A história da Eurocopa – Parte I
Ontem, Felipe dos Santos apresentou a introdução.
Hoje, bloga o primeiro dos 10 textos sobre a história da Eurocopa de seleções.
Os outros serão blogados nos 9 próximos dias.
Um por dia.
Aproveito para agradecer ao Felipe pela participação e qualidade no trabalho.
De Felipe Santos
Introdução histórica feita, hora de saber das Euros já disputadas. Para fins de resumo, os três primeiros torneios serão compactados em um único capítulo, pelo formato reduzido de disputa: após playoffs de classificação, em jogos de ida e volta em cada país, quatro finalistas competem pelo título continental, com o país-sede sendo um dos quatro, definido de comum acordo.
França-1960: A vitória é vermelha
Vez por outra, usa-se “vermelho” como sinônimo de “comunista”. Sob esse ponto de vista, pode-se chamar a primeira Euro de “vermelha”: dos quatro que chegaram à fase final, três do Leste Europeu (Tchecoslováquia, União Soviética e Iugoslávia) enfrentaram a França, dona da casa. E o aspecto político não ficou apenas nessa curiosidade: a URSS só avançou às semis ao vencer por WO o duelo de volta contra a Espanha, em Moscou. A razão do WO: o Generalíssimo Francisco Franco simplesmente proibiu a delegação espanhola de ir à capital soviética.
Mas os soviéticos provaram, na fase final, que não chegaram ali por caprichos. Na semifinal, em Marselha, destroçaram os tchecos por 3 a 0. A outra semi foi bem mais equilibrada: em Paris, iugoslavos e franceses protagonizaram o jogo que teve mais gols até hoje na história da Euro (nove). A Iugoslávia de Jerkovic, futuro artilheiro da Copa de 1962, foi heróica, tendo virado o placar adverso de 3 a 1 para 5 a 4.
Na final, também em Paris, o heroísmo foi da União Soviética. Pouco antes do intervalo, Galic pôs a Iugoslávia na frente. Já no início do segundo tempo, Metreveli empatou. E o goleiro Lev Yashin tratou de fazer uma jornada exemplar, levando o jogo para a prorrogação. E aí, Viktor Ponedelnik – eleito o melhor do torneio -, aos 8 do segundo tempo, deu o título da primeira Euro aos soviéticos.
Espanha-1964: “La unica de La Furia”
A fase de play-offs trouxe uma grande surpresa: a seleção de Luxemburgo, que eliminou a Holanda e conseguiu levar a decisão contra a Dinamarca para o terceiro jogo. Mas Ole Madsen (que fez todos os gols nos duelos contra os luxemburgueses) trouxe os daneses para a fase final, disputada na Espanha. Além dos donos da casa, ainda a disputariam Hungria e a campeã URSS.
Na semifinal, em Barcelona – Camp Nou -, os soviéticos mantiveram o sonho do bi vivo, com um 3 a 0 nos dinamarqueses.A partida de Madrid, no entanto, foi mais emocionante: apesar de sair na frente, os espanhóis permitiram o empate húngaro, com Bene, aos 39 do 2º. Mas, graças a Luis Suarez – campeão da Liga dos Campeões com a Internazionale naquele 64 – como dono do meio-campo e o gol de Pereda, chegaram na final.
Espanha x URSS.
Desta vez, Franco permitiu a disputa contra os do Leste Europeu. Em Madrid, novo sofrimento para os espanhóis: mal Pereda abriu o placar, aos 6 minutos do 1º, Khusainov empatou, aos 8. Todavia, novamente aos 39 do 2º, Marcelino Martínez fez o gol da única taça graúda que a Furia já levou até hoje.
Itália-1968: Na moedinha
No meio da transição entre o time que dera vexame na Copa de 1966 e o vice mundial em 1970, havia uma Euro para a Itália de Zoff, Facchetti e Gigi Riva, treinada por Ferruccio Valcareggi. Para ajudar, a fase final foi disputada na Bota. Mas haveria outras pedras no caminho: a Iugoslávia, vice em 60, a campeã mundial Inglaterra e a União Soviética, já velha-de-guerra em Euros.
Com o artilheiro daquela Euro, Dragan Dzajic, na ponta dos cascos, os iugoslavos conseguiram neutralizar o English Team, na semifinal em Florença: 1 a 0. Mas a semifinal de Nápoles… 120 minutos e nada de gols, nem italianos, nem soviéticos.
Pênaltis?
Não, moedinha.
Pois é: os dois capitães decidiram a vaga na final ao escolher cara-ou-coroa, mediados pelo árbitro alemão Kurt Tschenscher. E deu Azzurra na final.
O sofrimento prosseguiu na decisão, em Roma: mais 120 minutos, com 1 a 1 ao cabo deles. E a Itália só empatou a dez minutos do fim do tempo normal, com Domenghini (Dzajic abriu o placar).
Moedinha de novo?
Não: italianos e iugoslavos voltaram a campo dois dias depois, em 10 de junho. Sabe-se lá como, Gigi Riva e Pietro Anastasi arrancaram fôlego para, ainda no primeiro tempo, matarem o jogo. 2 a 0 e Itália campeã européia.



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Na única Euro arrebatada pela Itália, moedinha na semi e jogo-extra na final! Mas esse ano vai ser diferente, Felipe: conquistaremos o bi sem sufoco! (risos…)
Comentário por Conrado — 03/06/2008 @ 0:32
Esse árbitro alemão, se não me engano, apitou a final da Copa de 1970.
Mas não precisou de moedinha…
Comentário por Roque Furtado — 03/06/2008 @ 16:50
Minto! Esse árbitro apitou Holanda 2 x 0 Brasil em 1974.
Comentário por Roque Furtado — 03/06/2008 @ 16:55
BELO POST!!!
OBRIGADO POR ATENDER MEU PEDIDO, BIRNER!!!
PARABÉNS FELIPE, ÓTIMA HISTÓRIA!!!
ABRAÇOS!!!
Comentário por Danilo — 03/06/2008 @ 22:49
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