16 jul

Inter vence; time precisa melhorar para se classificar à final da Libertadores

Birnadas, Copa Libertadores

De Vitor Birner

Internacional 2x 1 Tigres

Não gostei do futebol do time que tem o títulos da Libertadores na sua grande galeria de troféus.

Foi mediano tanto na parte tática quanto na técnica.

As condições eram muito favoráveis e não as aproveitou.

Precisava tornar o jogo mais intenso contra a agremiação com pequeno período de preparação.

Em suma, venceu, mas o ideal é que evolua até a semana que vem, pois se repetir a o desempenho terá possibilidade considerável de ser eliminado na semifinal.

Iniciando

O Tigres entrou em campo abaixo da condição física ideal e com necessidade de se entrosar.

Três dos cinco reforços, todos com qualidade elogiável no padrão Libertadores, foram escalados no primeiro jogo ‘não amistoso’ da temporada que, para os mexicanos, iniciou agora.

Digamos que o estágio de preparação é similar ao das maiores agremiações brasileiras na primeira rodada do estadual.

Mesmo assim, no início, tentou fazer a transição ao ataque trocando passes.

Isso leva meses para se executar direito e com regularidade.

E perder a bola no campo de defesa aumenta a possibilidade de tomar gol, porque, em regra, quem a tem se posiciona para ir á frente.

Obrigação

O Internacional deveria conseguir se impor.

A ideia do Tigre de jogar com a bola no chão foi inapropriada para o local do jogo e estágio de preparo coletivo.

Juninho citou na entrevista, os mexicanos demoraram para se adaptar a grama baixa, que torna a partida mais rápida.

A fórmula para o Internacional era ‘simples’.

Tinha que tornar marcar na área do rival, tornar o jogo intenso, veloz, para forçar as falhas do concorrente à vaga na final.

Durou pouco

Fez isso apenas no início.

Marcou dois gols em 10 minutos, um com D-Alessandro depois Arévalo Rios falhar no passe – tal qual o ‘campo falava’ - e D’Alessandro, com precisão, finalizar de fora da área.

No outro, Valdívia chutou e teve sorte porque a bola desviou no rival e encobriu o goleiro.

O Tigres ficou acuado no começo da semifinal

Colaborou com o Tigres

Depois o Internacional recuou, ao invés de manter a marcação na saída de jogo.

Investiu nos contra-ataques com D’Alessandro na direita, Valdívia do outro lado e Nilmar, mais adiantado, como centroavante.

A opção solucionou o problema do Tigres na transição da defesa ao ataque e permitiu que ficasse com a bola mais perto da área de Alisson.

O gol de Ayala, de cabeça, não teria acontecido se o Internacional marcasse mais na frente.

Chamar o adversário e explorar brechas que deixou poderia funcionar, mas não era o que o jogo pedia, ao menos até aquele momento.

Alisson impediu o empate

Ao longo do 1° tempo, a equipe foi caindo de rendimento.

Permitiu aos mexicanos equilibrarem a disputa no meio de campo e depois terminarem com razoável controle da partida.

Nem a tentativa de retomar o posicionamento defensivo inicial fez a equipe se impor.

Alisson, ao evitar dois gols do Tigres, foi o principal jogador em campo.

Tática

Após o intervalo, Internacional quis atuar no 4-1-4-1 com flutuação para o 4-2-3-1.

Pretendia ter Aránguiz junto com D’Alessandro na direita, Valdívia do outro lado e Lisandro López entre eles, na meia e chegando pelo centro na área.

Mas como o time não ganhou o meio de campo, o argentino e o atleta revelado no clube gastaram consideráveis doses de energia cooperando com os laterais, ficando em frente a eles, na marcação.

O lado esquerdo do sistema defensivo, com Geferson na lateral, Alan Costa na zaga, mais o volante e Valdívia, foi inconsistente.

Nilmar, o mais adiantado, ficou isolado.

Com um a mais

Apenas depois de Ayala ser expulso, o Internacional passou a ter muita posse de bola no campo de ataque.

Os 34 minutos restantes, o Beira-Rio pleno, a condição física do Tigres, tudo favorecia para o Internacional fazer gols.

Improdutivo

Mas o time nem conseguiu incomodar muito.

O Tigres recuou e ficou dependente do contra-ataque apesar de o centroavante Gignac, cansado àquela altura, ser o único acionado nesses lances.

O zagueiro Briseño entrou no lugar de Damm, que jogou no meio de campo e era opção de velocidade e dribles.

O treinador do Tigres priorizou a recomposição do sistema defensivo, mas perdeu posse de bola e repertório ofensivo.

Sabia disso ao fazer a alteração.

Tentativas

Ao notar que as lacunas para Nilmar diminuíram após os mexicanos se posicionarem atrás, Enrique Carrera, (não sei se orientado pelo suspenso Diego Aguirre) trocou o atacante por Eduardo Sasha.

O reserva foi atuar na direita, onde até aquele momento jogou D’Alessandro.

O argentino foi para o centro do trio de criação, onde ficava Lisandro López (se revezou entre essa função e a de atacante junto com Nilmar), que passou a ser o centroavante de área.

O time, nem depois das mexidas, conseguiu superar mais de uma vez, com a bola na grama, a razoável marcação do Tigres.

Houve a exceção.

Prejudicado

No único lance que fez isso, o auxiliar marcou impedimento.

Não foi simples de ser avaliado, mas fiquei com impressão que o argentino partiu da mesma linha do zagueiro.

Ele ficaria de frente para o goleiro Guzmán.

Nem por cima 

Nos últimos cinco minutos, como a opção era jogada aérea, Rafael Moura ocupou o lugar de Valdívia.

O fortalecimento do ataque nos cruzamentos não teve nenhum efeito positivo para o time.

Critérios

O habilidoso Aquino, que com seus dribles conseguiu levar a melhor algumas vezes contra os marcadores, foi tocado por Ernando, na área, antes do intervalo, quando o placar era 2×1, e se jogou no gramado.

Eu não acho que isso é pênalti, mas muitos (no Brasil provavelmente a maioria) são marcados assim.

Como na Libertadores o critério ficou dúbio porque a Fifa de Joseph Blatter determinou e a Conmebol aceitou as alterações do neo-futebol  - geram mais dúvidas sobre o que é ou não falta e pênalti,  e ainda há jogos que correm de maneira tradicional do futebol –  fica impossível afirmar, de maneira convicta, o que o venezuelano José Argote deveria fazer.

O mesmo ocorreu na expulsão de Ayala.

Deu carrinho forte na bola e no jogador do Internacional,

Há quem mostre o cartão amarelo, os que não fazem isso, e aqueles que de vez em quando sim e noutras não.

Então, o tal do critério é “muito pessoal”, como os comentaristas chamados de especialistas na pauta vira e mexe citam.

De qualquer forma, ambas as jogadas tiveram decisões que merecem mais debates que críticas inquestionáveis.

O outro lance importante, do impedimento de Lisandro López, houve provavelmente o equívoco que impediu o centroavante de finalizar apenas com o goleiro na frente.

Teria sido importante aumentar o resultado em uma noite onde a inspiração ficou longe do Beira-Rio.

Ficha do jogo

Internacional – Alisson; William, Alan Costa, Ernando e Geferson; Dourado; D’Alessandro, Aránguiz, e Lisandro López e Valdívia (Rafael Moura); Nilmar (Eduardo Sasha)
Técnico: Diego Aguirre

Tigres – Guzmán; Gimémenez, Ayala, Juninho e José Torres; Arévalos e Pizarro; Damm (Briseño) , Rafael Sóbis (Lugo) e Aquino; Guignac (Viniegra)
Técnico: Rivcardo Ferretti

Árbitro: José Argote (Venezuela) – Auxiliares: Jorge Urrego e Carlos López

16 respostas a Inter vence; time precisa melhorar para se classificar à final da Libertadores

  1. José Adolfo Schultz disse:

    E aí Birner?
    Só um adendo… O treinador do Tigres é o Tuca Ferretti, brasileiro, e faz muito tempo que é treinador dos Tigres. Conseguiu levantar a taça uma vez e foi vice-campeão no torneio apertura do ano passado.
    Um abraço.

  2. Filipe Rodrigues disse:

    Se o Inter lá no México jogar esse futebolzinho limitado que jogou depois do segundo gol, é Tigres na final.

    E não me venham com a desculpa que no brasileiro o time está mal na tabela porque está focado na libertadores, pois todos sabemos que o torneio ficou parado devido a copa América e o futebol limitado do Inter se concretizou nessa paralisação do torneio.

  3. jose disse:

    Se o Marin está louco para voltar ao Brasil para responder em liberdade por todos os crimes que cometeu, como explicar que um jornalista condenado a prisão semi-aberta por crime de opinião, está encarcerado há duas semanas e ninguém da grande mídia fala nada? Você não acha que isso merece um comentário?

  4. Fred disse:

    Lá na Argentina não quero nem ver.
    O Inter se complicou.
    Lava deverá levar botinada pra chuchu num daqueles estádios apertadinhos, c/ a torcida grudada no alambrado e c/ juiz “made in Paraguai”, num cenário absolutamente “imparcial”.
    Na arte da recepção, os hermanos são verdadeiros MESSSSSSTRES !!!

    • Dilson disse:

      SE passar pelo Tigres, e o River passar pelo Guarani, o jogo será no Monumental de Nuñes, estádio muito parecido com o Morumbi.

    • Ivan Moisés disse:

      Lá na Argentina ? Ahahahahahaa !!! O time só se encontrou depois que o Dudu entrou ,pois ele deu uma dinâmica veloz ao time.E a torcida verde hostilizar Rafael Sóbis,foi de uma ingratidão sem tamanho.Quero ver esse time do Tigres,embalado jogando em Arapiraca,com a mesma folha de pagamentp de um time como o Grêmio em seu estádio.É verdade que torcer para um time como esse é uma grande liderança,né ?

    • Paulo Geroldo disse:

      Argentina??? Quem vai jogar lá, me conta?

  5. alex andrade disse:

    Birner, otime do Inter que bateu o Atletico Mineiro nas oitavas eh de mentira, o verdadeiro eh o que levou de tres outro dia, o mesmo que jogou ontem. No Mexico nao vai dar para ganhar. A chance foi ontem, agora bal,bal.

  6. JC disse:

    Birner.
    Acho que o pênalti não foi interpretativo. Foi mesmo. Talvez esteja pensando no tal pênalti brasileiro, uma bizarrice pífia do azedo Mauro Cezar. Ehehehhehe.

  7. JorgeAltieri disse:

    Comentário típico do torcedor do São Paulo Victor Birner.
    Não esquece 2006 e 2010.

  8. Derly Zardin - Colorado disse:

    Caro Birner,
    Boa tarde.
    concordo com seus comentários. A montagem do Inter com a mesma defesa que vinha atuando mal no Brasileiro foi equivocada. Os jovens laterais erraram com frequencia e prejudicaram o desempenho. Também Aránguiz apagado e Valdívia muito individualista impediram a criação. Fiquei com dó do Nilmar, quase não recebeu bola boa.
    Eu enfrentaria o Tigres com Alisson, Léo, Réver, Allan Costa, Ernando (de lateral), Dourado, Aranguiz, DAlessandro, Nilmar e Sacha (ou Vitinho).

    • Vitor Birner disse:

      Imagino que o gramado, no México, será mais alto, pois os jogadores do Tigres falaram da dificuldade porque era baixo no beira-Rio.
      Isso tende a diminuir a velocidade na troca de bolas.
      O treinador do Internacional precisa levar isso em conta.
      Ou prepara e escala o time para trocar mais passes no meio de campo, ou fica recuado e investe na rapidez de alguns atletas nos contra-ataques.
      Pode marcar a saída de bola, não é impossível que isso gere resultado necessário, mas pode facilitar a missão do adversário de fazer gols.
      A tua opção privilegia a rapidez e o jogo na vertical, mas talvez não tenha força de marcação ideal em frente aos laterais e zagueiros.
      Por outro lado, aumenta a estatura da equipe.
      Tenha convicção que haverá muitos cruzamentos na área.
      O Tigres tem qualidade pelos lados e o centroavante alto.

  9. Ivan Moisés disse:

    Penso que é neste domingo que a gente vai perceber a novidade financeira escolada ! E é aí que se promove os dateados do futebol ! E tenho dito sempre isso sobre o Internacional ! Todo mês é assim !

  10. Paulo Geroldo disse:

    Birner, a arbitragem do jogo de ontem foi muito boa. Marcou o que tinha que marcar e controlou a partida de forma muito tranquila. Na verdade, os dois times ajudaram, pois só se preocuparam em jogar futebol. A expulsão do Ayala foi correta, pois os dois lances de falta que ele cometeu foram passíveis de cartão amarelo. Já o lance do pênalti, realmente não houve nada. No impedimento, houve um pequeno erro, mas por milímetros, o que isenta o bandeira de culpa.

  11. andre zanatta disse:

    Boa noite Birner e amigos, O Inter deu sorte nos 2 gols que fez e depois disso não fez mais nada nem quando teve 1 a mais. Se jogar essa bolinha vai enfiar a viola no saco. E uma semana é muito pouco para mudar um time substancialmente. Sei não…

  12. Daniela disse:

    Oi Vítor,

    Talvez por ter feito dois gols logo no primeiro tempo, o time não teve o mesmo ímpeto que teria caso o primeiro tempo tivesse terminado 1 a 0, ou 0 a 0.

    Poderiam ter forçado mais, pois com o placar favorável em dois gols, era possível deixar o time rival preocupado se iriam levar mais gols.

    Vai ser sufoco no jogo de volta.

    É uma oportunidade de ganhar o torneio que não se pode deixar escapar. Ano passado o Cruzeiro tinha plenas condições de ter vencido, pois tinha elenco qualificado o bastante para vencer.

    O “problema” de ser campeão da Libertadores é jogar contra os europeus que vencem a Champions, haja vista os dois últimos que foram: B. Munique, Real Madri, e este ano o Barcelona.

    Jogo se decide nos noventa minutos, mas do jeito que anda o futebol brasileiro, dá medo de pensar nesse mundial de clubes.

    Abraço!

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