28 out

São Paulo joga bem e ganha outra sob o comando de Carpegiani

Análise de jogos, Brasileirão

De Vitor Birner

São Paulo 2×1 Atlético PR

Mudanças forçadas

Sem Fernandinho, machucado, e Lucas, suspenso, Carpegiani perdeu os 2 jogadores de velocidade, respectivamente na esquerda e direita, que atuam bem abertos. Eu imaginava ver Ilsinho ou Marlos na vaga de Lucas e Dagoberto na posição de Fernandinho, com Fernandão centralizado na meia.

O treinador não fez isso. Escalou 3 volantes, Casemiro, Rodrigo Souto e Carlinhos Paraíba. Os 2 primeiros pouco apoiaram. C. Paraíba  avançava e ajudava o trabalho dos 2 meias, Fernandão e Dagoberto.

Os laterais Jean e Richarlyson só ajudavam o ataque na boa. Não apareciam constantemente como alas.

Sérgio Soares perdeu Branquinho e Rodolfo, 2 atletas muito importantes, em cima da hora. Já não contava com wagner Diniz. Ficou sem um dos principais atletas de coordenação ofensiva, o zagueiro titular e o ala que desce bastante.

O jovem Netinho, Rafael Santos e Deivid os substituíram.

São Paulo sai em vantagem

O Furacão iniciou marcando a saída de bola sãopaulina. Guerrón, na direita tal qual um ponta, Bruno Mineiro, o centroavante, e Netinho pressionaram. Tentavam roubar a gorduchinha ou forçar a ligação direta da defesa para o ataque.

Funcionou nos minutos iniciais, quando o Furacão, em cobrança de escanteio, marcou o gol corretamente anulado por causa da posição ilegal de Bruno Mineiro.

O São Paulo errava muitos passes. A dificuldade para fazer a transição inteligente da defesa para o ataque era clara. Aos poucos achou o caminho.

Na criação, Dagoberto, se movimentando de ambos os lados foi o principal jogador. Fernandão, centralizado, era referência para o companheiro ter com quem jogar. A participação de Carlinhos Paraíba foi discreta na articulação ofensiva.

Ricardo Oliveira, também se mexendo muito, além de dar sequência às jogadas e abrir espaços para quem vinha com a bola, fez o primeiro gol em bela jogada.

Passou pelo adversário e aos 14 minutos chutou de esquerda para fazer 1×0.

São Paulo melhor

O jogo estava equilibrado até o gol. Depois, o São Paulo cresceu. Passou bom tempo com a bola, trocou passes e tentou, de fora da área, ampliar.

Faltou o último passe. A boa marcação dos volantes Chico, Vitor e Claiton dificultou a criação dos anfitriões.

Guerrón, a única e boa opção

O Atlético tinha uma jogada de ataque. Ela sempre passava por Guerrón. Curioso foi ver o equatoriano mano a mano com Miranda algumas vezes.

Se Richarlyson, na lateral, prorizava o trabalho defensivo, onde estava nas jogadas? E como o time com 3 volantes deixava o zagueiro tão exposto?

Casemiro erra e Furacão empata

Um erro de passe tolo do volante acabou com o drible de Guerrón em Miranda ( a bola era do atacante, não culpo o zagueiro) e chute dele para dentro do gol aos 26.

Carpegiani muda e o São Paulo cresce

Insatisfeito com a má atuação de Casemiro, Carpegiani mudou o São Paulo para o segundo tempo.  Tirou o garoto, recuou Carlinhos Paraíba para a função dele e colocou Marlos.

Aí o São Paulo realmente tomou conta do confronto. Marlos dividiu a atenção da defesa atleticana e as chances de gol claras apareceram.

A bola bateu no braço de Rafael Santos logo no começo. É a questão do critério e da arbitragem brasileira.

Não foi pênalti. Mas marcaram vários assim no brasileirão. O São Paulo mesmo teve alguns contra. O árbitro gaúcho Marcio Chagas mandou seguir. Ainda não está contaminado pela sopração compulsiva de seus colegas.

Aos 5, Miranda, de cabeça, devolveu a vantagem ao seu time.

Os minutos seguintes foram os melhores sãopaulinos. Lances bonitos e gols perdidos empolgaram os quase 16.500 pagantes na Arena Barueri.  A jogada de Marlos, o passe dele para o chuite de Ricardo Oliveira merecem aplausos.

A defesa de Neto também!

Discreto e perigoso

O São Paulo perdia chances de ampliar e não era incomodado.

Mas quando foi pela primeira vez, aos 22, Rogério Ceni teve que fazer uma senhora defesa.

Paulinho, em contragolpe, recebeu passe de Chico, driblou Miranda e saiu na cara do goleiro que conseguiu espalmar para escanteio.

Em seguida, de cabeça, Bruno Mineiro também ameaçou o goleiro.

Sergio Soares tinha trocado alguns minutos antes Clayton por Edgar (lateral-direito). Queria melhorar o contra-ataque e isso aconteceu.

Equilíbrio e mudanças

O volume ofensivo sãopaulino diminuiu, o Furacão sofria para superar a defesa do rival, e o jogo ficou equilibrado.

Sergio Soares decidiu arriscar. Marcelo, atacante, foi para o lugar do lateral-direito Deivid aos 31. Dois minutos depois reforçou a jogada aérea com o argentino Nieto na vaga de Guerrón.

Aos 36, Ricardo Oliveira, de cabeça, perdeu excelente oportunidade de fazer 3×1. Em seguida Ilsinho entrou no lugar de Dagoberto.

Nos minutos finais, o São Paulo recuou, queria o contragolpe com Ilsinho, Marlos e Ricardo Oliveira, e a posse bola ficou com o Furacão.

O Atlético, em vão,  trocou passes no campo de ataque.

E ainda viu Ilsinho perder o gol feito aos 47.

Resultado justo para a o time de Carpegiani. Foi a quarta vitória em 5 jogos sob o comando do novo treinador.

83 respostas a São Paulo joga bem e ganha outra sob o comando de Carpegiani

  1. Carlos Alberto Tavares disse:

    Vamos TRICOLOR. Temos totais condições de chegar ao nosso objetivo. Na Libertadores a nossa presença e mais que importante.

  2. Fernando disse:

    ganhamos mesmo com o juiz não querendo

  3. Leandro Gouveia disse:

    Comentário por Henrique Rebouças — 29/10/2010 @ 9:41,

    concordo que falta um primeiro volante.

  4. João Martins disse:

    Pode até parecer exagero mas acredito que com o Carpegianni o São Paulo até mesmo teria sido campeão da libertadores, pois alguém que entendesse o mínimo de tática não teria deixado o time cair tanto de produção.
    O time agora até mesmo tem jogadas de bola no chão, coisa que a a muito tempo não se via no Tricolor.
    Espero que o ano que vem o time faça contratações pontuais para as posições carentes do time para que possamos ter um time competitivo para disputar provavelmente a copa do Brasil.

  5. Max Nicola disse:

    Quero parabenizar a torcida tricolor. Quase 17 mil pagantes ontem em Barueri foi surpreendente. O time ainda oscilando, vindo de uma derrota, sem chances de titulo, e mesmo assim a massa compareceu, num estádio longe e muito mal localizado. No jogo do líder fluminense, apenas 12 mil pagantes. No jogo das duas maiores torcidas do Brasil, apenas 9 mil pagantes. É a torcida do São Paulo mostrando que apóia tanto na boa como na ruim. Vamos ganhar do cruzeiro e botar 40 mil contra o Corintians!

  6. Adriano disse:

    Birner é visivel q o tricolor melhorou com o carpegiani.

    Mas o time ainda não esta definido né. A formação ainda não é perfeita, e até os jogadores não sabe quem são titulares.

    Qual sua opinião sobre a formação e escalação do time ???? Ta dificil né…rs

    Tem varias opções… uma delas q daria certo no esquema do ano passado era 3 zagueiros de novo… com ilsinho e junior cesar de laterais, pelo menos eles apoiam bem. Mas eu confesso que gosto de 2 meias, o jogo fica bonito.

    Olha essas duas opções:

    RC, Alex silva, miranda, richarlyson, jean. Souto, Carlinhos(casemiro) Lucas, Fernanão, Ricardo Ol. e Dagoberto.

    RC, Alex silva, miranda, xandão, ilsinho, e jr. cesar. Souto, jean, Lucas (fernandao), Ricardo Ol. e Dagoberto.

    Nessa opção pode se tirar o xandão e usar o richarlyson como voltante quase 3 zagueiro.

  7. Leandro Gouveia disse:

    Comentário por ROGERIO FREITAS — 29/10/2010 @ 9:16,

    não são os zagueiros que estão falhando.

    São os melhores do país, o Miranda um dos melhores tecnicamente, se não o melhor, que vi jogar no tricolro e o Alex Silva além de excelente, é o coração tricolor dentro de campo.

    Acontece que o sistema de jogo do São Paulo mudou, antes tinha um zagueiro na sobra e dois volantes marcadores à frente dos três zagueiros, além dos alas, que se movimentavam mais em diagonal do que hoje.

    Hoje tem uma linha 4 fixa atrás, com os 2 zagueiros no meio, com dois volantes a frente desta linha, sendo que nenhum deles é um exímio marcador ou um daqueles marcadores que chega junto e dá o combate. E o segundo volante chega bastante à frente.

    Isso vai levar um certo tempo pro Carpegiane acertar, e eu particularmente acredito que seja necessário trazer um primeiro volante se quiser jogar no 4-2-3-1.

    Mas os zagueiros são muito bons!!!

  8. Rodrigo Ferreira disse:

    O SP ficou bom do dia pra noite? o time é fraco, os dirigentes continuam acreditando q só eles entendem do negócio e fazem uma besteira atrás da outra.
    A alegria vai até o jg contra o Corinthians!
    Abraço
    Ow o Sócrates nasceu num navio hein pra ser tão injuado daquele jeito…..

  9. Fernando Gentil disse:

    O São Paulo só venceu ,porque o Richarlyson voltou, sem êle o time perde muito,diria perde a sua identidade.

  10. paulo cesar francisco disse:

    todo ano e a mesma coisa querem que o curintians seja campeao senao o flamengo,tem qua parar com isso tem que ganhar o melhor SALVE O TRICOLOR PAULISTA .

  11. Agostinho Júnior disse:

    Se essa quarta vaga para Libertadores for confirmada, vejo o São Paulo com grandes chances de conquista-la. Acredito mais no São Paulo que no Botafogo, Grêmio e Atético-PR.

    A tabela Sãopaulina é que pode complicar.

  12. RICARDO ANDREAS disse:

    obrigado paulo cesar pelo futebol que o soberano voltou a praticar nas ultimas partida.nao e mais aquele time engessado do muricy ou sem alma do ricardo gomes .voltei a ter alegria de ver nosso glorioso time da fe jogar.mesmo que estivese perdido ou empatado com furacao nao estaria chateado.nao preciso mais ir ao teatro municipal para ver espetaculo.lembrao da frase do muricy.

  13. gesiel disse:

    “NOVAMENTE”, O ROGERIO CENI “JA É O PIOR GOLEIRO DO CAMPÉONATO” (COMO SEMPRE). “DESAFIO”, algum especialista em futebol à mostrar “UM CAMPEONATO ONDE O ROGERIO FOI O MELHOR GOLEIRO”, OU “UM CAMPEONATO ONDE O ROGERIO NÃO ESTE ENTRE OS PIORES GOLEIROS”. Todos os times “ESTÃO COM GOLEIROS JOVENS E BONS”. Até quando o São Paulo VAI CONTINUAR SENDO “VITIMA DO ROGERIO CENI”?

  14. Fernando Gentil disse:

    Ao Leandro Gouveia

    Realmente você se mostra um “EXPERT” em futebol fez-me lembrar do saudoso Tele Santana,quando êle treinava e dispunha taticamente o time para enfrentar os adversários,e olhe nesse item era era imbativel : ARMAR O TIME.
    Você precisa avisar o Carpegiani, como o time tem que jogar, para êle ter tempo de poder ajustar o mesmo, Já que você acha que o time tem que jogar dessa maneira.
    Acredito que você tenha pouca idade, deixa de citar: Oscar…Daryo Pereira e outros.
    Abraço

  15. Leandro Gouveia disse:

    Comentário por Fernando Gentil — 29/10/2010 @ 12:31,

    Fala Fernando, beleza??

    Tenho 30 anos, não acompanhei Oscar e Daryo, mas já vi vídeos e sei que foram sensacionais, talvez a melhor dupla. Mas eu não vi, por falei do Miranda como sendo, tecnicamente, talvez o melhor que eu tenha visto, não que seja o meu preferido.

    Não tenho nada de expert meu velho, sou mais um corneteiro de meia tigea mesmo (rs), gosto muito de tática e tiro minhas conclusões, provavelmente erro na maioria das vezes. hehehehe Mas fazer o q né!?? rs

    Acho que o Carpegiane sabe armar o time muito bem, mas acho que faltam peças ideais pra certas funções, por isso não dá pra cobrar dele ainda um sistema defensivo sólido, ainda mais com o time precisando vencer.

    Vamos ver como o São Paulo monta o time pro ano que vem e como ele vai montar o sistema de jogo com o elenco que terá no início da temperoda. Aí a gente vai poder cobrar mais.

    É assim que eu penso.

    Grande abraço!!!

  16. Leandro Gouveia disse:

    Comentário por gesiel — 29/10/2010 @ 12:26,

    nossa, você não deve ser Sãopaulino, não é possível!!

    Ter sido eleito o melhor do mundial de 2005 ta bom pra você ou quer que eu fale mais um pouco?

    O Rogério continua entre os 3 ou 4 melhores goleiros brasileiros considerando os que estão em atividade aqui e fora do país, e é o melhor que o São Paulo pode ter e poderá ter até ele decidir encerrar sua carreira. Espero que prorrogue para além de 2012.

    Um abraço!!

  17. Bob disse:

    Eu estava ontem no estádio… Quem fala que o Dagoberto foi o melhor deve estar cego… O Ricardo Oliveira jogou MUITO, mas MUITO mesmo… o cara não para de correr… ele marca pressão o jogo todo… não perde uma dividida, domina qualquer bola, sempre aparece em condições de ir pra cima dos zagueiros e ainda fez um golaço…

    O SP tem que achar um jeito de prorrogar o contrato dele…

    E Curintianus… chupem… Vamo meter uns 6 nesse timinho retranqueiro do Tite…

  18. Leandro Gouveia disse:

    Comentário por Bob — 29/10/2010 @ 13:18,

    concordo, renovar o contrato do Ricardo Oliveira deve ser uma das prioridades da diretoria pro ano que vem.

    Abraço!

  19. Roberta disse:

    Caramba o Richarlyson é péssimo, tomou mais um cartão mais uma vez, todo jogo é a mesma coisa, comete faltas infantis, é violento, todo afobado, perde as disputas com os adversários facilmente e o PIOR é que ainda tem proteção dentro do clube que o mantem de titular!
    Fora Richarlyson!

  20. Aires Pimenta disse:

    Biner,

    Não vem com essa conversa que o SP jogou bem, pois suou para gahar do AP em casa. Existe alguma coisa estranha no ar, pois, não se pode admitir esse Rodrigo Souto como titular(O SP é muito gande para o fuebol dele). Estou vendo o Carpa começando a encostar os garotos da base, para colocar o RS, CP e R20. A DEFESA está muto venerável.Esse Ilsinho é uma vergonha.
    Enquanto o SP não dispensar o Milton Cruz essa situação não vai mudar.

    Aires

  21. tricolor do moruntri disse:

    Foi um grande resultado,e as atuações do Ricardo Oliveira,do Jean e da dupla de zaga. o Marlos tbm entrou muito bem,o problema dele é que geralmente quando começa como titular ele cai de rendimento,é uma excelente opção pra dar velocidade e levar perigo no segundo tempo.mas acho que ele vai evoluir muito com o Carpegianni,que tbm armou bem o time ontem,a grande maioria da torcida do São Paulo não foi favoravel a escalação do Richarlyson,mas ontem ele fez uma partida razoavel. o time esta encontrando um padrão de jogo e aos poucos vai evoluir o equilibrio entre o ataque e a defesa.

  22. Leandro Gouveia disse:

    Comentário por Aires Pimenta — 29/10/2010 @ 14:29,

    eu também tenho sérias dúvidas em relação a competência do Milton Cruza nos últimos anos, e acho que ele tem bastante responsabilidade sobre algumas coisas estranhas que continuam acontecendo independente do treinador que lá está.

    Mas confio no Carpegiane. Só que se pro ano que vem certas coisas continuarem acontecendo, aí o bixo vai pegar.

    Abraço!

  23. Paula disse:

    E Souto tão criticado fez boa partida, principalmente no segundo tempo.

  24. Alan (Fluminense eterno amor) disse:

    Birner, é verdade que o Rick pode vir jogar no Flu? Rs…

  25. Leandro Gouveia disse:

    Comentário por Alan (Fluminense eterno amor) — 29/10/2010 @ 17:27,

    parece que está mais perto do Botafogo, hein!?

  26. joao paulo tricolor disse:

    E aí birner, blz?
    No gol do Atlético creio q não houve falha do richarlison, pq o casemiro errou o passe né. Ele não tava ali perto mas nem era ataque do atletico.
    Abraço

  27. Clayton disse:

    Forlán: “O Bruxo” – Por Dr.Catta-Preta

    Na literatura esportiva pátria não há notícias confiáveis sobre a vida infantil de Forlán; no Brasil as pessoas têm dúvidas até sobre seu local de nascimento, certas biografias o colocam como nascido em Montevidéu, outros dizem que ele teria vindo à luz em Mercedes, cidadezinha uruguaia, mas ele nasceu mesmo em Soriano e o que se sabe de sua tenra idade é que, de repente, assim como tantos jovens de quem da origem não se indaga, ele apareceu menino com a camisa titular do Penarol que era um dos maiores clubes do mundo na segunda metade dos anos 50.

    Forlán era lateral-direito no tempo em que ser lateral-direito era profissão nobre da bola, era coisa dos embaixadores da categoria, da classe, como eram De Sordi, Djalma Santos , Carlos Alberto e outros. Forlán, desde cedo, criança ainda, já incomodativamente chamava a atenção dos apreciadores do futebol e para ele foi um passo pequeno partir para a capital uruguaia, para jogar futebol no multi-vencedor clube da Capital, o Penarol da linda camisa ouro e negra.

    Forlán, com seu estilo próprio e espalhafatoso não podia passar pelo mundo da bola sem ser visto, brilhava de forma inigualável, brilhava assim como brilham as labaredas do fogo. Sim, porque Forlán não era de brilhar como simplesmente brilham as jóias que só brilham para impressionar e arrancar suspiros pela beleza, ele, Forlán, tinha um brilho que queimava! Forlán, o menino irrequieto do Penarol, desde muito cedo chamava a atenção do mundo, nas disputas caseiras e nas competições internacionais da base impressionava porque era um bravo, um guerreiro indomável que não sabia perder e que não aceitava a derrota nem nos treinos.

    Marcava o ponta-esquerda como se estivesse defendendo a entrada de sua casa contra o assédio de bandidos que a assolassem, postava-se à frente da cidadela e impedia o ataque. O Penarol era famoso, o futebol uruguaio era admirado pelos brasileiros, ainda vivia-se a mística do maracanazo de 50 quando eu, no frescor de minha juventude , em 1970, ouvi anunciar pelo rádio, que o São Paulo contratara Forlán, aquele lateral impetuoso que fazia ferver um jogo de futebol! Forlán, jogador que muitas vezes eu já vira pela TV, e sobre os feitos do qual vezes sem conta eu já ouvira pelas transmissões das Emissoras de Rádio, naquela época já ostentava a condição de capitão uruguaio; ele era um líder, um caudilho implacável dentro das quatro-linhas; assistindo aos jogos do Penarol e aos da Celeste eu já havia percebido que Forlán era a alma e o coração em busca da bola, era a cara do Penarol, era o espírito da seleção uruguaia, protótipo tradicional de raça e denodo!

    Depois das contratações bombásticas de Gérson, o Canhotinha de Ouro e de Toninho, o Guerreiro, astros de 1ª grandeza que brilhavam em solo pátrio e que haviam levado a seleção brasileira que seria campeã-mundial em 1970 a se classificar nas eliminatórias, Pablo Forlán, capitão da seleção uruguaia, também aportou no Morumbi depois daqueles 13 anos de indigência, desde 57, sem títulos. A chegada dele foi efusivamente comemorada, o sonho de milhares de são-paulinos de voltar a ter orgulho da sacrossanta camisa das três cores mais lindas do mundo ia mesmo começar a se transformar em realidade. Com Gérson no meio-campo, com Toninho na área e com Forlán em nossa defesa voltaríamos a ser temidos, ora já tínhamos a classe de Dias, Forlán ia impor respeito lá atrás, que começassem a tremer os petulantes rivais!

    Vou contar, meus iguais. Fui ver a estréia de Pablo Forlán. Ele, num amistoso internacional contra o CSKA russo, (naquele tempo havia grandes amistosos) em certa tarde fagueira de um feriado de 1º de maio, Dia do Trabalho, no Morumbi, figurando num time que não tinha as novas estrelas que estavam com a seleção canarinho na ocasião, estreou perdendo por 2 x 1 e foi substituído quando ainda ganhávamos por 1 gol a 0 porque contundiu-se ao atracar-se com um russo depois de receber um drible. O russo, claro, também se contundiu no mesmo lance e, gravemente, nem sei se voltou a jogar… O São Paulo perdeu o amistoso mas ver Forlán exibir a sua valentia foi gratificante. Enquanto ele esteve em campo houve vibração, o time deu mostras de que doravante seria forte na retaguarda com a contratação do gigante da fibra.

    Daí por diante, naquele elenco comandado pelo lendário técnico Zezé Moreira, Forlán foi mostrando quem era aos que o desconheciam, para mim não era nenhuma surpresa, eu, fissurado por futebol, há muito acompanhava de longe os seus feitos heróicos, os seus prodígios de dedicação e de raça. Ele tornou-se o líder do time ao lado de Gérson; Forlán era loiro, alto, magro, desengonçado, cabeludo, tinha pernas longas, era uma figura ímpar que causava forte impressão. O São Paulo se preparava para voltar a ser o maior, era como se tivéssemos resgatado Canhoteiro, Zizinho, Sastre Leônidas e Bauer nas brumas dos tempos passados! Laudo Natel, o eterno presidente, consumado o sonho da construção do Morumbi, templo sagrado de nossas glórias, já havia trazido, como se fosse um desvario, Gérson, o Canhotinha de Ouro e Toninho Guerreiro, agora trazia aquele bruxo, Pablo Forlán e prometia mais!

    A torcida do clube Bem-Amado delirava, vergava de vaidade, caía de glória, o Mais Querido voltaria enfim a dominar! Dizem que Forlán, ao defrontar-se com Gérson, logo no primeiro treino, depois de entrar nele com a fúria habitual vendo-o estupefato, prostrado ao chão, aos berros a reclamar, tranqüilizou-o:- use à vontade a sua canhotinha de ouro, mas nunca contra mim, nos jogos ninguém vai incomodar você, se o fizerem vão se haver comigo- disse-lhe Forlán, com o dedo em riste. E se tornaram amigos. Foi depois de uma rápida convivência com o apetite, com a gana , com a garra que caracterizavam o uruguaio, que Gérson o apelidou de tupamaro, nome que se dava aos terroristas uruguaios da época…

    O São Paulo , carente de títulos desde 1957, voltou a ganhar, sob o comando de Pablo Forlán dentro de campo. Sim, pois, inegavelmente, foi o tupamaro, o bruxo Forlán, quem comandou o São Paulo FC, no início dos anos 70, nos anos da reconstrução de nossa glória! Lembram-se dos velhos filmes de Walt Disney, iguais? Disney concebeu, em Branca de Neve, a figura da bruxa definitiva, a figura da bruxa magrela, alta, de cabelos compridos e desarvorados, de nariz aquilino e de olhos aterradores que torturavam as crianças em seus pesadelos. Pablo Forlán, fisionomicamente tinha o jeito daquela bruxa e no gramado enchia de pavor os pontas adversários, os transformando em meras criancinhas assustadas…

    O Palmeiras tinha um ponta-esquerda arisco, Nei era seu nome. Driblador, Nei era o xodó da torcida palmeirense; o Palmeiras , com sua decantada academia, era o grande rival do Tricolor no início dos anos 70. Quando Nei e Forlán se enfrentavam era assunto para um mês antes e um mês depois do jogo! Quem levaria a melhor? Nei, matreiro, na hora encontro se escondia, não ousava chegar perto de Forlán, ia jogar bem longe, lá no meio-campo. Nos dias que antecediam o Choque-Rei, Forlán declarava com cara de mau para a Imprensa: Nei? Eu o mato, vociferava o gringo! Era assim esse incrível lateral, esse destemido, esse líder, essa figura marcante que fazia do novo São Paulo um adversário temido! Lembro-me de vários jogos que se tornaram inesquecíveis por causa de Forlán, acho que ele, além de ter aquela postura que apavorava era mesmo um bruxo, revelo-lhes dois jogos, meus iguais, são tantos, as passagens desse mito da bola merecem um livro: O São Paulo , depois de conquistar o título paulista de 70 após 13 anos, vinha embalado.

    Tratava-se do 1º Campeonato Brasileiro . Claro, chegamos ao triangular final. Num jogo rigorosamente igual, o São Paulo perdeu para o Atlético Mineiro no Mineirão por 1 gol a 0, gol de falta, cobrada pelo volante deles, Oldair. Tínhamos que ganhar, no Morumbi, do Botafogo de Jairzinho, Paulo Cesar e Cia, um timaço. Depois de um 1º tempo parelho, o Botafogo , na metade do 2º tempo, fez 1 x 0, gol de Nei Oliveira. Tudo parecia perdido. Mas, Forlán, o bruxo, estava em campo. Nunca vi nada parecido. Aquele homem esguio, loiro, desengonçado, cabelos esvoaçantes estava louco! O Morumbi, nosso templo, que estava lotado, assistiu a tudo embasbacado. Forlán comandou o São Paulo como se estivesse numa guerra, como se fosse Napoleão, como se fosse Alexandre, o Grande, como se fosse Júlio Cesar! Eu vi, aturdido, sentado na arquibancada do Morumbi, o bruxo Forlán fazer gestos ostensivos, dar pontapés, gritar, ficar transtornado, fazer o gol de empate com um chute do bico da grande área e, depois, maravilhoso e maravilhado com a própria obra, cair de joelhos à beira do fosso, chorando copiosamente, com os braços erguidos para as arquibancadas onde o povo se extasiava frenético de alegria.

    Aquele gol, que conservarei no coração e na retina até o fim dos meus dias ia levar o Mais Querido a inverter o placar para 4 x 1! Terminada a partida, Forlán guiou os companheiros para torcida. Lá, em frente a uma grande concentração de devotos do São Paulo e como nunca eu tinha visto um jogador fazer, Forlán saltava, estimulava, incendiava, urrava, parecia ungido com uma força extraterrestre que contagiou os são-paulinos mais insensíveis. Nessa noite, o Morumbi transbordou de lágrimas, o povo do Clube da Fé chorou demoradamente, de alegria. Hoje, reprisando com a força da memória aquela epopéia, posso dizer que foi Forlán, o bruxo, sem dúvida, quem com sua garra incomparável, ganhou aquele jogo! E conto-lhes mais, meus iguais.

    Era um Choque-Rei, no tempo em que o Choque-Rei, nos anos 70, fazia o Brasil parar. O São Paulo FC, com seu novo esquadrão, levava vantagem naqueles duelos contra a academia alvi-verde, os palmeirenses estavam por conta, estavam sedentos por uma vitória que os livrasse das gozações, a torcida tricolor, depois de longo sofrimento, andava impossível… O Palmeiras , jogando como se fosse o jogo mais importante da vida, fez 1 x 0 depois dos 25 minutos do 2º tempo, o São Paulo estava desfalcado, a partida se aproximava do fim e no Morumbi ouvia-se o coro de olé… O bruxo Forlán não admitia humilhação, Forlán estava possesso em campo, batia, encarava os adversários, olhava-os com cara feia, gritava, exortava com marcantes gestos seus companheiros a atacar, parecia um demônio! Então, no finzinho do prélio, eis que ele, Forlán, possuído, tomado, louco e desvairado, saiu com a bola da intermediária, avançou em direção ao lado esquerdo da área dos rivais e dalí, de longe, de onde era impossível acertar o alvo, desferiu um míssil na bola, uma bomba atômica que encheu a rede do Palestra, espetacularmente! Mais uma vez eu vi aquele atleta dotado de energia sobrenatural dirigir-se em altíssima velocidade à lateral do campo e ali desabar de joelhos diante de nossa torcida, às lágrimas, para comemorar um gol, beijando o distintivo do clube do coração.

    Acho que Forlán foi o primeiro a beijar o escudo da camisa. E não foi um beijo fingido como hoje muitas vezes se assiste. Não. Foi um gesto espontâneo, um repetir de ósculos apaixonados que emocionavam, que enterneciam o furor desenfreado que causa a sensação do gol, foi uma cena cujas letras não poderão jamais descrever. Ao meu lado e, assim como eu, muitos são-paulinos novamente choraram inesquecíveis lágrimas de ouro, em arrebatamento e delírio; foi Forlán o atleta que primeiro exortou com paixão incontrolável o símbolo de seu clube sem impostura. Forlán era mesmo o máximo, iguais. Aquele bruxo com cara de mau e de temperamento explosivo, aquele louco, obcecado pela vitória , amou o São Paulo como poucos amaram.

    Nada detinha o tupamaro, o bruxo Forlán, nada. Forlán permaneceu no São Paulo FC de 1970 a 1975. Ganhou três Títulos Paulistas (70/71/75) no tempo em que ganhar o Campeonato Paulista era dádiva incomparável. Encerrada a carreira e, de volta ao Uruguai , um dia o São Paulo FC, em homérica crise, se lembrou dele, convidou-o para ser técnico, ele aceitou, foi aplaudido pela torcida, dirigiu o time, ganhou, perdeu e depois recolheu-se de vez em suas plagas. Não falo, neste modesto arroubo, de Forlán como técnico.

    Pablo Forlán não pode submeter-se ao crivo da torcida do Bem Amado como treinador; a história do bruxo, do indomável lateral-direito que nos deleitou com sua raça incomparável foi forjada dentro do campo de batalha, nas quatro linhas, como atleta. Dentro do gramado, foram poucos, pouquíssimos, os que a ele se equivaleram. Recentemente ouvi no Rádio uma entrevista de Pablo Justo Forlán Lamarque, nosso personagem. Forlán reviveu algumas de suas histórias, emocionou-se vivamente com as lembranças da própria carreira e depois a reportagem dirigiu-se para o assunto atual, a carreira de seu célebre filho, Diego Forlán.

    Diego, como se sabe, é hoje um astro internacional da bola, figura esportiva top em Copa do Mundo , incensado pelos uruguaios e amado pelos espanhóis, onde atua no Atlético de Madrid. Perguntaram então ao nosso tupamaro com o que mais ele, como pai, podia sonhar para o desfecho da carreira gloriosa que o filho vem construindo no futebol mundial e Forlán, com a voz embargada, respondeu que para a consagração total de Diego ele esperava que um dia o seu menino vestisse a camisa do time do coração do pai, a venerável camisa do São Paulo FC.

    Dizer mais o que sobre a imortal devoção do camisa 2 mais emblemático de que tive conhecimento como são-paulino? Forlán é símbolo de são-paulinidade. O tempo, voraz e implacável devorador de famas, não apagará os feitos heróicos de Forlán, os feitos desse craque ímpar já estão definitivamente insculpidos em nosso altar sagrado. Forlán, o bruxo, é um deus que figura no Panteão da pródiga e eterna história do clube Mais Querido do Brasil . O tempo de Forlán não passará.

    Ave, Forlan, ave!

    http://terceirotempo.ig.com.br/coluna_materia.php?id=702

  28. Antonio Carlos disse:

    VB, peço licença a vc, para agradecer ao CLAYTON, por este post. Tambem me emocionei diversas vezes com DON PABLO FORLAN(lembra, era assim que o chamavamos …)mas me lembro como se fosse hoje deste momento em que penso eu que pela primeira vez algum jogador beijou a camisa de seu time.E a camisa beijada foi o Manto mais BONITO do mundo. Tb contra o Palmeiras o vi, mandar a torcida adversaria silenciar.Craque da fina estirpe, guerreiro, lendario. Queira Deus,um dia seu(nosso)sonho se realize e o Filho venha mesmo vestir a Camisa que o Pai tanto Honrou!Obrigado Clayton, Obrigado DON P. FORLAN!!!!

  29. Clayton disse:

    Obrigado, Antônio Carlos. O artigo sobre Don Pablo Forlán é realmente primoroso. Emocionante.

    Vale a pena acompanhar todas as colunas que já foram escritas pelo Dr. Catta-Preta, sobre os ídolos tricolores do passado.

    Saudações Tricolores!

  30. esther disse:

    meu time de coração.amo vcs……………………

  31. esther disse:

    morro por sao paulo

  32. esther disse:

    o bricado por vcs ser do meu coraçao.amo vc

  33. jacomino disse:

    As vezes uma pessoa, apenas porque viveu algo no passado, acha que ninguém mais dispõe de memória.
    Aos que não viram, vai aqui o depoimento do outro lado da história, descontado o fanatismo histérico do são-paulino em questão:

    Só um rematado obtuso para reverenciar um jogador (?) absolutamente desleal,truculento, botinudo, descategorizado, ridículo pela total ausência de técnica futebolística, chamado Forlan.

    Embriagado pelo fanatismo cego, omite o comentarista
    os histriônicos “bailes” que o inefável uruguaio, levava dos ponteiros adversários, invariavelmente ridicularizado pelo aludido palmeirense Nei, do santista Edu, do luso Piau e do corinthiano Peri (este teve a perna quebrada pelo elegante Gerson, em retaliação aos dribles aplicados no seu colega uruguaio).

    À luz da realidade, era o que ocorria em campo.
    A deslealdade deste jogador só não era reprimida energicamente pelos árbitros da época porque no banco de reservas estava sentado ninguém menos que o Governador (biônico) de todos (?) os paulistas Laudo Natel que, como afirma o comentarista, contratou o violento lateral.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>