19 abr

Que São Paulo sem vergonha é este?

Birnadas

De Vitor Birner

Tempo pedido, tempo dado

Esperei o tempo pedido por Ricardo Gomes para começar a cobrar futebol do São Paulo

Desde então, a maioria de meus comentários tratavam do monte de defeitos e erros da equipe.

Alguns torcedores reclamaram. Até me xingaram. Como sou teimoso e a equipe vai muito mal em jogos decisivos, minha convicção de que estou trabalhando direito só aumentou.

Os torcedores deveriam gastar suas energias cobrando do bando de jogadores acomodados e ou egoístas, mais respeito pela camisa e qualidade no futebol.

O elenco é forte, os jogadores têm potencial para formarem o time campeão da América, todavia, na prática, a realidade tem sido bem diferente.

Ganhar os clássicos? Quando o São Paulo vai empatar um?

Tirante comer, respirar e expirar, dormir, beber água e necessidades vitais parecidas, o que mais fiz na vida foi ver jogos do São Paulo.

Ao longo dos meus 41 anos, acompanhei times do São Paulo ruins e fortes, perdedores e vencedores, apáticos e guerreiros, todavia nunca vi um tão fracassado em clássicos.

As derrotas nos 5 que disputou (se você considar o jogo diante da Lusa também clássico foram 6), os 14 gols sofridos neles contra apenas 6 marcados (se contar contra a Portuguesa  são 17 contra 7), a deplorável atuação diante no Nacional-PAR, e as fracas frente Onces Caldas e Monterrey quando os visitou, explicam a atual capacidade competitiva deste grupo.

Eu não tenho como elogiar isso.

Limite na Libertadores

Está mais fácil se classificar que ser eliminado da Libertadores. A trave e Rogério Ceni salvaram diante do Monterrey no México. O goleiro já tinha feito isso no jogo de Assunção. No Morumbi, os mexicanos utilizaram um mistão.

Não há nada de mais em chegar na fase seguinte. É a mínima obrigação.

De qualquer forma, acabaram as chances de recuperação. Ou joga bem na Libertadores, dá um jeito de ganhar decentemente do Once Caldas e superar as oitavas e quartas de final, assim poderá solucionar os problemas durante a paralisação da Copa do Mundo, ou o primeiro semestre será um desastre.

Ícones do fracasso e intocáveis

No início da temporada, escrevi um post “No Morumbi, reciclar é preciso”. Tratei da necessidade de arrumar outros empregos para Richarlyson, Dagoberto, André Dias e Hernanes.

http://blogdobirner.virgula.uol.com.br/2010/01/18/no-morumbi-reciclar-e-preciso/

Ou para a maioria deles.

O zagueiro saiu. Os outros 3, como acontecia com André Dias,  parecem intocáveis até pintar proposta do exterior. Seus lugares entre os titulares sempre estão reservados.

Não importa se Richarlyson erra a marcação e os passes curtos, abandona a posição, inventa inversões de bola que terminam em lances perigosos para o rival, não acerta cruzamentos, comete faltas tolas perto da área, além de sempre levar cartão.

Também é indiferente se Dagoberto repete as duas mesmas jogadas, é fominha, chuta mal ao gol, serve poucas vezes o centroavante, toma cartões bobos e nunca decide as partidas importantes do mata mata.

Na lateral, meio, zaga ou ataque, em algum lugar acabam jogando. E quando saem, é por pouco tempo.

E pior: Ambos fazem uma baita média. O primeiro com Juvenal Juvêncio. Uma rara atuação boa contra o Peixe certamente acabaria com entrevista na saída do gramado dizendo que jogou pelo presidente.

O outro, de vez em quando, corre bastante. É o falso guerreiro.

Me pergunto se fica mais satisfeito quando recebe elogios e o time perde, ou nas horas em que a equipe consegue os 3 pontos e ele não é lembrado.

Tem fama de craque, contudo não recordo uma mísera jogada de Dagoberto que lembre as de Neymar e Messi, atletas que justificam o uso da palavra craque.

E pior: joga como se o time, por se achar craque, tivesse que servi-lo.

Dos 3, Hernanes é o melhor. Chuta com ambos os pés, tem boa visão de jogo e classe. Talvez ainda consiga pular do patamar de bom complemento para o de atleta de referência que resolve partidas difíceis, equilibradas e eliminatórias.

Nunca decidiu um mata mata complicado. Disputou os das Libertadores de 2008 e 2009, além dos paulistinhas.

Jogo do Morumbi ilustrou o que penso

Na partida de ida contra o Peixe, a derrota por 3×2, é o exemplo mais recente.

Na etapa inicial, até tomar o gol nas falhas de Junior Cesar,  o São Paulo se apresentava bem e tinha espaço para criar a jogada de gol.

Todavia, quem pegava a bola para dar o último passe, o chute da entrada da área, ou tentar dribles e tabelas para chegar na cara do goleiro, eram Hernanes e Dagoberto. Nada aconteceu.

Com um a menos, na etapa complementar, eles foram muito bem e acabaram elogiados. O mundo se esqueceu dos 45 minutos iniciais. Mereceram, naquela jogo, aplausos e críticas.

Eis os ícones do fracasso.

Ricardo Gomes e Milton Cruz escolheram Dagoberto e Hernanes como pilares do time

Basta ver como o time atua. Dagoberto e Hernanes são as apostas de treinador e auxiliar para o São Paulo desequilibrar na frente. Eles são os pilares da equipe.

Erro crasso. Aliás, o trabalho de Ricardo Gomes é mediano. E Milton Cruz, como nos momentos de sucesso, tem sua parcela de responsabilidade.

E se Neymar e Ganso fossem revelações do São Paulo?

No brasileirão, Ganso perdeu duas penalidades contra o Flamengo. Se fosse jogador do São Paulo, provavelmente precisaria de 1 ano e meio para entrar em campo outra vez.

Acho que seria emprestado.

Neymar, ano passado, também não brilhou.

Tenho absoluta certeza, por conta da forma como as coisas acontecem no São Paulo, que o atacante seria reserva de Dagoberto. E Ganso ou atuaria ao lado de Hernanes, ou esquentaria o banco para ele.

O pessoal que trabalha no CT gosta de jogadores prontos, não valoriza os jovens. Os casos de Oscar e Diogo somados aos fracassos nos investimentos estão mudando isso.

Quem acredita que Arouca jogaria no mesmo nível no São Paulo?

Eu não acredito. Inclusive porque atuaria de segundo volante, outro marcaria mais atrás, e pela direita concorreria com Hernanes.  Talvez fosse improvisado na lateral-direita.

Aposto que estaria na reserva e com desempenho bem inferior ao demonstrado no Peixe.

Washington, culpado e vítima

A bola chega pouco nele. É vítima disso. Por outro lado, quando aparecem as oportunidades, não dá conta. Já o vi jogar em nível bem mais alto.

O problema é que fala demais. Dá indiretas quando vai para a reserva. No fim das contas, acaba aumentando as crises e ajudando pouco a sair delas.

Como Hernanes, até pode virar o jogo, entretanto, hoje, está mais para culpado.

Diretoria precisa se mexer

Tem trabalho de sobra para a cartolagem sãopaulina.

Jogadores acomodados, falastrões, arrogantes, em momento técnico ruim…

Há de tudo.

O chute de Dagoberto, cara a cara com Felipe, no final da partida, por exemplo, é digno de pesada punição. Será que foi de propósito? Estava incomodado porque o passe era de Washington, revoltado por causa do resultado?

Não sei. Todavia tenho obrigação de desconfiar que chutou para fora intencionalmente. No mínimo foi displicente e desrespeitoso com torcedores, time e companheiros.

Não importa se vai fazer falta diante do Once Caldas, perder valor de mercado ou ter um chilique.

Nem deveria ser relacionado para a quarta-feira. Cotia nele!

E Cleber Santana? Não mostra sequer vontade de ganhar a titularidade, quanto mais de vencer os jogos. Uma conversa ao pé de ouvido faz-se necessária.

Miranda disputa sua pior temporada no clube.

Richarlyson é desobediente taticamente, além dos defeitos técnicos.

Jean, Cicinho, Jr César e Marcelinho Paraíba, quem encontrou seu melhor futebol?

Por que eles e outros estão rendendo menos que podem?

Lembrete

Sãopaulino que ainda defende cegamente alguns jogadores deste elenco, trabalha contra o time para o qual alega torcer.

O apoio é importante durante os jogos. Fora deles, cobrar ajuda mais.

Acreditem em Alex Silva

Os outros jogadores deveriam imitar Alex Silva. Dedicação, comprometimento, ambição por títulos, dor nas derrotas, noção coletiva….O zagueiro é a antítese da equipe.

E cobrou de seus compenheiros o que eu descrevi no post.

“Não jogamos nada. Não merecemos a vitória em nenhum momento do jogo, deixamos os homens deles no segundo tempo criar, fazer o que queriam, principalmente pelas laterais. Uma equipe como o São Paulo não pode apresentar um futebol como apresentou hoje. Eu acho que nos 3 anos que eu passei aqui no São Paulo, nós fomos campeões pela garra e vontade de vencer. E eu acho que a gente está deixando um pouco a desejar nisso.”

Ouça no player

1.009 respostas a Que São Paulo sem vergonha é este?

  1. Fora W9, RG e Ricky

  2. Lucelio Maximiano disse:

    Muito bom o texto Birner, assino em baixo tudo. mas me esclareça algumas coisa. A diretoria esta bancando o RG so por que ele é parente do Ricardo Teixeira e quer tirar proveito disso. isso é muito estranho nao é … só pode ser isso para eles o manterem. Obrigado.

  3. Cristiano Gallano disse:

    Concordo com tudo Vitor Birner! Sinto falta do time de 2005 e 2006 que tinha vontade de sobra e dificilmente perdia um classico.

  4. trocoletti disse:

    Birner,
    Estava aguadando esse seu post ansiosamente durante toda segunda-feira. Só hoje consegui ver.

    Bom.. concordo 100% tenho a mesma idéia, impressão e pensamento. Para tudo e começa de novo!! Tá tudo errado no SPFC. estamos fazendo as coisas com o nome, baseados nas conquistas de 2005 à 2008. Porém, chega!!!!!!!! Não podemos viver de garganta!!!!

    Única coisa que discordo!! o Washington tinha que falar sim;… Para escanacarar essa palhaçada que ninguém tem coragem de peitar… JJ, Marco Aurélio e Leco, precisam saber que o SPFC é dos torcedores e não deles!!! Para por moral é preciso impo a mesma, coisa que não fazemos a tempos…

  5. Luis Fernando disse:

    Que tristeza, SP falta tudo, jogadas ensaidas, jogadas de linha de fundo, jogadas com ultrapassagens dos laterais e os meias, é tão lento o time que os laterais corregam os marcadores juntos, nunca vi um time não conseguir dar 3 passes sem perder a bola, joga de lado, jogadores não trocam passes entre si, time lento, Miranda fora de forma, mal posicionado, um buraco nas Costas do Alex Silva, coitado, tem que cobrir dois lados do campo, um monte de contratações que não estão tendo oportunidades, e quando entram, jogam pouco, ou com time misto, o Roger só entra com time reserva, e querem que resolva, tá indo embora novamente, o Dagoberto só tem uma jogada, o drible pelo meio, e ai chuta torto, agora improvisado de centro avante no lugar do Washington, outro coitado, a bola nunca chega, e quando chega tá quase impossivel de dominar, bota a mulecada pra jogar, pra que contratar tanto volante, chegamos a ter 6 no jogo contra o santos na vila, fora RC.

  6. Rodrigo Farias disse:

    Birner, concordo com vc em partes. Alguns jogadores com o Richarlyson e Dagoberto realmente precisam ir embora. Mas atitude do time está muito parecida com o ano passado quando o SPFC perdeu para o Cruzeiro a vaga na Libertadores sem dar um chute a gol, acho que estamos vivendo o momento muito semelhante aquele. Em relação ao Washington e o Hernanes, acho que eles estão fazendo o que podem o Washington e centrovante não pode ser responsável pelo drible e sim pelo chute ao gol, coisa que quando tem oportunidade ele faz, enquanto ao seu temperamento se parace muito com o do Richarlyson adora um chilique. Já o Hernanes já deu para perceber que ele não pode ser o meia da equipe e sim segundo volante. Agora falando das revelações principalmente o OSCAR o SPFC estava preparando ele para ser o cérebro do time esse ano e que o garoto fez. Aí já não é culpa da diretoria mas do jogador. Ah e o Sérgio Mota, não me parece ser tudo isso que falavam, não chega a ser nenhum Ganso. Outro que é segundo volante é o Cléber Santana e esse ainda não jogou nada. O time tem jogadores mas futebol está muito parecido com o time de 1995 a 2004 rema, rema e rema mas morre na praia. Não ganha nada de importante. Um abraço Rodrigo

  7. Vivaldo Santana disse:

    Só tenho uma coisa a dizer…. estes caras vão passar, e o bom é que eles vão assistir há outros que aproveitarão a oportunidade, e deixarão o nome na história do tricolor, como Eu vi Rai, eu vi Pedro Rocha, eu vi Pita, eu vi Dario Pereira, eu Josué e Mineiro, eu vi Serginho Chulapa. eu vi Zé theodoro, eu vi Zé Sergio, eu vi Chicão, eu vi Lugano, eu vi Tele, eu assisti Gerson, eu assisti homens que aqui não foram citados, mas que honraram a camisa tricolor, e usaram como segunda pele.

  8. Antonio disse:

    Caros Gil "orientador de grupo" e Alexandre "Imbecil" Oliveira (vc me ofendeu antes, sem razão),
    é fato incontestável que o nosso querido Tricolor é coadjuvante do futebol paulista, acho que a questão aqui é aceitar ou não este fardo (leiam a coluna do estimado Calazans no Globo).
    Chamar as Academias Palestrinas de "bonito, mas estéril" é cuspir na tradição do futebol tupiniquim, desdenhar do maravilhoso Santos é o oitavo pecado capital, desconhecer (por falta de títulos ?!?) o excelente time do Corinthians é tão triste quanto entender a pedofilia dos padres católicos … mas o pior é tentar equiparar o time mediano de 85/86 (o que ganhamos mesmo ???) com qualquer um destes acima – AH … BLASFÊMIA !!!! -
    Peço mais uma vez um exame consciencioso da nossa condição histórica, o São Paulo é coadjuvante do belíssimo futebol jogado no nosso estado, isto é fato, fomos elevados a condição de grande, quando tentamos usurpar o patrimônio do gigante co-irmão Palmeiras – tristes linhas do passado.
    Ganhamos na medíocridade dos anos de distantes craques, na Europa, no Japão (que triste…), nunca empolgamos – como o Santos faz agora e fez em 2002 – isto também é fato.
    Precisamos de uma lição, e faço coro com tantos outros deste blog que pedem : Vamos São Paulo, vamos São Paulo, segunda divisão !!!

    Chega de mentiras – São Paulo coadjuvante do futebol paulista !!!

    Precisamos disto para ressurgir como o Fênix, forte e devastador … pois por enquanto, nada somos, além de ganhador de títulos com pragmatismo e mediocridade.

  9. Alexandre Camargo disse:

    Birner, sempre dividimos a cativa vermelha juntos, e depois q o conheci, comecei a acompanhar sua carreira, brilhante, diga-se de passagem. Vc é extremamente talentoso! O SPFC precisa de uma reformulação profunda, e para isso o RG não é o cara. Mudar o esquema, "mexer no queijo" de muita gente precisa de personalidade, e ele é do jeito "paizão" q chega e consegue agradar a quem já estava satisfeito, mas não consegue imprimir a verdadeira mudança que precisamos. O são-paulino está carente de um grande time, de um grande artilheiro e de um grande meia. Temos tudo, e em abundância! Somos mesmo os melhores do Brasil, e só não somos maiores q o Boca na AL. Mas perdemos nossa "ALMA" em algum lugar pelo caminho.Costumo dizer q o SPFC começou a "renascer" na derrota da Libertadores 2004 na Colômbia sucumbido pelo Once Caldas, ali nasceu o título de 2005. Na vergonha na cara q alguns começaram a tomar, e na reformulação dorsal e obrigatória q aconteceu com as saídas de Kaká e Luis Fabiano. Costumo também a dizer q o SPFC começou a "morrer" naquela expulsão imbecil do Josué frente ao Inter em 2006… dali em diante acumulamos apenas Inglórias como o tricampeonato nacional e as eliminações humilhantes nas seguintes Libertadores frente a Grêmio, Fluminense e Cruzeiro. Perdemos a identidade q o Telê tanto custou em implantar. Não sabemos mais perder, nem muito menos vencer. Somos os maiores fabricantes de jogadores "inaproveitáveis do país", e insistimos ainda em "invejar" as revelações alheias q são frutos não da exuberante "estrutura são-paulina", mas são frutos de campos de terra e areia, porém com ALMA. Poderia falar sobre o tema dias seguidos, mas não vou me estender além de promover uma reformulação profunda q se iniciaria pelo ídolo maior, q precisa entender o mal q faz para o clube: Rogério Ceni. Rogério encerrou seu ciclo como jogador! É evidente q uma partida ou outra vai fazer de forma brilhante, mas outros com maior ambição também farão. Enquanto ele se colocar em "berço esplêndido", outros sentirão o mesmo e cobrarão por esse privilégio. No decorrer do tempo a liderança do RC sempre foi discutível, e contrariado ganhou as principais quedas de braço q o fortaleceu e o condicionou ao patamar de hoje. O fato é q como mudar, se seu principal líder quer que a mudança não dê certo para q ele assuma nos bastidores o "volante" do time. A mudança não começa no RG, ele foi um equívoco, um erro q precisa ser corrigido rápido. As mudanças têm q acontecer com a renovação da base de jogadores e aposta na base. Miranda, Hernanes, Richarlison, são frustrados por não conseguirem o destaque necessário para figurar entre as principais contratações provenientes do TRI_HEXA. Rogério se esconde atrás de uma também frustração de não conseguir ser uma unanimidade nacional, nem muito menos entre os torcedores do SPFC. Insistir para q? Para manchar o pouco q construiu q é muito vulnerável, diga-se de passagem. Numa análise mais fria, o RC foi decisivo contra o Liverpool, mas seus erros são temas de outro fórum de discusão. Ou seja, errou mais q acertou.
    Grande abraço Birner, Tri_HexAlê

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