Ele reapareceu! Não escrevia um post desde 12 de agosto do ano passado!
Para ser justo, Xico Malta me mandou o texto abaixo na quarta-feira.
Entenda a violência entre torcedores do PSG, na prática uma briga entre nacionalistas franceses e de filhos de imigrantes.
De Xico Malta
Paris Saint Germain x Olimpiques de Marseilles, o clássico de maior rivalidade na França, foi o palco de uma terrível cena de violência. Os dois times se enfrentaram domingo, 28 de fevereiro, no Parcs des Princes pela 29ª rodada do campeonato francês.
Se não bastasse o temor do possível confronto entres as torcidas adversárias para preocupar, torcedores do PSG resolveram brigar entre si. Não é de hoje a guerra fratricida do time da cidade luz.
Membros da torcida organizada da curva chamada Boulogne, com forte tendência nacionalista fascista, atacaram os da curva Auteuil, composta por filhos de imigrantes magrebinos e africanos, moradores da periferia parisiense.
O confronto ocorreu uma hora antes do inicio do jogo (sugiro a leitura do post que trata do tema da cisão da torcida do PSG: Uma torcida e dois mundos).
« Os caras do Boulogne foram até a entrada da curva Auteuil cantando: “Azul, Branco e Vermelho, a frança para os franceses”, narrou um torcedor surpreso ao rever o ressurgimento do conflito “Paris contra a periferia”, ocorrido em 2005.
Durante uma hora, vários projeteis foram lançados por ambos os lados, e uma verdadeira batalha campal ocorreu nos arredores do Parcs.
Pessoas foram espancadas e vários torcedores estavam com os seus rostos ensangüentados. Um torcedor do lado Boulogne foi levado ao hospital gravemente ferido.
“Ainda bem que os torcedores do Olimpiques de Marselilles não vieram, comentou aliviado um espectador”.
Na véspera do clássico, 1500 torcedores do OM desistiram de subir até Paris.
A violência deixou em coma um homem de 38 anos, espancado antes da chegada da força policial.

Fonte: AFP/LOIC VENANCE
Diante da tal selvageria, o presidente do Paris Saint Germain, Robin Leproux, anunciou na terça-feira, 02 de março, várias medidas para tentar combater e punir a violência praticada pelos torcedores do clube que administra.
“Até segunda ordem, não venderemos mais ingressos aos nossos torcedores nos jogos fora de casa. Não iremos mais apelar na hipótese de sermos condenados a jogar a portas fechadas e enfim, os locais postos a disposição das torcidas organizadas no Parque dos Príncipes serão fechados”, declarou veementemente o presidente do PSG.
Além dessas medidas, Robin Leproux pediu também o apoio do poder publico e do mundo do futebol em geral.
“A imagem de um homem escorregando no seu próprio sangue ao lado do estádio ficou na minha cabeça nestas duas últimas noites. Estamos chegando ao paroxismo da violência, um novo nível de guerrilha urbana”. Indivíduos, liderados pelas torcidas organizadas, entram numa batalha campal com uma violência sem precedentes. Eu me pergunto o que estamos esperando para acabar com esta barbárie? Hoje um homem esta entre a vida e a morte. O PSG tem responsabilidade dentro do estádio, temos o maior orçamento de segurança da primeira divisão, porém fora do estádio o PSG não pode fazer nada sozinho, não podemos nos transformar em policia. Todos que trabalham ao lado do PSG,ou seja, a mídia, os políticos e a policia, todos devem contribuir para acabar de vez com essa barbárie”, desabafou o cartola do PSG.

Presidente do PSG Robin Leproux. Fonte: PSG
Leproux teve muita coragem!
“Leproux teve muita coragem e punho para anunciar tais medidas, todavia suas ações devem ser seguidas pelo Estado. As pessoas têm cada vez menos medo da policia e não hesitam em passar dos limites. Na saída do estádio eu vi a policia e o comportamento dos torcedores e posso garantir que fiquei chocado. Hoje em dia não gostaria que meus filhos freqüentassem o Parc des Princes”, lamentou o goleiro Coupet.
O apoio da liga
O presidente da Liga Francesa de Futebol declarou no site da LFP total apoio as medidas anunciadas pelo presidente do clube parisiense:
“Aprovo integralmente a posição tomada por Robin Leproux. A situação criada por esses grupos irresponsáveis de torcedores tornou-se muito grave. O próprio clube, a Liga e o poder publico devem tomar todas as providencias necessárias para acabar definitivamente com a violência no futebol, isso seria importante para o clube parisiense e também para a imagem do futebol francês”.



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Aqui no Brasil foi o Coritiba a tomar decisão semelhante em afastar do estádio as organizadas desvinculando totalmente o clube dessas quadrilhas (que é o que se tornaram as organizadas).
Estou esperando Decisões como estas aqui em São Paulo para voltar a assistir os jogos clássicos.
Quando vou ao estádio é SEMPRE em jogo de 1 time só. Não vou colocar a mim, meu irmão, família e amigos em risco por causa de um jogo.
Adoraria ir ver um Corinthans x São Paulo no Morumbi ou no Pacaembu, mas hoje ainda é impossível.
(Infelizmente essa selvageria está indo pro Carnaval Paulistano, também)
Hoje, já não falam mais dos incidentes na apuração do Carnaval e isso é uma vergonha, apaziguam com panos quentes, bem como fazem no futebol e logo será mais um evento, que quando os fatos mais interessantes vão ocorrer não podemos participar por causa do medo.
Abraço.
Sensacional a atitude do presidente do PSG.
Aqui dirigentes de clubes financiam esses marginais (nem todos o são, mas em sua maioria sim). Dão ingressos, bancam viagens, etc. Quando um incidente ocorre os protege. São privilegiados e até tem acesso a concentração e centros de treinamento.
Mas infelizmente são problemas sociais muito maiores que causam esse tipo de comportamento.
Só existe uma solução: torcedores de bem ficarem longe até que haja uma ação dos clubes e da segurança pública para coibir quem pratica vandalismo.
O grande mal desse país é a impunidade. Em todos os segmentos da sociedade, há pessoas que comentem crimes sabendo da certeza da não punição. O poder público (executivo, legislativo e principalmente o judiciário) é totalmente omisso. Tenho absoluta certeza de que esta omissão beneficia muita gente, por isso a manutenção do status quo. É triste!
Perfeito chara! Concordo plenamente contigo! O interessante desta matéria é sim de fato a atitude do presidente do PSG, por isso achei importante publicá-la.
Abraço!
Mandem esse cara pra cá corrennnnndddddooooooooo! Tem muito trabalho pra ele por aqui. Uma atitude dessas partindo do presidente do Corinthians ou do Flamengo que são as maiores torcidas do mundo, daria um belíssimo exemplo aos outros que ficariam com vergonha de agir diferente. A grana maoir dos clubes vem da TV mesmo… Gosto demais de ir ao estádio, mas acho muito mais seguro o sofá da minha sala ou a minha cama. Mais caro pois os papewiew está f* de aturar, mas paciência.
Esta vendo Birner, na França ja tomaram decisões contra os membros das torcidas organizadas que so vão ao estadio para brigar, em nenhum momento o presidente do PSG falou em extinguir as torcidas organizadas, só que na França há uma diferença enorme em relação ao Brasil, os culpados serão punidos.
Xico e Birner, veja a diferença de tomada de postura do presidente do PSG em relação aos nossos. Se realmente o Coxa tomou atitude semelhante, como postou um colega aqui, está de parabéns. Mas algo deve ser feito e não faltam exemplos no mundo todo a serem seguidos.
Birner,
Discordo do argumento de que a impunidade é a grande responsável, tanto para este problema quanto para os outros do país.
1) Simplificando um pouco. Há estudos demonstrando que nos estados americanos que mantem a pena de morte, os crimes mais hediondos não são inferiores aos dos estados que não praticam a pena maxima.
Foi esta constatação que fizeram muitos paises abolirem a pena de morte nos anos 80/90, como aconteceu com a frança em 1981.
2) Por mais que a situação entre a França e o Brasil sejam diferente, não acho que a frança seja um pais conhecido por sua impunidade.
No entanto, a rivalidade, as vezes violenta entre torcidas de Paris e de Marseille, o simplemente da torcida Kop de Boulogne em relação ao restante dos torcedores, existe desde os anos 70 sem que o Estado conseguisse diminuir ela.
Me lembro de jogos do PSG no Parc nos anos 1990. Apesar do já impressionante sistema de segurança (por conta das ondas de terrorismo), não erram raras as vezes em que no final dos jogos occoreriam brigas nos arredores do estadio (um dos bairros chic de Paris) e nos corredores do metro perto do estadio, como as que ocorreram ultimamente. E veja que não há ninguem na imprensa francesa para culpar a impunidade.
Acredito que a solução seja a buscar do lado da interdição das torcidas uniformadas de frequentar os estadios assim como dos torcedores mais virulentes. Custar o que custa.
Um abraço
Esse Birne é culto rsrsrs
Falou tudo, e com citações históricas.
O Coxa já proibiu a entrada das uniformizadas e qualquer apoio por parte da equipe.
A matéria da Globo.com enfatizava a diminuição do publico nos jogos do inicio do ano, de 9mil pra 5 mil em média. Sem as organizadas.
Mas como um câncer é necessário uma quimioterapia para posterior melhora, o futebol deverá passar por esse ciclo, para que as famílias e os torcedores de verdade voltem aos estádios.
Espero que não demore.. fui a um Corinthians x São Paulo no Morumbi uma vez e é tenso rsrsrs…
Abraço!
Se puder editar meu post (Era Julien o culto rsrs e não o birner rsrsrs)
Grande Xico,
Briga entre tocidas, torcida violenta, confusão na entrada e saída dos jogos…não sei não…tem certeza que você não esta falando da torcida do Fla?!?!?
Abraços,
Se na França, berço da filosofia moderna, país sempre associado às artes e à cultura, a coisa está nesse nível, é porque o mundo enlouqueceu mesmo.
Mas não chega a ser surpreendente. Existe uma tensão racial fortíssima na França. São as correntes do colonialismo agindo em refluxo. Os outrora colonizados hoje migram para a metrópole em busca de melhores condições de vida. E como o forte das sociedades européias nunca foi exatamente a solidariedade e a inclusão, a tensão racial eclode.
É bom para que os europeus vejam um pouco dos EUA refletidos no próprio espelho, e assim percebam que não são muito melhores em matéria de humanismo.
Xico e Birner, achei sensacional a atitude do Sr. Robin Leproux, afinal não adiantaria nada a LFP e o Poder Público tomarem alguma medida e o PSG recorrer das multas e punições.A história da cisão da torcida do PSG é uma coisa histórica e que está na cerna da torcida do PSG, tendo em vista que o clube é um dos maiores do País deixa a situação dramática, pois por mais que se faça algo em relação ao futebol, o grande problema se encontra na sociedade francesa porque o que falta neste caso é a aceitação de que existe uma nova versão de franceses que não são "puros" e justamente por isso são relegados a posições inferiores na sociedade criando castas e cisânias que não serão resolvidas durante um bom tempo. ainda mais quando surgem no País pessoas influêntes, poderosas e tolas como o Le Pen.Nunca fui a París, provavelmente nunca pisarei lá mas torço para o clube e me envergonho de fatos como esse, pois se eles tratam os jogadores adversários com sons de macacos por serem negros, eu seria discriminado por isso.
Oi, Xico!
Deixa eu registrar aqui que vc faz falta no blog.
Não suma por tanto tempo, s.t.p. D'ac? ;o)
Bom,esta coisa da violência potencial das torcidas, aliada à extrema tensão que há tanto tempo pulsa na França, não pode dar boa coisa mesmo.
Eu estava em Lyon, no dia que a Argélia se classificou para as semi-finais da Copa da África (das Nações). Foi impressionante a festa, a gritaria, a explosão ouvida em todos os cantos. Esta explosão, sabemos bem, vai muito além do futebol e não é só de alegria. Fiquei pensando em como será na Copa. Não sou muito ligada na copa e não sei se existe a possibilidade de Argélia e França se cruzarem mas, se isso acontecer, nosso querido hexágono irá abaixo.
Não sei como os franceses, "A.O.C. ou 'd'origine étrangère (sim, sim, fui maldosa, pois detesto esta segunda designação, pois ela pressupõe a primeira) lidarão com isso tudo.
Não sei a quantas nada o tal debate sobre identidade nacional. Só sei que uma hora, eles deverão, imperativamente, lidar com isso abertamente e com todas as letras; e o futebol pode, sempre, ser um bom catalisador, para o bem e para o mal, desta complexa problemática.
No mais, resta aplaudir a atitude lúcida e firme do Presidente do PSG. Já aqui…. Tem presidente que se juntaria à torcida organizada mais violenta para bater no adversário. Aliás, pode-se colocar este 'presidente' no plural, né? ;o)
Triste isso tudo.
beijão,
déh
Oi, Bruno.
Nunca se esqueça que o 'berço da filosofia moderna' sempre foi um tanto quanto belicoso: muitasssss guerras, guilhotina a perder de vista, pena de morte até os anos 80; teve inquisição, colaborou com o nazismo, foi (e ainda é, de certo modo, absurdamente colonialista). Dá uma olhada no hino nacional deles. ;o)
A imagem da França pacifista, racional e 'fraternal' é muito recente, historicamente. Muito legal e tals, até certo ponto verdadeira, mas eu não me fiaria muito nisso como argumento, não. rs
Abraço,
d.
Correto!
Do Fla e de tantas outras …..
Abraços!
Oi Deborah, estou de volta!
Obrigado pelo o "faz falta", você que é muito gentil! Eu achei a atitude do presidente do PSG muito corajosa, que sirva de exemplo para todos os cartolas.
Beijão!
Oi Danilo, eu estive no jogo do PSG em janeiro, quando ele jogou contra o Mônaco pelo campeonato francês. A sensação que eu tive foi como se tivesse a Gaviões da Fiel e a Mancha Verde torcendo para o mesmo time. Durante o intervalo, eles ficaram trocando insultos o tempo todo, como se fossem adversários dentro de campo.
Abraço!
Caro Julien,
Não quero entrar no mérito da discussão da pena de morte e etc pois acho que foge do objetivo deste post (porém vale lembrar que sou contra a pena de morte). Só para encurtar a discussão, veja o exemplo da Inglaterra e seus hooligans. A certeza da punição e a firmeza na aplicação das penas aboliram de forma considerável a violência nos estádios. Será que a França não precisaria rever o modelo adotado para combater a violência? Me parece que sim, há vários debates acontecendo para a adoção de medidas mais severas.
Você mesmo cita em teu comentário um maior rigor "interdição das torcidas uniformadas de frequentar os estadios assim como dos torcedores mais virulentes". Não seria uma forma de combater a impunidade?
Abraço!
Como já disse antes, a postura do presidente do PSG é importantíssima e inédita no mundo do futebol, que sirva de exemplo!
Abraço!