27 ago

São Paulo cumpre obrigação de eliminar reservas do Ceará

Análise de jogos

De Vitor Birner

Ceará 0×3 São Paulo

O time de Juan Carlos Osorio de novo foi superior aos esforçados reservas da zebra, mas não conseguiu o volume de jogo ofensivo enorme como no Morumbi.

Fez gols depois de Wellington Carvalho ser excluído por causa de um carrinho tão tolo quanto desnecessário.

Até aquele momento, havia finalizado uma vez.

De qualquer forma, cumpriu a obrigação e mereceu se classificar.

Alexandre Pato e Carlinhos foram os melhores em campo.

O Ceará, se mantiver o padrão tático e agregar a isso a técnica dos muitos titulares impossibilitados de atuarem hoje, tende a somar mais pontos no returno da segundona.

A prioridade é evitar o rebaixamento.

O futebol mostrado diante do São Paulo aumenta o otimismo para conseguir isso.

Acima de tudo, é importante manter a garra que não faltou, em nenhum momento, no torneio do qual foi eliminado.

Assim pode elevar o desempenho coletivo.

Propostas 

Michel Bastos e Thiago Mendes como volantes para o time ter jogadores que chegam de trás, com menos marcação, se o Ceará cumprisse o protocolo de ficar fechado e recuado, e podem criar lances de gol.

Os laterais Bruno e Reinaldo apoiando constantemente, Ganso na meia, e o ataque formado por Carlinhos e Pato, pelos lados, porque investem em dribles na diagonal e sabem chutar de média distância, e Wilder como centroavante.

Além disso, os zagueiros Rodrigo Caio e principalmente Luiz Eduardo foram à linha que divide o gramado para um deles, em diversos momentos, iniciar as jogadas de ataque.

Esse foi o plano de Juan Carlos Osorio para o sistema ofensivo.

Carlinhos, Ganso e Pato formaram o trio de criação em frente aos volantes, por isso e o 4-3-3 se transformou em 4-2-3-1, quando o Ceará conseguiu bloquear a entrada da área do goleiro Luis Carlos.

O time de Marcelo Cabo tentou intensificar o que havia realizado no Morumbi.

Priorizou a parte defensiva ao se posicionar no 4-1-4-1 ultra-defensivo com flutuação para o 3-6-1.

O trio de zaga teve Gilvan, Charles e Wellington Carvalho. O meio de campo com Tiago Cametá e Sanchez pelos lados, Carlão, João Marcos e Wescley entre eles, e Fabinho completando o congestionamento, tentou impedir o São Paulo de entrar na área e investir nos lançamentos para Siloé no contra-ataque.

Como Tiago Cametá e Sanchez são laterais, eles recuaram para a linha dos zagueiros, Wellington Carvalho avançou um pouco para se dividir entre as funções de terceiro jogador da função e volante, Carlão, João Marcos, Wescley e Fabinho formaram o quarteto no meio de campo e Siloé se manteve como atacante que participou da marcação.

Muita catimba e algumas faltas duras agregaram ao ferrolho os ingredientes para o Ceará tentar não tomar mais de um gol e seguir no torneio.

Geometria imprecisa 

Fabinho teve a oportunidade de fazer o gol, em contra-ataque, após Thiago Mendes perder a bola no meio de campo, mas finalizou mal, apesar de ter ficado cara a cara com Rogério Ceni.

O São Paulo, mesmo com muita posse de bola ofensiva, teve dificuldade para chutar em gol e até para fazer os cruzamentos, pois alguns foram muitos curtos.

Mas o futebol não faz medidas milimétricas e precisas das construções técnicas e táticas na hora de determinar resultados.

Cinco minutos antes do intervalo, Wellington Carvalho deu carrinho desnecessário, perto da linha do meio de campo, em Alexandre Pato – foi quem mais apanhou- , acertou as duas perdas dele e mereceu ser expulso.

Pouco depois, o lateral Sanchez tentou impedir Carlinhos de driblar na diagonal, demorou um segundo a mais que o ideal e o são-paulino, experiente, permitiu o contato e cavou o pênalti brasileiro.

Rogério Ceni cobrou e fez 1xo.

Menos e mais

Não há nenhum exagero em dizer que o Ceará marcou melhor no Castelão que no Morumbi.

E nem que houve mais oportunidades de conseguir o contra-ataque ou que não teve, semana passada, lance mais fácil que o de Fabinho para fazer o gol.

Apesar de uma agremiações melhorar e a outra piorar, o resultado favorável,  antes do intervalo, foi exatamente oposto ao do jogo anterior.

Osorismo

O Ceará tinha que reforçar a proposta defensiva depois de tomar o gol e ficar com 10 em campo, mas decidiu tentar o gol após o intervalo.

Não foi por isso que o São Paulo fez 2×0.

Tal qual Juan Carlos Osorio havia pedido, Thiago Mendes foi para a entrada da área com pouca marcação e acertou chute forte, preciso, no canto direito.

Aos críticos da modernização tática que o treinador tenta implementar e tende a demorar para conseguir, lembro que um dos gols nasceu com Carlinhos no ataque, o outro com o volante da maneira treinada pelo colombiano, e que Michel Bastos finaliza melhor que o Thiago Mendes de lá e poderia fazer igual.

Por isso, se a proposta coletiva funciona ou não é algo que depende dos jogadores, mas que o plano de jogo e a escalação têm lógica não se pode questionar muito.

Alterações

Wilder e Hudson entrou para aumentar a pegada no meio de campo depois do 2×0.

Ao 23, Michel Bastos, porque tinha o amarelo, deu lugar ao Wesley, e quase junto Sandro e Rafael Costa foram ao gramado para Gilvan e Siloé, que caiu de rendimento, irem embora.

O Ceará não conseguiu volume de jogo ofensivo.

O São Paulo passou a tocar a bola no meio de campo para manter o time de Marcelo Cabo longe do ataque, enquanto tentou encontrar a lacuna e fazer o gol que tornaria quase impossível a perda da classificação.

Julio Cesar foi ao gramado, Wescley saiu, para tentar otimizar o sistema ofensivo,.

As mexidas no Ceará não tiveram impacto no andamento do jogo

Fechou

Aos 30, Bruno cruzou, Alexandre Pato chutou forte e comemorou.

Depois o São Paulo, ciente que tinha garantido a permanência no torneio, se poupou mantendo a bola.

Mereceram

A torcida do Ceará aplaudiu seus jogadores após a eliminação porque mostraram muita garra.

O otimismo dela para o rebaixamento não acontecer deve ter aumentado.

O São Paulo foi superior tanto no Morumbi quanto no Castelão.

Fez o suficiente, contra uma agremiação muito desfalcada, para seguir no torneio.

Ficha do jogo

Ceará – Luís Carlos; Gilvan (Sandro), Charles e Wellington Carvalho; Tiago Cametá, Carlão, João Marcos, Wescley (Júlio César), Sanchez e Fabinho; Siloé (Rafael Costa)
Técnico: Marcelo Cabo

São Paulo – Rogério Ceni; Bruno, Rodrigo Caio, Luiz Eduardo e Reinaldo (Matheus Reis); Thiago Mendes, Michel Bastos (Wesley) e Paulo Henrique Ganso; Carlinhos, Wilder (Hudson) e Alexandre Pato
Técnico: Juan Carlos Osorio

Árbitro: Pablo dos Santos Alves – Assistentes: Clóvis Amaral da Silva e Luís Filipe Gonçalves Correa

3 respostas a São Paulo cumpre obrigação de eliminar reservas do Ceará

  1. Joaquim Paulino disse:

    Birner, como um time que estava em franca evolução tática e técnica como o havia demonstrado contra o galo mineiro, contra o Small e contra o Figueirense pode, repentinamente , desabar como ocorreu como SPFC contra Goiás, Ceará e Flamengo? Para mim é inexplicável e só posso supor que houve uma tentativa por parte de alguém da diretoria e alguns jogadores em derrubar o ozório e essa tentativa foi rechaçada pelo Ataíde e o Aidar, mas que botaram panos quentes para esconder os culpados , especialmente os jogadores envolvidos e evitar a desintegração do grupo. Seja o que for é preciso que haja um apoio total ao Ozório para mostrar aos insatisfeitos que o ozório fica e eles saem. E tenho dito

    • Valderramas disse:

      Caro Joaquim Paulino, essa sua teoria pode até ser verdadeira; isso muitas vezes acontece mesmo, mas no caso do SP agora, não acho que seja isso. Na minha opinião, o SP perdeu do Goiás daquele jeito, porque o Osório mexeu demais e o time ficou perdido; depois contra o Ceará, o time até que foi bem, mas infelizmente a bola não entrou e tomamos o primeiro gol de bobeira; só que, com essa segunda derrota seguida, ainda mais perdendo de um time de segunda divisão, o baque psicológico foi grande, a ponto também de afetar o rendimento contra o Flamengo, dando dois gols de presente. Agora novamente contra o Ceará, percebeu-se que o time iniciou o jogo ainda nervoso/inseguro psicologicamente. Graças a Deus saiu o primeiro gol e foi como que se tivesse tirado 1.000 kg de cima dos jogadores. A partir daí, o SP foi outro, muito mais tranquilo e seguro e conseguiu fazer mais dois gols. Acredito que o Ozório não vai mais cometer esse erro que cometeu contra o Goiás e vamos melhorar bastante daqui pra frente, principalmente depois que o Breno e o Kardec voltarem. Acho que o recém contratado Rogério também vai jogar bem. Um abraço e VAMO SÃO PAULO.

  2. Mancha Negra disse:

    Direto ao ponto! Dou a mão à palmatória para o Osório, em relação ao Carlinhos. Ele é muito melhor do que os dois atacantes estrangeiros juntos. Mesmo sendo canhoto tá jogando muito pelo lado direito. Precisa treinar muito: como atacante, com o pé direito e chutes a gol. Eu tentaria o Pato pela direita e levaria o Carlinhos como atacante pela esquerda. O Michel na lateral, para tabelar com o Carlinhos. Quando Michel avança Carlinho faz cobertura no setor esquerdo. Bruno ficaria no banco e eu insistiria com o Auro. Thiago Mendes revelou-se um grande chutador e precisaria treinar mais arremates de fora da área. Time ideal pra começar jogando: Ceni, Lucão,Luiz Eduardo, Rodrigo Caio, Thiago Mendes, Michel, Auro, Ganso, Carlinhos, Fabiano e Pato. Com esse time o SP pode crescer no Brasileiro e fazer um bom papel na Taça Brasil.

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