“Amarelona”, não.
De Felipe Santos – convidado especial
Espanha 2 x 0 Rússia
Numa Viena castigada pela chuva (só a cidade, porque o gramado do Ernst Happel continuou bom), russos e espanhóis fizeram um jogo que prometia muito. E cumpriu pouco.
Principalmente no primeiro tempo.
Porque, se o meio-campo espanhol mais uma vez comprovava seu entrosamento invejável, com Marcos Senna seguro na marcação e a dupla Xavi-Iniesta saindo para o ataque sempre com classe, o ataque da Fúria mais uma vez não dizia a que viera, com Fernando Torres e David Villa, artilheiro da Euro, preocupantemente inativo.
Valia destacar, também, a utilidade de Sergio Ramos, bastante ativo pela direita.
Do lado russo, os destaques eram a dupla Anyukov-Saenko, trabalhando pela direita, e Pavlyuchenko, que sempre tentava concluir em gol. No entanto, pouco perigo com que Iker Casillas precisasse se preocupar.
Provavelmente, a ação que definiu o jogo aconteceu no primeiro tempo.
Luis Aragonés aproveitou a contusão de Villa e tirou o atacante do Valência para dar lugar a Cesc Fàbregas, aos 34 minutos.
Com a transformação do 4-4-2 com que os “mostardas” (já que odeia amarelo, o supersticioso Aragonés tratou de denominar assim a cor do uniforme espanhol) entraram em campo para um 4-5-1, a meia espanhola, fator que poderia desequilibrar o jogo, ganhava poder no seu setor ofensivo.
Já do lado russo (que sofrera uma alteração em relação à partida contra a Holanda, com a entrada de Vasili Berezutski no lugar de Kolodin, na zaga), além da falta de ação no ataque, Arshavin parecia cansado, acomodado na marcação de Marcos Senna.
Basta dizer que, ao fim da primeira etapa, dos cinco chutes russos a gol, nenhum fora à meta de Casillas.
E o segundo tempo não necessitou mais do que quatro minutos para provar àqueles que criticaram Aragonés pela retirada de Villa que o “Bruxo” estava era mais do que certo.
Porque dois dos melhores espanhóis em campo fizeram uma jogada “barcelonista”: pela esquerda, Iniesta progrediu e cruzou (chutou?). O cruzamento não foi grande coisa, mas Xavi foi oportunista e, de surpresa, escorou a bola. Surpreso, Akinfeev não teve muito tempo de reagir: 1 a 0.
Guus Hiddink decidiu, então, tirar a Rússia da pasmaceira: em dois minutos (11 e 12), duas alterações. Bilyaletdinov, na meia, e Sychev, no ataque, teriam a tarefa de dar a rapidez que Semshov não dera à cabeça-de-área russa e que Saenko, cansado, já não conseguia mais dar.
Luis Aragonés também tratou de, logo, corrigir o que poderia começar a dar errado: aos 23, tirou um nulo Torres e um Xavi que começava a se cansar para as respectivas entradas de Xabi Alonso e Güiza.
O prêmio pelas ótimas alterações não demorou: aos 28, após belíssimo um-dois com Sergio Ramos, Fàbregas deu passe que desmontou a defesa russa. Güiza, artilheiro do último Espanhol, entrou em posição legal e só tocou por cima de Akinfeev para fazer o segundo gol da Furia.
Ainda faltavam dezessete minutos, mas era o fim de uma Rússia que pareceu ter gasto todos os esforços na brilhante atuação das quartas-de-final.
A rigor, um terceiro gol pareceria exagero.
Exagero ou não, aos 36, Fàbregas mostrou, mais uma vez, porque entrara no jogo. Após passe de um Iniesta fabuloso na partida de hoje, o meia teve uma avenida pela esquerda. A progressão da jogada já fazia prever o 3 a 0, consumado por um Silva que só precisou escorar o cruzamento do jogador do Arsenal.
O cansaço dos russos foi tanto que nem o gol de honra mereceram. Sychev até tentou, aos 43, mas Casillas, com uma defesa à queima-roupa, mostrou que vai se transformando no melhor goleiro da Euro.
Após 24 anos, a Espanha volta a uma final de Euro.
Só a classificação já serviria para apagar o estigma injusto de “amarelona”.
Mas uma vitória contra a Alemanha será definitiva.
E ela é possível, embora difícil.
Mas se o ataque começar a colaborar com o esplêndido meio-campo espanhol…



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Pois ainda estou pagando pra ver. Aposto na Alemanha.
Comentário por Conrado — 27/06/2008 @ 4:35
Olá. Ótima análise da seleção Russa ontem, onde vc falava que era um time que oscilava muito, pois foi isso que aconteceu. Adorei o futebol que jogaram contra a Holanda, mas não conseguiram repetir contra Espanha.
Comentário por Leandro Christofoletti — 27/06/2008 @ 7:17
Tudo bem, mas foi 3 a 0….vi que comentou todos os lances e no final tá 3 a 0…mas arruma aí vai!!!!
Abração
Comentário por Daniel Giusti — 27/06/2008 @ 8:29
Olá, não encontrei a 10ª parte da história da Eurocopa.
Gostaria que, se possível, fosse disponibilizada.
Obrigado
Comentário por Daniel — 27/06/2008 @ 8:47
Oi Birner, bom dia!
Concordo com você que o Guus Riddink é um grande técnico, mas acho que se os jogadores não fizerem a parte que lhes cabe, fica difícil. Ontem a Rússia não jogou nada e mais parecia o time do Brasil, tamanha a falta de vontade de jogar que os russos apresentavam. Até o Arshavin, que o Eder Luiz vendia como o grande nome do jogo, esteve péssimo. Não se mostrou no jogo e errou passes de maneira bisonha. Lembrei-me do jogo Brasil X Paraguai. Tal qual os brasileiros, a russia perdia o jogo e estava conformada com o resultando, não demonstrando coragem para tentar reverter o placar.
Para piorar, a transmissão que já é horrível, ainda ganhou o “reforço” do Britto Jr. Ouvir o cara comentar os lances e falar “aquele cabeludo ali, qual é o nome dele?”, é demais!! A Milly Lacombe então, diz que o Aragonés não fez boa alteração e menos de cinco minutos depois, o jogador que entra marca o segundo gol. E depois de dez minutos mais um gol da Espanha. Realmente mudou mal! Mal para a Rússia.
Concluindo, acho que nem o Riddink pode dar jeito neste momento para o time do Brasil. Não com estes jogadores que temos hoje.
Um abraço.
Comentário por Willian — 27/06/2008 @ 8:56
Birner,
O que foi o Sergio Ramos no jogo. O Cara não perdeu uma bola na defesa, ganhava TODAS por baixo, sem falta e saia jogando com uma ótima saida de bola. Fora isso, ele subia e apoiava em quase todos os ataques. Gigante em campo. O Brasil precisa de um lateral assim. Acho que ele talvez seja o melhor do mundo na posição. Ele vai fazer uma festa no Lahm.
Comentário por Fernando Sequerra — 27/06/2008 @ 9:35
Birner no titulo o placar está incorreto? ou você quiz dizer Espanha 2 (viitoras) x 0 Russia?
Comentário por Carlos Pereira — 27/06/2008 @ 10:52
Birner no titulo voce disse 2×0. O placar foi 3×0 mas na euro 2008 a espanha fez 2 x 0 em vitorias.
Comentário por Carlos Pereira — 27/06/2008 @ 10:58
Oi Birner, o Felipe errou o placar na segunda linha do Post. Abraços
Comentário por Raul Antonio Ferraz — 27/06/2008 @ 11:21
Birner, não entendo como o Fabregas pode ser banco na seleção da Espanha. O cara tem visão de jogo, arma o time com objetividade e sem firulas, e ainda chuta bem (quem viu as partidas do Arsenal pode comprovar o que estou falando).
Será que havia alguma rusga entre ele e o técnico espanhol, porque não vejo ninguém que joga mais que ele nesse time da Espanha.
Quanto ao comentário do Fernando a respeito do Sergio Ramos, respeito a opinião dele, mas para mim ele não passa de um jogador mediano e dizer que ele talvez seja o melhor lateral do mundo é demais. Já vi ele fazer várias partidas medíocres no Real Madrid.
Comentário por Luiz — 27/06/2008 @ 14:19
Que má vontade com a selecão espanhola !! O bicho papão russo nem apareceu, aliás foram dois ’sapecas iáiá’ da mesma Espanha. Falaram tanto do 10 russo e o cara não apareceu… mas é claro que não foi a marcacão e sim o seu cansaco. Comentário maldoso… que pena.
Comentário por antonio sergio — 27/06/2008 @ 16:47
Birner,excelente a participação espanhola.O rótulo de amarelona não sei se é tão injusto assim.
A Alemanha talvez não empolgue tanto,mas faz uma triangulação perigosa da intermediária a grande área( vide 3º gol contra a Turquia) que é difícil de ser marcada.
Vou torcer pela Espanha,mas se fosse apostar,apostaria na Alemanha.
Um abraço!
Comentário por AUGUSTO CESAR FERREIRA DA CUNHA — 27/06/2008 @ 19:06
Eurocopa é Copa do Mundo sem Brasil e Argentina kkkkkkkkkkkk
Comentário por Raimundo Queirós — 27/06/2008 @ 21:34
Caro Victor Birner,
Já há algum tempo as cobranças de pênaltis para decidir uma partida de futebol me incomodam sobremaneira. Incomodam porque vemos uma partida de futebol ser decidida por uma loteria de chutes a gol onde outros fatores entram em campo para decidir, como a emoção e a sorte (ou o azar). Menos o futebol. Este sim é quem deveria decidir as partidas. O futebol. A bola em jogo. As triangulações, a melhor tática, a substituição acertada, o craque… Sim, o craque fazendo a diferença numa bela jogada para fazer o gol decisivo. Assim se decide uma partida de futebol, Birner, com a bola em jogo. Não com chutes a gol.
Por isso venho aqui te escrever e dar uma sugestão para que isso aconteça nos principais campeonatos pelo mundo afora, como a Eurocopa, Libertadores, Copa do Mundo, Mundial de Clubes, etc…
Para isso, quando a partida terminar empatada, faz-se imediatamente a disputa de pênaltis. As penalidades decidirão apenas qual equipe terá a vantagem do empate na prorrogação. Os pênaltis não decidirão uma Copa do Mundo. Não decidirão uma Libertadores. Os jogadores estarão mais soltos, menos nervosos sabendo que mesmo que percam a disputa nos pênaltis, poderão ainda ganhar o jogo vencendo a prorrogação. E a equipe que ganhar nos penaltis sairá vencedora da partida (ou do campeonato) se a prorrogação terminar empatada.
Entendeu, Birner?
Não é mais justo? Será que os técnicos não prefeririam este sistema? Durante as cobranças dos penaltis, os técnicos poderão passar instruções e preparar o time para a prorrogação. Os preparadores físicos terão a incumbência de manter o time aquecido durante os pênaltis para não haver problemas de contusão durante a prorrogação. E os jogadores poderão dar aquela descansadinha durante as cobranças para enfrentar os 30 minutos da prorrogação.
Eu acho que seria muito melhor e mais justo.
O que você acha?
Um abraço.
Comentário por Paulo — 28/06/2008 @ 16:49