A fila e a fila
O texto é de Leandro Iamin, 23, palmeirense, leitor do blog e como ele mesmo ressalta, cidadão.
Vale a pena ler.
No tratamento de gado, comum para quem tenta assistir às partidas decisivas dos grandes times brasileiros, muitas coisas passam na cabeça dos personagens anônimos que dão vida ao futebol.
Como sempre repito.
Se estiverem em campo, Pelé, Maradona, Garrincha, Zico e mais 20 craques da história do futebol, todos no auge e fazendo tudo que podem, mas ninguém parar para assistir, aquilo não vale nada. O futebol tem gigantesca representatividade pela reação que gera nos fãs e não pela plástica do jogo.
De Leandro Iamin
Quando eu saí da fila, já estava nela fazia 15 horas e 20 minutos. vi assédio sexual, desmaio, fura-fila, sócio humilhando o povo. Não consegui ingresso para Palmeiras e Ponte Preta.
Quando eu saí da fila-tumulto, suado e com náuseas, quase não fui buscar meu ingresso garantido, em respeito ao povo que fracassaria como eu fracassei. Tenho amizade com a presidência de uma “importante” torcida organizada, em razão de tratar com eles sobre Carnaval, e por isso engrosso a lista das “heterodoxas” entradas vendidas.
Mas se eu já tinha ingresso garantido, porque foi que eu fiquei quinze horas na fila? Quando eu saí da fila, em 1993, com 8 anos, meu padrinho foi atrás de um ingresso para eu ver Palmeiras e Corinthians. Conseguiu. E eu não seria o mesmo, jamais, se tivesse faltado.
Quando eu entrei na fila, era por ele, que hoje tá cansado demais para tal heroísmo. Ele não pediu, e nem era dele o primeiro ingresso que por ventura eu conquistasse.
Era por um menino palmeirense, de 7 anos, de São José dos Campos, que eu estava na fila. Fizeram por mim, eu queria fazer por ele. Quando eu entrei na fila era pra que ele visse o Palmeiras sair da fila.
Fui sozinho ao jogo, assisti sozinho, fui embora sozinho. O reencontro com a glória veio suave. Nada de euforia, pois fiquei leve. Nada de pranto, já que eu só chorei criteriosas lágrimas ao lembrar de papai e vovô, ambos no céu. A esperada cerveja do lado de fora, troquei por refrigerante. Os abraços em casa foram recebidos com certa frieza de minha parte, que sequer me debulhei como imaginava, ao colocar no som o tema de “O Poderoso Chefão”. No dia seguinte, só senti vontade de escrever algo após ler as letras de outros esmeraldinos, que choraram por Marcos, ou estiveram com seus filhos.
Ainda peno para assimilar que a via crucis virou circo. Que foram, afinal, 8 anos em que eu virei adulto sem ser campeão. Que esta taça, ora ora, merece festejo, e eu estive apagado no serviço, segunda-feira. Nem parece que eu tanto esperei por esse dia.
Não é que a derrota seja mais intensa que a vitória, e também soaria como despeito se eu dissesse que gosto mesmo é dos Palmeiras x Ituano em quintas chuvosas. Não é porque a final foi fácil, nem porquê eu desaprendi a comemorar.
Eu perdi muito ao lado do Palmeiras e hoje sorrio com moderação, em respeito a tudo que sofri. Tenho medo de ser mal ganhador, já que sei que sou pós-graduado em decepção. Mas também não acho que seja só por isso.
Acontece que a Rua Turiassu, onde queria pisar campeão, estava fechada pra mim, e aberta para os violentos. Ainda não passara a mágoa que senti de ver sócios abonados chacoalhando ingressos para o povo espremido. Ainda me frustra saber que abri mão de ir pra Campinas, porque a deliciosa atividade de ir ao estádio, seja como for, deixa as mães e as noivas com o coração na mão.
Muita coisa se acumula, se sobrepõe na história de um menino-homem com seu time. Falava, sem convicção, nesses 8 anos de fila, que ser campeão não era o maior bem de um coração que ama.
Agora fui. Mas minhas convicções ainda estão sob júdice. Tenho de um lado a solidão, o desencanto, a saudade do vô, do pai, a tristeza pelo moleque não estar no estádio. Do outro, Marcos, Valdívia, 5×0, o Palmeiras que afinal é o gigante de sempre. Estou no meio disso, e também não sei se isto explica minha alegria contida.
Faço parte de uma classe chamada “torcedor”, e por pertencer a ela, vou aos jogos o todo tempo, seja de meu time ou não. Sou jornalista, filho, sou cidadão.
E é como se eu ainda não tivesse saído da fila.



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O que me irrita nesses textos (de pessoas que sofreram nos estadios) eh a total falta de auto-critica. A muitos e muitos anos o servico prestado nos estadios eh horrivel. Considerando que o escritor ja sabia disso antes de tentar comprar o ingresso (o que eh bem razoavel) ele tambem tem um pouco de culpa e deveria reconhecer isso. Dizer que por isso ele merece o servico que recebe eh um exagero. Mas o torcedor, que mesmo sendo tratado como gado, continua indo aos estadios nao eh totalmente inocente.
Comentário por Andre — 09/05/2008 @ 4:20
Birner:
Fica para voces da midia esportiva a obrigacao de citar o nome da empresa que comercializa todos ingressos de eventos do futebol profissional em SP (acho que se chama BWA). Eles sao culpados por essa vergonheira toda. Estao com certeza ganhando muito com isso. Se houvesse mortes na Turiassu, essa empresa seria culpada diretamente.
Como tambem poderiam dar mais detalhes dessa Traffic, que um antigo reporter de campo conseguiu na calada da noite transformar em imperio que hoje eh DONO do palmeiras. Isso me cheira a outro Berezovski e Kia Jorabchian, mas em versao tupiniquim.
Comentário por marcelao — 09/05/2008 @ 8:23
Sou botafoguense, tenho 45 anos e passei quase a metade da minha vida esperando meu time ser campeão, sofri muita chacota, mas não desisti do Botafogo. Hoje, meu filho tem 4 anos e não sei se o incentivo à paixão alvinegra. Acho que não tenho coragem e se ele seguir essa paixão será pelo exemplo de pai e avô do mesmo modo que o Leandro Iamim.
Concordo com ele, a minha alegria pelas glórias recentes do Botafogo sempre esbarram nos desencantos com as “coisas que só acontecem ao Botafogo”.
Salve o Palmeiras, campeão que só botafoguenses conseguem entender!
Comentário por Adelino Pereira — 09/05/2008 @ 8:56
Como é bela a língua portuguesa……!!! Como emociona se bem, com inspiração e talento, utilizada….!!!
Parabéns ao Leandro pelo inspirado texto e pela frase: “…….hoje sorrio com moderação, em respeito a tudo que sofri”. Acho que diz muito a muitos bons torcedores, adoradores de suas agremiações, sem fazer parte de grupos violentos, recalcados.
A você, caríssimo e admirado Victor, devo dizer que discordo de: “O futebol tem gigantesca representatividade pela reação que gera nos fãs e não pela plástica do jogo”.
Adoro o jogo e sua plástica. Não há nenhum espetáculo plástico, vivo, tão belo e tão inspirador do talento humano. Não fosse por outra coisa, pela beleza improvisada, impossível de ensaiar. Cada jogada é diferente. Cada jogo uma história, muitas vezes, surpreendente.
Por isto, revolto-me contra técnicos que enfeiam o espetáculo, em nome de suas mesquinhas vitórias e conquistas baratas, só admiradas pelos “violentos”, que saem depredando, em comemoração.
Comentário por Luiz Antonio — 09/05/2008 @ 9:15
Caro Leandro, seu relato é generoso e um exemplo de que a paixão pode ser algo muito mais interessante se medida por raizes dignas de filiação e solidariedade. Valeu, cara!! Abraços de um corinthiano igualmente respeitoso do que a vida nos ensina.
Comentário por Julio Rubinstein — 09/05/2008 @ 10:28
Olá Leandro e Virner,
Parabéns pelo post, muito útil. Sou são-paulino mas tb tenho me sentido assim. A sensação de assistir a um jogo no estádio é única. Porém, o modo como o torcedor é tratado é desestimulante. Estive no Morumbi nos dois últims jogos da Libertadores (Atlético Nacional-COL e Nacional-URU) e tive problemas para entrar no estádio. A Polícia segura a entrada dos torcedores na arquibancada azul, o que tem causado tumulto no portão de acesso. Vi mulheres, idosos e crianças ficarem prensados na grade para poderem entrar no estádio. Tudo isso realmente me faz pensar se vale a penar ir ao estádio. Um abraço!
Comentário por Erik Rodrigues — 09/05/2008 @ 10:50
Obrigado por um texto tão esclarecedor e universal, que expõe o sentimento de perplexidade e frustração do verdadeiro torcedor do futebol brasileiro, futebol que se entrelaça com nossa história pessoal, com nossos pais, padrinhos e amigos… Estupidez e arrogância, no lugar de uma rivalidade saudável, tolerante e divertida, é o que parece se sobrepor, frustrando a alegria que gostaríamos de sentir e desfrutar, seja ela pela conquista de um título ou por uma simples vitória, numa daquelas quintas chuvosas a que você se refere. Grande abraço.
Comentário por Luiz Franco — 09/05/2008 @ 11:08
Amigos,
Acessem ao blog “http://futeboldebotao.wordpress.com” e vejam como um “gringo” enxerga nosso futebol.
Um colaborador do Blog convidou um amigo inglês para ir assistir ao jogo do São Paulo na última quarta-feira no Morumbi. Acessem e vejam o relato e a visão interessante de alguém de fora.
Quantos pecados cometemos todos nós. É para pensar.
Abraços ao Birner,
Marcio Parra
Comentário por Marcio Parra — 09/05/2008 @ 11:41
Em 77 eu tinha 8 anos, como o Leandro em 93. Fui levado ao Morumbi pelo meu avô. Que faleceria 5 dias depois. A minha fila durava 8 anos, a dele quase 23 anos. Mesmo vendo meu time de coração sendo campeão tantas outras vezes, nenhuma foi igual ou será parecida a aquela. Gol chorado do Basílio e explosão de alegria e fim de um longo “sofrimento” de meu avô. Festa na Paulista, muita festa na Paulista. Lembro de ter sido colocado em cima de uma banca de jornal próxima ao prédio da Gazeta. E lá fiquei por muitas horas.
O texto do Leandro exprime o que acontece com a maioria dos torcedores. Talvez devido à violência das torcidas, talvez devido às falcatruas das diretorias – hoje muito mais evidentes e asseciveis devido à rapidez da internet.
Qualquer torcedor, de qualquer time, pode copiar este texto e apenas trocar o nome do Palmeiras pelo do seu time de coração. O sentimento é o mesmo.
Comentário por Tadeu Montealegre — 09/05/2008 @ 11:56
Excelente texto o do Leandro! Não há como não fazer não vir à lembrança comparações com um atleticano que ontem foi ao estádio levar a noiva e, apesar de estacionar 45 minutos antes do jogo começar, só conseguiu sentar na arquibancada aos 10 minutos do primeiro tempo. Tudo porque um órgão chamado ADEMG – Administração dos Estádios de Minas Gerais (o Mineirão é o único estadual) resolveu fazer os 46 mil torcedores presentes ao local se expremerem em 4 portões de 2 portas cada um (e mais estreitas que a de um ônibus) para entrarem no estádio. Se o mesmo acontecesse num restaurante, shopping, cinema ou bar, nós voltaríamos ao local com esse tratamento? Não é pelo futebol de 0 a 0 apresentado, mas não compensa correr o risco nem se as equipes tivessem o melhor elenco do mundo.
Comentário por Rodrigo Fonseca — 09/05/2008 @ 12:38
Peço ao André, autor do primeiro comentário postado acima, que nos esclareça melhor sua opinião. A nossa culpa é continuar indo aos estádios? Qual é a sua sugestão? Desistir?? Suspeito sempre da postura de “boicotar” para resolver. Ganhar pela presença e pela insistência me parece mais corajoso!
Comentário por Luiz Franco — 09/05/2008 @ 13:09
Vitor,
o que passou Leandro e mais tantos milhares de palmeirenses foi o extremo de uma situação corriqueira hoje em dia nos estádios.
Olha a saga para ir ao Morumbi e eu já fui muuuito de arquibancada:
- invariavelmente há filas longas e demoradas nos estádios para a compra de ingressos e ao mesmo tempo (mistério!!!!) centenas de ingressos sobrando nas mãos dos cambistas
- e se, depois de amargar um tempão nas filas, vc conseguir comprar um, ainda terá que enfrentar o dia do jogo
- se vc tiver carro, vai ter que enfrentar o trânsito para chegar ao estádio, procurar vaga para estacionar e ainda vai pagar muito caro por isso. Agora pior ainda é se tiver que usar transporte público, não há metrô até o Morumbi e os ônibus que seguem até o estádio são poucos e estão sempre lotados. E na saída é ainda pior, é fácil ver um mar de gente caminhando até a Francisco Morato ou Marginal Pinheiros
- daí vem a fila até os portões abrirem, a fila da revista, a fila da catraca e nem assento marcado você vai ter.
- quer ir ao banheiro? mais um sofrimento, banheiros sujos (muitas vezes inundados), sem papel, sabonete, cesto de lixo. Ah, mas com fila, de novo.
Só que assistir um jogo no estádio é das melhores sensações que existem. Deixar de ir não é a solução, o jeito é reclamar, chamar a atenção para o problema como fez o Leandro. Quem sabe assim, um dia, o melhor futebol do mundo passe a oferecer o melhor serviço do mundo para o seu torcedor!!!!
beeeeijo
Comentário por Cris Sato — 09/05/2008 @ 14:06
Nossa muito bom o texto. O futebol brasileiro fica cada dia mais chato, só se falam de brigas , lances polêmicos, guerra de bastidores e confusões na venda de ingressos. Se fala pouco de futebol, futebol que eu digo aquele com lances bonitos, golaços , dribles que deixam zagueiros no chão. É triste , mas temos que tentar mudar isso. O torcedor brasileiro merece respeito, seja ele corintiano, santista, palmeirense ou são paulino(meu caso). Falta coragem das diretoria do clubes em assumir essa falta de organização nas vendas de ingressos para grandes jogos. Tenho medo , de quando mais velho não poder levar meus filhos aos grandes jogos do São Paulo F.C. As mesmas emoções que senti nesses jogos quero que eles sintam também, mas a cada dia que passa menos pessoas vão aos estádios com suas famílias. Realmente, o futebol está cada dia mais sério e chato.
Comentário por André Pinheiro — 09/05/2008 @ 14:25
Passar pela fila chacoalhando ingressos…
Isso sim é o espírito de porco.
Com o perdão do trocadilho.
Comentário por João Henrique Levada — 09/05/2008 @ 14:31
Ótimo texto. Exprime muito bem os sentimentos de todos os palmeirenses que queriam ter ido aos jogos, mas que como não fazem parte de conluios foram rejeitados para entrar ao Pq Antartática que a muitos anos prefere os vandalos das organizadas do que os verdadeiros torcedores que compram as camisas oficiais, vão ao estádio mesmo sabendo das péssimas condições, mas ainda assim tem verdadeira paixão em frequentar o Parque, pois não existe nada mais emocionante no futebol que presenciar ao vivo a vitória do seu clube.
Comentário por Migliano — 09/05/2008 @ 14:39
Leandro, parabéns pelo texto.
Comentário por Monica — 09/05/2008 @ 14:42
André. Tem uma coisa que impede de deixar os estádios: paixão.
Sou corintiano, sofredor por excelência como todo torcedor que pega ônibus, perde o último na volta para casa, fica horas na luta por um ingresso e só consegue pensar numa coisa: o próximo fim ou meio de semana, aqueles noventa minutos onde a fila, o ônibus, o cambista, as brigas, nada importa.
Parabéns ao Leandro pelo texto. Creio que se nós, torcedores de todos os clubes, tivéssemos uma união e organização maior, seria possível lutar pelos nossos direitos.
Comentário por Rafael Molina Pacheco — 09/05/2008 @ 15:49
texto muito bom. emocionante até. mas, o missivista há de lembrar que em 94 era muito pior, e quem vai a gdes shows no brasil, não passa por situação mto diferente.
é triste mas é a realidade.
ab.
Comentário por Tarso Loureiro — 09/05/2008 @ 16:32
Pois é. Incrivel o que se passa no “país do futebol” para acompanhar jogos importantes.
Estou absolutamente familiarizado com as situaçoes apresentadas pelo Leandro. Dá muita vontade de curtir um jogo no estádio. O clima do jogo, o barulho da torcida, a emoção ímpar de um gol…
Parabéns Leandro. Lindo texto. Sou são-paulino, nem por isso tenho experiências diferentes pra contar.
Sua alegria contida nada mais é do que chateação externada! Solidarizo e acredito que não conseguiria comemorar nem uma Libertadores se visse sócios abonados tirando um sarro de gente menos abastada espremida numa fila. Isso nao combina nem com a cordialidade tradicional entre torcedores do mesmo time.
No mais, nos resta agradecer a jornalistas como o Birner que publicam manifestações civilizadas como essas.
Abraço a todos.
Comentário por Luiz Corá — 09/05/2008 @ 16:37
Hum, só queria ver a cara desses imbecis que ficaram chacoalhando o ingresso na cara dos outros que estavam na fila, o tivesse sido tomado de suas mãos pelo seu exibicionismo idiota, por algum espertalhão de passagem. Imagino a cara de tacho que faria…Seria muito bem feito.
Comentário por Bertazzo — 09/05/2008 @ 16:41
Bons tempos aqueles em que se comprava tranquilamente o ingresso(mesmo em finais), no mesmo dia…bastava chegar bem cedo ao estádio.
Palmeiras e Inter de Limeira em 86, primeiro jogo da decisão, tá certo, foi no Morumb, mas teve imais de 104 mil pagantes…cheguei pouco antes do meio-dia, comprei meu ingresso sem muita fila, e entrei para garantir meu lugar tranquilamente, à espera do jogo.
Outros tempos, né…
Comentário por Alvivrde/SP — 09/05/2008 @ 16:47
Sou sócio do Palmeiras e fiquei indignado ao ver o preconceito que o relato trata o associado a um clube. Não é preciso ser abonado para ser sócio do Palmeiras e o tratamento dado ao associado também não é o de privilégio e respeito que ele deveria ter, mas não tem. Comprar ingressos dentro do clube foi dificílimo, diria quase impossível. De um texto que poderia ser interessante, ficou o preconceito babaca e a falta de informação.
Comentário por Salvador — 09/05/2008 @ 18:01
Salvador, não foi falta de informação, pois eu mesmo vi, era um dos espremidos no portão da Turiassú. Não trata-se, portanto, de preconceito, até porque não generalizo, mas aponto que sócios (do lado de dentro do clube, o que impediria algum revide ou furto, como se sugeriu acima) humilharam o povo. Tenho amigos sócios do Palmeiras e sei que foram igualmente preteridos.
Comentário por Leandro Iamin — 09/05/2008 @ 18:44
Caro Luiz Franco, acho que qualificar como corajoso ir a um estadio de futebol eh um exagero. Nao acho que a culpa do servico ser um lixo eh do torcedor (aqui considerando o comportado). Porem, assistir a um jogo de futebol eh um lazer (muito agradavel por sinal), nao eh uma atividade essencial*. Por isso se voce assume o risco de ir a um jogo pela sensacao agradavel
(alguns vao dizer que eh uma paixao**, dificil definir essas coisas) que tera com tal atividade eh uma irresponsabilidade da sua parte. Eh exatamente nesse sentido que vc deixa de ser totalmente inocente. Uso um trecho do texto como exemplo pra tornar meu argumento mais claro.
“porque a deliciosa atividade de ir ao estádio, seja como for, deixa as mães e as noivas com o coração na mão.”
Se ele vai ao estadio, coloca o prazer que isso proporciona a frente da preocupacao que causa em sua
mae e noiva. Muito mais nobre seria abdicar de tal prazer por elas.
Nao acho que ir ao estadio eh errado porque todos deveriamos boicotar em prol de uma melhora do servico (isso eh muito idealista e “politicamente correto” pro meu gosto), simplesmente acho que eh uma atitude irresponsavel (considerando que alguem se importa com o que acontece com quem esta indo ao estadio).
*definicao: atividades essenciais= comprar comida, levar um filho na escola, ir a um hospital, ir trabalhar e etc.
**Caro Rafael, tal argumento (paixao) eh extremamente subjetivo e serve para justificar muitos absurdos (ir a um estadio de futebol nao eh um absurdo).
Comentário por Andre — 09/05/2008 @ 20:38
Os tempos mudam, isto é fato. Mas o que mudou tanto, no passar dos tempos, que cada vez mais os torcedores são tratados como verdadeiros animais e que têm feito o vandalismo e a violência chegar a índices tão alarmantes ?
Será só uma questão de má educação de muitos desta nova geração ? Será a má qualidade da segurança pública e o despreparo, para determinados eventos, não assumido pelos diversos órgãos de segurança ? Será somente soberba por parte de alguns que possuem maiores recursos econômicos e gostam de esnobar os menos favorecidos ? Ou será que têm muita gente enchendo os bolsos com o sofrimento alheio e é interessante para os tais que pessoas continuem sendo mortas, tendo prejuízos e sofrendo constrangimentos ?
E olha que aqui só estamos tratando daquilo que é a maior dirversão dos finais de semana de um povo que sofre e trabalha demais, para no final do mês receberem um salário que NÃO supri suas reais necessidades.
E ainda, um certo presidente, quer que eu acredite num tal de espetáculo do crescimento.
Grandes Abraços.
Sergio Junior – Ribeirão Preto.
Comentário por Sergio Junior — 09/05/2008 @ 21:02
Leandro, sabe quanto custa pra ser sócio do Palmeiras? Não é necessário, certamente, ser abonado. Muuuuuitos sócios ficaram sem ingresso. E vi, pois estava lá, que as coisas estavam terríveis dentro e fora do clube. Achar, neste caso, que uns tem privilégio em detrimento de outros não ajuda em absolutamente nada. Apesar de sua resposta, o preconceito com os “abonados” sócios continua. Não separe as pessoas, se junte a elas para ter mais voz. Lute por mudanças e não aceite “presentinhos” de organizadas. Você ajudaria muito mais do que escrever um texto aqui…Todos ficamos indignados com o que aconteceu e precisamos urgentemente de mudanças. Mas sua atitude de querer desqualificar o sócio e pedir benção do amigo da organizada vai contra tudo que o você pretensamente escreve. Não esqueça. Muitos desses sócios que você menospreza são os que realmente lutam por mudanças…
Comentário por Salvador — 09/05/2008 @ 23:54
André, agradeço sua paciência em expor melhor seu ponto de vista, que compreendo e respeito, acredite. Mas, por princípio, continuo discordando de você porque entendo que suas razões se baseiam no medo. Explico: é óbvio que devemos saber evitar situações de risco, mas simplesmente abandonar a alegria de ir ao estádio torcer pelo seu time (e não estou falando de paixão, concordo com você nesse ponto) e abandonar as arquibancadas aos vândalos é quase como abrir mão de um direito de cidadão. Não estamos falando de optar ou não por praticar um esporte de grande risco, como saltar de para-quedas ou escalar o Everest, por exemplo, mas sim de simplesmente ir assistir a uma partida de futebol do seu time, e no Brasil!
A receita que busco deve ser complicada, mas não posso acreditar que abandonar os estádios seja a solução. Isso seria a vitória dos maloqueiros e dos abastados arrogantes, porque os dirigentes irresponsáveis (que são maioria e acredito que aí está o eixo do problema) continuarão vendendo os ingressos pra eles. Acredito que a solução esteja em outro caminho.
Um abraço.
Comentário por Luiz Franco — 10/05/2008 @ 0:01
Caro Luiz, talvez tenha esquecido de dizer algo. Eu deixei de ir nos estadios pq vi que o servico era um lixo e o comportamento de muitos frequentadores nao era adequado. Sinceramente nao tenho medo ir e tambem nao acho que estou contribuindo para melhorar o servico ao nao ir. Sua argumentacao tabem eh respeitavel.
Comentário por Andre — 10/05/2008 @ 12:09
Caro Andre, obrigado. Pena que nosso pequeno debate aqui está longe demais de conseguir ao menos “sensibilizar” um único dirigente sequer… acho que ainda continuaremos assistindo mais do mesmo (se não pior) por muito tempo ainda. Grande abraço.
Comentário por Luiz Franco — 10/05/2008 @ 15:46
Na Copa de 2014, aí sim, vai estar tudo certinho. Vai ter organização, tranquilidade e alegria. Isso tudo porque estará o mundo todo aqui,e ficará feio um mal atendimento. Porque os organizadores têm respeito com os “gringos” e com nós brasileiros , não. Vergonha. Quero muito ir à Copa aqui no Brasil, e espero que esse evento seja um sucesso no meu país.
Comentário por André Pinheiro — 10/05/2008 @ 20:31
Caro Salvador, você absorveu de meu texto um ranço em relação aos sócios, que não existe. Sei exatamente como é a vida social do Palmeiras, e tenho muitos amigos por lá. Sei quantos lutam por mudanças. certamente, não são os que fizeram gracejos no portão, para a fila espremida. Você se magoa com o termo “abonado”, mas é evidente que para ser sócio de um clube, é preciso estar um passo a frente da média econômica. Quanto às organizadas, aí parece ser você o preconceituoso. Não peço benção nem recebo presentes. Compro meu ingresso onde o ingresso está, e os locais onde os ingressos estão são, sem dúvida, uma coisa em que os sócios e conselheiros deveriam se preocupar. forte abraço!
Comentário por Leandro Iamin — 12/05/2008 @ 12:43
Eu me preocupo, por isso não peço favores meu caro Leandro. Pagar 50 reais mensais pra ser sócio de um clube não me parece que é coisa para “abonados”. Mas, faça o seguinte, não peça ingressos a amiguinhos. Conseguiu, conseguiu, não conseguiu, veja em casa. Não alimente organizadas, privilégios e nem cambistas. Seria uma contribuição extremamente mais importante que seu texto de qualidade e afirmações duvidosas.
Comentário por Salvador — 12/05/2008 @ 17:46
Aliás, meu caro, a Turiassu estava fechada por causa de uma briga com seus amigos que te arrumaram o ingresso…Pense nisso…
Comentário por Salvador — 12/05/2008 @ 17:47
Salvador, não quero insistir numa argumentação de algo que o texto não se propôs a fazer. Uma parcela dos sócios do Palmeiras tem prazer em humilhar o povo. Uma parcela dos torcedores organizados tem prazer em brigar. Tenho amigos sócios do Palmeiras. Tenho amigos que são de torcidas organizadas. Não seja maniqueísta, Salvador, porque eu não fui. Não me verá defendendo o modo de operação das Organizadas, mas~rejeitarei abordagem tão simplista quanto à sua, a respeito dos tais “meus amigos” . Da mesma forma, tome cuidado ao querer tomar as dores de um grupo de sócios que não valem nem os 50 reais que gastam por mêsno clube. O texto fez referência só a eles, e tenhoc erteza que eles não são do seu tipo. Grande abraço.
Comentário por Leandro Iamin — 13/05/2008 @ 12:44