8 mar

Corinthians marca forte e supera falha do árbitro para vencer outro Majestoso; estrelas do São Paulo de novo sumiram contra o maior rival

Geral

De Vitor Birner

São Paulo 0×1 Corinthians

A torcida corintiana comemorou outra vitória contra o São Paulo.

Essa foi mais difícil que a última porque taticamente houve equilíbrio.

O resultado tem a ver com outros aspectos.

O Alvinegro manteve plena concentração do início ao fim. Não cometeu nenhuma falha de marcação nem quando ficou com um a menos, enquanto o rival teve pequenos e poucos erros de atenção.

O gol de Danilo aconteceu em um deles. Nunca um são-paulino ficou livre para chutar na entrada da área como o veterano e decisivo meia fez.

A coesão coletiva do Corinthians, fruto da força psicológica gerada pela solidariedade em campo, noção que todos precisam contribuir de algum jeito para o time vencer e confiança graças aos ótimos resultados, manteve todo mundo atento.

O rival tem estrelas que não podem ser cobradas nem ficar fora porque parte da torcida reclama e grita seus nomes.

Luis Fabiano e Ganso, as referências do sistema ofensivo, foram engolidos de novo pela marcação.

O pênalti perdido por Rogério Ceni e a participação perfeita de Cassio nos raros lances em que o São Paulo ameaçou foram fundamentais para o placar favorável ao Corinthians.

Discordo do árbitro tanto no penalidade quanto na exclusão de Gil.

Cassio foi o melhor do Alvinegro, onde ninguém jogou mal.

Centurión e Michel Bastos, apesar do brasileiro ter sido um dos que poderiam atrapalhar o Danilo na jogada do gol, foram os melhores do time que perdeu.

Tite mantém; Muricy procura

O técnico do Corinthians não mexeu na proposta tática.

Como tem ocorrido desde o retorno ao clube, colocou em campo o 4-1-4-1 com variação para o 4-4-2 de acordo com as circunstâncias do jogo.

No primeiro ‘desenho’, Ralf ficou atrás da linha com Jadson na direita, Emerson Sheik do outro lado, e Elias e Danilo entre eles.

No outro, Danilo permaneceu um pouco adiantdo, perto do centroavante Guerrero, e o volante mais marcador completou o quarteto no meio de campo.

Muricy largou o 4-4-2 ineficaz e que deixaria o meio-de campo despovoado.

Tinha que igualar a quantidade de jogadores do rival no setor e optou pelo 4-2-3-1.

Respeitou muito as características de quem iniciou o clássico e viu o time, na parte coletiva, mais consistente.

O trio de criação contou com Michel Bastos, canhoto, na direita, e destro Centurión do outro lado. Ambos gostam de carregar a bola na diagonal e peeferem assim. Ganso, centralizado, foi o meia.

A dupla de volantes teve Denilson, mais preocupado com os desarmes, e Souza com liberdade para ajudar o sistema ofensivo.

Os laterais de ambos as equipes puderam apoiar quando o adversário deixou apenas um atleta adiantado para os contra-ataques.

Os centroavantes Guerrero e Luis Fabiano esperaram na frente.

Razão x tensão

O clássico foi equilibrado no 1° tempo, apesar de alguns atletas do São Paulo transbordarem tensão contra os rivais muito concentrados.

Não por coincidência, Ganso e Luis Fabiano, de novo os piores do time, eram os mais irritados. As cobranças externas têm aumentado.

O São Paulo com maior iniciativa e posse de bola no ataque, enfrentou enormes dificuldades para achar lacunas no competente sistema de marcação do rival.

Deveria jogar mais pelos lados, onde o Alvinegro é menos forte, mas insistiu nas tabelas pelo meio.

O Corinthians congestionou ali e aguardou o erro de marcação ou o momento de desatenção, que houve em todos os jogos são-paulinos desde o retorno das férias.

A tendência era acontecer e aproveitá-lo seria importante para deixar o adversário ainda mais fraco de cabeça na hora de lidar com a obrigação de vencer.

Como um roteiro previsível

Aos 11, Guerrero, de costas para Edson Silva, conseguiu virar e cruzar para Danilo, livre, de direita, fazer 1×0.

Denilson ou Michel Bastos deveria atrapalhar o artilheiro.

Além de ninguém ficar próximo do meia-atacante, algo inadmissível contra o jogador com o currículo espetacular em clássicos e decisões, Rogério Ceni, apesar da dificuldade, tinha como evitar o gol.

O chute foi no contrapé e quicou em frente ao goleiro, que chegou na bola e não conseguiu espalmá-la.

No único lance de perigo favorável ao São Paulo antes do intervalo, o Corinthians teve outros dois além do que festejou, Cássio, cara a cara com Centurión, impediu o argentino de igualar.

Vão acabar com o futebol

Michel Bastos, de fora da área, fez a sua tradicional jogada de driblar para dentro, trazer a bola para canhota e chutar forte de média distância.

Gil, no ato reflexo, levantou o braço para proteger a cara.

Nem viu ela tocar no cotovelo quase grudado ao corpo.

O árbitro marcou a falta antes de ser avisado pelo auxiliar que o contato foi na área e dar o pênalti.

Expulsou o jogador que já havia recebido, antes do intervalo, o cartão amarelo.

Se os seus colegas avaliam isso como infração, ele deve fazer o mesmo porque a justiça no esporte depende da igualdade de critérios  nos torneios.

Mas, além de eu discordar radicalmente dessa visão, os critérios são dúbios, pois ninguém no Brasil é capaz de explicar com exatidão qual é a fronteira entre a ‘bola na mão’  e a ‘mão na bola’.

Esse tipo de lance nunca foi pênalti e nem deveria ser. Discordo da infração e da exclusão de Gil.

Inventaram essa modernice destrutiva recentemente e ela é mais um ingrediente para matarem a alma do futebol.

Rogerio Ceni de novo falhou

O goleiro, aos 10, cobrou o pênalti com força, no meio do gol, e viu Cassio tocar na bola antes de ela bater no travessão e retornar para o campo.

Dos duelos nos grandes jogos de futebol – físico, técnico, tático e psicológico – três foram equilibrados desde o início.

O único em que o Alvinegro mostrou superioridade ao longo dos 90 minutos foi o emocional.

O gol encerraria tal supremacia no ‘placar dos nervos e da confiança’, igualaria o resultado restando 41 minutos – somado o acréscimo – e o São Paulo teria um jogador a mais.

Cassio, no time forte coletivamente, foi o principal responsável pela vitória, e Rogério Ceni terminou o Majestoso como referência de outro fracasso diante do maior rival.

Nítido

A interferência da parte emocional ficou ainda mais óbvia depois da penalidade perdida.

O Corinthians pareceu mais forte e determinado.

E os treinadores tentaram fortalecer as propostas de jogo.

Tite trocou Danilo por Edu Dracena para recompor a dupla de zaga,  e pediu para o Guerrero ajudar mais o meio de campo. Perdeu o contra-ataque e garantiu a consistência do sistema de marcação.

O São Paulo permaneceu com a bola em busca de alguma brecha para superar Cassio.

Muricy notou que seus zagueiros e laterais teriam pouco a fazer e decidiu colocar Alan Kardec, aos 18, no lugar de Reinaldo.

Tinha lógica a ideia de aumentar a força da jogada aérea diante de um time que não permitia a entrada na área, mas não podia abrir mão de Michel Bastos mais avançado, por causa da qualidade do chute (outra alternativa para furar bloqueios),  e colocá-lo na lateral tal qual fez.

Bastos e Centurión foram os melhores do sistema ofensivo enquanto os renomados Ganso e Luis Fabiano foram engolidos, novamente, pela marcação do rival.

O treinador podia escolher qual dos renomados tirar, mas preferiu mantê-los e esperar que fizessem algo.

Continua aguardando até agora.

Tite, aos 22, mandou Cristian entrar no lugar de Emerson Sheik.

Aproximou Ralf dos zagueiros, pois a prioridade era não tomar o gol e Dracena e Felipe tinham que ficar em cima de Luis Fabiano e Alan Kardec.

O terceiro jogador ali diminuiu a possibilidade do empate.

O time passou a ter uma linha de quatro no meio, com o reserva e Elias como volantes, e Jadson e Guerrero abertos, pelos lados, e outra de cinco atrás.

Aos 24, Muricy reforçou a ideia de apostar nos cruzamentos com Jonathan Cafu, na direita, no lugar do Souza.

O São Paulo ficou com a bola e quase nada produziu.

Chutou duas vezes em gol, com Denílson e Alan Kerdec, e mais nada digno de ser lembrado, ambas fora de média distância.

Edilson entrou aos 34 no lugar de Fagner por causa do cansaço do titular e cumpriu o dever de marcar, marcar e marcar como o jogo exigiu.

Resultado justo

A arbitragem marcou nove impedimentos no ataque do São Paulo.

Concordo com todos.

Não houve nenhuma espécie de benefício ao Corinthians.

Apenas o Alvinegro, por causa da penalidade e da expulsão, tem motivos para questionar a atuação de árbitro e auxiliar.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Bruno, Toloi, Edson Silva e Reinaldo (Alan Kardec); e Denílson e Souza (Jonathan Cafu); Michel Bastos, PH Ganso e Centurión; Luís Fabiano.
Treinador: Muricy Ramalho

Corinthians- Cássio; Fagner (Edílson), Felipe, Gil e Uendel; Ralf; Jadson, Elias, Danilo (Edu Dracena) e Emerson (Cristian); Guerrero.
Treinador: Tite

Arbitro: Leandro Bizzio Marinho - Assistentes: Daniel Paulo Ziolli e Alex Ribeiro
Público: 18720 – Renda: R$ 817.160,00

347 respostas a Corinthians marca forte e supera falha do árbitro para vencer outro Majestoso; estrelas do São Paulo de novo sumiram contra o maior rival

  1. Caio disse:

    Parabéns pelo texto lúcido… O duelo foi equilibrado e decidido nos detalhes… o Penalti pessimamente marcado. O que deve estar preocupando os torcedores do São Paulo, ou deveria estar, é a incapacidade de criação do seu ataque. De fora, o Murici me parece um pouco entregue e não muito bem de saúde.

    Abraços Birner

    Caio Corinthiano!

    • CARLINHOS disse:

      BIRNER, O MURICY FALOU PARA O GANSO JOGAR MAIS PERTO DA AREA, O CLEBER MACHADO FALOU PARA O MURICY QUE O GANSO DEVERIA JOGAR COMO SEGUNDO VOLANTE COMO O PIRLO E MURICY PENSATIVO RESPONDEU : PODE SER.
      O CLAUDIO CARSUGHI DISSE NA JOVEN PAN QUE O GANSO DEVERIA JOGAR DE LIBERO ATRÁS DA ZAGA TRICOLOR, EU PERGUNTO : POR QUE NÃO NO GOL JÁ QUE TEM UMA BOA ALTURA E O MÃO DE ALFACE SERÁ APOSENTADO MESMO CONTRA SUA ( DELE) VONTADE.
      OS MILHÕES GASTOS ? PARA QUEM PAGA METADE DO SALÁRIO DO PATO, ISSO É MERRECA.
      CAPIVARIANO A SALVAÇÃO DA LAVOURA E DA MIDIA TRICOLOR.

  2. Gabriel disse:

    - Futebol Jogado (hoje se joga o futebol moderno e o termo que é usado neste novo futebol é: FUTEBOL VERTICAL. Mas afinal o que é futebol vertical? É exatamente o contrário do que os meias Souza, Denílson e Ganso fazem. Estes 3 jogadores só tocam a bola de lado, isso é futebol horizontal, que demonstra a lentidão e a falta de objetividade destas peças. O meio de campo é a engrenagem do time, que dita o ritmo e estilo da equipe em campo e infelizmente estes jogadores não são capazes de executar o futebol vertical. talvez o Souza sim, logo o meio ideal seria: Souza, Thiago Mendes e Boschilia.)
    - O Ataque (Hoje no futebol moderno, dificilmente observamos o atacante “centroavantão”, o termo usado para um dos atacantes é: Falso Nove, que é aquele atacante móvel, inteligente e astuto. Logo, o correto a se fazer seria sacar o Luís Fabiano e colocar o Pato com esta função. Outro problema do ataque é a falta de velocidade que ao meu ver já está sendo corrigida, pois no futebol moderno se utiliza muito os flancos e já temos o Michel Bastos na direita a lá Robben cortando pra dentro para finalizar, driblar ou passar e o Centurión pela esquerda estilo Di María com sua velocidade, dribles e capacidade de sofrer faltas perto da área.)
    - A Lateral esquerda (Já tínhamos resolvido porém mandamos a solução embora: Álvaro Pereira, agora tem que ser o Carlinhos mesmo pela falta do Álvaro.)
    - O Treino e O Treinador (O Muricy já ganhou diversos títulos, porém sua maioria no futebol antigo, pragmático, num 3-5-2 super antiquado. Ahh… mais ganhou a Libertadores 2011, sim ganhou, mas e o choque de realidade que ele sofreu em dezembro tomando 4 do Barcelona? aquilo mostrou o despreparo dele diante do novo futebol. Contratar o Leonardo ex São Paulo e Milan ou o Seedorf para treinador, deixando o comentarista e ex jogador do São Paulo Caio Ribeiro de auxiliar técnico seria um grande passo. Falando do treinamento, os jogadores do São Paulo precisam de alguém que instigue o seu senso de competidor, não se conformar com as derrotas, certamente uma palestra do Bernardinho do vôlei e do Oscar Schmidt ajudaria. Não dá para ver ouvir somente que o ambiente do grupo de jogadores é maravilhoso, as vezes tem que ter uma cobrança um do outro, até brigas mesmo, pois significa que estão concentrados e focados na vitória. Todo mundo é amiguinho e respeitador demais nesse elenco. Falta mais culhôes para estes jogadores, são muito sossegados. Falta atitude, empenho e compromisso com a vitória. E quem paga pela falta de competitividade e marasmo destes jogadores é o torcedor na rua indo trabalhar, estudar… É muito dinheiro pra pouca vontade. Mas pra quê vencer jogos se eles já tem a principal vitória deles que é o dinheiro, o carro importado a mulher do momento, a mega casa e o conforto dos deuses? Sugiro a contratação de mais argentinos, uruguaios e chilenos.)

    • Bloco 07 disse:

      Concordo com muita coisa, mas muita calma nessa hora. Lembre-se de quando o Murici foi trocado pelo Ricardo Gomes, o discurso era basicamente o mesmo, treinador “europeu” moderno com a “cara” do São Paulo e deu no que deu. ou seja, em nada. Não acho o Murici um técnico ultrapassado baseado nas entrevistas dele. Ele enxerga o jogo, o problema que ele tem, isso sim me parece coisa de gente que não está mais disposta a aprender, é repetir os mesmos erros, e, a tal da justiça que ele tanto prega, não a está fazendo na prática, ao barrar o Hudson, por exemplo, e nem sequer substituir o Ganso durante as partidas. Não há conexão entre o discurso e a prática. Mas quanto à mudança de técnico, gente “nova” e “moderna”, discurso “motivacional”, sinceramente tenho cá minhas muitas dúvidas. Estou cada vez mais convencido é de que o São Paulo precisa mudar radicalmente o modelo de contratações: priorizar categoria de base, jogadores estrangeiros, quando digo estrangeiro me refiro também a jogadores brasileiros que não fizeram carreira aqui e têm a motivação de serem reconhecidos no próprio país, como o Michel Bastos. E chega de trazer jogadores de rivais e de outros clubes grandes Brasileiros, ou em fim de carreira e acomodados. Enfim, jogadores que tenham objetivos profissionais ou, dependo do caso, meramente pessoais, como o caso do Michel Bastos.

  3. Itamar disse:

    O problema do SPFC é esse elenco que foi montado pelo JJ. Ainda temos esse legado.

  4. Roberto Pedroso disse:

    O Souza esqueceu de jogar bola e resolveu desatar e dizer bobagens,parte do elenco são paulino está muito aquém do esperado e o treinador não coloca certos indivíduos que só estão jogando com o nome Luis Fabiano,Ganso,Tolói,Souza,deveria-se colocar jogadores jovens como Auro,Bosquillia,Jonahtan Cafú,Lucão,Thiago Mendes pelo menos no campeonato Paulista,mas nosso decepcionante técnico inapto segue envergonhando a torcida são paulina.Na minha humilde opinião de torcedor antigo do tricolor do Morumbi a escalação adequada seria,Lucão,Edson Silva,e Paulo Miranda(enquanto Dória, Rodrigo Cairo ou Breno não se recuperam)Denilson,Thiago Mendes com Centurion pelas laterais Hudson e Michel Bastos,no ataque Jonathan Cafú ou Alan Kardek e Pato,no bom e velho 3-5-2,quem sabe assim recuperaríamos o resto de dignidade que nos resta como torcedores,com a palavra Muricy Cálvario.

  5. Roberto Pedroso disse:

    “O Souza esqueceu de jogar bola e resolveu desatar a dizer bobagens,parte do elenco são paulino está muito aquém do esperado e o treinador não troca certos indivíduos que só estão jogando com o nome…”-Desculpe pela minha falha em texto acima.

  6. paula disse:

    O segundo amarelo foi justo. Apesar de nunca ter visto ninguém tomar amarelo nesse caso. Mas acho que simulação de agressão tem acabar. Aliás, porque centurion não levou o dele? Porque não é LF9 e Elias teria que ser expulso pelo segundo. Enfim. Mas o primeiro amarelo foi porquE? Claramente LF diz : “você do lado e não viu?”. Isso só é amarelo para LF. ele passa a não ser desculpado porque ttem que parar de esbravejar gesticulando porque é perseguido, sim! Deveria, portanto, ser mais inteligente.

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