30 mar

Do início ao fim, um vareio.

Análise de jogos, Copa do Mundo, Curiosidades, Seleção Brasileira

De Vitor Birner

Não dou muita bola para os títulos dos posts.

Decido em segundos qual usar.

Mas o empate brasileiro em Quito me deixou em dúvida.

Pensei em vários:

“Equador 1×1 Júlio César”

“Júlio César pára o Equador”

“Só o goleiro foi à Quito”

“Júlio César, obrigado!”

“Nem gol de empate no fim satisfaz equatorianos”

“Cuidado: O resultado engana”

“Diante das circunstâncias, resultadoi foi ótimo”

“Quase ganhou ou escapou da derrota?”

“O Equador tem mais a lamentar.”

“Seleção não jogou nada”

E por aí vai…

No fim, fugi do comum ufanismo, isolei emoções, e optei pela simples e dura realidade.

O Equador, sem exagero, massacrou o Brasil.

Domínio total do início ao fim.

A seleção brasileira cometeu vários tipos de erros.

Poderia tê-los evitado.

O Equador é tão bom quanto previsível.

Seus jogadores são conhecidos, o time sabe usar a altitude de Quito, lança bolas na área, chuta de média distância, abusa dos laçamentos longos, gosta mais de atacar pela direita com Mendez… Sem segredos.

O Brasil deveria trabalhar a posse de bola, trocar passes na frente, cavar faltas, tirar a velocidade do jogo.

Mas optou pelo contra-ataque, segundo dizem, o ponto forte da equipe.

Realmente é, todavia quando Kaká está em campo.

Ronaldinho foi o mesmo dos últimos 3 anos. Robinho pouco fez.

Os dois responsáveis pela armação dos contra-ataques falharam.

E ao contrário de seus companheiros, não foram guerreiros.

Não dá para questionar a garra da seleção.

Tirante Ronaldinho e Robinho, todo mundo lutou muito.

Problemas técnicos, de fundamentos, houve, só que o maior foi tático.

Ronaldinho quase não marca e Robinho, ao invés de brigar pela bola, ficou a espera dela nos pés.

Como Luís Fabiano, mais esforçado que os outros dois, tenta sem grande sucesso desarmar – não é especialista e isso piora quando defende times com atletas distantes uns dos outros – a bola batia e voltava no paredão Júlio César.

Uns milagre aqui, umas defesas espetaculares acolá, duas bolinhas na trave e outras tirando tinta dela mostraram o conflito do maior pecado equatoriano contra a maior virtude verde, amarela e branca.

Júlio César foi, outra vez, soberbo, mágico, sensacional.

E o Equador perdeu vááááááááááárias chances.

Errou além da conta. Iinadmissível.

O gol brasileiro aconteceu no contra-golpe.

Júlio Batista havia substituído Ronaldinho. Ele recebeu passe no lento contra-golpe, e quando achou o espaço chutou forte. A bola bateu na trave, nas costas de Cevallos, e entrou.

A sorte estava do lado brasileiro. Entretanto o futebol, não.

No lance mais bonito de todo duelo, Mendez fez linda jogada pela direita e cruzou, Benitez, na cara de Júlio César desviou a bola, o goleiro fez outro milagre, e no rebote, com o melhor em campo caído, Noboa estufou as redes aos 44 da etapa complementar.

E os equatorianos ainda quase conseguiram a virada.

Os erros do Brasil?

Foram muitos.

Os laterais tinham que marcar acima de tudo, mas na verdade são alas ou meio-campistas em seus times, executam funções diferentes.

Eles não tinham a devida cobertura de Gilberto Silva e Felipe Mello. Os volantes tentavam, porem ficavam perdidos entre cuidar dos lados e do meio. Não fizeram nada direito. Estavam sobrecarregados, pois a marcação no ataque era horrível, a bola também não parava lá, e Elano ficou perdido. Tanto é que a entrada de Josué no lugar dele, na metade do segundo tempo, ao menos diminuiu o espaço no meio.

Luisão e Lúcio mostraram desentrosamento. Felipe Mello, escalado para dar qualidade na saída de jogo da defesa, também deixou bastante a desejar.

O caos tático e técnico e a vantagem no placar provocaram situações de posicionamento patéticas.

Algumas vezes o Equador tocava a bola com facilidade até a entrada da área em boas condições de arrematar, o volante brasileiro ficava dentro da área, a distância para o jogador adversário não permitia o combate, e Luís Fabiano aparecia sei lá de onde, que nem louco, para atropelar o rival.

Quando conseguia chegar!.

Em suma, o Brasil deve comemorar o empate e lamentar bastante o futebol mostrado.

Foi bem feio.

O material abaixo, sobre a participação do Equador nas eliminatórias, foi produzido por José Renato Sátiro Santiago Jr.

De José Renato Sátiro Santiago Junior

Disputou de 12 eliminatórias para a Copa do Mundo e conquistou sua classificação em 2 oportunidades, justamente nas duas últimas, em 2002 e 2006.

Os excelentes desempenhos nos jogos em casa foram fundamentais.

Na campanha para a Copa de 2002, foram 6 vitórias, 2 empates e apenas uma derrota, e para a de 2006, obteve 7 vitórias e 2 empates.

Na atual, até o momento, venceu 3, empatou 2 e perdeu 1 jogo, contra a Venezuela, na primeira rodada.

110 respostas a Do início ao fim, um vareio.

  1. Vitor Birner disse:

    Meus sentimenso aos familiares e amigos também. Será que o governo local ou mesmo a Fifa tomarão atitudes para punir quem permitiu a super-lotação?

    Abraço.

  2. Gustavo Soares disse:

    Analisando a equipe, acho que a perda do Maicon no primeiro tempo afetou, mas achei o Marcelo mais fraco na marcação. Tava uma avenida por lá. O problema maior é o meio. Tinhamos 2 a menos nessa posição! Gilberto Silva e Ronaldinho só fazem número. A equipe devia ter jogado com o Josué e o Julio Batista desde o começo (usando os caras que tavam lá) ou com Josué e Anderson (que no Grêmio era mais meia que volante). Quem sabe Josué, Felipe Mello, Elano e Anderson fosse um meio melhor e mais atuante (se fosse eu quem convocasse, e sem o Kaká jogaria com o Edu (do Valência), Ramires, Renato(Sevilla) e Alex (Fenerbahce). Convocaria além deles o Hernanes, Lucas, Kaká, Diego e Julio Batista (odiava ele no São Paulo, mas é útil para compor o elenco e melhorou bastante… lembra da época que o Nelsinho colocava ele de atacante? e ele perdia mil gols por jogo? melhorou bastante depois disso…). Para frente ia de Luis Fabiano, Adriano e Keirrison.

    sds tricolores

  3. Visão Descone disse:

    Então desdigo o que disse e passo a concordar contigo. Esforçados foram quase todos sim, mas a Seleção Brasileira não deveria ser lugar para "esforçados".

  4. luiz cabral disse:

    São muitos comentários. Opiniões diversificadas. Quanto a zaga, o Brasil tem bons zagueiros, talvez a escalação dos titulares ñ estejam corretas. Acho q simplesmente o THIAGO SILVA, Q NÃO FOI CITADO, nos posts que li (CITARAM ANDRÉ DIAS, MIRANDA, LUIZÃO, LUCIO, PIRULITO, JUAN). """""""""""ACHO Q OS PAULISTAS NÃO VIRAM MUITO O TIAGO SILVA JOGAR""""THIAGO SILVA É SIMPLESMENTE O MELHOR ZAGUEIRO BRASILEIRO E UM DOS MELHORES DOS ULTIMOS TEMPO, TEM TODOS OS FUNDAMENTOS DO FUTEBOL. E VAI APRENDER MUITO MAIS NO PÁIS DA DEFESA, E COM CERTEZA VAI SER CONSIDERADO MELHOR DO MUNDO. OPINIÃO MINHA: É REVOLTANTE VÊ-LO NA RESERVA.

  5. Visão Descone disse:

    Esse Kaká é mesmo um protegido. Acho que começarei a separar os meus dez por cento. Se o cara estivesse ontem no balaio teria sido a mesmíssima coisa. No entando ele torceu o pezinho e agora dizem que é Kaká e mais dez. Francamente.

  6. MARCIO , o xar&aacut disse:

    Ô Birber!! Por que será que nas entrevistas coletivas, seus colegas jamais, sob hipótese nenhuma, fazem uma pergunta que o torcedor faria???? è medo de ter as orelhas esticadas?

  7. Claudio disse:

    Birner,

    Pegando o gancho no comentário da Paula, penso que a muuuuuuito tempo nossa seleção não tem um padrão de jogo definido. As convocações são feitas com base em critérios altamente discutíveis e elege-se um ou outro jogador para resolver o jogo. A responsabilidade já recaiu recentemente nas costas de Ronaldo, Ronaldinho Gaucho, Kaká.
    Feliz ou infelizmente, muitos desses jogadores realmente já decidiram em favor da seleção. Preparação, esquema tático definido, estudo do adversário, coisas tão normais nos times, são artigo raro na seleção. Para quem não tem idade, questionado sobre a Holanda, Zagallo disse que eles é que tinham que se preocupar com a seleção brasileira, na Copa da Alemanha, em 1974…
    As raras vezes em que se viu algum tipo de planejamento na seleção foram na copa de 70, na de 82 e, em menor grau na preparação para a copa de 2002.
    No resto foi um bumba meu boi, com os resultados óbvios.
    A atual juntou à bagunça característica o desprezo do técnico pelo mínimo de bom senso na hora de convocar, preterindo os poucos talentos que ainda conseguimos formar por jogadores que o treinador acha que vai descobrir como uma joia rara que só ele conseguiu ver!
    No ritmo que as coisas estão, vai chegar o dia em que não nos classificaremos para a Copa do Mundo.
    Eu já passei da idade de torcer contra, para que o resultado ruim provoque a mudança. Sei que isso não vai acontecer e a única coisa que restará será o resultado ruim. Por isso não comemorei o gol do Equador ontem.

    Abraços,

    Cláudio Prado

  8. luiz moura disse:

    É um absurdo o Ramires, Hernanes e Nilmar não serem titures da seleção, como é absurdo convocar Ronaldinho e Adriano.
    É por essas e outras que a grande paixão que povo tinha pela seleção vai se tornando obsoleta.

    Abraço grande birner.

  9. AUGUSTO CESAR disse:

    O time do Dunga é cheio de jogadores comuns sem esquema tático.Não leva os melhores e não está pronto pra assumir a Seleção.Se já há uma distância do torcedor,dessa forma,só aumentará.

  10. Betão disse:

    Birner, o Kaká fora de forma ainda é o melhor meia atacante do mundo. O Kaká fora de forma é melhor que o Gaúcho, Adriano e Elano em forma.

    Sem Kaká, não tem seleção. Vide Kaká machucado na copa e as inúmeras vezes que ele ficou de fora por contusão ou dispensa.

    Kaká > seleção.

    Não é engraçado que o Muricy reclama que não tem meia e por isso tem que achar um jeito de prender a bola no ataque pra armar jogadas (seja com alas que são meias, volantes que viram armadores, pivôs que são o camisa 10 do time) enquanto o Dunga faz questão de não convocar um cara desses mesmo tendo todos os brasileiros à disposição?

    Ridículo. Mas td bem, pra jogar na seleção do Dunga tem que entrar em má fase antes ou ser vendido pra fora ou os 2. Com Kleber e Miranda foi assim hehehehe.

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