8 ago

Basquete brasileiro perdeu da Argentina e para a própria instabilidade emocional. Trabalho de Magnano tem que continuar

Jogos Olímpicos

De Vitor Birner

Argentina 82 x 77 Brasil

O desequilíbrio emocional brasileiro e o grande número de erros nos lances livres definiram qual seleção sul-americana vai disputar medalha na Olimpíada.

O Brasil cometeu vários erros defensivos e continuou oscilando ao longo do jogo.

A Argentina teve menos altos e baixos, mas também cometeu diversos equívocos.

A seleção hermana vem mostrando um basquete bem inferior ao que lhe deu a glória do ouro olímpico em Atenas.

Só que seus atletas não perdem o controle das emoções nas horas mais tensas e importantes.

Conseguem manter o equilíbrio mental tanto nos maus momentos quanto nos bons.

O Brasil, não.

Parece ficar assustado quando o adversário comanda a partida.

E o mais grave: se precipita nos momentos em que controla as ações e pode, por exemplo, tomar a frente n0 placar e vencer.

Nossos jogadores ficam ansiosos. Parece que se assustam um pouco com a possibilidade de ganhar.

Mostraram isso na sensacional recuperação durante o último quarto da partida. Houve dois lances fundamentais de contragolpes desperdiçados por pura ansiedade.

Os brasileiros foram guerreiros, lutaram muito, se dedicaram e honraram a camisa, contudo não tiveram cabeça para superar o time vencedor, rodado e acostumado com situações como a de hoje.

É raríssimo ver alguma precipitação dos jogadores argentinos. No Brasil, ainda acontecem.

A quantidade delas diminuiu bastante sob o comando de Magnano.

O trabalho do treinador foi vital para o basquete brasileiro retornar aos Jogos Olímpicos e ficar entre as 6 melhores equipes do planeta.

Tem que continuar até o Rio de Janeiro, em 2016.

Perder o mestre no banco terá um custo esportivo altíssimo.

Dependemos dele. Precisamos de Magnano.

Luis Felipe Passos comenta o jogo de hoje.

De Luis Felipe Passos

Foi bonita a festa. Valeu ver o Brasil de volta aos jogos, em alto nível, depois de 16 anos de ausência em Olimpíadas.

Para vencer a Argentina hoje e se classificar à semifinal olímpica, o que seria sensacional, ainda faltou uma coisa.

A maturidade.

O primeiro quarto da Seleção Brasileira foi o melhor na partida. Equilibrado no ataque e um pouco pior do que o normal na defesa.

A Argentina mostrou a cara logo nos primeiros 10 minutos.

Deixou muito tempo em quadra seus melhores jogadores, deu pouco descanso para eles.

Como tem um time mais velho do que o do Brasil (além de ser mais jovem fez um rodízio bem maior), era certo que estaria desgastada aos últimos minutos.

Então, o que seria necessário?

Chegar ao final do jogo com a partida equilibrada, para conseguir deslanchar quando faltassem pernas aos argentinos.

A Seleção Brasileira não foi capaz de fazer isso.

No segundo quarto, ficou clara a queda no desempenho defensivo do Brasil se comparado ao dos últimos jogos.

Nem contra Austrália e Inglaterra, suas piores apresentações no torneio, a Seleção Brasileira marcou tão mal como no segundo quarto.

Cortes pelo meio, pelo fundo, bandejas sem ajuda e arremessos sem a devida aproximação.

O time de Magnano deu a chance que a Argentina queria para abrir vantagem no placar e explorar o nervosismo de nossos jogadores.

O Brasil foi ao intervalo perdendo por 46×40. Voltou para o terceiro quarto da maneira que a Argentina esperava: quase desesperado.

E cometeu erros primários.

Esses atletas da Seleção Brasileira falharam de maneira que não estão acostumados.

Não teriam cometido os mesmos erros se não estivessem alterados emocionalmente,em desvantagem no placar contra seu maior rival e numa partida de quartas de final olímpica.

No final do terceiro quarto, a diferença aumentou.

Veio o quarto período e aconteceu o que era possível prever.

A Argentina, que pouco substituiu os jogadores de uma geração sensacional, vencedora, mas envelhecida, cansou em quadra.

O Brasil aproveitou sua melhor forma física, encostou no placa e tornou emocionante o final da partida.

Mas, sem eliminar os erros e precipitações típicas de um time ainda imaturo, não se pode vencer.

O maior termômetro do nervosismo de um equipe é o aproveitamento de lances livres.

O Brasil arremessou 24 e converteu 12. Aproveitamento de 50%, que não se admite para atletas profissionais de basquetebol, jogadores de ponta, da seleção de seu país.

Nossos maiores pontuadores foram Marcelinho (pelo excelente começo de jogo) e Leandrinho (pelos pontos que fez no final).

Em 2016, vale a pena manter o trabalho e intensificar a participação nos torneios com as grandes equipes.

Temos um time com potencial e um grande técnico.

Basta seguir o conselho de Nelson Rodrigues aos jovens:

“Envelheçam”.

27 respostas a Basquete brasileiro perdeu da Argentina e para a própria instabilidade emocional. Trabalho de Magnano tem que continuar

  1. Alexsander Marques disse:

    Concordo com o que escreveu, porém vejo o “copo meio cheio” em dois aspectos não exaltados.
    Num mundo não ideal, prefiro uma derrota com honra, como foi, do que as vitórias da Espanha. Tivemos caráter acima de tudo.
    Sobre a ansiedade, concordo quando e visão é geral, mas tem que se destacar o Marcelinho Huertas. Levou o time nas costas e, com certeza, é um dos 5 melhores armadores do mundo.

    Ah! Tem um errinho no texto. A Argentina ganhou medalha de ouro e venceu os USA duas vezes nas Olimpíadas de Atenas, e não Sidney

  2. Alexsander Marques disse:

    Concordo com o que escreveu, porém vejo o “copo meio cheio” em dois aspectos não exaltados.
    Num mundo não ideal, prefiro uma derrota com honra, como foi, do que as vitórias da Espanha. Tivemos caráter acima de tudo.
    Sobre a ansiedade, concordo quando e visão é geral, mas tem que se destacar o Marcelinho Huertas. Levou o time nas costas e, com certeza, é um dos 5 melhores armadores do mundo.

    Ah! Tem um errinho no texto. A Argentina ganhou medalha de ouro e venceu os USA duas vezes nas Olimpíadas de Atenas, e não Sidney

  3. Thiago Silva Cerqueira disse:

    Fantástico, é muito bom de ver, que depois de tanto tempo o basquete brasileiro está de volta, o trabalho desses homens, foi qualquer coisa de emocionante, lutaram e honraram a historia do basquete brasileiro, agora é esperar que o trabalho de Magnano tenha uma continuidade, e que assim como o Corinthians, que demorou para aprender como jogar a libertadores, só aprendendo com continuidade e trabalho, o basquete brasileiro com o que foi visto nessa olimpíada que está no caminho certo. Parabéns aos trabalhadores da seleção brasileira de basquete, trabalho maravilhoso!

  4. Jonathas Thiberio Artese da Silva disse:

    O Brasil está de Parabéns. Depois de 16 anos sem jogar uma Olimpíadas fica entre os 6 melhores do mundo. Perdemos para uma seleção excelente e experiente , faz parte do esporte. Jogamos de igual pra igual com todos os adversários. Quando ganhamos da Espanha mostramos que somos homens de verdade e enfrentamos qualquer obstaculo com cabeça erguida, mesmo perdendo. O basquete pra crescer precisa de mais incentivo e precisa passar em TV aberta, NBB e NBA, só assim os jovens começaram a ter gosto por esse excelente esporte. Mas estamos no caminho certo, estamos crescendo denovo. Tamo junto Brasil. Parabens pelo post sobre basquete, é dificil nesse pais que só fala em futebol.

  5. CEFR disse:

    Sidney??? Não queres dizer Atenas em 2004… em 2000 os EUA levaram ouro tanto no masc. como femenino. Tu mal és um comentarista mediano de futebol… ai quer virar “pachecão” em plena olimpíada em esportes que desconheces e mal acompanhas…. cometendo uma barbárie como o desta frase: “A seleção hermana vem mostrando um basquete bem inferior ao que lhe deu a glória do ouro olímpico em Sidney”.

  6. Marcelo disse:

    Pois é, faço a mesma pergunta sempre: como chama o psicológo da seleção? Eles tem um ou acham isso uma besteira? Não falo de motivadores, falo de terapia séria e constante para ajudar os atletas a melhorarem a parte mental no esporte e na vida. Se os psicólogos não forem figuras importantes nas preparações de nossos atletas a próxima Olimpíada vai ser ainda pior pois teremos muito mais pressão por vitórias. Terapia neles, muita terapia!

  7. alvez disse:

    O Brasil perdeu para uma grande seleção, que era inclusive favorita nesse confronto. Mas que chega a dar raiva ver um aproveitamento tão ridículo nos lances livres dessa seleção ao longo de toda a Olimpíada isso dá. Hoje isso foi decisivo. O jogo poderia ter chegado absolutamente igual no final sem o Brasil precisar ter pressa pra fazer cesta e depois fazer falta pra parar o cronômetro.

  8. João disse:

    PORQUE O VAREJÃO SÓ JOGOU 15 MINUTOS

  9. Victor disse:

    Eles deveriam passar um mês confinado no Exército Brasileiro fazendo todo tipo de atividade com pessoas para puxar o máximo seu psicológico, com auxilio de psicologo para vê se começar a aprender a ter controle mental e frieza. Isso é o mais importante para a seleção Brasileira estar entre as 4 grandes do mundo.

  10. chicão maggio disse:

    VB,

    Não tive a oportunidade de ver o jogo, mas a continuidade desse grupo será fundamental para um bom desempenho no Rio em 2016.

    Abraço!

  11. Pedro Alcantara disse:

    porque saopaulino exalta a derrota (basquete) e denigre a vitória (futebol)?

  12. Marcos Oliveira disse:

    e assim caminha a cronica esportiva brasileira, sempre colocando a conta das derrotas no lado emocional, o adversário nunca é melhor, nunca tem merecimento.

  13. Hilton Costa disse:

    Concordo com a ideia da permanência do Magnano, ele conseguiu dar um padrão de jogo defensivo muito bom ao time, uma consistência que a muito não se via.

    Se o trabalho do técnico argentino continuar, quem sabe ele consegue tirar o maldito vicio de arremessos despropositados, a toda hora da linha de três ponto! Que em 75% das vezes vira 2 pontos para o adversário.

    De qualquer modo o basquetebol masculino, a meu ver, voltou bem as olimpiadas depois de 16 anos fora.

  14. Juan Carlos disse:

    A questão principal é que a Argentina tem mais jogadores decisivos, coisa q o Brasil não tem. O Marcelinho Huertas é um grande jogador, mas ele não pode ser o responsável por decidir o jogo. Sua função é fazer o time girar e neste jogo não usamos nossa grande vantagem q são os três pivos. O Huertas fez vinte pontos, quantos fizeram os tres pivos?
    A questão dos lances livres perdidos são importantes, mas todo mundo sabe q o Nene e o Splitter são horríveis neste quesito, por isso q os Argentinos forçaram as faltas.
    O Magnano foi importante para esse recomeço do basquete brasileiro, mas algumas de suas trocas nessa olimpíada foram muito estranhas. Não entendi pq o Giovanonni ficou tanto em quadra hj e pq o Varejão não foi muito usado.
    Por último, quem tem Ginobilli já começa com uma vantagem enorme.

  15. ivo cwb disse:

    Você não vai comentar nada sobre o novo ranking da Conmebol?

  16. Garcia disse:

    Legal, Birnner e Passos. Texto preciso, sem excessos, análises bem realistas. Birnner, você arrumou um cronista de basquete que tem a mesma qualidade (e estilo até) que o seu para comentar futebol. Mais um ponto pro blog, além da excelente produção, tem boa curadoria.

    Concordo com tudo o que foi dito. O que nos faltou mesmo foi experiência, maturidade enquanto equipe. Apenas acrescentaria uma coisa:
    Esse time se formou muito recentemente, esses caras jogam juntos a pouco tempo (os titulares, sobretudo). Não temos aquela mescla essencial a um time campeão, que junta jogadores novos com jogadores veteranos de seleção (calejados por derrotas inclusive). Não tenho dúvida se Leandrinho e Nenê tivessem servido a seleção anos atrás, exerceriam esse papel no time. O time que classificou no pré olímpico não tinha esses dois, nem o Varejão. Uma pena!. É uma equipe nova, em termos de conjunto (embora tenha jogadores velhos como Lenadrinho, Marcelinho Machado, Nenê). Era todo mundo novato em olimpíada (que é o torneio de maior audiência e maior pressão). Isso pesa mesmo. É compreensível o nervosismo. É o preço que pagamos por ficar de fora de 3 olimpíadas. Temos que reconhecer o bom trabalho e ter paciência. Para formar uma seleção campeã, leva muito tempo Tem que ter continuidade de um trabalho bem feito

    Podemos até questionar um ou outro erro, uma ou outra decisão do Magnano… mas vou engrossar o coro para que ele fique mais 4 anos (pelo menos). Por duas razões:

    1. Ele recolocou o Brasil no mapa do basquete mundial. E voltamos a ser respeitado. Temos um time! Há quanto tempo não tínhamos. O Basquete me trás boas lembranças de infância (Oscar, Marcel, Pipoka…), que infelizmente foram definhando ao longo desses 16 anos.

    2. Eu amo futebol mais do que qualquer esporte. Mas esses jogos de basquete do Brasil (sobretudo o de hoje) conseguiram me envolver de tal forma que nem me lembro quando foi a última fez que senti algo parecido com a seleção de futebol (acho que a última foi em 94, não sei…). A vibração e tensão que passei… foi algo apenas comparável ao que sinto em jogos do Corinthians.

    Só por isso, já fiquei satisfeito. Por isso, eu apoio totalmente o movimento: “fica, Magnano”!

    Um abraço!

  17. Garcia disse:

    Complementando (nem precisa publicar, pois acabei escrevendo demais…)…
    No dia em que os jogos da seleção de basquete e de futebol jogaram no mesmo horário (basquete contra China e futebol contra Nova Zelândia), preferi assistir o jogo de basquete, mesmo sendo um jogo da fase classificatória (basquete) contra um jogo de quartas de final (futebol). Tamanha foi minha identificação com esse time de basquete!
    Abraço.

  18. ALEX disse:

    Viva o basketball brasileiro!!! Parabéns minha seleção!! Estamos orgulhosos deste time que com muito pouco apoio apresentou um excelente desempenho. Temos sim detalhes a resolver mas mostramos honra, valor à camisa. Estamos no caminho certo, parabéns Magnano.
    Em relação ao post, perfeito.
    Mais clubes de futebol, além dos que já tem, poderiam abrir franquias de basketball, todos iam ganhar. Que campeonato brasileiro teríamos, imaginem. O basket é muito praticado em vários locais e pouco dimensionado. Não é à toa que é o esporte mais popular em muitos países.
    Abraço Birner. Fico feliz por abrir este espaço.
    Seu leitor

    Alex

  19. Alemao Palestra disse:

    Cara, que pena essa derrota!!! Fiquei anos luz mais triste, por exemplo, do que com a derrota do Brasil nas duas últimas copas do mundo de futebol… Pecado mesmo a gente nao ter chego nessa semi.

    Mas ao mesmo tempo fiquei contente cara! Contente e orgulhoso de ver meu querido esporte ir bem novamente, de ter gosto de torcer pela seleção!! O Basquete é muito forte “pelas ruas a fora” aqui no Brasil. Apesar de não parecer tanto, é um esporte que conta com muitos praticantes em nosso país. Podem acreditar nisso, se houver um trabalho realmente forte de melhora no apoio aos campeonatos e as categorias de base por aqui, cada vez mais nos fortaleceremos pra voltarmos a ser uma potência do esporte, e eu torço de coração por isso!!!

    Outra coisa interessante é que o Caio Torres, que lá está, é da mesma geração que eu. Jogamos contra muitas vezes nas categorias de base (Nos tempos dele do antigo Clube Volkswagen e tbm pelo Pinheiros). Lógico que ele deu certo e eu não (hahaha…) mas é bacana ver que o cara batalhou e chegou la!

    Parabéns guerreiros!! Vocês resgataram e estão resgatando cada vez mais o orgulho por esse esporte tão bacana que é o basket!!! FICA Mestre Magnano, vamos juntos até 2016, e lá o bicho vai pegar!! Ai vamos estar em casa, e quero ver nosso basket arrebentando!!!

    Abs!!

    • Alemao Palestra disse:

      Ah, e outra coisa, PARABÉNS pela postura diante da Espanha!!

      Medalha manchada?!?! Deixa pro volei!!! (Ta bom, ta bom, eu sei da estória da Itália, regulamento montado, e toda aquela ladainha, mas eu ainda sou do tipo que acha que é melhor vc ir contra o que está errado do que fazer parte daquilo, como aconteceu com nosso volei naquele episódio lamentável).

      Abs!


  20. Parabéns Birner, por dar um espaço merecido aos garotos do basquete brasileiro.
    Eles estão de parabéns pois lutaram até o fim e honraram a pátria, se o nível técnico ainda não é dos melhores (principalmente entre os reservas) ao menos eles brigaram até o último segundo, mesmo sem chances de vitória.
    E como escrito no post, “Envelheçam!”
    Quem sabe uma medalha em 2016!
    Parabéns ao Magnano e à CBB

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