De Vitor Birner e Leandro Iamin
Nos últimos dias, o blog teve muitos “posts tensos”. Política, brigas, questões de justiça desportiva, a condenação de Ricardo Teixeira, doping… Já tivemos dias mais leves. Quiçá voltarão em breve.
Para contrabalançar, decidi blogar uma grande partida de futebol. Sem dúvida, uma das maiores apresentações que vi de selecionados nacionais. Separei o vídeo e pedi ao Leandro um texto sobre o jogo com alguns detalhes.
Ele está logo abaixo. Participarão do espetáculo:
ARG:Sergio Goycochea, Julio Saldaña,Jorge Boreli, Oscar Ruggeri (Cap), Ricardo Altamirano, Gustavo Zapata, Fernando Redondo (Alberto Acosta), Diego Simeone, Leonardo Rodríguez (Claudio García), Ramón Medina Bello e Gabriel Batistuta.Téc: Alfio Basile
COL: Óscar Córdoba, Luis Fernando Herrera, Luis Carlos Perea, Alexis Mendoza, Wilson Pérez, Leonel Álvarez, Gabriel Jaime Gómez, Freddy Rincón, Carlos Valderrama (Cap), Faustino Asprilla e Adolfo Valencia.Téc: Francisco Maturana
Argentina 0×5 Colômbia
Quando Valderrama trabalha pelo meio e aciona Rincón que domina avançando em velocidade pela direita, tira o goleiro e faz o gol, a alegria enorme do narrador colombiano dá uma idéia da importância daquele lance.
A Colômbia acabara de abrir o placar diante da Argentina, em 5 de setembro de 1993, em pleno Monumental de Nuñez, Buenos Aires.
O jogo era válido pela rodada decisiva das Eliminatórias para a Copa de 1994. Divididos em dois grupos, apenas os campeões se garantiam no Mundial, além da Bolívia, que, como vice do grupo oposto, pegava a terceira vaga direta.
Pelo Grupo 1, a vaga foi, por coincidência, disputada no confronto direto. O ganhador ia pra Copa e o perdedor para a repescagem contra a Austrália. Com oito pontos, lider e precisando do empate, a Colômbia estava longe de ser a favorita. Diziam que nessa hora a camisa pesa, e, em casa, não haveria como parar os Hermanos. Com sete pontos, precisando ganhar, a Argentina era grande candidata a festejar naquela tarde. A vitória ainda valia dois pontos.
O time de Valderrama tinha feito um gol a mais e sofrido dois a menos que seu oponente. Ganhara no 1° turno, por 2×1. Vinha de um 4×0 contudente contra o Perú. Era uma equipe feliz, carismática, a cabeleira de Valderrama, as pernas negras e finas de Asprilla e Rincón, a lembrança de Higuita e suas graças na Copa do Mundo anterior.
O 1° tempo termina 1×0 para os visitantes, com este gol de Rincón. É possível virar, claro que é. Mas aos 5 minutos da etapa final Asprilla domina bola aérea, quebra a coluna do zagueiro e faz o segundo. A Colômbia põe os pés nos Estados Unidos. E o narrador argentino fica atônito (ambas narrações podem ser vistas no vídeo abaixo).
A partir daí o jogo se transforma num espetáculo para sempre, para a posteridade. A Argentina, que ainda criou chances com Batistuta e cia, termina por sofrer a maior goleada em casa de sua vida em casa, e o impacto da atuação colombiana é duradouro o suficiente para fazê-los desembarcarem para a Copa, um ano depois, como favoritos.
A comemoração de cada gol é libertadora. Três anos antes, na Itália, pela Copa de 90, um gol de Rincón contra a Alemanha, no fim do jogo, classificou o time para as Oitavas. Foi, à época, a maior façanha da história da seleção.
Superada apenas quando o mesmo Rincón marca o terceiro gol em Nuñez. Engolida depois que Asprilla faz o quarto, lindo, por cobertura. E esquecida sumariamente quando Valencia fecha o placar, sonoros 5×0.
Assim como na Copa de 90, depois da heróica classificação, o fracasso veio no desafio seguinte. Na Itália, Higuita entregou o jogo para Camarões. Em 94, a máquina que se previa não funcionou, a Colômbia nem passou de fase, e Escobar, defensor que fez gol contra, foi assassinado.
Mas nem essas derrotas fizeram esta geração ser deixada de lado na Colômbia. Foi uma época de ouro, de singularidade estética, tática e visual, e de resultados capazes de bagunçar toda e qualquer certeza acerca do futebol.
[Youtube:http://www.youtube.com/watch?v=MyvnXemunk0&feature=related]



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Como é bom relembrar grandes jogos… rs. Vi esse jogo. Inesquecível.
Gostei muito do post.
FANTÁSTICO!
Obrigado por alegrar meu final de noite.
Simplismente incrivel… a reação do narrador e o fiasco argentino.
Obrigado, do fundo do coração, por me fazer lembrar de algo que eu, com pouca idade, apenas tinha flashs…
Alan, achei que o blog tinha muita coisa de política, justiça, brigas, e como outras virão, decidi quebrar o clima com um espetáculo como o oferecido pela Colômbia. Quem conseguirá repetir isso e de forma parecida?
Forte abraço!
Vitor e Iamin,
Infelizmente nessa época a Austrália era uma "baba" e mesmo sendo um time limitadíssimo em 93' não fez feio a Argentina, que desculpe o palavreado, era medíocre !
Tirando o Redondo que jogava muita bola, Batistuta e mesmo tendo o veterano Ruggiere, o time não lembrava nem de longe os times técnicos de outrora.
E a Colômbia jogou esse jogo com uma vontade surpreendente, não era só técnica, era um time forte, rápido com vontade e que se perdeu em 94 por prêmios, grana, vaidades, triste !
Tinha 12 anos na época e como é gostoso lembrar que o colorido se restringia aos uniformes e aos carros e que as chuteiras eram só pretas, rs …
Abs !
eu me lembro desso jogo!! tinha 10 anos e respirava futebol naquela época. Assiste com meu pai na sala, numa televisao velha que nem controle remoto tinha! muito muito legal! abracos birner!!
Jogo sensacional, nunca me esqueço, fiquei sabendo do resultado numa padaria no interior , quase engasguei….
O time todo era bom, mas na Copa o buraco é mais embaixo, experiência é tudo.
O Ríncon foi um dos três maiores volantes que eu vi jogar, fora a técnica impecável, a raça, quando ele "abria as asas" para proteger a bola, não tinha pra ninguém – jogador espetacular.
Assisti essa partida em 93, qdo tinha 18 anos.
Nunca imaginei q estaria presenciando um momento histórico.
Ei Birner…
Nesse embalo, vc poderia iniciar um post falando sobre o jogo mais fantástico de todos os tempos q envolveu um clube brasileiro. Me refiro a SPFC x Barcelona.
Espetacular lembrança Birner. Eu tinha pouco mais de 13 anos e pude apreciar esta obra-prima… A Colômbia jogou o fino, um time que jogava por música… Realmente precisámos deste colírio… E ver a Argentina se dando mal, nunca é demais, né?
Vlw, msm.
Essa geração pode ser chamada de Narcosboys, dado a todo investimento que Pablo Escobar fizera no futebol…
Vi esse jogo,até o Valderrama,um dos maiores enganadores da história do futebol,jogou bola.Mas a Colômbia mascarou,desconfio que achava que ganharia a copa com facilidade.E se deu mal…
Bela recordação Birner, pena que na Copa eles foram soberbos d+, se não fosse isso poderiam fazer uma grande copa do mundo, era uma das selesções que eu temia que o Brasil enfrentasse naquela Copa.
"Futebol Moderno" é este praticado de 1983 pra cá? Ah, então deve ter sido mesmo.
Birner, que pique o do Asprilla no terceiro gol hein?
Vai ter pique assim longe…
E o 4º gol nossa mãe?!
Jogão…
Esse é daqueles times que todo mundo lembra da escalação, pelo menos do ataque,porque lá tras só o goleiro era bom.Birner , o Brasil tem um vexame semelhante assim em casa?Tentei lembrar e não consegui.
Obrigado pela alegria de rememorar bons momentos. Era a Argentina … Mas antes de tudo era o futebol.