21 abr

Dois Anos sem o Mestre Telê

Geral

 De José Renato Sátiro Santiago Jr.

Hoje faz 2 anos que o futebol brasileiro perdeu o seu grande Mestre.

Telê Santana nos deixou. Desde então nós que gostamos de futebol ficamos orfãos.

Segue texto que publiquei pela primeira vez em 21 de abril de 2006, quando que ele partiu.

Meu Querido Mestre

Sou engenheiro e desenvolvi toda minha vida profissional alinhado com muito dos preceitos morais de minha família, que sempre valorizou muito fortemente a moral e, sobretudo a honestidade sobre todas as ações que deveria desenvolver.

Desta forma pode parecer estranho identificar uma importância tão grande e um querer bem tão intenso com relação a alguma pessoa, com quem você nunca teve contato. No entanto, da mesma forma que houve uma enorme consternação popular, e até mundial, com relação ao nosso inesquecível Ayrton Senna e seu trágico desaparecimento em 1994, eu me sinto completamente abalado com a morte de Telê Santana.

Mesmo sem saber sequer da minha existência, Telê exerceu forte influência em minha vida, apaixonado que sou por futebol desde os primeiros anos de minha vida, algo que trago principalmente do meu avô, Felipe, e do meu pai.

Durante a Copa de 1982, quando tinha 11 anos, eu tinha Telê como aquele Anjo que traria “para mim” o título mundial, naquela época aquilo era tudo o que eu queria.

A perda daquele título me fez chorar pela única vez por causa do futebol, o que bem lembro foi motivo de crítica de pessoas da minha própria família que não enxergavam importância alguma naquilo. Talvez eles tivessem razão, no entanto a única coisa que me consolou foi ouvir a voz de Telê após aquela derrota.

Cerca de 10 anos depois, eu estava no Morumbi, nas semifinais da Taça Libertadores no jogo entre São Paulo e Barcelona, do Equador, quando aquela relação de cumplicidade com este solene desconhecido se aflorou novamente, no momento que um jogador chamado Rinaldo, que atravessava uma fraca fase técnica, fez um gol, depois de jogada ensaiada, e correu para agradecer Telê. O Morumbi não estava cheio, e aquela cena me chamou mais atenção que tudo, pois mostrava o quando aquele Senhor era querido como pessoa, em um meio tão discutível como era o futebol já desde aquela época.

Obviamente que como são-paulino me recordo sempre de toda alegria que Telê ajudou a trazer a partir dos títulos conquistados pelo meu time, no entanto, assim como muitos deixaram de assistir as corridas de fórmula 1 após a morte de Senna, também deixei mesmo que instintivamente, a ir aos jogos do São Paulo , após seu afastamento em 1996. Claro que não deixei de ser são-paulino, no entanto parece que desde aquele momento todos nós torcedores tricolores ficamos meio órfãos.

Lembro que naquela época Telê passou a ter uma coluna em um jornal aqui em São Paulo . Mais ou menos próximo do problema de saúde que teve, mandei um e-mail para ele, pedindo que só voltasse a trabalhar quando tivesse com sua saúde restabelecida. Possivelmente ele nunca recebeu esta minha mensagem, no entanto a minha torcida, mesmo que de longe e de um desconhecido, sempre foi para o seu bem estar, como uma humilde forma de agradecimento pelo que ele representou na formação de um desconhecido como eu.

Hoje todos nós, torcedores brasileiros, também estamos órfãos.  

26 respostas a Dois Anos sem o Mestre Telê

  1. Núbia disse:

    VALEU, TELÊ!!!

  2. Raja disse:

    O tele era um cara legal, mas em alguns momentos, como por exemlo na estreia do Brasil na Copa de 82.

  3. elê disse:

    Sou torcededora do São Paulo há muito tempo mas obviamente os laços se fortaleceram com a era Telê. Os torcedores das outras agremiações parecem não compreender a relação que nós Sãopaulinos temos com este mal-humorado, chato, sempre irritado homem. Já ouvi muita gente insinuando que nossos principais ídolos eram um treinador e um goleiro e que isso era ridículo. Definitivamente, meu principal ídolo no São Paulo é o de uma figura humana – de honestidade, caráter e idoneidade – isso não se vê sempre, infelizmente. Azar o das outras agremiações se elas não os têm.
    Telê significou muito mais como figura humana do que como mero treinador – treinadores passam, o ser humano fica. Entendam isso caros torcedores. É esse o laço que ficou entre Telê e os Sãopaulinos, saibam eles ou não – se para alguns ficou pelos títulos, pelas vitórias, para mim ficou pelo cidadão que não desistia, que insistia sempre. Que sempre procurava fazer da vida dele, a vida do time. Sou sim, orfã e viúva do Telê, infelizmente.
    Também chorei na copa de 82 e também foi a primeira vez que chorei por causa de futebol. Coincidentemente, parei de torcer pela seleção depois de 86. Por que será?
    Ontem, no jogo entre São Paulo e Palmeiras, 15 minutos foram suficientes para que eu fosse me preocupar com outras coisas. Onde estava aquela alegria, aquela intensidade que tanto era desejada e demonstrada pelo grande Telê? Nào vejo mais isso no futebol. O futebol de hoje me entristece.
    Não acredito em azar, acredito em casualidades, por isso, seu grande "pé frio" foi só uma grande coincidênica. Não era a hora, não era o momento. Como que por mágica, seu momento foi no São Paulo.
    Sua morte deixou um grande vazio, não só aos Sãopaulinos, mas a todos aqueles que acreditam na ética, na vontade de vencer sem passar por cima dos outros e de que até mesmo os medíocres podem ter o seu lugar ao sol se tiverem o professor certo.
    Abraços,

  4. deborah disse:

    Atrás de todo engenheiro, há sempre uma alma sensível.

    Lindo texto, Zé Renato!

    Obrigada por compartilhar conosco um pouco da tua bela alma, de teus princípios morais, de tua encantadora sensibilidade e esta tua linda homenagem ao grande Telê Santana.

    beijo, com admiração sincera.

  5. Cris Sato disse:

    José Renato,

    adorei o seu texto!!
    Você conseguiu descrever muitas das emoções que eu também tive em relação a Telê Santana.

    82 foi marcante, lembro de meus irmão e eu acompanhando a Copa e também chorando muito por causa daquela derrota. E chorávamos por nós, por aqueles atletas tão talentosos e por Telê, que tanto admirávamos.

    Telê nos conquistou pelo profissional que era, mas principalmente pelo que ouvíamos falar em relação a seu caráter e princípios. Homem como poucos, me orgulho muito dele ter sido por tantos anos técnico do meu time de coração!!!!

    abraços e muito obrigada por republicar seu texto!!

  6. Eric disse:

    Antes de chegar ao SPFC, ele tinha o estigma de “pé-frio” e foi no SPFC onde ele teve sua redenção e o reconhecimento como gênio que foi.

    Em troca da oportunindade, ele nos deu nossos melhores anos e o São Paulo do Telê entrou para um grupo em que estão o Santos do Pelé, o Botafogo do Mané, o Palmeiras da Academia e o Flamengo do Zico.

    O SPFC talvez jamais consiga retribuir o que ele nos deu. Pra começar, deveriam erguer uma estátua no Morumbi.

    Obrigado Mestre e que Deus o abençoe!

    Fiz esse video em homenagem ao SPFC e o Telê:
    http://www.youtube.com/watch?v=pnOYp683HbE

  7. leonardo disse:

    Parabens, Zé Renato, pela lembrança, pela homenagem, p/ este EXTRAORDINÁRIO TECNICO, HOMEM, ESPOSO, PAI E CONSELHEIRO DOS JOVENS JOGADORES (que diga Cafu, Vitor).

    abrçs, leonardo.

  8. Carlos Henrique disse:

    Parabéns, Zé Renato.

    Um texto digno de ser aplaudido de pé!

  9. Alexandre disse:

    Saudade do Telê, faz muita falta no futebol de hoje, com sua inteligência, gosto ao bom futebol e respeito ao adversário.

  10. Luiz Antonio disse:

    Acho que Telê, ao lado de Cilinho, foram os grandes técnicos, realmente técnicos, do futebol brasileiro.

    Entretanto, Mestre, não foi. Ou, se foi, o foi mau.

    Pois não foi Telê quem formou Murucy? Quem formou o técnico do SPFC pode ser chamado de grande mestre?

  11. José Renato disse:

    Olê Olê Olê Olê Telê Telê

  12. José Renato disse:

    Telê é o máximo

  13. José Renato disse:

    A morte de Telê deixou um vazio para todos que gostam de futebol

  14. José Renato disse:

    Obrigado por sua mensagem. Confesso que chorei duas vezes por causa de futebol, uma na eliminação em 82 e outra na perda do Mestre

  15. José Renato disse:

    Obrigado por compartilhar dos mesmos sentimentos…um abraço

  16. José Renato disse:

    Nenhuma homenagem é digna o suficiente para o grande Mestre

  17. Fabiana disse:

    Puxa! Linda homenagem ao mestre Telê, para mim havia uma química perfeita entre são paulo e Telê, ele trouxe magia ao futebol, eu como torcedora do São Paulo só tenho agradecer a passagem de Telê pelo meu tricolor.

  18. Raja disse:

    Na estreia do Brasil na copa do mundo de 82 o tele tirou o melhor ponta direita do Brasil, que era o Paulo Isidoro e escalou o Dirceu na ponta direita! Esse Dirceu era um ponta esquerda recuado, a enceradeira das enceradeiras, era uma invenção do Zagalo, e o tele desmontou o melhor ataque do mundo (Paulo Isidoro, Zico, Serginho Chulapa e Éder) e escalou o Dirceu. Nome disso? Medo. Na copa de 86, o titular do meio campo do Brasil era o Elzo, jogador do tele. Lembram-se? As torcidas canatavam em coro para o tele: burro!, burro! Lembram-se?

  19. José Renato disse:

    Obrigado, mas nenhum texto é digno suficiente…quando o assunto é Telê…um abraço

  20. José Renato disse:

    Concordo 100% com vc…um abraço

  21. José Renato disse:

    Desculpe-me mas na minha opinião não é possível colocar Cilinho nem próximo de Telê, apesar do grande time de 85…um abraço

  22. José Renato disse:

    Sobre 82, cabe ressaltar que Cerezo estava suspenso para aquele primeiro jogo. Telê escalou Dirceu no primeiro tempo e sacou-o no segundo. Paulo Isidoro entrou. Dirceu não jogou mais naquele copa. Paulo Isidoro não começou nenhuma partida daquela copa…o titular era Cerezo

  23. José Renato disse:

    É um orgulho que só nós são-paulinos temos…um abraço

  24. Daniela disse:

    Que ótima lembrança!!!
    Em meio a essa situação toda que vive o nosso país, também o futebol brasileiro com suas mazelas, dando-nos cada vez mais a certeza de que não devemos mesmo ir a estádio de futebol presenciar fatos ridículos como este que ocorreu no Parque Antártica com equipes vivendo uma rivalidade sem razão fora de campo, com espírito de vingança, só mesmo lembranças como a do MESTRE TELÊ para nos fazer sorrir.
    Belos tempos em que víamos exemplos como o dele, trabalhando em prol do verdadeiro espetáculo, o futebol-arte.
    Telê, com certeza, vai ficar prá sempre na lembrança de todos aqueles que amam o futebol limpo, bonito de se ver, que respeita o torcedor.
    MESTRE TELÊ, OBRIGADA POR TUDO QUE NOS PROPORCIONOU, ACIMA DE TUDO POR SEU EXEMPLO DE VIDA.

  25. José Renato disse:

    sem dúvida…um abraço

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