Felipe Santos – convidado especial
Alemanha-1988: Enfim, Holanda
Já mostrando a dificuldade que teria em substituir a geração campeã quatro anos antes, a França não passou das Eliminatórias para a Euro.
No grupo A, dois favoritos despontavam, não só para as vagas nas semifinais, mas para o título.
A Alemanha, com a geração de Matthäus, Klinsmann, Völler e Brehme já no comando do time (por sua vez, já treinado pelo Kaiser Franz Beckenbauer), e a Itália, com o treinador procurando deixar o time em ponto de bala para a Copa em casa, dali a dois anos.
A zaga que só levaria dois gols no Mundial já estava azeitada, com a linha Zenga-Bergomi-Baresi-Ferri-Maldini (este último, já titular da Azzurra com 19 anos). E o ataque transalpino também era respeitável, com Vialli e Roberto Mancini.
Diante de dois times como esses, só restava o papel de coadjuvante a uma Dinamarca por demais envelhecida – muito embora já estivessem lá o lateral Heintze e o goleiro Schmeichel, ambos na reserva – e uma Espanha estagnada.
Já no grupo B, o cenário era mais equilibrado.
Após oito anos de ausência das competições internacionais – ficara fora das Copas de 1982 e 1986, além da Euro-84 –, a Holanda voltava a freqüentar as luzes da ribalta.
Mas, embora gente como Rijkaard, os irmãos Erwin e Ronald Koeman, Gullit e Van Basten estivessem na ponta dos cascos (e treinados por Rinus Michels), a falta de experiência num torneio como a Euro poderia complicar.
Algo nada recomendável, contra a Inglaterra ainda de Peter Shilton, Gary Lineker, Beardsley e John Barnes, a União Soviética também sofrendo com o “excesso de veteranismo”, mas sempre perigosa e tradicional em Euros, além da novidade representada pela Irlanda, já formada pela geração de gente como Packie Bonner, Paul McGrath, Mick McCarthy, Frank Stapleton, Tony Cascarino e John Aldridge, que levariam o país a duas copas consecutivas (90 e 94).
No grupo A, poucas surpresas.
Após empatarem em um gol na primeira rodada, Itália e Alemanha despacharam com autoridade daneses e espanhóis.
No grupo B, houve uma surpresa, a bem da verdade.
Surpresa desagradável: agastada por problemas internos, a Inglaterra foi presa fácil para a URSS e para a Holanda.
Contra a Laranja, aliás, o English Team foi vítima da primeira amostra do talento que Van Basten reservara para aquela Euro: foi “San Marco” o autor dos três gols holandeses. Os soviéticos garantiram a vaga nas semifinais sem muitas dificuldades, vencendo nederlandeses e irlandeses.
O segundo lugar foi decidida num lance de sorte.
Holanda e Irlanda se enfrentavam em Gelsenkirchen.
O empate sem gols dava a vaga aos irlandeses.
Num rebote de escanteio, Jan Wouters chutou de bate-pronto. O arremate não foi bom, saiu quicando, bateu na nuca de Wim Kieft, ganhou efeito e acabou nas redes de Packie Bonner.
A oito minutos do fim do jogo, os holandeses estavam nas semis.
A primeira semifinal iria entrar para a história da Euro: Alemanha e Holanda faziam o repeteco da final de 1974, em Hamburgo. O jogo manteve-se truncado até os 10 do 2º, quando Klinsmann mostrou a sua maestria em cavar pênaltis.
Matthäus cobrou com sua competência peculiar e fez 1 a 0.
Dezenove minutos depois, a Holanda pagou na mesma moeda: Van Basten aproveitou uma bola que ia se perdendo pela linha de fundo (e um carrinho que o zagueiro Jürgen Köhler dava para tentar recuperá-la) e caiu.
Novo pênalti. Nova cobrança perfeita, desta vez de Ronald Koeman – 1 a 1.
Até que, a dois minutos do fim do jogo, uma bola despretensiosa lançada por Jan Wouters estava perdida na área. Parecia à feição para a defesa do goleiro alemão Immel, mas Van Basten tratou de se antecipar à Köhler e tocar por baixo do arqueiro.
Como em 74, havia um 2 a 1, mas desta vez os vitoriosos eram laranjas.
Mais do que vencer, os holandeses expiavam os traumas de quatorze anos antes. A festa em Amsterdã é considerada, até hoje, a maior na cidade desde a libertação do jugo nazista, em 1944.
Na segunda partida, em Stuttgart, os italianos já mostravam a eficiência de sua defesa: com apenas um gol sofrido, conseguiam levar o 0 a 0 ao intervalo. Porém, no segundo tempo, os soviéticos mostraram a mesma eficiência para despachar os favoritos. Litovchenko e Protasov precisaram de apenas quatro minutos (13 e 17) para liquidar a Azzurra e dar a última demonstração de força do futebol soviético antes da derrocada futebolística e histórica, chegando para tentar o bi europeu.
No Estádio Olímpico de Munique, a final seguiu relativamente equilibrada, até que, aos 32 minutos, um cruzamento de Erwin Koeman fez com que a defesa soviética saísse em linha, para provocar o impedimento.
Só provocaram liberdade para que Van Basten escorasse, de cabeça, para o parceiro Gullit fuzilar Dasaev, também testando: 1 a 0. O primeiro gol já dava mais tranqüilidade aos holandeses.
Mas o segundo gol…
o segundo gol holandês tem lugar garantido em qualquer lista que se preze de gols mais bonitos da história do futebol.
Van Tiggelen passou rasteira para o veterano (37 anos) Arnold Mühren. De primeira, Mühren cruzou. Iria para fora… se o irresistível Van Basten não seguisse a jogada e, sem ângulo, emendasse um voleio poderoso que encobriu Dasaev.
O quinto gol, que lhe tornaria o artilheiro da Euro, não poderia ter sido mais brilhante.
Os soviéticos tanto pressionaram, após o gol, que conseguiram um pênalti: Van Breukelen derrubou Gotsmanov. Mas o próprio Van Breukelen consertaria o erro. Ele – que, naquele mesmo 1988, defendera a cobrança decisiva que deu ao PSV Eindhoven o título da Liga dos Campeões – também pegou a cobrança de Belanov.
E a Holanda, que parecia um time ainda em formação, virou uma esquadra inesquecível. Que conquistou um título também inesquecível.



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A Holanda de 88 foi a maior seleção que vi jogar.
Emocionado. Explico. Morava na época com um tio que adora futebol e naquele domingo nos sentamos para ver aquela Holanda com o Van Bastem encantadora. O segundo gol holandes é algo que eu guardo com carinho com uma obra de arte do futebol… A Holanda campeã dessa Eurocopa talvez tenha sido o melhor time europeu que eu vi jogar…
Eu esperei com ansiedade esse post e valeu a pena.
Realmente essa Seleção Holandesa de 1988 sem dúvida nenhuma foi à melhor seleção que eu vi na minha vida essa Euro 1988 pra mim foi a melhor competição de seleções desde à Copa do Mundo de 1982.O Carrosel Holandês contava com o Taffarel Holandês Van Breukelen do PSV pegava PK que nem água;Van Aerle,Rijkaard excepcional,o zagueiro artilheiro Ronald Koeman esse tinha uma bomba no pé e Van Tiggelen;Wouters,Vanenburg muito habilidoso,E.Koeman,A.Muhren grande passador e o SuperCraque o completo e fisicamente perfeito Ruud Gullit;Na frente o gênio pra mim o maior centroavante de todos os tempos empatado com Eusébio,Gerd Muller,Romário e Di Stefano MARCO VAN BASTEN tem nego ae que paga pau pro Ronaldo é que não viu Van Basten!!!!