26 mai

São Paulo contratou Juan Carlos Osório; agora precisa mostrar que realmente quer o treinador

Birnadas

De Vitor Birner

Juan Carlos Osório é um profissional moderno, com diplomas de treinador na Inglaterra e gestão técnica na Holanda, pós-graduado em ciência do futebol na Universidade de Liverpool.

A formação técnica, aplicada com êxito no Atlético Nacional, não combina com a preferência da opinião pública daqui ao tratar do esporte.

O São Paulo precisará apoiá-lo irrestritamente, inclusive se houver maus resultados por conta da formação do time ou concepção de jogo.

Ou ele terá que abrir mão  de conhecimento para se manter no cargo.

De primeira, faz-se importante a profunda revolução de comportamento  no CT da Barra Funda e no Morumbi.

Não é questão de demitir x ou contratar y, mas de impedir que alguém coloque, dentro do próprio clube, obstáculos às ideias dele.

De que adianta trazer o promissor comandante se houver jogador fazendo corpo mole para derrubá-lo porque não concorda com ele?

O próprio Muricy Ramalho já falou da falta de comprometimento.

O colombiano estuda, de fato, as equipes adversárias. Antes de enfrentá-las passa as informações aos jogadores, que precisam decorar tudo.

Ele é treinador, não milagreiro.

Se os comandados não assimilem suas lições, será difícil colocarem-nas em prática e o esforço de pré-avaliação ficará inútil.

O conceito de preenchimento de espaços com ‘flutuações táticas durante os noventa minutos, adotado nos ‘verdolagas’,  exige que muitos boleiros cumpram mais de uma função.

Muricy e Milton Cruz fizeram o possível para Ganso, Pato e Luis Fabiano jogarem como gostam – com a menor preocupação defensiva possível – e nem assim houve plena reciprocidade.

Os renomados irão cumprir as determinações de quem pretende ser ‘taticamente europeu’ no Brasil?

A implementação de nova filosofia talvez demore mais que a curta paciência da torcida .

Será chamado de Professor Pardal pela parte da opinião pública superficial nas análises táticas e crédula que o talento resolve tudo?

Juan Carlos Osório é a antítese da ultra-conservadora cultura futebolística que impera aqui e ajuda a empacar o desenvolvimento de nosso futebol.

A tradicional e tola frase “em time que ganha não se mexe” mostra como ‘pensamos’ o futebol.

A maioria das agremiações campeãs é imperfeita e modificações inteligentes podem melhorá-las.

O talento é indispensável se colocado em prol do coletivo.

O ‘toca aqui pai, que nóis resolve’, tradicional em nosso país e lá na Barra Funda, não combina com Juan Carlos Osório e nem com futebol profissional, dentro de campo, de hoje.

Os jogadores brasileiros que pensam assim não carregam essas ideias consigo quando conseguem ir para grandes agremiações da  Alemanha, Holanda Itália, Espanha, Inglaterra, Portugal e França.

Nesses locais aceitam trocar de função, tentam se adaptar aos pedidos do treinador, não questionam quando o treinador tem mais de 11 titulares, aceitam a reserva até provarem competência e se enquadram no padrão diário do clube para onde foram.

O São Paulo deve renovar o próprio espírito para oferecer ao técnico mais que a excelente estrutura física de preparação dos times.

Lembro que vários treinadores brasileiros são corporativistas e irão olhar torto.

A melhor notícia para Juan Carlos Osório é que o elenco do São Paulo – de acordo com Vanderlei Luxemburgo o melhor do Brasil – permite a formação de um time capaz de mostrar futebol muito superior ao atual.

O de hoje é conservador na parte tática.

Pode evoluir se houver respaldo dos gestores.

Mais mobilidade de alguns jogadores quando não têm a bola e o tima ataca, tal qual o Juan Carlos Osório aprecia, já terá impacto na dinâmica de jogo.

Isso para não citar a forma e atitude individual na recomposição do sistema de marcação.

De qualquer jeito, será importante paciência para tudo se encaixar.

O treinador não tem medo de dar oportunidades aos jogadores das categorias de base.

É vital para a saúde financeira da instituição – cedo ou tarde pesa no futebol – a revelação de novos futebolistas para o time principal.

No mundo de futebol planejado de maneira racional, não haveria quaisquer cobranças de resultados durante o Brasileirão e a Copa do Brasil..

Escrito por Vitor Birner às 21:20 Vitor Birner 70 Comentários

26 mai

Vanderlei Luxemburgo foi retranqueiro; podia montar time mais forte com limitado elenco do Flamengo

Birnadas

De Vitor Birner

Abaixo do próprio padrão

Vanderlei Luxemburgo foi um dos melhores técnicos do país por causa da capacidade de fazer seus time jogarem de maneira competitiva e ofensiva.

Não tenho como mantê-lo na lista dos mais competentes após as fracas passagens por Atlético-MG, Fluminense, Grêmio.

Flertou com a segunda divisão no Galo, saiu das Laranjeiras após sequência considerável de maus resultados e torrou a grana do Grêmio, que até hoje paga a conta por atender os pedidos do renomado técnico.

Na Gávea baixou o salário e entregou ao clube, em troca, serviço mediano (o time cresceu após ele chegar) ou um pouco pior.

Tinha o melhor elenco no torneio estadual, a equipe não engrenou e continua mal no Brasileirão.

Não me apego aos resultados para afirmar.

Me importa a qualidade do futebol tomando como base a capacidade do elenco,

Proposta incompleta

Vanderlei Luxemburgo limitou as possibilidades do Flamengo.

A carência de jogadores mais competentes nos passes, principalmente no meio de campo, realmente dificulta a manutenção de bola e diminui o repertório do sistema de criação.

O treinador, ciente disso, pediu reforços.

Se a direção flamenguista quer ser campeã do Brasileirão, de fato necessita elevar o nível do elenco

Enquanto não os recebia, o treinador tinha como minimizar as dificuldades, mas preferiu ser retranqueiro.

Preparou o time para iniciar a marcação na linha do meio de campo e contra-atacar.

Ficou dependendo de as agremiações que enfrentou irem à frente e deixarem lacunas para Everton, Marcelo Cirino e Gabriel – apenas para citar alguns, pois alterou a equipe algumas vezes –  que são velozes conseguirem assistências e gols.

A jogada aérea era a outra opção na frente.

Vanderlei Luxemburgo poderia fazer mais com os atletas flamenguistas.

Deveria ter preparado o time para marcar a saída de jogo.

Obviedade no futebol de hoje

Quem retoma a bola no ataque tem muito mais possibilidade de enfrentar o sistema defensivo aberto, porque o rival, naquele momento, se posicionou para tentar criar oportunidade de gol.

O nível do campeonato brasileiro reforça ainda mais isso.

Quantos times têm competência para sair da defesa trocando passes?

Contra quem possui tal qualidade – são poucos – a concepção de jogo (falo da ideia, não da execução) de Vanderlei Luxemburgo para o Flamengo não merece nenhuma grande crítica.

E diante dos outros, que são a absoluta maioria, foi muito limitada.

Impediria a conquista de alguns pontos na tabela de classificação.

Pouco para o bilhete azul

Mesmo assim, não acho que isso é motivo para demiti-lo.

O equívoco poderia ser corrigido treinando a equipe para marcar na frente.

O treinador sabe como fazer.

Por isso ainda não me convenci que foi mandado embora por questão técnica.

Se foi apenas por isso, acho precipitada a iniciativa desde que os dirigentes não tenham um grande nome ou alguém promissor para o cargo.

Relembro

O papel do treinador, sempre vale ressaltar, não é ser campeão.

Tem que fazer o time jogar o melhor futebol possível e Vanderlei Luxemburgo nem chegou perto de conseguir tirar o máximo do elenco.

Escrito por Vitor Birner às 15:28 Vitor Birner 34 Comentários

22 mai

Cruzeiro silencia Monumental de Nuñez em noite inspirada do técnico Marcelo Oliveira

Análise de jogos, Copa Libertadores

De Vitor Birner

River Plate 0×1 Cruzeiro

O jogo começou com os times se alternando na imposição de suas propostas de jogo.

O de Marcelo Gallardo foi superior nos momentos que foi capaz de sair da defesa trocando passes, e o de Marcelo Oliveira quando acertou a marcação na frente.

Mas durante os 90 minutos, o brasileiro goleou o argentino na leitura do que se passou em campo e ao arrumar soluções para fortalecer a equipe.

As trocas fizeram o Cruzeiro crescer.

Com mais qualidade no passe, antes e depois delas, teria feito outros gols.

Vencer em Nuñez lotado é sempre especial.

E o resultado colocou a agremiação mineira  mais perto da semifinal.

Pequenas alterações na proposta

Marcelo Oliveira não alterou o esquema tático.

Marquinhos, na direita, Willian do outro lado e De Arrascaeta formaram o trio de criação.

Leandro Damião jogou à frente deles.

Henrique e Willians foram os volantes .

O tradicional 4-2-3-1 que o treinador adota na maioria dos jogos desde quando assumiu o cargo de técnico do Cruzeiro, precisava de alterações para atuar em Nuñez.

O time tem caído de rendimento quando joga fora da arena mineira.

Falta entrosamento para manter a bola no meio de campo.

Por isso era preciso iniciar a marcação mais adiantada.

Diante do São Paulo, quando perdeu no Morumbi e foi mal, iniciou os desarmes na linha que divide o gramado.

Na ‘cancha millionaria’, fez isso começou na meia.

Impediu o River Plate fazer a transição, com troca de passes, ao ataque nos primeiros 10 minutos e por isso foi um pouco superior.

Retomou a posse dela na frente com o sistema defensivo argentino mal-posicionado.

A melhora do River Plate 

Marcelo Gallardo optou pelo 4-4-2.

O meio de campo contou com Sánchez na direita, Martínez do outro lado, além de Kranevitter, o mais defensivo do setor, e Ponzio, volante que apoia, entre eles.

O primeiro foi o principal atleta do River Plate no jogo.

O uruguaio e o lateral Mammana conseguiram, após os minutos iniciais, superar a marcação adiantada do Cruzeiro e garantiram ao time a possibilidade de ficar na meia.

O sistema defensivo cruzeirense, após o crescimento dos hermanos, cometeu falas.

Willian tinha que acompanhar os avanços do lateral e Mena marcou Mora, atacante que atuou ou na área junto do centroavante Gutiérrez, ou onde o chileno marcou.

Willians, por isso, precisou ficar atento ao Sánchez. Como De Arrascaeta não compreendeu, Ponzio apareceu naquela região e o River Plate jogou melhor.

Não criou grandes oportunidades, mas poderia fazer 1×0 com mais competência nas finalizações.

Assim como poderia sofrer o gol nas enormes brechas que deixou para o contra-ataque.

O mapa da mina

Os zagueiros do River Plate são limitados.

Funes Mori, mole, perdeu a dividida para Willian e o atacante finalizou dentro da área.

Maidana, lento, perdeu na corrida para Leandro Damião, impedido, trocou empurrões com o centroavante que desequilibrado chutou mal.

Marcelo Oliveira goleia Marcelo Gallardo

Os treinadores, insatisfeitos por causa do futebol que seus times mostraram logo depois do intervalo, procuraram as soluções no banco de reservas.

Como o Cruzeiro tinha dificuldade para superar a marcação no meio de campo, um tirou De Arrascaeta, que jogou mal, e colocou Gabriel Xavier.

Precisava melhorar a qualidade do passe e de alguém se aproximasse dos companheiros para tabelar.

Marcelo Gallardo, em seguida, optou por Mayana e Piculichi nos lugares de Ponzio e Martínez.

Os volantes do River Plate tinham recebido cartão amarelo, O técnico tirou o mais habilidoso para colocar o uruguaio que marca mais, e o atleta que ficava em frente ao lateral Vangioni para ter um meia que prefere jogar centralizado e se aproximar dos atacantes.

Trocou o 4-4-2 das ‘linhas paralelas’ pelo 4-3-1-2 com losango no meio de campo e Pisculichi como principal articulador no setor, tal qual na campanha do título na Copa Sul-Americana.

E Marquinhos ganhou mais lacunas para o contra-ataque.

Só não agregou uma assistência às estatísticas pessoais porque Willian correu muito e pensou pouco ao permanecer adiantado, não atrás da linha da bola, no contra-ataque.

O técnico do River Plate, passados poucos minutos, trocou Mora por Cavenaghi.

Em suma, abriu mão do atacante pelos lados para ter na área outro centroavante junto de Gutiérrez.

Pretendia investir nos cruzamentos, pois o time não conseguia tabelar e superar a marcação no meio de campo, e nos chutes e aproximação de Pisculichi dos centroavantes que podiam, de costas para Fábio,  preparar os lances ou trocar passes curtos com o meia.

O colombiano, no equívoco do zagueiro Bruno e talvez do bandeirinha, perdeu a principal oportunidade do River Plate.

Marcelo Oliveira compreendeu e tirou Willian para o volante Charles jogar.

Aquilo que os menos atentos podem chamar de alteração defensiva, foi, de fato, um nó tático.

Henrique, Willians e Charles ficaram plantados em frente aos zagueiros e laterais.

Mayke e Mena priorizaram a marcação.

Marquinhos, Gabriel Xavier e Leandro Damião inciaram a marcação na meia e quando não tinham êxito um deles recuou para ser o quarto jogador do meio de campo.

O sistema de marcação ficou mais sólido e o contra-ataque, diante da equipe tensa por não criar oportunidades no estádio pleno por seus ‘hinchas e por isso cada vez mais ansiosa ao ir para frente, não perdeu força.

Após todas as alterações, o Cruzeiro foi superior.

Pisculichi, por exemplo, foi engolido pelos volantes.

Gabriel Xavier colocou Marquinhos, pouco antes, na cara do gol, e o zagueiro do River Plate tirou a bola em cima da linha após a finalização do atacante.

O jovem meia-atacante participou da jogada mais importante da partida.

Simples e na raça

Na cobrança de lateral na área, Leandro Damião levou a melhor contra Funes Mori, mole, na dividida de cabeça,Gabriel Xavier chutou e Marquinhos, livre, silenciou o Monumental de Nuñez.

A participação de Gabriel Xavier foi óbvia, assim como a do artilheiro.

O maior mérito no lance foi do centroavante.

Era difícil, para ele, levar a melhor por cima e ainda tocar de cabeça ao Gabriel Xavier.

Não é relevante se teve a intenção ou sorte no passe.

No jogo tão importante prefiro valorizar o feito.

Pode levar o time à semifinal.

Muito superior após o gol

O River Plate tentou fazer algo na parte ofensiva, mas parou na forte marcação do Cruzeiro.

Faltou mais qualidade nos passes para o Cruzeiro fazer outro gol.

Esse foi maior entrave do time ao longo dos 90 minutos.

Mereceu

Arbitragem não interferiu no resultado.

Falhou ao não marcar um impedimento de cada time.

Invalidou com razão o gol do River Plate antes do intervalo.

No critério de cartões, merece elogios.

Assim como no das faltas.

Ficha do jogo

River Plate Marcelo Barovero; Mammana, Jonatan Maidana, Funes Mori e Vangioni; Carlos Sánchez, Matías Kranevitter, Leonardo Ponzio (Camilo Mayada) e Gonzalo Martínez (Leonardo Pisculichi); Rodrigo Mora (Fernando Cavenaghi) e Teófilo Gutiérrez
Técnico: Marcelo Gallardo

Cruzeiro – Fábio; Mayke, Manoel, Bruno Rodrigo e Eugenio Mena; Willians e Henrique; Marquinhos, De Arrascaeta (Gabriel Xavier) e Willian (Charles); Leandro Damião (Henrique Dourado)
Técnico: Marcelo Oliveira

Árbitro: Enrique Osses (Chile) – Auxiliares: Carlos Astroza e Marcelo Barraza

Escrito por Vitor Birner às 3:10 Vitor Birner 40 Comentários

18 mai

Ponte Preta mereceu vencer; Rogério Ceni evitou a goleada

Análise de jogos

De Vitor Birner

Ponte Preta 1×0 São Paulo

Tática inteligente, concentração, esforço e solidariedade dentro da equipe para torná-la competitiva.

Isso garantiu a magra vitória do time de Guto Ferreira.

Perdeu muitas oportunidades contra o Rogério Ceni inspirado, que fez quatro ou cinco difíceis intervenções e contou com a sorte ao ver a cobrança de falta de Renato Cajá tocar no travessão.

Tinha levado o gol, antes, do meia, que recebeu o passe de Rodinei depois de Centurión tentar driblar o lateral ainda no campo de defesa.

Vitória fácil da única equipe a entrar no gramado do Moisés Lucarelli, com portões fechados, como se disputasse um jogo do Brasilerião

Renato Cajá goleou o P. H. Ganso 

O argentino foi apenas um dos que jogaram mal.

Ganso, ineficaz na parte ofensiva, executou função similar a de Renato Cajá e poderia ter sido expulso ao dar o carrinho no rival.

Renato Cajá se mexeu mais para dar opção ao time, além de ter sido superior nos chutes de média distância e nos passes que ajudaram a ditar o ritmo do jogo e criar lances interessantes no ataque.

Melhores em todos os setores 

Diego Oliveira e Pato não brilharam como os treinadores queriam

Mas o centroavante da Ponte Preta contribuiu muito mais na marcação. .

Felipe Azevedo e Biro-Biro jogaram pelos lados como Centurión e Wesley.

Apenas os primeiros mostraram a intensidade necessária nos desarmes e no ataque.

O sistema de marcação da Ponte Preta, por isso, não precisou se desdobrar.

Seus laterais, volantes e zagueiros nunca ficaram mano a mano.

Já os do São Paulo foram sobrecarregados pela individualidade exagerada do argentino e dedicação protocolar de Ganso e Pato.

Com auxílio fica menos difícil

Os volantes Josimar e Fernando Bob foram mais eficientes que Rodrigo Caio e Hudson.

Impediram o Ganso de criar.

Atuaram na distância ideal da linha de laterais e zagueiros do time .

No São Paulo, a dificuldade de fazer a transição ao ataque até a Ponte Preta recuar, e a necessidade de ir á frente para empatar depois do 1×0, complicaram para os volantes.

O jogador revelado na base são-paulina, de quem não se pode reclamar da falta garra, se perdeu ao longo do confronto e tomou um baile de Renato Cajá.

Maior repertório ofensivo

No São Paulo, quase todos os ataques foram do lado de Bruno, pois o treinador provavelmente pediu ao Reinaldo para não ir à frente.

Bruno teve que se desdobrar entre o apoio e a marcação de Biro-Biro ou de Gilson.

Relembro que Rodinei, o lateral da Ponte Preta, foi fundamental para o gol acontecer e Ganso foi pior que Renato Cajá em tudo que tentou.

Ponte Preta piora; São Paulo não melhora 

Luis Fabiano entrou no lugar de Wesley aos 10 minutos, pois assim Pato e Centurión poderiam jogar pelos lados.

Não deu sequências aos lances e encerrou o jogo com cartão amarelo.

Enquanto a Ponte Preta contou com os titulares, sobrou em campo.

Depois de Diego Oliveira e Renato Cajá saírem para Borges e Roni jogarem, o time perdeu capacidade de  trocar passes no meio.

Continuou firme na marcação diante do São Paulo perfeito para o goleiro Marcelo Lomba, o que foi suficiente para somar os importantes pontos.

Inquestionável

A arbitragem não definiu quem saiu do gramado vencedor.

A Ponte Preta não goleou por falta de competência nas finalizações.

Os principais de cada time

Renato Cajá foi o melhor em campo.

Rogério Ceni merece elogios porque conseguiu impedir a goleada.

No limite e longe dele 

A Ponte Preta tem que reforçar o elenco com qualidade individual, se quiser evoluir durante o Brasileirão.

Não há como tirar mais do grupo de jogadores. A manutenção do padrão será um feito. .

Renato Cajá, importantíssimo tanto contra o Grêmio quanto neste jogo,  mostrou futebol superior a própria média nas rodadas iniciais.

O São Paulo vive algo antagônico.

Há grande potencial de evolução porque nenhum dos jogadores mais técnicos atua como pode e os treinadores sequer acharam o esquema tático e formação titular ideais.

Ninguém tem ideia se irá.

Depende de quem administra o clube e traja o manto sagrado.

Ficha do jogo

Ponte Preta – Marcelo Lomba; Rodinei, Pablo, Renato Chaves e Gílson; Josimar e Fernando Bob; Felipe Azevedo (Juninho), Renato Cajá (Roni) e Biro Biro; Diego Oliveira (Borges)
Treinador: Guto Ferreira

São Paulo Rogério Ceni; Bruno, Toloi (Paulo Miranda), Dória e Reinaldo; Rodrigo Caio, Wesley (Luís Fabiano), Hudson e Centurión; PH Ganso; Alexandre Pato
Treinador: Mílton Cruz

Árbitro: Raphael Claus (SP) Assistentes: Marcelo Carvalho Van Gasse e Daniel Paulo Ziolli

 

Escrito por Vitor Birner às 0:49 Vitor Birner 105 Comentários

15 mai

Conmebol ainda não tem motivo para eliminar o Boca Juniors; se for justa, o jogo continuará noutra ‘cancha’ com portões fechados

Birnadas, Copa Libertadores

De Vitor Birner

Se o foi um ‘hincha Xeneize’ jogou gás de pimenta em Ponzio, Funes More e cia, a decisão de eliminar o Boca Juniors da Libertadores foi correta.

Mas a perícia feita na manga de acesso ao gramado diz que não havia resíduos nela.

Isso torna improvável que tenha sido o torcedor.

O goleiro reserva do River Plate, o Chiarini, xinga um policial e o acusa ou de ter atirado o gás de pimenta ou de ter sido cúmplice ao permitir que alguém fizesse.

“Foi ele. Foi ele, segurança …”

Repito: a perícia diz que o agressor provavelmente agiu dentro do gramado.

Há mais razões para a gente crer nela.

Observe para onde olham os atletas do River Plate assim que houve a agressão.

Nenhum vira para a arquibancada. Olham para frente ao serem surpreendidos por aquilo que ninguém imaginava.

Não encontrei fotos de ruptura da manga.

Provavelmente haveria várias nas reportagens porque os repórteres fotográficos a procuraram.

O próprio elenco do River Plate, com razão muito irritado, mostraria.

Isso reforça ainda mais a teoria que o gás de pimenta partiu de alguém no campo.

Não há imagens de invasão de torcedor.

A cena bizarra de um deles, com o rosto coberto, tentando fazer algo na grade entre ele e o túnel inflável por onde atletas ‘millonarios’ retornaram ao campo, provavelmente seria filmada se obtivesse êxito

E a perícia confirmou que o sujeito não conseguiu abrir a lacuna na grade.

Diante de tudo isso, a impressão que fica é a de que alguém com livre acesso ao campo jogou o gás de pimenta.

Se foi dirigente ou qualquer funcionário do Boca Juniors, a exclusão do time da Libertadores será correta.

Mas se um policial, como o goleiro parece crer, tomou a atitude, a equipe de Arruabuarrena dever ter, por justiça, a possibilidade de lutar pela vaga nas quartas-de-final.

Dirigentes da Conmebol são populistas quando há oportunidade.

Na Argentina, a torcida do Boca Juniors foi muito criticada.

No calor do momento, os cartolas provavelmente tomaram a decisão mais confortável e eliminaram o Boca Juniors, tal qual foi divulgado no twitter oficial da Libertadores.

Depois recuaram da decisão, talvez por causa de questões técnicas citadas no post e porque a cartolagem do gigante ‘hermano’, forte nos bastidores, fez o lobby na madrugada e manhã de hoje para evitá-la.

A segurança da Bombonera – estádio mítico e cheio de pontos cegos, com diversos locais na arquibancada onde é impossível ver a linha de fundo, e que nos padrões exigidos atualmente no Brasil seria interditado ou teria a capacidade de público reduzida – para o jogo era ruim como o vídeo acima mostra.

Isso justifica a decisão do árbitro de impedir o superclássico de continuar após o intervalo.

Mas não a eliminação sumária do Boca Juniors até que apareça qualquer tipo de sinal dando conta que alguém ligado ao clube, seja da arquibancada ou não, tenha atirado gás de pimenta nos atletas do rival.

Por isso, o mais justo é deixar o jogo continuar noutra ‘cancha’ com portões fechados.

Alterarei minha opinião se houver motivo para tal.

Antes que apareça alguém cogitando a possibilidade de o River Plate ter jogado gás de pimenta em si para melar o superclássico, afirmo que não creio, pois venceu por 1×0 na ida, havia empatado o primeiro tempo, o Boca Juniors não conseguiu criar um lance de perigo, os atletas dos ‘bosteros’ desde o início mostraram muita irritação (Pérez poderia ser expulso ao dar o carrinho após a marcação da infração favorável ao time dele, os experientes Gago e Osvaldo tomaram cartão amarelo em faltas tolas e violentas…) e tudo indicava que os ‘gallinas’ se classificariam, ou que na pior das hipóteses, para eles, haveria decisão por pênaltis porque era muito improvável perderem por mais de um gol.

O Boca Juniors jogou futebol melhor que o do River Plate ao longo da primeira fase da Libertadores e do campeonato nacional, inclusive no clássico, disputado faz 10 dias, quando ganhou por 2×0.

Mas não conseguiu manter o padrão em Nuñez e na Bombonera.

Escrito por Vitor Birner às 18:16 Vitor Birner 123 Comentários

14 mai

Cruzeiro com raça e futebol melhor elimina o São Paulo que ‘simplificou’ a missão

Análise de jogos, Copa Libertadores

De Vitor Birner

Cruzeiro 1×0 São Paulo

O jogo foi daqueles não recomendados aos torcedores apaixonados e com problemas cardíacos.

O time de Marcelo Oliveira foi muito superior.

Todos seus jogadores se dedicaram no limite.

Com mais qualidade nos chutes, o Cruzeiro teria se classificado durante os 90 minutos.

A pontaria foi a maior dificuldade.

O São Paulo cometeu uma série de erros e ‘facilitou’ a missão.

Ao invés de marcar na frente, como diante de Corinthians e dos cruzeirenses nas últimas partidas da Libertadores, quando venceu e se impôs com amplo controle, ficou atrás.

Teve, em tese, dois jogadores a menos. Pato, o centroavante, foi prejudicado porque seus companheiros não criaram e nem se aproximaram para as tabelas,  e ele não fez muita força, acertou dribles, passes ou recuou para ajudar nos desarmes durante os vários momentos de enorme superioridade cruzeirense.

Ganso, o menos esforçado, errou passes verticais no ataque e ficou parado em vez de recuar para recuperar a bola, inclusive quando os laterais tinham apoiado e era importante a cooperação dele.

De quebra, Wesley não acompanhou Mayke no lance do gol.

No jogo tão disputado, esses detalhes foram importantes para os Celestes serem muito mais intensos e consequentemente melhores.

E obviamente para vencerem.

Mesmo assim, a vaga foi definida nas cobranças de pênaltis.

Souza e Manoel chutaram muito mal e falharam;  o cruzeirense, inclusive, teve a oportunidade de fechar a série.

O competente Fabio brilhou.

Aproveitou as escolhas de Luís Fabiano, que nas horas mais difíceis e decisivas desde o retorno ao clube deixa o time na mão, e o peso em Lucão, atleta menos experiente dos titulares e encarregado de chutar o primeiro após a série de cinco, para fazer intervenções tranquilas e importantes.

Foi o herói da classificação conquistada por causa da dedicação coletiva de todos que entraram em campo e honraram o manto sagrado azul.

Cruzeiro com muita intensidade

Marquinhos e Willian, pelos lados do trio de criação do 4-2-3-1 impediram Reinaldo e Bruno de fazerem a transição de bola. De Arrascaeta, entre eles, e Leandro Damião. na frente, fizeram igual com os zagueiros do adversário ou Denilson, de acordo com o que o jogo pediu.

A ideia de Marcelo Oliveira era impedir o rival de fazer a transição ao ataque e tentar retomar a bola na frente para encarar a defesa aberta.

Ciente que o meio de campo após as saídas de importantes atletas ainda não se entrosou e que isso dificulta o toque de bola e o jogo mais cerebral, priorizou as virtudes individuais de Marquinhos, Willian e De Arrascaeta e as colocou prol das necessidades coletivas.

Sabia que o São Paulo tem dificuldade para marcar pelos lados.

O time correspondeu plenamente.

Conseguiu ter a intensidade que o treinador queria e marcou no ataque.

Tomou conta do clássico, arriscou chutes de tudo quanto é lugar e nunca jogou de lado porque sempre investiu na velocidade em direção ao gol.

A pontaria foi o problema.

São Paulo preferiu tocar em vez de tentar o gol  

Após cerca de 10 minutos, talvez um pouco mais, conseguiu sair de trás.

O jogo veloz não interessava ao time do Morumbi.

Preferiu trocar passes no meio para diminuí-la e irritar os torcedores e atletas rivais.

Poderia repetir a marcação na frente dos jogos diante do próprio Cruzeiro, Corinthians e Flamengo, mas o treinador, não sei por qual motivo,  pediu os desarmes mais atrás e que o meio de campo ficasse com a bola a espera do apoio dos laterais.

Apenas Pato, o centroavante, tinha as características para os contra-ataques.

Com Michel Bastos, na direita, Wesley, do outro lado, Ganso na meia, e Souza, parceiro de Denilson na dupla de volantes, todos no meio de campo, tentou manter a bola longe do gol de Rogério Ceni.

Conseguiu em alguns momentos.

Noutros, sofreu contra-ataques.

Reinaldo, sobrecarregado desde o início com a obrigação de apoiar e recuar, abriu algumas lacunas porque Denilson tem dificuldade de fazer cobertura pelos lados. .

O treinador deveria pedir para o lateral ficar atrás, em especial após tomar o amarelo.

Fez a falta em Leandro Damião, que um árbitro brasileiro avaliaria como digna de punição com cartão da mesma cor e a consequente exclusão do lateral.

Reinaldo e Bruno precisaram marcar os rápidos Marquinhos e Willian.

O Cruzeiro, pelo meio, tinha poucas opções para criar, pois seus volantes não possuem tanta qualidade no passe.

O certo seria pedir para que os laterais fossem mais defensivos e a marcação iniciasse na saída de jogo do Cruzeiro.

Tais falhas táticas e o empenho de Ganso e Pato, menor que o de todos os jogadores dos rivais, redundaram na enorme superioridade da agremiação que pareceu querer mais a classificação.

Tudo igual, mas com gol

Após o intervalo, o time de Marcelo Oliveira tentou retomar a marcação no ataque.

Marquinhos e William se deslocaram mais pelo gramado no revezamento entre as funções de dividirem a criação, alternadamente, com De Arrascaeta, e de segundo atacante.

Quando um foi para o centro, o outro continuou aberto como opção.

Marquinhos ficou mais vezes centralizado porque Mayke gosta de ir à frente.

O gol do Cruzeiro nasceu assim.

Mérito do lateral que apoiou e deu a assistência para Leandro Damião.

E erro de Wesley, que tinha de marcá-lo e demorou.

Antes e depois do 1×0 o Cruzeiro chutou e exigiu participações, algumas difíceis, de Rogério Ceni.

Mexidas

Cerca de 10 minutos depois, Luis Fabiano ocupou o lugar de Pato.

Passados mais alguns, Centurión, que é catimbeiro, fez o gol no Morumbi e gosta dos dribles importantes se a proposta do time era jogar recuado, entrou e Wesley saiu,

Gabriel Xavier ocupou a vaga de Willian, que merece elogios pela atuação e se cansou, e Hudson a de Michel Bastos, com câimbras porque foi ao limite da própria condição atlética após ter dengue.

Marcelo Oliveira, atento ao estilo do argentino e cansaço de Mayke,  colocou Willian Farias no lugar do titular.

O andamento do jogo continuou parecido.

O Cruzeiro diminuiu a intensidade apenas porque não ‘tinha pernas’ como no início.

Mas nunca foi inferior nos 90 minutos.

Nos pênaltis

Rogério Ceni fez o gol na primeira cobrança e acertou o canto na de Leandro Damião, desviou a bola que, para sorte dele e azar do centroavante, tocou na trave.

Ganso e Marquinhos fizeram a obrigação nas seguintes.

Souza, inseguro e tenso, chutou por cima.

O goleiro veterano quase pegou a do De Arrascaeta.

Fabio fez isso com a de Luis Fabiano, que como de costume nessa terceira passagem pelo clube amarelou na hora mais decisiva e que exigiu equilíbrio do experiente artilheiro.

Henrique virou o resultado da série e Centurión igualou.

Manoel tinha que fazer a dele para garantir a classificação. Cobrou muito mal para Rogério Ceni pegar seu último pênalti da carreira em Copas Libertadores.

Lembrou Luis Fabiano por causa da falta de confiança e jeito que chutou.

Na última Libertadores como jogadores, teve a oportunidade de viver mais um capítulo de glória no qual seria protagonista do sucesso do time.

Eis que Milton Cruz optou por Lucão, um jovem, para chutar o próximo.

Tinha Denílson e Rafael Tolói, ambos com passagens pela Europa e que de vez em quando chutam faltas, e preferiu o mais inexperiente entre todos os disponíveis.

O gol, naquele instante, faria a bola ficar pesada para o próximo jogador do Cruzeiro.

O zagueiro chutou como alguém que pretendia se livrar rapidamente da obrigação de ter que decidir.

Fábio observou que o rival mostrou em qual lado cobraria e chegou com tranquilidade para rebater o chute fraco entre o meio e o canto

Gabriel Xavier chutou o último para fazer a nação cruzeirense explodir de alegria e colocar a equipe nas quartas-de-final diante de River Plate ou Boca Juniors.

Ficha do jogo  

Cruzeiro – Fábio; Mayke (Willian Farias), Bruno Rodrigo, Manoel e Eugenio Mena; Willians e Henrique; Marquinhos, De Arrascaeta e Willian (Gabriel Xavier); Leandro Damião
Técnico: Marcelo Oliveira

São Paulo – Rogerio Ceni; Bruno, Rafael Toloi, Lucão e Reinaldo; Denilson, Souza, Michel Bastos (Hudson) e Wesley (Centurión); Ganso; Alexandre Pato (Luis Fabiano)
Técnico: Milton Cruz

Árbitro: Andrés Cunha (URU) – Assistentes: Miguel Nievas e Gabriel Popovirs

 

Escrito por Vitor Birner às 1:12 Vitor Birner 242 Comentários

13 mai

Nem o erro de arbitragem tirou a Juventus da final; Cristiano Ronaldo e James Rodríguez sumiram diante do gigante e secular time italiano

Análise de jogos, Champions League

De Vitor Birner

Real Madrid 1×1 Juventus

O time de Ancelotti tinha que fazer o gol.

Conseguiu por causa do pênalti que não houve em James Rodríguez.

Daquele momento em diante Cristiano Ronaldo ganhou mais liberdade porque a Juventus foi para cima.

O português, mal no jogo, continuou sumido.

Os italianos ficaram mais com a bola no ataque e empataram.

Depois recuaram e mesmo assim ficaram mais perto da virada que da derrota.

Um pouco mais de qualidade nas finalizações ou de inspiração do Tévez, que foi raçudo e não manteve o alto nível técnico que mostra no semestre, garantiriam a vitória.

Mas tanto faz isso para os ‘tiffosi’ que comemoram a classificação para a final.

Parecidos na parte tática

Com Benzema, Ancelotti de novo posicionou o o time no 4-4-2 com flutuação para o 4-3-3-.

Quando marcou a saída de jogo, Bale, na direita, ajudou o centroavante e Cristiano Ronaldo.

E nos momentos em que a Juventus conseguiu fazer a transição para o campo de ataque, o galês recuou para o meio de campo e formou o quarteto com James Rodríguez, do outro lado, e Kroos e Isco entre eles.

O espanhol apoiou mais que o alemão, que além de ser encarregado de ajudar na cobertura dos laterais e ficar em frente aos zagueiro, foi encarregado da saída de bola.

A Juventus jogou com esquema tático muito parecido ao do rival.

Marchisio, na direita, e Pogba, do outro lado, ficaram em frente aos laterais Lichtsteiner e Evra.

Pirlo e Vidal, entre eles, completaram o meio de campo.

O chileno ajudou na criação; o veterano foi mais defensivo e cuidou da saída de jogo da defesa.

Não houve o importante pênalti 

O Real Madrid foi superior no 1° tempo.

Tinha que vencer no Santiago Bernabéu e conta com jogadores mais técnicos.

Marcou na frente, tomou a  iniciativa, frequentou mais o ataque e ficou no entorno da grande área tentando entrar nela ou em busca da brecha para finalizar de frente para o Buffon.

Jogava melhor quando o árbitro marcou o pênalti, do qual discordo, em James Rodríguez.

Choque normal e o colombiano, tal qual normalmente faz, se atirou no gramado.

Cristiano Ronaldo cobrou no meio de gol após o experiente goleiro cair no canto direito.

Resultado alterou andamento do jogo

O Real Madrid recuou o sistema de marcação e adotou o 4-4-2.

Esperou a Juventus para aproveitar as lacunas que os italianos inevitavelmente abririam, pois têm atletas rápidos e muito habilidosos na frente.

A ideia funcionou, em parte, até o intervalo.

O time de Turim teve dificuldade para criar e finalizar.

Chutou duas vezes em gol, contra 11 do rival, antes do intervalo.

Faltou ao Real Madrid melhor execução dos lances de ataque.

O empate

A Juventus adiantou mais o sistema de marcação após o intervalo.

O Real Madrid gostou.

Achou que o aumento das brechas para Cristiano Ronaldo, Benzema e Bale seriam o suficiente para o time fazer  gols e chegar à final contra o Barcelona.

Mas, na prática, a Juventus ficou mais com a bola na frente e passou a controlar o jogo.

Investiu nos cruzamentos, pois é competente nisso.

Em um deles, após a rebatida da defesa, Sergio ramos demorou para sair e fazer a linha de impedimento, Pogba levou a melhor por cima e Morata, que o Real Madrid não quis e ainda pode contratar porque tem a preferência, ganhou, na raça, de Kroos.

Em vez de o alemão seguir no lance, parou para acompanhar o chute e o gol do centroavante.

Tensão e pouco futebol

A Juventus recuou e o Real Madrid adiantou o sistema de marcação.

O time de Ancelotti precisava ao menos de um gol para levar a semifinal à prorrogação.

E de novo não conseguiu entrar na área trocando passes.

Como chegou à linha de fundo diversas vezes com Marcelo, ficou dependendo dos cruzamentos.

Era exatamente o que os italianos queriam, apesar de Bale (1m83), Cristiano Ronaldo (1m85) e de Benzema (1m87) serem altos e esperarem os lançamentos.

Sumiram

Naquele momento, apesar da configuração tática igual a do início do jogo, a Juventus havia se fortalecido na parte psicológica.

Os renomados atletas do Real Madrid foram engolidos na disputa emocional (lembro que ela faz parte do futebol, em especial nos momentos decisivos).

James Rodríguez errou passes simples.

Cristiano Ronaldo jogou futebol nota cinco.

Isco e Kroos sumiram.

Bale perdeu as melhor oportunidades – foram duas – nos cruzamentos.

Na medida em que os minutos passaram a tensão cresceu e venceu a técnica dos mais capazes.

Benzema, o melhor do sistema ofensivo no jogo, saiu porque cansou e Chicharito – catorze centímetros mais baixo – ocupou o lugar do centroavante titular.

Barzagli entrou no lugar de Pirlo, com atuação apenas razoável, para reforçar a marcação dos cruzamentos.

Os italianos ganharam todas por cima após a mexida.

Faltou um pouco de capricho

A Juventus, após igualar, ficou mais perto de fazer o gol.

Marchisio e Pogba, de frente para Casillas, falharam nas finalizações.

Na parte técnica, apesar do êxito, o time nem merece tantos elogios porque errou saídas de bola e passes simples além dessas grandes oportunidades de gol.

Tévez não manteve o padrão de jogo dele na temporada.

Llorente entrou no lugar de Morata e só não saiu de campo com uma assistência que seria elogiada, por causa do belo lance individual, porque o francês chutou em cima do ;

A classificação foi inquestionável.

Fez um gol normal e tomou no pênalti inexistente.

Ficha do jogo

Real Madrid – Casillas; Carvajal, Varane, Sergio Ramos e Marcelo; Kroos, Isco e James Rodríguez; Bale, Benzema (Chicharito) e Cristiano Ronaldo
Técnico: Carlo Ancelotti

Juventus – Buffon; Lichtsteiner, Chiellini, Bonucci e Evra; Pirlo (Barzagli), Vidal, Marchisio, Pogba (Pereyra); Morata (Llorente) e Tévez
Técnico: Massimiliano Allegri

Árbitro: Jonas Eriksson (SUE) – Assistentes: Mathias Klasenius e Daniel Wärnmark

 

Escrito por Vitor Birner às 19:30 Vitor Birner 17 Comentários

11 mai

Não havia como lotar estádios na primeira rodada do Brasileirão

Coluna no Lance!

De Vitor Birner

Torcedor correspondeu ao que lhe foi oferecido pelos dirigentes   

Imagine se houvesse o ‘Catalãozão’ e o Barcelona fosse forçado a abrir mão de preparação adequada para disputá-lo em simultâneo à fase de grupos da Uefa Champions League.

Se Inglaterra e Alemanha tivessem torneios iguais tratados como relevantes, todos com duração de um trimestre e cheios de partidas monótonas, a maioria desprovida de rivalidade, como acompanhamos na maior parte de nossos Estaduais.

E que as primeiras rodadas do ‘Espanholão’, Premier League e Bundesliga fossem disputadas três ou quatro dias após o aguardado início do mata-mata da principal competição no continente.

A grande festa do começo de temporada na Europa acabaria, a média de público nos nacionais cairia, o nível técnico e tático pioraria, e o investimento de patrocinadores e televisão diminuiria, pois o torcedor – razão de o futebol ser gigante – inconscientemente prioriza campeonatos.

Essa história que todo jogo importa é muito bonita, mas não encontra reciprocidade no coração de quem dá audiência, compra ingressos, material esportivo e perde ou melhora o humor por conta do resultado durante os noventa minutos.

Isso é tão óbvio, que nem cogito a ideia de os elaboradores do calendário futebolístico, aqui, discordarem com argumentos consistentes.

As primeiras rodadas do Brasileirão de novo serão nocauteadas pelo mata-mata da Libertadores.

O início do torneio nacional não tem como concorrer com os jogos eliminatórios do campeonato mais cobiçado da América do Sul.

São Paulo, Cruzeiro Atlético-MG, Internacional e Corinthians entraram em campo neste fim de semana com equipes mistas ou reservas por necessidade, não porque acham irrelevante a principal competição nacional.

Cinco jogos, a metade da rodada, perderam qualidade e interesse de parte do público (média de pouco mais de 12 mil por jogo).

E tem gente que insiste em questionar os pontos corridos antes de melhorar o calendário de nosso futebol.

OBS: o post é a reprodução da minha coluna do L! Como foi publicado antes da rodada, os verbos nos parágrafos sobre ela foram colocados no passado e não no futuro como os do texto original.

Escrito por Vitor Birner às 19:47 Vitor Birner 9 Comentários

11 mai

São Paulo desmontou a retranca do Flamengo quando renomados entraram no jogo

Birnadas, Brasileirão

De Vitor Birner

São Paulo 2×1 Flamengo

Jogo foi ruim nos 45 minutos iniciais.

O time do Morumbi, apesar de improdutivo, tentou mais o gol.

Perdeu força ofensiva porque priorizou a Libertadores e jogadores foram poupados ou iniciaram no banco.

Isso comprometeu o entrosamento do sistema de criação, até o treinador colocar Ganso e Pato após o intervalo.

Com eles conseguiu algumas tabelas, os gols – um deles com passe lindo Wesley – e a vitória na estreia do Brasileirão.

Vanderlei Luxemburgo armou uma retranca.

Tinha que testar mais o Paulo Miranda, Lucão, Dória – inseguro em várias jogadas-  e o Reinaldo marcando a saída de jogo.

Preferiu ficar na defesa e depender dos lances de velocidade com Éverton para vencer.

Apesar de exagerar na cautela, poderia ter conseguido resultado melhor porque houve duas oportunidades como o técnico idealizou.

Rogério Ceni, em ambas, fez ótimas intervenções.

Além do resultado,  o São Paulo comemora a manutenção do padrão de esforço individual e coletivo, ambos muito importantes para o elenco mostrar - se não parar de evoluir - futebol à altura do próprio potencial.

O Flamengo precisa aumentar a capacidade de marcar na frente para ser mais equilibrado e aproveitar o potencial dos seus promissores atacantes.

Boschilia mais perto do centroavante

O time misto do São Paulo manteve a proposta de jogo do titular.

Marcou a saída de bola e teve a iniciativa de tentar o gol contra o Flamengo muito defensivo.

Não criou nada, a não ser em cruzamento na cobrança de falta, porque o rival soube marcar, e Boschilia ficou longe de Luis Fabiano.

O atleta revelado na base tinha que tentar os lances individuais e principalmente se mexer para tabelar com volantes, laterais e o centroavante.

Se o jovem, que não jogou mal na parte técnica (individual) cumprisse com primor a função tática,  três atletas do meio de campo formado por Rodrigo Caio, Souza, Hudson e Wesley ajudariam mais na criação e alguns poderiam entrar na área nos cruzamentos.

A bola aérea do São Paulo, na frente, não é simples de ser marcada.

Isso ficou nítido no único lance interessante do sistema ofensivo ao longo do 1° tempo.

Paulo Miranda, após a cobrança de falta, cabeceou, o goleiro flamenguista evitou com o pé o gol;  Souza, no rebote, chutou e a bola bateu no braço de Wallace dentro da área.

Boschilia, em vez de recuar para o meio como fez, tinha que ficar entre os volantes e Luis Fabiano, um pouco mais perto do centroavante, para fazer a ligação dos setores e tornar o São Paulo criativo.

Tem características distintas de Ganso, pois carrega mais a bola enquanto o companheiro prefere ficar menos com ela para investir nos passes, mas as incumbências do jovem eram quase iguais as do quase sempre titular

Repertório pequeno para o Brasileirão

Vanderlei Luxemburgo preparou o Flamengo para marcar e contra-atacar.

Formou a linha de cinco no meio de campo com Gabriel na direita e Everton do outro lado.

Além de acompanharem os avanços de Reinaldo e Paulo Miranda, laterais do adversário, foram acionados nos raros lances ofensivos.

Jonas, Canteros e Almir, entre eles, priorizaram a marcação e sequer cogitara, por instrução do treinador e estilo de jogo, a ideia de trocar passes na meia.

Tentativas de desarmar na linha que divide o gramado e ataques pelos lados em velocidade resumiram o 1° tempo flamenguista.

A proposta teria terminado em gol se Rogério Ceni, preciso ao fechar o ângulo, não evitasse que Everton, após receber passe do centroavante Marcelo Cirino, comemorasse.

Não pode depender apenas disso e do apoio dos laterais ao longo do Brasileirão.

O meio de campo, mesmo se não brilhar, precisa ter maior liberdade para jogar e aumentar a capacidade, o repertório, de criação.

O treinador minimizará a falta de qualidade ou de um organizador no setor preparando o time para marcar na frente.

Melhorou muito 

O São Paulo retornou do intervalo com Ganso no lugar de Hudson.

Boschilia recuou para jogar no meio de campo e o meia ficou mais próximo de Luis Fabiano.

O sistema ofensivo melhorou e o de marcação perdeu um pouco de força na direita.

Everton chegou à linha de fundo uma vez, cruzou, e Gabriel, de frente para Rogério Ceni, perdeu ótima oportunidade.

Mérito do goleiro, que mostrou enorme reflexo ao evitar, com a mão direita, o gol.

Luis Fabiano tinha aproveitado uma tabela do lado direito do sistema de criação para chutar, de fora da área, com os marcadores longe dele.

Aos 14, o time fez lance parecido, com troca de passes de Paulo Miranda, Ganso e Wesley, e o centroavante ficou em frente ao Paulo Victor.

Anderson Pico, apesar da dificuldade, conseguiu, em cima da linha, evitar o 1×0.

Aos 23, Ganso tocou mal para Doria, o zagueiro não quis dominar e deixou a bola passar.

Rogério Ceni, atento, de carrinho, ganhou a dividida contra Marcelo e Canteros, no rebote, com o gol livre, de longe, errou o chute.

Wesley desequilibrou com belo passe 

Logo após o lance, Pato ocupou o lugar de Boschilia.

Um minuto depois, Lucas Mugni e Artur Maia substituíram Almir e Gabriel

Vanderlei Luxemburgo queria aumentar a qualidade do passe no meio de campo .

A troca técnica no São Paulo funcionou melhor que a tática.

Aos 28, Wesley deu uma assistência que combina mais com o Ganso, por causa do refinamento e dificuldade, na medida para Luis Fabiano chutar na saída do goleiro.

Marcação na frente 

O Flamengo, que havia adiantado um pouco a marcação antes do 1×0, decidiu iniciar as tentativas de desarmar na área do rival

O técnico do São Paulo, com leitura de jogo precisa, colocou Thiago Mendes no lugar de Luis Fabiano.

Sabia que mais força de marcação no meio seria importante.

Aos 34, Souza recuperou a bola no campo de ataque, tocou para Ganso e o meia deu a tocou para o Pato fazer o gol.

O São Paulo, satisfeito e ciente que a prioridade é o jogo contra o Cruzeiro, recuou para congestionar a entrada da área.

O gol de Éverton 

Eduardo da Silva na vaga de Canteros foi a ineficaz opção de Luxa para otimizar o sistema ofensivo flamenguista.

O time fez o gol no pênalti tolo de Ganso.

Everton, com perfeição, chutou.

Não interferiu no resultado

Achei o lance da bola na mão de Wallace normal. Creio que vários parecidos serão considerados pênaltis ao longo do Brasileirão e se forem adotarei os critérios, que não aprecio, ao comentar os jogos.

O de Ganso, se confirmado o contato do braço dele com a bola, houve. Foi um escanteio mal-executado, curto, que não teve desvio ou alguém perto do meia para dificultar o domínio no peito.

Lucas Mugni, de acordo com o critério adotado no futebol brasileiro, deveria ter sido expulso por causa da ‘agressão’ leve no meia.

Esse equívoco não pesou na definição de qual time pontuou.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Paulo Miranda, Lucão, Dória e Reinaldo; Rodrigo Caio, Souza, Hudson (Paulo Henrique Ganso), Wesley e Boschillia (Alexandre Pato); Luis Fabiano (Thiago Mendes)
Técnico: Milton Cruz

Flamengo – Paulo Victor; Pará, Bressan, Wallace e Anderson Pico; Canteros (Eduardo da Silva), Jonas, Almir (Arthur Maia), Gabriel (Lucas Mugni) e Everton; Marcelo Cirino
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Árbitro: Marcelo de Lima Henrique – Assistentes: Marcelo Carvalho Van Gasse (Fifa-SP) e Clovis Amaral da Silva

Escrito por Vitor Birner às 2:35 Vitor Birner 7 Comentários

7 mai

Corinthians mole, disperso, perde do Guaraní raçudo e forte no jogo coletivo

Copa Libertadores

De Vitor Birner

Guaraní 2×0 Corinthians

Foi a pior apresentação do Alvinegro nesta edição da Libertadores.

Pareceu cansado, desmotivado e disperso.

Até na fase de grupos do paulistinha entrou em campo mais concentrado.

Talvez a soberba gerada por encarar a zebra tenha tomado conta do elenco.

Treinos

Após 12 dias de preparação, a condição física do grupo de atletas deve ter melhorado.

Deveriam iniciar a marcação na área do Guaraní.

Isso tornaria o jogo intenso.

Os treinamentos serviram para Tite ajustar os sistemas defensivo e e ofensivo.

Na prática, o time não mostrou evolução.

Acho que alguns jogadores, por falta de concentração, sequer cumpriram as determinações do técnico e influenciou no rendimento individual deles.

Guaraní foi mais time

Na parte coletiva, a que cabe ao treinador planejar, o Corinthians perdeu a disputa contra os paraguaios.

Fernando Jubero repetiu o esquema tático da fase de grupos.

Escalou Fillipini e Bartoméu nas laterais, com Patiño, Cáceres e Maldonado, três zagueiros, entre eles.

Como a Costa Rica e o México na Copa do Mundo, montou a linha de 5 na defesa, com a possibilidade de quem atua pelos lados eventualmente avançar.

No meio de campo, optou pelo quarteto Benítez – apareceu muito no ataque – e L de La Cruz, abertos, Palau e Jorge Mendoza como volantes.

Santander foi o centroavante.

A proposta mostrou a preocupação em marcar forte e atacar pelos lados.

Tite sabia disso antes.

Não conseguiu neutralizar os lances ofensivos do rival e o Corinthians insistiu em criar pelas congestionadas beiradas do campo.

Tinha que investir nisso, mas ter alguma variação para ser menos previsível.

O jogo coletivo teve momentos de equilíbrio e de superioridade paraguaia.

Individual pior que o coletivo

Cassio falhou no gol.

Santander cobrou a falta em cima dele, no meio, fraco, pois não chutou a bola como pretendia.

O corintiano, de tão fácil que foi o lance, pensou na reposição antes de segurá´la,  pois enxergou a possibilidade de criar algo no lançamento.

Isso o fez perder a concentração na primeira função.

Luciano, mal no ataque e na marcação em frente ao Fabio Santos, fez o padrão de Emerson Sheik e até do Mendoza, titular e reserva da posição, despencar.

Jadson, Elias, Renato Augusto e Guerrero empacaram o setor de criação.

Depois do gol, o time saiu de trás e Fabio Santos acertou a trave.

Como avançou todo o sistema de marcação, Guaraní passou a ter a possibilidade de contra-atacar.

Assim, na jogada com erro de Felipe, Contreras -havia entrado no lugar de Felippini – fez 2×0.

O zagueiro havia se equivocado noutros lances.

O monte de falhas explica a razão de o Guaraní vencer com tranquilidade.

Possibilidade 

O Alvinegro tem qualidade para se classificar na Arena em Itaquera.

Mas precisa se reencontrar com o futebol que jogou nos primeiros em fevereiro e março.

Se repetir o dos jogos contra São Paulo e Guaraní, os dois últimos, dependerá da sorte ou de eventuais equívocos de arbitragem para não ser eliminado da Libertadores.

Ficha do jogo

Guaraní- Aguilar; Filippini (Contrera), Maldonado, Cáceres, Patiño e Bartomeus; Palau, De La Cruz e Mendoza e Benítez (Juan Aguilar); Santander
Treinador: Fernando Jubero

Corinthians – Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Fábio Santos; Ralf (Bruno Henrique) e Elias; Jadson (Malcom), Renato Augusto e Luciano (Danilo); Guerrero
Treinador: Tite

Árbitro: Daniel Fedorczuk (Uruguai) – Assistentes: Nicolás Taran e Richard Trinidad

OBS: não entre em detalhes táticos com profundidade porque precisei repartir a atenção entre o jogo e outro texto que redigi junto.

 

Escrito por Vitor Birner às 1:12 Vitor Birner 101 Comentários