Os Repórteres sem Fronteira aconselham

6 ago

Jogos Olímpicos

De Xico Malta

Na véspera da abertura dos Jogos, a questão dos direitos humanos nunca foi tão atual na China. A política de “totalmente seguro” e de “repressão” aplicada pelo Governo chinês contra os militantes dos direitos humanos são questões no mínimo tão importantes quanto os acontecimentos desportivos.

As autoridades negam essa repressão, no entanto uma dezena de ativistas já foi presa por ter emitido os seus pontos de vista críticos em relação à organização dos Jogos Olímpicos em Pequim. É vital que o destino destes “presos Olímpicos” não seja esquecido durante a competição.

Os Repórteres Sem Fronteira convidam os milhares de jornalistas estrangeiros que irão viajar para Pequim e para o resto da China para cobrir os Jogos Olímpicos de se interessarem a respeito da liberdade de expressão. Mas não será uma tarefa fácil!

O governo chinês promulgou, em janeiro de 2007, novas regras para a imprensa internacional, as quais deveriam garantir uma liberdade de circulação e de entrevista. Mas esses direitos foram violados em várias ocasiões, incluindo no Tibete e Sichuan.

Vejamos os nove conselhos práticos dos Repórteres sem Fronteira, cujo objetivo é auxiliar os jornalistas estrangeiros a cobrir a situação dos direitos humanos na China:

1. Equipar seu computador com programas que podem contornar firewalls e garantir a proteção de suas comunicações. Antes de viajar a China, recomenda-se instalar os seguintes programas: Tor (www.torproject.org/index.html.en) Psiphon (http://psiphon.civisec.org/) ou Proxify (https://proxify.com/). Sugerimos a instalação da versão internacional do Skype e não aquela disponível na China que não é segura. É também recomendável utilizar o programa de criptografia de e-mails através do PGP: http://www.pgpi.org.

Você também pode driblar a censura fazendo o download de um software chamado VPN (Very Private Network) o qual permite o acesso aos seus e-mails e ter uma conexão mais rápida. Alguns são gratuitos http://www.anchorfree.com/downloads/hotspot-shield, outros pagos http://witopia.net. Se desejar outros detalhes sobre o VPN: http://www.lostlaowai.com/commentary/blog/2008/07/31/vpn-chinese-internet-censorship/

Para mais informações, consultar o guia dos blogueiros e cybers dissidentes dos Repórteres sem Fronteira: http://www.rsf.org/article.php3 ?id_article=26182

2. Proteja seu computador contra o vírus Trojan e instale códigos de acesso. Não deixe seus equipamentos e contatos profissionais acessíveis num quarto de hotel.

3. Organize suas chamadas e envie mensagens tendo em conta que não há nenhuma garantia de confidencialidade. Use vários cartões SIM chineses ou internacionais, inclusive para falar com pessoas consideradas suspeitas.

4. Antes de viajar para Pequim, colete alguns contatos de militantes dos direitos humanos, famílias de prisioneiros e advogados chineses. Os Repórteres sem fronteiras colocam a disposição dos jornalistas uma lista de pessoas que possam responder às perguntas da imprensa estrangeira.

5. Não utilizar os serviços de empresas chinesas que oferecem tradutores ou guias. Estas empresas são ligadas ao governo e seus colaboradores certamente poderão impedi-lo de investigar assuntos sensíveis,  ou colocarão em perigo as fontes de informação. Prefiram trabalhar com tradutores ou jornalistas chineses independentes ou jornalistas estrangeiros que falam mandarim.

6. Quando fizer reportagem, não se esquecer de levar o regulamento para os jornalistas estrangeiros traduzido do mandarim, o contato de sua embaixada, as fotocópias de seus documentos de identidade, credenciais, número do BOCOG e do ministério de relações exteriores.

7. Consulte as fontes independentes de informação sobre a China em chinês: BBC chinês (http://news.bbc.co.uk/chinese), RFA em chinês (www.rfa.org / mandarim) ou Boxun (www.boxun . Com.br).

8. Relatar à sua embaixada, ao clube dos correspondentes estrangeiros na China (www.fccchina.org), aos Repórteres sem fronteira, e também ao BOCOG e ao Comitê Olímpico Internacional, qualquer atentado à sua liberdade de circulação e de entrevista. Utilizar os serviços da ‘hotline jurídica” instituído pelo advogado chinês Li Baiguang (139 108 02 896 ou olympic@lawyer.com) em caso de conflito com as autoridades.

9. Leia o guia para os jornalistas estrangeiros preparado pela correspondentes estrangeiros “Clube da China”.

BOA SORTE!

Escrito por Xico Malta às 3:07 Xico Malta 12 Comentários

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12 Comentários »

É uma vergonha ter que passar por essas situações,como um país desses conseguiu sediar uma olimpíada,o que o poder politico não faz,isso é inaceitável,censura jamais

Comentário por Adriano Lopes Siqueira — 06/08/2008 @ 16:22

 

Parece até uma cobertura de guerra.Lamentável!

Comentário por AUGUSTO CESAR FERREIRA DA CUNHA — 06/08/2008 @ 18:18

 

Não vi ninguém protestar contra as olimpiadas chinesas antes. O mundo sabe o que rola por lá e discordar é um direito de cada um e eu também discordo. Mas ir lá na casa dos caras provocá-los é burrice. Quem vai lá sabe o que pode acontecer. Já era assim quando resolveram que esses jogos seriam sediados por eles e se calaram. Não foram os únicos torturados e, infelismente não serão os últimos.
Não vi ninguém aqui protestando também contra a entrega dos boxeadores cubanos à ditadura de Fidel Castro pelas autoridades(?) brasileiras. Alguma dúvida de que esses atletas também foram torturados? Que suas famílias estão sendo penalizadas até agora? Aí, Xico (com x mesmo?) Malta. Está me soando demagógico esse seu post. E demagogia das bem baratinhas. Quase dignas do PT. Não seria esse seu partida?

Comentário por Pacheco — 07/08/2008 @ 15:32

 

Nossa, isso é absolutamente absurdo!
A que ponto chegamos…

Será que nenhum governo no mundo se dá conta, de fato, da seriedade disso?

Fazer uma competição mundial num país onde nenhum direito é reconhecido é apertar a mão do diabo. Tenho até medo de pensar onde nosso planeta chegará deste modo.

Valeu, Xico, uma vez mais.

Abraço.

Comentário por DeboraH — 07/08/2008 @ 16:53

 

E agora Xico…..

Comentário por bsantucci — 12/08/2008 @ 11:44

Como assim “e agora”? Não entendi….

Comentário por Xico Malta — 12/08/2008 @ 18:08

 
 

Será que estes procedimentos realmente funcionam, talvez o governo chinês usa ferramentas que já bloqueia estes tipos de trapassas.

Comentário por moises — 15/08/2008 @ 21:02

 

É xico e si estes programas forem usados para outros fins aqui no Brasil msm. Como vc ficaria??? Passando uma informação que pode ser usada para diversos fins lógico menos o necessario!!!???

Comentário por Fernando Fernandes Sá — 23/08/2008 @ 17:30

Caro Fernando,
A resposta a seu comentário está na comentário logo abaixo do Ricardo.
Abraço

Comentário por Xico Malta — 26/08/2008 @ 10:08

 
 

O saber e um direito de todos e decidir o que fazer com ele e uma questão de caracter.

Excelente seu post xico.

Comentário por Ricardo — 23/08/2008 @ 23:04

Caro Ricardo,
Perfeito! Muito obrigado.
Abraço!

Comentário por Xico Malta — 26/08/2008 @ 10:08

 
 

[...] traduziu tudo para o português na página do jornalista esportivo Vitor Birner. [...]

Pingback por como funciona a censura à web na China … « # chmod 751 — 17/09/2008 @ 11:00

 

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