De Vitor Birner e Leandro Iamin
O pai ganhou a Libertadores em 68, 69 e 70.
Perdeu a decisão em 1971
O filho, ontem, deu outra Libertadores ao seu time de coração, o mesmo do pai.
Nem dá para dizer que eles têm identificação com a equipe de La Plata.
Eles são pincharrtas mesmo, torcedores e jogadores, história e glória do Estudiantes.
O texto abaixo é de Leandro Iamin.
Ele conta um pouco dessa relação.
De Leandro Iamin
Juan Sebástian Verón é filho de Juan Ramón Verón. La Bruja é o pai. La Brujita, o filho.
Ambos, agora, são campeões da Libertadores pelo time de seus corações.
La Bruja marcou sua vida no Estudiantes.
Foi o grande nome do time mais campeão da história Pincharrata, no fim da década de 60, tricampeã da Libertadores (derrotando o Palmeiras em 68, inclusive), e campeão mundial, batendo o Manchester em jogo histórico, em 1968.
La Bruja Verón fez os anos dourados pelo seu rojiblanco, e partiu pra Grécia onde atuou pelo Panatinaikos, em 1972. Voltou 3 anos depois para jogar de novo no clube do coração. A volta teve uma motivação extra: o nascimento de seu filho, Juan Sebastián, em março de 75.
O pequeno Verón, porém, foi criado entre as viagens de seu pai, que, em 77, partiu para atuar no futebol colombiano, onde ficou até 1980.
Voltou ao Estudiantes, encerrou a carreira ali, e foi ser treinador na América Central.
As 3 passagens o tornaram um dos maiores artilheiros do time, mas, pelo amor e bravura em nome de sua camisa, foi talvez o maior símbolo do time em toda sua história de 104 anos.
La Bruja trabalhou também como diretor do Estudiantes, nos anos em que Verón, o filho, começava a engatinhar na carreira.
Em 93, com 18 anos, Verón, o filho, apareceu pela primeira vez no profissional Pincharrata.
Ficou logo conhecido como La Brujita.
O peso era grande em suas costas. 17 partidas em duas temporadas, e Verón se transferiu para o Boca.
De lá, rapidamente foi para a Europa.
Sampdoria, depois Parma, Lazio.
Era estranho.
Ele fazia mais sucesso na seleção do que nos clubes. A ida para a Inglaterra, Manchester United, era muito esperada, e foi apenas razoável.
Depois, Chelsea, onde não conseguiu destaque, ainda abalado pela má fase que o perseguiu após o fracasso na Copa de 2002.
Na Internazionale, ele foi relevante. Mas já era hora de ele voltar.
Fora dos planos da Seleção, La Brujita depositou toda sua dedicação no seu clube de coração. Ganhou o campeonato Argentino, em 2006, gastando a bola. Tornou o time consistente, ajudou a revelação de novos talentos.
O futebol dos Estados Unidos tentou o contratar.
Times brasileiros insinuam-se. Mas ele fica por lá. O vice da sulamericana de 2008 é um golpe duro.
Mas La Brujita é o suporte, emocional e técnico, do time que consegue ganhar a Libertadores de 2009.
Agora a associação direta que ele tem com seu pai, não tem só motivos familiares. Definitivamente, a Libertadores liga pai e filho.
O filho é mais técnico, mais armador, e o pai foi mais instintivo e artilheiro.
Os dois são torcedores, antes de tudo. São amadores no sentido real da palavra, atuam por amor, além do contrato profissional.
Leandro Desábato falou, nos vestiários do Mineirão:
“Foi tudo por Sebastian”.
Ao lado do pai, Bruja e Brujita, são mitos pincharrata.



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A máxima "Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay" esteve em campo ontem no "Mineirazo". Representado não pelo imponderável que os deuses do futebol por vezes nos reservam, mas sim por coisas intra e extra-campo (mágicas e invisíveis, por que, não?) que cercam este que é o mais apaixonante dos esportes. Caso sobretudo da liderança (verdadeira) e o espírito de campeão de "La Brujita" Veron, somados à sua inteligência, seu amor, sangue e suor ao time de coração do pai e à sua própria história (à casa, o bom filho torna), refletidos por toda a limitada equipe do Estudiantes. Contra os argumentos vazios e ensaiados para a vitória (antes da partida) e para a derrota (depois do jogo) e o nervosismo e a falta de confiança dos cruzeirenses, vale ainda outra lição: a fé move montanhas. Ontem, uma vez mais, ela (ou, se quiser, a força mental) de um "bruxo" moveu as Alterosas. Desabato disse tudo: “Foi tudo por Sebastian”. Viva a força! Viva Veron! Saudações ao Leandro e ao Birner pelo grande texto.
Mística!
Você acredita Birner?
Abraço!!!
Em 68, os industriais de Manchester. Agora, o Serra e o Aécio. Que time maravilhosamente petulante …
que linda história!!!
grandes identificações assim adicionam um enorme valor ao futebol!
brilhante!!!
aqui temos dois goleiros que conseguem essa identificação. o Edu que voltou para o corinthians tbem foi legal, mas ele não possui a expressão de Marcos e Ceni, mas isso não ofusca o amor que ele demonstra.
Em fim sao tres exemplos, que criemos mais!
Parabéns Leandro!
Belíssima história. Isso sim que é jogar por amor ao clube.
Birner ando sumido porque internet agora só de casa, a ditadura apareceu lá no trabalho em pleno 2009.
SRN