo de Lima Henrique avaliou noutras partidas lances similares antes de afirmar que errou ou não.

Enquanto não sei isso, concordo com ele, que achou tudo normal, porque não gosto do estilo de jogo do neo-futebol.

Simplificando, foi bola na mão e não o contrário, pois o zagueiro não quis tocá-la com o braço.

Tentativas

Mayke e Gabriel Xavier, após o intervalo, entraram nos lugares de Ceará e Marcos Vinícius. O treinador queria, com o lateral mais ofensivo e a troca na meia, fazer o time criar alguma oportunidade.

Além disso, adiantou a marcação para tentar tomar a bola na frente.  O Cruzeiro chegou mais vezes lá e errou as finalizações, todas, salvo engano, fora da área.

Alterações e brechas

O Cruzeiro, por marcar mais adiantado, abriu lacunas no campo de defesa. O São Paulo tinha alguns atletas rápidos que podiam aproveitá-las.

Centurión, após receber de Michel Bastos, na área, finalizou e Fábio impediu o gol.

Marinho, na direita, deu a caneta no Rodrigo Caio e na hora de tocar optou por fazê-lo onde não havia ninguém, mas deveria ter, e a bola passou pela pequena área.

Faltou leitura de jogo ao Vinícius e ao William.

Talvez por causa dessa dificuldade e ade se posicionar na área, Vinícius saiu e Leandro Damião foi ao campo para atuar lá e fortalecer a jogada aérea.

Mayke e os cruzamentos

Com ele, o lado direito do sistema de criação se tornou o mais funcional.

O lateral levantou a bola para Leandro Damião cabecear por cima do gol. Pouco depois, tocou, por baixo, e o centroavante, no carrinho, não conseguiu chegar nela.

Mexidas no São Paulo

Hudson ocupou o lugar de João Schmidt para reforçar a marcação no meio. Era óbvio que Vanderlei Luxemburgo pediria para ambos os volantes  tentarem criar lances de gol.

Outras alterações foram Edson Silva por Boschilia e a formação do trio de zaga com os que permaneceram em campo.

Thiago Mendes e Carlinhos passaram a ser alas, pois jogaram na mesma linha de Lucão e Hudson, os volantes, mas tinham que recuar, um de cada vez, para a lateral, se o Cruzeiro tivesse a bola na meia.

A ideia inteligente, que o São Paulo ainda precisa aprende a fazer de maneira consistente, fortaleceria a marcação mais adiantada e os contra-ataques, pois Alexandre Pato e Michel Bastos, abertos, tanto poderiam recuar no meio de campo quando os laterais do rival apoiassem,  como, juntos de Centurion, iniciarem os desarmes na frente.

Como Alexandre Pato não tem essas características, atuou do lado de Mayke e tinha que marcá-lo, João Paulo entrou para ser o centroavante, Centurion foi para a direita e Michel Bastos atuou na faixa de campo do lateral-direito.

Catimba e gols perdidos

O São Paulo ainda não sabe jogar de maneira consistente no 3-4-3.

Por isso o meio de campo ficou esburacado.

Charles tocou para Leandro Damião, na área, e quando o centroavante ficaria na frente de Rogério Ceni, Edson Silva deu carrinho preciso, na bola, e impediu.

Os outros lances de gols favoreceram o time do Morumbi.

No primeiro, Centurión recebeu de Carlinhos, falhou no domínio e Fabio conseguiu fechar o ângulo no chute do argentino. No outro, Michel Bastos cruzou na medida, de maneira precisa, para ele, cara-a-cara com o goleiro, cabecear mal.

Nos minutos finais, o ‘hermano fez o possível para irritar. Tomou faltas e ainda dividiu, por cima, apenas na bola, o que irritou Fabrício.

Se houvesse o menor contato com o lateral, mereceria o vermelho. Tinha que levar o amarelo e Marcelo de Lima Henrique tirou o cartão do bolso apenas o nervoso ex-atleta do Internacional, que falhou numa saída de bola e proporcionou para João Paulo a última oportunidade de gol.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Thiago Mendes, Toloi, Rodrigo Caio e Carlinhos; Lucão; Michel Bastos, Boschilia (Edson Silva), João Schmidt (Hudson) e Alexandre Pato (João Paulo); Centurión
Técnico: Juan Carlos Osorio

Cruzeiro – Fábio; Ceará (Mayke), Manoel, Paulo André e Fabrício; Charles e Henrique; Marinho, Marcos Vinícius (Gabriel Xavier) e Willian; Vinícius Araújo (Leandro Damião)
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (PE) Assistentes: Clovis Amaral da Silva e Albino Andrade Albert Junior

Escrito por Vitor Birner às 8:01 Vitor Birner 54 Comentários

23 jul

Tigres venceu com facilidade; Alisson evitou que o Inter inoperante na semifinal fosse goleado

Copa Libertadores

De Vitor Birner

Tigres 3×1 Internacional

O futebol do time brasileiro foi fraco.

Houve erros individuais, de concepção de jogo e de realização do que o treinador planejou.

O Tigres não precisou de nenhuma novidade tática para sobrar diante de seu torcedor.

Competitivo, explorou suas maiores virtudes ofensivas e se impôs com grande facilidade diante da agremiação com repertório ofensivo pobre e que não entendeu o necessário para entrar, de fato, na semifinal.

Aquino, Damm e Gignac, contratados na janela de transferências e que formaram o quarteto mais adiantado junto com Rafael Sobis, desmontaram o sistema de marcação..

Alisson, entre os eliminados foi o único que mereceu muitos elogios nos eliminados,

Proposta

O ponto mais vulnerável do sistema de marcação do Tigres é a jogada aérea.

O Internacional iniciou com Nilmar como centroavante.

Poderia ter colocado Rafael Moura ou Lisandro López lá.

Ambos são mais capazes na jogada aérea.

Deles, apenas o argentino foi titular.

Jogou na meia, centralizado e perto do atacante quando o time se posicionou no 4-2-3-1 ou adiantado como segundo jogador de frente no  4-4-2, , quando não revezou com D’Alessandro nisso e recuou para cooperar com os desarmes.

O time deveria ficar fechado e investir nos cruzamentos.

Mas preferiu adiantar o sistema de marcação em certos momentos e, noutros, quando recuou, quis o contra-ataque.

Andamento

A estratégia falhou em diversos aspectos.

A transição de bola da defesa ao ataque foi ruim.

A marcação pelos lados ainda pior.

Era previsível e com certeza a comissão técnica sabia que os mexicanos investiriam na criação pelos lados, pois Aquino e Damm, os mais habilidosos do time, jogam naquelas faixas do gramado.

Tigres melhor

Damm levou a melhor contra Gefferson e Aquino sobrou diante de William.

Os laterais do Inter, além de seus limites técnicos, não tiveram a cooperação devida do meio de campo e foram os pontos mais vulneráveis do sistema defensivo.

D’Alessandro ou Lisandro López, dependendo do momento, e Valdívia tinham que ficar em frente a eles.

Em suma, houve erros individuais e coletivos.

O centroavante Gignac se mexeu, atuou nas brechas pelos lados, e confundiu a defesa.

Erros e gols

O primeiro gol nasceu no cruzamento da direita.

Willian ficou sozinho, na área, marcando um jogador adversário e Gignac, especialista na bola aérea, subiu para cabacear com precisão.

Juan, centralizado, e Lisandro López, aberto, se perderam e ficaram longe do lateral.

No outro, Gefferson, o convocado pelo Dunga e que havia atuado mal no Beira-Rio, fez o gol contra na jogada em que tinha toda condição de chutar a bola para longe.

Como nem o contra-ataque o Inter conseguiu, o jogo foi muito tranquilo para o Tigres antes do intervalo.

Sobrou

Continuou por mais 25 ou 30 minutos, até o time se cansar.

Não precisou mais que isso para Aquino driblar, ser derrubado na área e Rafael Sóbis cobrar mal  o pênalti inquestionável,

Houve mérito de Alisson, com atuação elogiável que  impediu o o gol. Nem deu rebote de tão preciso que foi na bola.

Pouco depois, Damm, pelo lado de Gefferson, chegou á linha de fundo e cruzou para Arévalo Rios, de cabeça, fazer 3×0.

Alterações

Em seguida, Eduardo Sasha entrou no lugar de Nilmar, que jogou mal, para atuar de um lado, Valdívia ficar no outro, e Lisandro López exercer a função de centroavante.

Eduardo Sasha jogou no ritmo mais intenso e melhorou um pouco o inoperante sistema ofensivo.

Alex entrou e Valdívia saiu.

O meia tem o passe e o chute como principais virtudes.

No Tigres, o experiente Álvarez ocupou o lugar de Aquino, o que não alterou a maneira de o time atuar.

Apenas quando o volante Lugo substituiu Damm a equipe passou a ser mais cautelosa e o Inter ficou mais com a bola no ataque.

O centroavante Rafael Moura entrou e o lateral William foi para o banco restando poucos minutos para o fim do confronto.

Isso tinha que acontecer antes, pois era importante fortalecer a jogada aérea na frente.

Brilhareco

Alex tocou para Eduardo Sasha dar assistência ao Lisandro Lopez no gol.

Rivas tinha que fazer a linha de impedimento e bobeou.

Nos últimos minutos – foram cinco incluindo os acréscimos –  não houve nenhuma oportunidade de fazer outro para conseguir a classificação, que teria sido épica após o jogo no qual o finalista do torneio foi muito melhor.

Ficha do jogo

Tigres – Guzmáz; Jiménez, Rivas, Juninho e Francisco Torres; Arévalo Rios e Pizarro; Jürgen Damm (Lugo), Rafael Sóbis e Javier Aquino (Álvarez); André-Pierre Gignac
Técnico: Ricardo Ferretti

Internacional – Alisson; William (Rafael Moura), Ernando, Juan e Geferson; Dourado e Aránguiz; D’Alessandro, Lisandro López e Valdívia (Alex); Nilmar (Eduardo Sasha)
Técnico: Enrique Carrera (interino)

Árbitro: Carlos Vera (EQU) – Auxiliares: Carlos Herrera e Luis Vera

Escrito por Vitor Birner às 7:36 Vitor Birner 38 Comentários

20 jul

Sport esbanja entrosamento para vencer o São Paulo cheio de erros coletivos

Análise de jogos

De Vitor Birner

Sport 2×0 São Paulo

O entrosamento foi muito importante para o Sport ganhar.

Seus jogadores entraram em campo cientes do que deveriam fazer em prol do coletivo diante do time ainda em formação.

Por isso foram melhores.

O São Paulo teve várias dificuldades para colocar em prática a inteligente proposta do seu treinador.

Juan Carlos Osorio preparou sistema tático complexo, moderno inclusive nos padrões europeus.

A possibilidade de acontecerem equívocos na marcação, tal qual houve, era enorme.

Os individuais merecem mais questionamentos.

Ganso e Luis Fabiano, os renomados e até pouco tempo tratados por grande parte dos são-paulinos como intocáveis, foram expulsos e diminuíram a possibilidade de o time empatar.

Não há nada de novo quando, por qual motivo for, deixam a equipe na mão.

A arbitragem, não por causa dessas expulsões, foi muito ruim.

De qualquer forma, os três pontos ficaram com o time que os mereceu.

Entrosado

O Sport iniciou o jogo no 4-2-3-1 com variação para o 4-4-2. A formação base contou com Elber na direita, Marlone do outro lado e Diego Souza, entre eles, no trio de criação.

Quando o adversário tinha a bola no ataque. dois desses três atletas ficaram na linha dos volantes Wendel e Rithely, e o que não recuou ou permaneceu na meia ou mais adiantado, aberto, como segundo atacante.

O time entrosado, onde os jogadores conseguem fechar lacunas e se mexem de maneira coordenada, mostrou facilidade para compreender as necessidades da partida diante do São Paulo em formação.

Aplausos para Juan Carlos Osório

O treinador tentou implementar o 3-4-3  (meu esquema tático preferido), que exige muita inteligência dos jogadores e treinamentos para se adaptarem, mas, na prática, o time atuou no 3-4-1-2.

A linha de frente contou com Centurión na direita e Pato do outro lado.

Ganso atuou centralizado. Tinha que transitar entre o meio de campo e o ataque, mas ficou como meia, em frente ao quarteto que teve Thiago Mendes e Michel Bastos pelos lados, como alas, mais Hudson e Rodrigo Caio, que foram volantes.

A proposta coletiva é mais complicada de funcionar de maneira harmônica por diversos motivos;

Na marcação pelos lados,  os alas precisam entender quando devem ocupar a lateral, um de cada vez, ou os volantes precisam saber a hora de fazer a cobertura nos momentos em que o ala não consegue recuar.

Além disso, e o zagueiro deve compreender quando tem que ir à lateral, com o ala do outro lado, para formar a linha de quatro.

Se o adversário, por exemplo, mandar os meias pelos lados se posicionarem como atacante, é fundamental impedir o trio de zaga de ficar mano a mano com eles e o centroavante.

Tudo isso exige leitura de jogo muito rápida.

Na frente alguém precisa entrar na área ou ficar na meia-lua, como falso centroavante..

É lógico que o São Paulo cometeu erros, pois apenas com sorte conseguiria, diante da equipe ‘redondinha’ na parte tática, fechar todas as lacunas e se mexer, em campo, como plena sincronia com regularidade.

O treinador faz o certo ao insistir na modernização do jeito do time jogar.

Não pode ficar pensando na manutenção do emprego, na insatisfação da opinião pública (parte dos torcedores e jornalistas) e dos dirigentes, que em regra sequer compreendem a ideia do técnico, as razões dela e aonde pode chegar, se houver paciência, com isso.

O único porém para atuar neste esquema tático (tende a ser um pouco mais ofensivo, mas, se implementado com precisão, pode ser consistente atrás e se adaptar às necessidades do jogo) é que o ideal seria contar com ao menos um zagueiro rápido.

Mas não foi isso que criou as dificuldades para o time nessa partida.

Andamento

O Sport jogou melhor desde o primeiro tempo.

Teve mais posse de bola ofensiva e investiu mais nos ataques pelos lados.

André não ficou na área, parado, como pivô. Se mexeu para tentar a tabela com os companheiros, em especial com o trio de criação, e confundis o sistema de marcação são-paulino.

Diego Souza foi o principal organizador do time.

O São Paulo, no ataque, não encontrou seu falso centroavante.

Pato e Centurión ficaram muito abertos e por isso previsíveis; Ganso, que poderia entrar na área, não o fez.

Aliás, não há nenhuma novidade na dificuldade desse jogador se mexer como o time necessita, seja qual for o esquema tático.

O gol

O lance nasceu de um dos vários erros de marcação do São Paulo pelos lados.

Rodrigo Caio tinha que acompanhar o Marlone, que recebeu belo passe de calcanhar do André, pois o Lucão havia saído da área para marcar o centroavante.

Como o volante não fez a parte dele, Marlone deu assistência para Elber, na pequena área, com Michel Bastos perto, fazer 1×0.

Confusa e ruim

O jogo não foi tão complicado assim para quem tinha que impor as regras.

Mas o trio conseguiu irritar ambos os times.

Houve um lance em que Durval tenta cabecear e a bola bate no braço dele.

Como havia pulado, teve que abrir os braços para ganhar impulso e não perder equilíbrio.

No futebol, isso não é pênalti.

No neo-futebol, principalmente aqui no Brasil, tais lances muitas vezes são considerados infrações, por isso os jogadores do São Paulo, que tiveram alguns assim marcados contra si desde o início do ano, reclamaram muito.

Na jogada seguinte, André driblou Hudson, o volante colocou o braço no ombro do centroavante que despencou na área.

André Luis de Freitas apontou para a marca do pênalti, mas determinou que houve apenas a falta.

Não resta a menor dúvida que foi dentro. Se achou que aconteceu a infração, tinha que dar o pênalti.

A opinião do auxiliar, ali, tanto faz, pois o lance foi no lado oposto dele e em frente ao árbitro.

Houve um gol anulado de André, o qual pretendo acompanhar novamente para saber se a posição do atacante foi irregular.

E um impedimento de Pato, que não houve, quando o atacante recebeu a bola na área e ficou mano a mano contra o rival que o segurou ou por ter observado a determinação do bandeirinha ou para evitar que atleta fosse em direção ao gol.

Danilo Fernandes 1×0 Alexandre Pato

Pato ficou de frente para o goleiro em lance de contra-ataque, após receber o passe de Ganso, tentou driblar e o jogador do Sport conseguiu tocar na bola para impedir o empate.

Foi a melhor oportunidade do São Paulo.

Alterações

Eduardo Basptista, após o intervalo, trocou Elber por Ferrugem para reforçar a marcação na direita e ainda ter chegada na frente.  Sabia que o São Paulo atacaria muito daquele lado com Pato e Michel Bastos.

Juan Carlos Osorio, após alguns minutos onde o São Paulo aumentou a posse de bola e continuou com dificuldade de ultrapassar a marcação do Sport, alterou o esquema de jogo ao tirar Edson Silva, zagueiro, colocar Luis Fabiano como centroavante, recuar Michel Bastos e Thiago Mendes para as laterais, formar o 4-1-4-1 e pedir muita marcação na saída de bola.

Depois, adiantou Michel Bastos para a meia, aberto, no lugar do argentino, que saiu para Reinaldo entrar.

Regis e Rodrigo Mancha, aos 28, nos lugares de Wendel e Diego Souza, foram as últimas mexidas de Eduardo Baptista, que pareceu mais interessado em manter a força física do meio de campo que em alterar a proposta de jogo.

Cinco minutos depois, Thiago Mendes pediu para sair, Hudson foi atuar na lateral e Boschilia jogar na meia, ao lado de Ganso, com Pato e Michel Bastos pelos lados e Luis Fabiano, adiantado, como pivô.

São Paulo e suas estrelas

Dois ou três minutos depois de Juan Carlos Osório colocar o time com criação em todos os setores – obviamente fica mais vulnerável na marcação -, Ganso, que tinha amarelo, reclamou com André Luis de Freitas.

O meia sabe que a orientação é para mostrar o cartão e já tinha levado um noutro lance. Não houve rigor logo de primeira, ele insistiu na fala e foi expulso ao levar o segundo.

Luis Fabiano, pouco depois, fez a falta, por trás, ainda no campo de ataque, e mereceu cartão.

Já tinha sido punido antes e, por isso, excluído.

Ficou em campo cerca de 25 minutos.

Resolveu

O Sport, mesmo quando o São Paulo tinha 11 em campo, criou mais oportunidades, quase todas em contra-ataques.

Com dois jogadores a mais, desperdiçou algumas até André tocar para Ferrugem, na área. garantir o 2xo e os merecidos 3 pontos ao time.

Ficha do jogo

Sport – Danilo Fernandes; Samuel Xavier, Matheus Rafael, Durval e Renê; Wendel (Rodrigo Mancha) e Rithely; Elber (Ferrugem) , Diego Souza (Regis ) e Marlone; André
Técnico: Eduardo Bapstista

São Paulo – Rogério Ceni; Lucão, Rafael Toloi e Edson Silva Luis Fabiano); Thiago Mendes (Boschilia), Hudson, Rogerio Caio e Michel Bastos; Ganso, Centurion e Pato
Técnico Juan Carlos Osorio

Árbitro: André Luiz de Freitas – Assistentes: Alessandro Rocha de Matos e Eduardo Goncalves

Escrito por Vitor Birner às 7:33 Vitor Birner 135 Comentários

19 jul

No limite, Corinthians vence Atlético MG em jogo acima da média do Brasileirão

Análise de jogos

De Vitor Birner

Corinthians 1×0 Atlético MG

Gostei muito do jogo.

Intenso, tático e disputado de maneira inteligente, foi acima da média do Brasileirão.

O Corinthians, apesar de atuar diante de seus torcedores, não teve o menor constrangimento em optar por deixar a bola com o Galo e investir nos contra-ataques, tal qual fizera contra o Flamengo.

O Atlético MG foi mais ofensivo, teve iniciativa de ir à frente e foi mais frequente lá.

Apesar da dificuldade de superar o bloqueio, não fez gol porque perdeu algumas oportunidades, teve azar na cobrança de falta de Giovanni Augusto e o goleiro Walter, inspirado, foi preciso nas raras vezes que algum jogador atleticano ficou em frente a ele.

O Corinthians perdeu uma oportunidade para ampliar e parou em Victor que, quando exigido, deu conta da missão.

Foi uma partida de xadrez de times que sabiam o que pretendiam fazer, e orientados de maneira elogiável pelos seus treinadores.

Os times

Tite posicionou o Corinthians no 4-2-3-1 e no 4-1-4-1.

Malcom, na direita, Rildo, do outro lado, e Renato Augusto, entre eles, formaram o trio de criação em frente dos volantes.  A variação tática aconteceu quando Elias atuou na linha dos meias.

O Atlético MG iniciou no 4-3-3.  Luan e Thiago Ribeiro, pelos lados, e Lucas Pratto, o centroavante, jogaram mais adiantados.  De acordo com as necessidades da partida, houve a flutuação no esquema.

Quando um deles recuou, a equipe formou 4-4-2. E, em certos momentos, Luan e Thiago Ribeiro recuaram para a meia, abertos, com Giovanni Augusto, centralizado, na mesma linha deles, atrás do centroavante argentino, formando o 4-2-3-1.

O atleta revelado pelos mineiros, simbolo da épica conquista da Copa do Brasil, se machucou e Carlos foi para o jogo.

Levir Culpi, por isso, inverteu o lado de Thiago Ribeiro, que passou a atuar na direita.

Estratégia e necessidade

Como as equipes jogaram, tal qual se diz no futebolês, compactadas, houve poucas brechas no meio de campo nos 25 minutos inciais.

O Corinthians tentou marcar a saída de jogo.

Dificultou algumas vezes a proposta do Galo que insistiu em fazer a transição com a bola na grama.

Nos momentos em que os corintianos não conseguiram, o sistema de marcação, no meio de campo, ficou um pouco vulnerável.

Por isso, Tite, pragmático, pediu para a marcação começar alguns metros à frente da linha que divide o gramado.

Levir Culpi determinou isso desde o primeiro minuto.

Por causa das ideias coletivas dos treinadores, os zagueiros e laterais atuaram fora da área.

Nas pequenas brechas entre eles e os goleiros, os times tentaram lançamentos por cima da defesa. Ambos contaram com jogadores de velocidade, pelos lados, e centroavantes que não são lentos.

A ideia era válida.

Depois que o Corinthians recuou, o Atlético MG passou a ter mais posse de bola e iniciativa de tentar fazer o gol.

Como fez na vitória diante do Flamengo, preferiu investir na marcação e nos contra-ataques.

Isso aumentou a posse de bola do Atlético MG na frente.

Era o que ambos os treinadores queriam naquele momento.

Tite 1×0 Levir Culpi

Duas ou três vezes Vágner Love recebeu a bola ‘nas costas’ de Marcos Rocha.

Havia um enorme trecho do gramado para correr com ela.

Em um dos lances, tocou mal.

No outro, deu a assistência para Malcom.

A vitória do treinador corintiano foi fruto de acertos no plano de jogo.

Isso não significa que Levir Culpi foi mal.

Ao contrário; o atleticano fez o que era necessário.

No futebol, muitas vezes os dois técnicos acertam, mas a matemática permite que apenas um deles ganhe.

Dependem dos jogadores e em muitas oportunidades um erro de passe,  ou centímetros  na direção de um chute, ou simplesmente a falta de sorte, não permite que a proposta inteligente se transforme em gol.

Mantidos

Os times retornaram do intervalo com suas filosofias de jogo intactas.

O Atlético MG forçou os ataques pela direita, onde Marcos Rocha e Thiago Ribeiro atuaram.

Conseguiu ir à linha de fundo três vezes e, numa delas, Lucas Pratto perdeu a oportunidade de igualar.

Alterações

Aos 14, Rildo deu lugar ao Mendoza. O colombiano jogou em frente ao lateral Uendel.

Tinha fortalecer a marcação e correr com a bola, de trás, se houvesse a oportunidade.

Levir Culpi, aos 23, optou por tirar Thiago Ribeiro e colocar Cardenas. O ex-jogador do Atlético Nacional se revezou, com Giovanni Augusto, nas funções de meia e de atacante, ambos, sempre, na direita.

Tite, logo em seguida, trocou Vágner Love por Danilo.

Azar de Giovanni Augusto

O meia, inteligente, cobrou a falta por baixo da barreira que pulou.

Teve azar porque a bola tocou na trave.

Não havia a menor possibilidade de Walter intervir.

O goleiro ficou posicionado do outro lado, no canto oposto ao que cobriu com a barreira.

Conservador

Tite poderia colocar Danilo, aberto, em frente ao lateral, e deixar Mendoza avançado.

Assim, teria alguém capaz de segurar a bola no meio de campo, mais qualidade no passe longo , além de proporcionar ao colombiano a possibilidade de correr contra os zagueiros Jemerson e Leonardo Silva.

Outra ideia viável seria adiantar Renato Augusto e deixar o veterano centralizado na meia.

Mas o treinador preferiu pedir para Danilo jogar como falso centroavante.

O time passou a ficar um pouco mais com a bola no ataque, mas não o suficiente para impedir o Atlético MG de continuar ditando o ritmo de jogo e em busca de lacunas na marcação.

Por cima

Nos últimos minutos, Tite pôs Ralf e tirou Bruno Henrique.

O Atlético MG investia nos cruzamentos e com a mexida pretendia tornar o sistema de marcação mais forte nas jogadas aéreas.

Goleiros

Nos acréscimos, Mendoza perdeu o gol em lance que Victor foi preciso ao fechar o ângulo.

Na sequência,  Lucas Pratto, em contra-ataque, ficou em frente ao Walter e o goleiro precisou intervir na jogada favorável ao centroavante.

Giovanni Augusto, dentro da área, chutou em cima de Walter, que, de novo, impediu o empate.

No jogo extremamente coletivo e difícil, ou o goleiro foi o melhor em campo ou quase isso.

Treinadores

Tite deve ter ficado irado porque o time tão defensivo quanto o dele permitiu dois contra-ataques no final.

Mas isso serviu para aumentar a emoção da vitória.

Levir Culpi deve lamentar os gols perdidos e pequenos equívocos de passe como o que permitiu ao adversário fazer o gol.

Em geral, creio, ambos os treinadores gostaram do futebol de seus times.

Ficha do jogo

Corinthians – Walter; Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Bruno Henrique (Ralf) e Elias; Rildo (Mendoza), Renato Augusto e Malcom; Vagner Love (Danilo)
Técnico: Tite

Atlético MG – Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Jemerson e Douglas Santos; Leandro Donizete (Guilherme), Rafael Carioca e Giovanni Augusto; Luan (Carlos), Thiago Ribeiro (Cardenas) e Lucas Pratto
Técnico: Levir Culpi

Árbitro: Anderson Daronco (RS) Auxiliares: Fabricio Vilarinho da Silva (GO) e Bruno Raphael Pires (GO)

 

 

Escrito por Vitor Birner às 15:51 Vitor Birner 21 Comentários

17 jul

A doutrina dos sócios-torcedores

Birnadas

De Vitor Birner

Tenho restrições e elogios ao radical anseio dos cartolas por sócios-torcedores.

Se o time conta com seguidores leais, sistema funcional de negociação de ingressos e preços acessíveis, terá, de qualquer forma, estádio pleno.

O principal ponto favorável desses programas de adesão é o planejamento financeiro. A margem de erro entre o que os cartolas imaginaram arrecadar e o que de fato conseguem, diminui.

O negativo é que gera outra segregação.

Os excluídos

Pessoas novas, por exemplo, que ainda não têm renda própria e tendem a se apegar ao manto sagrado, enfrentam mais empecilhos para alimentar o amor, por causa dos programas de sócio-torcedor.

Quem labuta nos horários dos jogos a os que moram longe da cidade da agremiação, ambos muito apaixonados pelo time, que sempre tentam ir ao estádio ou à arena nas folgas, mas talvez não possam pagar os valores mensais mais elevados – para especificar eu teria que citar todos planos oferecidos pelos clubes  - precisam se conformar com a impossibilidade de adquirirem as entradas.

Na pele

Há um enorme abismo entre a relação com o time à distância e de perto.

Quem ama, em regra, quer sentir a energia de ‘um estádio’ empurrando ou secando, e fica, junto da agremiação seja qual for a fase dela.

Joga junto com seus ‘representantes’ em campo.

No coração

O placar de cada partida mexe com seu humor, mas não o faz deixar de acompanhar o time.

Futebol é, acima de tudo, lidar com perdas, pois nenhuma agremiação no planeta ganhou a maioria dos torneios que participou.

E quanto maior for a quantidade de fracassos, mais intensa será a alegria nas conquistas dos títulos.

Na alma

A segregação dos planos de sócio-torcedor fere a essência desse esporte.

Aproxima mais o futebol da condição de produto acima de tudo.

O distancia da simplicidade que o fez, outrora, o local democrático (no sentido agregador, não no destrutivo como o que muito escuto, da palavra), onde pobres e ricos, pessoas de raças, etnias e religiões distintas,  com pensamentos antagônicos, largavam os preconceitos e intrigas, e se uniam espontaneamente em apoio à camisa que escolheram até que a morte, talvez, os separe dela.

Subvertendo a cultura da tristeza

Nem tudo deve proporcionar o maior lucro material possível.

Dinheiro serve para gerar o conforto que aumenta a possibilidade de o indivíduo ter mais momentos de felicidade.

Quando essa alegria é trocada por grana, temos uma inversão de valores e consequentemente as séries constantes de punhaladas na alma do esporte que ficou gigante porque emocionava e não por por ter como primeiro objetivo o faturamento.

Hoje em dia, há mais nais números e menos sensações plenas no mundo do futebol.

No bolso

Não tenho nada contra o dinheiro no futebol.

Acho importante.

Gera empregos.

Se fosse completamente amador, muitas pessoas que nasceram com talento para jogar bola precisariam ter seus empregos e não se dedicariam a ele, que, se tiver a alma intacta, distribui intensas emoções para milhões.

A grana no futebol deve ser a meta secundária daquilo que os burocratas e políticos interessados chamam de produto, para o esporte não perder valor emocional – tem acontecido principalmente aqui no Brasil –  e, mais para frente, comercial.

Como a natureza

O futebol não é a única atividade onde se faz exploração predatória.

De vez em quando o observo como vasta e importante floresta, de onde se retira de maneira gananciosa a maior quantidade de recursos naturais em detrimento do ecossistema perfeito e fundamental, até o dia em que nada mais nascerá lá.

Os programas de sócios-torcedores talvez sejam parte de métodos similares no futebol.

Mais números, menos emoções

Alguém tem qualquer tipo de dúvida que o futebol já proporcionou mais sensações aos torcedores do que nesse neo-futebol?

Cadê a expectativa antes dos jogos?

Cadê a magia que nunca dependeu da qualidade em campo para existir?

Será que não percebem que a doutrina do faturamento como prioridade é vendida ao público e aos  atletas profissionais que, por isso, até quando os jogadores se apegam a uma agremiação não conseguem ter a reverência, tirante exceções, por ela como incontáveis jogadores de outrora  mostraram?

Que grande parte das declarações nessa direção não passam de média?

Questionamento 

Eu não tenho como afirmar, hoje, se a doutrina dos sócios-torcedores terá, em ,ongo prazo, mais efeitos positivos ou negativos.

É difícil dimensionar, agora, o real impacto que terão, após décadas, na formação dos torcedores e na intensidade da ligação de centenas de milhões de seres humanos com os times.

Atalho e obstáculo

Se vende a ideia de que facilitam para os torcedores, mas isso é real apenas para uma parte dele.

A outra terá uma barreira a mais entre si e o ingresso.

Carnê

Os clubes podem negociar pacotes com ingressos para todos os jogos.

E quem adquire, ganha facilidades como redução no valor das entradas, parcelamento ou e alguns outros benefício ofertado para sócios-torcedores.

Fast-futebol gourmet

A única percepção nítida é a de que a gestão do futebol em muitos países tem ficado cada vez mais longe de torcedores  e mais perto dos consumidores.

O padrão-Fifa, uma espécie de rede de fast-foot que robotiza e plastifica a alma do jogo com chatas padrões que parecem uma caricatura ‘gourmetizada’ do futebol, são parte dessa maneira ultra-comercial que faz ‘torcedor’ comemorar faturamento quando o time não ganhou título.

E como acontece noutros setores, alguns mais importantes que o próprio futebol, pouco se questiona o rumo dessas gestões, porque tendem a aumentar os lucros.

Horário que mostra

O sucesso de público nos jogos das 11h de domingo mostra que muitas pessoas colocaram o esporte em segundo plano, assim como os dirigentes fizeram com a alma do futebol.

Nesse horário, almoço familiar, cinema, shopping center, parque, a namorada (o),caminhadas, museu, teatro, bicicleta, praia … podem aguardar.

Nem sempre foi assim.

As tardes de domingo eram do futebol.

Hoje talvez sejam (são necessários mais jogos para afirmar) as manhãs.

Não sei se, quando o mundo capitalista brasileiro oferecer concorrência mais cedo no dia de folga da maioria, o esporte perderá de novo o jogo e talvez a última brecha na agenda do grande público da nação onde Pelé, Zito, Garrincha, Didi, Rivellino… construíram a mais rica história de um país no futebol.

 

Escrito por Vitor Birner às 6:23 Vitor Birner 100 Comentários

16 jul

Inter vence; time precisa melhorar para se classificar à final da Libertadores

Birnadas, Copa Libertadores

De Vitor Birner

Internacional 2x 1 Tigres

Não gostei do futebol do time que tem o títulos da Libertadores na sua grande galeria de troféus.

Foi mediano tanto na parte tática quanto na técnica.

As condições eram muito favoráveis e não as aproveitou.

Precisava tornar o jogo mais intenso contra a agremiação com pequeno período de preparação.

Em suma, venceu, mas o ideal é que evolua até a semana que vem, pois se repetir a o desempenho terá possibilidade considerável de ser eliminado na semifinal.

Iniciando

O Tigres entrou em campo abaixo da condição física ideal e com necessidade de se entrosar.

Três dos cinco reforços, todos com qualidade elogiável no padrão Libertadores, foram escalados no primeiro jogo ‘não amistoso’ da temporada que, para os mexicanos, iniciou agora.

Digamos que o estágio de preparação é similar ao das maiores agremiações brasileiras na primeira rodada do estadual.

Mesmo assim, no início, tentou fazer a transição ao ataque trocando passes.

Isso leva meses para se executar direito e com regularidade.

E perder a bola no campo de defesa aumenta a possibilidade de tomar gol, porque, em regra, quem a tem se posiciona para ir á frente.

Obrigação

O Internacional deveria conseguir se impor.

A ideia do Tigre de jogar com a bola no chão foi inapropriada para o local do jogo e estágio de preparo coletivo.

Juninho citou na entrevista, os mexicanos demoraram para se adaptar a grama baixa, que torna a partida mais rápida.

A fórmula para o Internacional era ‘simples’.

Tinha que tornar marcar na área do rival, tornar o jogo intenso, veloz, para forçar as falhas do concorrente à vaga na final.

Durou pouco

Fez isso apenas no início.

Marcou dois gols em 10 minutos, um com D-Alessandro depois Arévalo Rios falhar no passe – tal qual o ‘campo falava’ - e D’Alessandro, com precisão, finalizar de fora da área.

No outro, Valdívia chutou e teve sorte porque a bola desviou no rival e encobriu o goleiro.

O Tigres ficou acuado no começo da semifinal

Colaborou com o Tigres

Depois o Internacional recuou, ao invés de manter a marcação na saída de jogo.

Investiu nos contra-ataques com D’Alessandro na direita, Valdívia do outro lado e Nilmar, mais adiantado, como centroavante.

A opção solucionou o problema do Tigres na transição da defesa ao ataque e permitiu que ficasse com a bola mais perto da área de Alisson.

O gol de Ayala, de cabeça, não teria acontecido se o Internacional marcasse mais na frente.

Chamar o adversário e explorar brechas que deixou poderia funcionar, mas não era o que o jogo pedia, ao menos até aquele momento.

Alisson impediu o empate

Ao longo do 1° tempo, a equipe foi caindo de rendimento.

Permitiu aos mexicanos equilibrarem a disputa no meio de campo e depois terminarem com razoável controle da partida.

Nem a tentativa de retomar o posicionamento defensivo inicial fez a equipe se impor.

Alisson, ao evitar dois gols do Tigres, foi o principal jogador em campo.

Tática

Após o intervalo, Internacional quis atuar no 4-1-4-1 com flutuação para o 4-2-3-1.

Pretendia ter Aránguiz junto com D’Alessandro na direita, Valdívia do outro lado e Lisandro López entre eles, na meia e chegando pelo centro na área.

Mas como o time não ganhou o meio de campo, o argentino e o atleta revelado no clube gastaram consideráveis doses de energia cooperando com os laterais, ficando em frente a eles, na marcação.

O lado esquerdo do sistema defensivo, com Geferson na lateral, Alan Costa na zaga, mais o volante e Valdívia, foi inconsistente.

Nilmar, o mais adiantado, ficou isolado.

Com um a mais

Apenas depois de Ayala ser expulso, o Internacional passou a ter muita posse de bola no campo de ataque.

Os 34 minutos restantes, o Beira-Rio pleno, a condição física do Tigres, tudo favorecia para o Internacional fazer gols.

Improdutivo

Mas o time nem conseguiu incomodar muito.

O Tigres recuou e ficou dependente do contra-ataque apesar de o centroavante Gignac, cansado àquela altura, ser o único acionado nesses lances.

O zagueiro Briseño entrou no lugar de Damm, que jogou no meio de campo e era opção de velocidade e dribles.

O treinador do Tigres priorizou a recomposição do sistema defensivo, mas perdeu posse de bola e repertório ofensivo.

Sabia disso ao fazer a alteração.

Tentativas

Ao notar que as lacunas para Nilmar diminuíram após os mexicanos se posicionarem atrás, Enrique Carrera, (não sei se orientado pelo suspenso Diego Aguirre) trocou o atacante por Eduardo Sasha.

O reserva foi atuar na direita, onde até aquele momento jogou D’Alessandro.

O argentino foi para o centro do trio de criação, onde ficava Lisandro López (se revezou entre essa função e a de atacante junto com Nilmar), que passou a ser o centroavante de área.

O time, nem depois das mexidas, conseguiu superar mais de uma vez, com a bola na grama, a razoável marcação do Tigres.

Houve a exceção.

Prejudicado

No único lance que fez isso, o auxiliar marcou impedimento.

Não foi simples de ser avaliado, mas fiquei com impressão que o argentino partiu da mesma linha do zagueiro.

Ele ficaria de frente para o goleiro Guzmán.

Nem por cima 

Nos últimos cinco minutos, como a opção era jogada aérea, Rafael Moura ocupou o lugar de Valdívia.

O fortalecimento do ataque nos cruzamentos não teve nenhum efeito positivo para o time.

Critérios

O habilidoso Aquino, que com seus dribles conseguiu levar a melhor algumas vezes contra os marcadores, foi tocado por Ernando, na área, antes do intervalo, quando o placar era 2×1, e se jogou no gramado.

Eu não acho que isso é pênalti, mas muitos (no Brasil provavelmente a maioria) são marcados assim.

Como na Libertadores o critério ficou dúbio porque a Fifa de Joseph Blatter determinou e a Conmebol aceitou as alterações do neo-futebol  - geram mais dúvidas sobre o que é ou não falta e pênalti,  e ainda há jogos que correm de maneira tradicional do futebol –  fica impossível afirmar, de maneira convicta, o que o venezuelano José Argote deveria fazer.

O mesmo ocorreu na expulsão de Ayala.

Deu carrinho forte na bola e no jogador do Internacional,

Há quem mostre o cartão amarelo, os que não fazem isso, e aqueles que de vez em quando sim e noutras não.

Então, o tal do critério é “muito pessoal”, como os comentaristas chamados de especialistas na pauta vira e mexe citam.

De qualquer forma, ambas as jogadas tiveram decisões que merecem mais debates que críticas inquestionáveis.

O outro lance importante, do impedimento de Lisandro López, houve provavelmente o equívoco que impediu o centroavante de finalizar apenas com o goleiro na frente.

Teria sido importante aumentar o resultado em uma noite onde a inspiração ficou longe do Beira-Rio.

Ficha do jogo

Internacional – Alisson; William, Alan Costa, Ernando e Geferson; Dourado; D’Alessandro, Aránguiz, e Lisandro López e Valdívia (Rafael Moura); Nilmar (Eduardo Sasha)
Técnico: Diego Aguirre

Tigres – Guzmán; Gimémenez, Ayala, Juninho e José Torres; Arévalos e Pizarro; Damm (Briseño) , Rafael Sóbis (Lugo) e Aquino; Guignac (Viniegra)
Técnico: Rivcardo Ferretti

Árbitro: José Argote (Venezuela) – Auxiliares: Jorge Urrego e Carlos López

Escrito por Vitor Birner às 8:25 Vitor Birner 16 Comentários

12 jul

Na técnica; assim o Corinthians ganhou com facilidade do Flamengo

Análise de jogos

De Vitor Birner

Flamengo 0×3 Corinthians

O Alvinegro foi superior nas partes tática e técnica.

Jogou de maneira objetiva, priorizando marcação e contra-ataque.

Consistente antes do intervalo, quando fez dois gols, oscilou um pouco depois, mas em nenhum momento deu oportunidade para o rival esboçar reação.

O Flamengo passou 90 minutos, em vão, buscando alternativas para tornar o sistema de criação mais forte.

Perdeu porque tinha jogadores inferiores na qualidade individual e menos preparados coletivamente.

Houve o gol mal-anulado de Jonas. Não creio que, se fosse validado, seria o início da melhora do futebol flamenguista e que permitia ao time levar ponto à Gávea.

Ninguém na equipe de Cristovão Borges merece aplausos.

No Alvinegro, apenas Vagner Love destoou.

Elias e Jadson, nessa ordem, foram os melhores em campo, seguidos por Renato Augusto e Uendel, que entra na lista por causa do lance todo –  não apenas da finalização –  do terceiro gol.

Com Guerrero e Emerson Sheik, o roteiro do jogo, creio, seria muito mais difícil para o vencedor.

Sobre eles 

A ausência da ex-dupla do Corinthians gerou uma série de consequências.

Gabriel foi mal, o treinador escalou na meia a dupla de estrangeiros limitada na criação, Marcelo Cirino teve que ser o centroavante….

Diante do Internacional, Emerson Sheik e Éverton, pelos lados, Jonas, Canteros e Cáceres realmente na função de volante e Guerrero na de centroavante, tornaram a equipe mais forte na marcação em frente aos zagueiros e laterais, e na parte ofensiva.

O treinador poderia, se contasse com ambos,  abrir mão de um dos volantes para colocar alguém capaz de fortalecer as tentativas de desarmar no campo de ataque.

Mas teve que pensar em reorganizar em vez de tentar agregar algo ao que funcionou.

Não tinha opções para isso.

Poderia mandar a equipe ficar atrás, enquanto recebia vaias da própria torcida, e mesmo desse jeito a possibilidade de perder era maior que a de vencer.

Limitado

Cristovão Borges escalou o Flamengo no 4-1-4-1. O quarteto em frente ao volante Jonas contou com Gabriel na direita, Éverton na esquerda, e Canteros e Cáceres entre eles. Marcelo Cirino foi o centroavante.

O desenho tático mostrou que o time tentaria atacar mais pelos lados, onde o competitivo sistema defensivo do Corinthians tinha sido é um pouco menos consistente nos últimos jogos.

O andamento do jogo confirmou a teoria.

O Flamengo forçou a criação com Gabriel, mal desde o início, e Éverton, que não merece elogios apesar de ter jogado melhor que o outro.

Com os gringos a possibilidade de superar o bloqueio corintiano era pequena, pois eles tecnicamente não têm tanta qualidade.

A equipe, talvez por isso, pouco forçou a criação por onde jogaram.

O Rubro-negro fez alguns cruzamentos, tentou chutes de média distância e apenas um, dentro da área, com Éverton.

Não teve a intensidade que precisava para se impor.

Racional

Tite tentou aperfeiçoar o que o time tem feito nas últimas rodadas e adaptar isso a forma de o Flamengo jogar.

Na vitória contra o Atlético PR, o sistema de marcação, pelos lados, não correspondeu como ele queria, apesar de não ter tomado gols.

Ciente de quais são as principais virtudes do Rubro-Negro,  deve ter pedido atenção para Jadson e Malcon na marcação em frente aos laterais Fagner e Uendel.

E para Elias, desatento na cobertura durante aquela partida, cooperar mais com o meia experiente.

Renato Augusto, centralizado, completou o quinteto no meio de campo e Vagner Love jogou como único atacante.

Como o Flamengo tem velocidade por ambos os lados e com o centroavante, o treinador decidiu posicionar o time um pouco mais atrás, entre a linha que divide o gramado e a da grande área do gol de Cassio.

Não podia abrir lacunas para a correria de Gabriel, Éverton e Marcelo Cirino.

Calculou que a necessidade do time da Gávea vencer e o impacto de atuar diante da sua torcida o faria avançar.

Preparou o Alvinegro para os contra-ataques.

O primeiro gol aconteceu assim.

Éverton perdeu a bola com o Flamengo quase todo na frente.

Jadson tocou para Elias, que colocou Vágner Love diante do César.

O goleiro conseguiu fechar o ângulo, fez difícil intervenção e, no rebote, Elias finalizou com categoria por cima dele.

Não havia ninguém perto do volante artilheiro porque os flamenguistas corriam de maneira desordenada para recompor o sistema de marcação.

Reforçou

Malcom foi jogar na direita um pouco mais avançado e Jadson na meia, do outro lado, menos aberto e próximo ao Renato Augusto.

Tite queria aumentar a velocidade do contra-ataque, melhorar a organização desses lances e, se necessário, a capacidade de manter a bola na frente.

Como o time sabe fazer as flutuações do 4-2-3-1 (Elias e Bruno Henrique são os volantes, Malcom, Renato Augusto e Jadson e o trio de criação) para o 4-4-2 ( Malcom forma dupla de ataque com Vagner Love) e 4-1-4-1 ( Bruno Henrique é o volante entre os quartetos), o técnico pode variar de acordo o que avalia ser melhor em cada momento.

Além disso, o som das arquibancadas ficou mais alto após cada erro dos jogadores do Flamengo, o que aumentou a tensão do time de Cristovão Borges.

Nos acréscimos, o Alvinegro retomou a bola no ataque.

Uendel entrou na área, Renato Augusto abriu como se fosse o lateral e deu a assistência para o gol.

O sistema de marcação flamenguista, mal-posicionado naquele lance por conta do erro na saída de jogo, com as linhas do meio e da defesa longe um da outra, se confundiu quando o lateral em vez de correr para a linha de fundo foi esperar o cruzamento.

Mexeu

Walter no lugar de Cassio foi a única alteração logo após o intervalo.

Tite manteve a inversão de Jadson com Malcon, mas o primeiro foi de novo jogar perto da linha lateral.

Melhorou

Daquele lado, Cristovão Borges pediu para o Airton apoiar mais.

O lateral não é competitivo na marcação, mas a opção do treinador corintiano tirou de perto dele quem atua em velocidade e gosta de driblar.

Isso fez o lado direito do sistema ofensivo flamenguista, praticamente nulo até então, melhorar.

Marcelo Cirino, da entrada da área, chutou forte para Walter intervir e a bola tocar no travessão.

Aos 12, Alan Patrick entrou no lugar do sumido Gabriel.

Pragmatismo

O Corinthians manteve a ideia de marcar e investir no contra-ataque. Assim, Malcom acertou a trave após o passe de Renato Augusto e Elias, minutos depois, retomou a bola na frente e deu a assistência para Jadson fazer o gol.

Não houve o impedimento

Aos 23, Cristovão Borges trocou Cáceres por Paulinho para aumentar a criatividade no meio de campo.

Aos 28, Tite colocou Rildo no lugar de Renato Augusto para fortalecer o contra-ataque e a marcação, se necessário, do lado.

O Flamengo trocou passes e tentou chutes de média distância.

Após cobrança de escanteio, aos 30, a bola sobrou para Jonas, livre, fazer o gol invalidado por causa do impedimento que não houve.

A jogada nem foi tão complicada para o Rafael Da Silva Alves avaliar.

Rapidamente

Ao notar que o Flamengo, após as alterações, tinha brechas perto da meia-lua da área para finalizar, Tite tirou Jadson e colocou Ralf.

A mexida melhorou o sistema de marcação e o jogo não teve mais lances de gol.

Ficha do jogo

Flamengo – César; Ayrton, Marcelo, Wallace e Jorge; Jonas; Gabriel (Alan Patrick), Canteros, Cáceres (Paulinho) e Everton; Marcelo Cirino
Treinador: Cristóvão Borges

Corinthians – Cássio (Walter); Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Bruno Henrique e Elias; Jadson (Ralf), Renato Augusto (Rildo) e Malcom; Vagner Love
Treinador: Tite

Árbitro: Leandro Vuaden (RS) – Assistentes: Marcelo Bertanha Barison e Rafael da Silva Alves

Escrito por Vitor Birner às 23:50 Vitor Birner 59 Comentários

9 jul

São Paulo oscila e goleia; Vasco lamenta falta de inspiração do Riascos

Análise de jogos

De Vitor Birner

Vasco 0×4 São Paulo

O São Paulo teve a iniciativa de jogar e o Vasco, por razões lógicas e técnicas, ficou atrás esperando a oportunidade em contra-ataques e cruzamentos.

Com Alexandre Pato inspirado, as ideias e improvisos de Juan Carlos Osório renderam dois gols e o desmoronamento do que o treinador vascaíno imaginou.

O São Paulo oscilou, em especial na parte defensiva, mas quando teve a bola e os jogadores se entenderam, mostrou força ofensiva por causa da velocidade, jogo em ‘na vertical’, deslocamentos que confundiram os adversários.

Os melhores momentos são-paulinos aconteceram, não por coincidência, quando a equipe acertou a marcação no ataque e a saída de jogo da defesa que o treinador pretende que sejam constantes.

Nos outros, a necessidade de o time Celso Roth ser mais ofensivo, inclusive no posicionamento do sistema de marcação, alterou o andamento do jogo.

Os vascaínos não fizeram gols por causa das falhas na finalizações. Riascos foi o pior nesse fundamento.

Isento

Celso Roth não merece ser responsabilizado pela goleada sofrida, apesar de o andamento do jogo ter mostrado que a estratégia pensada com lógica na prática ter sido um dos principais geradores do placar com ampla margem de gols favorável ao São Paulo.

O time de Juan Carlos Osório perdeu de Palmeiras e Atlético PR porque foi à frente, tomou contra-ataques, e nas cobranças de faltas e escanteios foi mal na marcação.

O treinador vascaíno imaginou um sistema defensivo consistente ao ao colocar Guiñazu e Serginho, volantes de características defensivas, e Lucas, que prioriza a marcação mas pode de sair um pouco para o jogo, somados à velocidade em frente a eles com Riascos e Gilberto e o estreante Andrezinho na meia perto dos atacantes.

Um ou dois deles, de acordo com qual (is) lateral (is) do adversário participassem do sistema de criação, tinha (m) que recuar e formar a linha do meio de campo.

Improviso e vareio

Juan Carlos não posicionou nenhum centroavante de fato.

Centurión fez a função do chamado ‘falso’ atleta da posição na frente do trio formado por Michel Bastos na direita, Pato do outro lado e Ganso centralizado.

Wesley, parceiro de Rodrigo Caio na função de volante, muitas vezes avançou, o que o fez o 4-1-4-1, esquema tático que o treinador tentar implementar, funcionar.

A equipe, por não conseguir se impor, formou o 4-2-3-1 ou as duas linhas de quatro em vários momentos de jogos doutras rodadas porque vinha se perdendo taticamente.

Os atletas ainda não conseguem executar o que o técnico moderno, que pensa o futebol de maneira pouco comodista e muito inteligente, pretende.

Diante do Vasco, oscilaram na parte coletiva, mas em alguns momentos o sistema ofensivo foi harmônico e forte.

O atleta que, em tese, seria o centroavante, pediu para jogar aberto e justificou no início do dos 90 minutos a solicitação.

Pato se deslocou para chamar o jogo, aproximou da bola, acertou dribles, cruzamento e foi importante nos dois gols que desmontaram a proposta de jogo vascaína.

No primeiro, Centurión tomou a bola, na área, numa falha do Rodrigo, e tocou para o ele fazer 1×0 após errar o passe antes da bobeira do zagueiro.

No outro, cruzou na medida para Michel Bastos, de cabeça, fazer 2×0.

Forçado e melhor

O São Paulo permaneceu no entorno da área vascaína com a bola em busca de brechas.

Celso Roth, por causa da necessidade. trocou a marcação da linha do meio de campo para trás por tentativas de desarmar na saída saída de jogo, adiantada, tal qual o time que venceu fez desde o minuto inicial.

Tirou Lucas para Rafael Silva entrar e o time formar com Guiñazu e Serginho como volantes, mais uma linha de três e Gilberto na frente dela, o 4-2-3-1.

Assim, alterou o andamento totalmente desfavorável.

Treinador tem razão ao tentar

Juan Carlos Osório quer que o time jogue com a bola na grama.

O São Paulo não fez isso a contento.

A participação do goleiro é importante nisso e Rogério Ceni errou alguns lançamentos.

Em um deles, teve que fazer intervenção no chute de Andrezinho.

Outro caminho

A marcação adiantada forçou os lançamentos longos que, se não fossem opção para iniciar o contra-ataque, facilitaram ao Vasco retomar a bola.

E ao fazê-lo, o time de Celso Rooth percebeu que o sistema de marcação que tinha de superar era vulnerável.

Rafael Silva finalizou na área após troca passes na meia-lua da área.

Apesar do resultado ruim, Celso Roth percebeu outro jeito de tentar fazer gols.

De novo no início

O São Paulo retornou do intervalo com futebol mais parecido com o do início.

Pato sofreu pênalti de Rodrigo e Leandro Vuaden, bem posicionado, não achou que houve a infração.

Logo depois, Thiago Mendes, que atuou na lateral, tomou a  bola no campo de ataque, tocou para Centurión,  que pedalou e chutou; o goleiro Charles conseguiu evitar o gol e no rebote Wesley comemorou.

O acerto e o Riascos

Celso Roth colocou Thalles no lugar de Gilberto desde  o início do segundo tempo.

Após sofrer o gol, no Vasco, marcando na frente, de novo cresceu.

E dessa vez de maneira mais contundente.

O time criou quatro grandes oportunidades de gol.

Riascos perdeu três, todas em passes perfeitos nas costas dos zagueiros e laterais, pois Juan Carlos Osório mandou o São Paulo manter a marcação no ataque, todas em frente ao Rogério Ceni.

O treinador, ao notar que a ansiedade do equatoriano por causa dos gols perdidos, colocou o Éder Luis.

Mexidas

O colombiano mandara Matheus Reis, aos 7, para o jogo no lugar de Reinaldo, pois precisa dar rodagem ao atleta jovem e placar era confortável, e, aos 14, pôs Boschilia no de Ganso.

Pouco depois, porque precisou aumentar a pegada no meio de campo, optou por Hudson no lugar de Pato.

Celso Roth, provavelmente irritado com a má qualidade das finalizações, deve ter ficado mais incomodado quando o lateral Madson driblou Matheus Reis com facilidade e rolou para Andrezinho, livre, entre a marca do pênalti e a entrada da pequena área, chutar e Rafael Toloi, em cima da linha, evitar o gol.

Nenhum torcedor do Vasco pode afirmar que o time, taticamente, foi mal.

A questão foi técnica, individual, de execução das jogas e de falta de sorte.

O último gol

Nos acréscimos, Hudson iniciou a jogada, Centurion finalizou de frente para Charles, o goleiro fechou ângulo e Boschilia, no rebote, garantiu a goleada.

Ficha do jogo 

Vasco – Charles; Madson, Rodrigo, Anderson Salles e Julio César; Guiñazu, Serginho, Lucas (Rafael Silva) e Andrezinho; Riascos (Eder Luis) e Gilberto (Thalles)
Técnico: Celso Roth

São Paulo – Rogério Ceni; Thiago Mendes, Rafael Toloi, Lucão e Reinaldo (Matheus); Rodrigo Caio; Michel Bastos, Wesley, Ganso (Boschilia) e Alexandre Pato (Hudson); Centurión
Técnico: Juan Carlos Osório

Árbitro: Leandro Pedro Vuaden – Auxiliares: José Javel Silveira e Eduardo Gonçalves da Cruz

Escrito por Vitor Birner às 5:27 Vitor Birner 78 Comentários

7 jul

Será que Guardiola queria ser técnico do CBF F.C.?

Birnadas

De Vitor Birner

Me pergunto se Guardiola tinha ideia do contrato da CBF com a International Sports Marketing quando disse ao Daniel Alves que pretendia comandar o time que tem Dunga como técnico.

Será que toparia convocar apenas jogadores que se enquadram nos critérios estabelecidos por parceiros comerciais ou substituir titulares, quando necessário, com acordo mútuo entre CBF e empresários, por outro jogador com mesmo valor de marketing, tal qual o documento cita?

Ou que diria amém para os locais e times que a empresa determinasse para os amistosos?

Lógico que a contratação do treinador ultra-competente, moderno e comprovadamente capaz, agregaria importante e indispensável valor ao futebol nacional.

Lembro que nossos dilemas naquilo que um dia fomos os melhores, inclusive quando o tema são os clubes que nutrem a paixão cotidiana do torcedor e por isso devem ser a prioridade, são muito maiores que os táticos, técnicos (de execução de fundamentos do atleta) e de resultados.

Os títulos conquistados na gestão de Ricardo Teixeira, obviamente mereceram ser comemorados.

E fizeram muita gente crer que tudo caminhava à contento enquanto o barco afundava até o local em que hoje se encontra. O Brasil, entrosado e confiante, ainda pode ser competitivo e no mês de inspiração campeão mundial no torneio decidido no mata-mata.

Isso não diminuirá a forma como dirigentes gerem as agremiações, não encerrará a política de manutenção de poder, não alterará a forma como são as eleições na CBF e os critérios neo-futebolísticos nos jogos dos campeonatos estaduais e nacionais, não melhorará o calendário futebolístico e sei lá quantos outros entraves que existem para o esporte que mantém os pés concretados nos interesses de poucos e que impede o futebol de retomar o crescimento esportivo.

Hoje mesmo a Câmara dos Deputados aprovou a MP do futebol após tirar dela todos os trechos que permitiriam a perda de poder de quem controla o futebol nacional. A parte que diz respeito à responsabilidade econômica dos cartolas em troca do refinanciamento das dívidas dos clubes continuou.

Mas prefiro esperar os senadores referendarem e, principalmente, ela ser praticada integralmente para afirmar que ao menos caminhamos em frente com velocidade de tartaruga.

Escrito por Vitor Birner às 21:06 Vitor Birner 42 Comentários