Direitos federativos ?
De Luíz Fernando Bindi
Há muito, têm me intrigado as conversas que falam de “…o clube X quer tanto pelos direitos federativos do atleta A…”. O que seriam “direitos federativos”? Seria uma entidade jurídica real ou uma invenção da categoria “cavalo paraguaio”?
Não é uma invenção. Mas é uma coisa que não existe de fato.
Leiam o esclarecedor texto de Domingos Sávio Zainaghi, publicado na Revista Consultor Jurídico e no site Domingos Sávio Zainaghi Advogados.
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Expressão incorreta. Não existem direitos federativos entre atleta e clube Não raras vezes lemos e ouvimos de jornalistas, dirigentes de clubes de futebol e até de atletas, que os “direitos federativos” do jogador fulano pertencem ao clube X, ou ao empresário Y, ou, ainda, parte a um e outra parte ao outro; também que o atleta é detentor de 100% de seus “direitos federativos”, e até já tivemos notícias que “50% destes pertencem a um clube e os outros 50% ao pai do jogador”. Pois bem. A confusão informativa narrada nos animou a escrever este artigo.
Com o advento da Lei nº 9.615/98, o passe deixou de existir nas relações trabalhistas entre clubes e atletas. O passe era definido pelo artigo 11 da Lei nº 6.354/76, como “a importância devida por um empregador a outro, pela cessão do atleta durante a vigência do contrato de trabalho ou depois de seu término…” (artigo revogado expressamente pela lei nº 9.615/98).
Tínhamos até então, uma situação sui generis nas referidas relações jurídico-trabalhistas, ou seja, após o término de um contrato de trabalho, o atleta-trabalhador só poderia firmar novo contrato de trabalho com outro clube, caso seu antigo empregador lhe concedesse o atestado liberatório.
Como já afirmado, tal figura não existe mais no direito brasileiro, pois o artigo 28 da lei nº 9.615/98, assim prevê em seu parágrafo segundo:
Art. 28. A atividade do atleta profissional, de todas as modalidades desportivas, é caracterizada por remuneração pactuada em contrato formal de trabalho firmado com entidade de prática desportiva, pessoa jurídica de direito privado, que deverá conter, obrigatoriamente, cláusula penal para as hipóteses de descumprimento, rompimento ou rescisão unilateral.
§ 2o O vínculo desportivo do atleta com a entidade desportiva contratante tem natureza acessória ao respectivo vínculo trabalhista, dissolvendo-se, para todos os efeitos legais:
I – com o término da vigência do contrato de trabalho desportivo; ou
II – com o pagamento da cláusula penal nos termos do caput deste artigo; ou ainda
III – com a rescisão decorrente do inadimplemento salarial de responsabilidade da entidade desportiva empregadora prevista nesta Lei.
Logo, com o término do contrato de trabalho extingui-se o vínculo desportivo, não havendo mais a figura do atestado liberatório.
Pelo que estamos ouvindo e vendo, a expressão “direitos federativos” seria sinônimo de vínculo desportivo, o qual só existe durante a vigência do contrato de trabalho mantido entre clube e atleta.
Ocorre que, ainda que seja um nome popular para designar o vínculo desportivo, este não pode jamais pertencer a um particular, isto é, o vínculo desportivo é acessório do contrato de trabalho e este só pode ser celebrado entre clubes e atletas, consoante as Leis nº 6.354/76 (art. 1º) e nº 9.615/98 (art. 28, supra):
Lei n. 6.354/76
Art . 1º Considera-se empregador a associação desportiva que, mediante qualquer modalidade de remuneração, se utilize dos serviços de atletas profissionais de futebol, na forma definida nesta Lei.
Ora, se o contrato de trabalho só pode ser celebrado entre atleta e clube, e se o vínculo desportivo é acessório daquele, conclui-se sem muito esforço que este “pertence” apenas aos clubes.
Destaca-se o “pertence”, pois este termo também, ainda que amplamente utilizado, não parece apropriado.
Hoje, com o diploma legal de 1998, o atleta poderá a qualquer momento rescindir seu contrato de trabalho, desde que pague uma multa previamente prevista no referido contrato.
A multa acima referida está prevista no artigo 28,§3º da Lei nº 9.615/98.
Art. 28
§ 3o O valor da cláusula penal a que se refere o caput deste artigo será livremente estabelecido pelos contratantes até o limite máximo de cem vezes o montante da remuneração anual pactuada.
Ainda que a multa possa alcançar valores exorbitantes, fato é que o atleta pagando-a, terá seu contrato rescindido podendo trabalhar para quem desejar.
De qualquer maneira, poderão existir contratos de natureza civil, onde um clube e uma empresa ou até mesmo uma pessoa física, acordem que assumirão a multa a ser paga pelo atleta no caso de uma rescisão, mas jamais poderão declarar-se detentores dos “direitos federativos” de um atleta, conforme explanação supra, e, portanto, não detêm a força de trabalho de um atleta.
Podemos concluir que o correto seria que os envolvidos no assunto (clubes, atletas, dirigentes, jornalistas etc.) falassem em vínculo trabalhista e não “direitos federativos”.



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na teoria, e na pratica??? e a proibiçaõ da fifa para que agentes detivessem os direitos de jogadores e apenas os clubes poderiam tê-los?
Comentário por Lucas — 08/01/2008 @ 7:57
Bom artigo. Quando fui estudar um pouco o direito desportivo, também percebi que teoria e a prática andam a km de distância no futebol brasileiro. Na prática (e estes contratos são cumpridos), ainda existem algumas reminiscências do antigo “passe”. A desinformação é generalizada. Aliás, e infelizmente, coisa mais comum é agente de futebol que recebe os “direitos econômicos” (pra não dizer “direitos federativos”) do atleta para supostamente arcar com despesas do atleta. É uma pena. Se eu fosse o julgador, anularia todos estes contratos.
Enfim, parabéns pelo artigo.
Comentário por Leonardo — 08/01/2008 @ 9:10
Falou falou e não disse. Só muda o termo usado.
Comentário por Vinicius — 08/01/2008 @ 13:03
O problema é que na prática alguns empresários são donos de clubes obscuros, como o Juan Figger e alguns clubes-fantasma uruguaios, e, assim, conseguem vincular os direitos federativos desses atletas a tais clubes, como uma forma de burlar a legislação. Pra tudo esses caras dão um jeitinho…
Comentário por Serginho Laurindo — 08/01/2008 @ 13:41
Por isso o Luxemburgo está comprando um clube de futebol federado em Sta Catarina.O engraçado é que:Juvenal Juvencio,Aidar,Del Nero e tantos outros excelentes advogados já devem saber sobre êsse assunto há milênios e deveriam morrer de rir com as crônicas dos “experts ” esportivos.
Comentário por luiz Roberto vidal — 08/01/2008 @ 14:28
Conheço um Empresário (dono de Empresa) que quer investir em um determinado clube da região, ele será indicado por mim, ou seja, intermediarei a parceria.
Pergunto:-
1) Posso em todos os contratos que fizermos, com os jogadores, estipular uma multa de 100 vezes seu salário, ok (entendi) e, caso outro clube o contratte, eu posso determinar, que eu como pesso física (empresário), terei uma porcentagem sobre esta multa??? Exemplo:-
40% o Parceiro
30% o Clube
30% eu Francisco Carlos
Comentário por Francisco Carlos — 23/06/2009 @ 22:44
Sou pai de um garoto de 16 anos,fizemos um contrato com um clube pofissional de MG até o dia do aniversario do meu filho em 2011,onde ele completará 18 anos.
Gostaria de saber,como ele nao tem empresario,se eventualmente ele for vendido a outro clube,ele como jogador teria 15 % do valor negociado,e eu como pai e administrador da carreira dele,teria como exigir uma participaçao tambem nos ganhos?
Comentário por Osvaldo Cruz — 16/11/2009 @ 10:39
por que é tão difícil obter informações claras de pessoas que querem iniciar essa pratica de “fazer” novos craques ? qual é o caminho correto de poder oferecer jogadores a clubes sem ser ludibriadosa por espertalhões?
Quais são os passos para ser um “empresário de jogador de futebol? Gopstaria que desse-me respostas objetivas sem embromação.
Comentário por grauben patricio menezes — 26/01/2010 @ 12:36
Tenho uma dúvida e quero muito que que a responda , por exemplo , minha irma foi chamada para jogar em outro clube , mas o clube no qual ela joga , esta querendo direito federativos sob ela , disse que ela so poderia sair da instituiçao para ingressar a outra se fosse pago o tal direto federativo , que seria em torno 10 mil reais .. ela joga volei , tem menos de 18 anos, o cluba que a chamou nao é fora do pais , mas ela esta federada pela escola na federação do estado , em que reside ,
Essa taxa realmente é nesse preço ?
A escola realmente pode cobrar essa taxa para a instituiçao que quer a contratar ?
Caso aa resposta das perguntas de cima forem sim, tem como ela nao pagar essa taxa ?
Muito obrigada , aguardo uma resposta !
Comentário por lessy — 12/02/2010 @ 20:57