21 jan

Paris Football Gay

Geral

O texto abaixo foi escrito por Xico Malta. No fim do post, você tem o endereço do blog dele.

De Xico Malta

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Alguém poderia imaginar que no meio preconceituoso do futebol houvesse um clube criado para combater a homofobia nos estádios?

Pois existe!

Em Paris, no ano de 2003, foi criado o Paris Football Gay (PFG), cujo o objetivo inicial e fundamental é a luta contra a homofobia no futebol amador e profissional francês.

Segundo o site do PFG, a visibilidade da sua equipe e a militância da associação representam um meio concreto de luta contra a discriminação. É uma ação política que combate o isolamento e a rejeição dos homossexuais no futebol.

Uma carta de compromisso contra a homofobia foi enviada para os quarenta maiores clubes profissionais da França. No entanto, o compromisso foi assinado apenas por seis: Paris Saint Germain, Auxerre, Saint Etienne, Bordeaux, Nice e o Montpellier.

Isto significa que há ainda um longo caminho a percorrer.

No PFG, são acolhidos jogadores de todas as orientações sexuais: héteros, bissexuais e homossexuais com um único ponto em comum: Lutar contra a descriminação no futebol.

Em novembro de 2005, Vikash Dhorasoo, ex jogador da seleção francesa, tornou-se padrinho do clube.

Entrevistado pelo jornal L’Équipe sobre o motivo de apadrinhar o Paris Football Gay, ao invés de uma associação que lute contra o racismo, assim respondeu o ex jogador de origem indiana:

Eu fiz isso para os gays, mas também para todas as outras minorias, para mostrar que a discriminação não se limita à cor da pele. A discriminação pode ter várias formas, como por exemplo, contra as mulheres, contra os deficientes físicos… Entretanto a maior batalha a ser travada é no dia a dia.

Os patrocinadores do clube gay de Paris são também a madrinha do clube e estilista Agnes B, a marca de roupas esportivas Balliston e o arquiteto e designer Philippe Starck.

Boicote de um time islâmico

Em 2009, O PFG sofreu um boicote de um time composto somente por muçulmanos, o Créteil Bébel.

Interessante observar que o município de Créteil abriga dois times de colônia. O Créteil Bébel de muçulmanos, e o Créteil Lusitanos dos portugueses.

Os dirigentes do Paris Foot pediram a sua liga, a Comissão Football Lazer (CFL), sanções contra o Créteil Bébel depois da desistencia de jogar contra o PFG por “princípios”.

O Paris Foot Gay definiu a decisão do clube de Créteil como homofóbica.

Na véspera do jogo, o presidente do PFG, Pascal Brethes, recebeu uma carta do Bébel Creteil com estes termos:

Desculpe, mas por causa do nome de seu time e conforme os princípios do nosso clube, que é composto por muçulmanos praticantes, não poderemos jogar contra vocês, nossas convicções são mais importantes que um simples jogo de futebol, mais uma vez, desculpe-nos por ter avisado com tão pouca antecedência.

Comunitarismo?

A Secretária de Esporte da França na época, Rama Yade indignou-se:

Mas aonde vai parar tudo isso? Si continuar assim, as pessoas vão se recusar a jogar contra negros, judeus… O comunitarismo não tem lugar no esporte.

A rejeição do termo comunitarismo foi justamente o argumento apresentado por um dirigente do Créteil Bébel para explicar o gesto de seu clube:

“Não sou homofóbico, não sou integrista. Não me incomoda jogar com gays, mas não com um clube com um nome desse…. Nos quisermos ficar neutros – A gente não se autodenomina o Futebol Clube Islâmico, por que outros precisam de rótulos? ” declarou ao L’Équipe o senhor Zahir Belgharbi.

Do outro lado, Pascal Brethes do PFG respondeu:

“O Paris Foot Gay não é um clube ccomunitarista, é antes de tudo uma associação que luta contra a homofobia no futebol, somos abertos aos negros, árabes , brancos e a todas religiões existentes no mundo”.

Entrevistado por uma estação de radio, um outro dirigente do time de Créteil também explicou a atitude de sua agremiação:

Como muçulmano, tenho todo o direito de não querer jogar (contra o PFG) pois eu não concordo com suas idéias.

Diante disso tudo, a Comissão Football Lazer (liga onde joga ambos os times) decidiu no mesmo ano excluir o time muçulmano de Créteil. A ONG SOS Racismo aprovou a atitude da Liga:

Não é possível aceitar, que sob o pretexto de convicção religiosa, ou em nome de qualquer outra convicção, que o homossexualismo seja criticado”, declarou a associação em um comunicado.”

Fontes: Le Monde, L’Équipe e http://parisfootgay.free.fr/

Mais posts do Xico Malta em xicomalta.com

74 respostas a Paris Football Gay

  1. Fábio Vanzo disse:

    Piadas beleza, até eu fiz quando li. O problema são esses sujeitos comentando coisas do tipo “daqui a pouco heterossexual é que vai ser discriminado”. Aí desanima. Parabéns como sempre, Birner, pelo blog.

  2. GANJACORE disse:

    COMO FOI COMPROVADO PELA ASTRID A MAIOR TORCIDA NA PARADA GAY É A DO TIMÃO!!!

  3. Alan disse:

    Aqui no brasil teria o apoio do são paulo…COM CERTEZA.

  4. Juliana Jeza disse:

    Muito bom o post. Um assunto que realmente precisa ser discutido e explorado. Parabéns pela coragem do blog de falar nisso nesse meio machista e preconceituoso que é o futebol. Mais uma vez o blog do Birner se destaca falando de assuntos que os outros não querem abordar. Grande beijo.

  5. marco santos disse:

    Criar um time com esse nome é uma burrice tremenda. É como cotas para pessoas com cor da pele diferente, onde todos dizem “olha ele é negro, temos que tratá-lo diferente”.
    A criação dessa equipe faz o mesmo, ou seja, será tratada diferente porque é gay.
    Deveriam criar uma equipe com um nome qualquer e defender a homofobia sem levantar bandeira, ser querer ser diferente.

  6. jobri disse:

    o bicho burro e ignorante é certos corinthianos ,pois se der uma chuva de coaiera, vai cair todas no pescoço deles.
    .

  7. mauro rodrigues disse:

    pra mim tanto faz que o cara atenda os outros pela porta dos fundos;pra mim ( particularmente) eles não tem utilidade nenhuma nesse mundo.agora,criar um time ou qualquer associação pra defender direitos de grupos é uma idiotice.não são todos seres humanos????? por alguns querem ser MAIS HUMANOS do que os outros?????SER SÓ HUMANO SIMPLES NÃO BASTA?????? entao vou criar um grupo pra defender os querem ser simplesmente humanos .tá criado!!!!!!

  8. claudio disse:

    Lendo os comentários aqui e as críticas, postadas nessa coluna percebi o quanto as são preconceitusas impiedosamente. Pelo visto só os outros times são heterossessuais, o São paulo é o único que tem homossessuais. Haja!

  9. Felipe disse:

    Só a existência de um clube assim já revela que há um caminho estratosférico a percorrer.

  10. zTimão disse:

    Esse time seria o primo Francês do são paulo ?

  11. Seven disse:

    ea cara do SPFC …..

  12. Jota disse:

    BALELA O SPFC EXISTE DESDE 35 E ATÉ AGORA NÃO CONSEGUIU ACABAR COM A HOMOFOBIA, ESSE CLUBE FRANCES VAI CONSEGUIR???

  13. Samuel disse:

    Uma pergunta simples: Se fosse o time gay que se recusasse a jogar contra o time muçulmano, ele seria excluído da liga de futebol ? Acredito sinceramente que não.

  14. Fernando disse:

    O foco não é a criação de um time gay. O absurdo é um time não querer jogar com outro por esse motivo. Ao ingressar numa competição deve-se estar preparado para jogar com qualquer um. Seja de opção sexual diferente ou religião, ou cor, ou etnia. Os franceses deram uma lição ao mundo ao excluírem o time muçulmano. Se eles são imbecisque joguem entre eles. Daqui a pouco times católicos não jogarão contra evangélicos, que não jogarão contra judeus, que não jogaram contra budistas, A filosofia principal de um esporte é uma competição com condições iguais para participantes diferentes.

  15. Sandro disse:

    Por favor isso não é novidade. Temos aqui no RS um time assim, trata-se do gaymio, com a sua já famosa e pioneira COLIGAY, torcida organizada dos 80′s. E temo também os bambis sãopaulinos e os famosos tricoletes do Florminense kkkkkkk

  16. Jonas disse:

    Infelizmente, a sociedade brasileira ainda não atingiu o grau de desenvolvimento dos europeus. Poucos clubes abrem espaço em seus elencos e torcidas para os homossexuais. Creio que possamos citar, além dos times do Rio Grande do Sul, apenas Fluminense, São Paulo e Corinthinas. Por isso eu tenho orgulho do meu FLUZÃO!!!

  17. Antonio Fitzgeral disse:

    Daniel Sousa, você, além de homofóbico é um tremendo idiota!!! Como, alguém que se diz não ser homofóbico, só fazer comentários homofóbicos? Ou você não sabe o que significa a palavra HOMOFOBIA ou está dando uma de “migué” para ver se seu comentário idiota cola, entre os menos informados. A homofobia, o preconceito como um todo, e pessoas como você, precisam, sim, ser combatidas.

  18. Antonio Fitzgeral disse:

    Matteo, você disse tudo, cara!!!!

  19. Antonio Fitzgeral disse:

    Ao ler tantos comentários idiotas, preconceituosos e anacrônicos, chego à uma só conclusão: ” A RAÇA HUMANA É UMA RAÇA QUE AINDA NÃO DEU CERTO. ” Que tristeza e decepção!

  20. Luiz disse:

    Assino embaixo o comentário do Adriano Berger e do Daniel Sousa.

  21. Ricardo disse:

    É muito triste ver como ainda estamos muito atrasados no que diz respeito a igualdade de direitos. Muitos disseram que gays e heteros tem os mesmos direitos. Vou dar alguns exemplos, vamos ver se é assim mesmo. 1- Gays tem direito a união civil? 2- Podem adotar filhos? 3- Tem direito a herança do(a) companheiro(a)? Será mesmo que direitos são mesmos iguais?
    Heteros são agredidos por gays, exclusivamente, por serem heteros? São assassinado por isso tb?
    Por acaso algum clube brasileiro tem um atleta homossexual assumido? Já se perguntaram pq? Porque certamente eles existem.
    Muito boa a iniciativa do blog, temos muito o que evloluir nesse sentido. Enquanto as pessoas ainda forem julgadas por dormirem com quem lhe diz respeito, temos que insistir na educação e combate a discriminação.

  22. André disse:

    É interessante Birner que geralmente todos se declaram não-racistas, sem preconceito sexual, sem preconceito contra classe social, a favor da liberdade religiosa e etc.
    Melhor ainda é o pessoal reclamando das leis que protegem os pessoal GLTB como se fosse o fim do mundo.

    Só que pelas notícias que saem nos jornais, não são bem os heterossexuais que tem de se proteger e não podem andar de mãos dada na rua sem correr o risco de apanhar.

    Outra coisa: RELIGIÃO ALGUMA ESTÁ ACIMA DA LEI!
    Vou criar o partido pela extinção da raça negra então, afinal, é apenas a minha crença e não há problema algum nisso, certo?
    A pessoa pode praticar suas crenças nos lugares de comunhão e em suas casas, mas fora dela existe uma sociedade e os religiosos tem de respeitar as leis desta.

    No Brasil e na França existem leis que garantem os direitos de alguém se chamar “gay” e independemente da religião da pessoa, ela tem respeitar isso, NÃO É O CONTRÁRIO.

    [ ]‘s

  23. Daniel Heitor Guerra disse:

    Corintias Footy Albertini, by Ronald – 1924

  24. Fábio disse:

    Claro, não devemos estimular o preconceito. Todos têm liberdade de escolha para orientação política, religiosa e sexual.
    Contudo, não acho que criar um clube seja necessário para combater o preconceito. Pelo contrário, creio que esse clube discrimina (no sentido de diferenciar) e aumenta o abismo entre heteros e homossexuais.
    Ora… se devemos considerar todos iguais, independentemente de orientação sexual, por que razão a existência desse clube?
    Repito: isso só alimenta a discriminação (porque diferencia uma parcela da população que, em tese, não quer sofrer por ter uma característica que foge à maioria).

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