“Apodos” – 2
De Vitor Birner e Leandro Iamin
Este é o segundo post da série “Apodos”. Como o primeiro, trata de 3 times.
O maior, na hora “h”, em competições continentais, costuma refugar. Disputou 30 edições de Libertadores e chegou em 4 finais. Foi derrotado em 11 semifinais.
O considerado médio pelos hermanos, ao contrário, disputa “apenas” a sua décima Libertadores, mas está na quinta decisão.
O pequeno, como outros times do mesmo patamar, possui personalidade, estilo e torcida com alma. Porem nunca foi campeão em divisões principais.
Os três são centenários.
River Plate – Los Millonarios
Segunda maior torcida do país, o River Plate tem essa alcunha não pelo fato, que é verídico, de não ser exatamente um time de raízes humildes.
Mas foi na década de 30, com a entrada do profissionalismo no futebol argentino, que o time de Nuñez virou o “milionário”. Tudo porque investiu pesado em contratações de peso. Ano após ano o investimento se manteve e o apelido se perpetuou.
O “apodo” mais ofensivo dos Millonarios é “Las Gallinas”.
Ganhou força no ano de 1966, quando o River, a 18 anos sem conquistas, perdeu por 4×2 a Final da Libertadores contra o Peñarol, e de virada.
Essa derrota foi humilhante e no jogo seguinte, contra o Banfield, a torcida adversária soltou uma galinha em campo, para deleite de todas as demais hinchadas.
O termo “galinha” denota covardia e impotência, e é a cruz dos Millonarios que possui 33 Nacionais, duas Libertadores e um Mundial.
Estudiantes de La Plata – Los Pincharratas
O time, como sugere o nome, foi fundado por estudantes. No caso, de medicina.
Eles, naturalmente, se preferir infelizmente, usavam ratos em pesquisas. Um dos significados de “pinchar” é espetar, pinçar.
No caso, Pincharrata seria o mesmo que pegadores, ou espetadores, de rato. A tradução não é ao pé da letra, mas este é o sentido do apelido.
“Los Pinchas” virou uma abreviação válida, e este tornou-se o apelido oficial do time que tem também o leão como mascote. A autoria desse apodo é reinvidicada pelos rivais do Gimnasia.
Fundado em 1905, a ficha de títulos pincharrata é respeitável. Tem 4 Campeonatos argentinos, 1 Mundial Interclubes e 3 Libertadores da América (as Libertadores foram consecutivas).
Platense – Los Calamares
As Lulas possuem uma glândula de tinta que serve de mecanismo de defesa para momentos em que estão acuadas. Com essa tinta, a água fica manchada, e elas podem fugir. Essa tinta, embora não seja exatamente marrom, costuma ser apresentada como se fosse em livros educativos.
Em 1907, o time mudou de cor. Saíram o vermelho e preto. Entrou o marrom.
No ano seguinte começou a jogar num novo campo, muito barrento e, obviamente, marrom em várias partes. Um “periodista” escreveu que, no barro, o Platense joga melhor, pois “se movem como calamares em sua tinta”.
O marrom entra duas vezes na vida do Platense, com o barro e a nova camiseta. E a tinta de uma lula torna-se a metáfora perfeita. Um dos únicos times marrons do mundo está, agora, apelidado.
O nome do time vem de um haras chamado Platense. Esse haras cuidava de um cavalo que, ao ganhar uma corrida, viabilizou financeiramente o nascimento do time. Os fundadores apostaram no eqüino. Não consta que o cavalo era marrom.
Em 104 anos de vida, o máximo que o clube portenho conseguiu foi o título argentino da terceira divisão, em 2005.



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Depois do último confronto com o corinthians na libertadores o River passou a ser conhecido tbm como “las gallinas canibales”.
Comentário por Max Trimundial — 03/07/2009 @ 1:35
River Plate, e, l.ibertadores, no Brasil, só ganhou do Corinthians mesmo (duas vezes). O River, se somarmos tamanho, procedência e número de participações, po ser colocado entre os mais afinados da história da Libertadores.
Abraço!
Comentário por Vitor Birner — 03/07/2009 @ 17:15
Nossa o River refuga mesmo na hora “h”, perdeu 11 semi – finais, só chegou a final em 4, impressionante enquanto que o maior rival é antagônico.
Pensava que o Istudiantes fosse considerado grande por lá tem um curriculo de fazer inveja a alguns times brasileiro.
E o Platense nunca tinha ouvido falar.
Belo post!
Abraço.
Comentário por Rener — 03/07/2009 @ 9:29
Rener, falaremos de times bem menores que o Platense aqui.
Forte abraço!
Comentário por Vitor Birner — 03/07/2009 @ 17:16
Pelo Jeito, os milionários tão passando por uma grave crise econômica atualmente.
Quando voçês vão falar do Racing?
Comentário por Nívio — 03/07/2009 @ 9:43
crise econômica e administrativa, Nívio. Quanto ao Racing, vem em breve, ao lado dos rivais deles. Abraço!
Comentário por Leandro — 03/07/2009 @ 12:42
Sensacional o post, Birner. Também sou fã da cultura futebolística argentina, dentro e fora de campo. Isso que é torcer! Aposto que você, assim como eu, deve olhar para as arquibancadas do morumbi e ficar um pouco decepcionado com a postura da nossa torcida, mas tudo bem…
Futuramente você também poderia fazer trabalho semelhante sobre torcidas européias, como a do West Ham, AEK, Fenerbahce e por aí vai.
Abraço e parabéns!
Comentário por Pedro Maneschy — 03/07/2009 @ 12:15
Pedro, em regra, aqui, se torce com menos intensidade que lá. Há exceções e momentos que escapam da regra. As histórias dos apelidos foram pesquisadas pelo Leandro.
Abraço!
Comentário por Vitor Birner — 03/07/2009 @ 17:17
Valeu Birner e Leandro…muito boa a série dos posts…continuem assim !!!
Comentário por Ricardo Inocencio — 03/07/2009 @ 12:32
Valeu Ricardo!
Comentário por Leandro — 03/07/2009 @ 17:05
Na Argentina tem o “ESTUDIANTES”.
No Brasil tem o “ANALFABETOS”, também conhecido como “Isporte Crubi Curintias Paulistas”.
EHEHEHEH – It´s just a kidding…
Comentário por MIRANDA, "Tri-campeão da humanidade"!! — 03/07/2009 @ 13:08
Parabéns aos dois, Birner e Iamin, ótimo resgate da história do futebol.
Comentário por Domingos D'Angelo — 03/07/2009 @ 13:18
Obrigado, grande Domingos!
Comentário por Leandro — 03/07/2009 @ 18:45
Birner, acho que voce se enganou. Entrei no site do River Plate e não há nenhuma menção a título Mundial InterClubes lá. Acredito que voce esteja se referindo à Copa Intercontinental de 1986. Seria essa?
Comentário por Marco A. Barbosa — 03/07/2009 @ 13:20
Questão semântica, Marco. hehe.
Comentário por Leandro — 03/07/2009 @ 18:46
Birner, acho que a torcida que adora o Rogério Ceni é o Gimnasia de la plata. Outra coisa, o tetra do estudiantes vem esse ano. E uma pergunta; o River em suas músicas costuma se auto-intitula “los Pibes”, vc sabe porque?
Comentário por Sobrenatural de Almeida — 03/07/2009 @ 14:19
Sobrenatural, quando uma torcida diz “Los Pibes”, é como se ela tivesse dizendo “os caras”, a grosso, bem grosso, modo. É é usado por qualquer torcida, qualquer “galera”, como torcidas de bairro que levam faixas pro estádio.
Abraço!
Comentário por Leandro — 03/07/2009 @ 18:59
Birner, muito legal este post, demais!!!
so por curiosidade, este platense pertence a que cidade argentina?
Abraço
Comentário por Leonardo — 03/07/2009 @ 15:45
Leonardo, o Platense é de Vicente López, que fica na região da grane Buenos Aires.
Abraço!
Comentário por Leandro — 03/07/2009 @ 17:08
Pô os caras só consideram grandes os times de Buenos Aires… bom nunca fui fã de um time argentino… só de uruguaio… sempre simpatizei com o Peñarol. Incrível como a equipe que já foi a maior da américa caiu tanto.
E olhe que me lembro dos confrontos até dos anos 90 pela supercopa e recopa, e eles sempre tinham equipes encardidas. Agora nem libertadores conseguem disputar mais…
Eu sempre fui mais ligado no futebol europeu (Italiano, Portugues e Alemão), por ligações familiares, tendo os times das cidades de meus antepassados como “meus” times locais… (Napoli – ainda mais com o Careca jogando lá – , Belenenses e Werder Bremen).
sds tricolores
Comentário por Gustavo Soares — 03/07/2009 @ 17:20
É gostoso, Gustavo, acompanhar times de fora. A relação te ajuda a conhecer outras culturas da bola, e a abordagem, menos visceral do que a que se vive com seu clube de verdade, faz bem, tem um sabor diferente. Eu adoro saber tudo que acontece com o Galatasaray, por exemplo. Abraço!
Comentário por Leandro — 03/07/2009 @ 18:49
Legal!Mas por que o Platense na parada?
Comentário por AUGUSTO CESAR — 03/07/2009 @ 19:57
Augusto, a idéia é abordar tanto times gigantes quanto times pequenos. Quando o assunto é apelido, alguns times pequenos tem histórias até mais legais!
abraço!
Comentário por Leandro — 03/07/2009 @ 22:09
Torcida argentina é rock and roll! As torcidas aqui são axé, funk e pagode… lamentável. Tirando a Galo Metal, que no próprio nome já diz, e a torcida do Grêmio, a mais próxima dos argentinos. E eu sou palmeirense e fico na Mancha, mas sei que a minha torcida perde de lavada dos argentinos.
Comentário por Pedro Pellegrino — 03/07/2009 @ 23:02
Esqueci de parabenizar vocês pelo post! Ficou animal! Até uma torcida argentina de um time pequeno arrasa. Abraços.
Comentário por Pedro Pellegrino — 03/07/2009 @ 23:04
Na verdade o “Los Millionarios” surgiu quando o River se mudou para Nuñez, então um bairro chique, lá pelo fim dos anos 30. Antes disso, o clube era sediado perto do Boca.
Comentário por Conrado — 04/07/2009 @ 1:44
Conrado, como diz o texto, Nuñez é um lugar mais “bonito” que La Boca, um bairro confortável. Mas não é daí que nasce o apelido do River.
abraço!
Comentário por Leandro — 04/07/2009 @ 1:52
Birner,
Também gosto muito da cultura futebolística argentina, acho que ele torcem com muito mais fervor. Sou fã do Rosario Central e do Independiente. Só acho que o futebol lá é muito concentrado na capital, a esmagadora maioria dos times, é de Buenos Aires e região metropolitana.
Curiosidade, outro time marron é o St. Pauli, de Hamburgo, Alemanha.
Comentário por Helton — 04/07/2009 @ 9:59
Caraca legal vc falar do Galatasaray. Em 2000 quando eles ganharam a copa da UEFA eu morava na Alemanha (em Nuremberg). E tinha um amigo turco da faculdade (ele era torcedor do Besiktas). Quando teve a final, a torcida turca da cidade alugou o pavilhão da Volksfest (que é um tipo de oktoberfest que acontece em junho) para assistir o jogo. Fui lá com ele e mais uns amigos e foi uma experiência incrível. Os caras faziam tanto barulho como num estádio e fizeram uma baita festa quando do título, e como o heroí foi o Tafarel, e eu era o único brasileiro por lá eles todos me comprimentaram… até jogaram pro alto como fizeram no brasileiro com o Murici… Os caras vibram mesmo (e naquele dia não tinha isso de eu torço pro Besiktas ou pro Fenerbahce… era todo mundo Galatasaray.) Foi muito louco.
sds tricolores
Comentário por Gustavo Soares — 04/07/2009 @ 13:01
Tenho um pé nessa terra. Na verdade os outros torcedores não perderam a chance de torcer pelo Galatasaray. É uma honra para eles, hehehe. Sensacional a história. Abraço!
Comentário por Leandro — 05/07/2009 @ 1:13
Olá, Birner
Muito legal estes posts sobre apelidos do futebol argentino. Tenho simpatia pelo Racing e também pelo Ferro Carril. Este último, aliás, está há muito tempo afastado da primeira divisão e me lembro muito dele no final dos anos 70. Se não me engano, este clube chegou a ter um bom time de basquete e chegou a participar de campeonatos ao lado de outro clube argentino (Obras Sanitárias), ao lado do Sírio, aqui em SP, naquele tempo…
Abraço
Comentário por Rogério Moreira — 04/07/2009 @ 13:26
Rogério, o Ferro Carril, que na década de 80 foi campeão nacional de futebol E DE BASQUETE, estará na próxima lista de times. Aguarde! abraço.
Comentário por Leandro — 05/07/2009 @ 1:20
Parabéns pela iniciativa, Birner.
O futebol argentino é apaixonante. Também sou um fã do futebol deles. Lamento que as crises financeiras das últimas décadas, assim como o casal que governa o país, tenha deixado a economia diminuída. E com crise econômica não é possível manter os garotos jogando por lá por muito tempo.
Apesar das dificuldades econômicas, dá gosto ver o Huracan jogar. Será o campeão do clausura.
Comentário por Tiago — 04/07/2009 @ 17:15
Parabéns pelo post, fantástico! sou Pincharrata de corpo e alma, pois nasci em La Plata, e la a coisa é uma questão berço. Vc respira isso desde que nasce. Eu fui sócio ao minuto de nascer, (como muitos outros) meu pai antes de ir no cartório me registrar já tinha ligado para o clube para me associar. A gente ama o clube, não importa se o time de futebol é ruim o fenomenal. O final de semana todo mundo vá ao estádio prestigiar. As esposas sabem disso desde sempre, não ha conflito com esse assunto. Nas ultimas décadas elas também acompanham ao marido ao estádio e levam os filhos juntos. La Plata não tem shopping, parque de diversões ou coisa similar, tem dois times de futebol. Só se fala disso o tempo todo.
Não tenho certeza de se a versão que meu pai conta seja a correta mais ele diz que “Pincharratas” é uma apelhido que ganhou parte da torcida do Estudiantes que trabalhava no Mercadão de Frutas e Verduras da cidade, e onde tinha uma grande quantidade de ratos, que estes trabalhadores / torcedores, espetavam.
O apelhido de “Leon” aparece na decada de 70. Entre 1975 e 1977 Estudiantes voltou a ter protagonismo nacional disputando titulos e clasificando para a Libertadores. Era um time aguerrido, a imprensa da cidade começou a chamar de time de “Leões”, e a torcida incorporou o termo como apelhido já que o “Leão” é mais bravo que o “Lobo” (apelhido do Gimnasia de la Plata).
Grande abraço!
Comentário por Gerardo — 04/07/2009 @ 23:21
Boa sorte na final, Gerardo! Abraço.
Comentário por Leandro — 05/07/2009 @ 1:21
Birner… E o Post q eu e o Caio FC, pedimos sobre o AJAX da Holanda ??
Comentário por MIRANDA, "Tri-campeão da humanidade"!! — 05/07/2009 @ 7:52
[...] Prestem atenção no dia do pontapé inicial deste blog. Neste mesmo 4 de agosto, outra fundação acontecia, muito mais importante do que este pequeno espaço… Há 104 anos, em uma sapataria da cidade de La Plata, nascia o Club Atlético Estudiantes. Coincidência ou não, este blog chega em (mais) uma fase de glórias de ‘Los Pinchas’ (leia mais sobre o apelido no Blog do Birner). [...]
Pingback por Bienvenidos! | La Mano de Dios — 04/08/2009 @ 16:15