21 ago

Valdívia nunca mereceu ser ídolo no Palmeiras; tratá-lo como tal é desrespeitar Ademir da Guia, São Marcos, Evair… e a própria instituição

Brasileirão, Coluna no Lance!

De Vitor Birner

Na minha carreira de jornalista, tive o privilégio de entrevistar Ademir da Guia, Edmundo, Evair, César Maluco e São Marcos.

Eles têm opiniões diferentes sobre diversos assuntos e se manifestam, cada qual, da sua maneira. O Divino é de uma gentileza ímpar. O Santo prima pela contundência, simpatia e simplicidade.

O Animal e o polêmico centroavante são reativos e diretos, e o comandante de ataque de futebol refinado reflete seu jeito sereno na hora de falar.

Estes boleiros de personalidade distintas têm em comum duas coisas: são ídolos da Sociedade Esportiva Palmeiras e quando mencionam o clube mostram enorme reverência.

O orgulho de pertencerem à rica história de uma agremiação gigante e secular em poucos dias, continua intensamente vivo nos corações e mentes desses craques.

Por que Valdívia faz parte da turma deles e de Dudu, Waldermar Fiúme, Oberdan Cattani, Valdir Joaquim de Moraes, Djalma Santos e outros monstros que tornaram o manto alviverde mais pesado e vencedor?

Nunca entendi. Acho até desrespeito com a própria instituição e seus ícones o tratamento especial dispensado ao atleta em atividade.

Nem questiono a qualidade.

O meia chileno, desde a primeira passagem pelo Alviverde, possui as virtudes técnicas necessárias para ser titular de todos os elencos dos quais participou e torná-los mais fortes contra os rivais, mas escreveu capítulos tortos dentro e fora dos gramados.

Suas ações não exprimem qualquer tipo de gratidão.

Basta ver a entrevista em que justificou o exílio voluntário ao lado do Mickey.

Ficou se defendendo, foi protocolar e insensível diante da situação difícil vivida pela equipe às vésperas do centésimo aniversário.

Sequer esboçou alguma alegria por talvez ter a chance de ajudar.

O egoísmo prevaleceu de novo.

Se colocou acima da camisa.

O Palestra e outros grandes times não precisam de ídolos assim.

O texto do post é a reprodução de minha coluna de sábado, dia 9, no Lance. Foi escrito logo após a entrevista coletiva do meia na qual ‘explicou’ a razão de demorar para retornar ao clube. Faz muitos anos tenho esta opinião sobre o comportamento profissional, o pessoal não me diz respeito, do complicado atleta. Ele nunca me deu motivos para mudá-la.  

Escrito por Vitor Birner às 15:45 Vitor Birner 169 Comentários

21 ago

São Paulo faz seu melhor jogo pós-Copa do Mundo e derrota o Inter em confronto equilibrado; atitude diferente das estrelas foi fundamental na vitória

Análise de jogos, Brasileirão

De Vitor Birner

Internacional 0×1 São Paulo

O São Paulo fez sua melhor apresentação depois da paralisação do campeonato durante a Copa do Mundo e venceu o Internacional.

O time do Morumbi foi consistente porque todos seus atletas de linha finalmente priorizaram as necessidades coletivas da equipe.

Até Alexandre Pato lutou de verdade e participou da parte defensiva.

O jogo foi muito equilibrado.

O Internacional pecou porque não aproveitou os raros erros do sistema defensivo do adversário.

O time de Muricy fez seu gol numa das poucas falhas do Colorado.

Internacional, superior

Abelão escalou Ygor e o jovem Bertotto como volantes nos lugares dos titulares que não puderam atuar.

Na frente deles, posicionou a linha de três com D’Alessandro na direita, Aránguiz do outro lado, e Alex entre eles.

O jogador mais adiantado do 4-2-3-1 foi o centroavante Rafael Moura.

O centroavante e o trio na meia começaram o jogo pressionando a saída de bola, que tem sido uma das maiores dificuldades do time de Muricy.

A estratégia correta rendeu ao Colorado o controle do meio de campo, maior presença no campo de ataque e uma infrutífera superioridade por cerca de 15 minutos.

Nenhuma chance de gol foi criada.

Corrigiu

Os zagueiros, laterais  e volantes do São Paulo tentaram fazer a saída de bola, pelo chão, da defesa ao ataque.

Não conseguiram porque o Inter marcou de maneira competente e o passe não é o forte deles.

Os laterais Paulo Miranda e Álvaro Pereira, em especial o primeiro, também têm dificuldades nisso.

No momento em que Kaká e Ganso assumiram a responsabilidade, um de cada vez recuou, de ajudar na saída de bola, o jogo ficou equilibrado.

Como um time

Muricy montou o São Paulo para marcar no 4-4-2, com Ganso na direita e Kaká na esquerda, abertos, na linha dos volantes Denílson e Hudson.

Pato e Kardec, os atacantes, se revezaram no auxílio ao quarteto.

Ao contrário do que vinha acontecendo, todos atletas são-paulinos participaram, de fato, do sistema defensivo.

Por isso, o time jogou pela primeira vez de forma consistente depois da interrupção do campeonato.

Os individualismos foram colocados abaixo dos interesses coletivos.

Até Alexandre Pato, o mais indulgente, lutou de verdade para ganhar as divididas e desarmar.

Paulo Miranda, o protagonista 

O 1° tempo foi intenso, pois os times se dedicaram muito e Grazziani Maciel Rocha adotou o estilo inglês, que permite o padrão normal do apito no futebol, diferente do modorrento adotado no Brasil, na disputa de cada lance,

O artifício do cai-cai se tornou inútil.

Os sistemas defensivos dominaram os setores de criação e houve apenas duas chances de gol, uma para cada lado.

Paulo Miranda participou delas.

Errou o passe no meio de campo e permitiu o Internacional contra-atacar com a defesa são-paulina mal-posicionada.

D’Alessandro aproveitou e tocou para Alex, na área, aos 26, usar o espaço deixado pelo lateral e finalizar apenas com Rogério Ceni à frente.

O goleiro fechou o ângulo e evitou a vantagem do adversário.

Aos 35, Paulo Miranda aproveitou o erro na saída de bola do Inter, acho que foi do Bertotto, recuperou a bola e cruzou para Kaká; Álvaro Pereira passou perto dele, recebeu a bola e cruzou.

Após o desvio da zaga, Ganso, livre, só teve o trabalho de tocá-la para o fundo das redes.

Tentou pressionar

O Internacional voltou do período de descanso com o intuito de pressionar desde o começo.

A marcação do meio-campo do São Paulo piorou um pouco e o Colorado se aproximou da área.

Aos 7, após o chite de fora da área, Rafael Moura, em posição de impedimento, viu seu gol não ser validado.

Catimbado 

Aos 17, Abelão trocou Alex, o melhor do Inter no 1° tempo, por Jorge Henrique.

O meia acabara de perder uma dividida para Alexandre Pato uma disputa de bola, o atacante fez o gol e o árbitro soprou a falta.

Pareceu cansado ou machucado.

Saiu por conta de algo que tem a ver com a condição física.

Aos 18, Kaká, no contra-ataque, perdeu a chance de ampliar a vantagem são-paulina.

Aos 26, o meia Valdívia substituiu o volante Ygor.

Abelão tentou aumentar o poder de criação do Internacional, o jovem deu trabalho, mas faltou sincronia do sistema ofensivo.

O Inter não teve a frieza necessária para raciocinar.

Os jogadores reclamaram muito do árbitro, apesar do critério ser igual para os dois times e linear.

Pediu, por exemplo, um pênalti de Denilson que dominou a bola com o ombro.

Aos 31, Ganso, após errar passe simples, saiu e Michel Bastos estreou.

Outra vez o Inter desperdiça

Aos 35, o volante Bertotto deu lugar ao atacante Wellington Paulista.

O reserva saiu do banco e foi correndo para a área porque o Internacional tinha o escanteio à favor.

O desatento sistema defensivo do São Paulo, mais especificamente os jogadores que estavam fora da área, simplesmente não marcaram o novo atleta em campo.

Wellington Paulista aproveitou, subiu junto com um companheiro contra a marcação apenas de Edson Silva e cabeceou no travessão.

Esse foi o único erro grave do time de Muricy na marcação da jogada aérea, que tem um enorme drama ao longo do torneio.

Pênalti

Pouco depois, o árbitro não deu o pênalti de Juan. O zagueiro colocou a mão na bola depois do chute de Pato.

O atacante, após fazer seu melhor jogo na temporada, saiu aos 42 e Ademílsion entrou.

O São Paulo, sob pressão na barulhenta arena do Inter, fez todo possível para gastar tempo e evitar que bola corresse.

O Internacional bombardeou a área de Rogério Ceni com cruzamentos e não conseguiu o empate.

Pediu outro pênalti inexistente na furada de Hudson.

Fabrício forçou o contato e se jogou.

Ficha do jogo

Internacional – Dida; Wellington Silva, Ernando, Juan e Fabrício; Ygor (Valdivia) e Matheus Bertotto (Wellington); D’Alessandro, Alex (Jorge Henrique) e Aránguiz; Rafael Moura
Técnico: Abel Braga.

São Paulo – Rogério Ceni; Paulo Miranda, Rafael Toloi, Edson Silva e Alvaro Pereira; Denilson, Hudson, Ganso (Michel Bastos) e Kaká; Alexandre Pato (Ademílson) e Alan Kardec
Técnico: Muricy Ramalho

Árbitro: Grazianni Maciel Rocha
Auxiliares: Dibert Pedrosa e Michael Correia
Público: 29.267 – Renda:R$ 982.625,00

Escrito por Vitor Birner às 1:19 Vitor Birner 86 Comentários

19 ago

Como está chato falar da seleção brasileira! Me surpreendi com uma convocação e um ausente

Birnadas, Seleção Brasileira

De Vitor Birner

Eu esperava que Dunga resgatasse algum veterano de 2010 na convocação da seleção.

O treinador foi ao Mundial da África do Sul com uma das equipes de média de idade mais alta do Brasil em toda história do torneio, precisa fazer uma reformulação e certamente usaria a experiência de alguém ou de alguns como pilar para formação do novo time.

Não imaginava que seria o Maicon.

Eu teria apostado que Dunga levaria Robinho ou Kaká, apesar de, em campo, ainda não justificarem a volta ao selecionado nacional.

Na prática, ninguém daquele período faz jus, hoje, ao retorno.

Mas o treinador ‘precisa’ de um de seus soldados – assim enxerga os atletas – de confiança e escolheu o lateral-direito.

A presença dele na lista divulgada hoje foi a única que me surpreendeu.

Também tinha convicção que Alan Kardec seria chamado.

Para sorte dos são-paulinos, não foi.

Chegamos, faz anos, neste ponto.

O melhor para o clube é que seus jogadores mais competentes não sejam convocados e valorizados.

A CBF provoca isso ao tirar os boleiros dos jogos  importantes do campeonato brasileiro e até de Libertadores, apesar de a agremiação bancar salários, investir para contratar ou formar o jogador e precisar dele.

O torcedor, aquele que acompanha o futebol do dia-a-dia e não apenas os grandes eventos, só sente orgulho ao ver o atleta de seu time com a camisa verde e amarela quando acontece um grande clássico de seleções ou a Copa do Mundo.

Neste momento, o assunto seleção brasileira está gelado, chato e virou algo protocolar.

Não mexe com as emoções da maioria dos torcedores.

Parece discussão de burocracia institucional de empresa atrasada.

Um enorme tédio.

De qualquer maneira, trabalhar o time para as eliminatórias é importante, pois mesmo com o Brasil sendo um dos favoritos para ficar com uma das vagas à Copa do Mundo da Rússia, corre algum risco, pequeno na verdade, de ser eliminado.

Detalhe

Ramires também foi ao Mundial em que Dunga comandou a seleção, mas não o coloquei na lista de surpresas ou de veteranos porque tem idade para jogar a competição outra vez e fazer parte dos elencos de times do primeiro escalão do futebol europeu.

Escrito por Vitor Birner às 15:59 Vitor Birner 164 Comentários

18 ago

Erros de Nobre e Brunoro no futebol do Palmeiras são óbvios; futuro do time é imprevisível

Birnadas

De Vitor Birner 

Não é difícil compreender as razões de o Palmeiras, que não tem um dos melhores elencos do país, demorar tanto para se acertar.

O planejamento da formação ou foi ruim, ou mal executado.

A adaptação de jogadores estrangeiros ao futebol brasileiro costuma demorar um pouco.

Principalmente se não forem acima da média na parte técnica, tais quais os contratados por Nobre e Brunoro.

Conheço quase todos que trouxeram.

A única incógnita para mim era o Allione, que passa a impressão de ser o melhor entre os novos gringos do clube.

É normal que o time sofra enquanto se entendem com novo tipo de jogo e os companheiros, eis uma questão fundamental, que não servem como pilares de equipe e precisam de muita ajuda.

E não apenas eles necessitam tempo.

Gareca deve ter ficado espantado com a limitação intelectual do atleta brasileiro na parte tática, precisa conhecer melhor os jogadores doutros times, saber qual é o estilo e o padrão de ação do técnico do adversário, aprender a lidar com a efervescência política do clube, reações de torcedores e críticas da opinião pública porque no Vélez Sarsfield a pressão é muito menor…

O campeonato brasileiro certamente não é o melhor momento para o processo de adaptação de um monte de profissionais gringos ser feito.

Tinha que acontecer durante o paulistinha.

Está atrasado.

Começou tarde, se fazia parte do planejamento.

No torneio mais fácil a pressão diminui, os resultados de campo são melhores e os atletas vão ganhando confiança de rodada para rodada.

O técnico consegue poupar jogadores, treiná-los mais, experimentar diferentes formações e mesmo assim vencer os confrontos.

Como sempre gosto de lembrar, o jogo de futebol tem duelos tático, técnico, físico e psicológico.

O mau desempenho da equipe costuma afetar a parte emocional e dificultar o processo de adaptação.

Imprevisível

Há chances de tudo funcionar e a equipe evoluir, mas ninguém, seja  treinador, jogador, torcedor, dirigente ou jornalista tem condição de saber o dia, a semana ou o mês em que  o time irá render o que pode.

Quando cito ‘funcionar’, penso na campanha desprovida de grande sofrimento e risco de outra queda para a segunda divisão, não em conquista do campeonato de pontos corridos.

Ainda há tempo.

Acomodados

A única chance do Palmeiras comemorar um título neste ano é na Copa do Brasil, da qual não faz parte do grupo dos favoritos.

Mas o mata-mata aumenta a possibilidade de os menos capazes superarem os competentes

A direção palmeirense tem como ajudar caso seja capaz de fazer alguns boleiros competirem de verdade.

Leandro não se esforça, mas acha que o faz.

Valdívia, o mais habilidoso do elenco, não merece confiança por causa do comportamento fora e dentro de campo.

Falta comprometimento com a instituição.

Tal tipo de mentalidade precisa ser extirpada para o grupo de jogadores ser guerreiro e unido durante os 90 minutos.

No futebol, não é novidade, a força coletiva em diversas oportunidades supera a técnica individual ou garante vitórias em jogos equilibrados.

Com jogadores mimados e acomodados é complicado pensar em time capaz de ser cascudo e manter a regularidade.

Fundamental

Paulo Nobre assumiu o a presidência do Palmeiras numa situação muito complicada.

O começo do trabalho dele foi bom e o mandatário parecia firme, seguro, convicto a respeito do que necessitava fazer.

No meio do caminho, parece que se perdeu.

Nada impede que corrija os erros de rumo caso seja reeleito.

Agora, o máximo que pode fazer é enquadrar os jogadores acomodados, reforçar a equipe, apoiar e cobrar o treinador…

Escrito por Vitor Birner às 17:14 Vitor Birner 60 Comentários

17 ago

Kardec foi herói do São Paulo e algoz do Palmeiras no clássico da crise; Fábio ficou com o papel de vilão que a arbitragem quase lhe tomou

Birnadas, Brasileirão

De Vitor Birner

Palmeiras 1×2 São Paulo

Costumo dizer que o futebol e cruel.

A derrota do Palmeiras com gol justamente de Alan Kardec, após a bola bater na trave, tocar em Fábio e passar a linha só um pouco, tudo isso no fim do clássico, foi mais uma das traquinagens do esporte que já provocou raiva e explosão de alegria, alívio e dor, prazer e tristeza… em todo torcedor que realmente sente amor por um clube.

O goleiro Fábio acabou sendo um dos vilões doutro fracasso palestrino no brasileirão porque entregou ao adversário o primeiro gol.

O São Paulo pode reclamar do árbitro e de ambos os auxiliares por causa dos erros em lances importantes.

Ambos os times ficaram devendo na parte ofensiva durante o 1° tempo e na defensiva depois do intervalo, o que fez o Choque-Rei da crise de nível técnico de mediano para baixo ser emocionante nos 45 minutos finais.

Alan Kardec foi o melhor do São Paulo e Allione o destaque do Palmeiras no clássico sem grandes atuações individuais.

Com Valdívia, superior

Concordei a opção de Muricy, que escalou Paulo Miranda na lateral-direita.

O treinador não contou com nenhum jogador da posição no elenco e o zagueiro que costuma oscilar tem características defensivas para atuar na posição.

Gareca também  acertou ao escalar Valdívia entre os titulares.

O chileno tem rivalidade pessoal com Rogério Ceni e costuma se esforçar de verdade quando o enfrenta.

O meia fez a diferença nos primeiros 15 minutos, comandou o sistema ofensivo e garantiu a superioridade ao Palmeiras.

Mas se machucou logo depois e o time caiu de rendimento.

O restante do primeiro tempo foi equilibrado, ruim e chato.

Fabio mudou o jogo

O erro de reposição de bola do goleiro permitiu que Pato entrasse livre na área para marcar o gol aos seis minutos.

A vantagem do São Paulo transformou o clássico.

O Alviverde foi para cima e o adversário encontrou muitos espaços para contra-atacar.

Arbitragem prejudica o São Paulo

Três vezes o auxiliar Silbert Farias Sisquim deu impedimentos em lances claros para o time de Muricy ampliar a vantagem no placar.

Errou no de Kaká e no de Pato, e o outro foi duvidoso.

Ressalto que dois lances foram difíceis até vendo pela televisão. Apenas em um é possível criticar o bandeirinha.

O empate do Alviverde aconteceu noutro falha de arbitragem.

Felipe Menezes chutou da entrada da área e a bola bateu no braço de Edson Silva que estava colado ao corpo. O zagueiro não teve intenção ou foi negligente.

Péricles Bassols Cortez se equivocou ao soprar o pênalti.

Henrique cobrou com muita categoria, de perna esquerda, e aos 16 minutos igualou o confronto.

Estreia do Cristaldo

O Palmeiras cresceu depois do empate.

Allione, o mais criativo, deu bastante trabalho aos adversário.

Aos 24, Gareca promoveu a estreia de Cristaldo.

O colocou no lugar de Mouche, com liberdade para atacar pelos lados e manteve Henrique como centroavante.

O Alviverde investiu bastante nos passes por baixo, entre os laterais e zagueiros do São Paulo.

Quase conseguiu virada assim.

O auxiliar Rodrigo Correa que não viu o impedimento claro, simples de ser marcado, e Leandro, que havia substituído Felipe Menezes, perdeu o gol. Na sequência do lance, aos 42,  Henrique, livre, furou na hora de balançar a rede.

Kardec resolve

Muricy havia trocado Pato por Ademilson, o que permitiu ao Alan Kardec disputar os últimos minutos do jogo na posição de centroavante.

Aos 43, Alvaro Pereira cruzou, kardec subiu mais que Victor Luís e cabeceou, de maneira inteligente no canto.

O goleiro Fabio chegou um pouco atrasado, acho que tocou na bola antes de ela bater na trave e nele mesmo para ultrapassar um pouco a linha do gol.

Preciso rever para saber se o goleiro falhou.

Tenho certeza que Kardec foi muito bem no lance, fez o possível naquelas circunstâncias, e o azar acompanhou o goleiro.

Precisam melhorar

Gareca elogiou o segundo tempo do Palmeiras.

O time cometeu erros de posicionamento na parte defensiva, o que não pode ser esquecido, mas mostrou movimentação mais inteligente após a entrada de Cristaldo.

O treinador, se levar em conta o que viu no clássico, vai considerar a possibilidade de escalar Cristaldo e Henrique e mandar o argentino sair mais da área e usar os lados do gramado.

O São Paulo de novo oscilou muito durante a partida e com jogadores que sabem tratar a bola, sequer foi capaz de prendê-la na frente para tentar evitar a aproximação palmeirense da área.

O Alviverde precisava arriscar mais chutes de média distância, mas não o fez.

Muricy e Gareca ainda têm muito trabalho até seus times adquirirem mais inteligência, entrosamento e regularidade.

Ficha do jogo

Palmneiras – Fábio: Wendel, Lúcio, Tobio e Victor Luis; Marcelo Oliveira, Renato, Allione e Valdivia (Felipe Menezes que depois foi substituído por Leandro); Mouche (Cristaldo) e Henrique
Técnico: Ricardo Gareca

São Paulo – Rogério Ceni; Paulo Miranda, Rafael Tolói, Edson Silva e Álvaro Pereira; Souza, Denílson, Ganso (Hudson), de Alan Kardec; Alexandre Pato (Ademílson)
Técnico: Muricy Ramalho

Público: 20.267 – Renda: R$ 822.057,50

Árbitro: Pericles Bassols Cortez
Auxiliares: Rodrigo F Henrique Correa e Silbert Faria Sisquim (RJ)

Escrito por Vitor Birner às 20:11 Vitor Birner 75 Comentários

14 ago

Santos não teria eliminado o Londrina se Robinho não estivesse em campo

Análise de jogos, Copa do Brasil

De Vitor Birner

Santos 2×0 Londrina

O Santos se classificou à fase seguinte da Copa do Brasil por causa de Robinho.

O novo contratado foi, de longe, o melhor em campo no confronto equilibrado.

Mostrou futebol de nível bem superior ao dos outros jogadores.

O gol foi dele e todas as chances claras do Peixe tiveram a sua participação fundamental.

Certamente o Peixe estaria na Copa Sul-Americana caso o veterano das pedalas não tivesse jogado.

Tática e andamento no 1° tempo

Oswaldo de Oliveira posicionou o time no 4-2-3-1.

Lucas Lima, Thiago Ribeiro e Robinho formaram o trio à frente dos volantes Arouca e Alison, e atrás do centroavante Leandro Damião.

Os responsáveis pela criação se movimentaram em busca de espaços, mas não com a sincronia necessária.

Londrina ‘flutuou’ do 4-5-1 na marcação para o 4-3-1-2 com a bola.

Paulinho, atacante pelos lados, e o centroavante Joel se revezam como quinto homem do meio de campo quando o Peixe tentou fazer a transição da defesa ao ataque com a dita cuja.

O time de Cláudio Tencatti se defendeu bem antes do intervalo.

O treinador mandou o volante Bidía seguir Robinho em qualquer lugar do gramado e o atleta cumpriu o dever com louvor.

O Tubarão só deixou alguns espaços para os laterais santistas trabalharem na parte ofensiva e apenas Cicinho aproveito para arriscar os cruzamentos, única opção ofensiva da equipe antes do intervalo.

O maior tempo de posse de bola e a constante presença no campo de ataque nada renderam aos comandados de Oswaldo de Oliveira.

O Londrina preparado para apostar nos contragolpes também decepcionou nos lances ofensivos.

Teve uma grande chance com Paulinho, que aproveitou o erro do zagueiro Jubal, ficou de frente para o Aranha e finalizou mal.

Os goleiros não fizeram uma defesa sequer em todo 1° tempo.

Outro jogo

Paulinho desperdiçou perdeu outra logo depois do período de descanso.

O contragolpe nasceu no erro de passe de Robinho, que se tornaria o protagonista da classificação.

Edu Dracena, fora dos gramados desde janeiro, substituiu Jubal, aos 7 minutos, que se machucou.

Em seguida, Leandro Damião fez o trabalho de pivô, ajeitou a bola dentro da área – o Peixe só havia entrado nela uma vez desde o começo da partida e Cicinho pediu o pênalti que não houve – ´para Robinho dominá-la, carregá-la e achar o espaço para balançar a rede na primeira finalização correta do time no confronto.

O jogo ficou muito diferente por causa do 1×0.

Leandro Damião, em seguida, acertou a trave.

O Tubarão passou a atacar com sete jogadores e a deixar três para na marcação dos contragolpes.

Cláudio Tencatti, aos 16, substituiu Léo Maringá, volante que tentou ajudar na criação, por Rone Dias, um meia.

Celsinho, o meia à frente do trio de volantes até aquele momento, precisou recuar um pouco e se dividir entre o auxílio a Bidía e Diogo Roque, o volante mais defensivo, e a ajuda ao Rone Dias na criação.

A presença ofensiva do Londrina aumentou, os espaços para os contragoles santistas também e o protagonismo de Robinho ainda mais.

Atuando na maior parte do tempo na esquerda, sofreu faltas, fez o zagueiro Dirceu levar cartão amarelo e criou chances para seus companheiros perderem.

Thiago Ribeiro não vai esquercer

As mais claras foram desperdiçadas de maneira impressionante por Thiago Ribeiro.

Escorregou na primeira depois de receber o passe de Lucas Lima e chutou  por cima a outra, quando não havia goleiro e ninguém á frente, no rebote da finalização de Robinho que bateu na trave.

Perigoso

O Londrina levou perigo.

Ameaçou algumas vezes.

Aranha viu três finalizações passarem muito perto das traves em jogadas que ele não seria capaz de evitar o empate.

A opção de Oswaldo funcionou

Aos 33, Tencatti trocou o volante Bidía pelo atacante Madison. Deixou apenas um boleiro com características defensivas no meio de campo.

A mudança tornou a presença de Leandro Damião contraditória com as circunstâncias do jogo.

O Londrina ocupou o campo de ataque e Oswaldo de Oliveira foi ‘forçado’ a escolher um dos caminhos para adaptar o time à realidade daquele momento.

Ou reforçava o contra-ataque, ou a proteção aos zagueiros e laterais.

Em ambas, o centroavante precisava sair.

O treinador escolheu o primeiro e colocou Rildo, aos 36.

Em seguida Davi Ceará ocupou o lugar do cansado e pouco produtivo Celsinho.

Aos 43, Robinho de novo puxou o contra-ataque e tocou para Rildo, na primeira chance dele, fazer 2×0.

Alan Santos ainda entrou no lugar de Arouca no minuto seguinte ao gol e viu Paulinho e Joel desperdiçarem uma oportunidade cada de balançarem a rede e levarem a decisão para as cobranças de pênaltis.

Justo

Nenhum dos pênaltis pedidos aconteceu.

O árbitro errou ao não mostrar alguns cartões amarelos em faltas duras ou nas que pararam contragolpes dos rivais.

Não interferiu no resultado.

Decepção

Robinho é atração para o santista.

Se trata de um ídolo da nação santista.

Mas apenas 4499 torcedores foram à Vila Belmiro.

Ficha do jogo

Santos – (4-2-3-1) Aranha; Cicinho, Jubal (Edu Dracena), David Braz e Mena; Alison e Arouca (Alan Santo); Lucas Lima, Robinho e Thiago Ribeiro; Leandro Damião (Rildo)
Técnico: Oswaldo de Oliveira

Londrina (4-3-1-2) – Vítor; Lucas Ramon, Sílvio, Dirceu e Allan Vieira ; Diogo Roque, Bidía (Madison) e Léo Maringá (Rone Dias); Celsinho (Davi Ceará); Joel e Paulinho
Técnico: Cláudio Tencatti

Árbitro: Wagner dos Santos Rosa
Assistentes: Wendel de Paiva Gouveia e Michael Corrêa
Público: 4.499 – Renda: R$136.670,00

Ao vivo

Comentei o jogo, ao vivo, no Placar Uol. Eis o link para quem quiser ver o que disse durante o confronto.

http://futebol.placar.esporte.uol.com.br/futebol/copa-do-brasil/2014/08/14/santos-x-londrina-pr.htm

Escrito por Vitor Birner às 22:47 Vitor Birner 59 Comentários

14 ago

São Paulo envergonha a sua torcida; Bragantino foi superior e mereceu a classificação na Copa do Brasil

Birnadas, Copa do Brasil

De Vitor Birner

O São Paulo proporcionou aos seus milhões de seguidores uma desclassificação das mais patéticas possíveis.

Alguns jogadores não lutaram e correram.

Apenas aceitaram a situação enquanto permaneciam em campo vendo o o guerreiro Bragantino com dedicação que lhes devia servir como exemplo.

Tinha obrigação de ganhar com tranquilidade da pequena agremiação que está na zona do rebaixamento da segundona.

A missão, em tese, ficou mais simples depois da falha do goleiro Renan que terminou com Paulo Miranda fazendo 1×0 no começo do jogo após a cobrança de escanteio de Ganso.

O time de Muricy, com os velozes Ademílson e Osvaldo pelos lados da linha de três do 4-2-3-1 e Pato de centroavante, tinha as características ideais para contra-atacar.

O Bragantino marcava a saída de bola desde o começo e precisava ir para cima.

Mas no quarteto ofensivo escalado por Muricy, apenas Osvaldo produziu algo interessante com passes que deixaram Pato e Ganso de frente para o Renan, todos logo após o 1×0.

O meia e o centroavante perderam as chances que certamente mudariam o rumo do confronto.

Isso seria um mero detalhe se tivessem atuado de maneira razoável.

Pato, o pior de todos, foi omisso como quase sempre; Ganso, pouco participativo, não fez nada; Ademílson também manteve seu baixo padrão de qualidade.

Como o centroavante não marca ninguém, Ademílson faz isso mal e o Ganso também falhou na missão, o Braga mesmo com apenas um volante de origem ganhou a suposta disputa no meio de campo e pôde testar o frágil sistema defensivo do São Paulo.

Luis Ricardo, o lateral que Milton Cruz indicou como grande solução para a posição mas sequer compreende o espaço que deve ocupar para executar a função, ficou perdido.

O Braga aproveitou e conseguiu diversos cruzamentos e ataques do lado dele.

O gol do empate, aos 23, marcado por Cesinha noutra falha de Rogério Ceni (vem errando frequentemente), foi construído no setor de Luis Ricardo e encerrou o pequeno período de superioridade do São Paulo.

O Bragantino foi mais perigoso até o fim do 1° tempo.

Depois do intervalo, quando Muricy substituiu Maicon, pois havia recebido cartão amarelo, por Denílson, pouca coisa mudou.

Houve momentos de equilíbrio e de superioridade dos comandados de PC Gusmão.

A virada aconteceu por causa da tradicional dificuldade são-paulina na marcação da jogada aérea.

Gol de Gustavo, aos 19, após a cobrança de escanteio.

No terceiro, as 29, Rogério Ceni espalmou para o meio da área depois do cruzamento e o zagueiro Guilherme aproveitou o rebote para garantir a classificação.

O São Paulo sequer esboçou alguma espécie de reação.

Continuou inofensivo e envergonhando seus torcedores.

Resultado justo.

Escrito por Vitor Birner às 0:23 Vitor Birner 357 Comentários

12 ago

James Rodríguez ‘apanhou’ do esquema tático de Ancelotti; treinador tem muitas opções e algumas dúvidas para escolher o Real Madrid titular

Análise de jogos, Birnadas, Na Espanha

De Vitor Birner

A temporada ainda está começando nos principais centros do futebol europeu.

Carlo Ancelotti tem o elenco com mais estrelas do planeta e busca a melhor maneira de posicioná-las.

Kroos, meia da Alemanha na Copa do Mundo, formou a dupla de volantes com Modric na vitória por 2×0, que garantiu o título da Supercopa do velho continente diante do Sevilla.

James Rodriguez precisou compor junto com eles o trio de marcação na frente dos laterais e zagueiros, e também foi encarregado de se aproximar de Cristiano Ronaldo e Bale, que atuaram abertos, e Benzema, o centroavante.

Dos três, o galês, caso necessário, ajudou na marcação; o português, autor de ambos os gols, e o francês atuaram apenas como atacantes.

O time utilizou o 4-3-3 que se transformou em 4-4-2 nos recuos de Bale, ou no 4-2-3-1 torto e errado pela dificuldade de James.

O colombiano marcou na esquerda, na mesma linha de Kroos e Modric, e tentou se transformar em meia, pelo centro, quando o Madrid tinha a bola.

Não foi de fato testado defensivamente, pois o sistema ofensivo do Sevilla pouco fez, e nem conseguiu aparecer na criação como o necessário.

Ficou perdido, em especial na parte ofensiva.

A distância entre eles e os homens de frente foi maior que a correta.

Di María, por exemplo, executa com facilidade a função que coube o James Rodríguez e ficou no banco durante a decisão.

Ancelotti deve ter optado pelo colombiano por alguns motivos:

O PSG quer o argentino, James é a principal contratação do time que habitualmente investe numa estrela, e talvez o treinador acredite mais no potencial ofensivo do meia-atacante que hoje foi volante.

A formação utilizada nesta terça-feira permite uma variação tática interessante. O time pode ser posicionado no 4-1-4-1, com Modric de volante, atrás da linha de quatro formada por Bale e Cristiano Ronaldo pelos lados, e James e Kroos entre eles.

Não foi apenas James quem encontrou dificuldades por falta de entrosamento.

Ancelotti, treinador experiente e competentíssimo, deve ter notado também que havia espaços entre os volantes e a linha de zagueiros e laterais, situação normal no início do ano futebolístico.

Certamente vai trabalhar isso nas próximas semanas.

Cobrará Kroos, Modric e James, caso decida insistir com eles e o esquema tático.

Como Tite uma vez afirmou, o campo fala.

Ele é quem vai mostrar ao treinador, que deve ter várias dúvidas e precisa ver como tudo funciona na prática antes de escolher a formação principal.

Se quiser simplificar, Ancelotti pode escalar ou Khedira, ou Xabi Alonso, ou Isco, ou Illarramendi ao lado de Modric na dupla de volantes, adiantar Kroos e usar o alemão centralizado, entre Bale e Cristiano Ronaldo na linha de três do 4-2-3-1 que permite variações para o 4-4-2 (Bale recuado) e o 4-3-3 (Bale e Cristiano Ronaldo na mesma linha de Benzema).

Vai acelerar muito o entrosamento.

A única certeza diante de tantas boas possibilidades, é que a disputa por posições no CT de Valdebebas será intensa e deve provocar construtivas e interessantes polêmicas.

Escrito por Vitor Birner às 18:53 Vitor Birner 58 Comentários

8 ago

Crise é gravíssima; não paramos de afundar

Coluna no Lance!

De Vitor Birner

Estamos afundando.

Não vê quem não quer.

É impossível explorar o potencial do nosso querido futebol diante com o cenário que descrevo neste post.

Crise de credibilidade é gravíssima; não paramos de afundar

Boa parte da opinião pública acha que o STJD olha para o distintivo das agremiações na hora de puni-las ou absolvê-las.

O órgão não tem credibilidade.

Os cartolas dos clubes são conhecidos por deixarem dívidas. Sobra gente desconfiada da conduta deles ao lidarem com o dinheiro das instituições.

Não têm credibilidade.

Os dirigentes das federações, na boca do povo, são sujeitos interessados em manutenção de poder e benefícios pessoais, e desprovidos de competência e amor ao esporte.

Não têm credibilidade.

A cartolagem na CBF sofre enorme rejeição popular e é tratada como retrógrada, incapaz e pouco confiável.

Não tem credibilidade.

Os empresários, inclusive os que trabalham direito, se transformaram em vilões na visão dos torcedores. Os sanguessugas do mundo da bola.

Não têm credibilidade.

Nem os jogadores foram excluídos do cenário deprimente.

No fim dos campeonatos, basta a má atuação de uns times para começar o diz que diz sobre resultados armados.

Alguns profissionais são chamados de mercenários. Escutam que não respeitam os mantos sagrados, além de comentários sobre suas supostas tentativas de derrubarem os treinadores.

Já confirmaram isso em público e muita gente achou divertido.

Há técnicos brasileiros carregando a fama de privilegiarem seus agentes preferidos.

A crise de credibilidade também atingiu os protagonistas, não todos obviamente, do espetáculo.

Os torcedores da maioria das equipes acompanham os jogos esperando ‘apenas’ a vitória do clube amado. Sequer cogitam a chance de o confronto ser bonito.

Até o moral da seleção nacional desmoronou.

Estamos afundando enquanto os erros se repetem.

Nosso futebol necessita reagir e isso só vai acontecer se houver profundas mudanças.

Passou da hora de a sociedade brasileira entender que ética e respeito ao próximo são os valores mais importantes e geram ótimos resultados.

A alemã compreende isto.

Insisto

Se o governo aprovar o refinanciamento das dívidas dos clubes e a Lei de Responsabilidade no esporte sem os itens que deixam os dirigentes antiéticos assustados, acuados e impossibilitados de manterem a conduta tradicional, fará algo pior para nosso futebol do que a seleção brasileira na semifinal da Copa do Mundo.

Este post é a reprodução da minha coluna de sábado passado no Lance. 

Escrito por Vitor Birner às 14:04 Vitor Birner 289 Comentários

6 ago

San Lorenzo é favorito contra o Nacional; decisão da Libertadores começa hoje

Análise de jogos, Birnadas, Copa Libertadores

De Vitor Birner e Felipe Bigliazzi

A final inédita da Libertadores tem uma equipe superior.

O San Lorenzo, único grande argentino que jamais conquistou o torneio, é ummpouco superior ao Nacional.

Tem vantagem no trato da bola, traduzindo mais qualidade individual, e vai decidir diante de sua fanática torcida.

No jogo do Defensores del Chaco, hoje, que não tem espaço para receber 40 mil pessoas tal qual define o regulamento da Conmebol, o Ciclón será apoiado por 4500 hinchas.

Eles esgotaram em poucas horas os ingressos vendidos em Buenos Aires e irão à Assunção em 3 aviões, 29 ônibus fretados e por conta própria (transporte particular, ônibus de linha).

O palco da decisão deve receber a lotação máxima de trinta e uma mil pessoas.

O San Lorenzo, dirigido por Edgardo Bauza, ídolo do meu querido Rosario Central, técnico da LDU na conquista da Libertadores e favorito para assumir o lugar de Alejandro Sabella na seleção argentina, atua no 4-2-3-1 quando marca no campo de ataque e no 4-4-1-1 se está no campo de defesa.

Villalba e Piatti, que jogam pelos lados da linha de três, recuam e formam a linha de quatro junto dos volantes Mercier e Ortigoza.

Piatti, por sinal, disputa nesta quarta-feira seu último jogo no clube.

Ficará fora do confronto da próxima semana porque precisa se apresentar ao canadense Montreal Impact, que disputa desde 20102 a Major League Soccer e o contratou.

A dupla de volantes se conhece bem.

Mecier e Ortigoza foram campeões pelo Argentino Jrs do Torneio Clausura (campeonato argentino no primeiro semestre) de 2010.

Sabem proteger o quarteto de zaga, fator indispensável no time porque os laterais Buffarini e Mas costumam ir bastante ao ataque, e também ajudam na criação se possível. Possuem boa leitura tática.

Romagnoli, ídolo no clube, é o meia. Joga centralizado na linha de três.

Ele foi fundamental na conquista da Copa Sul-Americana em 2002 e participou da equipe campeã da Copa  Mercosul em 2001, únicas glórias internacionais da agremiação do bairro de Boedo.

Não creio que o San Lorenzo irá para cima do Nacional.

A paciência para esperar brechas no sistema defensivo do adversário é uma das virtudes do Ciclón.

O Nacional chegou à decisão melhorou muito o trabalho de marcação no mata-mata.

Sofreu apenas 3 gols em 6 confrontos, contra 10 da fase de grupos.

Atua como reza a tradição dos times do país.

Gosta de marcar forte e contra-atacar.

Por isso o meio de campo tem dois volantes centralizados, Torales e Riveros, os pilares da equipe, além de Orué ou Benitez, os dois atletas que jogam abertos e são os responsáveis pelos contragolpes juntos com Melgarejo, que atuou no meio e se transforma em segundo atacante.

Todos participam da marcação.

Os laterais Mendoza e Coronel apoiam de maneira moderada. Costumam priorizar a marcação.

Emocional

Sempre é bom lembrar que as questões técnicas no futebol dependem das partes tática e emocional.

O posicionamento correto dá opções de passe, tabelas e de abrir espaços nos sistemas defensivos. Facilita a missão de quem está com a bola.

A emocional influencia em tudo.

Quem treme na hora difícil deixar de cumprir direito seu papel na parte coletiva e cai de rendimento quando tem a dita cuja.

Os aspectos emocionais pesam muito em decisões, ainda mais quando falamos da Libertadores e da chance de os jogadores entrarem na história graças à façanha de conseguirem o inédito título para o time que defendem.

Certeza, não tenho, mas aposto no título do San Lorenzo.

Provável disposição tática

Agradeço ao Felipe Bigliazzi Dominguez pela parceria no post.

Ele escreve também para o ótimo http://impedimento.org/

Escrito por Vitor Birner às 15:47 Vitor Birner 38 Comentários