A História da Eurocopa – Parte IV
De Felipe Santos
Itália-1980: Mudanças no formato
Com o bom nível da Euro-76, a UEFA cresceu o olho para a qualidade da competição que tinha em mãos e mudou algumas coisas no formato. Para começar, mais quatro times seriam acrescentados ao torneio, possibilitando que, ao invés de semifinais e finais, a competição fosse iniciada por uma fase de grupos: dois grupos de quatro, com os vencedores de cada um fazendo a final e, os vices, a decisão do terceiro lugar. E agora o país-sede não seria mais definido entre os finalistas, mas sim pela própria UEFA, já ganhando vaga direta, sem eliminatórias.
Doze anos depois, o torneio voltava à Itália.
No grupo A, a Alemanha já tinha uma nova geração. Bernd Schuster e Rummenigge se destacavam. Mas enfrentaria uma Tchecoslováquia que mantinha boa parte do time campeão em 1976, além de uma Holanda que, mesmo com a geração vice nas Copas de 74 e 78 perto do adeus, ainda conseguia manter certo nível, além do acréscimo de gente como o atacante Kees Kist. Ainda havia a Grécia, sem elenco de qualidade suficiente para fazer frente às três.
Os germânicos tiveram certa dificuldade para garantir a vaga na terceira final consecutiva. Nem tanto para vencer os tchecos (1 a 0), mas ao transformar a partida contra os holandeses de um tranqüilo 3 a 0 – três gols de Klaus Allofs, que o fariam artilheiro daquela Euro – em um apertado 3 a 2, com Rep e Willy van de Kerkhof descontando, no que foi a estréia de um certo Lothar Matthäus com a camisa alemã. O empate sem gols contra os gregos deu o ponto necessário para a vaga, ao passo que Holanda e Tchecoslováquia, disputando o lugar na decisão do bronze, empataram em 1 a 1. Os tchecos levaram, no saldo de gols: 1 positivo, contra 0 da Laranja.
O grupo B foi menos emocionante. Os italianos não contavam com Paolo Rossi, já punido pelo escândalo do Totonero. Tinham Roberto Bettega no ataque, além de Tardelli, Scirea, Collovati, Cabrini, Gentile, Oriali, Zoff… enfim, boa parte do time campeão mundial dali a dois anos. Com uma Inglaterra respeitável, de Ray Wilkins, Trevor Brooking e Kevin Keegan, e uma Espanha já preparando o time para a Copa em casa, poucos deram atenção à Bélgica, de volta à Euro após oito anos. Bélgica que já formava o melhor time de sua história, com Pfaff no gol (Preud’homme na reserva), Gerets na defesa e, principalmente, Jan Ceulemans, Julien Cools e Erwin Vandenbergh no respeitável ataque municiado pelo veterano meia Wilfried van Moer, 35 anos, que já havia até se aposentado da seleção. Treinando todos, o lendário Guy Thys.
Em jogos equilibrados e de poucos gols, a Bélgica chegou na final. Após dois empates sem gols na primeira rodada, os Diabos Vermelhos e a Azzurra pularam na frente na briga pela vaga na decisão, vencendo, respectivamente, Espanha e Inglaterra.
Na partida que decidiria o grupo, mesmo jogando em casa, o time de Enzo Bearzot não conseguiu fazer valer a vantagem, além da torcida, furiosa com o Totonero (o escândalo na Loteria Esportiva italiana), não estar apoiando muito o time. Resultado: 0 a 0. Por um gol feito a mais (3 contra 2), os belgas surpreendiam com a façanha de disputarem a decisão. Aos transalpinos, restava a chance do terceiro lugar.
Em Nápoles, tchecos e italianos não saíram do 1 a 1 no tempo normal. Sem definirem o jogo na prorrogação, mais uma vez os europeus orientais decidiriam algo nos penais em uma Euro.
E que decisão longa: dezoito cobranças!
De cada lado, tudo certo até que a decisão estivesse em 8 a 8. Aí, Netolicka defendeu a cobrança de Collovati e Marian Masny, remanescente do título de quatro anos antes, deu o bronze aos tchecos.
A final, no Olímpico de Roma, começou morna e terminou emocionante.
Foi a decisão, acima de tudo, de um personagem: o gigantesco atacante Horst Hrubesch. Ele abriu o placar, aos 10 do primeiro tempo. E os tedescos conseguiram manter o jogo em banho-maria até os 30 do 2º, quando Stielike derrubou François Van der Elst na área. Vandereycken conseguiu deslocar Schumacher: 1 a 1. A Bélgica aumentava a surpresa.
Porém, para variar, os alemães definiram o jogo com requintes de crueldade. Aos 44 do 2º, Rummenigge cobrou um escanteio. Justificando o apelido de “A Besta dos Cabeceios”, Hrubesch, no primeiro poste, fez o seu segundo no jogo. A Alemanha era bi continental.
Houve mudanças no formato. Mas nem tantas no resultado.



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O meu formato predileto. Em que apenas o primeiro colocado se classifique. Uma competição esportiva não tem como finalidade definir quem é o melhor? Pois então.
Comentário por Conrado — 06/06/2008 @ 2:17
E o formato atual da Eurocopa, com 16 equipes, só foi implantando em 96, na Inglaterra. Abraços
Comentário por Clarissa — 06/06/2008 @ 17:45
Bons tempos esses, em que se conhecia a procedência de um jogador pelo nome dele.
Hoje nós temos Mehmet Aurélio, Bonsingwa, Makelelê… é muito esquisito.
Comentário por Constantino — 06/06/2008 @ 21:03
[...] http://blogdobirner.net/2008/06/06/a-historia-da-eurocopa-%e2%80%93-parte-iv/ [...]
Pingback por Blog do Birner » História da Eurocopa — 01/07/2008 @ 1:43