23 abr

São Paulo raçudo sobrou contra o apático Corinthians; Majestoso teve erros de Emerson Sheik, Luís Fabiano e do árbitro

Análise de jogos, Copa Libertadores

De Vitor Birner

São Paulo 2×0 Corinthians

O São Paulo jogou com raça.

A forma como foi colocada em prática a proposta tática foi alterada.

O Corinthians apático, desconcentrado, cometeu muitos erros técnicos e alguns coletivos.

A expulsão tola de Emerson Sheik completou o pacote de problemas do time no Majestoso.

O São Paulo foi muito superior durante os 90 minutos e se impôs com facilidade.

Administrou o resultado após fazer 2×0.

Perdeu Luis Fabiano por causa do destempero do funcionário.

Sandro Meira Ricci acertou na cor do cartão para o centroavante e errou ao tirar o Mendoza, junto do rival, do clássico.

O vermelho para o Emerson Sheik foi questão de critério do neo-futebol.

As agremiações mereceram, nas colocações que terminaram, a classificação para a próxima fase da Libertadores.

Raça x Apatia

A forma como o time do Morumbi perdeu a estreia da Libertadores para o Corinthians, desencadeou a crise na qual o elenco mergulhou e continua.

Isso não acontecerá com o Alvinegro porque já provou ser competitivo.

A forma como jogou o Majestoso ou foi prepotente, como se acreditasse que venceria de qualquer forma, ou displicente.

E o São Paulo, raçudo, ganhou com muita tranquilidade.

Todos os jogadores entrevistados ressaltaram isso.

Muitos ressaltaram nas entrevistas o aumento da dedicação.

Inclusive Rogério Ceni, Michel Bastos, Hudson, Souza e outros que nunca foram acomodados em campo.

Isso é uma admissão que a postura da equipe não era sempre de respeito ao manto sagrado vermelho, preto e branco tricampeão da América.

Contra o San Lorenzo e o Danubio ficaram devendo futebol e não empenho.

Motivados pela necessidade de classificação, quebra do tabu no estádio, encerramento do jejum nos clássicos e cobranças justas ( na medida, técnicas e desprovidas de sensacionalismo), devolveram o placar de 2×0 em Itaquera e a facilidade de controle do primeiro ao último minuto.

O Corinthians, garantido na fase seguinte, tinha razão para entrar pilhado.

Teria sido um fato histórico a muito prazeroso aos seus milhões de torcedores o feito de eliminar o adversário na única Libertadores que se enfrentaram.

Correção fundamental

O rival do Guarani-Par nas oitavas-de-final, repetiu a proposta de sucesso.

Jadson na direita, Sheik do outro lado e Renato Augusto entre eles no trio de criação com Ralf e Elias atrás. O 4-2-3-1 com ‘flutuação ao 4-1-4-1 quando o atleta da seleção nacional avança.

Os laterais e zagueiros titulares atuaram e Vagner Love ocupou o lugar de Guerrero.

O São Paulo, como diante de Santos e Danubio, formou o 4-3-2-1.

Os volantes Denilson, centralizado, e Hudson e Souza pelos lados; Michel Bastos, de novo o melhor em campo, e Ganso na meia, mais Luis Fabiano no ataque.

Nos jogos anteriores, a equipe não marcou a saída de bola e foi obrigada pelas circunstâncias durante os 90 minutos que fizeram Michel Bastos recuar para formar o modorrento 4-4-1-1.

O esquema pode ser vencedor se tiver velocidade quando recupera a bola. Com o trio de volantes, meia que não investe em dribles na vertical, e apenas um na frente, é inviável.

O time de Rogério Ceni marcou no ataque e com intensidade.

Ganso e Luis Fabiano realmente se dedicaram nisso, o que facilitou opara quem jogou no meio e na defesa.

O êxito aumentou a quantidade de cruzamentos, jogadores no campo de ataque para entrar na área e aproveitá-los, como os volantes, e de finalizações.

Os desarmes nas laterais e principalmente na jogada por cima foram as maiores dificuldades corintianas até nas melhores apresentações.

Era óbvio que os são-paulinos precisavam investir nisso.

Dória, logo no início, cabeceou livre e perdeu grande oportunidade.

Luis Fabiano desperdiçou outra,ambas do lado direito da defesa.

Emerson foi irresponsável

No futebol de antigamente, agressões leves fora da disputa de bola eram punidas com cartão amarelo.

Depois da ‘bigbrotherização’ promovida pela tecnologia de imagens, ela passaram a terminar em cartão vermelho.

As pessoas tinham uma ideia distante da dinâmica sobre a realidade da dinâmica de jogo e quando viram ficaram indignadas com lances normais para os boleiros.

Como no mundo de hoje quase tudo lamentavelmente é tratado como negócio, a grita forçou a rigidez –  não gosto e chamo de neo-futebol – dos critérios.

O experiente Emerson Sheik tem ampla noção disso.

Não poderia cair na provocação de Rafael Toloi e derrubá-lo.

O zagueiro valorizou e interpretou a dor que não sentiu.

Deve ter se lembrado do Choque-Rei, quando fez igual com Dudu e acabou sendo excluído.

Renato Augusto foi jogar aberto, em frente ao Uendel, e meio de campo de Tite ficou distante de Vagner Love, apesar de o centroavante se mexer pelo gramado para tentar ser opção de passe.

Gols e muita facilidade

A perda de um atleta potencializou a superioridade do São Paulo.

Noutro cruzamento torto de Reinaldo, a bola foi desviada por Ganso, Hudson ‘espanou’ o arremate, ela tocou no braço de Uendel (marcam pênaltis por isso no neo-futebol) e Luis Fabiano, livre, fez o gol.

O placar favorável agregou tranquilidade e confiança ao time.

O efeito no rival foi oposto. Irritados, ou por discordarem do companheiro ou de quem o excluiu, perderam mais a concentração.

E deram a brecha que Michel Bastos precisava para chutar de fora da área, sua maior especialidade, e ampliar o resultado.

A bola quicou em frente ao Cassio. Era possível a intervenção do goleiro. Foi, sim, uma falha, mas não grande.

Como se diz no futebolês, era chute que o grande goleiro em dia inspirado pegaria.

Ricci, Mendoza, Luis Fabiano, Elias e Centurión 

O jogo ‘acabou’ no 2×0.

O São Paulo ficou trocando passes e o Corinthians aceitou a ideia.

Houve uma oportunidade, do Denilson, que acertou a trave.

Na prática quase ninguém mostrou ambição de alterar o resultado.

Luis Fabiano talvez fosse uma exceção.

Explosivo por nada e provocador para nada, empurrou Mendoza – entrara no lugar de Vagner Love para aumentar a velocidade do contra-ataque -, com o colombiano de costas, fora do campo e quase foi agredido.

Fez o teatro, apesar de não ter sido atingido, e se jogou na grama.

Ambos mereciam o amarelo.

O constantemente expulso tinha sido punido cerca de dois ou três minutos antes com o cartão.

Sandro Meira Ricci tirou o vermelho do bolso e mostrou para eles.

Falhou porque apenas o mais experiente deveria ser retirado do jogo.

Outro entrevero aconteceu com Centurión e Elias.

O argentino entrou – Denilson saiu – e junto com ele a milonga, catimba e capacidade de provocar tão tradicionais na cultura do esporte hermano.

Driblou para os lados e passou o pé em cima de bola para tirar alguém do sério.

Elias deu uma pancada no rival, levou o amarelo, falou algo para o rival em outra jogada e o árbitro foi falar com o volante para evitar de expulsá-lo se aquilo continuasse.

As trocas de Jadson por Bruno Henrique, e de Hudson e Michel Bastos por Rodrigo caio e Thiago Mendes, não alteraram o andamento do Majestoso.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Bruno, Toloi, Dória e Reinaldo; Hudson (Rodrigo Caio), Souza e Denílson (Centurión); Michel Bastos (Thiago Mendes) e PH Ganso; Luís Fabiano
Treinador: Mílton Cruz

Corinthians – Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Ralf; Elias, Jadson (Bruno Henrique), Renato Augusto (Danilo) e Emerson Sheik; Vagner Love (Mendoza).
Treinador: Tite

Árbitro: Sandro Meira Ricci – Assistentes: Fabrício Vilarinho da Silva e Fábio Pereira

 

293 respostas a São Paulo raçudo sobrou contra o apático Corinthians; Majestoso teve erros de Emerson Sheik, Luís Fabiano e do árbitro

  1. Daniela disse:

    Boa noite, Smile.

    Meu fã? rsrs

    Obrigada, mas sou apenas uma reles mortal que busca opinar sobre futebol, com erros e acertos.

    • SMILE disse:

      Não seja por isso, Daniela… Opiniões, erros e acertos ‘fazem parte’… Mas com um mínimo de coerência, ao contrário das emitidas por ‘uns e outros’… he, he… Por isso sou seu ‘fã’… rs…

      Abraço!

      SMILE

  2. Roberto Pedroso disse:

    O Corinthians perde dois clássicos em uma semana está com meses de salário atrasado e as equipes nacionais já estão aprendendo como jogar contra a velha retranca montada pelo pernóstico treinador Corintiano e ainda temos que ouvir de certos torcedores leigos afirmarem que o Corinthians não se esforçou no jogo contra o São Paulo por já estar classificado, isso é uma falácia tão absurda e ainda somos obrigados a ouvir tais disparates,aguardo ansioso as cenas dos próximos capítulos talvez quem sabe o tal “Taj Mahal” corintiano irá cumprir sua função a de ser um mausoléu destinado a guardar os restos mortais do que sobrará do Corinthians na disputa da Libertadores.

  3. Roberto Pedroso disse:

    o Corinthians perde duas vezes na mesma semana dois clássicos consecutivos e torcedores fanatizados dizem que o time não quis se esforçar contra o São Paulo, é lamentável a cegueira que afeta alguns dos torcedores corintianos,é fato que os times brasileiros estão aprendendo a jogar contra a retranca estabelecida pelo pernóstico treinador corintiano e o assim chamado Taj Mahal do timãozinho poderá, na Libertadores, cumprir a sua real vocação a de ser um mausoléu que abrigará os restos mortais do que sobrará do Corinthians na disputa da libertadores aguardemos.

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