As competições em Olímpia
De Xico Malta
A primeira edição dos Jogos Olímpicos da Antiguidade foi em 776 a.C. e durou cerca de 1000 anos. 393 d.C é a data da última edição da Olimpíada por causa do edito de Teodósio ordenando o abandono dos lugares de culto da religião grega.
Nem todas as competições em Olímpia tiveram inicio na primeira edição e nem todas foram disputadas até o final, em alguns casos, sequer teve continuidade. A competição “estádio” é a prova de corrida mais antiga que se tem conhecimento.
A evolução
O programa dos Jogos Olímpicos da Antiguidade foi ficando pari passo mais rico e mais bem estruturado. Inicialmente as competições eram concentradas num único dia e limitadas apenas a corrida do estádio. Com o passar do tempo novas competições e modalidades foram inseridas na programação das Olimpíadas.
A seguir, a tabela cronológica da introdução das provas olímpicas:
|
Olimpíada |
Ano a.C. |
Competição |
|
I |
776 |
Estádio |
|
14° |
724 |
Diaulós (duas vezes o estádio) |
|
15° |
720 |
Dolichos (corrida de longa distancia, de 7 a 24 estádios) |
|
18° |
708 |
Luta e pentathlon |
|
23° |
688 |
Pugilismo |
|
25° |
680 |
Tethrippon (Corrida de carruagem puxada por quatro cavalos) |
|
33° |
648 |
Pancrácio e keles (corrida de cavalo) |
|
37° |
632 |
Estádio e luta infantil |
|
38° |
628 |
Pentathlon infantil (única edição) |
|
41° |
616 |
Pugilismo infantil |
|
65° |
520 |
Corrida de Hoplita (duplo estádio) |
|
70° |
500 |
Corrida de carroça puxada por mulas (apene), cancelado em 444 |
|
71° |
496 |
Corrida de carroça com burros (kalpe), cancelado em 444 |
|
93° |
408 |
synoris (Corrida de biga puxada por dois cavalos) |
|
96° |
396 |
Competição de arautos e trombetas |
|
102° |
372 |
Tethrippon de potros(Corrida de carruagem puxada por quatro potros) |
|
129° |
264 |
Corrida de biga puxada por potros |
|
131° |
256 |
Corrida de potros |
|
145° |
200 |
Pancrácio infantil (única edição) |
As competições de corrida
Estádio:
O nome da modalidade “estádio” deriva de uma medida de cumprimento “o Stadion” (192.27 m) que variava conforme a cidade. Em Delfos e Atenas um estádio media 177,50 m, em Epidauro 181,30 m. e em Pergamo 210 m.
De acordo com os achados arqueológicos, o Estádio foi introduzido em 776 a.C.. O primeiro vencedor foi Corebo, um cozinheiro de Élide. O último foi Dioniso de Alexandria, em 269 d.C.
O grande herói desta competição, o Michael Phelps da antiguidade, foi o legendário Leônidas de Rodes que conquistou por quatro vezes consecutivas de 164 a 152 a.C. O herói não parou por ai. Também obteve quatro vitórias na competição Diaulos e venceu a corrida dos Hoplatas aos 36 anos.
Diaulós:
Introduzida na Olimpíada em 724 a.C., era uma corrida de estádio com ida e volta, ou seja, 384,5 m. Os gregos resolveram o problema da ida e volta dos competidores erguendo uma coluna chamada de Kampter, no fundo do estádio.
Dolichos:
Corrida de longa distância (24 estádios ou 4.615 m) que foi introduzida na 15° Olimpíada, em 720 a.C. O primeiro vencedor foi o espartano Acanto. Esta modalidade foi baseada nos mensageiros de guerra que corriam para entregar noticias aos governantes sobre a situação de seus exércitos nos campos de batalha.
Corrida dos hoplitas
Os hoplitas eram soldados da infantaria pesada, a modalidade foi a eles dedicada por intermédio de Esparta, na 65° Olimpíada, no ano de 520 a.C.
O percurso media dois estádios (384.5 m), os competidores corriam com escudo de bronze, armadura e capacete. O primeiro vencedor foi Damareto de Érea.
Pentathlon
É a competição mais complexa da programação Olímpica. Ela foi introduzida na 18° edição dos Jogos, em 708 a. C. O primeiro vencedor foi o espartano Lampide. Como próprio determina o nome (penta – cinco, athlon – competição), a competição era composta por cinco provas:
Estádio, salto em distância, lançamento de dardo, lançamento de disco e luta.
O recordista:
Gorgo de Elide ganhou por quatro vezes consecutivas o Pentathlon e uma vez o Diaulós.
As competições de combate:
Luta:
Surgiu na 18° Olimpíada, no ano de 708 a.C. As regras, ao menos no início, eram estritamente severas (fixadas segundo a lenda de um siciliano, Oricadmo): em uma cova de areia chamada skamma (a mesma em que era realizada a competição de salto em distancia) os atletas, com o corpo cheio de óleo para dificultar a pegada, se enfrentavam sem nenhuma distinção de peso, provavelmente eles eram divididos em grupos por meio de sorteio. Os melhores venciam seus adversários sem deixar nenhum vestígio de areia em seus corpos, os gregos os chamavam de “akoniti” que significa literalmente “sem precisar limpar-se de areia”. Como não havia nenhum limite de peso e de tempo, os confrontos podiam durar mais de um dia. A sua nova versão, que é aquela praticada nas olimpíadas da era moderna, é a chamada luta greco-romana ou luta olímpica.
Os recordistas:
Ippostenes de Esparta, depois de conquistar uma luta infantil em 632 a.C, venceu 5 vezes consecutivas a competição de luta adulta (624-608 a.C.).
Etímocles de Esparta venceu uma luta infantil em 604 a.C.. Do ano 600 ao 508 a.C. foi campeão adulto de luta.
Pugilismo:
Muito mais violento e perigoso que o boxe praticado nos dias de hoje, o pugilismo foi introduzido no ano de 668 a.C., durante a 23° Olimpíada. Há evidencias de que o primeiro vencedor, Onomasto de Smirne, tenha estabelecido as regras da competição. Os competidores usavam luvas rígidas de couro que poderiam causar graves ferimentos. Não havia limite de tempo e perdia aquele que não agüentasse mais ficar em pé. Antes que o árbitro declarasse encerrado o combate, era permitido bater no adversário que estava caído no chão. O objetivo principal era o rosto do adversário, porém não havia claras restrições aos golpes noutras partes do corpo.
O recordista:
O siciliano Tisandro de Nasso foi campeão de pugilismo de 572 a.C. a 560 a.C.
Pancrácio:
Introduzido durante a 33° Olimpíada em 648 a. C.. Tinha a reputação de ser a modalidade mais violenta. O nome vem da palavra grega pankratòs, que significa “com toda a força”. O pancrácio era uma mistura de luta com boxe (pugilismo), enquanto que na luta um oponente para vencer precisava derrubar o seu adversário, no pancrácio o combate se encerrava somente quando um dos competidores se rendia levantando o indicador para o alto. Não havia limite de tempo: Callia de Atenas, em 472 a.C., foi declarado vencedor depois de um combate que durou um dia inteiro e concluído somente no final da noite. O estrangulamento era permitido. Eram proibidos somente aranhões e mordidas, apesar dos espartanos admitirem tais “golpes”.
A competição que era uma espécie de vale tudo da antiguidade era tão perigosa, que a versão infantil, introduzida somente em 200 a.C, foi logo cancelada.
As competições eqüestres
As competições eqüestres foram introduzidas somente a partir da 25° Olimpíada, em 680 a.C., com o surgimento da tethrippon, (corrida de carruagem puxada por quatro cavalos), disputada no hipódromo.
Tethrippon
É a mais antiga e espetacular das competições eqüestres em Olímpia. A carruagem era formada por um pequeno veiculo de madeira onde duas pessoas podiam ficar em pé. Quatro cavalos amarrados paralelamente puxavam o Tethrippon. Os dois do centro eram chamados de Zigloi, os quais eram amarrados como se fosse um só. Os dois cavalos laterais eram chamados de seiraphoroi, que serviam para direcionar a carroça, o mais forte era sempre colocado a direita, o dexioseiron
Existiam duas modalidades dessa competição: As carroças que eram puxadas por cavalos e as que eram puxadas por potros.
Corrida de biga puxada por cavalos e potros
Chamada de synoris, tinha a mesmas regras que o Tethrippon. A biga de cavalos percorria 9 Km, e a de potros 2,5 Km. Existiam duas modalidades: Biga puxada por cavalo e a biga puxada por potro.
Corrida de carroça puxada por jumento
Chamada de Kalpe, foi introduzida na 71° Olimpíada e foi excluída na 84° junto com a corrida de carroça puxada por mulas (Apene).
Corrida de carroça puxada por mulas.
Chamada de Apene, a carroça era dotada de um banco para o motorista. Esta modalidade foi introduzida provavelmente por requisição das cidades da Magna Grécia onde era bem popular.
Corrida de cavalos
Chamada de Keles, durante a Olimpíada, os competidores montavam a pelo enquanto que na guerra usava-se sela.
As competições de fôlego
Olímpia dedicou duas competições específicas as vozes mais robustas e aos pulmões mais capazes de soprar as trombetas. Todavia a lista dos vencedores não foram registadas, salvo algumas citações esparsas, demonstrando que não eram consideradas de mesma importância que as outras competições. Eles não andavam nus como os outros competidores.
Arautos
Em 396 a.C. foi introduzida a competição dos Arautos pela primeira vez em Olímpia. Esta competição tinha como objetivo escolher os melhores que entre os que anunciaram as várias fases do programa aos espectadores. Antes desta data, os anúncios eram efetuados pelos habitantes de Elide. A voz tinha que ser “alta, potente, sublime, prolongada, clara, distinta, precisa e ininterrupta, em uma só respiração”.
O arauto mais famoso foi Valério Ecletto de Sinope, ganhador por 4 vezes consecutivas durante o século III d.C.
Trombeta
Esta competição foi igualmente introduzida no ano 396 a.C. O som que saia da trombeta, segundo Filostrato, devia ser “apaixonante, competitivo e penetrante”. O grande mestre foi um espartano chamado Epistade que podia se fazer ouvir a 50 estádios de distancia, cerca de 10 km. O primeiro vencedor em Olímpia foi Timeo de Elide.
Cidades com mais vitórias em Olímpia
|
Cidade |
Vitórias |
% |
Primeira vitória |
|
Élide |
117 |
11 |
776 a.C. |
|
Esparta |
81 |
8 |
720 a.C. |
|
Atenas |
47 |
5 |
696 a.C. |
|
Alexandria |
44 |
4 |
296 a.C. |
|
Rhodes |
36 |
4 |
496 a.C. |
|
Mileto |
26 |
3 |
596 a.C. |
|
Efeso |
26 |
3 |
380 a.C. |
|
Crotona |
23 |
2 |
672 a.C. |
|
Argo |
21 |
2 |
708 a.C. |
|
Sicião |
20 |
2 |
480 a.C. |
|
Messene |
17 |
2 |
768 a.C. |
|
Magnesia |
17 |
2 |
424 a.C. |
|
Cirene |
16 |
2 |
484 a.C. |
|
Megara |
15 |
1 |
648 a.C. |
|
Siracusa |
14 |
1 |
720 a.C. |
|
Outras (68 cidades/ estados) |
493 |
48 |
Cidades com mais vitórias na competição “estádio”
|
Cidade |
Vitórias |
Porcentagem |
|
Esparta |
28 |
11% |
|
Alexandria |
27 |
11% |
|
Crotona |
11 |
4% |
|
Atenas |
10 |
4% |
|
Messene |
9 |
4% |
Fonte: Gazzetta dello Sport, “L’ENCICLOPEDIA DELLE OLIMPIADI” – Opera a cura di Elio Trifari



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Muito interessante sua pesquisa. Eu o comprimento pelo trabalho.
Abraço
Comentário por Raja — 25/08/2008 @ 9:22
Caro Raja,
Muito obrigado pelo elogio.
Abraço!
Comentário por Xico Malta — 25/08/2008 @ 13:24
Bizzaro, por bizarro, a edição de 2016 poderá ter uma competição de “corrida da bala perdida”….
Comentário por Alberto — 25/08/2008 @ 10:45
Que maldade!
Comentário por Xico Malta — 25/08/2008 @ 13:25
Uma Aula, incrivel sobre a historia das olimpiadas.
SENSACIONAL !!!!
Merece meus parabéns, Xico vc foi espetacular !!
Comentário por Eduardo MOntejano — 25/08/2008 @ 11:21
Caro Eduardo,
Muito obrigado,
abraço
Comentário por Xico Malta — 25/08/2008 @ 13:25
quero Xico,
obrigado pelo post.
Há várias coisas interessantes sobre o surgimento das Olimpíadas. Píndaro, grande poeta grego que criava odes na hora para saúdar os campeões, diz em uma das odes que a Olímpiada é o modo mais perfeito que uma guerra (em grego, pólemos) pode alcançar. A Olímpiada era, digamos assim, uma “guerra de mentirinha”. Então, ao invés de se matarem nas guerras constantes entre as cidades gregas, eles competiam. Ainda se acreditava que era na competição, no confronto com o adversário, que um competidor poderia encontrar forças para se tornar um campeão olímpico, ou seja, alcançar a vizinhança dos deuses olímpicos. Como os gregos eram amantes da guerra (uma guerra bem diferente da que conhecemos hoje, mas ainda guerra), eles também são amantes das Olimpíadas: um espacinho onde eles podem fazer guerra sem se aniquilar. O único evento que, na Grécia antiga, conseguiu interromper uma Olimpíada foi uma guerra de verdade.
Não só os atletas, mas os artistas em geral eram desafiados a elogiar, com suas obras, os vencedores. Os escultores eram responsáveis por fazer estátuas aos campeões – e o nível de exigência era tal ao ponto de não aceitarem nenhuma estátua que não fosse ‘divina’.
Um grande abraço e obrigado pelo post
Comentário por Bruno — 25/08/2008 @ 14:23
Caro Bruno,
Muito obrigado pelas informações, enriqueceu muito o post.
Grande abraço!
Comentário por Xico Malta — 25/08/2008 @ 14:28
[b][violet]parabens eu copiei essa coisas sobre as olimpiadas para um trabalho que iria valer nota graças a seu texto eu tirei nota 10 eu e minha amiga!!!!!
Comentário por gabriella — 25/08/2008 @ 15:58
Malandrinhas! hehehe!
Abraço!
Comentário por Xico Malta — 26/08/2008 @ 14:20
Muito bom cara,mas não têm nenhum vídeo não?
Comentário por AUGUSTO CESAR FERREIRA DA CUNHA — 25/08/2008 @ 19:04
Uau!
Mas que supimpa estes dados!!!
Parabéns pela postagem, Xico.
Pugilismo infantil? Já imaginou??
Felizmente, Rousseau, o pai filosófico do Estatuto da Criança e do Adolescente passou pelo nosso planeta um dia.
Xico, vem cá: o termo ‘pancada’ deve ter vindo de ‘pancrácio’, né? ;o)
Estava achando tudo MUITO violento e ignorante até ler que os atletas andavam nus… Gostei da idéia.
Povo evoluidíssimo, não? rs*
Muito legal mesmo o texto.
Merci!
Abraço,
d.
Comentário por DeboraH — 26/08/2008 @ 15:55
queria te falar muiti obrigado por seres malandrinhas beijão a todos que estão lendo isso……………abraços!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Comentário por eliane — 21/09/2008 @ 13:59