De Vitor Birner
Brasil 2×0 México
Oscilou
Tenho certeza que a seleção brasileira vai oscilar até adquirir entrosamento.
Não sei quantas vezes e nem quando ela terá quedas de rendimento.
No jogo contra o México, isso aconteceu.
O desempenho tanto do sistema ofensivo quanto do defensivo foi inferior ao das partidas diante de França e Japão.
Felipão repetiu a escalação e o posicionamento inicial dos atletas.
As movimentações também foram as mesmas.
Hulk, na direita, Neymar, do outro lado e Oscar, centralizado, formaram a linha de três do 4-2-3-1
Daniel Alves e Marcelo, os laterais, ganharam liberdade de avançar, assim como Paulinho, o volante.
Luiz Gustavo, principal responsável pelos desarmes no meio de campo, e os zagueiros Thiago Silva e David Luiz, foram os únicos que não puderam ajudar na parte ofensiva com a bola rolando.
Necessário
O treinador fez bem ao manter a equipe. Precisa repetir a escalação para ter, ao término da Copa das Confederações, a base do time pronto.
Depois poderá inserir outros atletas e fazer os ajustes.
Não é hora de grandes mudanças. Se quiser fazer alguma, deve se preocupar em não mudar muito as funções de quem continuará entre os titulares.
O maior problema do Brasil é a falta de entrosamento.
Apenas a repetição de jogadores e de suas atribuições em campo resolverá isso.
Bom começo
O início da seleção foi bom.
Pressionou, atacou pelos lados, não permitiu que os mexicanos trabalhassem a bola no meio de campo e fez um gol, aos 9 minutos, no belo chute de Neymar.
Demorou para se acertar
De La Torre escalou o México de forma mais defensiva que na derrota contra a Itália.
Adiantou Flores e Salcido, laterais frente à Azzurra, para o meio de campo.
Pretendia vê-los protegendo Mier e Torres, ambos reservas na partida anterior, e titulares nas laterais mexicanas diante do Brasil.
Zavala, também volante, e Aquino, saíram do time.
O segundo atua no meio, pela direita, e gosta de atacar bastante.
Sem ele, o México jogou com um trio de volantes formado por Flores, Torrado e Salcido.
Assim, Giovani dos Santos pôde ficar mais adiantado, na direita, para tentar usar a fragilidade defensiva de Marcelo.
Guardado fez o mesmo na esquerda. De La Torre queria aproveitar alguma falha de posicionamento, de cobertura, quando Daniel Alves avançasse.
Hernandez foi o centroavante.
Lá pelos 25 minutos, o México se acertou.
O espaço entre as linhas de defesa, meio e ataque diminuiu, aumentou o tempo de posse de bola no meio, e aproveitou o calcanhar de Aquiles brasileira na partida de hoje.
Sempre pela esquerda
O México conseguiu entrar na área brasileira e fazer jogadas de linha de fundo na região do campo em que Marcelo estava.
O madridista jogou mal.
Luiz Gustavo também deixou a desejar. Sofreu para auxiliar o companheiro.
Estourou tudo em David Luiz, que merece elogios pela apresentação, e um pouco menos em Thiago Silva, muito seguro na zaga.
Se Oscar tivesse jogado melhor…
O Brasil poderia encerrar a pressão do México se conseguisse manter mais a bola no meio de campo.
Só que Oscar não jogou nada.
Como Neymar e Hulk atuaram pelos lados, faltou alguém, entre eles, para ajudar nas tabelas e na manutenção da redonda.
A perda da dita cuja na região central do gramado obrigou o Brasil a tomar decisões.
Ou Hulk e principalmente Neymar, do mesmo lado de Marcelo, voltavam bastante e ajudavam na marcação, o que diminuiria a força do contragolpe, ou um deles ficava na frente enquanto o outro recuava, tudo isso de acordo com qual jogador do adversário fosse ao ataque.
Sobrou para Neymar ajudar mais.
Como Oscar estava mal, o rendimento ofensivo do Brasil caiu muito .
Inversão
Felipão inverteu os lados de Hulk e Neymar segundo tempo.
Assim, podia deixar Neymar mais adiantado caso o sistema defensivo brasileiro não se organizasse.
Precisava marcar mais à frente e, tal qual se diz no futebolês, compactado.
Não aconteceu e o treinador tentou outras soluções.
Seguiram a lógica
Aos 14, De La Torre substituiu Flores por Herrera.
Usou a lógica ao utilizar o atleta mais ofensivo do lado de Marcelo, onde o Brasil teve problemas até o fim do confronto.
Aos 16, o desaparecido Oscar saiu e Hernanes entrou.
Felipão tirou quem o pior do meio de campo na partida e colocou o jogador que, em tese, podia parar a bola no meio, se aproximar de Neymar e Hulk, e ajudar a dupla de volantes brasileira.
A seleção teve dois contragolpes logo em seguida, porém falhou na hora de aproveitá-los.
A verdade é que tirante Neymar, ninguém do meio de campo para frente mostrou inspiração.
O Brasil continuou perdendo a disputa no setor e passou a depender de contragolpes.
Aos 32, Hulk saiu, Lucas entrou e nada mudou.
Aos 37, o sumido Fred, vítima da incapacidade brasileira de criar, deu lugar para Jô.
O melhor em campo
Nos acréscimos, depois de os mexicanos darem bastante trabalho aos zagueiros do Brasil e pouco ao goleiro Julio Cesar, Neymar fez bonita jogada individual e tocou para Jô, livre, ampliar a diferença.
Justiça
O resultado foi justo porque a arbitragem não interferiu nele.
No Brasil, todos atletas se esforçaram, não faltou garra, mas tecnicamente apenas os zagueiros e Neymar merecem elogios.
Escalações
Brasil – Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo e Paulinho; Hulk (Lucas), Oscar (Hernanes) e Neymar; Fred (Jô)
Técnico:Luiz Felipe Scolari
México – Corona; Mier, Rodríguez, Moreno e Torres (Barrera); Flores (Herrera), Torrado (Jimenez) e Salcido; Guardado, Giovani dos Santos e Chicharito Hernández
Técnico: José Manuel de la Torre




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